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quarta-feira, 7 de junho de 2023

Leituras - maio de 2023

À semelhando do post que realizei no mês passado, aqui apresento as minhas leituras do mês de maio de 2023. Para além de livros que recebi das editoras, também irei falar sobre livros que estavam na pilha de leitura e também de alguns volumes de coleções que estou a acompanhar.


Homem-Aranha Vol. 9: O Fim do Duende Verde!

Uma das leituras que realizei este mês foi referente ao novo volume do Homem-Aranha da Coleção Clássica Marvel publicada pela editora Luppa e distribuída pelos jornais Record e Correio da Manhã.

Este volume que reúne os materiais publicados originalmente em Amazing Spider-Man (1966) #37-41 e Strange Tales Annual 2 (1963) tem argumentos de Stan Lee e ilustrações de Steve Ditko, John Romita e Jack Kirby. De facto, este volume é especial uma vez que as duas primeiras histórias marcam a despedida de Steve Ditko da revista do Homem-Aranha. É inegável o legado e importância que este autor tem tanto para a Marvel mas principalmente para este personagem, no entanto, senti que estas últimas duas histórias não foram tão interessantes como algumas das que ele ilustrou.


Para o substituir surge John Romita que também tem uma fase marcante com a personagem. E, de facto, são as duas primeiras histórias ilustradas por este artista que se destacam neste volume, nomeadamente a icónica Como Era Verde o Meu Duende. É nesta história que finalmente os leitores e o próprio Peter Parker descobrem a identidade do Duente Verde. A revelação de que Norman Osborn, pai de Harry Osborn, é o vilão é chocante e um dos marcos na história da personagem. Destaque ainda para a história de apresentação do Rhino e finalmente um cross-over com o Tocha Humana ilustrado por Jack Kirby. São 142 páginas do melhor que esta coleção tem para oferecer!


Quarteto Fantástico Vol. 12: Este Homem...Este Monstro!

Este volume que reúne as histórias publicadas originalmente em Fantastic Four (1963) #51-55, trata-se do quinquagésimo quinto volume da "Coleção Clássica Marvel" publicada pela editora Luppa e distribuída pelos jornais Record e Correio da Manhã.


A par da revista do Homem-Aranha, a fase do Quarteto Fantástico liderada por Stan Lee e Jack Kirby é de excelência e aqui temos mais um volume que reúne uma das melhores histórias de todo esta fase, bem como continua a apresentar conceitos e personagens que ainda hoje são relevantes para o universo Marvel, seja nos comics, seja nos filmes. A história Este Homem...Este Monstro trata-se de uma das mais icónicas aventuras do grupo.


Além disso, neste volume vemos a apresentação do Pantera Negra e de Wakanda, a nação que lidera. Este acontecimento é igualmente um marco na história da editora uma vez que apresenta um personagem negro e demonstra a atenção que Stan Lee e Jack Kirby davam aos movimentos e acontecimentos sociais que os rodeavam na altura de publicação destas revistas. O personagem inicialmente trava uma batalha com o grupo, no entanto e como em muitas outras histórias, este torna-se um aliado do grupo. Assim, o grupo e os leitores conhecem melhor Wakanda, a sua cultura e a sua incrível tecnologia. Este volume ainda conta com a presença do vilão Garra Sónica e com o regresso do Surfista Prateado e dos Inumanos. Mais um volume que demonstra a capacidade criativa da dupla Lee/Kirby.


Akira

Este mês também tive a oportunidade de ler Akira, no entanto, dado o meu entusiasmo com a qualidade desta obra, dediquei uma análise específica para a mesma que podem consultar carregando aqui.


Entretanto deixo a lista de todos os volumes que constituem a única edição nacional publicada:

Akira Volume 1: A Auto-Estrada
Akira Volume 2: O Poder de Tetso
Akira Volume 3: A Armadilha
Akira Volume 4: O Plano dos Anciãos
Akira Volume 5: O Despertar
Akira Volume 6: O Satélite Assassino
Akira Volume 7: A Missão de Sakaki
Akira Volume 8: A Vitória de Takashi
Akira Volume 9: O Que Domina o Caos
Akira Volume 10: Encontro nas Profundezas
Akira Volume 11: A Batalha pelo Templo de Miyako
Akira Volume 12: O Terceiro Fenómeno
Akira Volume 13: Encontro no Submundo
Akira Volume 14: A Demonstração do Poder
Akira Volume 15: A Prova de Força
Akira Volume 16: A Transmutação
Akira Volume 17: O Reencontro
Akira Volume 18: Sonhos do Passado
Akira Volume 19: Amigos para a Eternidade
 

Macbeth: Rei da Escócia

Outra das leituras que realizei durante este mês de maio foi o livro Macbeth: Rei da Escócia que com argumento de Thomas Day e ilustrações de Guillaume Sorel. Esta obra foi originalmente publicado pela Glénat em dois volumes, o primeiro em 2019 e o segundo em 2021. A edição nacional foi publicada num volume único integral pela editora A Seita como parte da Coleção Nona Literatura.


