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novembro 14, 2010

José e Pilar - O Filme

Título Original: José e Pilar
Realização: Miguel Gonçalves Mendes
Elenco: José Saramago, Pilar del Rio e Gael García Bernal
Duração: 125 min
Origem: Portugal

Sinopse: A Viagem do Elefante, o livro em que Saramago narra as aventuras e desventuras de um paquiderme transportado desde a corte de D. João III à do austríaco Arquiduque Maximiliano, é o ponto de partida para José e Pilar, filme de Miguel Gonçalves Mendes que retrata a relação entre José Saramago e Pilar del Río. Mostra do dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo, José e Pilar é um retrato surpreendente de um autor durante o seu processo de criação e da relação de um casal empenhado em mudar o mundo - ou, pelo menos, em torná-lo melhor. José e Pilar revela um Saramago desconhecido, desfaz ideias feitas e prova que génio e simplicidade são compatíveis. José e Pilar é um olhar sobre a vida de um dos grandes criadores do século XX e a demonstração de que, como diz Saramago, "tudo pode ser contado de outra maneira".

Trailer:


Não me tinha apercebido das saudades que tinha de Saramago. Quer se concorde ou não com as suas opiniões e forma de viver, a realidade é que foi um homem especial e, creio que muito se deveu também à convivência com Pilar del Rio. Gosto dos dois como seres humanos, porque sinto que o que viveram foi uma espécie de conto de fadas dos tempos modernos.
Estou muito curiosa para ver o filme.

Não me canso de ver o trailer que, ainda por cima, tem uma música linda! A música chama-se Palco do Tempo e é de Noiserv, um projecto musical de um jovem surpreendentemente talentoso, David Santos. Podem conhecer mais dele aqui:
http://www.noiserv.net/
http://www.myspace.com/noiserv
http://www.noiserv.net/site/Leitor_mp3/noiserv_leitor_mp3.html

A não perder, estreia dia 18 de Novembro.

junho 18, 2010

A Maior Flor do Mundo - José Saramago

Foi feita uma curta-metragem baseada no livro infantil, A Maior Flor do Mundo, escrito por José Saramago.
Esta curta, produzida em 2007, ganhou o prémio de melhor animação do Anchorage Internacional Film Festival e foi nomeado para os Goya de 2008 na categoria de melhor curta-metragem.

Realizada por Juan Pablo Etcheberry com voz de José Saramago

José Saramago (1922 - 2010)

Morreu José Saramago, para mim um dos maiores escritores portugueses.

Quando ele ficou doente, o ano passado, apercebi-me, com algum pânico, que ele iria morrer um dia pois tinha mais idade do que eu pensava. Quando ele melhorou, afastei com alívio estes pensamentos funestos da minha cabeça e enfiei-a na terra, como a avestruz, murmurando para mim mesma que o Saramago não vai morrer nunca. Foi por isso que duvidei, por alguns segundos, que a notícia da sua morte fosse verdadeira.
Rendendo-me às evidências, estou a braços com a sensação de que perdi alguém meu e por isso encontro-me a lidar com sentimentos que nunca senti por nenhuma das figuras públicas que nos foram deixando ao longo destes anos. Estou triste e angustiada...


Nesta foto, tirada no Avante em 2007, estava ele a assinar o meu Memorial do Convento. Fiquei contente por ter percebido o meu nome à primeira e por o ter escrito bem, sem ter tido dúvidas. :)
Estava um calor desumano dentro da tenda dedicada aos livros, e custou-me imenso esperar pela minha vez. Acho que só o consegui porque olhava para o José Saramago, magro e debilitado, visivelmente exausto e incomodado pelo calor excessivo, mas sempre com um sorriso para todos os que aguardavam pelo autógrafo. Por mais incomodado que estivesse, não despachou os autógrafos de forma mecânica e, dava-se mesmo ao trabalho de acrescentar um desenho ao autografar o livro infantil, A Maior Flor do Mundo, da sua autoria, que algumas mães compravam para os filhos.

As letras e a cultura mundial, ficaram definitivamente mais pobres.

Obrigada Saramago pela companhia, pelos sorrisos e pela aprendizagem que todos os teus livros me fizeram, provocaram e proporcionaram.

janeiro 03, 2010

Caim - José Saramago


"Pela fé, Abel ofereceu a deus um sacrifício melhor do que o de Caim. Por causa da sua fé, deus considerou-o seu amigo e aceitou com agrado as suas ofertas. E é pela fé que Abel, embora tenha morrido, ainda fala." (Hebreus, II,4)

"A história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele."

