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Wednesday, September 01, 2010

Sunday, August 22, 2010

UMA ROSA É UMA ROSA

Five myths about the Iraq troop withdrawal

Early Thursday, less than two weeks before the president's Aug. 31 deadline for ending American combat operations in Iraq, the 4th Stryker Brigade, 2nd Infantry Division crossed the border from Iraq into Kuwait. With the departure of this last combat brigade, the U.S. military presence in Iraq is now down to 50,000 troops, fewer than at any time since the 2003 invasion. The shift offers a useful moment to take stock of both how much has been accomplished and how much is left to be done in what is fast becoming our forgotten war.

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Wednesday, August 18, 2010

A GUERRA DO PETRÓLEO

O tema tem sido dos que mais me têm suscitado apontamentos neste caderno. Mais de uma centena.
Apesar da insistência, as minhas reflexões sobre a incontida dependência mundial do petróleo do Médio Oriente e as guerras que se têm incendiado naquela zona do mundo têm-se fixado na relação perversa entre o maná oferecido pelos deuses aos árabes e as disputas pela sua posse. Enquanto houver petróleo e o petróleo for imprescindível à sobrevivência das sociedades modernas haverá guerra. É essa, e essencialmente essa, a razão da guerra no Iraque, por exemplo.

Foi, portanto, sem surpresa que li o artigo de Michael Mandelbaum, publicado na Time, e que registei aqui 
O artigo, que resume o livro recente de Mandelbaum -The Frugal Superpower: America's Global Leadership in a Cash-Strapped Era - aponta no sentido que várias vezes já aqui referi : As guerras no Médio Oriente só abrandarão quando os EUA (e o mundo em geral) puderem dispensar substancialmente o petróleo armazenado naquela parte do globo aumentando o recurso generalizado a energias alternativas.  

No caso dos EUA, Mandelbaum frisa a política errada de tributação reduzida dos produtos petrolíferos quando comparada com a seguida na Europa e no Japão, por exemplo. Tem sido, e continua a ser, o preço relativamente baixo dos combustíveis nos EUA que têm impedido  o recurso a soluções alternativas e à redução dos enormes consumos das viaturas. 

Obama prometeu, no seu programa de candidatura, libertar os EUA da dependência que os obriga a sustentar guerras que nunca conseguirá ganhar mas que também nunca poderá perder enquanto o petróleo que importa for vital. O mesmo raciocínio, aliás, se aplica a todo o mundo desenvolvido não autosuficiente em energia, com a única diferença de por razões de dimensão das suas necessidades e do seu poder militar, as guerras são fundamentalmente suportadas pelos norte-americanos.

Até o insuspeito, que foi ultraliberal, Alan Greenspan advoga em "The Age of Turbulence" (vd, por exemplo aqui), defende o aumento dos impostos sobre os combustíveis.

Se Obama vai ou não conseguir atingir os objectivos de libertar a América da corrente que a amarra aos senhores do petróleo (no Médio Oriente, na Venezuela, na Rússia) não sabemos. O que sabemos é que, enquanto essa amarra subsistir, a guerra continua, ainda que com algumas alterações nas frentes de batalha.

Monday, August 16, 2010

A GUERRA DO PETRÓLEO

Shrinking the Middle East

American foreign policy this fall will feature the Middle East: we will see a push for direct Israeli-Palestinian negotiations, pressure on Iran to give up its nuclear-weapons program and the hope that Iraq will remain stable as U.S. troops leave. Experience suggests that the chances of success for all three are poor. Over the years, the Middle East has proven inhospitable, if not downright hostile, to American initiatives. Recognizing this, the two previous administrations launched signature programs to transform the region into a friendlier place for American interests. Both failed. The Obama team should try a different approach, one that begins at home.

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Tuesday, August 03, 2010

FATAL

Sacrifício dos norte-americanos no Iraque está para durar, avisa Obama.

Nunca pensei que pudesse ser de outro modo.
Escrevi-o, repetidamente, neste caderno. No limite, supus a retirada para o largo de modo a permitir uma intervenção massiva imediata se as circunstâncias o exigirem. Enquanto o petróleo do Médio-Oriente for vital para os EUA, nenhuma força os arredará de lá.

