Resolvi abrir o baú e vasculhar lá dentro, bem no fundo da história, e hoje estou postando para os amigos e visitantes do blog a primeira banda em que Jon Lord participou e gravou na vida.
Trata-se da banda inglesa ''Artwoods'' que foi formada na cidade de Londres no ano de 1963 pelo cantor Arthur Wood, que era irmão mais velho do guitarrista Ron Wood, que foi membro fundador da conhecida banda britânica ''The Faces'' em 1969 e posteriormente seria o famoso guitarrista da banda ''Rolling Stones''.
Inicialmente a banda foi batizada de ''The New Art Wood Combo'' e contava com os membros Art Wood (vocals), Jon Lord (Keyboards), Derek Griffiths (guitar), Don Wilson (bass) e Reg Dunnage (drums).
A banda esteve atuando profissionalmente entre os anos de 1964 e 1967 e chegou a ser uma das principais bandas populares que tocavam ao vivo naqueles tempos nos circuitos de bailes, pubs e garagens.
Foi nessa época, ainda na primeira metade do ano de 1964 que a banda muda o nome para The Artwoods e tem o baixista Don Wilson e o baterista Reg Dunnage substituídos por Malcolm Pool (bass) e Keef Hartley (drums).
Ainda no ano de 1964 a banda acabou por assegurar um lugar cativo para apresentações constantes no club 100 de Londres, e logo após eles assinam um contrato para gravações com a gravadora Decca Records.
Entre os anos de 1964 e 1967 a banda lança no mercado inglês sete singles e três EP's de 7'' polegadas (os 3 Ep's saíram todos em 1966) e grava e lança o seu único disco ''Art Gallery'' (LP, Decca LK. 4830) em novembro de 1966.
O disco continha 12 canções divididas em 6 em cada lado do disco de vinil de 12'' polegadas, que naquela época ainda eram gravações feitas em mono, pois os aparelhos que eram vendidos na época ainda não possuiam a tecnologia do som em estéreo, que viria a surgir alguns anos depois.
Após a gravação do seu disco a banda teve uma grande ascensão, e iniciam o ano de 1967, logo nos primeiros meses partindo para realizar shows em vários países da Europa incluíndo concertos na Alemanha Ocidental e na Dinamarca, além de outros países da Escandinávia.
No início do ano de 1967 a banda foi abordada pelo maestro Hans Bregel da orquestra sinfônica alemã da cidade de frankfurt. Ele havia feito uma proposta para o grupo com a idéia de escrever uma peça especial em conjunto para que fosse realizada no mês de dezembro daquele ano.
Nada veio à acontecer desse plano, e a banda começou a perceber que a cena do Rhythm & Blues estava perdendo fãs para o movimento do rock underground que começava a surgir com força naqueles tempos, e os membros começaram a contestar o futuro como algo incerto naquele momento.
Jon Lord naquela altura do campeonato via que as suas idéias de trabalhar com uma orquestra e fazer um som mais voltado para o lado clássico, já estava sendo ocupado por outros grupos, em especial a banda ''The Nice'', liderada pelo tecladista Keith Emerson.
O movimento do Rock Progressivo que surgiria alguns anos depois em todo o mundo estava começando a dar os seus primeiros passos na Europa.
Vendo toda essa situação acontecendo, e com toda a desilusão que se espalhava dentro da banda, que teve o seu ápice na demissão do baterista Keef Hartley duas semanas antes de irem para a Dinamarca realizarem uma turnê em abril de 1967, a banda quase chega ao seu fim, mais ainda resolvem continuar.
Arrumaram um novo baterista para a banda chamado Colin Martin (posteriormente ele seria um grande produtor da BBC) e viajam para a Dinamarca para realizar a turnê, e chegando lá sofrem mais um duro golpe, pois souberam que toda a turnê que eles deveriam fazer havia sido cancelada.
O promotor local ainda conseguiu organizar alguns shows de última hora para a banda fazer, mas a essa altura todos os membros do grupo já estavam bem abatidos, mas fizeram os shows e logo após retornaram para a Inglaterra, meio perdidos sobre o que fazer em relação ao grupo.
Durante a ausência da banda na Inglaterra o empresário Johnny Jones tinha já garantido outro contrato para a banda através da gravadora Fontana.
O gerente dessa gravadora Jack Baverstock ao se encontrar com os músicos sugeriu uma sinistra idéia de vestir o grupo como gangsters, assim como em um filme, e relançaria o The Artwoods com um novo nome já previamente escolhido por ele de ''The St. Valentine's Day Massacre''.
Essa proposta era uma tentativa de obter lucro encima da imagem de uma banda que teria uma roupagem baseada no imenso sucesso do filme "Bonnie e Clyde" que havia sido lançado a pouco tempo na Inglaterra.
O vocalista Arthur Wood foi inicialmente contra essa idéia, mais em um momento de indecisão e desespero todos da banda concordaram em participar para ver no que ia dar mais a frente.
Gravaram um único single com as músicas "Brother Can You Spare A Dime" / "Al's Party" que chegou a sair com os membros da banda vestidos de mafiosos segurando armas na capa do single. Foi um imenso fracasso de vendas no Reino Unido, mas incrivelmente chegou ao primeiro lugar de vendas na Dinamarca, para onde o grupo novamente partiu para fazer uma nova turnê de três semanas estendendo-se aos outros países da Escandinávia.
Mesmo com todo o sucesso que a banda fez na Escandinávia, ao retornarem para a Inglaterra a banda se desfez, pois os músicos achavam algo vergonhoso e estúpido tocar Rhythm & Blues vestidos como gangsters.
