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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

The Woman In Red | A Dama de Vermelho

Direção | Gene Wilder
Produção | Victor Drai
Roteiro | Jean Loup Dabadie, Yves Robert
Estados Unidos | 1984

Elenco
Gene Wilder | Charles Grodin
Joseph Bologna | Judith Ivey
Kelly LeBrock | Gilda Radner

Música | John Morris, Stevie Wonder

The Woman in Red (A Dama de Vermelho) é um filme americano de 1984, do gênero comédia romântica, dirigido por Gene Wilder.

A música do filme é de John Morris e as canções de Stevie Wonder, cantadas por Stevie Wonder e Dionne Warwick.

O executivo Teddy Pierce sempre andou na linha... até conhecer a dama de vermelho. Com pernas maravilhosas e um estilo de arrasar, a sexy Charlotte é tudo aquilo que a fantasia ousa imaginar. Teddy está fadado a se encrencar, após ter decidido ceder, só esta única vez, à tentação, e ele está ansioso pelo momento mais romântico de sua vida. Mas o que Teddy não pode antever são as hilárias complicações que ocorrem quando seus amigos, sua secretária e o marido de Charlotte se envolvem na história.

1984 | THE WOMAN IN RED
(A Dama de Vermelho)
Original Motion Picture Soundtrack


01. The Woman in Red
02. It's You (with Dionne Warwick)
03. It's More Than You (Instrumental)
04. I Just Called to Say I Love You
05. Love Light in Flight
06. Moments Aren't Moments (Solo by Dionne Warwick)
07. Weakness (with Dionne Warwick)
08. Don't Drive Drunk



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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Stevie Wonder | Songs In The Key Of Life


O melhor disco de soul-music de todos os tempos

Stevie Wonder queria sair da Motown. Queria, de qualquer jeito, se livrar da alcunha Little Stevie e ter liberdade para falar sobre amor, a influência da luta pelos direitos civis e testar novos arranjos em sua música.

Berry Gordy Jr., chefe da bem-sucedida gravadora, não tinha outra alternativa; a experiência do que se resultou com Marvin Gaye – uma discussão que culminou em What’s Going On (1971), até hoje o disco mais celebrado de sua carreira – lhe dava boas projeções. Então, decidiu mantê-lo e deixá-lo no controle de tudo.

Os quatro discos anteriores arrasaram quarteirões:

• Music of My Mind (1972) mostrou o poder do hit “Superwoman (Where Were You When I Needed You)”;
• Talking Book foi um dos melhores de toda sua carreira, vide “You Are the Sunshine of My Life”, “Superstition” e “I Believe”;
• Innervisions (1973) cravou de vez sua grandiosidade, com as pérolas “Too High”, “Golden Lady”, “Higher Ground”;
• E o seguinte, Fulfillingness’ First Finale (1974), faturou o Grammy devido ao sucesso de “You Haven’t Done Nothin'” e “They Won’t Go When I Go”.

Mas, se tiver que escolher apenas um disco de Stevie Wonder, o disco é Songs in the Key of Life. O nome é pomposo, e se relaciona com a necessidade de gêneros como rock e R&B em se reinventar, vide The Payback (James Brown) e There’s a Riot Goin’ On (Sly & The Family Stone). Tem também a ver com renascimento: naquele momento, Stevie Wonder captou a profusão do fusion-jazz do Weather Report e a presença cada vez mais aceita dos sintetizadores nas músicas, além da profusão de possibilidades diversas para a soul-music e o funk.

Há quem o critique pela utilização dos synths em “Pastime Paradise”, um crescendo orquestral com detalhes cortantes. De fato, a canção foi uma das ‘precursoras’ do estilo predominante no R&B romântico dos anos 1980 – uma amarra em que até mesmo ele caiu.

Estruturalmente, “Pastime Paradise” é um soul de contornos funk. A orquestração serve para demarcar a profundidade do tema – que fala sobre a alienação ao passado.

A conexão entre o que foi e o otimismo do que está por vir, na verdade, é seu grande opus. A junção da música europeia e da música africana complexifica o discurso de Stevie: ‘Eles estão gastando a maioria de suas vidas/Vivendo em um paraíso passatempo’.

“Love’s in Need of Love Today”, canção que abre o disco, também antecipou uma tendência da soul-music daí em diante: o call-and-response numa dinâmica diferente, em que o sussurro se integra como elementos musical e emocional.

