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Saturday, April 19, 2025

POR UM CESTO DE DEPLORÁVEIS

Por um cesto de deploráveis, perdeu Hillary Clinton as eleições de 2016.
Os deploráveis entregaram o governo dos Estados Unidos da América a Trump, um magnata sem experiência governativa para além do governo dos seus negócios pessoais.
Hillary Clinton perdeu por ter considerado, e com razão, que uma parte dos apoiantes de Trump eram, e ainda são, pouco ou mesmo nada instruidos.
Foi muito criticada por essa afirmação e apresentou desculpas públicas. O recuo custou-lhe a presidência.
Trump nunca teria recuado.
 
Trump perdeu para Biden em 2020,  mas nunca reconheceu a derrota, seguindo estritamente as instruções do seu mentor, Roy Cohn que tinha como filosofia de vida três regras: mantem-te sempre ao ataque, não admitas nada, nega tudo, clama sempre vitória e nunca admitas a derrota. 
Trump ingeriu as indicações do guru e dispensou-o, mas manteve-se agarrado às regras e levou-as tão longe a ponto de, mesmo perante todas as evidências, nunca admitir a derrota frente a Biden, excitou as hordas  ao seu serviço, e impeliu-as para a maior afronta às instituições democráticas com assalto ao Congresso e o medo a assombrar os congressistas.
Numa democracia liberal onde não governasse o medo e a cobardia, Trump deveria ter sido julgado e condenado  
Foi eleito em 2024 pelo cesto de deploráveis.
 
Dentro de dias, Trump contará cem dias na Casa Branca.
Desde a inauguração do seu segundo mandato, o déspota pode vangloriar-se de ter feito tremer o mundo, eventualmente balanceando-o, à beira do abismo, para um confronto com a China. 
Entretanto, Putin continua a bombardear a Ucrânia, 
Netanyahu a tentar empatar o genocídio na Palestina com o Holocausto perpretado pelos nazis.
Trump tinha garantido que, com ele, não teria havido a invasão russa da Ucrânia e a solução da guerra estaria encontrada em poucos dias após a sua tomada de posse. 
O mesmo, ou mais ou menos o mesmo, para Gaza.
 
A democracia liberal é susceptível de ingerir o veneno que acabará por matá-la sem que se vislumbre, desta vez, antídoto que a possa ressuscitar.
Trump ataca, ofende, desrespeita as instituições fundamentais de um estado de direito.
Ataca e subjuga todos os que, cobardemente, se prestam a bajulá-lo. 
Que são muitos. As excepções reconhecidamente assumidas são poucas.
Corta apoios à investigação científica, quer controlar actividades das Universidades, sobretudo das mais prestigiadas, desrespeita decisões dos tribunais, ontem revelou o que já era conhecido mesmo antes de tomar posse: dominar a FED, gerir segundo os seus critérios arbitrários o sistema financeiro.cf. aqui.

Há quem acredite, ou queira acreditar, que a democracia liberal é suficientemente resistente aos ataques de demagogos e ditadores, e acabará sempre por ressurgir. Se os mandatos têm termo, a alternância está garantida. Mas se deixam de ter?
A resistência à perda de liberdade requere oposição bastante. Trump já deu conta da sua intenção de ser candidato a um terceiro mandato. Nada que Putin e Xi Jimping já não tenham adquirido.

Trump considera que a União Europeia foi criada para "lixar os EUA". E pretende fracturá-la o mais possível. Não recebe Ursula Von Der Leyen, nem visita Bruxelas. Recebeu Giorgia Meloni e aceitou convite para visitar Roma. 
Trump gosta de ser bajulado?
Gosta mas despreza quem o bajula. 

Reconheça-se, contudo, que a União Europeia por ser uma União de Tribos continua a ser Um bando desorientado, sem leader democraticamente eleito e universalmente considerado como tal. 
Trump sabe que é assim e sabe que é fácil desmontar o puzzle mal concebido da União Europeia.
Putin pensa o mesmo.
Xi Jinping também mas, ainda que participe indirectamente na desagregação europeia, é mais discreto. 

Muito resumidamente: O que falta na União Europeia? 
Europeus.

Sunday, April 13, 2025

CÃO QUE NÃO LADRA, MAS MORDE

Cão que ladra não morde, garante a filosofia popular. Uma regra que tem as suas excepções.
 
Tal como Trump. 
Trump diz e desdiz com a mais natural desfaçatez deste mundo com que ele se entretem a brincar. 

Ontem soube-se que Trump decidiu poupar - cf.WP smartphones, computadores e outros aparelhos eletrónicos daquilo a que chama tarifas "recíprocas", uma medida que, segundo os especialistas no sábado, garantirá às empresas tecnológicas norte-americanas, como a Apple, um alívio dos elevados aumentos impostos à China. A diretiva, emitida pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, identifica quase duas dezenas de isenções, incluindo chips, pen drives e monitores de TV.  Donald Trump determinou ainda que houvesse reembolsos de quaisquer taxas cobradas sobre os produtos isentos desde 5 de abril. O anúncio surge depois de Pequim ter aumentado as tarifas sobre produtos dos EUA para 125% em resposta à crescente guerra comercial de Trump, com o Conselho de Estado da China a avisar na sexta-feira que "lutará até ao fim". As isenções surgem também dias depois de o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, ter dito aos senadores que "o presidente foi claro comigo e com outros que não pretende ter exclusões e isenções".