Para começar, este volume trata-se de uma adaptação do texto de William Shakespeare. No entanto, os próprios artistas admitem que a adaptação apresentada toma algumas liberdades. Apesar de não ter lido a obra original, mesmo assim gostei da história de ascensão e queda de Macbeth. Macbeth é acima de tudo uma história trágica, onde Lady Macbeth, a esposa do rei da Escócia, assume um papel de vilã através das manipulações exercidas sobre o cavaleiro. Apesar da mulher exercer pressão para este manter o poder, o que o leva a cometer atos bárbaros, a história é envolvida numa espécie de profecia/maldição quando Macbeth encontra três bruxas no início da trama.


A partir deste momento, a primeira parte da história retrata a ascensão de Macbeth como rei da Escócia. A forma como este consegue esse posto não é a mais correta e trará consequências. Além disso, à medida que o tempo passa e o seu poder vai crescendo, de igual modo aumentam os seus inimigos. Consequentemente, na segunda parte da história o leitor acompanha a queda dos Macbeth.

Particularmente gostei da forma como os erros do passado voltam para atormentar os Macbeth, com especial destaque para Lady Macbeth, que provavelmente é a personagem mais importante deste livro. A dualidade dos personagens é algo que dá força à obra. Se por um lado, Lady Macbeth é uma mulher determinada, fria e sem escrúpulos, por outro Macbeth é apresentado como um homem que, apesar de ter um senso de justiça e de bem, é ultimamente derrotado pela sua fraqueza e pela sua paixão o que o leva a tornar-se um fantoche da sua mulher.


Para elevar o bom argumento apresentado, as ilustrações de Sorel são um deleite para os olhos. A planificação das vinhetas é diversificada e dinâmica, muitas vezes apresentando um estilo cinematográfico widescreen, tirando partido de toda a largura das páginas. As paisagens são belas e diversas, os personagens são carismáticos e a ação é bastante dinâmica. Destaque para o uso das cores com recurso a aguarela que dão uma identidade visual e um estilo a esta obra.


Para brindar um conteúdo de qualidade, a edição da editora A Seita é em capa dura, com papel de alta qualidade, repleta de extras, além de ser uma edição integral. Um dos livros a ter em conta e que merece ser lido!

Leram alguns destes livros?
Quais foram as vossas leituras de maio?

terça-feira, 2 de maio de 2023

Leituras - abril de 2023

Ao longo deste mês de abril foram publicados vários livros pelas diferentes editoras presentes no mercado. Algumas delas fizeram-me chegar alguns dos seus livros que receberam análise aqui no blog. No entanto, como não consigo escrever uma análise completa a todos os livros que recebo, irei todos os meses publicar um post do género deste em que irei escrever um pouco relativamente às minhas leituras. Poderão encontrar as leituras referentes a cada mês na etiqueta Leituras que se encontra agora presente na parte superior do blog.

Spaghetti Bros Vol. 4



Para abrir este artigo relativamente às minhas leituras de abril de 2023, começo com Spaghetti Bros Vol. 4. Este volume que encerra a história da família Centobucchi conta novamente com os argumentos de Carlos Trillo e as ilustrações de Domingo Mandrafina. É sempre bom voltar aos episódios desta família uma vez que esta série é garantia de gargalhadas e muito humor. Aqueles que leram os volumes anteriores, tal como eu, irão certamente ficar contentes com este volume.

Apesar de pensar que o argumento iria conduzir os arcos dos personagens para um final mais fechado e que iria envolver todos os membros da família, isso não acontece. E, sinceramente, não precisava de assim ser. Mesmo assim não desgostei do final e acho que cada um dos personagens recebeu a devida atenção, com particular destaque para XXX que assume um papel importante nas histórias iniciais deste volume.

Mais uma coleção encerrada pela Arte de Autor que publicou este volume com a qualidade a que já habituou os leitores.

Duke Vol. 7: Este mundo não é o meu


Outra das leituras que realizei durante este mês foi o volume final de Duke. A série que conta com argumentos de Yves H. e arte de Hermann é uma das minhas favoritas do catálogo da Arte de Autor. Naturalmente, o género western é bastante popular em Portugal e, na minha opinião, esta é uma boa série.

