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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Reabertura sem filas. É o que se prevê.

A sua inauguração aconteceu na data prevista. No primeiro dia a vontade de o visitar levou meio mundo até Belém. Uma ponte pedonal teve que ser encerrada por excesso de utilização em tão pouco tempo. Milhares de pessoas nesse dia e nos seguintes foram conhecer o edifício e a sua envolvente próxima. E não acredito que tal tenha apenas a ver com o facto de não se pagar entrada.
Daí para cá as obras no exterior não pararam. No interior recomeçarão agora. Depois reabre. Desta vez já não será de graça. Mas esta situação até tem graça. Ou pelo menos inspira-a...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

"Nas nossas ruas, ao anoitecer"

A cama está sempre impecavelmente feita. Agora, com o frio, o saco cama não chega e a manta aos quadrados cobre-o, tornando a noite mais suportável. 
O cão, depois de ter ido dar uma volta, está enroscado junto à cabeceira. Está bem tapado. Também ele tem uma manta às riscas. 
Estamos em pleno Marquês de Pombal e a maior parte das pessoas regressa às suas casas. O homem deita-se cedo. Parece indiferente ao bulício da hora de ponta na cidade. 

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

E porque teria que ser diferente?

Mal o sinal fecha ela avança para os automóveis parados. O seu "bom dia" chama a atenção e é ouvido por todos os que passam, automobilistas e peões. Tem sempre um largo sorriso enquanto distribui o jornal gratuito. Esta semana, ao bom dia, tem acrescentado as Boas Festas. Olho sempre para ela a tentar descortinar se a boa disposição é genuína. Até agora sempre me pareceu que sim. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Duas coisas (entre outras)

que não compreendo em relação ao Metro de Lisboa: 
  • porque razão insistem em anunciar, pelo sistema de som, de x em x segundos, que as linhas amarela, verde, azul ou vermelha; ou duas delas; ou três delas (quatro ainda não ouvi) se encontram com perturbações? Há muitos meses que temos que ouvir isso em non stop. Esqueçam: nós já percebemos. Não vale a pena querer fazer parecer esporádico o que já é um facto permanente;
  • dada toda a situação  que só parece ter tendência a agravar porque é que, de uma forma que soa a ironia pouco elaborada, nos andam a desejar um novo ano cheio de boas viagens? 

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Do comboio vejo menos Tejo

É já tarde neste sábado de princípio de Outono e a noite chega um pouco mais cedo. Os holofotes estão ligados e é a essa luz que dezenas de trabalhadores transportam materiais e máquinas, colocando-os no seu lugar e usando-as para que tudo o que ainda falta fazer fique concluído. E parece ser tanto! Para quem, como eu, passa por ali, é difícil acreditar que daqui a 4 dias estará tudo pronto. Mas, como em tantos e tantos outros casos, não duvido que sim. O novo museu ali ficará à disposição de quem o queira visitar. Dizem que a Fundação tem dinheiro para aquilo e muito mais. Dizem, o que para já me parece verdade, que é um belo edifício, projectado com inteligência pelo atelier londrino de Amanda Levete. Já frases como: "Restaurando a ligação histórica entre a cidade e a água, o edifício cria um destino para os lisboetas, bem como para os visitantes culturais e turistas, reabilitando para todos a zona ribeirinha" ou "O projeto irá renovar o acesso ao rio Tejo a partir da cidade e consolidar a regeneração urbana global do bairro"; que li aqui, me parecem largamente exageradas. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Queixas a metro

