Mostrar mensagens com a etiqueta Apelo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Apelo. Mostrar todas as mensagens

21/10/2009

Coligações e acordos e as suas ilusões - III. Um artigo de Cipriano Justo


Começarei ainda por escrever sobre o post anterior.
Quando me abalancei a contestar uma das afirmações do Apelo à estabilidade governativa fi-lo de memória e comecei posteriormente a descobrir alguma dificuldade em fundamentar os meus dados históricos com o rigor que acho indispensável para retirar conclusões políticas. Nesse sentido, há, pós-queda do Muro de Berlim, alguma diferença em relação ao passado. De facto nos países pertencentes à NATO era manifestamente impossível os comunistas participarem no Governo. Mais uma vez, que eu me recorde, isso só sucedeu em França com a experiência descrita no post anterior e em Portugal, no Governo Provisório, saído do 25 de Abril. Posteriormente, os próprios partidos comunistas começam a diminuir a sua influência eleitoral, a mudar de nome e de objectivos ou então deram origem, com militantes de outras proveniências, a novos partidos que chamarei, para simplificar, da “esquerda socialista”. Nesse sentido, é que muitos dos novos partidos ou alguns dos antigos têm episodicamente participado em acordos de incidência parlamentar ou ocasionalmente em coligações governamentais. Mas qualquer deles é um partido marginal ao sistema político dominante já que, de um modo geral, não ultrapassam a casa dos 10 %. Ora a soma em Portugal da esquerda, à esquerda do PS, alcançou nestas últimas eleições legislativas cerca de 18 %.
Neste sentido, o caso português tem uma força e uma dimensão não é comparável a outras realidades.

Voltemos agora a Cipriano Justo. Este assina um artigo – Lisboa é uma lição –, no Público, em que interpreta os resultados obtidos para a Câmara de Lisboa e retira daí conclusões para o resto do país.
Resumindo o seu artigo, dir-se-á que o eleitor foi soberano neste conjunto de três eleições e que distribuiu o seu voto como bem quis, recorrendo mesmo ao voto útil, quando isso foi preciso. É uma observação acertada, mas, quanto a mim, pouco produtiva, pois não retira as conclusões necessárias, ou seja, as que obtém servem unicamente para a sua interpretação da realidade que, quanto a mim, é mais complexa e tem mais nuances do que aquelas que Cipriano Justo assinala.
Assim, valoriza a manutenção do país bipolar, entre centro-direita e centro-esquerda, sendo verdade esta constatação, há de facto uma alteração profunda em relação a eleições anteriores, onde essa bipolaridade era maior. Aquilo que todos os observadores assinalaram nestas eleições foi a diminuição acentuada da bipolariazação. Cipriano Justo, pelo contrário, valoriza a sua manutenção. Já se sabe, pretende assim manter o statuo quo e mostrar que quem manda são os partidos maiores e não os mais pequenos, mesmo que tenham crescido muito. São interpretações.
Depois, numa linguagem um pouco hermética, escreve: “Significa isto que a acção política carece de extravasar a visão unilateral do partido para se aproximar da transversalidade das expectativas dos blocos sociais que confiam em cada uma das formações.” A conclusão, tiro eu, é que há blocos sociais que esperam que os partidos de centro-esquerda e esquerda se unam e extravasem a “visão unilateral” do partido. Isto é admitir que quem vota naquele conjunto de partidos tem os mesmo interesses e expectativas, quando se sabe que quem votou Bloco o fez porque se zangou como PS de Sócrates ou quem votou PCP o fez porque sempre considerou o PS como aliado da direita ou executando a sua política.
Não podemos imaginar um eleitorado homogéneo, esperando sempre que os seus partidos se entendam, porque é isso que se deseja. Primeiro, têm que se dar passos significativos na mobilização para essa aliança e só depois é que se pode pensar que ela corresponda a uma necessidade de um bloco social situado à esquerda.
Por último, as conclusões mais graves, as diferenças entre as votações para o executivo camarário e a Assembleia Municipal seriam “uma afirmação da soberania individual, considerando o esforço de convergência, o programa de governo da cidade e a equipa que o iria aplicar e que acabou por sair vencedora. Politicamente este exemplo significa que existe um bloco social que não se revê na fragmentação da esquerda e, quando lhe é apresentada uma solução de quase-convergência, não tem dúvidas em se associar a ela. Aconteceu com a candidatura de Manuel Alegre, em 22 de Janeiro de 2006, repetiu-se em Lisboa, a 11 de Outubro de 2009.” Ora, interpreta-se a agregação em volta de Costa, que no fundo é uma coligação entre PS e PS, mais independentes, mas que é de facto expressiva, como um apoio a um programa e a uma equipa, quando o que foi claro, e não restam dúvidas sobre isso, a equipa formou-se pelo medo do regresso de Santana à Câmara e os eleitores, conscientes disso, votaram para o executivo para evitar esse regresso, enquanto na Assembleia mantiveram, de certo modo, as suas fidelidades partidárias. Para as Juntas de Freguesia isso ainda é mais notório.
Por último, parece-me uma conclusão extremamente precipitada considerar-se do mesmo tipo e com as mesmas características a votação em Manuel Alegre para a Presidência da República, em que houve muitos votos do PS contra a fidelidade partidária representada por Mário Soares e uma ruptura clara com o Socratismo oficial e a votação em Costa onde estavam todos presentes, Sócrates e Manuel Alegre. Ora, é contraditório apoiar um e ao mesmo tempo apoiar o outro. Por isso, eu escrevi, num dos últimos posts sobre os resultados das autárquicas, o seguinte:: “apesar de esta alternativa ter evitado que a Câmara caísse nas mãos de Santana, é uma alternativa que não leva a parte nenhuma, e mais, se o que pretendem aqueles que se posicionam atrás de Costa é dirigirem as movimentações políticas à esquerda, estão bem enganados. Esta esquerda, que não clarifica e que não une, que não tem um projecto de verdadeira transformação social e que num permanente tacticismo se refugia atrás de um “artista” como Costa, está condenada a ser mais uma vez engolida pela direita do PS.