Com o subtítulo Este Mundo não é o Meu, a dupla consegue trazer um bom final para esta série. As pontas soltas são finalmente atadas neste volume e o argumento de Yves H. consegue trazer um final para o nosso protagonista que achei condizente com a sua trajetória ao longo dos seis volumes anteriores.

Por sua vez, mesmo que a arte de Hermann já não apresente a qualidade presente noutros trabalhos do artista, mesmo assim este demonstra a sua qualidade na planificação das suas pranchas. Prova disso são as cenas de ação e de tiroteios que apreciei bastante. As paisagens e as cores aplicadas trazem beleza às páginas deste volume, no entanto os personagens já não apresentam tanta beleza.
 
Mais uma série completa para o catálogo da editora e, se são fãs do género, Duke será uma boa leitura!
 

Chu


Esta sem dúvida foi uma das minhas leituras preferidas ao longo deste mês de abril. Chu que conta com argumento de John Layman e ilustrações de Dan Boultwood, os criadores da série Tony Chu (também publicada pela G Floy Studio Portugal), é absolutamente delicioso. Publicado como um volume integral que reúne os materiais Chu #1-10, este livro apresenta as histórias Entrada e Mau Vinho, cada uma composta por 5 números.

A protagonista, Saffron Chu é uma cibocomparte, ou seja, alguém com a habilidade de descobrir os segredos das pessoas com quem come. Por sua vez, Tony Chu é um cibopata, isto é, tem a habilidade de adquirir impressões psíquicas daquilo que come. Saffron é irmã de Tony, no entanto, enquanto Tony é polícia, a sua irmã é uma criminosa, o que leva a que estes entrem em rota de colisão. Esta dinâmica é o ponto alto da primeira história que também apresenta alguns personagens importantes para a mesma, bem como dita o tom do argumento. Ultra violento e bastante divertido, esta história é imperdível, mesmo para aqueles, como eu, que não leram nenhum volume da série Tony Chu.
A segunda história é igualmente boa e, apesar de não incluir a presença de Tony, apresenta um elemento de viagem no tempo que movimenta a trama.

Com a qualidade editorial da G Floy Studio Portugal, esta série é uma aposta acertadíssima da editora.
 

Cavaleiro da Lua: Preto, Branco & Sangue


Outra das leituras que fiz durante este mês foi do volume dedicado ao Cavaleiro da Lua na coleção Preto, Branco & Sangue. Tenho de admitir que esta coleção não me cativa particularmente!

Apesar de gostar bastante de materiais de super-heróis e até de achar a premissa desta coleção interessante, a execução da mesma deixa um pouco a desejar. E no caso específico deste volume, acho que isso é ainda mais evidenciado. Na globalidade as histórias são esquecíveis e mesmo a parte gráfica não é entusiasmante. Fora uma ou outra história que são bem conseguidas, nas restantes simplesmente não consegui entusiasmar-me com nenhuma.

De facto fico com pena uma vez que gosto do personagem mas acho que este volume não faz jus ao mesmo. Nota para as participações especiais de outros heróis Marvel que achei boas.
 
Leram alguns destes livros?
Quais foram as vossas leituras de abril?
 
 

segunda-feira, 1 de maio de 2023

A Coleção Clássica Marvel terá continuação

Segundo avançado pelo blog As Leituras do Pedro, a Coleção Clássica Marvel terá uma extensão de 30 volumes!

Deste modo, em vez da coleção finalizar a sua distribuição dentro de seis semanas no volume 60, a mesma apenas terminará no dia 6 de janeiro de 2024, data em que será lançado o nonagésimo volume da coleção!
Esta notícia será certamente bem recebida pelos leitores uma vez que muitos se questionavam relativamente à continuação da mesma. Além disso, numa altura em que os lançamentos de super-heróis escasseiam em Portugal, esta notícia confirma que os leitores portugueses ainda se interessam por estes lançamentos e que esta coleção conseguiu encontrar o seu público.



Relembro que a Coleção Clássica Marvel é publicada pela Atlântico Press e distribuída semanalmente todos os sábados com os jornais Correio da Manhã e Record.

O que acham desta notícia?
Vão continuar a colecionar a Coleção Clássica Marvel?

sexta-feira, 28 de abril de 2023

O que aconteceu aos Super-heróis?