Depois de descer as escadas que, nos últimos tempos, de rolantes só têm o nome; a visão que hoje de manhã se tinha, a partir do lanço que leva à plataforma da estação de metro do Cais do Sodré, era impressionante. Em 30 anos de frequência do metro de Lisboa poucas foram as vezes em que vi semelhante espectáculo e sempre por razões que se prendiam com algum acontecimento particular. Certo é que a quantidade de gente naquela plataforma era tal que parecia que só mais um iria empurrar alguém para a linha. Quem descia a escada sentia-se assustado e muitos paravam. 
Entretanto lá chegam as 3 carruagens que, a custo, levariam a maior parte dos passageiros. O condutor mal pára logo apita para apressar os que, depois do tempo que estiveram à espera, ainda hesitavam em entrar nos compartimentos apinhados. Eu própria pensei que talvez fosse melhor esperar pelo próximo mas, dada a dúvida em relação ao tempo que esperaria, lá arrisquei. Lá dentro, enquanto as pessoas se arrumavam, muitos comentavam a situação e lamentavam o estado a que chegou um transporte que já foi bom. 
Lembrei-me então que, neste dia 22 de Setembro, se comemora o dia europeu sem carros... Será que muitos dos que habitualmente andam de carro resolveram usar o transporte público? Duvido bastante. Mas, se assim foi, certamente muitos foram afugentados e pensarão: o que vale é que o dia europeu sem carros é só uma vez por ano... 
Quanto aos utilizadores que diariamente entram nas estações do metropolitano e vêem escadas que não funcionam, pessoas a mais, tempos de espera que aumentam, e ouvem os, cada vez mais frequentes, pedidos de desculpa pelos incómodos causados devido a problemas na circulação; resta-lhes apreciar a beleza de algumas das obras de arte presentes. Mais uma vez a arte nos ajuda a superar a realidade...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

É um combinado número...

No sábado passado, uma sessão de cinema tardia e alguma fome levaram-me ao Galeto. Gosto de lá ir de vez em quando. Agrada-me o espaço e comer um combinado que se pede pelo número acompanhado de uma imperial. Mas a verdade é que os preços são muito altos para o que se come (agravado pela diferença a partir das 22 horas) e a forma como somos atendidos também nem sempre é a melhor. 
Bem, mas como está a fazer 50 anos perdoam-se algumas coisas menos boas. Da próxima vez, quando me sentar ao balcão, talvez tenha sorte com o empregado.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A flexibilidade e a polivalência no início do séc. XX

- Quando eu era nova (há 60-70 anos) havia no bairro uma mulher que fazia tudo: era parteira, organizava casamentos, tratava dos velórios, vestia os mortos…

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Daqui a poucos dias já só nas Avenidas Novas

Não as frequentava muito é certo. A última vez que lá fui foi há um mês. Falo das salas de cinema do Fonte Nova, geridas até agora pela Medeia Filmes. Nesse dia a sala estava muito composta. Era um domingo, logo a seguir ao almoço e lembro-me de ter registado que parecia, de facto, um cinema de bairro com muitos casais já mais idosos, provavelmente moradores ali perto. O filme era Leviatã e àquela hora era o único cinema que o passava. Daqui a poucos dias deixará de ser uma opção. O Colombo e as suas salas onde o cinema é apenas mais uma coisa (e por vezes parece não ser a mais importante) parece ter levado a melhor

quarta-feira, 11 de março de 2015

A Nova Lisboa que já não há

Desde que deixei de trabalhar na Baixa e estou para os lados do Campo Grande vou com alguma frequência, à hora de almoço, até à Av. da Igreja. É uma rua movimentada, com lojas e pessoas (e sem a quantidade enorme de turistas que tornam, por vezes, difícil a circulação nas áreas mais centrais). Nesses dias comia sempre na Confeitaria Nova Lisboa, uma daquelas pastelarias-restaurante que há na capital com pratos a preços acessíveis e fabrico próprio de fazer crescer água na boca. Percebi também, ao vê-las em qualquer altura do ano, que era a mesma empresa que fabricava aquelas amêndoas de Páscoa de que sempre gostei. Os clientes, percebia-se, eram habituais e alguns residentes na zona deixavam recados para familiares que passariam ali mais tarde. A mim, que não era propriamente cliente habitual, ofereciam sempre um pequeno bolinho com o café. Não era isso que me fazia voltar mas claro que ajudava apesar de não gostar nada do "avançado" em alumínio sobre o passeio.
Esta semana li no Corvo  que a Nova Lisboa tinha fechado. Ontem, ao passar por lá, li o recado que deixaram na porta a agradecer aos clientes os 65 anos de trabalho. Uma senhora telefonava a alguém a avisar que o almoço que tinham marcado afinal não se poderia realizar ali. "Não compreendo. Vou perguntar ao senhor do quiosque, dizia". 
Na esquina da rua, o McDonald's tinha muitos estudantes (a escola secundária é mesmo ali) e do outro lado da rua a esplanada  da "Padaria Portuguesa" estava cheia. Não sei se a abertura desta última há poucos anos terá contribuído para este desfecho. Eu que, confesso, não consigo gostar nem um bocadinho daquela cadeia de lojas, espero que não. As modas nestas coisas fazem a diferença, eu sei, mas não compreendo como muitas pessoas deixaram os seus cafés habituais para estarem imenso tempo em filas (é o que vejo, normalmente) para comprar produtos caros e com qualidade normalmente inferior ao propagandeado. Aquela coisa da "guerra dos bairros" então...
Bem, mas não é para dizer mal da Padaria Portuguesa que escrevi. É para dizer que, tal como outras lojas que vão desaparecendo, a Nova Lisboa faz falta a Lisboa.