20/10/2009

Coligações e acordos e as suas ilusões. Um artigo Sarsfield Cabral


Foram publicados ontem no Público dois artigos interessantes pelo contraditório que estabelecem entre si a propósito de coligações governamentais ou acordos de incidência parlamentar que poderiam resultar da eleição de uma maioria de esquerda para o Parlamento.
Assim, Sarsfield Cabral escreve um artigo, a que chama A retórica da esquerda unida, afirmando liminarmente que o PS está muito mais próximo politicamente do PSD e do CDS do que da sua esquerda, Bloco e PCP.
Cipriano Justo, assinando o artigo como dirigente da Renovação Comunista, retira lições das recentes eleições autárquicas para Lisboa – Lisboa é uma lição – e afirma que existe um bloco social que não se revê na fragmentação da esquerda.
Sou daqueles que mais tenho falado do problema da maioria de esquerda, da sua unidade e alianças. Não vou enumerar todos os posts em que já fiz referência a este tema, mas porque ele está na ordem do dia, vou, como se compreende, voltar a ele.

Sendo rápido e incisivo, direi que não é por acaso que à direita, entre PSD e CDS é tão fácil estabelecer acordos e que à esquerda, entre PS e PCP, isso tem sido impossível. É mais fácil, como já se verificou no passado, entre o PS e os outros dois partidos da direita, do que com os da sua esquerda. Este facto assenta na história recente da democracia portuguesa, mas igualmente na inserção de Portugal, no confronto da Guerra-Fria, num dos Blocos militares. Hoje estes já desapareceram, mas a sua memória e a nossa integração na NATO é ainda motivo para oposição a alianças entre o PS e a sua esquerda.
Como sabem, no tempo do PREC, a ruptura política deu-se entre os “moderados” do MFA, tendo por detrás o PS e toda a direita, e a esquerda militar gonçalvista e a extrema-esquerda otelista. A primeira era apoiada pelo PCP e a segunda por uma míriade de pequenos partidos da extrema-esquerda. Como eleitoralmente o PCP era o único que tinha votos, a acção dos partidos da extrema-esquerda esteve extremamente limitada, só tendo expressão eleitoral nas eleições presidenciais, como foi a primeira candidatura de Otelo, em 1976, à presidência da República e a de Maria de Lurdes Pintassilgo, anos depois.
Nesse sentido, sempre que houve na Assembleia da República maioria de esquerda, o PS tudo fez para que o PCP não entrasse para o Governo. Temos assim, o primeiro Governo PS sozinho ,em 1976, seguido depois do PS-CDS, com fingidas negociações com o PCP, e já posteriormente, nos anos 80, um Governo do Bloco Central, PS-PSD.
Guterres governa também em minoria, tentando no seu último Governo, quando já só lhe restava o queijo limiano, fazer acordos com o PCP, mas aí, verdade se diga, a situação, já era um bocado diferente dentro deste partido.
Mas não foi só a própria história da Revolução de Abril a influenciar estas opções do PS, foi como afirmei as pressões internacionais dos “nossos amigos” da NATO e das forças económicas dominantes em Portugal a impedirem que tal sucedesse.
Sem vos querer maçar com história da última metade do século XX, remeto-vos para um filme que está presentemente em exibição, chamado Il Divo, de Paolo Sorrentino, que é a biografia, dos últimos anos, de um dos políticos mais importantes da Democracia Cristã Italiana, um dos mais corruptos e dos mais comprometidos com a Máfia, e onde por meias palavras se fala na estratégia seguida em Itália, por uma facção da democracia-cristã, da extrema-direita, dos serviços secretos e da loja maçónica P 2, para numa estratégia de tensão, que implicava atentados bombistas e assassinatos, de que o de Aldo Moro é um possível exemplo, impedir o acesso do euro-comunista Partido Comunista Italiano ao poder.
Por isso, todos aqueles que, com alguma facilidade, falam das coligações ou alianças do PS com os partidos à sua esquerda não podem esquecer o peso histórico dessa interdição e, a meu ver, José Sócrates não tem o mínimo perfil político para ser capaz de na sociedade portuguesa romper com esta chantagem que a direita sempre impôs ao PS.
O artigo de Sarsfield Cabral é mais uma acha para as pressões de direita e do capital, já também expressas pelo patrão dos patrões, de impedir qualquer aliança do PS com a sua esquerda.
Gostaria, no entanto de chamar a atenção para que o texto daquele articulista é uma resposta a um abaixo-assinado, que por aí circula e de que Cipriano Justo é um dos principais subscritores, para um Compromisso de Esquerda. Apelo à estabilidade governativa. Assim, diz Sarsfield Cabral: “O tema da unidade da esquerda é propício a tiradas retóricas. Um mínimo de honestidade intelectual, sobretudo por parte de políticos com currículo e responsabilidades, deveria desfazer o nevoeiro ideológico e sentimental, evitando o palavreado oco para analisar o que, de facto, une e separa os partidos que se dizem de esquerda.” Sarsfield Cabral da sua superioridade de direita e de amigo do capital resolve falar da desonestidade intelectual dos outros. Sobre o conteúdo do próprio artigo e do seu desmascaramento já se pronunciaram, e bem, Ricardo Noronha, no 5 Dias, e Vítor Dias, em O Tempo das Cerejas.
Mas este exemplo só vem ilustrar, como em muitos outros que eu já descrevi, de que as alianças do PS com a sua esquerda não é um assunto fácil, de que se entra e sai, como nos acordos entre Paulo Portas e Santana.