Quando foi lançado, em 1976, Songs in the Key of Life era praticamente um combo: um álbum duplo, com mais um EP de acompanhamento. O termo combo também pode ser aplicado às referências do disco: o gospel trincado de “Have a Talk With God”, o free-funk instrumental de “Contusion”, a balada funkeada de “Ordinary Pain”… A coleção de músicas forma um tesouro, tanto que um crítico da BBC não receou em dizer: “A vida, literalmente, não pode ser completa sem este disco”.

É muito fácil gorjear pelo hibridismo musical de Songs in the Key of Life, mas se tem algo que ele representa, e poucos mencionam, é seu gigantismo pop. Atente para “Sir Duke”: o single abraça o funk e as guitarras do jazz, que passava por uma ressignificação estilística naqueles vindouros anos 70, vide Bitches Brew (1970), The Inner Mounting Flame (1971) e o contemporâneo Breezin’ (1976), de George Benson – por sinal, o laureado guitarrista é um dos principais artífices sonoros de Songs in the Key of Life.

“I Wish”, por si só, rendeu um Grammy a Stevie Wonder, por melhor performance. As cordas são bem arregimentadas e sintetizam uma formidável transição entre o lamento e a glória.

“O que Wonder faz em “I Wish” é situar uma maldade na bagagem, por conta de seu poder de cura, sua habilidade de fazer com que o indivíduo sinta vivo”, disse o biógrafo James Perone em The Sound of Stevie Wonder: His Words and Music.

O lado curador de Stevie Wonder ganha distintos aspectos no decorrer das canções. Em “Knocks Me Off My Feet”, é a sua ligação com o piano que lhe garante o toque de Midas.

Já “Village Ghetto Land” constitui uma ópera cronista, que dramatiza o que classificamos como status quo numa clara referência aos conflitos da luta pelos direitos civis: ‘Vidros quebrados estão por todos os lugares/É uma cena sangrenta/Os assassinatos afligem os cidadãos/A menos que dominem a polícia’.

Disco 2 de Songs in the Key of Life
Com o acúmulo de joias do disco 1, no disco 2 Stevie expandiu as arestas de como jazz, funk e eletrônica se condensariam na soul-music. “Isn’t She Lovely” põe a harmônica nesse meandro, sintetizando a alegria de quem se depara com uma pessoa tão cheia de atributos, que dá até orgulho de amar.

“If It’s Magic” parece o rascunho de uma balada lúdica, enquanto “As” se destaca como uma das melhores do disco. A canção, que chegou ao nº 36 das paradas Billboard, fala do amor enquanto uma necessidade de alcance. A insistência é transmitida pelos backing vocals. De tão voraz por este sentimento, Stevie altera a voz, quase chegando ao tom semelhante a um maníaco, um obsessivo. Herbie Hancock colabora com seu piano elétrico afastado, característica de seu lado ‘músico de estúdio’. (Em outubro de 1977, a canção foi lançada como single, com “Contusion” como lado B.)

“Saturn” é mais uma das músicas para colocar no status de grandiosa. Nela, Stevie sela parceria com o guitarrista Mike Sembello, famoso pelo grupo canadense Klaatu. Ela é praticamente um take escapista dos problemas sociais, raciais e sentimentais abordados em Songs in the Key of Life.

“Ebony Eyes” – que não tem nada a ver com o clássico de Rick James e Smokey Robinson, também da Motown – é um tributo à beleza feminina, enquanto “All Day Sucker” lembra os anos de Music of My Mind com seu estilo flashback meio space-funk. Nela, vemos o quanto Wonder se apropriou dos sintetizadores, quase transfigurando sua pureza por completo.

Por fim, o disco se encerra com “Easy Goin’ Evening (My Mama’s Call)”, tomado pelo lamento blueseiro da harmônica. Um saudosismo para uma obra que, 40 anos depois, permanece… saudosa.

Por fim, as palavras de Perone sobre a representatividade de Songs in the Key of Life:

“Contendo elementos de nostalgia, consciência social, espiritualidade e um largo alcance de estilos e texturas musicais, ‘Songs in the Key of Life’ captura a imaginação do público americano: foi muito bem-sucedido nas paradas pop e R&B, oferecendo singles de muito sucesso, como “Sir Duke” e “I Wish”. (…) Se for analisado como uma coleção de músicas individuais, ‘Songs in the Key of Life’ é um registro formidável e continua a permanecer como um dos melhores discos da era do rock”.