Amanhã, possivelmente, terá de isentar as taxas sobre os cereais, pressionado pelos seus apoiantes republicanos do Midwest. Ou, em alternativa, coonceder-lhe subsídios que os mantenham suficientemente felizes com o patrâo residente na Casa Branca.
Outros aparecerão, porque, por exemplo, se as cuecas deixarem de continuar a aparecer nos States a preços da uva mijona, não serão os americanos a querer cose-las em casa. 

Também ontem foi notícia - cf. BBC - que representantes dos Estados Unidos e do Irão tiveram ontem um primeiro encontro de conversações sobre o armamento nuclear.

Estas serão as primeiras conversações desde 2018, quando Trump, então no seu primeiro mandato retirou os Estados Unidos da América do acordo nuclear obtido entre as potências nucleares.
Trump afirmou então, que iria conseguir mais tarde um melhor acordo. 
A "better deal", um melhor negócio. Para Trump não acordos há negócios.
 
Presume-se que com esta ronda de negócios, Trump queira conseguir o, aparentemente, incompatível:
Terminar a guerra entre Árabes e Israelitas, com o beneplácito do Irão e a satisfação de Putin unidos numa aliança que obrigue a Ucrânia, e a Europa Livre, a submeter-se ao dictat da amizade Putin-Trump.

Putin, o cão que morde mas não ladra.

Morde, e de que maneira!
A destruição e a carnificina na Ucrânia, para glorificação de Putin, ocorrem mais veloz e destruidoramente que as trampalhadas de Trump.
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Wednesday, March 05, 2025

TRUMP, O SAQUEADOR

Como no mundo medieval, após o combate, o saque, a pilhagem.

Trump não é o moderador para a paz na Ucrânia que diz querer ser.
É um saqueador. 

Irónico, se é possível haver alguma ironia no meio de uma tragédia, é a contrapartida exigida por Trump para obrigar Zelensky a ceder às exigências de Putin, e, como assaltante medieval, pilhar minerais raros ucranianos, na sua maior parte existentes em terras ocupadas pelo assalto russo.
 
O mesmo Trump saqueador insiste, por algumas razões idênticas, no assalto da Gronelândia.
Se Xi Jinping lhe disser que Taiwan é parte da China e vai, naturalmente, ocupar a Ilha Formosa que dirá Trump ao ditador chinês?
Que avance?
E a Kim Jong-un se ele pretender ocupar a Coreia do Sul?
Que avance? 

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Trump says Zelenskyy wants peace and is ready to accept a minerals deal after White House blowup

In a speech to Congress following last week’s disastrous meeting at the White House, Trump said Zelenskyy had told him that Ukraine is ready to negotiate a peace deal with Russia as soon as possible and would accept a critical minerals agreement with the U.S. to facilitate that.

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O acordo que Trump está a impor à Ucrânia é assim tão novo e sem precedentes? O acordo que Trump está a impor à Ucrânia é assim tão novo e sem precedentes? 

--- 14/03/25

Washington pressiona Putin e não renova isenção de pagamento para petróleo russo O fim desta isenção torna mais difícil para os bancos russos realizarem transações relacionadas com o setor energético, uma das principais fontes de financiamento do Estado russo.  

Tuesday, February 25, 2025

PODE A UCRÂNIA CONTINUAR A LUTAR SEM O APOIO DOS EUA?

Do Washington Post de hoje, retirei esta manhã esta questão:

Could Ukraine keep fighting even without U.S. support?

Consegue a Ucrânia continuar a lutar sem o apoio dos EUA?

Não vou transcrever o artigo, que está acessível através do link. Limitar-me-ei  a indicar as conclusões que o artigo me sugere, não as que o artigo aponta.
 
A resposta é: não consegue.
E não consegue porque o apoio dos EUA, isto é, de Trump, passará a ser dado à Federação Russa, isto é, a Putin, nomeadamente o levantamento de todas as sanções económicas.
Trump não se meteu nas negociações para ser mediador nas conversações para a paz mas para fazer negócios.
 
E, neste caso, cada vez mais que provável, a Ucrânia terá pela frente os EUA aliados à Rússia, perante a impotência da Europa liberal, democrática, que poderá assistir às negociações sem capacidade de intervenção nos planos previamente acordados entre Putin e Trump.
Resignar-se-á Zelensky e o povo ucraniano que muito maioritariamente o apoia a este diktat?
Penso que não.
E e a guerra continuará sem fim pacífico à vista.
 
Putin ordenou nestes três últimos anos tanta destruição e atingiu tantas vítimas que suscitaram tanta animosidade entre russos e ucranianos (povos irmãos, segundo Putin, antes da "operação militar especial") que nenhuma proposta de negociação de paz coordenada pelos instintos do magnata comerciante norte-americano pode sequer amenizar.
 
Aliás, este acordo bilateral forjado entre Trump e Putin terá um alcance que extravasa as consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia. Será precedente da legitimação da absorção do Canadá e da Gronelândia pelos EUA e de Taiwan pela China?
Xi Jinping espera, sem interferir, que a Ilha Formosa lhe seja dada de bandeja .
 
