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terça-feira, 23 de outubro de 2018

BIS163.10 Execução a série exige testemunhas

Bart Lockwood abriu os olhos e olhou à sua volta. Vermelhas ondas de vertigem flutuavam no seu cérebro.
Conseguiu, através daquelas névoas, tomar conhecimento do lugar em que se encontrava. Estava sentado no chão, encostado a um canto de uma escura e húmida parede de pedra, no fundo de um subterrâneo.
Reconheceu perfeitamente o local: tratava-se dos subterrâneos da antiga missão. Tentou mover-se mas tinha as mãos amarradas atrás das costas; as mãos e os tornozelos.
— Acaba de recuperar os sentidos — disse uma voz.
Alguém aproximou uma lanterna que ardia sobre um caixote. Bart Lockwood sentiu um calafrio ao ver-se rodeado por aquela muralha de pernas que se formou à sua volta. Doía-lhe horrivelmente a cabeça, em consequência das pancadas que o tinham deixado sem sentidos, e recordou--se de tudo quanto se passara com a maior clareza. Lou Twerlin!
Ergueu os olhos. Os homens que o cercavam riam-se de satisfação. Deviam achar muita graça ao triste estado em que ele se encontrava. Lou Twerlin ajoelhou-se a seu lado.
— Que supõe o senhor que vamos fazer-lhe, patrão?
A voz do pistoleiro, chocarreira e irónica, eivada de um sarcasmo cruel, soou-lhe aos ouvidos como um sopro gelado e cortante. Twerlin aproximou tanto a sua cara da da sua vítima que os dois hálitos se confundiram.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

BIS163.09 Cilada mortal

Com o sol a bater-lhe nas costas, a pequena carruagem conduzida por Bart Lockwood atravessou o arco de madeira que delimitava a entrada do pequeno rancho e avançou pelo poeirento caminho que, entrecortado aqui e além, por diversas curvas, levava diretamente à casa existente junto do rio.
Lupe apenas uma vez voltara a cabeça desde que, sentado ao lado de Lockwood, tinha saído de Silver City. A medida que a carruagem ia penetrando no rancho, a jovem começara a lançar olhares ansiosos à sua volta. Começara a sentir-se nervosa.
—Tudo isto está muito descuidado, mas é sem dúvida um lugar muito romântico e, sobretudo, muito retirado e muito discreto— disse Lockwood.
A jovem acenou afirmativamente, sem proferir uma única palavra. A voz tinha-lhe desaparecido da garganta. Bart Lockwood apontou com o chicote, a casa que se encontrava um pouco adiante:
— Esta casa foi noutros tempos pertença de uma missão espanhola. Conserva ainda todo o seu pitoresco. Não me surpreende que despertasse o seu interesse —disse o homem.
A carruagem aproximava-se cada vez mais. Desde que transpuseram o arco da entrada, não tinham visto qualquer pessoa; o local parecia ser completamente deserto, apesar de, a uma certa distância, se ouvirem os relinchos dos cavalos e o mugido dos novilhos.

domingo, 21 de outubro de 2018

BIS163.08 Revelação preocupante

Stone Lone, o jovem capataz de «Los Nogales», estava prendendo o seu cavalo à trave do «saloon» de Anita, quando viu alguém aproximar-se. Stone Lone frangiu o sobrolho. Inesperadamente, o «venerável» Lockwood tinha ordenado que tanto ele como os outros homens, permanecessem na cidade.
Como naquele momento não necessitava de escolta, Stone Lone propunha-se divertir-se à grande em companhia das joviais «girls» de Anita, quando, de repente, lhe aparecia pela frente aquele estúpido do Lewt para lhe estragar os seus projetos.
— Vamos a saber: que pretendes daqui? — resmungou.
Lewt passou a mão pelos lábios.
— Bem... vim apenas cumprimentar-te, querido irmão.
— Mau, mau! Safa-te daqui, e depressa.
Lewt esboçou um sorriso alvar. Era um homenzinho ridículo, com a barba por fazer e cheirando a uísque que emprestava.
— Não queres prestar-me alguns momentos de atenção, Stone?
— Nada temos que dizer, Lewt. Nada, compreendes ? — replicou secamente Stone Lone.
O borrachão agarrou-lhe por um braço e insistiu, teimosamente:
—Um momento! Vim aqui...