Olhando para o mercado nacional de BD, arrisco-me a afirmar que estamos a viver a "era dourada" da edição de banda desenhada em Portugal. Analisando de forma breve e genérica o panorama da BD em Portugal, ao longo dos últimos anos editoras como A Seita, a Ala dos Livros e a Arte de Autor vieram trazer materiais de origem franco-belga com elevada qualidade em edições primorosas; a Devir pavimentou e popularizou o materiais de origem japonesa em território nacional que permitiu o boom do mangá a que estamos assistir; os artistas portugueses estão cada vez mais presentes nas bancas e livrarias especializadas, no entanto, simultaneamente, tem-se verificado o desaparecimento dos materiais de origem americana, nomeadamente no género dos super-heróis. Deste modo, levanto a seguinte questão: O que aconteceu aos Super-heróis?


Para muitos leitores, as edições brasileiras importadas da Abril foram a porta de entrada ao mundo dos super-heróis. É inegável a importância dos "formatinhos" para a consolidação de toda uma geração de leitores de banda desenhada. Mais tarde, a Devir assume, no início deste milénio, o papel de publicadora de material Marvel e DC Comics em Portugal. Com lançamentos de arcos fechados e também de várias revistas como Homem-Aranha e X-Men, toda uma outra geração de leitores teve a oportunidade de conhecer os principais heróis dos comics americanos. Durante este período, outras editoras, como a BD Mania, também tiveram o seu contributo na publicação de livros de BD do género de super-heróis.


Nos últimos 10 anos as grandes responsáveis por publicarem os comics de super-heróis da DC Comics e da Marvel foram as editoras Levoir e G Floy Studio Portugal. Apesar de terem abordagens diferentes, é inegável o papel fundamental destas duas editoras. Irei agora abordar com mais detalhe as apostas de cada uma e, principalmente, as estratégia adotadas.


Começando pela Levoir, esta publicou a grande maioria dos seus materiais em coleções em parceria com o jornais Público e o Sol. Com coleções que variam entre os 3 e os 20 volumes, estas diferenciam-se entre coleções gerais e coleções específicas. No que diz respeito aos materiais da Marvel, a editora publicou 4 coleções gerais, ou seja, coleções que englobam vários personagens ou grupos de personagens. Deste modo, as coleções Heróis Marvel – Série I (15 volumes), Heróis Marvel – Série II (10 volumes), Universo Marvel (20 volumes) e Poderosos Heróis Marvel (15 volumes), compilam várias histórias de eras diferentes e de diferentes personagens. Estas coleções mix são, sem dúvida, voltadas para o público que não tem experiência de leitura e pretende começar a ler publicações de super-heróis. Uma vez que a cronologia é algo verdadeiramente importante para entender a maioria destas histórias, através destas coleções os leitores entram em contacto com sagas e histórias relevantes para cada um dos principais heróis que se passam em momentos distintos do universo em questão. Isto permite perceber qual o status quo do personagem, bem como quais os artistas que ajudaram a moldar o mesmo.


Também a DC Comics recebeu coleções gerais publicadas pela Levoir. As coleções Super-Heróis DC Comics - Série I (20 volumes), Super-Heróis DC Comics - Série II (10 volumes), Super-Heróis DC Comics (15 volumes) e No Coração das Trevas (10 volumes) incluem-se nesta categoria. No entanto, a editora também apresenta coleções específicas. A primeira delas foi a coleção Batman 75 anos (10 volumes). Esta coleção é também uma coleção mix, uma vez que apresenta as principais histórias do Cavaleiro das Trevas, no entanto é específica deste personagem. Outras coleções específicas publicadas pela Levoir foram as coleções Batman 80 anos (10 volumes), Liga da Justiça (5 volumes) e Mulher Maravilha (5 volumes).


Tendo lido todas estas coleções e tendo em conta que foram uma porta de entrada importante para ter uma noção tanto do universo Marvel como do universo DC, não deixa de ser um pouco curiosa a organização dos materiais compilados nas mesmas. Por exemplo, se repararmos nos primeiros 3 volumes da coleção Batman 80 anos, Batman: Jogo Final (Batman #35-40) , Batman: Peso Pesado e Batman: Bloom, verifica-se que estes volumes dão continuidade às histórias Batman: Corte das Corujas (Batman #1-7), Batman: Cidade das Corujas (Batman #8-11) e Batman: O Regresso do Joker (Batman #13-17 e Detective Comics #12), que foram publicadas originalmente como os volumes 3, 4 e 8, respetivamente, da coleção Super-Heróis DC Comics. Todos estes arcos fazem parte da saga do Batman durante os Novos 52 e, na minha ótica, poderiam ter sido publicados todos juntos numa única coleção dedicada a esta fase do personagem. Naturalmente seria necessário publicar os restantes arcos que completam esta fase, mas seria possível ter uma coleção com 10 volumes que publicasse toda esta saga de forma completa.