Entretanto, esta tarde, pode ler-se aqui:

 

O Presidente russo, Vladimir Putin, mostrou-se hoje favorável à participação dos europeus na resolução do conflito na Ucrânia e a investimento norte-americano para explorar minerais estratégicos nos territórios ucranianos ocupados pelo exército russo.

Se assim acontecer, Trump exibirá a derrota da Ucrânia como um troféu conquistado pelas suas capacidades de negociador detentor dos próximos destinos do mundo.

Ou talvez não.

 

Monday, February 17, 2025

PRESIDENTE OU PAPEL DE EMBRULHO?

Trump disse a quem o quis ouvir e lhe deu ouvidos, que era amigo de Putin e Putin nunca escondeu que era amigo de Trump.
E que fizesse Putin o que quisesse na Europa porque, logo que voltasse à presidência dos EUA, não haveria mais auxílio norte-americano aos europeus.
 
Em resumo: os europeus que se desenrascassem, os EUA não cumpririam os compromissos assumidos no âmbito da NATO (North Atlantic Treaty Organization) e, nomeadamente o artigo 5º., a pedra angular da Aliança Atlântica: O ataque a um dos seus membros seria considerado um ataque a todos. Este artigo foi invocado apenas uma vez durante os 70 anos da história da Aliança na sequência dos ataques terroristas aos EUA a 11 de Setembro de 2011.

Uns acreditaram, outros não acreditaram, outros ainda, talvez a esmagadora maioria, não quis acreditar que Trump despreza tudo o que possa contrariar a sua ambição para impor a sua vontade sustentado na manipulação e na desobediência a qualquer código de honra. 

Chegou agora a hora da Europa tribal sofrer um murro no estômago e sentir-se a cair desamparada. 
Pior que desamparada, desprezada.
A intervenção de Vance, vice-presidente dos EUA, não podia ser mais arrasadora: A Europa que se quer democrática não tem como inimigos a Rússia nem a China porque o maior inimigo da Europa é própria Europa, agarrada a valores que deixaram de valer. 
E, se as declarações de Vance foram chocantes (O “choque eléctrico” americano deixou a Europa e a Ucrânia em modo de emergência ) - Público - 16/02/2025) é lúcido reconhecer que a Europa enquanto realidade política é irrelevante num contexto geopolítico dominado pela maré autocrática que se alastra por todo o planeta. 

Sem uma força comum de defesa, na ausência do pilar (a NATO) a que se encostou depois do fim da Segunda Guerra Mundial, a Europa ficou sem músculo, sem uma representação conjunta externa cada tribo pôs-se a palrar o que e para o lado que unilateralmente lhe convinha. 
Quem representa a Europa e, nomeadamente a União Europeia, depois dos bretões, convencidos da sua autossuficiência económica e supremacia militar e financeira, terem brexitado?   
O Presidente do Conselho Europeu?
A Presidente da Comissão Europeia?
Não há presidente se não há reconhecida bastante competência  delegada por aqueles a que preside.
 
Perante o "choque eléctrico", Macron pôs-se em bicos de pés (poderia ter dito ao Presidente do Conselho Europeu que o fizesse), e convocou reunião informal de emergência para hoje discutir as questões da segurança na Europa. Vão lá estar representantes dos principais países membros da União Europeia, do Reino Unido, o actual secretário-geral da NATO e, vá lá, ainda o Presidenta do Conselho Europeu e a Presidente da Comissão Europeia.
O que sairá de lá?
Não sabemos.
 
Zelenzky também estará e sabe que a Europa precisa de um exército europeu.
Trump (e a sua trupe) sabe bem como se dividem as tribos e pergunta: digam lá, europeus, quantos homens destaca cada um de vós para defender as fronteiras da Ucrânia?
Quantos húngaros?
Quantos eslovacos? 
Quantos checos?
E, já agora, quantos franceses?
Quantos portugueses? 
 
E ainda, quanto estão dispostos a pagar para as despesas de segurança militar?
É duro para um europeu ouvir isto.
Porque é mais uma provocação de Trump e Companhia: Se os EUA vão sair da carroça (NATO) por que perguntam quem e por quanto vai continuar nela?   
Será para informar Putin?
É desnecessário. Viktor Órban não se esquecerá de o fazer. 

 

Monday, January 20, 2025

TRUMP E O FIM DA FED

Trump lança memecoin e acumula 50 mil milhões de dólares em dois dias

Trump promotes new meme coin before taking office on pro-crypto agenda President-elect Donald Trump has launched a new cryptocurrency token that’s soaring in value and potentially boosting his net worth 

Melania Trump launches her own cryptocurrency

É uma avalanche.

Ainda esta manhã anotei que Trump quer que criptoactivos sejam prioridade política nos EUA. e, depois de almoço levo com uma dose dupla de cryptos, de Trump e da sua Melania.

A ideia de libertar o sistema financeiro das decisões do Banco Central do EUA, a Federal Reserve, FED, não é nova. Foi muito defendida por Ron Paul, líder libertário, e entusiasmou muito dos seguidores para o capitalismo radical.

Trump dificilmente aceita que algumas das poucas insituições norte-americanas que ainda escapam aos seus instintos ditatoriais não sejam coartadas ou até extintas. A sua intenção de atribuir aos criptoactivos um papel prioritário na política dos EUA só pode ter uma leitura: reduzir progressivamente a capacidade de intervenção da Federal Reserve.

