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Monday, June 30, 2025

SÓ HÁ PAZ SE HOUVER GUERRA, DIZEM ELES

Afirmação de J M Tavares no Público no dia 24 deste mês num artigo que titulou “O PARADOXO DAS BOAS INTENÇÕES”.

J M Tavares para sustentar as suas convicções acerca da necessidade da guerra recorre  a “Give war a chance”, “Dê uma chance à guerra”, um artigo de Edward Luttwak de 1999, “cujo argumento central do texto está logo na primeira frase: “Uma verdade desagradável frequentemente ignorada é que, embora a guerra se ja um grande mal, ela tem uma grande virtude: poder resolver conflitos políticos e levar à paz”.

Entre a tese de Luttwak de 1999 e as conclusões de J M Tavares observadas hoje não há diferença relevante porque o texto de JMT é um corolário da tese de Lutttwak. Pelo que não entendo onde encontra JMT um paradoxo para titular o seu artigo.

Pelo que li e reli as boas intenções não são um paradoxo mas um erro de perspectiva: “há um certo tipo de intervenções humanitárias que tenta conter os danos da guerra, mas cujo resultado é a perpetuação da violência, porque impede que se alcance uma resolução para o conflito”.

A tese de Luttwak é arrasadora da generalidade das consciências, penso eu. Mas JMT, um homem consciente e inteligente, agarrou-se a ela para expressar o seu ponto de vista alinhado com o pensamento de Luttwak. E ninguém, que eu tenha reparado até agora, se indignou.

Isto num ambiente, meio atordoado, em que se fazem contas para saber como pagar ou iludir o pagamento das contribuições dos membros á NATO nos próximos 10 anos, subindo de 2% para 5%  p.a., para que os EUA se mantenham na NATO e Trump deste lado, mas não sabemos como.

Inquestionavelmente o actual Czar das Rússias tem ambições expansionistas, até onde só ele sabe, e vai ameaçando o mundo à volta com o seu arsenal nuclear.

Dez anos num ambiente de confronto, que pode tornar-se nuclear global de um momento para o outro, pode trazer a paz ao Planeta, libertado da espécie humana que tem tanto de inteligente como de estúpido Condição que satisfaz a tese de Luttwak e o corolário extremo da mesma de JMT: guerra nuclear, desaparecimento espécie, paz durante milhões de anos no Planeta que habitamos. 

Não há alternativa? Há. 

A consciencialização da juventude, aquela parte da população total potencialmente maior perdedora, do perigo iminente que os ameaça. Porque se perde tanto tempo em discussões sobre aumento de armamento e se ignora o outro lado da questão, o desarmamento global? Sou ingénuo, talvez. Mas recuso aceitar como incontornável a tese de Luttwak e o corolário de JMT.

Concencializem-nos! Até ao ponto em que se univesalize (se torne viral) a sua revolta.

Os senhores da guerra, aqueles que tudo comandam, são relativamente muito poucos.

Repeti-me, pois repeti. Que posso fazer se não tenho o poder da palavra dos movimentos pró-vida relativamente aos nascituros que parecem ignorar os muitos milhões de desamparados lançados ao mundo como lançados às feras.


