sábado, 16 de maio de 2026

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Público? Privado? A escolha é fácil.

O Serviço Nacional de Saúde continua a ser o principal lugar onde se pratica medicina como missão. É o único sítio onde alguém com dispneia, febre e uma vida marcada pela pobreza é atendido às 4 da manhã, sem cartão de crédito nem autorização da seguradora. E, paradoxalmente, é também de onde os médicos agora fogem.

A maioria dos hospitais privados, mesmo os mais prestigiados, não tem um verdadeiro serviço de urgência polivalente. Têm “uma” urgência, mas não é “o” serviço de urgência. Procuram episódios previsíveis e lucrativos, e evitam casos críticos ou complexos — e fazem-no com razão: a urgência real é dispendiosa e imprevisível, fora da lógica do negócio.

O setor privado funciona melhor enquanto o SNS ainda resiste. Se o SNS colapsar, o privado será forçado a assumir um papel para o qual não está preparado, com custos, complexidade e caos. Em 2024, mais de 2 mil médicos saíram do SNS. Muitas urgências, da ginecologia à pediatra, estão em rutura.

Os privados estão a ver isto. E não reagem. Porquê? Porque não lhes interessa esse buraco negro.

Imagine: suspeita de enfarte. São 3 da manhã. O hospital público não tem cardiologista. Liga para o privado. A resposta? “Vá ao público.” Mas o público, nessa noite, não existe. E o privado não o recebe. E então? O que vale a sua riqueza? Nada.

Pior, sem SNS, não há emergência pré-hospitalar. Morre-se antes de (a algum sítio) chegar.

A medicina privada não é vilã: atua racionalmente num mercado com limites claros. O erro é pensar que pode substituir o SNS.

Se o SNS colapsar, o custo da saúde torna-se incalculável, mesmo os ricos teriam dificuldade em pagar: os seguros sobem, doentes crónicos são excluídos e os idosos empurrados para fora. O privado recusaria casos complexos ou ficaria sem onde os referenciar. E os médicos, exaustos, voltam a fugir — mas agora sem destino.

Quanto pode pagar? Tem 80 anos e precisa de cuidados paliativos? Tem cancro com metástases cerebrais? Um filho com doença rara? A solução para estas perguntas não cabe num relatório de contas.

O SNS é, ironicamente, o melhor seguro de saúde que os ricos portugueses têm. Não o usam todos os dias. Nem o querem. Mas é a rede de segurança. Quando tudo falha, o SNS ainda lá está: a intubar, ventilar, reanimar, paliar. Virtualmente de borla. Para todos.

Quem é o culpado por aqui chegarmos? O médico/enfermeiro exausto ou que pretende criar um futuro melhor? O administrador que gere o impossível mas é “insultado” por todos? O utente que só quer ser atendido?

Na verdade, somos todos responsáveis por termos alimentado a ilusão de que o SNS duraria para sempre, mesmo que sem médicos, investimento ou respeito.

O dia em que o SNS deixar de existir, ou for substituído, será o dia em que os ricos perceberão que sempre precisaram dele. Porque mesmo quem tem tudo pode não ter um coração a funcionar. E porque quem manda no privado sabe que não pode ser o SNS.

No final, a saúde só existe quando é para todos.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

A Leste, algo de novo?

Nova derrota para Putin: já nem os preços do petróleo conseguem ajudar a economia de guerra da Rússia.

Depois de um discurso em que mudou o disco que estava a tocar desde o início da guerra, Vladimir Putin tem mais razões para estar descontente.

A ideia já pairava no ar, mas o vice-primeiro-ministro da Rússia confirmou-a numa entrevista ao diário Vedomosti.

A Rússia vai crescer apenas 0,4% no ano de 2026, numa revisão brutal que retira quase um ponto percentual aos 1,3% orçamentados para este ano.

Mesmo a ganhar, com aquela que a Agência Internacional de Energia já disse ser a maior crise petrolífera de sempre, a Rússia não está a ter um desempenho suficientemente bom para cumprir os mínimos que o seu governo traçou.

De acordo com Alexander Novak, o Produto Interno Bruto (PIB) também será seriamente afetado em 2027. O inicialmente projetado era um crescimento de 2,8%, agora revisto em baixa para metade, para 1,4%.