Sem exageros: o melhor disco de soul-music de todos os tempos.

Texto | Tiago Ferreira

1976 | SONGS IN THE KEY OF LIFE

CD 1
01. Love's In Need Of Love Today
02. Have A Talk With God
03. Village Ghetto Land
04. Contusion
05. Sir Duke
06. I Wish
07. Knocks Me Off My Feet
08. Pastime Paradise
09. Summer Soft
10. Ordinary Pain

CD 2
11. Isn't She Lovely
12. Joy Inside My Tears
13. Black Man
14. Ngiculela - Es Una Historia (I Am Singing)
15. If It's Magic
16. As
17. Another Star

EP: A Something's Extra Bonus
18. Saturn
19. Ebony Eyes
20. All Day Sucker
21. Easy Goin' Evening (My Mama's Call)

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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Stevie Wonder | Fulfillingness' First Finale


Fulfillingness' First Finale é o álbum de Stevie Wonder, um dos álbuns de seu "período clássico" na década de 1970. Segundo a revista Billboard, foi o primeiro álbum de estúdio de Wonder para o topo do Pop Albums Chart onde permaneceu por duas semanas, enquanto ele era o seu terceiro álbum no topo da R&B/Black Albums onde passou nove semanas não-consecutivas.

Na sequência da varredura épica e consciência social de Innervisions, este conjunto projetado um tom reflexivo, decididamente sombrio. Os arranjos musicais utilizados em várias músicas ao mesmo tempo magistral poderia ser considerado escasso em comparação com os outros entre as suas obras-primas da década de 1970, especialmente evidente na sombria They Won't Go When I Go" e na discreta "Creepin'".

Embora um som bastante pessoal, Wonder não renuncia completamente seus comentários sociais sobre o mundo ao seu redor. Seu hit número 1 "You Don't Have Nothin'" lançou uma crítica afiada sobre a administração de Nixon, reforçada por um clavinete funky, caixa de ritmos e a participação especial dos Jackson 5 no coro.

O disco acabaria ganhando brevemente o Grammy por Melhor Permormance Pop Vocal Masculina, Melhor Performance Vocal R&B Masculino por "Boogie on Reggae Woman" e Álbum do Ano em 1974.

Texto | Wikipédia

1974 | FULFILLINGNESS' FIRST FINALE

01. Smile Please
02. Heaven Is 10 Zillion Light Years Away
03. Too Shy To Say
04. Boogie On Reggae Woman
05. Creepin'
06. You Haven't Done Nothin'
07. It Ain't No Use
08. They Won't Go When I Go
09. Bird Of Beauty
10. Please Don't Go

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sábado, 19 de outubro de 2019

Stevie Wonder | Innervisions


Atento às injustiças sociais de seu tempo, soulman gravou um de seus melhores discos

Stevie Wonder pode não enxergar, mas suas visões interiores são mais interessantes e complexas do que podemos imaginar. Ao contrário de grandes artistas que se aprofundaram nas drogas e expeliram seus demônios em canções clássicas, Stevie preferiu seguir o caminho de encontrar a tão distante paz sem soar religioso ou dogmático demais.

Depois de uma bem-sucedida carreira bancada pela Motown, Stevie estava inspirado no começo da década de 70, quando entregou alguns de seus melhores trabalhos. E Innervisions, se não for o melhor deles, não poderia ficar de fora do panteão.

O groove dos pianos de Stevie já aparecem logo na primeira faixa, “Too High”, que critica uma garota que pretende ‘chegar aos céus’ por vias alucinógenas. Uma das melhores do álbum, “Living For The City” conta a crônica de uma cidade com base em uma família que vive mal ‘pela cidade‘.

Naquele momento a canção refletia a conturbada vida dos negros norte-americanos, mas tem um paralelo interessante com nossa realidade: lembra aquelas pessoas que tentam uma vida melhor nas grandes cidades, mas se deparam com a injustiça social.

Essa destreza acaba influenciando negativamente sua prole, que sofre na pele os preconceitos de forma direta e têm que encarar esse choque cultural de alguma forma, seja pela violência ou pela aceitação. Stevie Wonder tenta dar positivismo a quem vive dessa maneira quando diz: ‘Se não mudarmos o mundo, ele vai acabar em breve‘.