Alguém me sabe explicar, de modo que os próprios explicadores entendam, onde é que vai parar o sistema financeiro internacional se as cryptos avançam e as moedas suportadas pelos bancos centrais se desvalorizam até não terem suporte algum?

Há momentos o euro valorizava contra as principais moedas; no entanto, muito recentemente, prognosticavam os (supostos) entendidos na matéria que euro e dólar se encaminhavam para a paridade. Estará já a intenção de Trump desvalorizar o dólar e crípton trumpear a economia norte-americana? 

Evolução do câmbio euro/dólar nos últimos 10 anos.
(clicar para aumentar)
                                      
Apesar das ameaças de Putin e Trump à União Europeia e de alguns eurófagos que se alimentam dela para a destruirem, o euro tem-se aguentado bastante bem.
Até quando?

UM MUNDO PARA TRÊS IMPERADORES

A continuidade do Aliás depende do seu merecimento, avaliado por comentários, críticas, sugestões, correcções, de quem o lê.
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Há Mundo a menos para três imperadores: 

Trump, Putin, Xi Jinping.
Qual deles será Octávio, depois Augusto, depois Imperador do Mundo, sem espatifar o planeta.
Até onde irá Elon Musk de braço dado com Trump sem ser Brutus?   
Por enquanto, parecem estar todos como Deus com os anjos. Mas a história repete-se ainda que haja quem pense o contrário.
 
Em 30 de março de 2023, transcrevi aqui UMA CURTA CONVERSA COM TRUMP recorrendo a um programa de inteligência artificial, https://character.ai/, naquela altura o mais adequado para os meus objectivos: simular entrevistas com personalidades vivas ou históricas, obtendo respostas dos entrevistados sustentadas nas bases de dados do "operador inteligente".
Quase dois anos depois, Trump é hoje entronizado, com poder quase absoluto, como 47º presidente dos Estados Unidos.
 
Não pode afirmar-se que as respostas artificialmente obtidas em março de 2023 seriam as mesmas que, através do mesmo meio, se obteriam hoje. Mas o estilo marcante da personaliade do indivíduo mantém-se: impetuoso, radical, populista, capaz de negar agora o que afirmou há momentos com o mais fluente e melífluo descaramento.   

Vai Trump alterar a ordem e a desordem mundial das últimas décadas?
Ninguém sabe, e, muito provavelmente, nem ele. 
Há questões que não se vislumbravam ainda há pouco tempo e, subitamente, saltaram para a arena mediática mundial como pipocas de um momento para o outro: a conquista, à força ou por compra, da Gronelândia, a retoma da administração norte-americana no Canal do Panamá, a absorção do Canadá como o 51º dos EUA. 

Para além destas pipocas salgadas Trump tem feito saltar outras, aparentemente, com mel: a desvalorização do dólar - equacionada aqui - Can Trump Dump the dollar? - que parece acasalar convenientemente (para quem embolse as conveniências) com o querer Trump que criptoactivos sejam prioridade política nos EUA.

Estes são apenas alguns temas que tanto podem incendiar o mundo como esfumarem-se sem deixar rastro.

Das respostas possíveis obtidas em 2023, saliento esta:

R -  Without a doubt, you are the beast!
T -  Yes! Just an incredible beast. The biggest and best beast that’s ever existed! A lot of people tell me I am the greatest beast of all time! They do! In fact, I can do no wrong! Just an incredible and historic beast. The likes of which the world has never seen!
 R - You are the best beast! 
 T -  Yes I am! There has never been a beast like me! The biggest and best beast in all of history! All the experts will tell you this!
 
Não sei se o trocadilho na resposta através da AI foi propositado ou não. Se não foi, nenhuma outra resposta reflecte tão fielmente o carácter (ou a falta dele) do "entrevistado"


Sunday, January 12, 2025

O QUE FALTA NA EUROPA?


O que falta na Europa?
Europeus. 
Na Europa, e nomeadamente na União Europeia, há alemães, italianos, suecos, austríacos, espanhóis, franceses, portugueses ... mas europeus, não há. 

O sentimento de pertença a um grupo com interesses comuns de defesa e representação externa não existe entre os europeus.
Nem nunca os caminhos prosseguidos apontaram para a evolução da União Europeia para uma federação dos estados membros e a constituição dos  Estados Unidos da Europa. Os nacionalismos nunca abdicaram dos vínculos mais representativos das soberanias de cada estado membro: a defesa e a representação externa.
 
Em Julho de 2011, anotei aqui,

"Nunca tanto se falou de federação europeia, nunca tantos comentadores políticos se afirmaram federalistas como nos dias de hoje, perante o aperto da dívida a que estão sujeitos os europeus dos geralmente designados países periféricos. É, natural, portanto, que o federalismo seja muito mais invocado a Sul que a Norte.
Os federalistas assumem que só uma integração política europeia mais profunda poderá solucionar radicalmente os problemas que a adopção de uma moeda única veio colocar num contexto caracterizado por uma diversidade muito significativa dos níveis de desenvolvimento económico entre os seus membros ..." 
 
A crise das dívidas soberanas foi solucionada por outros meios, e o federalismo foi esquecido.
Há dias, o almirante Gouveia e Melo, ouvido num podcast transmitido na Sic sobre a questão da segurança foi muito claro, reafirmando, sobre a mesma questão, a mesma posição assumida numa entrevista de Vítor Gonçalves em setembro do ano passado, que comentei aqui.