terça-feira, 10 de março de 2015

As liberdades semânticas

                                Foto Aqui

Esta é uma fotografia do Hotel Porto Bay Liberdade, projecto do Arq. Frederico Valsassina. Em vários locais que referem a abertura deste hotel diz-se que foi preservada a fachada original do início do século XX ou, de forma mais abrangente, que preserva a fachada dos palacetes de Lisboa do início do século XX.
Ora, se é verdade que, relativamente a esta obra, tal como a outras, a liberdade de se gostar ou não é plena, a verdade é que dizer-se que se mantém a fachada original é o mesmo que dizer que a nossa receita de Bacalhau à Brás leva beterraba e inhame. É um facto que o bacalhau está lá. Mas chamar ao prato Bacalhau à Brás...


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Presa no subúrbio

Sim eu sei que "o tráfego automóvel continua a ser a principal causa da degradação da qualidade do ar na cidade de Lisboa, dado que constitui a principal origem de poluentes atmosféricos prejudiciais à saúde humana" e que há que cumprir o "Plano e Programa de Melhoria da Qualidade do Ar (Região LVT)". Também sei que quem toma as decisões não tem a culpa que eu não resida no centro da cidade ou que não tenha tido capacidade para, ao longo dos meus anos de trabalho, amealhar dinheiro suficiente para trocar o meu carro matriculado no ano de 1993.  
Mas com esta e outras medidas ninguém me tira esta sensação de falta de liberdade. E não é a liberdade para levar o carro para o trabalho, o que nunca fiz desde 1995, quando comecei a trabalhar em Lisboa. É a liberdade para, por exemplo, quando as minhas filhas estão doentes, poder levá-las ao médico que fica numa área da cidade onde, mesmo que só raramente, o meu carro não pode emitir partículas (PM10) e dióxido de azoto (NO2). A liberdade para poder chegar a um jantar num restaurante da capital antes das 21.30, sem ter que utilizar os transportes públicos que a partir de certa hora deixam de ser uma boa alternativa.  
A Avenida de Ceuta, o Eixo Norte/Sul, a Avenida das Forças Armadas, a Avenida dos Estados Unidos da América, a Avenida Marechal António de Spínola, a Avenida Santo Condestável e a Avenida Infante D. Henrique,  no período compreendido entre as 7 horas e as 21 horas passam, a partir de hoje, a ser os meus limites. Fico presa do lado de fora. Ainda por cima eu tenho esta mania parva de cumprir as regras...

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Refeição especial

Vou com alguma frequência ao Café Império. Mesmo que a comida não seja nada de especial, o espaço compensa. Fechado durante algum tempo, temeu-se que não voltasse a reabrir com a anterior função o que teria sido lamentável. Felizmente tal não aconteceu.
Integrado no edifício do Cinema Império, um projecto de Cassiano Branco, podemos ver, no interior, numa parede revestida a cerâmica (de Jorge Barradas), uma composição de esculturas de Martins Correia. Na mesma sala e ocupando uma área considerável, uma pintura mural de Luís Dourdil. 
Durante muito tempo, sentia-me triste ao olhar para esta obra, de 1955, tal era o seu estado de degradação. Nas últimas vezes que lá estive, porém, pude apreciar muito melhor aquele magnífico trabalho, agora restaurado no âmbito das comemorações do centenário do nascimento do pintor.
Não sei se os estudantes que enchem a sala ao almoço estarão conscientes da importância das obras em causa. Talvez não. Eu sinto-me uma privilegiada por poder tomar uma refeição na sua companhia. Passem lá e vejam. O café ganha muito. Lisboa também. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Frugal, espartano e que mais?