Friday, May 02, 2025

TABUS

- Já desististe de escrever no Aliás?
- Não. Estou apenas à espera que a confusão internacional e a discordância interna assentem de modo  suficiente que permitam vislumbrar o futuro pelo menos a curto prazo. De momento, a espuma dos dias vai tão alta que, mesmo qualquer percepção instantânea, é ilusória e desesperante. 
- Hum! Estás mais pessismista que nunca.
- E há motivos para ver optimismo nas actuações, ou simulações, não sabemos, de Trump e Putin?
- Concordo. Mas esqueceste Xi Jinping?
- Não, não esqueci. Xi Jinping, por agora, é espectador. Um espectador especial, mas, de qualquer modo espectador. 
- E Netanyhau?
- Esse faz o que Trump o deixa fazer. Trump disse que ia resolver a questão do conflito israelo-pelestiniano numa semana. Não resolveu. Agora assinou com Zelensky um acordo de cedência de terras raras ... Se esse acordo se concretisar é credível que os norte-americanos defendam as suas terras ucranianas ouvindo a continação de bombardeamentos russos ali ao lado? Há muita coisa que não entendo, e não sei mesmo se alguém entende. São tabus.
- Provavelmente não. Assim como ninguém eetenderá que os ayatolas cedam agora, pacificamente, o que Trump retirou do anterior acordo. Aliás só há ums solução para a questão nuclear iraniana: o desarmamento global. Por que razão só alguns, poucos, têm direito a armamento nuclear e outros não?
- E quanto ao que se passa cá por casa?
- Tenho lido e ouvido pouco mas tenho a sensação de ter lido e ouvido tudo porque todos se repetem  ad nauseam os mesmos argumentos. Com duas excepções: ninguém fala na justiça, nem na guerra que temos à porta. 
- Porquê?
- Porquê, pergunto eu.
- Terão medo dos magistrados e da reação dos eleitores?
- É bem provável. São dois tabus.
- Sendo assim, no fim quem ganha?
- Ganha o Chega.
 

 

Sunday, January 19, 2025

E SE A GUERRA CÁ CHEGAR?

- A guerra não chega cá; estamos muito longe; deixe-se disso. Esta mania de falar na guerra só pode dar corda a quem interessa a guerra.
- Talvez. Não digo que não. Mas que a guerra pode chegar cá, pode. Não há distâncias que não possam ser atingidas por mísseis balísticos de larguíssimo alcance. E há quem esteja preocupado.
- E o que é que a preocupação resolve? A mim, a guerra, não me preocupa nada.
- E faz bem: sobre o acreditar ou não acreditar, é uma questão de fé; não querer acreditar é a melhor posição contra a angústia. 
- Esqueça.Vamos almoçar! Nas nossas idades temos direito a não nos preocuparmos.
. Mas o Arvo só tem um ano e quatro meses.
. Melhor para ele; Tem o mesmo direito que nós.
 
O meu amigo tem oitenta e oito, dentro de duas semanas completará oitenta em nove, sem descendência garantida, por que bulas se deve o meu quase nonagenário amigo preocupar-se.
 
Quando ele me telefonou a convidar-nos para um almoço, estava eu com a edição online do Jornal de Negócios à minha frente, a ler os títulos. Ainda tentei ler-lhe o texto disponível (não sou assinante) mas desisti. 

Transcrevo:

"Portugal não tem abrigos para civis e a solução é colocar as pessoas em garagens, túneis e grutas. Um empresário de Guimarães quer construir abrigos comunitários e aguarda pelos apoios das autarquias e de entidades privadas. Os próprios militares só possuem duas ou três salas estanques às radiações nucleares e reclamam a reativação imediata de uma cadeia de comando para fazer face a uma emergência
 
E se a guerra extravasar as fronteiras da Rússia e da Ucrânia e correr rumo ao Ocidente? Estará Portugal seguro? O que se oferece em termos de segurança aos cidadãos? Como nos estamos a preparar para uma hipotética escalada de um conflito que se pode tornar mundial e recorrer a armas biológicas, químicas e até nucleares? Fomos indagar sobre um cenário que, apesar de preocupar, parece ainda impossível. As conclusões dão a entender que, em caso extremo, as soluções são bem poucas. As entidades oficiais preferem não se alongar sobre "situações hipotéticas". Mas, entre os civis, há quem, como acontece noutros países, se vá precavendo. O mercado da construção de abrigos, por exemplo, mesmo sem grande dimensão, está mais ativo do que nunca.


O Negócios quis saber junto da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil que medidas poderiam ser adotadas de imediato em caso de urgência. Foi colocado um conjunto de questões relativas a abrigos, ações de prevenção e de formação dos corpos de bombeiros. A resposta, para todas as perguntas, foi "Terá de perguntar aos militares". E assim foi. Depois de um funcionário do Ministério da Defesa ter deixado no ar que "muito dificilmente" seria dada qualquer resposta conclusiva, resolvemos ir às bases. Descobrimos, por exemplo, que há corporações de bombeiros que já receberam esporádicas formações para lidarem com radiações, químicos e armas biológicas, enquanto para outros (a maioria) tudo não passa de "conversa" e de "uma utopia".