Outro caso paradigmático desta falta de organização nas publicações da Levoir são também as histórias da Liga da Justiça durante a fase dos Novos 52. O primeiro arco, Liga da Justiça: Origem, foi publicado como o número 1 da coleção Super-Heróis DC Comics. Apesar de, tal como nas publicações do Batman que referi anteriormente, existirem arcos que não foram publicados pela Levoir, a saga Mal Eterno, publicada como os volumes 9 e 10 da coleção No Coração das Trevas, trata-se de uma importante saga do universo DC durante os Novos 52 e que teve implicações relevantes na fase final da revista principal da equipa. Essas consequências podem ser vistas nos volumes Liga da Justiça: O Vírus Amazo e Liga da Justiça: A Guerra de Darkseid 1 e 2 publicados na coleção dedicada à Liga da Justiça. Este caso é ainda mais relevante do que o anterior, uma vez que mostra que existem publicações que têm ligação direta nos seus eventos distribuída por 3 coleções diferentes.


Apesar disso a Levoir chegou a publicar algumas coleções que compilam volumes da mesma fase. A coleção Harley Quinn (3 volumes) publicou 3 arcos da fase dedicada à personagem da autoria de Amanda Conner, Jimmy Palmiotti e Chad Hardin. No entanto, na sua publicação original esta fase recebeu mais volumes. Finalmente, a coleção Watchmen/Doomsday Clock (10 volumes) conseguiu publicar toda uma saga ao longo de uma coleção. Com os primeiros 4 volumes a reeditarem a saga clássica da autoria de Alan Moore e Dave Gibbons, os restantes 6 volumes são exclusivamente dedicados ao evento Doomsday Clock da autoria de Geoff Johns e Gary Frank que deu sequência à obra seminal dos comics americanos. Infelizmente a editora não voltou a publicar mais coleções de super-heróis. Mesmo assim, apesar de achar que as primeiras coleções mix foram importantes para criar uma base de leitores de super-heróis, numa fase posterior acho que a editora deveria ter publicado sagas completas nas suas coleções uma vez que creio ser esse o tipo de leituras que os leitores mais experientes procuram. Outra sugestão seria a publicação dos volumes da fase dos Novos 52 da Mulher-Maravilha na coleção que a editora publicou referente à personagem.


Já na sua fase final de publicações, a editora publicou vários volumes no seu selo DC Black Label. Livros como Batman: O Último Cavaleiro na Terra, Harleen, Batman: Maldito, Batman: O Cavaleiro das Trevas III - Raça Suprema, All-Star Superman, Batman: O Cavaleiro Branco, Joker: Sorriso Mortal, bem como as reedições de Batman: Ano Um, Batman: O Cavaleiro das Trevas e Batman: Asilo Arkham foram os últimos lançamentos da editora que publicou estes de forma individual, isto é, sem estarem atrelados a uma coleção.


Por sua vez, a editora G Floy Studio Portugal iniciou a sua publicação de comics americanos da Marvel com volumes auto-conclusivos como Wolverine: Logan, Loki e Homem-Aranha: Exposição Negativa. Não obstante, a editora começou a fazer apostas na publicação de fases completas de personagem. É neste contexto que séries como Alias, Os Surpreendentes X-Men, Os Novos X-Men, O Imortal Punho de Ferro, entre outras receberam edição completa em Portugal. Este tipo de publicações sem dúvida que são aqueles que fazem falta, de modo a continuar a manter os leitores portugueses de super-heróis a consumir as edições nacionais em vez que as procurarem no mercado estrangeiro.

Mesmo assim, nos últimos tempos a editora reduziu imenso os lançamentos de Marvel e tem apenas publicado os volumes referentes à coleção Preto, Branco & Sangue que, na minha opinião, não são suficientes para manter vivo o interesse dos leitores. É ainda de salientar que a contra parte polaca da editora, a Mucha Comics, tem feito apostas verdadeiramente aliciantes para os seus leitores como X-Men: A Era do Apocalipse, Venom: Lethal Protector The Spectacular Spider-Man Vol. 1 de DeMatteis e Sal Buscema. Certamente estes volumes seriam bem recebidos pelos leitores portugueses.


Muitas das razões apresentadas para justificar a ausência de publicações de super-heróis em Portugal são, para além dos custos elevados de licenciamento destas obras, a facilidade dos leitores portugueses em ler os materias na sua edição original. De igual modo, o acesso às versões originais também é relativamente fácil, o que é potencializado pela ausência de edições nacionais. Como estas não existem, nem nas bancas nem nas livrarias, os leitores recorrem ao material estrangeiro para ler. Sendo assim, não me parece que o problema seja falta de interesse por parte dos leitores, mas sim falta de oferta por parte das editoras.  Adicionalmente a ausência de edições nacionais, deram um espaço para as edições brasileiras que são importadas e que têm algum público a aderir às mesmas.