De fato, seria injusto apontar quais seriam as ‘melhores canções’ do álbum. Todas têm a sua importância e são belíssimas, tratadas como pérola por um dos maiores soulman já existentes.

“Golden Lady” é uma balada divina, “Visions” serve como o editorial de todo o disco: ‘Apenas sei o que digo (…) e todas as coisas têm um fim‘. Mais profundo que as belas composições é o ritmo fluido da banda, que consegue encaixar perfeitamente cada nota de sax, cada slap de contrabaixo (vide “Higher Ground”), os solos de guitarra nos lugares perfeitos.

Obra de mestre, mas ainda há bastante controvérsia quando o assunto é nomear o melhor álbum de BIG Stevie: Talking Book (1972) e Songs In The Key Of Life (1976) entram na disputa.

Innervisions, claro, completa essa trinca imbatível do soulman.

Texto | Tiago Ferreira

1973 | INNERVISIONS

01. Too High
02. Visions
03. Living For The City
04. Golden Lady
05. Higher Ground
06. Jesus Children Of America
07. All In Love Is Fair
08. Don't You Worry 'Bout A Thing
09. He's Misstra Know-It-All

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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Stevie Wonder | Talking Book


Há uma piada dos irmãos Marx que define bem a situação de Stevie Wonder na gravadora Motown. Em Uma Noite Em Casablanca, Groucho Marx encarna um diretor de hotel que decide trocar os números dos quartos dos hóspedes. Quando um deles reclama que aquilo seria "uma loucura", Groucho replica: "Mas também seria uma diversão dos diabos!"

A maior "loucura" de Stevie Wonder chamou-se Talking Book e cristalizou a independência do cantor em relação aos padrões rígidos da Motown. Até então, na gravadora americana,as músicas deveriam ter três minutos –no máximo-e abordar nas letras temas como o amor e futilidades.Wonder queria ter controle total de suas produções e ainda a liberdade para fazer as músicas que quisesse, com a duração que bem entendesse.

Com o passar dos anos,essa exigência ficou cada vez mais cara para os cofres da gravadora e ainda menos rentável com a perda de prestígio de Wonder. Mas pelo menos ele conseguiu emplacar diversas obras-primas.

Talking Book veio mostrar um artista maduro aos 22 anos, brincando com uma invenção dos anos 70, o sintetizador – que foi descoberto em Music Of My Mind, seu disco anterior, também de 72.
Os instrumentos em que Wonder não meteu a mão foram tocados por gente da categoria de Jeff Beck (o solo de guitarra em "Lookin' For Another Pure Love") e do saxofonista David Sanborn ("Tuesday Heartbreak"). As letras, em sua maioria, falavam da separação de Wonder e Syreeta Wright, da descoberta de um novo amor pelo compositor, de política e misticismo.

"Superstition" foi o maior hit do disco e quase virou um sucesso com Jeff Beck. Wonder havia cedido a música para o guitarrista e se recusava a lançá-la em single. "Você está louco? Esta canção tem de promover o álbum", rebateu o pessoal da Motown. Não é preciso ser nenhum gênio para apostar no sucesso da música.

Basta ouvir a introdução, com a marcação forte da bateria e o sintetizador de Wonder. O resultado foi um estremecimento da amizade entre o temperamental Beck e o cantor/compositor.

A relação entre Wonder e Syreeta foi destrinchada em "Maybe Your Baby", "Tuesday Heartbreak", "You've Got It Bad Girl" e "Blame It On The Sun". Na primeira, Wonder colocava para fora os fantasmas do ciúme e da solidão, com timbres estranhos de sintetizador e os wah wahs da guitarra de Ray Parker Jr. (que depois fez um pífio trabalho-solo).

"Tuesday" é uma visão irônica sobre o fim de uma relação e na letra de "Blame It On The Sun", co-escrita com Syreeta, ele busca uma resposta para o fim do amor entre os dois. Mas ele colocava uma certa esperança no disco. "You Are The Sunshine Of My Life" nasceu de seu namoro com a vocalista Gloria Barley, que dividiu os vocais com ele na música. E para quem duvidava de sua capacidade em temas políticos, Wonder rebateu com "Big Brother" - paralelo entre o "Grande Irmão" de 1984, livro de George Orwell, e o pouco caso do governo americano em relação aos negros.
Quem acha que ele é só baladeiro, tem aqui a prova de seu gênio.