O petróleo ainda é, e será ainda por muitos anos, um recurso indispensável, até à sobrevivência, dos países desenvolvidos. E os EUA continuam a ser o maior importador mundial. Se lhes faltasse o petróleo, se nos faltasse o petróleo, por mais insignificante que possa parecer uma redução durante um período não previsivelmente curto, o mundo sofreria um abalo económico e social de uma dimensão inimaginável.

É forçoso não experimentar tal eventualidade. Mas é notório que pouca gente se tenha já apercebido disso. 

Monday, January 04, 2010

THE WORST IS YET TO COME

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ANTIAMERICANISMO

Não sou anti-americano, o que sou é contra Bush e a sua pandilha, ouvia-se ou lia-se frequentemente.
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Entretanto, Obama foi eleito, e, prematuramente, nobelizado. No discurso de agradecimento do prémio não fugiu à abordagem do visível conflito de consciência que a atribuição do Nobel da Paz impõe ao presidente da maior potência mundial envolvida em duas frentes de guerra. Completará um ano de mandato no próximo dia 20.
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Entretanto, tanto internamente como no exterior, a sua estrela empalideceu. Era esperável que isso acontecesse, tanto mais que as opções militares de que Obama é o primeiro responsável não são susceptíveis de modificações súbitas e extremas. Por outro lado, a gestão da crise financeira que nasceu nos EUA e alastrou a todo o mundo nunca teria solução eficaz sem efeitos colaterais. Tudo conjugado, ninguém, por mais pintado que fosse, poderia manter intocável a sua popularidade.
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Para alguns, contudo, o discurso mantem-se: Não sou anti-americano, o que sou é contra alguns norte-mericanos.
Também eu.
E a favor de todos quem?

Monday, November 16, 2009

A OUTRA CRISE

A crise económica e financeira distraiu as atenções do mundo das outras frentes de batalha que a administração Obama herdou. No Iraque e no Afeganistão persistem cada vez mais os desencontros da opinião pública norte-americana quanto à estratégia a seguir. Desencontros esses que decorrem, como geralmente sucede, da diferença de posições entre os líderes políticos e militares.
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As decisões que Obama tomar quanto à continuação ou à retirada das tropas norte-americanas terão implicações sobre o rumo do mundo que excederão de forma incalculável as sequelas da crise económica por mais intensas que elas sejam.
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No Iraque e no Afeganistão jogam-se as pedras decisivas de um xadrez infernal, onde um dos contendores manobra atrás da cortina para, a partir daí, manter uma situação de permanente acção terrorista. Obama só tem duas alternativas: Ou continua a guerra, reforçando os meios que os chefes militares reclamam, ou retira e aceita a mudança de jogo. No primeiro caso, a vitória implicaria um prolongamento da guerra que só seria suportável pela opinião pública norte-americana se no combate se envolvessem todos quantos serão perdedores se os EUA se retirarem; no segundo caso, à retirada norte-americana seguir-se-á o avanço imparável dos terroristas talibans e da al-Qaeda, e, uma a seguir a outra, cairão as pedras do dominó petrolífero.
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A guerra continuará, então, em fronteiras mais recuadas ou reacender-se-á nas posições anteriores por imposição da opinião pública norte-americana, que sem petróleo não vive. E muitos outros também não.
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"We have lost a lot of great guys; we have lost so much potential," Whitehurst said. "But this country now has that potential. And there are people in this country that are alive today because of the sacrifices made by those soldiers. I do think it was worth it. I can look back, and I think all of us can hold our heads very high."
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Obama's prolonged deliberation would be understandable if he were choosing between escalating or ending the war, as Bush was. Yet he narrowed his options many weeks ago -- and still has been unable to come to closure. Last Thursday the president was presented with various reinforcement options; rather than decide, he reportedly asked for another study about when and how fighting could be turned over to the Afghan army.
Another week or two of thinking won't hurt. But the impression that gets created is of a president who knows what course he must take -- one of expanding American involvement in a difficult and increasingly unpopular war -- but can't bring himself to embrace it. It's an image that risks undermining any commitment Obama eventually makes. In the end, it's not enough for a president to be seen as having thought through a decision to send more troops to war. Enemies, allies and the country also need to be convinced that he believes in it.