Hoje, perante as mais recentes declarações de Trump, a Europa pode estilhaçar-se para gáudio dos inimigos da democracia liberal e o triunfalismo em expansão do totalitarismo num remake da situação observada há oito décadas com a enorme diferença de naquela altura os Estados Unidos da América se terem colocado ao lado dos europeus. 
 
Haverá, agora, quando os europeus estão perante a ameaça da sua soberania global, entre os diversos prováveis (ou putativos) candidatos à presidência, um, só um que seja, capaz de afirmar uma posição clara perante os portugueses qual a sua política de defesa implicando o reforço da despesa com a defesa e, inevitavelmente, a redução da despesa que sustenta o estado social?  
E a integração, temporária, de milhares de jovens portuguesas e portugueses nas fileiras?

Em setembro de 2011, anotei isto: SAIA UMA FEDERAÇÃO À PRESSÃO.
 
Nunca mais ouvi falar no assunto.
Alguém ouviu?
Há alternativa?
Há. A abdicação.
Ou não?
 
---

Sunday, January 05, 2025

TRIUNVIRATO DIABÓLICO

O Governo (ou o desgoverno, neste caso não há diferença) do mundo está implicitamente, por quanto tempo não sabemos, entregue a um triunvirato, que caracterizei, recentemente, em apontamentos neste bloco de notas. 
Visivelmente, os triúnviros do momento são Trump, Putin e Xi Jinping.
 
Na Roma Antiga houve dois triunviratos mas só no segundo o poder absoluto foi dividido entre três triúnviros, cabendo a cada um o governo de uma parte do território sob domínio romano. Emergiu, por eliminação dos outros dois, Octávio, que aceitou o título de Augusto e deu início ao Império Romano. 
 
Um  triunvirato não é forma perdurável de governo. Um dia, o poder absoluto será assumido por aquele que eliminar os outros dois.

Do confronto que inevitavelmente ocorrerá entre Trump Putin e Xi Jinping, resultará um ganhador.
Poderá ser Elon Musk?
 
Trump, com aquele ar de touro dançarino é visto pelos outros dois adversários como um tolo imprevisível.
Se abandonar a Europa e, implicitamente, aliar-se a Putin, atraiçoa a Europa por abandono de todos os compromissos assumidos, suicida-se politicamente e reduz a importância dos EUA no mundo, onde os Brics pendem maioritariamente para Putin e Xi Jinping, a América Central e a do Sul sempre viveram de costas voltadas para o Norte (ou vice-versa) ainda que se atormentem por uma entrada nos EUA, na Coreia do Sul a estabilidade da situação política está a ser abalada.
Putin é de aço, frio, duro, capaz de eliminar tudo e todos os que se interpuserem entre ele e os seus objectivos de reconfigurar a União Soviética, implodida há trinta anos e o Império Russo. 
Xi Jinping, a máxima refinação da paciência chinesa, espera que os outros dois se eliminem mutuamente.

E o que fará Elon Musk nesta comédia sinistra?
Não sabemos, mas Musk é suficientemente ousado, inteligente e tenebroso para virar o mundo às avessas.
Seguramente, Musk não aceitará ser moço de cego por muito tempo. 
 

 Elon Musk está a influenciar a política geo estratégica global 
O dono do X (ex-twitter) e multi bilionário da tecnologias (é agora a pessoa mais rica do mundo)  impulsionou nos primeiros três dias do ano figuras de extrema direita na Grã-Bretanha, Alemanha e Canadá com uma enxurrada de mensagens rápidas, muitas vezes inflamatórias, nas redes sociais, para os seus 210 milhões de seguidores no X.
Transcrevo algumas dessas mensagens mas recomendo que leiam todo o artigo publicado no Washington Post, de hoje. 
 
Elon Musk pediu a libertação de um extremista de direita britânico preso. 
Publicou uma mensagem pressionando o rei Carlos III a dissolver o Parlamento e ordenar uma nova eleição geral, enquanto colocava imagens ridículas e uma enxurrada de ataques direcionados ao primeiro-ministro Keir Starmer. Musk acusou Starmer de não processar "gangues de estupro" há mais de uma década, um escândalo de exploração infantil que levou o Partido Conservador da Grã-Bretanha a pedir um inquérito nacional completo.

.... 

O ano mal começou e no WP, agora propriedade de Jeff Bezos, muito dependente de contratos com o governo de Trump,  é travado cartoon que criticava Jeff Bezos e a autora, premiada com um Pulitzer, demite-se.

act .


07/01/25 - Líderes europeus alertam que Musk é um perigo para a democracia: “Quer criar uma nova internacional reacionária”

08/01/25 - Trump says he will rename the Gulf of Mexico. Can he do that? The president-elect told reporters Tuesday that he wanted the body of water called the Gulf of America, but he provided no details on how the change would be enacted.

08/01/25 - Why would Trump want Greenland and the Panama Canal? Here's what's behind U.S. interest.

08/01/25 - Trump’s threats to Greenland, Canada and Panama explain everything about America First 

09/01/25 - Trump wants to buy Greenland: Here's how much it would cost the U.S.