Friday, October 18, 2024

O CAMINHO DOURADO DA GUERRA

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"...numa altura e que a economia (entenda-se: norte-americana ) ... que parece estar longe de uma recessão" (referido no no mesmo artigo)
 
Entretanto, nos últimos dias, o euro tem vindo a ceder relativamente às principais moedas e, nomeadamente, ao dólar.

Thursday, October 03, 2024

NO INFINITO CAMINHO DA ESTUPIDEZ DA ESPÉCIE HUMANA

Trump, ouvi anteontem na rádio, voltou a reafirmar que continua a incentivar Putin a atirar-se contra os membros da NATO com contribuições em falta para a Organização.
 
Trump, já se sabe, diz uma coisa e a contrária com a maior desfaçatez deste mundo. 
O mesmo Trump tem ameaçado e repetido que desmantelará a NATO ou, com o mesmo objectivo, retirará os EUA da NATO, e que os outros membros da Organização se defendam com os seus próprios meios. 
E, pela dedução mais benevolente do que diz Trump, a incumbência que este dá a Putin, de combater os membros da NATO com as quotas em atraso, é uma forma de suscitar o reforço dos meios de defesa, nomeadamente dos europeus, da ameaça real que o autocrata Putin e seus admiradores e seguidores, representa para as sociedades onde a liberdade de expressão sustenta todo o sistema em que a grande maioria dos que nelas vivem se movimentam e assim querem continuar.
 
Trump já disse, inequivocamente, que, se for eleito, resolverá a guerra na Ucrânia e no Médio Oriente em três tempos. 
Quanto à Ucrânia, a jogada de Trump é clara: retira o apoio militar dos EUA e, implicitamente, entrega aquele país a Putin, porque a União Europeia não tem poder defensivo e, ainda muito menos poder ofensivo, para se opor a Putin. Daí o único sentido lógico, cínico, que pode retirar-se das afirmações: paguem os compromissos que assumiram como membros da NATO, e defendam-se porque os norte-americanos não vão continuar a envolver-se nas guerras na Europa.
Entretanto continuam a chover, quase diariamente, notícias de chuvas arrasadoras de drones e mísseis de espécies diversas sobre as cidades da Ucrânia, incluindo massacres da historicamente lendária. capital, Kyiv.
 
Quanto ao Médio Oriente, o mais que Trump pode fazer é manter, e eventualmente reforçar, o apoio dos EUA a Israel, mas não resolverá um conflito que pode chegar a colocar Trump, do lado de Israel, frente a Putin, claramente apoiante do Irão, e, inequivocamente, apoiado pelo regime teocrático iraniano. 
A guerra alastra-se, são milhões os que de Gaza e Líbano, fogem dos bombardeamentos constantes, sem que do lado Israel e, agora, declaradamente, do Irão se vislumbre o caminho, ainda que mínimo, para a paz. De cada lado, o objectivo continua a ser a completa eliminação do outro. 

Se a União Europeia claudica com a derrota dos ucranianos, fragmentar-se-á, porque dentro dos frágeis muros da UE há vários dos seus membros que saltarão alegremente para o lado inimigo. 
Friamente, a questão que se coloca aos europeus do campo liberal democrático  é quem ficará do seu lado?

Se alguns membros não estão disponíveis para suportar, e reforçar, os custos financeiros de uma defensiva da sua vontade de se manterem livres, que motivação lhes sobrará para meterem as botas no terreno e, de armas nas mãos, defenderem a sua liberdade que tanto querem preservar?
 