Ao longo do último ano a Coleção Clássica Marvel tem sido das poucas edições de material Marvel presente nas bancas em edição nacional, no entanto, apesar de compilar uma fase incrível da Marvel, acredito que o público alvo desta coleção são leitores mais velhos que leram estas edições quando eram mais novos e que são atingidos por um enorme sentimento de nostalgia. Isto não significa que não hajam leitores curiosos e interessados por conhecer os primórdios da Marvel, como é o meu caso.

Um outro problema que se verifica nas grandes superfícies é a presença de material estrangeiro ao lado das edições nacionais quando existe um lançamento. Principalmente quando é lançado o primeiro volume de uma saga em edição nacional, é usual vermos as edições estrangeiras dos volumes seguintes ao lado. Infelizmente alguns leitores são impacientes e tendem a comprar as edições estrangeiras em vez de esperarem pelas edições nacionais dos volumes seguintes, o que tem impacto direto nas vendas das edições nacionais e, consequentemente, na análise de investimento das editoras neste tipo de lançamentos. Por fim, é também difícil para as editoras portuguesas competirem com os preços das edições estrangeiras que têm tiragens maiores e, naturalmente, preços mais em conta.


O problema do "desaparecimento" dos super-heróis das bancas portuguesas é um tema bastante complexo e pode ter-me escapado algum ponto relevante. Seja através de publicações como a Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel (60 volumes) editada pela Salvat (que curiosamente foi a minha porta de entrada para o mundo da banda desenhada) ou pela volta dos lançamentos da Levoir e da G Floy Studio Portugal ou até pelo surgimento de uma nova editora de banda desenhada, o meu desejo é que os super-heróis voltem às bancas portuguesas pois fazem bastante falta às mesmas.


No entanto, não deixem de dar a vossa opinião relativamente a este tema nos comentários porque só desta forma poderão habilitar-se a vencer o passatempo em que irei oferecer estes dois livros! O vencedor será anunciado num post no blog no próximo dia 15 de maio. Boa sorte a todos e boas leituras!

terça-feira, 18 de abril de 2023

Lançamento G Floy Studio - Cavaleiro da Lua: Preto, Branco & Sangue

A G Floy Studio anuncia a publicação do quinto volume da coleção Preto, Branco & Sangue. Este volume dedicado ao Cavaleiro da Lua chegará às bancas, lojas especializadas e livrarias generalistas no próximo dia 19 de abril.


Este volume que reúne os materiais originalmente publicados em Moon Knight: Black, White & Blood #1–4 conta com a participação dos seguintes artistas: Jonathan Hickman, Dan Slott, Ann Nocenti, Benjamin Percy, Murewa Ayodele, Jim Zub, Erica Schultz, David Pepose, Christopher Cantwell, Nadia Shammas, Marc Guggenheim e Paul Azaceta, Alex Lins, Chris Bachalo, Dante Bastianoni, David Lopez, Djibril Morissette-Phan, Dotun Akande, Jorge Fornes, Leonardo Romero, Patch Zircher, Stefano Raffaele e Vanesa Del Rey.

 


Segue a sinopse disponibilizada pela editora:
 
"Da nossa colecção Preto, Branco e Sangue, chega agora um volume inteiramente dedicado ao Cavaleiro da Lua!

Quando Marc Spector renasceu na sombra de Khonshu, o deus egípcio da Lua, ele assumiu o papel de Cavaleiro da Lua e decidiu proteger os viajantes nocturnos do Mal. Ao longo desta missão, passou por uma série de mudanças, mas sempre teve um único objectivo: a justiça. O quinto volume da série Preto, Branco e Sangue levanta ligeiramente o véu e apresenta todos os rostos de Marc em doze histórias emocionantes e muitas vezes psicadélicas, pela mão de nomes como Jonathan Hickman, Chris Bachalo, Paul Azaceta e Leonardo Romero. Convidados especiais: Homem-Aranha e Doutor Estranho.

E ainda inclui uma incrível galeria de capas oficiais e alternativas.

Este álbum reúne as histórias originalmente publicadas em Moon Knight: Black, White & Blood #1–4.".

 


Cavaleiro da Lua: Preto, Branco & Sangue
Autores: Por vários autores
Editora: G Floy Studio
Páginas: 152, a cores
Encadernação: Capa cartonada
Formato: 18,00 x 27,50 cm
ISBN: 978-83-67571-10-4
PVP: 20,00€

 

         

Estão a ler os livros da coleção Preto, Branco & Sangue?
O que acham destes lançamentos Marvel?    

sexta-feira, 24 de março de 2023

As obras de Frank Miller editadas em Portugal

No próximo mês de abril será lançado o #3 da série Ronin: Book II, sequela da minissérie Ronin da DC Comics que conta com o artista português Daniel Henriques na equipa criativa. Mas enquanto nenhuma editora portuguesa se pronuncia relativamente à possível publicação deste material em Portugal, neste artigo irei abordar as obras do artista americano editadas no nosso país.