sábado, 20 de outubro de 2018

BIS163.07 Encontro sob a tormenta

A tormenta que há muito se anunciava, aproximava-se rapidamente. O céu apresentava-se encoberto, pardacento e ameaçador; de quando em quando, o clarão de um relâmpago rasgava as trevas, iluminando o horizonte...
Lupe fustigou a parelha de cavalos que puxavam a carruagem que ela mesma conduzia. Sentia-se possuída de um medo terrível; de um pânico atroz; uma força desconhecida, porém, impelia-a para a frente, no intuito de se desempenhar da tarefa de que Lou Twerlin a incumbira. Mais uma vez ia servir de engodo...
Subitamente, numa curva do caminho, sentiu um sobressalto no coração. Um grupo de cavaleiros, cavalgando em sentido contrário ao seu, cortaram-lhe a marcha. Lupe reconheceu Bart Lackwood.
A avaliar pela descrição que Twerlin lhe fizera, o «venerável» Lockwood não podia ser outro senão aquele cavaleiro de porte altivo e distinto que se avantajava um palmo acima de todos os outros. Era um homem de altura fora do normal, de cabelo grisalho, rosto agradável e com um aspeto de excelente pessoa.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

BIS163.06 Uma jovem como isco

Silver City estava a transformar-se numa cidade das mais importantes e o Silver Hotel, tinha sido construído com a intenção de satisfazer os frequentadores mais exigentes.
No vestíbulo do importante estabelecimento refulgiam os espelhos a condizer com os cadeirões e sofás, forrados de veludo vermelho.
Todos os aposentos se encontravam mobilados com a maior magnificência, dispondo muitos deles de quarto de banho privativos.
Tal, como em qualquer outro estabelecimento de categoria, o Silver Hotel dispunha de um amplo tablado por onde passavam as mais afamadas companhias de bailados e de declamação.
Foi devido a estas especiais circunstâncias que Lou Twerlin traçou o plano em que Lupe se enquadrava admiravelmente. Ataviou a bailarina com os mais luxuosos vestidos que conseguiu encontrar e instalou-a num dos aposentos do hotel, à gerência do qual se ofereceu para realizar algumas exibições do seu reportório.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

BIS163.05 Um vulcão de maldade a rugir nas entranhas

— Concretizando, Lou: tu necessitas de três ou quatro pistoleiros dos mais decididos, para tomarem parte em qualquer coisa que não queres dar-me a conhecer.
— Exato.
A estrondosa gargalhada de Doc Newman, quase fez abalar a sala onde ele e Twerlin se encontravam em redor de uma mesa lautamente servida. O seu olhar irónico e sorridente poisou-se com fixidez no seu amigo.
— Estás a tomar-me por idiota ? Escuta, Lou: eu disponho de uma boa dúzia desses tipos de que tu necessitas. Posso pôr à tua disposição os melhores pistoleiros de toda a região... mas exijo a minha parte no caso que trazes entre mãos. Compreendes?
— Metes-me nojo, Doc...
— A gente precisa de viver, não te parece ?
— Miserável! Estou farto de te dizer que não se trata de qualquer negócio. Não pretendo roubar nenhum Banco, nem coisa que com isso se pareça. O que eu pretendo... Bem, trata-se de um assunto que só a mim diz respeito. Um assunto pouco agradável, cheio de riscos e de outros inconvenientes que eu quero e hei-de vencer por todo o preço.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

BIS163.04 A estranha arte de tudo repartir

Lupe, a graciosa e exótica mexicana, bailava do outro lado da fronteira, aos langorosos e não pouco excitantes compassos da música executada por um par de guitarras, um cornetim e um pandeiro, quando Lou Twerlin chegou a Chiricahua Hills.
Era uma povoação constituída quase só por homens, porque as mulheres não tinham chegado ainda e as poucas que ali existiam eram insignificantes. Apesar disso, podia, afoitamente, afirmar-se que as mais belas raparigas de todo o Sul do Arizona se encontravam em Chiricahua Hills.
O recém-chegado acomodou o seu cavalo na cavalariça que estava situado em frente do «saloon» de Doc Newman, abasteceu a manjedoura sem pedir licença ao homem que dormitava sobre o feno, e encaminhou-se para a taberna. Empurrou os batentes da porta e ficou-se alguns momentos entre os umbrais, observando com olhos perspicazes os homens e as mulheres que enchiam todo o recinto.
A clientela era constituída por pistoleiros e foragidos de mistura com diversas mulheres; a proporção era de quatro homens para cada rapariga...