Resta o artigo de Cipriano Justo, que analisarei numa segunda parte.

02/10/2009

Dormindo com o inimigo. O apelo


Em post anterior já tinha escrito sobre a possibilidade de, depois das eleições, aparecer um documento a apelar mais uma vez à união das esquerdas, que neste caso assumiu o nome de Compromisso à Esquerda, com o subtítulo bastante curioso de Apelo à estabilidade governativa.
Joana Lopes, num post que escreveu para o seu Entre as Brumas da Memória, já fez a respectiva crítica, com a qual eu concordo plenamente, acho no entanto que devo acrescentar alguns comentários de natureza políticos e uma pequena adenda.

Entendo que social e politicamente o Bloco e a CDU, representando provavelmente camadas sociais diferentes e talvez complementares, correspondem sem dúvida a eleitorado que foi afectado seriamente pela crise económica, pelo desemprego e que politicamente não se revê nas medidas tomadas pelo Governo, quer genericamente em relação ao Código do Trabalho e à reforma da Segurança Social, quer àquelas que foram tomadas sectorialmente: a avaliação dos professores, as transformações no estatuto da Função Pública, a perda de pequenas medidas de protecção social em relação a diversas categorias profissionais, etc.
Neste sentido, estas camadas que genericamente se consideram de esquerda, com valores de justiça social, e que são herdeiras de um passado político que remonta ao 25 de Abril e às transformações económicas e sociais então verificadas, e que neste momento já valem eleitoralmente um milhão de votos, não gostariam de ver os responsáveis pela sua degradação económica aparecerem de braço dado com os dirigentes do Bloco ou da CDU. Por isso, um apelo a um compromisso à esquerda, exclusivamente para assegurar a estabilidade governativa, iria defraudar as suas expectativas políticas.
Uma coisa bem diferente é o que aqueles dois partidos farão para corresponder aos desejos das camadas sociais que eles representam e como conseguirão traduzir no futuro Parlamento as suas esperanças.
Neste momento a não concretização da unidade da acção entre o Bloco e a CDU é um dos problemas que afecta a esquerda, e que talvez merecesse algum apelo à sua convergência para o tratamento de assuntos concretos. Mas sobre isso, fico-me por aqui.
Defendo ainda, como escrevi no final do post anterior, que o Bloco tem que estabelecer uma clara política de contactos e alianças com possíveis forças emergentes à esquerda, que possam representar um aumento da sua influência política e eleitoral. A “esquerda grande” tem que ter conteúdo. O bloco social das camadas e estratos da esquerda tem que encontrar a sua representação política. Nesse aspecto, são indispensáveis os contactos com a esquerda do PS e com o conjunto de pessoas sem partido, que estão disponíveis para actuar conjuntamente com o Bloco. Este são as tarefas deste movimento, o PCP estabelecerá as suas.