Friday, January 23, 2009

Friday, January 09, 2009

Sunday, December 14, 2008

ARMA DE DESTRUIÇÂO PASSIVA



via Lóbi

Aconteceu em Bagdad durante uma conferência de imprensa.

Valeu a Bush ter reflexos rápidos para evitar a sapatada dupla.

Tuesday, December 09, 2008

PLUMAS AVENÇADAS

"Infelizmente Barak Obama parece não perceber o problema, quando ameaça ir atrás de Bin Laden nas cavernas do Afeganistão. (...) O Ocidente vigia e pune. Não muda de estratégia. Não aprende. Algures, os terroristas vão experimentando e medindo a nossa resposta. E conseguem sempre surpreender-nos. A guerra continua." (Pluma Caprichosa - Expresso 06/12)
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Somos um país de treinadores de bancada e de estrategas de café.
Ouço-os e pasmo perante tanto à vontade e discernimento, e pergunto-me por onde andam os deuses distraídos que não nos abençoam com a eleição destas criaturas para os postos de comando onde se resolvem os problemas dos (seus) clubes, em particular, e do mundo, em geral. .
Ainda Obama não tomou posse e já se lêm coisas destas: "Infelizmente Barak Obama não percebe o problema..." . Um tapado, este Obama, é o que ele é. Fosse ele mais arguto e teria percebido há muito tempo que não é com vinagre que se apanham moscas nem com bombardeamentos às cavernas que se acaba com o Bin Laden e o terrorismo que leva a sua marca registada. Como é, então?
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A estratega não explicita detalhes da boa estratégia mas deixa indícios: "O Ocidente vigia e pune. Não aprende. Não muda de estratégia." A contrario sensu, pode deduzir-se que o Ocidente não deve punir, vigiar talvez. E, sendo caso disso, dizer como o funileiro para o parceiro:
Oh alcaidas, tenham lá cuidado, reparem que já nos mataram mais trezentos e feriram mais quinhentos!
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São uns pontos estes estrategas. É uma pena que não passem do café da esquina.

Monday, December 08, 2008

HETERODOXIA

Depois de ter praticamente concluido o team da nova administração norte-americana, onde é saliente a chamada de rivais, Barak Obama já definiu algumas prioridades e níveis de intervenção na recuperação económica dos EUA.
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E avisou: Aqueles Estados, republicanos ou democratas, que decidirem não adoptar as políticas propostas e, consequentemente os fundos disponíveis, libertarão esses meios para aqueles que aceitarem o programa de intervenção global.
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Ainda falta mais de um mês para a "inauguration" mas para quem herda uma situação excepcionalmente complicada continua a ser, pelo menos, esperançosa a determinação e a heterodoxia de Obama.
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Na ordem externa, as alterações serão mais lentas e menos radicais. Os EUA vão desafiar o mundo, e em particular a Europa, a participar na segurança global.
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A propósito das políticas propostas por Obama para fazer sair a economia norte-americana da crise, Paul Krugman publicou no seu blog, há duas semanas, dois artigos - The Keynesian moment e Was the Great Depression a monetary phenomenon? - que suportam a política expansionista de Obama e contrariam a ideia que a política monetarista possa, só po si, inverter a tendência depressiva que caracteriza o actual momento.