Da Mouraria, para Lisboa. E agora, quem sabe, a caminho de Portugal inteiro... 
Alguém com um estilo de vida espartano pode ser exactamente o que o país precisa. Esta, pelo menos, será a opinião dos credores da dívida pública portuguesa. 
Para fazer jus a esta fama e depois de um primeiro-ministro a morar em Massamá e a passar férias na Manta Rota; ainda teremos um primeiro-ministro a morar num quartinho arrendado na R. da Imprensa à Estrela e a passar férias no Parque de Campismo da Costa da Caparica...

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Há três mas são verdes...

- São tugas, são tugas!... disse a mulher para o homem. E, sendo assim,  lá ficaram sentados no banco da paragem (no caso, do eléctrico 15). Decidiram esperar por algum grupo maior a caminho da zona de Belém. As suas tácticas aplicam-se melhor a turistas incautos, mais atentos à paisagem que vêem da janela do que aos movimentos destes mestres na arte do "carteirismo". Os motoristas, polícias e passageiros habituais, que os conhecem certamente, sabem que a forma como "trabalham" dificulta muito o flagrante delito, única forma de agir. Agora a Carris decidiu que, já que não pode vencê-los nem juntar-se a eles, vai criar carreiras especiais para turistas, contando que estejam livres destas já "figuras típicas de Lisboa". Não se sabe como vai resultar esta iniciativa. Pelo preço avançado, serão os turistas mais endinheirados a escolher este novo serviço pelo que aos carteiristas restarão as carteiras menos abonadas... Mas uma coisa é certa: entre outras coisas, e para lá do lado mais genuíno (referido em guias), que incluía conversas interessantes entre quem vem de fora e sobretudo idosos que utilizam este meio de transporte nas suas deslocações diárias;  lá se vai, para alguns, a emoção toda de viajar no 28...  

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Corda da roupa (1)

Já foi um armazém organizado. Agora aquele conjunto de paredes, que já foram brancas e que estão cheias de inscrições, não passa de um testemunho de um passado em que algumas fábricas ocupavam aquela zona da cidade mas que, fruto de requalificações do território e da crise que as foi atingindo, foram encerrando.
Sem portas nem janelas, adivinham-se correntes de ar, chuva que não encontra resistência sempre que quer entrar, o frio que se instala à vontade.
Contra todas as probabilidades, quem passa na estrada vê, num dos compartimentos esventrados, uma corda que vai de um lado ao outro das paredes ainda de pé. Nela, a roupa a secar balança ao ritmo do vento.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Três cidades na cidade

                                Imagem retirada daqui

Ainda continuo a pensar como aqui escrevi. Também sei que, em termos económicos, esta faceta de Lisboa como porto de passagem dos navios de cruzeiro é de grande importância para a APL, para muitos comerciantes, etc. A presença constante de um grande número de turistas em Lisboa, vindos em cruzeiros ou não, tem sido uma realidade que, em certos locais, altera até a forma como olhamos para a cidade. Lisboa é uma cidade cosmopolita e por isso haverá sempre lugar para os que, sendo de fora, a querem visitar. 
O grande perigo de tudo isto é começar-se a olhar para Lisboa como sendo uma cidade dirigida para os visitantes e não para os seus residentes e para os que nela têm o seu trabalho. E, de há uns tempos para cá, há algumas questões que me parece que deveriam ser melhor equacionadas. A proliferação de hotéis, hostels e outros é uma delas. A multiplicação dos veículos poluidores de duas, três ou quatro rodas que fazem visitas guiadas e que deixam pelas ruas gases e sons estridentes, é outra. Mas há mais. Os preços praticados em certos estabelecimentos, por exemplo.
Não queria que se esquecesse que Lisboa não é só nossa. Mas também é nossa.