Texto | Discoteca Básica da Bizz | Edição 110, Setembro de 1994

1972 | TALKING BOOK

01. You Are The Sunshine Of My Life
02. Maybe Your Baby
03. You And I (We Can Conquer The World)
04. Tuesday Heartbreak
05. You've Got It Bad Girl
06. Superstition
07. Big Brother
08. Blame It On The Sun
09. Lookin For Another Pure Love
10. I Believe (When I Fall In Love It Will Be Forever)

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domingo, 13 de outubro de 2019

Stevie Wonder | Music Of My Mind


MUSIC OF MY MIND: A MAIORIDADE FUNKEADA DE STEVIE WONDER

A carreira de um músico de primeira linha normalmente tem quatro períodos:

1) O início lento, mas que sofre evolução ao som de progressivo e precoce talento;
2) A maturação musical;
3) A fase de clássicos, onde após muitos anos de experiência e sonoridades, a mina de ouro (criativamente) é encontrada;
4) A estabilização sonora, uma época onde cada registro tem um pouco das três fases citadas anteriormente, um período não muito criativo, mas mesmo assim, relevante e uniforme em qualidade.

Vocês podem até discordar comigo em certas afirmações escolhidas, mas no geral é bem isso que foi listado, é claro que pode se alterar, mas sempre mantendo uma “previsibilidade”. E para ilustrar tal ponto escolhi um músico que passou por todo este processo, assim mesmo, da forma linear como lhes foi descrito. Falo do prodígio da Motown, um dos maiores músicos que já viveram, o ícone do Soul/Funk, Stevie Wonder, e seu décimo quarto disco de estúdio, “Music Of Mind“, lançado em 1972. O trabalho que estabeleceu seu feeling sublime na mente de milhões de amantes da música e inaugurou uma década brilhante na carreira de um dos maiores gênios de nosso tempo.

Esse LP veio na hora perfeita dentro da carreira de Stevie, e não digo isso apenas para enumerar fatos vazios, até porque esse trabalho foi um enorme sucesso, então seria um pleonasmo dos mais brabos, temos uma explicação para este adendo.

Em 1972 Wonder completou 21 verões dedicados ao Soul e ao Funk, e como este que vos toca é americano da gema, nós sabemos que de acordo com as métricas do primeiro mundo, um cidadão só é maior de idade quando atinge este numeral. E mesmo sem parecer nada demais, para o músico foi mais um grande passo.

Como o tecladista foi um prodígio e tocava desde muito jovem (com 12 anos já possuáa contrato com a Motown), seu Funk teve um contrato especial, já que teria suas despesas pagas pelo Label, um tutor, viajaria com sua mãe e deixaria seus royalties rendendo no banco, apenas esperando seu vigésimo primeiro aniversário para começarem a serem devidamente apreciados. Por isso que disse que “Music Of My Mind” veio num momento chave, significou a total liberdade de um dos músicos mais visionários de nosso tempo, que paradoxalmente cego, prova que não basta ouvir, o negócio é sentir, e quem já ouviu o negrão abrir a boca sabe que poucos sentem o som como este o faz.

Portanto, o ponto primordial a ser compreendido é que este registro divide a carreira do mestre em dois, estilo A.C e D.C. Sua cozinha era uma até este LP, e foi outra depois, absolutamente seminal e tão fermentada, criativamente falando, que sete meses depois já rendeu mais um clássico, “Talking Book”, o disco que fora idealizado para esta resenha inicialmente, mas que caiu por terra quando coloquei esse aqui para fazer a base de minhas ideias… Fui traído, muito bem traído diga-se de passagem.

Aqui temos um músico absolutamente confiante, adentrando e acrescentando texturas com sintetizadores, tocando a maior parte dos instrumentos e liricamente falando, gravando um de seus melhores vocais, acompanhando com a já usual perícia no marfim malhado.

E aquele groove responsa com clima de improvisação descompromissada, com músicos absolutamente livres em estúdio, possibilita uma química que além de acima da média chega até a alongar a Jam. Sete minutos com a abertura “Love Having You Around“, oito com “Superwoman“, e depois que embala é hit atrás de hit. “I Love Every Little Thing About You“, “Sweet Little Girl“, “Happier Than The Morning Sun“… É tanto embalo que o ouvinte termina esse e já começa o “Talking Book” na emenda. Aprecie o teclado tunado do mestre e sinta a independência de tudo que forma este clássico.