Num prazo maior, a Rússia espera crescer 2,4% no ano de 2029, um número mais elevado, mas que pode ser seriamente afetado por uma economia em grande parte focada no alimentar de uma máquina de guerra que continua a não conseguir justificar toda a aposta feita, até porque os ganhos na linha da frente continuam a ser residuais.

Talvez seja por todo este cenário que o tal disco de Vladimir Putin está a tocar uma música diferente. Uma música que até já admite uma negociação com a União Europeia, ainda que o nome proposto, o de Gerhard Schröder, não tenha sequer sido considerado por Bruxelas, já que é um conhecido amigo da Rússia.

Com a guerra a chegar finalmente às elites e até com bloggers pró-guerra e influenciadores a virarem a sua postura em relação à tal operação militar especial, Vladimir Putin vê-se cada vez mais encurralado, tendo agora na matemática da economia um novo inimigo quase impossível de derrotar. 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

De mal a pior ...

 

Um homem de 48 anos morreu em Ourém, no distrito de Santarém, após quase uma hora à espera de socorro. Da morada errada, às VMER’s inoperacionais ou ocupadas, passando pela falta de desfibrilhador, foram vários os factores que levaram à demora, que culminou na morte de José Luís.

De acordo com a CNN Portugal, a única ambulância que conseguiu chegar ao local demorou mais de uma hora a levar o doente ao hospital, devido a vários obstáculos.

Eram 17h54 quando o pai de José Luís, que sofria de epilepsia, ligou para o CODU.

Ao canal de televisão, Germano da Silva contou que, após começar a sentir-se mal o filho ainda lhe disse: "Oh pai, isso não é nada, é só uma tontura".

Porém, a situação complicou-se e, enquanto a "aflição" tomava conta de José Luís, em casa, lá fora sucediam-se uma série de impasses e contratempos que atrasaram o seu socorro.

Conta a CNN Portugal que os Bombeiros Voluntários de Santarém só foram acionados para o local às 18h05, ou seja, 11 minutos depois do telefonema de Germano. E, ainda por cima, para o lugar errado, apesar de "Moita do Lobo" só haver uma no concelho.

Ao canal de televisão, o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Santarém, Rui Carvalho explicou que foram ter a "uma povoação a 9 km de distância de Almoster, que já de si trazia alguns transtornos porque o acesso é por uma estrada com alguma dificuldade de condução".

Quando recebem a morada certa, às 18h13, percebem que a prioridade da ocorrência também foi alterada e para o nível máximo, isto é, têm 8 minutos para chegar.

Às 18h16 recebem a informação que a vítima estava em paragem cardiorrespiratória e sugerem ao CODU, "de imediato, que fizessem o acionamento dos meios necessários e convenientes para aquela ocorrência que são as VMER’s", uma vez que estavam ainda "a nove quilómetros de distância da residência de José Luís.

Só que não havia VMER’s disponíveis. A de Santarém estava inoperacional. A das Caldas da Rainha ocupada.

Os bombeiros informam então que não têm desfibrilhador externo automático na ambulância em que saíram, uma vez que a prioridade foi alterada a meio do caminho.

Enquanto isso, Germano, que tem já uma idade bastante avançada, tenta salvar o filho. Faz-lhe manobras de reanimação.

Depois de todas as complicações, os Bombeiros Voluntários de Santarém chegaram ao local. Mas só cerca de 50 minutos depois do pedido de socorro de Germano.

Os bombeiros ainda transportam José Luís ao hospital, mas já era tarde demais. O óbito do homem acabou por ser declarado, deixando Germano de rastos.

"Demoraram muito tempo. Ele esteve mais de meia hora em aflição, se tivessem aparecido salvavam o meu querido filho", concluiu o idoso, em lágrimas.

*VMER = Viatura Médica de Emergência e Reanimação, um veículo de intervenção pré-hospitalar, destinado ao transporte rápido de uma equipa médica diretamente ao local onde se encontra o doente.

