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domingo, 29 de março de 2020

V.A. - Brazilian Post Punk


Duas décadas após ter passado desapercebido pelo grande público, o pós-punk brasileiro é tema de duas compilações internacionais: "Não Wave - Brazilian Post Punk 1982-1988", que acaba de ser lançada na Alemanha pelo selo Man Recordings, e "The Sexual Life of the Savages - Underground Post-Punk from Brazil", da gravadora inglesa Soul Jazz.

Os discos têm diferenças sutis entre si. "Não Wave", por exemplo, traz em seu repertório uma música inédita do Ira!, "Lá Fora Pode até Morrer"; o punk funk dos cariocas do Black Future; "Prince no Deserto Vermelho", da "superbanda underground" AKT, formada por integrantes dos grupos De Falla (Porto Alegre), R. Mutt (Belo Horizonte), Mercenárias e Bruhaha Babélico (SP); e "Agentss", do Agentss.

"The Sexual Life of the Savages" é mais paulistana e tem a dissonância dark do Smack; "Madame Oráculo do Nau", que revelou Vange Leonel; o groove inventivo do Gueto; dois momentos robustos da Patife Band; a new wave tropical da Gang 90 & Absurdettes; Cabine C, de Ciro Pessoa, um dissidente dos Titãs; e a eletrônica santista do Harry. Akira S & as Garotas que Erraram, Fellini, Mercenárias, Chance e Muzak são onipresentes nos dois registros.

"Selecionamos músicas de que gostamos. É lógico que muita coisa legal ficou de fora", diz Bruno Verner, 33, do Tetine, que assina, ao lado de Eliete Mejorado, a curadoria do projeto.

A idéia surgiu em 2004, depois de um especial das Mercenárias feito no programa de rádio Slum Dunk, que o Tetine mantém na Resonance FM de Londres. Segundo Verner, a gravadora adorou as composições, entrou em contato, e as conversas resultaram no álbum que tem como título uma das frases da canção "Nosso Louco Amor", de Júlio Barroso e Herman Torres.

"Escolhemos "The Sexual Life of the Savages" primeiro para homenagear o Júlio, pois o começo dessa história no Brasil se deve muito a ele e à Gang 90. Segundo, porque queríamos brincar com a imagem selvagem que o Brasil tem para o mundo com ironia e ao mesmo tempo celebratória", diz Verner.

O produtor inglês Andy Comming, 40, seis anos de Brasil, foi o responsável pela concepção de "Não Wave". Na seleção, teve o auxílio de dois importantes personagens da cena: o jornalista, músico e escritor Alex Antunes, do Akira S, e o guitarrista Miguel Barrella, do Agentss, Voluntários da Pátria e Gang 90. "Reunimos o material que foi masterizado em Berlim", diz Comming.

Segundo o produtor, o lançamento já está repercutindo. "DJs têm tocado as faixas, críticos como [o britânico] Simon Reynolds [autor do livro "Rip It Up And Start Again: Post-Punk 1978-1984'] ficaram surpresos, e a revista alemã De-Bug publicou uma resenha bem positiva."

Para Alex Antunes, 45, as revisões internacionais servem de alento psicológico aos envolvidos. "Achávamos que toda aquela intensidade iria se perpetuar, mas de certo modo o movimento se perdeu. Isso deixou uma sensação esquisita em muitos de nós. Os álbuns permitem que a cena, que foi enterrada viva, dê uma respirada", diz Antunes.

Texto | Rodrigo Carneiro

2005 | NÃO WAVE
(Brazilian Post Punk 1982 - 1988)


01. Agentss | Agentss
02. Black Future | Eu Sou o Rio
03. Akira S & as Garotas Que Erraram | O Futebol
04. Akira S & as Garotas Que Erraram | Sobre as Pernas
05. Azul 29 | Ciências Sensuais
06. Chance | Samba do Morro
07. Fellini | Teu Inglês
08. Fellini | Funziona Senza Vapore
09. Ira! | Lá Fora Pode Até Morrer
10. Akt | Prince no Deserto Vermelho
11. Vzyadoq Moe | Redenção
12. As Mercenárias | Polícia
13. Muzak | Ilha Urbana
14. Voluntários de Pátria | Iô Iô