Gostaria de focar aqui um outro aspecto. Uma parte das primeiras assinaturas é de ex-militantes comunistas, alguns deles membros da Renovação Comunista. Tenho para mim que este apelo corresponde para muitos a um desejo de unidade que sempre foi uma das características históricas do PCP.
Se nos reportarmos ao programa da Revolução Democrática e Nacional daquele partido e que foi o seu programa antes do 25 de Abril e, com pequenas adaptações, o subsequente àquela Revolução, veremos que nele sempre se defendeu a unidade das todas as camadas anti-monopolistas – formulação que ainda hoje é retomada por Jerónimo de Sousa aqui e ali –, primeiro, contra o fascismo e depois pela aplicação prática daquele programa com vista à construção da sociedade socialista. Sem me querer mais adiantar nas razões históricas do aparecimento deste tema no PCP, diria que a execução deste programa sempre foi um dos objectivos dos comunistas e que só o desvio esquerdista e sectário da actual Direcção tem permitido que, na prática, aquele Partido se afaste dele. Nesse sentido, para muitos comunistas a convergência com o PS é possível e desejável, tal como já se verificou no passado ou foi regularmente defendida. Esquecem que o problema já não se põe nos mesmos termos em que ele foi anteriormente abordado. Hoje o PS é comandado por um grupo que há muito deixou de ser, a nível nacional, o representante da social-democracia, com tudo aquilo que significa hoje aquela corrente política, mas que tem vindo a resvalar para um partido centrão, que, mantendo ainda no seu ceio uma corrente verdadeiramente social-democrata, representa hoje os grandes interesse económicos e patronais. Por isso, qualquer aliança com este grupo, consiste na prática, como eu digo no título do post, em dormir com o inimigo

Por último só uma pequena adenda de carácter pessoal. Envolvi-me, há tempos, em polémica com uma das subscritoras do abaixo-assinado do Compromisso de Esquerda, por sinal uma das mais destacadas pela imprensa. O Vítor Dias já escreveu o que havia a dizer sobre essa apoiante do Compromisso. Eu recordo, no entanto, apesar daquela polémica já não ter muito sentido, os termos em que a senhora se me dirigiu, com uma pequena ferroada anti-comunista, que não auguram nada de bom para aquele Compromisso.
Mais uma imagem da Frente Popular, em Fraça, em 1936. Desta vez destacam-se na fotografia Léon Blum e Maurice Thorez, que foi secretário-geral do PCF.

25/07/2009

Os amigos de Manuel Alegre, as nuances do discurso e compromissos e “esquerda grande”


Elaborei muito recentemente um texto em resposta a algumas controvérsias que atravessam a esquerda e que resultam de diferentes visões políticas para a sua acção. Porque penso que este debate é actual, e retirando do texto qualquer fulanização que pudesse existir, aqui vos deixo este post.

Quem é mais amigo de Manuel Alegre?
Ouvi na quinta-feira à noite a entrevista a Francisco Louçã a Judite de Sousa, na RTP 1, em que este falava de Manuel Alegre e fazia mais uma vez uma referência positiva à sua intervenção e às posições assumidas. Para um político que diz que pode fazer campanha a favor de um partido cuja prática seguida não se coaduna com o que quer o Bloco, é no fundo um pouco estranho que se lhe façam tão rasgados elogios. Por isso eu penso que o Bloco quer ser amigo de Manuel Alegre e conquistar a amizade deste.
Mas não é só o Bloco. A Associação Política Renovação Comunista vai lançar na segunda-feira, dia 27, às 18h00, na Associação 25 de Abril, o livro As Linhas de Mudança – Debate para a Alternativa e convidou para o seu lançamento e para intervir Manuel Alegre. Conhecendo as posições públicas de alguns renovadores de apoio a um dos participantes na pequena convergência conseguida para a Câmara de Lisboa, este convite tem um significado. Qual dos dois movimentos é mais amigo de Manuel Alegre? Mas não são só os dois citados, também a aproximação ente Helena Roseta e Costa se deve, segundo foi dito e escrito, a Manuel Alegre. Ou seja, este homem está em toda a parte, no discurso do Bloco, nos convites da Renovação, na aproximação de dois socialistas desavindos.
Isto só pode resultar ou de um discurso dúplice que está bem com todos ou no trabalho constante de aproximação de toda a esquerda. Acreditemos que seja esta última a razão destas recentes amizades políticas.