*CODU = Centro de Orientação de Doentes Urgentes.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Foi há 63 anos

 

Poucos se recordam do dia mais negro da Linha de Cascais. No dia 28 de Maio de 1963, pouco passava das 16 horas, quando a cobertura das plataformas da Estação do Cais do Sodré ruiu, soterrando mais de uma centena de pessoas.

O balanço oficial das vítimas fixou-se em 49 mortos e 69 feridos.

Era recente a construção de um novo alpendre sobre as plataformas, de forma a aumentar o número de vias da estação, e alguns trabalhadores da altura atribuíram a queda da cobertura ao facto de terem sido presos os cabos das catenárias (distribuição elétrica aérea) à placa de betão.

A constante tração dos cabos na placa não foi calculada e deu-se a derrocada.

Para a investigação deste acidente, os Ministros das Obras Públicas, Interior, Comunicações e Saúde formaram uma comissão de inquérito, e foi aberta uma investigação criminal na Polícia Judiciária, mas pouco ou nada se soube sobre a conclusão das investigações."

Fonte: Museu RTP

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Um livro

Resumo

A História Secreta dos Reis de Portugal está longe de ser apenas uma sucessão de datas e conquistas. É um enredo vibrante, humano e surpreendente, tecido com casamentos por conveniência, paixões proibidas, conspirações palacianas, fidelidades improváveis e traições fatais. Entre batalhas, coroas e juramentos, escondem-se vidas de excessos, profunda devoção religiosa, luxúria desmedida e solidão absoluta.

Alguns reis foram boémios encantadores, poetas e amantes da boa vida; outros, visionários destemidos que disputaram amores à espada e, reza a lenda, comeram o coração dos inimigos. Houve os que governaram com disciplina ao romper da aurora e os que jamais mostraram vocação para o trono. Entre vícios, virtudes e temperamentos extremos; de amantes incansáveis a maridos surpreendentemente fiéis; de excomungados e fanáticos a tímidos, cruéis, depressivos, frouxos ou brilhantes, estes homens, divididos entre o poder e o prazer, acabaram por moldar o destino do país.

De gestos heroicos e misérias humanas, de camas desfeitas a batalhas sangrentas, os reis e rainhas de Portugal surgem aqui despidos de mitos, revelados na sua grandiosidade e nas suas fraquezas.

Um retrato fascinante e inesperado daqueles que foram, durante séculos, a força vital do reino – por vezes sábio, por vezes desastroso, mas sempre imensamente humano.

O autor 

Pedro Rabaçal é licenciado em Engenharia Agronómica, com especialização em Economia Agrária e Recursos Naturais, pelo Instituto Superior de Agronomia, e detém uma pós-graduação em Estudos Avançados de Território, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Desde muito jovem, cultivou um interesse profundo pela leitura, abrangendo uma vasta diversidade de temas, o que contribuiu para o desenvolvimento de uma sólida capacidade de análise e de uma atenção constante à relevância da informação e da pesquisa rigorosa. Ao longo do seu percurso, consolidou-se como um atento estudioso da História, dedicando-se à investigação desta área com empenho continuado e reconhecida profundidade. É autor de diversas obras de divulgação histórica, nas quais procura tornar acessível ao público um conhecimento exato, rigoroso e contextualizado sobre a História de Portugal e do mundo.




 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

"A Mais Bela Corrida do Mundo" está marcada para o próximo dia 24 de Maio.

 

A Meia Maratona do Douro Vinhateiro é uma das provas de corrida mais emblemáticas e deslumbrantes de Portugal, realizada na região do Alto Douro Vinhateiro, classificada como Património Mundial da UNESCO.

O percurso, de 21 km, atravessa uma paisagem única, marcada pelos socalcos cobertos de vinhas que descem em cascata até às margens do rio Douro, criando um cenário que transforma esta prova numa experiência muito além do simples desafio atlético.

O caminho percorre aldeias e quintas históricas da região, dando aos participantes a oportunidade de correr por estradas e caminhos rurais que serpenteiam entre as vinhas, com vistas panorâmicas sobre o rio e as encostas xistosas.

O ambiente é marcado pela tranquilidade e autenticidade do mundo rural, tornando cada quilómetro numa verdadeira celebração da identidade cultural e paisagística do norte de Portugal.