Frank Miller é um dos maiores artistas da 9ª arte e que muito fez pelo desenvolvimento desta. Com trabalhos em personagens icónicos como Batman e Demolidor que o fez ganhar um reputação de astro da banda desenhada, ao longo dos anos Miller também se focou em criar os seus próprios personagens e universos. Com a sua popularidade no meio, não é de estranhar que tenha várias obras do seu currículo editadas em Portugal



Marvel:

Na denominada "Casa das Ideias", já várias obras de Miller foram lançadas por aqui. Começando pelo “cabeça de teia”, toda a fase de Miller à frente do personagem foi lançada num volume de nome Integral Frank Miller da Coleção Heróis Marvel no ano de 2012. Este volume compila 6 histórias (Amazing Spider-Man Annual vol. 1 #14-15, Marvel Team-Up vol. 1 #100,  Marvel Team-Up Annual #4 e Peter Parker, the Spectacular Spider-Man #27-28) nas quais além de abordar o Homem-Aranha, também usou o “diabo de Hell’s Kitchen”. O advogado de Hell’s Kitchen, Matt Murdock nunca foi, até à entrada de Miller na sua revista, um personagem de renome na Marvel. Com a revista perto de ser cancelada, Miller desenhou o demolidor nos números #158-161 e #163-167. Esta fase foi lançada pela Salvat no número 60 da Coleção de Graphic Novels da Marvel no ano de 2018.

 

Nessa altura os argumentos eram de Roger McKenzie que foi afastado da revista. Mesmo antes de esta ser cancelada, Frank assume tanto o argumento como a arte desta e o resto, como sabem, é história.  Desde a criação da mítica ninja assasina Elektra e toda a sua jornada de apresentação e morte pelas mãos do Mercenário, até ao aprofundamento na vida de Matt Murdock e do seu alter-ego que teve aqui embates com os seus arqui-inimigos. Particularmente esta fase nunca foi publicada integralmente em Portugal. Algumas histórias (#168-169 e #181) foram lançadas no volume dedicado ao personagem na coleção Os Clássicos da Banda Desenhada da Panini e do Correio da Manhã em 2003. Infelizmente a qualidade do papel e o formato são muito fracos e não fazem jus à qualidade do material original. Os números #168, #174, #175, #176, #178, #181 e #191 foram reunidos nas edições limitadas de colecionador da Castello Lopes dos filmes Elektra e Demolidor - O Homem sem Medo respetivamente. Apesar de serem edições curiosas e de louvar pelo seu lançamento e de terem um papel superior ao volume que referi anteriormente, os livros têm as dimensões dos "formatinhos".


As histórias mais conhecidas de Frank Miller à frente do personagem também foram lançadas. O recontar da sua origem em Demolidor – O Homem sem Medo foi lançado em formato comic em cinco partes pela Devir no ano de 1999 numa das suas primeiras edições no nosso país. Mais tarde, foi compilado num volume integral de capa dura. Já o melhor arco de sempre do “homem sem medo”, Demolidor – Renascido já teve edições tanto pela Levoir em 2012 como pela Salvat em 2018 no formato capa dura.

 

 

Depois da morte da personagem Elektra que enfureceu vários fãs, Miller voltou à personagem duas vezes em Elektra Assassin e Elektra Lives Again. O primeiro é inédito em Portugal, não obstante os leitores portugueses já puderam ler a segunda que foi editada em 2007 em capa dura numa versão fantástica pela BDMania que recebeu o título Elektra – O Regresso.
Ainda na Marvel, Miller desenhou uma das melhores obras do Wolverine que tem argumento de Chris Claremont. Eu, Wolverine foi lançado inicialmente pela Devir em 2003 no formato capa mole e, posteriormente, foi reeditada pela Salvat em capa dura como volume nº 29 da Coleção de Graphic Novels da Marvel no ano de 2016.



DC Comics:

Na casa de personagens como o Batman, Super-Homem e Mulher Maravilha, Miller também fez um trabalho notável. Considerada como uma das melhores e influentes histórias de banda desenhada de sempre e normalmente citada como a melhor história do Batman, O Regresso do Cavaleiro das Trevas apresenta um Batman envelhecido e que volta a vestir o manto do “cavaleiro das trevas” 20 anos depois de o ter abandonado. A história que tem os embates épicos com Joker e Super-Homem foi lançada inicialmente em duas parte pela Devir em 2002 no formato capa mole. Em 2015 foi relançada também em duas partes nos volumes 8 e 9 da Coleção Batman 75 Anos e passados 4 anos relançada também em capa dura desta vez num volume integral.