As nuances do discurso
Parece-me para mim claro que há quem à esquerda realce mais, no actual quadro da luta política, o problema da sua união contra o perigo da direita. Direita que desta vez, se governasse, fazia o pleno de um Governo, de um Presidente e até das principais câmaras do país. Nesse sentido têm sido feitos alguns discursos um pouco aterradores, chamando a atenção para o perigo que acarretaria o regresso da direita ao poder. Este é, podemos dizê-lo, o discurso mais antigo da esquerda, apelar à unidade contra os avanços da direita, que, no passado, era representada pelo fascismo.
Outros há que realçam mais a importância de que havendo uma maioria de esquerda essa esquerda se deve unir para formar Governo. Acham fundamental ter uns tantos ministros, que praticassem numa política de esquerda. Por isso, quando o Bloco acha que não deve ser muleta do PS, criticam-no severamente porque não apresenta um programa mínimo para que fosse possível haver convergência para governar. Chegam ao ponto de recorrer a uma metáfora, como a da construção da ponte da Arrábida, no Porto, para pôr em prática essa proposta. Ou seja, o Bloco construía um arco, o que partiu da margem esquerda do rio Douro, e esperava que o PS construísse o outro, o da direita, e que alguém pusesse o cimbre que os ligava (ver fotografia a ilustrar o que digo). Estes, sem subestimar o perigo da direita, dão particular relevo à governabilidade à esquerda, confiantes de que o PS viria a construir o arco em falta.
É evidente que a primeira hipótese pressupõe o apelo ao voto útil, apesar de haver alguns que dizem que, como a Assembleia da República é eleita pelo método de Hondt, não se justifica esse apelo. Ou seja, pareceria indiferente votar em qualquer partido da esquerda, já que o que interessava é que esta esteja em maioria. No entanto, há outros que não defendem isso, porque dizem que se o PS ficasse atrás do PSD, tal como sucedeu nas eleições europeias, Cavaco Silva chamaria o partido mais votado para formar Governo e a partir daí o caldo estaria entornado.
Na eleição para os executivos municipais, apesar de se utilizar o método de Hondt para distribuir os vereadores pelas diferentes forças políticas, a presidência vai sempre para o partido mais votado. Por isso, a táctica seguida por alguns lisboetas de esquerda foi apelar à convergência de esquerda contra o Santana, que não foi nomeado. Alguns ficaram muito satisfeitos com a pequena convergência conseguida entre Costa, Sá Fernandes e Helena Roseta. Aqui, é interessante, funcionou a primeira hipótese. Pois, que eu tivesse reparado, não se garantiu, apesar dos acordos aprovados, a eleição de vereadores para praticarem uma política de esquerda. Não se discutiu um programa mínimo conjunto que pudesse dar essa garantia. Acredita-se que Sá Fernandes e Helena Roseta cumpram esse desiderato.

Compromissos e “esquerda grande”
A primeira parte desta dicotomia já foi, de certo modo, discutida no ponto anterior. No entanto, gostaria de sublinhar outros aspectos. Alguns acham que é muito importante ter influência no Governo, ter alguns ministros favoráveis às políticas de esquerda e que para isso é necessário compromissos, acordos, propostas de programas mínimos, ou seja, propõem uma panóplia de processos que permitissem a esquerda e neste caso o Bloco, já que o PCP está fora de questão, poder apoiar e mesmo entrar para o Governo. Nesta constante crítica, não têm qualquer certeza se a outra parte, o PS, quer isso. A sua prática continuada não é essa. Mas eles insistem que se deve fazer mais um esforço. E pensam que dentro do PS há gente que, apoiada no exterior, era capaz de forçar essa possível convergência. Ou seja, o Bloco deveria orientar a sua estratégia em função de uma remota possibilidade de influenciar os elementos de esquerda no PS. Ainda agora o Manuel Alegre teve que constatar que nenhum dos seus elementos, quer do PS quer dos independentes, faz parte das listas apresentadas por aquele Partido para a Assembleia da República. A única vitória que conseguiu, e isso já satisfez muita gente, foi ter conseguido pôr Alberto Martins em primeiro, no Porto, em vez de Teixeira dos Santos, o ministro da economia.
Que nos propõe o Bloco e que para mim ficou claro na entrevista referida. Este partido, acha que não pode fazer cedências ao bloco central, que alternadamente tem governado Portugal. Mas se o PS for Governo e quiser aprovar medidas de esquerda, os votos de o Bloco nunca lhe faltarão e citou o exemplo do trabalho conjunto desenvolvido na luta pela legalização do aborto. Propôs uma esquerda grande que englobaria Manuel Alegre e os PS de esquerda que a quisessem engrossar e todos os independentes, que neste momento se encontram entre um e outro partido. No fundo, se bem percebo, propõem-se agregar uma esquerda que seja alternativa a este centrão que, segundo ele, nos desgoverna.
Alguns, um pouco na linha do PCP, mas de sentido contrário, dizem que estas propostas do Bloco são iguais às do PCP. Imobilistas e incapazes de forçar alianças à esquerda. O PCP diz quase a mesma coisa, por outras palavras, esta gente é louca, com Manuel Alegre e com a esquerda do PS não se vai lá, estão sempre prontos a trair e a regressar ao PS.
Ora bem, eu acredito nesta alternativa de esquerda grande, que está a romper o tradicional bloqueio em que o PCP e o PS tinham lançado a esquerda. É uma esquerda que está a engrossar e entrou em diálogo com quem achou que devia entrar. Não se meteu nos caminhos ínvios dos compromissos, das intrigas palacianas, na procura de quem é quem no PS, para mais uma vez falhar e não conseguir nada. É uma esperança, que como sempre pode sair completamente furada, tão furada como para aqueles que estão sempre à procura de sinais no PS.

13/07/2009

Algumas reflexões melancólicas sobre os últimos desenvolvimentos da política à portuguesa


Desde que escrevi o último post sobre o ponto final na Convergência para Lisboa que algumas coisas se têm vindo a modificar na política portuguesa e, um pouco em jeito impressivo, gostaria de partilhar convosco algumas das minhas preocupações.