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2005 | THE SEXUAL LIFE OF THE SAVAGES
(Underground Post-Punk from Sao Paulo, Brasil)


01. As Mercenárias | Inimigo
02. As Mercenárias | Pâico
03. Akira S & as Garotas Que Erraram | Sobre as Pernas
04. Akira S & as Garotas Que Erraram | Eu Dirijo o Carro Bomba
05. Fellini | Rock Europeu
06. Gang 90 | Jack Kerouac
07. Chance | Samba de Morro
08. Patife Band | Poema em Linha Reta
09. Patife Band | Teu Bem
10. Nau | Madame Óraculo
11. Chance | Striptease de Madame X
12. Smack | For a Daqui
13. Smack | Mediocridade Afinal
14. Fellini | Zum Zum Zazoeira
15. Muzak | Ilha Urbana
16. Cabine C | Tão Perto
17. Harry | You Have Gone Wrong

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sábado, 27 de outubro de 2018

Patife Band

Tudo começou em 1983, quando Paulo Barnabé fundou uma banda de nome Paulo Patife Band.

Irmão do músico Arrigo Barnabé, que trazia uma proposta ousada de misturar o erudito com o popular, o dodecafônico com o pop, além da atonalidade, Paulo arregimentou, em pouco tempo, um grupo de músicos para o projeto.

A música da banda seria mais rock do que a de Arrigo, com um pé no punk e no new wave, com elementos experimentais, jazz, além das letras provocativas, satíricas e até nonsense de Paulo. O Patife Band tinha um estilo próprio, sem similares no país. Um bom exemplo, por exemplo, seria o grupo norte-americano Pere Ubu.

Logo, a banda teria o nome reduzido para Patife Band e a formação traria, além de Paulo, André Fonseca (guitarra e voz), Sidney Giovenazzi (baixo e voz) e James Müller (bateria).

Segundo a pequena biografia do grupo no site myspace, "Paulo Barnabé tem influência das técnicas de composição erudita contemporânea de onde surgem ritmos assimétricos, células atonais, séries dodecafônicas. Há também assumida influência de punk-rock, do jazz e ritmos brasileiros, o que torna a 'brincadeira' ainda mais interessante!"

Após muito ensaio, em 1984, a banda prepara um repertório para o primeiro lançamento do grupo, um EP apenas com o nome Patife Band.

Curto em duração, longo em criatividade, o Patife mostrava porque foi considerado um dos expoentes da vanguarda paulistana, nos anos 80.

Letras irônicas, mudança de andamento e de estilo repentinos, muita técnica e inteligência fizeram o EP - lançado pelo selo Lira Paulistana - um achado. O trabalho abre com uma regravação da Jovem Guarda, "Tijolinho", de Wagner Benatti e traz o maior clássico do grupo, a feroz "Tô Tenso", além de uma divertida regravação do clássico natalino "Noite Feliz".

Tanto talento chamou a atenção da Warner, que os contrata para um LP. Assim, nasce uma das mais belas gemas obscuras do rock brasileiro dos anos 80, Corredor Polonês.

Mesmo gravando em uma major, o Patife manteve sua linguagem ousada. Corredor Polonês não difere muito do EP de estréia. O disco traz uma regravação de "Tô Tenso" - que posteriormente seria gravada pelos Ratos de Porão, além da faixa-título e "Teu Bem".

O grupo saiu em uma excursão para a promoção, onde se destacava Paulo Barnabé, com suas apresentações maníacas e que não parava um segundo sequer no palco.

Texto: Mofo

1985 | PATIFE BAND

Tijolinho
Pregador Maldito
Pesadelo
Tô Tenso
Noite Feliz
Peiote



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1987 | CORREDOR POLONÊS

Corredor Polonês
Pesadelo
Chapeuzinho Vermelho (Lil' Red Riding Hood)
Tô Tenso
Poema em Linha Reta
Teu Bem
Três por Quatro
Pregador Maldito
Vida de Operário
Maria Louca

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