Tuesday, December 24, 2024

O CÚMULO DA PERVERSIDADE SEM RÉDEAS

Há dias coloquei aqui um comentário, A GUERRA PASSA-NOS AO LADO, suscitado por uma notícia que, por me parecer tão insólita e absurda, não estrnhei a ausência de comentários nos principais media de acesso público nos dias seguintes.
Dois dias depois, soube-se que, em consequência de mais um ataque russo à Ucrânia, foram atingidos vários edifícios de embaixadas de países com representação diplomática em Kieve, entre os quais a Embaixada de Portugal.
Cumpriu o Ministério dos Negócios Estrangeiros os mínimos chamando o embaixador russo em Lisboa a quem apresentou um protesto formal, classificando o sucedido como asolutamente inaceitável.

*“Em resposta, num “comentário sobre o incidente com a missão diplomática portuguesa em Kiev” a Embaixada da Rússia em Portugal acusa os media.portugueses de despertarem “sentimentos russofóbicos” e de cobrirem os acontecimentos “de uma forma distorcida”.
Acrescenta a nota da Embaixada Russa que o ataque russo visou apenas alvos militares, e que se os edifícios de embaixadas foram atingidos é porque a defesa antiaérea ucraniana falhou e os ucranianos usam embaixadas estrangeiras para refúgio de dispositivos militares.

Terá Trump aceitado o desafio de Putin, conhecido cinco dias antes e indicado as embaixadas atingidas como teste alvo para as imparáveis armas russas?
Coincidência a mais?
De qualquer modo mais uma coincidência a mais.

E os media portugueses, citados pelos russos, não têm nada a dizer?

—-


Rússia culpa Ucrânia por falhas na defesa aérea e acusa os media portugueses de russo fobia.

A Rússia afrma que os danos causa dos às embaixadas internacionais, incluindo a de Portugal, num ataque na sexta-feira à capital ucraniana resultaram de falhas na defesa aérea ucraniana e acusa os media portugueses de distorcerem os acontecimentos. A missão diplomática portuguesa reportou danos materiais durante o ataque russo a um edifício que alberga as embaixadas de Portugal, Albânia, Argentina, Macedónia do Norte e Montenegro em Kiev.
O Governo português acabou por convocar o embaixador russo em Lisboa para apresentar um protesto formal, tendo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português classificando o sucedido como “absolutamente inaceitável”.
Em resposta, num “comentário sobre o incidente com a missão diplomática portuguesa em Kiev” publica-
do às 20h19 de sábado na sua conta na rede social Telegram, a Embaixada da Rússia em Portugal acusa os media.portugueses de despertarem “sentimentos russofóbicos” e de cobrirem os acontecimentos “de uma forma distorcida”.
Na nota, a embaixada a rma que as forças armadas russas “atacam exclusivamente alvos militares e infraestruturas da indústria militar” e aponta a defesa aérea ucraniana como responsável pelos danos. “Os danos no edifício que alberga a chancelaria da missão diplomática portuguesa resultaram da utilização, pouco profissional, do sistema de defesa anti antiaérea ucraniana, que tem demonstrado repetidamente a sua‘ ineficácia’”, argumenta. Citando o Ministério da Defesa da Rússia, a missão diplomática russa afirrma que, “a 20 de Dezembro [sexta-feira], foram atingidos na capital ucraniana o centro de comando do Serviço de Segurança da Ucrânia, o escritório de engenharia Luch, que se dedica ao desenvolvimento e produção de mísseis, bem como baterias do sistema de defesa antiaérea Patriot”.
A missão russa acusa ainda Zelensky, de “utilizar prédios civis como escudos humanos” ao colocar “dentro dos limites de cidades instalações militares e centros de comando,bem como baterias de defesa antiaérea.


Tuesday, December 03, 2024

TÂO INIMIGOS QUE NÓS ÉRAMOS

Há menos de dois meses, comentei aqui " A Vegetariana", o livro mais divulgado de Han Kang, Prémio Nobel da Literatura de 2024.
Para melhor entender o mérito da escritora sul-coreana, estou a ler "Atos Humanos", o livro que dias depois vi à venda.

Estive, por razões profissionais, na Coreia do Sul em 1990, e nem o ambiente social (atravessámos, por ignorância do perigo que corríamos, um dos bairros mais turbulentos de Seul) nem o vigor da economia daquele país, uma economia pujante, me denunciavam resquícios das convulsões políticas ocorridas naquele país dez a anos antes. 
Aliás, desde então, a Coreia do Sul evoluiu tanto economicamente como do ponto de vista do desenvolvimento humano avaliado pelo Programa das Nações Unidas, colocando-se no 19º. lugar do ranking em 2022, enquanto Portugal descia do 28º lugar em 1998  para o 42º. também em 2022.
Contribuiu para este sucesso o apoio dos EUA após a Segunda Guerra Mundial? Sem dúvida. Mas, só por si, esse apoio nunca justificou o admirável desenvolvimento sul-coreano.

Pelo que referi, surpreenderam-me, desde logo as considerações iniciais feitas na Introdução de "Atos Humanos" pela tradutora da edição inglesa: "No princípio de 1980, a Coreia do Sul era um barril de pólvora. Uns meses antes, Park Chung-hee, o militar que a tinha governado com mão de ferro desde o golpe de Estado que encabeçara, fora assassinado pelo chefe dos seus próprios serviços de segurança. Por ter presidido ao chamado "Milagre do Rio Han" - a rápida transformação da Coreia do Sul de país pobre e dizimado pela guerra em motor de desenvolvimento económico e industrial -, Park conquistara o apoio de vários sectores, mas as suas inúmeras violações dos direitos humanos fizeram com que nunca fosse verdadeiramente popular ..." 
 