Trump, que cada um lhe chame o que quiser, pode ganhar as eleições porque os norte-americanos estão divididos por fracturas aparentemente insanáveis:
o direito ao aborto, intransigentemente combatido pelos evengélicos, 
o direito à opção de orientação sexual, (no Economist de hoje realça-se uma questão perturbadora para os renitentes conservadores republicanos: Was Abraham Lincoln gay?), 
a política de imigração, para um país feito por imigrantes.
E a defesa da democracia liberal na União Europeia não é tema que, decididamente, os motive. 

Se Trump perder as eleições em 5 de novembro, é muito provável que venha a repetir-se a trama que gizou em 2020 - ler artigo sobre esta hipótese - e uma guerra civil nos EUA não é seguramente improvável. 

Por cá, o tema é, socialmente, indesejável para motivo de uma conversa, mesmo entre amigos e, politicamente, repugnante a qualquer partido político que não tenha intuitos suicidas. Aliás, agora, entretidissímos à volta da aprovação do Orçamento ou eleições antecipadas à vista, cada lado a tentar que seja o outro o responsável, aos olhos dos eleitores, pela eventual antecipação das eleições.
 
Pergunte-se, mas ninguém pergunta, aos candidatos à presidência da República Portuguesa para suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, que posição deve ser assumida pelo povo português para defesa da civilização ocidental, e eles gaguejarão.
Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto ainda no cargo, assobiará o ti-ro-liro.
Gouveia e Melo, um candidato ainda não assumido, já tomou posição em entrevista, vd. aqui de Vítor Gonçalves há três semanas. 
 
"Devem os portugueses envolver-se num eventual confronto da Rússia contra qualquer país da NATO?
Resposta inequívoca de Gouveia e Melo: sim. Sei que ninguém quererá ouvir que tropas portuguesas participem numa guerra. Os militares não gostam da guerra. Mas não podem ignorar que ou nos defendemos ou seremos esmagados. Não podemos, não devemos, renunciar a combater se as ameaças de confronto se concretizarem. Devemos preparar-nos para essa hipótese e falar claro aos portugueses. É fundamental falar claro."

--- Informação correlacionada:

Palavras duras contra a NATO eram tática de "negociação", diz Trump Candidato às presidenciais dos EUA, Donald Trump, acusa os países europeus membros da NATO de não fazerem a sua parte na despesa militar, dando por adquirido que podem contar com os Estados Unidos como escudo defensivo. 

Trump says he would encourage Russia to attack Nato allies who pay too little

Which countries in the Nato alliance are paying their fair share on defence? . c/p aqui

Cost share arrangements for civil budget, military budget and NATO Security Investment Programme

Cost share arrangements for civil budget, military budget and NATO Security Investment Programme
Nation Cost share "at 32" following the accession of Sweden
Valid as from 7 March 2024 until 31 December 2024
Albania 0.0882
Belgium 2.0447
Bulgaria 0.3552
Canada 6.6840
Croatia 0.2910
Czechia 1.0259
Denmark 1.2744
Estonia 0.1213
Finland 0.9057
France 10.1940
Germany 15.8813
Greece 1.0273
Hungary 0.7380
Iceland 0.0624
Italy 8.5324
Latvia 0.1550
Lithuania 0.2493
Luxembourg 0.1645
Montenegro 0.0283
Netherlands 3.3528
North Macedonia 0.0756
Norway 1.7267
Poland 2.9015
Portugal 1.0194
Romania 1.1931
Slovakia 0.5014
Slovenia 0.2212
Spain 5.8211
Sweden 1.9277
Türkiye 4.5927
United Kingdom 10.9626
United States 15.8813
TOTAL NATO 100.0000

 

Monday, May 06, 2024

COM PUTIN, SURGE UMA NOVA RÚSSIA MILITARIZADA PARA DESAFIAR OS EUA E O OCIDENTE

Under Putin, a militarized new Russia rises to challenge U.S. and the West 


A large star with a Z, which has come to represent the Russian military, is displayed near a memorial honoring the heroes of the Great Patriotic War, as World War II is known in Russia, in Moscow on March 25. (Nanna Heitmann/Magnum Photos for The Washington Post)