Saturday, November 29, 2008

COM UM PINGO DE SOLDA NO OLHO

Meu Caro Amigo,

Leio o seu comentário e não me parece que possa concordar consigo. Concordo que as palavras e as imagens têm uma importância enorme na guerra mas não é com elas que o terrorismo se alimenta e mata. Digamos que, considerando todo o arsenal, as palavras e as imagens são as armas de destruição lenta que dão visibilidade aos espectaculares actos terroristas e atiçam o ódio injectado nas mentes dos fanáticos.
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Poderiam os dirigentes políticos e militares indianos dizer friamente, quando viram a arder os bens e a serem feridas e mortas centenas de pessoas, "vamos capturar os criminosos e levá-los à justiça"? Claro que poderiam mas não é essa a reacção mais natural da condição humana. Ninguém diz só isso porque para que seja feita justiça é fundamental perseguir e capturar os criminosos, vivos ou mortos, por mais que a nossa consciência de cidadãos livres reprima os mais primários instintos de sobrevivência numa guerra que é de vida ou de morte.
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Foram altamente chocantes as imagens que correram mundo do enforcamento de Sadam Hussein? Sem dúvida. Tanto, que evitei vê-las, e não as vi. Tenho, no entanto, a convicção de que as verdadeiras causas da guerra do Iraque não são aquelas que são geralmente divulgadas. Comentei já sobre este assunto, nestas palavras cruzadas, umas dezenas de vezes. Admitindo, no entanto, que a invasão do Iraque foi um erro inqualificável, a prisão de Sadam tornou-se uma das inevitáveis consequências desse erro. Preso Sadam, do ponto de vista dos que o prenderam, o que seria esperável: Sadam preso ou Sadam enforcado? Sabemos a resposta.
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Qual seria a nossa? Tenho pudor de me fazer moralista aqui neste sossego de uma tarde invernosa a olhar a Serra de Sintra.
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O problema é de linguagem. Da nossa. (Os terroristas até falam bem, considerando o ofício.) A verdade é que quando dizemos que os terroristas “vão pagar caro” estamos a participar na guerra. Nós só temos de dizer que vamos capturar os criminosos e levá-los à Justiça. Mas a cabeça quente e a revolta (que é da bitola da dos terroristas) leva-nos aos “vão pagar caro” e “wanted, dead or alive”. Depois às acções, que não vivemos só de palavras. Grande estratégia a dos americanos… Partir o Iraque ao meio, capturar Saddam e enforcá-lo perante as câmaras daqueles oportunos telemóveis. A imagem correu o mundo e os paladinos da liberdade festejaram. Foi uma decisão judicial que condenou Saddam. É verdade. Mas uma decisão pouco cega, que de judicial só tem a legitimidade. Saddam devia estar preso. Quando o enforcámos, mostrámos que a nossa justiça também se faz matando. Nós ao abrigo da Lei, claro. Mas isso da Lei… precisa de um certo ambiente. A minha proposta é simples: apostar forte na inteligência (mais que em armas finas, porque armas finas para combater gajos que se explodem com bombas caseiras é supérfluo), moderar a linguagem dos governantes e diminuir o espectáculo montado pela imprensa à volta dos atentados. Isto porque, parecendo que não, parte do sucesso destes actos criminosos é a nós e à nossa sociedade que se deve.

Saturday, November 22, 2008

YES, HE CAN!

O mundo que se repete
- Fractal


A nossa Amiga A., enviou-nos o texto, que abaixo transcrevo, da BBC News, comentando:
"E ainda dizem que sou uma pessimista...Como diz no fim deste artigo, eles já se "enganaram" antes com o Iraque. Resta saber se desta vez acertaram ou se pretendem algo com mais um "engano".
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US economic, military and political dominance is likely to decline over the next two decades, according to a new US intelligence report on global trends.
The National Intelligence Council (NIC) predicts China, India and Russia will increasingly challenge US influence. It also says the dollar may no longer be the world's major currency, and food and water shortages will fuel conflict. ...The EU is meanwhile predicted to become a "hobbled giant", unable to turn its economic power into diplomatic or military muscle. A world with more power centres will be less stable than one with one or two superpowers, it says, offering more potential for conflict. Global warming, along with rising populations and economic growth will put additional strains on natural resources, it warns, fuelling conflict around the globe as countries compete for them. ..."Strategic rivalries are most likely to revolve around trade, investments and technological innovation and acquisition, but we cannot rule out a 19th Century-like scenario of arms races, territorial expansion and military rivalries," the report says. "Types of conflict we have not seen for a while - such as over resources - could re-emerge." Such conflicts and resource shortages could lead to the collapse of governments in Africa and South Asia, and the rise of organised crime in Eastern and Central Europe, it adds. And the use of nuclear weapons will grow increasingly likely, the report says, as "rogue states" and militant groups gain greater access to them.