 


Depois de ter escrito em 1986 uma história que apresenta um Batman em fim de carreira, no ano seguinte Miller reconta a origem do “homem morcego” naquela que se imortalizaria como a história de origem definitiva do Batman. Batman: Ano Um, que conta com ilustrações de David Mazzucchelli, foi lançada 2 vezes pela Devir, mantendo o formato de capa mole numa versão normal (2002) e noutra edição especial (2005), e pela Levoir também 2 vezes. A primeira como volume inaugural da Coleção Batman 75 Anos (2015) e a segunda numa reedição (2019) sob o selo DC Black Label.

 

 

As continuações do clássico O Regresso do Cavaleiro das Trevas foram lançados mais recentemente pela Levoir. O infame DK II foi editado em Portugal no ano de 2019 no âmbito da Coleção Batman 80 Anos também nos volumes 8 e 9 da coleção sob o nome O Cavaleiro das Trevas Volta a Atacar. Este foi um lançamento infeliz na medida em que a história original tem 3 capítulos e, de modo a lançar em 2 livros, a Levoir interrompe o 2 capítulo da história. Assim o 2 capítulo de DK II inicia-se no volume 8 da coleção e apenas termina no 9 volume da coleção. Já O Cavaleiro das Trevas III: Raça Suprema foi lançado no ano seguinte em dois volumes de capa dura e que compilam os 9 capítulos da história principal bem como o 9 tie-ins desta.


Foi na DC Comics que Miller também lançou um dos seus trabalhos mais reconhecidos de sempre. Ronin, uma mini-série de 5 partes e que conta a história de um nobre guerreiro samurai que tem de lutar contra o demónio Agat num futuro distópico cyberpunk, foi editada antes de toda a fase de Miller com o Batman. Foi lançado no ano de 2017 em Portugal pela Levoir como o primeiro volume da coleção Novelas Gráficas – Série III.

 


Outras editoras:

Apesar de todo o trabalho tanto na Marvel como na DC Comics, Frank fez trabalhos autorais noutras editoras. Fechando os trabalhos de Miller com o Batman, é de referir que este escreveu o argumento do crossover com o personagem Spawn criado por Todd McFarlane. Os leitores portugueses puderam ler isto pois a Devir publicou este material num trade paperback.

No que diz respeito a trabalhos autorais, os que mais se destacam e que foram lançados em Portugal são a série Sin City e 300. A série que conta episódios e aventuras dos invulgares cidadãos de Basin City e que é uma grande homenagem ao estilo noir foi lançada em Portugal pela Devir. Os primeiros 4 capítulos de Sin City foram lançados entre 2003 e 2005. Já os restantes 3 foram lançados entre 2010 e 2012 depois do regresso da editora ao nosso país. As histórias O Cliente Tem Sempre Razão, A Menina do Papá e E Atrás da Porta Número Três… foram respetivamente publicadas em Comix #1 e na Edição Especial do DVD do filme Sin City, em Comix #2 e em Comix #5.

 

 


Hard Boiled também recebeu 2 lançamentos em Portugal pela Meribérica/Liber tanto em capa mole como em capa dura. Esta obra foi publicada em dois volumes, sendo que o primeiro reúne (1997) Hard Boiled #1 e o segundo (1998) reúne Hard Boiled #2-3.

300, que à semelhança de Sin City também recebeu 2 adaptações cinematográficas e que conta com bravura o embate do espartano Leónidas e a sua guarda pessoal de 300 homens contra o império persa de Xerxes, foi editado em Portugal no ano de 2005 num formato de widescreen capa dura pela editora espanhola Norma Editorial e teve tradução e distribuição pela BDMania.

 


Para encerrar o artigo deixo aqui o que gostaria que fosse editado/reditado:
- Daredevil by Frank Miller & Klaus Jason;
- Daredevil: The Man Without Fear;
- Daredevil: Love and War;
- Elektra Assassin;
- 300;
- Xerxes;
- The Dark Knight Returns: The Last Crusade;
- The Dark Knight Returns: The Golden Child;
- Superman: Year One;
- All Star Batman and Robin the Boy Wonder;
- Martha Washington;

Gostam de Miller?
Quais destes lançamentos têm na vossa coleção?
Que obras gostariam de ver editadas ou reeditadas em Portugal?