Realizou-se na semana passada um almoço que juntou antigos apoiantes de Sá Fernandes e que deram conhecimento à cidade que tinham criado uma associação, Lisboa é muita gente, para concorrer à Câmara da capital. Sá Fernandes chegou mesmo a apelar a uma convergência de esquerda, dizendo que iria reunir-se com António Costa para ultimarem a realização de um acordo. Domingo esse acordo é assinado num dos miradouros mais bonitos da cidade, o da Graça.
Andou um conjunto de lisboetas a recolher assinaturas para um apelo a uma convergência de esquerda e eis que tudo acaba com Sá Fernandes a apossar-se desse desejo e a convergir com Costa. Desde que o Bloco lhe retirou a confiança já pressentíamos que era isso que iria acontecer, só não sabíamos como. Ficámos a saber.
Quando o apelo à Convergência de Esquerda foi lançado, Jorge Sampaio tornou público o seu apoio, apesar de não o assinar. Falou-se igualmente em José Saramago, mas este encontrava-se hospitalizado e ninguém poderia jurar que da sua boca ou da sua pena tinha saído qualquer recomendação nesse sentido. Houve uma notícia num jornal e foi a partir daí que se começou a dizer que o mesmo era igualmente apadrinhado pelo Saramago. Parece que houve um desmentido do PCP a dizer que não era verdade.
Posteriormente, veio a público uma declaração de Saramago a afirmar a sua concordância com o apelo e hoje sabemos claramente que apoia António Costa. Carlos do Carmo, mais explícito, assinou o apelo à convergência, apareceu mesmo na sua sessão de enceramento. Hoje é o mandatário de António Costa.
Vim a saber que vai igualmente ser activado, a partir de alguns dos peticionários da convergência, um novo apelo denominado CLAC – Cidadãos Lisboetas Apoiam António Costa.
Fiquei com a sensação depois de tudo isto que o apelo já continha no seu bojo um claro encaminhamento para o apoio ao Costa. Sinto algum desconforto na figura que eu e outros andámos a fazer nisto tudo. Paciência, temos que aprender.

Fui dos mais entusiastas apoiantes das Sessões que se realizaram quer no Teatro da Trindade, quer na Aula Magna e juntaram o Bloco de Esquerda e Manuel Alegre. Na primeira, a Renovação Comunista participou como uma das suas promotoras, na segunda, apesar dos seus principais dirigentes estarem quase todos presentes, não juro que tivesse obtido o realce que teve na anterior.
Eu próprio fui escrevendo vários textos em que enaltecia o papel de Manuel Alegre e previa uma possível alteração na correlação de forças partidária, reforçada por esta junção de esforços entre a esquerda do PS e o Bloco, com a participação de independentes. Foi inclusive, na sequência da reunião do Trindade que me zanguei com o meu amigo Fernando Redondo, do DoteCome, tendo até abandonado a colaboração no seu blog. Podemos dizer que levei demasiado a sério as perspectivas de unidade que aqueles encontros poderiam proporcionar.
Em Março, depois de alguns episódios a que chamei a novela Manuel Alegre, faço um aviso à navegação para que não “acaba tudo com Manuel Alegre e Sócrates nos comícios eleitorais a darem vivas ao PS”. Parece que pelo menos esse perigo já foi ultrapassado. Com o seu recente artigo, É urgente acordar, Manuel Alegre consegue, até com alguma clareza, distanciar-se do PS oficial e do seu Secretário-geral. A crítica é certeira e tira o tapete àqueles que a pretexto de vem aí a direita se preparam para que se volte ao círculo vicioso ou nós, o PS de Sócrates, ou a Manuela Ferreira Leite, com a figura do Cavaco a agigantar-se por detrás. Esta alternativa com que o PS já nos começou a matraquear a cabeça, tem que ser quebrada e este artigo de Manuel Alegre, a exigir mudanças profundas no PS, não desmerece dos encontros que ao longo do ano se foram tendo com ele. Espero não deitar foguetes antes do tempo. No entanto, hoje António Vitorino, no comentário político que tem na RTP I, Notas Soltas, considerou tão inoportuno aquele artigo, que me deu alguma esperança da sua real utilidade.