O que dizer do mais recente e polémico livro de Saramago? Dizer que é Saramago, bastaria para quem já leu e conhece o autor, bem como as suas opiniões sobre Deus e as religiões. Para quem nunca leu nada de Saramago tenho de dizer que ele é o maior contador de histórias que o nosso país já conheceu, cuja imaginação não conhece limites. Quando leio os livros dele tenho sempre a sensação de que estou sentada no chão, perto da lareira a ouvir o avô, dos contos infantis, a contar uma história. Independentemente das histórias terem muito pouco de infantis, essa sensação está sempre presente.

No caso de Caim, o escritor presenteia-nos com uma história, baseada em alguns dos episódios narrados na bíblia, livro que foi durante séculos cartilha para muita boa (e má) gente.
O livro começa com a expulsão de Adão e Eva do Paraíso por terem "comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal". Fora do Paraíso, depois de abandonados por Deus à sua sorte, têm três filhos, Caim, Abel e Set. Caim decide ser lavrador, enquanto Abel se torna num pastor de ovelhas. Quando, por tradição religiosa têm de oferecer as "prímicias do seu trabalho" ao Senhor, Abel queima um cordeiro do seu rebanho, enquanto Caim queima produtos da terra - algumas espigas e sementes. Deus aceita de bom grado a oferenda de Abel, mas rejeita a de Caim. Caim, revoltado, assassina o irmão Abel porque, como diz na discussão que tem com Deus momentos depois, "(...) não podia matar-te a ti". Deus castiga Caim, não sem antes assumir alguma da culpa no fraticidio, marcando-o e condenando-o a vaguear pelo mundo.

No resto da história, Saramago vai-nos contando alguns dos episódios mais violentos da bíblia, presenciados por Caim e, narrados sempre do ponto de vista de Caim, como se este fosse a consciência moral que Deus aparentemente não tem. O episódio de Abraão e do sacrifício do seu filho Isaac; da destruição de Sodoma e Gomorra, cidades onde a depravação reinava e, onde nem as crianças foram poupadas ao castigo divino; da construção da Torre de Babel pelos homens, numa altura em que todos falavam a mesma língua. O Senhor "disse que depois de nos termos posto a fazer a torre ninguém mais nos poderia impedir de fazer o que quiséssemos, por isso confundiu-nos as línguas e a partir daí, como vês, deixámos de entender-nos." Incapazes de se entenderem, os Homens espalharam-se pelo mundo e a Torre foi destruída pelo Senhor. No livro, Caim assiste a mais uns quantos caprichos do Senhor sendo que o último é o do grande dilúvio.

Neste livro, à semelhança de outros, Saramago não tem meias medidas, chama Deus de filho da **** e a páginas tanta diz: " (...) Lúcifer sabia bem o que fazia quando se rebelou contra deus, há quem diga que o fez por inveja e não é certo, o que ele conhecia era a maligna natureza do sujeito."
Saramago não escreve para ferir susceptibilidades, limita-se a escrever aquilo que pensa e com todo o direito o faz. Não tem medo de ser duro e, embora a polémica fosse de esperar, não acredito que o tenha escrito com esse propósito. Não acho que precise desse tipo de publicidade.
Nota-se nele alguma frustação por nem todos pensarem como ele, a crítica a Deus é aqui muito forte, sem contemplações, com alguma impaciência até. Muito mais rispído do que no O Evagelho Segundo Jesus Cristo. Mas senti o livro mais como o desabafo de um homem que já cá anda há muitos anos, que viveu e viu muita coisa e que se sente, de certa forma, impotente por não poder terminar com todas atrocidades que continuam a ser cometidas em nome de Deus e da religião.
Para os crentes este deve ser um livro difícil de ler por ferir crenças, mas também porque racionalmente ninguém pode discordar de algumas das afirmações que são feitas no livro.