terça-feira, 16 de outubro de 2018

BIS163.03 A vingança começa

Lou Twerlin abriu os olhos quando a viva luz do sol nascente lhe incidiu em pleno rosto. Ergueu-se rapidamente e empunhou o revólver por mera precaução. Tudo à sua volta se encontrava calmo e tranquilo.
Procurou o seu cavalo com os olhos: estava pastando tranquilamente junto do regato, um pouco mais afastado do que o deixara na véspera. Bocejou. Permaneceu algum tempo sentado sobre a manta, contemplando a paisagem.
Lá ao longe, para além da curva do rio, estava Tombstone. Calçou as botas e aproximou-se da água; lavou a cara e alisou os cabelos com a mão. Respirou satisfeito, ampla, profundamente. Que diferença entre este amanhecer e o outro, aquele amanhecer de Yuma, de algumas semanas antes!...
Calmamente, sem a menor pressa, selou o cavalo e colocou os alforges e a manta nos respetivos lugares. Antes de montar, observou cuidadosamente a configuração do terreno. Não era porque esperasse ter de sair de Tombstone precipitadamente mas, fosse como fosse, nada se perdia em ter perfeito conhecimento do terreno em caso de fuga, se essa ocasião viesse, porventura, a apresentar-se.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

BIS163.02 Matança na prisão

O longo e desconfortável corredor do pavilhão estava completamente deserto. Nada. Ninguém. Silêncio absoluto.
O olhar agudo e frio de Lou Twerlin, esquadrinhou minuciosamente o corredor. As suas pupilas fixaram-se na porta do fundo, a única que se encontrava aberta de entre as muitas que havia nas duas paredes laterais.
Pertenciam todas a outras tantas celas iguais àquele que ele acabava de abandonar: «aquela» era a da repartição dos carcereiros. Com o revólver engatilhado na mão, avançou cautelosamente em direção da porta dos carcereiros.
— Está já pronto o condenado, amigo Bush ?
O guarda de serviço, único ocupante daquela dependência, ficou um instante como que petrificado, quando, ao erguer os olhos, reconheceu o homem que acabava de surgir à porta da casa da guarda, vendo-lhe na mão a arma que lhe apontava. Perplexo, tentou reagir. Empurrou a cadeira para trás, procurando atabalhoadamente lançar mão do revólver.
— Nem um gesto! Quietinho como se encontra e nada se passará, meu amigo...

domingo, 14 de outubro de 2018

BIS163.01 A espera do condenado

O dia avizinhava-se pardacento, trágico, sombrio...
O dealbar apresentava-se escuro e pesado. Soprava um vento áspero e desabrido que levantava montanhas de poeira tão densas e acres como o fumo. Era, na realidade, um amanhecer estranho, diferente; um amanhecer que pressagiava calamidades, desolação e morte.
A Morte!
Lou Twerlin tinha um encontro marcado com aquela frigida e descarnada dama de severos e ebúrneos vestidos a que se dá o nome de MORTE...
Lou Twerlin!
Era um mocetão alto, reforçado, cujo rosto apresentava um tom crestado pelo sol do deserto; os seus olhos grandes e escuros tinham um aspeto de frieza de aço que causava calafrios.
Naquela madrugada, a não surgir qualquer imprevisto, Lou Twerlin ia morrer sem apelo nem agravo...
Frio, sereno, impávido, Lou Twerlin contemplava através do postigo gradeado da sua cela, o cadafalso erguido no centro do amplo pátio da prisão federal. Aquela maldita forca estava ali, na sua frente, como um espectro negro sobressaindo de entre as nuvens de poeira naquele triste e pardacento amanhecer.

sábado, 13 de outubro de 2018

BIS163. Gravata de cânhamo

 
(Coleção Bisonte, nº 163)
 
Um homem condenado à morte envolve-se na ânsia da vingança enquanto espera a execução da sentença de morte. O seu principal alvo seria o patrão que nada tinha feito para o defender. Aproveitando a distração do guarda, consegue evadir-se, semeando a morte entre guardas e outros bandidos.
O seu desejo de vingança parecia não ter satisfação possível e para o concretizar utilizou os encantos de uma bailarina mexicana perante a qual os homens caiam excitados. E a verdade é que também o ex-patrão se deixou enfeitiçar pela jovem.
Nesta novela, o herói é o bandido por quem de quando em quando há um pouco de simpatia. No final, todos morrem... Apesar de tudo, Lou Twerlin não morreu na ponta de uma gravata de cânhamo. Ele morreu da forma mais apreciada por um pistoleiro: de armas na mão.