03/07/2009

Ponto final no Apelo à Convergência de Esquerda nas Eleições para Lisboa


Realizou-se no passado dia 29, no Hotel Roma, uma conferência de imprensa em que os peticionários, ou seja, os subscritores do Apelo à Convergência de Esquerda nas Eleições para Lisboa prestavam contas aos lisboetas e à comunicação social das diligências desenvolvidas. De todos os contactos efectuados “cumpre-nos informar com verdade a cidade de que, chegados à passada 5ª feira, 25 de Junho, acabaram por não ter resultado as inúmeras diligências efectuadas.”
Sendo esta uma das conclusões do comunicado final dos peticionários, gostaria pela minha parte, que também fui um dos ssubscritores do apelo e por duas vezes comentei neste blog (ver aqui e aqui ) este assunto, de fazer algumas considerações sobre o mesmo.
Como eu afirmei por diversas vezes há entre a esquerda portuguesa uma clara pulsão unitária, que tem origem principalmente na luta antifascista e que se manteve ao longo dos anos, alimentada mais pelo PCP do que pelo PS, e que encontrou nos recentes eventos que tiveram lugar no Teatro da Trindade e na Aula Magna uma expressão significativa. O encontro da esquerda do PS, corporizada pelo Manuel Alegre, do Bloco de Esquerda e da Renovação Comunista trouxe para a praça pública o renovado desejo de um diálogo à esquerda.
Nesse sentido, a Renovação Comunista tentando expressar este desejo empreendeu alguns contactos, primeiro com vista a uma possível saída de esquerda para as eleições legislativas que se avizinham e depois, goradas aqueles, iniciou movimentações para a Câmara de Lisboa, porque lhe pareceu que era o local onde melhor se poderia corporizar aquela união.
Por isso redigiu um apelo e submeteu-o a um conjunto de personalidades independentes ou que num ou noutro caso têm aparecido ligadas a alguns dos partidos da esquerda.
Quando aquele apelo surgiu já praticamente o quadro das diferentes candidaturas à Câmara estava traçado. Sabia-se que António Costa, pelo PS, queria continuar e que o Bloco e o PCP (vulgo CDU) iriam apresentar candidaturas próprias e que Helena Roseta manteria o seu movimento de cidadãos. Ou seja, a esquerda aparecia completamente desunida, “cada um por si e fé em Deus”. Foi contra isto que este movimento arrancou, primeiro com duzentas assinaturas e depois na Internet, aberto a quem o quisesse assinar. Quer o Bloco quer o PCP manifestaram desde logo, com justificações diferentes, que eu já assinalei num dos post referidos, a sua indisponibilidade para alianças. António Costa, sem nunca ter tido um gesto público significativo em relação à convergência foi alimentando nas conversas com os peticionários essa possibilidade.
Restava aos peticionários, principalmente ao seu núcleo organizado, que incluía alguns elementos da Renovação Comunistas, mas também independentes que prontamente se quiseram juntar, prestar contas dos resultados e da acção empreendida, foi isso que foi feito no dia 29 de Julho.
É evidente que diferentes eram os motivos para que várias pessoas, oriundas de diversas áreas políticas de esquerda, se tivessem juntado com o mesmo objectivo.
Da minha parte, devo reconhecer que foi para mim irresistível o apelo à unidade de esquerda. A minha formação ao longo dos anos sempre teve em conta este desejo, e sempre mitifiquei, provavelmente, pelas boas razões, as épocas históricas em que ele foi conseguido. Nesse sentido assinei o referido apelo.
Reconheço, no entanto, que o mesmo poderia, dada a aceitação em palavras, não sei se em actos, de António Costa, servir para apoiar a sua candidatura, favorecendo aquilo em que o PS é mestre em momentos de aperto: fazer o apelo ao voto útil.
Sei que alguns dos peticionários tinham claramente essa intenção, no entanto, conseguiu-se fazer um esforço, não extravasando as claras competências que nos tinham sido atribuídas, para que esse facto nunca transparecesse claramente.
A não existência de acordo e a possibilidade real de Santana Lopes e a direita ganharem a Câmara levou a algum dos peticionários a classificarem a não existência de coligação como "uma tragédia patética" e "quem não entrar em acordo é um traidor para o povo lisboeta" (Pílar del Rio, mulher de José Saramago, Diário de Notícias, de 30/06/09).
Acredito piamente que este seja o pensar de muitos dos peticionários. Que a presença de Santana Lopes na Câmara seja uma tragédia para eles. Mas tenho que reconhecer, que sendo verdade este facto, não podemos, por outro lado, deixarmo-nos cair na tentação de que o voto útil é que é a solução ou então que a estratégia dos partidos se deve submeter a uma lógica local, esquecendo que uma das partes, o PS, nem nacionalmente se portou para merecer o nosso apoio, nem mesmo a sua face visível na Câmara deu motivos para que nele confiássemos. Provavelmente a longo prazo os eleitores que acreditam nos valores e na clareza das atitudes não compreenderiam que em nome de uma possível vitória local sacrificássemos algumas estratégias nacionais ou avalizássemos a postura de quem sempre demonstrou um grande desprezo pelos “extremistas” de esquerda. Há nestes casos que avaliar entre um legítimo anseio de unidade e a queda irremediável para o oportunismo e o laxismo.

25/04/2009

Ainda o Apelo à Convergência de Esquerda nas Eleições para Lisboa


Várias razões têm-me neste últimos tempos afastado deste blog. Para os amigos que me lêem aqui vai a notícia, sou avô e isso, apesar de ser uma questão muito pessoal, é suficientemente importante para o relatar aqui. Prometo que não irei mostrar fotografias da criancinha. Posto isto passemos ao que me trás aqui.