Texto | Guilherme Espir

1972 | MUSIC OF MY MIND

01. Love Having You Around
02. Superwoman
03. I Love Every Little Thing About You
04. Sweet Little Girl
05. Happier Than The Morning Sun
06. Girl Blue
07. Seems So Long
08. Keep On Running
09. Evil

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Stevie Wonder


Cantor e pianista norte-americano de soul, rhythm & blues e pop.







1962 - The Jazz Soul Of Little Stevie: Download

1962 - Tribute to Uncle Ray: Download

1963 - The 12 Year Old Genius (Live): Download

1963 - With a Song in My Heart: Download

1964 - Stevie At The Beach (HCD): Download

1966 - Down to Earth: Download

1966 - Uptight (Everything's Alright): Download

1967 - I was made to love her: Download

1967 - Someday at Christmas: Download

1968 - Eivets Rednow...Alfie: Download

1968 - For Once In My Life: Download

1969 - My Cherie Amour: Download

1970 - Signed Sealed And Delivered: Download

1971 - Greatest Hits Vol 2: Download

1971 - Where I'm coming from: Download

1972 - Music Of My Mind (Japan SHMCD): Download

1972 - Music Of My Mind: Download

1972 - Talking Book (Audio Fidelity AFZ 076): Download

1972 - Talking Book (Japan SHMCD): Download

1973 - Innervisions (Japan SHMCD): Download

1973 - Innervisions: Download

1973 - Live at the Rainbow (CD1999): Download

1973 - Live In Brighton: Download

1974 - Fulfillingness First Finale (Japan SHMCD): Download

1974 - Fulfillingness First Finale: Download

1975 - Live In NYC: Download

1976 - Songs In The Key of Life CD1 (Japan SHMCD): Download

1976 - Songs In The Key of Life CD2 (Japan SHMCD): Download

1976 - Songs In The Key of Life Vol I (Original): Download

1976 - Songs In The Key of Life Vol II (Original): Download

1979 - Journey Through The Secret Life Of Plants CD1 (France): Download

1979 - Journey Through The Secret Life Of Plants CD2 (France): Download

1979 - Journey Through the Secret Life of Plants Vol I (HCD UK): Download

1979 - Journey Through the Secret Life of Plants Vol II (HCD UK): Download

1980 - Hotter Than July (Japan paper sleeve SHMCD): Download

1980 - Hotter Than July: Download

1984 - I Just Call To Say I Love You (Singles LP+CD2010 HDCD UK): Download

1984 - Original Musiquarium 1 CD1: Download

1984 - Original Musiquarium 1 CD2: Download

1984 - The Woman In Red (OST): Download

1985 - In Square Cyrcle: Download

1985 - Love Songs - 20 Classic Hits: Download

1987 - Characters (LP): Download

1987 - Characters: Download

1991 - Jungle Fever (OST): Download

1995 - A Night of London: Download

1995 - Conversation Peace: Download

1996 - Greatest Hits Collection: Download

1996 - Natural Wonder CD1 (Live): Download

1996 - Natural Wonder CD2 (Live): Download

1996 - Song Review (A Greatest Hits Collection): Download

1998 - A Jazz Tribute to Stevie Wonder: Download

1999 - At The Close Of A Century CD1 (Box Set): Download

1999 - At The Close Of A Century CD2 (Box Set): Download

1999 - At The Close Of A Century CD3 (Box Set): Download

1999 - At The Close Of A Century CD4 (Box Set): Download

1999 - World Ballads Collection: Download

2000 - First Hits: Download

2002 - The Definitive Collection CD1: Download

2002 - The Definitive Collection CD2: Download

2003 - Conception (An interpretation of Stevie Wonder's songs): Download

2004 - Blue Note Plays Stevie Wonder (V.A. Tributes): Download

2004 - Mixed DJ Spinna & Bobbito CD1 (All Mixed Up): Download

2004 - Mixed DJ Spinna & Bobbito CD2 (Straight Up): Download

2005 - A Time To Love: Download

2007 - Number Ones: Download

2007 - Stevie Wonder's Lost Treasures (Archives): Download

2009 - Best Of: Download

2009 - Live At Last (London 2008): Download

2009 - Never Dreamed You d Leave Me In Summer (Single 07-09-2009): Download

2014 - Camille - I Sing Stevie The Stevie Wonder Songbook: Download

2017 - I've  Changed My Mind A Second Time: Download