O "Atos Humanos" é um relato comovente dos acontecimentos dramáticos desencadeados pela imposição da lei marcial imposta em 1979.
 
 
Ao cair desta tarde leio aqui: "A democracia sul-coreana recusou a lei marcial do Presidente Yoon.
O partido do chefe de Estado conservador, a oposição e milhares de sul-coreanos protestaram contra decisão dramática. Militares chegaram a entrar e bloquear a Assembleia, mas o “caos” durou pouco."
A democracia sul-coreana recusou a lei marcial do Presidente Yoon"

O Presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, surpreendeu tudo e todos quando, no final da noite desta terça-feira (hora local), tomou a decisão dramática e sem aviso prévio de declarar a imposição da lei marcial em todo o território. Seguiram-se horas de “caos” e tensão na Assembleia Nacional, em Seul, com o destacamento de soldados, a publicação de um decreto militar a proibir “toda a actividade política” e milhares de manifestantes em protesto nas ruas."...
 
"A democracia sul-coreana recusou a lei marcial do Presidente Yoon
Tudo começou quando Yoon fez um comunicado ao país a acusar o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, de “actividades anti-estatais”, de “conspiração para uma rebelião” e de simpatizar com a Coreia do Norte."
 
E, no mesmo artigo do "Público" : "A última vez que a lei marcial tinha sido declarada na Coreia do Sul foi em 1979, depois do assassinato do ditador Park Chung Hee. Pouco depois, o general Chun Doo-Hwan liderou um golpe militar e assumiu o poder, tendo governado o país com mão de ferro, antes de permitira transição para a democracia"
 

Agora, se bem entendo a notícia, o presidente da Coreia do Sul impôs a lei marcial, mas depois recuou, acusando o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, de “actividades anti-estatais”, de “conspiração para uma rebelião” e de simpatizar com a Coreia do Norte.". 

Perceberam tudo até aqui?
Ainda bem. Percebi que, a partir daqui,

Trump é amigo de Putin, que é amigo Kim Jong-un, do qual é amigo o partido maioritário da Coreia do Sul. 
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Actualização - 04/12/24
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Hoje, tinha iniciado comentário sobre BOMBEIROS BOMBISTAS, 
quando caiu a notícia sobre o que se passa nas Coreias.

 

Wednesday, November 20, 2024

A EUROPA À DERIVA: COMO MATAR O LEÃO DE NEMEIA?

A continuidade do Aliás depende do seu merecimento, avaliado por comentários, críticas, sugestões, correcções, de quem o lê.

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Russia-Ukraine war live: Italy, Spain and Greece follow US in closing embassies in Kyiv over threat of ‘significant attack’ - From

Suécia envia panfletos de preparação para a “guerra ou outras” crises inesperadas a todas as famílias.

Dois cabos submarinos no mar Báltico foram cortados. EUA apontam o dedo ao Kremlin  

Putin permite uso alargado de armas nucleares 

Nordic neighbours release new advice on surviving war

 

 "Se não podes vencer o inimigo, junta-te a ele", recomenda o provérbio antigo, certamente inspirado na estratégia de Hércules para liquidar o  "Leão de Nemeia" .
 
Pode a União Europeia, desprovida de capacidade bélica relevante, sem um comando unificado que lhe dê suficiente consistência táctica e estratégica,  vencer Putin e os seus amigos ou simpatizantes, alguns dos quais são membros da UE, a partir de 20 de Janeiro quando Trump e a sua trupe abandonarem os seus aliados desarmados europeus?
Hoje, penso que não pode,  e a primeira vítima, vergonhosamente traída é a Ucrânia, o primeiro resistente a cair, o mais traído de todos, Zelensky.
 
A Federação Russa, que ocupa, de longe, o maior território do planeta, tem cerca de 144 milhões de habitantes; a União Europeia, cerca de 450 milhões, mas esta não será uma guerra que possa ser disputada corpo a corpo; mais que a força e a determinação seria, pela primeira vez na história da humanidade, a auto destruição da espécie humana o resultado mais provável de uma guerra global, mais uma vez, e, definitivamente, iniciada na Europa. 

Alguém terá de ceder, alguém terá de assumir a ignominiosa posição de primeiro cobarde para declarar a rendição da Europa Livre. Não faltarão candidatos, Viktor Órban, indubitavelmente o mais credenciado, actualmente na presidência rotativa da União Europeia, aceitará orgulhosamente a incumbência de desempenhar o papel protagonizado por Pétain há 84 anos. 