Cada um seguiu o seu rumo, e Jon Lord ainda no ano de 1967 monta a banda ''Santa Barbara Machine Head'' com o guitarrista Ron Wood, e chegaram a gravar algumas músicas que podem ser encontradas por ai pela grande rede.
Depois ele veio tocar em uma banda chamada ''The Flowerpot Men'' e não chegou a gravar nada com esse grupo.
Em 1968 Jon Lord finalmente encontrou o seu caminho, ao formar junto com um guitarrista que ele havia conhecido na cidade alemã de Hamburgo chamado ''Ritchie Blackmore'' uma banda chamada ''Roundabout'', que inicialmente tinha o baixista ''Ian Curtis'' e o baterista ''Bobby Woodman'' em sua formação.
Essa nova banda começou a ensaiar novas músicas, mais em menos de um mês de vida só permaneceram os membros fundadores Jon Lord e Ritchie Blackmore.
Então os dois músicos remanescentes tiveram a idéia de colocar um anúncio em uma revista chamada ''Melody Maker'', muito conhecida na época, e através desse anúncio fizeram contato e logo após recrutaram para o grupo o baixista ''Nick Simper'', o baterista ''Ian Paice'' e o vocalista ''Rod Evans''.
Com essa formação a banda fez sessões rápidas de ensaios e partiram para uma pequena turnê pelos países da Escandinávia mantendo o nome Roundabout. E de lá voltaram com o novo e definitivo nome que o guitarrista Ritchie Blackmore sugeriu aos outros membros, baseado em uma antiga música que era a canção favorita de sua avó feita por um compositor chamado Bing Crosby.
''DEEP PURPLE'', o resto da história todo mundo já sabe onde deu.
OBSERVAÇÕES:
** A versão do disco ''Art Gallery'' postada no blog, é a edição relançada pela gravadora ''Repertoire Records'' que saiu em 1995, adicionado com 14 músicas bonus retiradas de singles e EP's do grupo, e remasterizadas com o áudio no formato estéreo.
** A banda Artwoods teve o seu nome retirado da abreviação do nome do vocalista Arthur Wood, adicionado com o seu sobrenome.
** Na verdade o primeiro trabalho de gravação de Jon Lord foi como músico de estúdio, contratado para gravar as partes de piano na versão original da clássica música ''You Really Got Me'' da banda ''The Kinks''. Uma das mais importantes bandas da ''British Invasion'' dos anos 60.
Essa versão foi lançada pela banda no single ''You Really Got Me / It's All Right'' (Pye 7N 15673) que saiu em agosto de 1964.
A estréia de Jon Lord gravando pela banda Artwoods se deu na gravação do single ''Sweet Mary / If I Ever Get My Hands On You'' (Decca F 12015) que foi lançado pela gravadora Decca Records na Inglaterra em 30 de outubro de 1964.
** Em 1983 foi lançado o disco ''100 Oxford Street'' (Get Back GET524) com material inédito e raro.
** No ano de 2000 saiu uma compilação chamada ''Singles A's & B's'' (Repertoire REP4887).
Line-up / Musicians
- Art Wood / Arthur Wood - Lead Vocals (1963-1967) (1937-2006) (R.I.P)
- Derek Griffiths - Lead Guitar (1963-1967)
- Jon Lord - Organ Hammond / Piano (1963-1967) (1941-2012) (R.I.P)
- Malcolm Pool - Bass Guitar (1964-1967)
- Keef Hartley - Drums (1964-1967)
Other Musicians
- Don Wilson - Bass (The New Art Wood Combo) (1963-1964)
- Reg Dunnage - Drums (The New Art Wood Combo) (1963-1964)
- Colin Martin - Drums (The St. Valentine's Day Massacre) (1967)
Songs / Tracks Listing
01. Can You Hear Me
02. Down In The Valley
03. Things Get Better
04. Walk On The Wild Side (Instrumental)
05. I Keep Forgettin'
06. Keep Lookin'
07. One More Heartache
08. Work, Work, Work
09. Be My Lady (Instrumental)
10. If You Gotta Make A Fool Of Somebody
11. Stop And Think It Over
12. Don't Cry No More
13. Sweet Mary (Bonus)
14. If I Ever Get My Hands On You (Bonus)
15. Goodbye Sisters (Bonus)
16. She Knows What To Do (Bonus)
17. I Take What I Want (Bonus)
18. I Feel Good (Bonus)
19. What Shall I Do (Bonus)
20. In The Deep End (Bonus)
21. These Boots Are Made For Walking (Bonus)
22. A Taste Of Honey (Bonus) (Instrumental)
23. Our Man Flint (Bonus) (Instrumental)
24. Routine (Bonus)
25. Brother Can You Spare A Dime (Bonus)
26. Al's Party (Bonus)
Tracks 01-12 from Decca LK 4830 "Art Gallery" LP, Nov. 1966.
Recorded at Southern Music Studios, Tin Pan Alley, London.
Liner Notes – Chris Welch
Producer – Mike Vernon (tracks: 01 to 12)
Tracks 13-14 from Decca F 12015 P single, Nov. 1964.
Tracks 15-16 from Decca F 12206 P single, Aug. 1965.
Tracks 17-18 from Decca F 12465 P single, Apr. 1966.
Tracks 19-20 from Parlophone R 5590 P single, Apr. 1967.
Tracks 21-24 from Decca DFE 8654 "Jazz In Jeans" EP, Apr. 1966.
Tracks 25-26 from Fontana TF 883 P single (as The St. Valentine's Day Massacre), 1967.