Monday, November 10, 2008

OBAMA E A GUERRA - 2

Um dos temas mais abordados, e há mais tempo, aqui no Aliás , basta clicar nas etiquetas "Iraque" e "petróleo", tem sido a questão da guerra do Iraque. Contrariamente à opinião generalizada, e também do que pensa a quase da totalidade das pessoas que conheço e com quem, de vez em quando, discuto o assunto, sempre defendi que a presença das tropas norte-americanas no Iraque não é apenas o resultado de uma casmurrice tola de George W. Bush, ou da manipulação que sobre ele exerceram os lóbis do armamento e de todas as outras indústrias que se engordam com a guerra. Também sempre defendi que o móbil da invasão do Iraque nunca foram as supostas armas de destruição maciça nem uma devoção serôdia de Bush pela democratização de um país que nunca soube, nem os seus vizinhos, o que isso é.
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A presença norte-americana no Iraque deve-se à dependência dos EUA (de que retira vantagens todo o resto do mundo petróleo-dependente) das reservas de petróleo do Médio Oriente que constituem a vertente mais instável da sua segurança e, portanto, aquela que condiciona toda a sua estratégia de defesa. Uma estratégia que foi fixada muitos anos antes de George W. Bush ter sido eleito presidente pela primeira vez.
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Dizendo isto, não absolvo Bush de muitos aspectos da sua administração errática.
Se volto ao assunto é apenas para renovar a minha aposta: os norte-americanos não retirarão do Iraque enquanto a sua dependência do petróleo do Golfo subsistir.
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Obama, que acredito ser um político com qualidades excepcionais, vai ter que desiludir, mas não desiludir-se porque não acredito que não saiba há muito o que está realmente em causa no Iraque e arredores, na promessa que fez de retirada.
Oxalá me engane. Mas como há muito referi por aí, de qualquer modo, ganharei sempre qualquer coisa com esta aposta: ou a aposta ou o fim da guerra.
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Bombs Kill 28 in Baghdad

A triple bombing Monday morning destroyed a minibus full of passengers and rained glass and debris on people nearby, leaving at least 28 dead and 50 wounded in the deadliest attack in the Iraqi capital in months, police and witnesses said.
The attack showed the resilience of extremist networks that continue to target politicians, police and ordinary Iraqis with explosives, even as overall violence in Iraq has dropped and the Iraqi security forces have grown in strength and numbers.

Monday, September 01, 2008

A ENERGIA DE OBAMA

Pasmo com a convencida capacidade que têm alguns críticos, comentadores, analistas ou com outras correlativas ocupações, portugueses, para se abalançarem a avaliar a exequibilidade ou a demagogia das propostas de um candidato à presidência dos EUA, numa matéria, como energia, que pressuporia um conhecimento que evidentemente não têm.

Aliás, se a proposta fosse tão irrealista e tão pouco razoável, o candidato opositor, e o seu staff, certamente lhe chamariam um figo e lhe torceriam o pescoço com o maior gosto. Sem ajuda destas competências lusas, que eles, muito provavelmente, nunca imaginariam que pudessem existir.

O que eu sei é que os EUA (e todo o mundo dependente do petróleo) têm urgentemente de soltarem-se das amarras que os ligam a países e personagens pouco dignos. E 10 anos não é pouco, é muito. O problema é que, provavelmente, não pode ser menos.

Na proposta daqueles que se propõem substituir a administração incumbente (Obama não está obviamente só) está um pressuposto que é uma clivagem com o passado: Vamos libertar-nos da dependência do petróleo alheio para podermos deixar de ter de impor a nossa presença nos locais onde nos abastecemos.

A proposta transcende em muito o objectivo energético porque é sobretudo o enunciado de uma medida de segurança diferente.

Nunca as administrações anteriores a Bush formularam explicitamente qualquer objectivo que pudesse vir a tornar obsoleta a Doutrina Carter* enunciada em 1980, e que relembrava toda a política dos EUA para a área do golfo desde o início do século passado. A intervenção de Bush no Iraque tem de ser vista como uma continuação, exacerbada se se quiser, de uma estratégia antiga e nunca abandonada, e sempre reactualizada.

De modo que onde alguns vêm uma proposta para americano ver (quando é que os europeus deixam de pensar que os americanos são uns ingénuos?), sem pernas para andar, está um objectivo de uma Nação que quer pensar a sua política de defesa de uma forma totalmente diferente.