Este Apelo tem causado desagradáveis comentários a alguma gente de esquerda e tem-me acarretado algumas preocupações por não estar a cumprir os objectivos que estavam na sua preocupação inicial.
Começaria, porque é simples, por um post do 5dias.net de alguém que à partida se declara candidato da CDU, portanto parte interessada.
Começa por dizer que o Apelo é promovido pela Renovação Comunista (RC), o que é verdade, e para isso recorre a um link para o site daquele Movimento. Ora se a RC apoia é natural que indique o local onde pode ser assinado. Simplesmente a partir do momento que o Apelo está na rua ele já não pertence à Renovação mas sim aos seus subscritores. Mas isso é o menos importante, mas começa por dar o tom.
Depois diz aquilo que é verdade, que a Renovação Comunista apoiou o vereador Sá Fernandes, mesmo depois dele ter perdido a confiança política do Bloco. Simplesmente, a RC integrou a lista à vereação da cidade de Lisboa daquele vereador, não tendo acompanhado o Bloco na sua tomada de posição, tal como outros dos seus apoiantes independentes. É discutível, mas não me parece que seja pecado mortal.
Mas onde a desonestidade intelectual é patente é nesta afirmação: É de estranhar o aparente (e recente) saudosismo que PS e RC têm da experiência das coligações, em especial na altura de Jorge Sampaio, num momento em que ambas as forças políticas desempenham ou subscrevem as políticas do actual executivo. Ora o autor do post não tem uma única afirmação da RC em que esta subscreve as políticas do actual executivo. Pelo contrário se consultar o seu site encontrará críticas à governação.
Aqui temos o estilo mentiroso e desonesto, para não chamar mais nomes, com que o PCP tem actuado nesta área. Tentando sempre, para confundir os seus militantes, acusar os seus pertenços inimigos como apoiantes claros do PS. É interessante que num comentário aquele post se faça referência ao renovador Vital Moreira, quando se sabe que se este alguma vez foi renovador, neste momento já não é, e é um claro apoiante do actual primeiro-ministro.
Depois demonstra uma grande ignorância do passado. A coligação entre PS e CDU, começou em 1989, não foi contra Krus Abecassis, mas sim contra Marcelo Rebelo de Sousa e manteve-se com João Soares até 2001, que só não continuou porque foi derrotada pelo Santana. Portanto não mitifiquemos um passado que é bem recente.
Depois é ilusão, que a CDU só por si pode constituir um projecto alternativo. Ao menos valha-nos as justificações do Victor Dias (aqui e aqui) que acha que o eleitor pode confundir tudo e por isso entende que coligações antes das eleições legislativas não.
Esta referência ao Victor Dias remete para a polémica que se tem travado no Blog dedicado às eleições do Público, entre ele e Cipriano Justo, dirigente da Renovação Comunista. Tudo começou por uma intervenção infeliz de Modesto Navarro na Assembleia Municipal de Lisboa, em resposta a uma intervenção provocadora do lider da bancada do PSD sobre o Apelo. Modesto podia responder que nada tinha a ver com aquele Apelo e que portanto não enfiava a carapuça que lhe queria meter o líder do PSD, simplesmente achou por bem acrescentar mais uns epítetos aos seus subscritores, chamando-lhes, entre outras coisas, órfãos da política. Justo pegou no assunto e fez um post. Sem me querer envolver nesta polémica e não sendo dado a floreados, não deixaria de lembrar ao Vítor Dias que distinguir entre promotores e subscritores, os primeiros gente desonesta, que sabia cavilosamente o que estava a fazer, e os segundo, gente séria que ingenuamente foi arrastada pelos primeiros, faz lembrar uns certos comunicados do antigamente em que se insinuava que havia uns subversivos que arrastavam uns pobres diabos para acções insensatas. Por outro lado, sendo alguns dos subscritores do Apelo apoiantes da CDU para as europeias leva-me a pensar que foram arrastados para subscrever uma lista eleitoral que sub-repticiamente os convenceu a assinar um apoio que não queriam. Portanto esta distinção é de mau gosto, tal como os nomes com que gostam de mimosear os assinantes ou os promotores.
Resta o problema real, que já destaquei noutra ocasião, deste apelo poder servir aos objectivos de António Costa. Facto que ele habilidosamente já ultrapassou quando ontem na Voz de Operário disse que sozinho ou acompanhado iria vencer (ver aqui).
A esquerda, toda ela, lamentavelmente, está a cair num grande autismo (esta palavra agora parece que é politicamente incorrecta). Tentarei, com alguma independência, continuar a observar a situação. Veremos se no final ficará algum caco.

24/04/2009

Eu vim de longe!

Inspirado num post de um novo blog que nasceu para apoiar o Apelo à Convergência de Esquerda nas Eleições para Lisboa, aqui vai uma pequena homenagem ao 25 de Abril na voz sempre espantosa de José Mário Branco.