quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Chuva de Poésis



Chuva de Poésis

A chuva que caia nas calçadas do dia
Também molhava meu rosto na janela
Como se fora tempestade de poesia
Sonhando com tua poésis sentinela.

Minhas mãos tremiam a cada clarão
Que do céu descia rasgando sombras
De solidão e quietudes em pura alusão
À nostalgia do poeta e suas penumbras.

E enquanto as águas lavavam incertezas
Em meio às dobras dos medos de amar
Vou seguir como essa chuva de proezas

Gota à gota, esse meu chão fertilizar
Com vida, amor próprio e inteirezas,
Mãos firmes na coragem de recomeçar.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest


Em tempo:

Poésis: sugere o ato de criar, de fazer nascer, de transformar experiência em linguagem — talvez porisso a palavra poésis me leva as “amplitudes da poesia”.


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Aroma de Café




AROMA DE CAFÉ

De manhã um cafezinho
aquece já ao acordar,
de aroma forte e quentinho
faz a gente se levantar.

No ar fica um doce cheirinho
anunciando o dia despertar,
na mesa o café pretinho
fumegando a te convidar.

Há sabores e há segredos
a cada gole no seu paladar
bebida que se toma  cedo
antes mesmo do sol raiar.

Mais que bebida, companheiro,
esteja só ou com amigos 
em cada xícara um roteiro
feito um abraço e abrigo.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Talvez


Talvez

Não sei se ainda sou o que fui
Sonhando amor em teus braços,
Sentindo toda paixão que flui
Das tuas mãos ao meu encalço.

Não sei se o mel da minha boca
Ainda adoça tua língua de desejo
E afasta essa nostalgia quase louca
Da nossa saliva tesa e sem pejo.

O que sei é que respiro em ti
Todo amor que puder viver,
Aquele que um dia não resisti

Num tremor de arrepio e querer
Em teu peito, quando me despi,
Para amar-te com todo meu prazer.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest


sábado, 8 de agosto de 2026

Poesia é Encontro


Fernando Pessoa

Poesia é Encontro

Fomos alento em  noites questionadoras.
E atravessamos as cores de cada estação,
parte de um pequeno bilhete escrito à mão:
somos sonhos de criações inspiradoras.

Talvez poetas:
o bálsamo para sanar antigas feridas,
um barco que almeja a linha do horizonte
com punhos e remos, desafiando
as correntezas do tempo.

Aprendemos que as palavras
não nascem apenas do traço.
Elas brotam das ausências,
das janelas abertas para o vento,
do perfume da terra depois da chuva,
das cartas incompletas,
das paixões avassaladoras,
e dos silêncios que insistem em permanecer.

Cada verso se fez um abrigo,
cada metáfora, uma ponte
lançada sobre os abismos
que a vida insistia em cavar.

Houve dias
em que bastava uma única palavra
para devolver sentido ao mundo.
Assim descobrimos
que a poesia também é encontro.

E encontram-se porque reconhecem
um no outro a mesma sede de infinito,
a mesma delicada esperança 
de transformar a vida em permanência.

E a poesia mora no espaço invisível,
na pausa entre duas respirações,
na confiança de entregar um verso
sem medo de ser compreendido.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest



terça-feira, 28 de julho de 2026

A Morada da Ausência

A Morada da Ausência

A noite chegou silente, encobrindo o dia
que  mansamente se despedia do sol;
Aos poucos uma estrela nascia radiosa
com seu raio de luz, tal e qual um farol.

A lua, senhora de fases, surgia crescente
na noite já salpicada de algumas estrelas
e no infinito iluminado  tudo era silencio
sem tua voz acordando meu aliciamento.

Talvez eu ainda saiba dizer dessa solidão
olhando a noite calada, desfilando vultos
pelas calçadas, traduzindo o que se cala 
no silêncio da dor pela flecha da distância.

Permaneço imóvel diante da alta noite,
e o tempo atravessa meus pensamentos
como um rio que desconhece o retorno.

Há ausências que aprendem a morar na alma.
Não fazem ruído, caminham ao nosso lado,
com a delicadeza terna das sombras 
e a permanência da lua sobre o horizonte.

Porque és luz discreta, como a das estrelas,
que continua existindo mesmo quando
os olhos já não conseguem alcançá-la.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

 Ilustração / Imagem Pinterest

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Ainda Ontem


Ainda Ontem

Ainda ontem ouvi tua voz trazida pelo vento,
e não era sonho: era uma chave de versos,
ardendo em teu sangue como um lamento,
marcado pelas sombras de tons adversos.

Confessei à lua esse instante mágico
de cada palavra seguindo em tua direção,
sob o signo do meu amor, tão magnético,
tecido em fios de intensa emoção.

És todo presença, jamais esquecido,
o motivo das rimas e o meu pulsar,
o mel e o sal em mim reunidos.

E do meu beijo saudoso, todo atrevido,
entrego meus versos para te beijar,
intensa na coragem dos destemidos.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Vento da Manhã



Vento da Manhã

O´vento da manhã, dá-me teus ares,
as belas fontes das águas claras,
o doce aroma do mel dos pomares,
e a dança das folhagens tão raras.

Dá - me teu frescor ao brincares
com meus cabelos logo de manhã,
e acorda em meu rosto dias solares
com balanços das  flores guardiãs.

O´vento da manhã, dá- me teus cantares
de pássaro saudoso na leveza do teu afã
e traga-me a ternura dos jardins de altares
pelos arvoredos na aurora da manhã.

O'vento da manhã, leva meus pesares,
semeia esperança em meu amanhã;
veste minha alma com teus luares
e faz do meu sonho eterna manhã.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

domingo, 12 de julho de 2026

Tintas do Silêncio


Tintas do Silêncio

O silencio da noite veio colorir teu nome
com tintas que não desbotaram no tempo.
Elas estavam à sombra, para que eu retome
o pulsar do coração, pois ainda há tempo.

À margem das cores um quadro se esboçou
nas paredes da memória tingindo o querer
entre rabiscos e contornos que nos abraçou
numa saudade que insiste em nos envolver.

E descobri que o amor jamais se apaga inteiro,
quando a memória lhe preserva cada matiz,
feito uma tela que resiste ao tempo derradeiro.

Por isso volto a pintar teus gestos em meu ser,
em aquarelas de amor e com essa força motriz
dos amores que nasceram para permanecer.

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

domingo, 28 de junho de 2026

Haicai - Inverno I



 INVERNO I

Letras emudecem
nas mãos da escrevente.
É frio invernal.


Vilma Piva
Direitos Autorais Reservados ®

Ilustração / Imagem Pinterest

terça-feira, 23 de junho de 2026

Na Plenitude do Instante

" O amor é grande mas cabe num breve espaço de beijar”
Carlos Drummond de Andrade


Na Plenitude do Instante


No beijo em que me beijas
Num instante pleno
Sou o sentido desmedido
Nas carícias dos teus lábios.

Sou liberta em teu exílio
De venturas entrelaçadas
Ao infinito da tua boca
Úmida de desejos.

És amor transcendente
Num paraíso de línguas
A levitar-me pelo mundo
Moldada em teu abrigo.

Intensa no teu espaço
Expandida permaneço,
Densa.... a beijar-te
Sem que o tempo
Jamais nos esqueça....

Vilma Orzari Piva
Direitos Autorais Reservados ®


Ilustração / Imagem Pinterest