E nós, quando é que nos vamos tornarnos independentes do petróleo? Valia a pena trocar umas impressões sobre o assunto. Perante objectivos que lhe mudem o cenário, o português geralmente diz logo: É impossível. E cuida que assim deverão pensar os outros.
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* "Let our position be absolutely clear. An attempt by an outside force to gain control of the Persian Golf region will be regarded as an assault on the vital interests of the United States of America, and such an assault will be repelled by any means necessary, including military force" (1980)

Tuesday, July 15, 2008

QUINTAL VITAL

A dependência do petróleo, e sobretudo a dependência das economias mais desenvolvidas e urbanas, começou há muito tempo a colocar-me muitas interrogações acerca do prazo de sustentabilidade das economias que sem o fluxo regular e crescente de crude que engolem morreriam por inanição.
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É essa interrogação antiga e persistente, que se agudizou com o desenrolar do tempo e o conhecimento de alguns indicadores intranquilizadores, que me tem levado a registar aqui no Aliás algumas das reflexões que o assunto me tem suscitado. Penso que o mundo se encontra envolvido numa guerra global pelo acesso às reservas petrolíferas, com acções por enquanto localizadas, de entre as quais se insere a invasão norte-americana do Iraque, com ramificações a outras fontes de confronto, como é o caso da aparentemente insolúvel questão israelo-árabe, mas que pode tornar-se global e apocalíptica se a humanidade não se desenvencilhar a tempo e horas da ameaça aterradora que essa dependência representa para todos.
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Não é o esgotamento súbito do crude que pode determinar a maior confusão global e a maior catástrofe para a humanidade, porque o prazo de esgotamento, mesmo segundo os cálculos mais pessimistas mede-se em décadas, tempo que os optimistas julgam suficiente para surgirem alternativas bastantes. O que pode desencadear um conflito global desvastador é o assalto às principais torneiras ou a destruição em larga escala dos oleodutos. Não haverá, neste caso, um esgotamento súbito, mas uma quebra de fluxo de dimensão suficiente para aniquilar a vida de muitas cidades, provocando o pânico incontrolável, o desespero das multidões, as opções trágicas de alguns líderes.
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Perante um cenário destes, os meus amigos costumam dizer-me que, nesse caso, há que voltar para a santa terrinha e cultivar a horta. Como se fosse possível partir, chegar, tocar num botão e crescer um feijão pronto para uma sopa camponesa. Além disso, penso eu, quem me guardaria a horta das hordas chegadas esfomeadas?
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É por pensar pensar assim que tenho investido pouco na horta, ainda que dela vá trazendo, de vez em quando, uma ou outra coisa a preços de custo que devem triplicar os do mercado. Da ameaça do petróleo não me tenho minimamente precavido.
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Mas são as surpresas que alimentam a vida e foi com algum espanto que acabei de ler no Economist desta semana que Matthew Simmons, o homem que tem dedicado a sua carreira à indústria petrolífera e, muito particularmente, à observação do "peak oil", o ponto a partir do qual a extracção de crude só pode descer, está a precaver-se para a eventualidade de ter de sobreviver numa economia de subsistência e está a pensar dar início às actividades, dentro em pouco, numa quinta que possui no Maine.
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Depois não digam que não vos avisei, dirá Matthew.
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The only way is down
Jul 10th 2008From The Economist print edition
The high priest of “peak oil” thinks world oil output can now only decline