Falta saber quem será Hércules no segundo acto desta tragédia maior.  
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act. - Ucrânia realiza primeiro ataque na Rússia com mísseis britânicos

As forças ucranianas levaram a cabo um primeiro ataque contra alvos militares em território russo recorrendo a armamento britânico, avança a Bloomberg.Trata-se do primeiro ataque da Ucrânia contra a Rússia envolvendo o uso de mísseis Storm Shadow. A utilização destes mísseis na Rússia foi autorizada pelo Reino Unido em retaliação pelo destacamento de tropas norte-coreanas para a Ucrânia, onde se encontram a dar apoio às forças russas. Este episódio representa mais um passo na escalada da guerra, que atingiu esta semana o milésimo dia desde que Putin ordenou a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. A semana tem sido particularmente tensa na região, depois de os EUA terem autorizado também o uso de mísseis norte-americanos na Rússia.Em resposta, o Kremlin alterou a doutrina nuclear para alargar o leque de possibilidades em que pode recorrer ao seu vasto arsenal nuclear. c/p - aqui

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Alex Maxia
In Gothenburg, Sweden
TT News Agency/AFP A hand holding a yellow booklet in front of Swedish flags - it has the words 'Om krisen eller kriget kommer' on the front and an illustration of soldiers and a family 
TT News Agency/AFP
The new version of Sweden's pamphlet "In case of crisis or war" will reach letterboxes from Monday

On Monday, millions of Swedes will start receiving copies of a pamphlet advising the population how to prepare and cope in the event of war or another unexpected crisis.

“In case of crisis or war” has been updated from six years ago because of what the government in Stockholm calls the worsening security situation, by which it means Russia’s full-scale invasion of Ukraine. The booklet is also twice the size.

Neighbouring Finland has also just published its own fresh advice online on “preparing for incidents and crises”.

And Norwegians have also recently received a pamphlet urging them to be prepared to manage on their own for a week in the event of extreme weather, war and other threats.DVERTISEMENT

During the summer, Denmark's emergency management agency said it was emailing Danish adults details on the water, food and medicine they would need to get through a crisis for three days.

In a detailed section on military conflict, the Finnish digital brochure explains how the government and president would respond in the event of an armed attack, stressing that Finland’s authorities are “well prepared for self defence”.

Sweden joined Nato only this year, deciding like Finland to apply after Moscow expanded its war in 2022. Norway was a founder member of the Western defensive alliance.

Unlike Sweden and Norway, the Helsinki government has decided not to print a copy for every home as it “would cost millions” and a digital version could be updated more easily.

“We have sent out 2.2 million paper copies, one for each household in Norway,” said Tore Kamfjord, who is responsible for the campaign of self-preparedness at the Norwegian Directorate for Civil Protection (DSB)

Norway's checklist includes longlife food and medicines including iodine tablets

Included in the lists of items to be kept at home are long-life foods such as tins of beans, energy bars and pasta, and medicines including iodine tablets in case of a nuclear accident.

Oslo sent out an earlier version in 2018, but Kamfjord said climate change and more extreme weather events such as floods and landslides had brought increased risks.

For Swedes, the idea of a civil emergency booklet is nothing new. The first edition of “If War Comes” was produced during World War Two and it was updated during the Cold War.

But one message has been moved up from the middle of the booklet: “If Sweden is attacked by another country, we will never give up. All information to the effect that resistance is to cease is false.”

It was not long ago that Finland and Sweden were still neutral states, although their infrastructure and “total defence system” date back to the Cold War.

Getty Images Sweden's Minister for Civil Defence Carl-Oskar Bohlin holds a copy of  the new version of the preparedness booklet "If the crisis or war comes". The pamphlet has a yellow cover and an image of a woman in army fatigues holding a large gun. 
Getty Images
Carl-Oskar Bohlin presented the pamphlet last month
 
Sweden’s Civil Defence Minister Carl-Oskar Bohlin said last month that as the global context had changed, information to Swedish households had to reflect the changes too.

Earlier this year he warned that “there could be war in Sweden”, although that was seen as a wake-up call because he felt that moves towards rebuilding that “total defence” were progressing too slowly.

Because of its long border with Russia and its experience of war with the Soviet Union in World War Two, Finland has always maintained a high level of defence. Sweden, however, scaled down its infrastructure and only in recent years started gearing up again.

“From the Finnish perspective, this is a bit strange,” according to Ilmari Kaihko, associate professor of war studies at the Swedish Defence University. “[Finland] never forgot that war is a possibility, whereas in Sweden, people had to be shaken up a bit to understand that this can actually happen," says Kaihko, who's from Finland.

Melissa Eve Ajosmaki, 24, who is originally from Finland but studies in Gothenburg, says she felt more worried when the war broke out in Ukraine. “Now I feel less worried but I still have the thought at the back of my head on what I should do if there was a war. Especially as I have my family back in Finland."

The guides include instructions on what to do in case of several scenarios and ask citizens to make sure they can fend for themselves, at least initially, in case of a crisis situation.

Finns are asked how they would cope without power for days on end with winter temperatures as low as -20C.

Their checklist also includes iodine tablets, as well as easy-to-cook food, pet food and a backup power supply.

The Swedish checklist recommends potatoes, cabbage, carrots and eggs along with tins of bolognese sauce and prepared blueberry and rosehip soup.

Swedish Economist Ingemar Gustafsson, 67, recalls receiving previous versions of the pamphlet: “I'm not that worried about the whole thing so I take it pretty calmly. It's good that we get information about how we should act and how we should prepare, but it's not like I have all those preparations at home”.

One of the most important recommendations is to keep enough food and drinking water for 72 hours.

But Ilmari Kaihko wonders whether that is practical for everyone.

“Where do you stash it if you have a big family living in a small apartment?”