Eu gostei muito do livro, não acho que seja dos melhores dele, se calhar por lhe faltar espaço para dar largas à imaginação, uma vez que a história da bíblia não saiu da sua cabeça, mas é na mesma um livro à Saramago.
Saramago é sempre recomendado, mas se o tema da religião vos é sensível, provavelmente irá ser um livro desagradável, por evidenciar o que de pior existe nas religiões. Mas será sempre uma leitura interessante de se fazer!

dezembro 25, 2009

Prendinhas de Natal

Este ano o Pai Natal foi generoso e trouxe-me uns quantos livrinhos. Livrinhos, salvo seja porque alguns estão mais para livrões que para livrinhos! :)

Oferecidos pelo meu mais que tudo:

Caim - José Saramago
"Pela fé, Abel ofereceu a deus um sacrifício melhor do que o de Caim. Por causa da sua fé, deus considerou-o seu amigo e aceitou com agrado as suas ofertas. E é pela fé que Abel, embora tenha morrido, ainda fala." (Hebreus, II,4)

Fúria Divina - José Rodrigues dos Santos
"Uma mensagem secreta da Al-Qaeda faz soar as campainhas de alarme em Washington. Seduzido por uma bela operacional da CIA, o historiador e criptanalista Tomás Noronha é confrontado em Veneza com uma estranha cifra.
Ahmed é um menino egípcio a quem o mullah Saad ensina na mesquita o carácter pacífico e indulgente do islão. Mas nas aulas da madrassa aparece um novo professor com um islão diferente, agressivo e intolerante. O mullah e o novo professor digladiam-se por Ahmed e o menino irá fazer uma escolha que nos transporta ao maior pesadelo do nosso tempo."

Oferecidos pelos manos e cunhados:

A Sombra do que Fomos - Luís Sepúlveda
"Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencibia, antigos militares de esquerda derrotados pelo golpe de estado de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local de encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal..."

O Planalto e a Estepe - Pepetela
"Do encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, nos anos 60, em Moscovo, nasce um amor proibido.
Baseada em factos verídicos, ficcionados pelo autor, esta história põe em evidência a vacuidade de discursos ideológicos e palavras de ordem, que se revelam sem relação com a prática. Política internacional, guerra, solidariedade e amor, numa rota que liga a um ponto perdido de África a outro da Ásia, passando pela Europa e até por Cuba. Uma viagem no tempo e no espaço, o de uma geração cansada de guerra num mundo cada vez mais pequeno.
Maravilhoso e comovente, este é um romance sobre o triunfo do amor, contra todas as vontades e todas as fronteiras."

2666 - Roberto Bolaño

"O que liga quatro germanistas europeus (unidos pela paixão física e pela paixão intelectual pela obra de Benno von Archimboldi) ao repórter afro-americano Oscar Fate, que viaja até ao México para fazer a cobertura de um combate de boxe? O que liga este último a Amalfitano, um professor de filosofia, melancólico e meio louco, que se instala com a filha, Rosa, na cidade fronteiriça de Santa Teresa? O que liga o forasteiro chileno à série de homicídios de contornos macabros que vitimam centenas de mulheres no deserto de Sonora? E o que liga Benno von Archimboldi, o secreto e misterioso escritor alemão do pós-guerra, a essas mulheres barbaramente violadas e assassinadas? 2666.
Para se ler sem rede, como num sonho em que percorremos um caminho que nos poderá levar a todos os lugares possíveis."




Oferecido a mim mesma:

A Caixa em Forma de Coração - Joe Hill
"Judas Coyne colecciona o macabro: um livro de receitas para canibais... uma corda usada num enforcamento... um filme snuff. Uma lenda do death metal de meia-idade, o seu gosto pelo bizarro é tão conhecido entre a sua legião de fãs como os excessos da sua juventude. Mas nada do que ele possui é tão inverosímil ou tão medonho como a sua última descoberta, um artigo à venda na Internet, uma coisa tão estranha que Jude não consegue resistir a pegar na carteira.
"Vendo" o fantasma do meu padrasto a quem fizer a licitação mais alta.
Por mil doláres, Jude tornar-se-à o orgulhoso dono do fato de um homem morto que se diz estar assombrado por um espírito inquieto. Ele não tem medo. Passara a vida a lidar com fantasmas - o fantasma de um pai violento, o fantasma das amantes que abandonara sem compaixão, o fantasma dos companheiros de banda que traíra. Que importância teria mais um? Mas o que a transportadora entrega à sua porta numa caixa preta em forma de coração não é um fantasma imaginário ou metafórico, não é um benigno motivo de conversa. É real."

À excepção do Roberto Bolaño e do Joe Hill (filho do Stephen King), são todos escritores que já li e que adoro.

O que fazer a tantos livros?! Lê-los, pois claro! ;)