FOR a man who believes that the world as we know it is coming to an end, as least as far as energy is concerned, Matthew Simmons is remarkably cheerful. He magnanimously excuses The Economist’s poor record of predicting the price of oil: our suggestion in 1999 that oil would remain dirt cheap was conventional wisdom at the time, he says soothingly. He also shrugs off our more recent scepticism about his belief that the world’s production of oil has peaked: he, too, hopes that “peak oil” proves to be a myth, he says. But over a 40-year career in investment banking, Mr Simmons adds, he has learnt never to rely on wishful thinking. Most of the world’s oil analysts, he believes, are far too optimistic about how long existing fields will last, the prospects for new discoveries, technology’s ability to unlock new sources and to extend the life of existing ones, and so on. He prefers to rely on data rather than daydreams. And according to the American government’s own numbers, the world’s oil output has been more-or-less flat since 2005.
It was data that made Mr Simmons famous. He spent the summer of 2003 at his holiday home in Maine, poring over technical studies describing the state of Saudi Arabia’s oilfields. Although the Saudi authorities do not release much evidence to support their claims of vast oil reserves, engineers from Saudi Aramco, the state-owned oil firm, do give talks at conferences and publish papers about their experience of reservoir modelling and management. Based on these, Mr Simmons concluded that Saudi Arabia’s biggest fields were already past their peaks, required ever more expensive technological fixes to prop up production and would soon enter a period of inevitable and rapid decline.
'Saudi grandees pooh-poohed Mr Simmons’s 2005 book on the subject, “Twilight in the Desert: the Coming Saudi Oil Shock and the World Economy”. But others held it up as convincing proof of the notion that the world’s oil production would soon reach a pinnacle, never to be exceeded. Saudi Arabia, after all, is already the world’s biggest producer, and is expected to cater to most of the growth in demand for oil over the next few years by expanding its output yet further. If, instead, it pumps less, there is little hope that other countries could make up the shortfall. In that scenario, as demand for oil continues to grow despite dwindling supplies, and as the search for substitutes proves fruitless, economic catastrophe ensues.
Mr Simmons helps to lend credence to this view in part because he is an old and respected hand in the oil business. He first stumbled into it in 1969, thanks to a chance encounter at a hotel in Palm Springs. He was two-thirds of the way through a doctorate in economics and had planned to join his father’s bank in Utah when he finished. Instead, he ended up abandoning his studies to help raise venture capital for a pioneering firm of divers working on California’s offshore oil-rigs.
Simmons & Company, the investment bank Mr Simmons went on to found (along with Michael Huffington, an oilman and politician), helped to funnel money and financial advice to the nascent “oil services” industry, which performs tasks such as seismic surveys and drilling wells on behalf of oil firms. Indeed, Mr Simmons says it was his bank that coined the very phrase “oil services”. It has handled over 500 merger-and-acquisition deals in the industry—49 of them last year alone.
All this means that Mr Simmons can draw upon long experience and deep knowledge of the oil industry. He does not dispute the main criticism of the “peak oil” theory: that improvements in technology, spurred by high prices, will eventually allow new fields to be found, more oil to be recovered from existing fields and artificial oil to be conjured from substances such as tar sands, coal and shale. But he thinks such advances will take longer to appear and have less of an impact than his detractors assume.
As it is, he points out, all the world’s drilling rigs are working flat out, and old ones are being retired faster than new ones can be produced. The same is true of geologists and many more of the industry’s essential inputs. This is slowing the development of new fields and pushing up the cost. By the same token, the technology being used to extract oil today has been in the works since the 1970s. It will take a long time for the next generation of clever kit to come into widespread use. Besides, many technological improvements seem to have simply speeded up the extraction of oil, rather than increasing the share of each reservoir that can be recovered.

Oil clocks out
In short, as Mr Simmons readily concedes, the debate between proponents and critics of “peak oil” boils down to an argument about timing. The optimists think that technology will advance quickly enough to offset declining production from mammoth fields such as those Mr Simmons studied in Saudi Arabia. But he and his disciples think the declines will come too soon, and be too sharp, for the world to adapt in time. The whole row could easily be solved, he says, if Saudi Arabia would only allow independent auditors to assess its reserves.
In the meantime, Mr Simmons is taking no chances. He plans to start up a farm near his house in Maine, in case the supply chain that provides America with food breaks down for lack of fuel. He plans to fertilise his fields with manure, rather than chemicals derived from oil and natural gas. He thinks globalisation must stop, and that as much trade as possible should be conducted by boat, to conserve whatever oil remains.
But Mr Simmons has not despaired. He holds out great hope for wave energy, and believes that at least one of the many different species of seaweed found along Maine’s coast will yield oil that can be turned into biofuel. He has got Simmons & Company involved in alternative energy. It is a brave choice for someone who is so pessimistic about technology.

Friday, July 11, 2008

A GUERRA DO PETRÓLEO - O IRÃO


Oil sets new trading record above $147 a barrel

Traders work the crude oil options pit at the New York Mercantile Exchange Friday, July 11, 2008 in New York. Oil prices spiked to a new record above $147 a barrel Friday, as rising hostilities between the West and Iran and the potential for attacks on Nigerian oil facilities gave investors reason to rush back into the energy markets. (AP Photo/Mary Altaffer) (Mary Altaffer - AP)

By MADLEN READ The Associated Press Friday, July 11, 2008; 2:21 PM


NEW YORK -- Oil prices briefly spiked to a new record above $147 a barrel Friday, as rising hostilities between the West and Iran and unrest in Nigeria sent investors rushing back to energy markets.
A decline in the U.S. dollar and concerns about an oil worker strike in Brazil contributed to the higher price.
The resurgence in crude prices stokes concern that $4-a-gallon gasoline is here to stay for U.S. drivers and means home heating could get much more expensive this winter.
Heating oil futures surged on the New York Mercantile Exchange to a record of more than $4.15 a gallon. Natural gas futures turned lower, but are still about twice as high as a year ago.
"If you think your gasoline bills are expensive now, wait till you get your home heating bill this winter," said Stephen Schork, an analyst and trader in Villanova, Pa.
While U.S. consumer demand for gasoline is waning as people try to save money, other factors are keeping energy costs high: The weak dollar, refineries cutting back on production and resilient demand for diesel fuel. Diesel is a distillate fuel produced and distributed similarly to heating oil, so diesel demand often affects the price of heating oil.
The other big reason gasoline and heating bills are likely to stay high is unrest in the Middle East and Africa.
Iran, which has long been under U.N. scrutiny for its uranium enrichment program, has been testing missiles this week, including a new missile capable of reaching Israel. On Thursday, Secretary of State Condoleezza Rice warned the oil-producing nation that the United States will defend its allies, and Iran responded with another missile launch. Neither the United States nor Israel has ruled out a military strike on Iran.
On Friday, there were rumors of Israeli military exercises taking place in Iraqi airspace, which were reportedly denied by Israeli officials.
"The war of words is quite heated," said Michael Lynch, president of Strategic Energy & Economic Research Inc. in Winchester, Mass. "And it raises the possibility of some serious problems in the area _ either the cutoff of Iranian exports, or Iranian strikes on tankers in the Strait of Hormuz."
About 40 percent of the world's tanker traffic passes through the Strait of Hormuz.
On Friday, light, sweet crude for August delivery soared to an all-time high of $147.27 a barrel, then retreated to trade at $144.42, up $2.77, by midafternoon.
Crude had fallen by nearly $10 a barrel over two days at the start of the week, but rebounded by more than $5 a barrel Thursday as anxiety heightened about Middle East and Nigerian supplies being disrupted.
The Organization of Petroleum Exporting Countries warned Thursday it cannot replace the shortfall if Iran is attacked and takes its crude supplies off the market.
Also Thursday, Nigeria's main militant group said it would resume attacks in the oil-rich region because of Britain's recent vow to back the government in the conflict there. Over the past two years, attacks have lowered the nation's typical daily oil output by a quarter.
JBC Energy in Vienna, Austria, said the news about Iran and Nigeria _ as well as a reported threat of a strike by oil workers in Brazil _ were "enough to wake the market from its two-day slumber."
Meanwhile, the dollar weakened against other major currencies Friday. Because oil is bought and sold in dollars, oil's rise has not been as severe for countries with stronger currencies; meanwhile, traders have been using commodities as a hedge against the tumbling dollar.
In Nymex trading, heating oil futures rose to a trading record of $4.1586 before retreating to $4.0750 a gallon, up 3.71 cents.
Gasoline futures also rose to a new trading record of $3.631 a gallon before easing back to $3.5405, up 2.96 cents.
The average U.S. retail price for gasoline was at $4.096 a gallon, down slightly from the record $4.108 a gallon reached on Monday, according to auto club AAA, the Oil Price Information Service and
Wright Express.
Natural gas futures fell 18.3 cents to $12.117 per 1,000 cubic feet, but only after rising as high as $13.694.
Natural gas, because it is not a crude oil product, is inexpensive compared to heating oil. But as the winter approaches, the fuel has the potential to shoot higher as energy traders look for cheaper places to put their money, Schork said.
Heating oil is used mostly in the Northeast United States; homes in most other regions of the country use natural gas.
It's possible for people to save some money on heating, but it's not easy to slash the bill significantly.
"We've been building these ridiculous McMansions over the past few years. It's harder to trade in a McMansion than it is an SUV," Schork said. "But you can turn your thermostat down and throw on a sweater."
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Associated Press Writers Pablo Gorondi in Budapest, Hungary, and Eileen Ng in Kuala Lumpur, Malaysia, contributed to this report.