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sábado, 12 de abril de 2014

Os Anos Yé-Yé (1965-1966): Parte 5



Já perto do final do ano, as eliminatórias são intercaladas com uma novidade: os concertos estrangeiros. A aderência da parte do público aos concursos justificavam o investimento e por isso assiste-se, no espaço de dois meses, à vinda a Portugal de três grandes nomes da música pop-rock internacional: The Searchers, The Animals e Cliff Richard com os Shadows.

(retirado de guedelhudos.blogspot.com)
Organizado por Vasco Morgado, os The Searchers, esse conjunto de “aspecto lavado e nada gadelhudos”, como descreve a imprensa, tocam em Lisboa, no Teatro Monumental, a 2 e 3 de Novembro, em duas sessões por dia, acompanhados pelos Satins e tendo como primeira parte os Dakotas, os Sheiks e os Ekos. “Delírio e mais delírio foi a nota sensacional deste extraordinário espectáculo”.

(retirado de guedelhudos.blogspot.com)
A 7 de Dezembro também no Teatro Monumental, apresentam-se os The Animals, "soberbamente ferozes”,“com suas jubas, roncos, esgares, etc. Impossível distinguir a música que tocaram”. Foi “de ensurdecer. Ainda por cima, a juventude que formava 97 por cento do público, nada deixou ouvir, com a gritaria infernal com que acompanhou a exibição dos seus ídolos.” Como nota, referia a imprensa, que “antes, exibiu-se o grupo do italiano Gino Paoli. É de uma banalidade perfeita. Não aquece nem arrefece. Podia ter ficado em Itália".

A 11 e 12 de Dezembro, no Cinema Império é estreia, já tardia, de Cliff Richard com os Shadows."Cinco rapazes - normais, sem cabeleiras excessivas, simpáticos, sem exuberâncias de exteriorização, moderados sem crises patéticas de frenesi, mas extraordinários de virtuosismo nos ritmos modernos", descrevia o Diário de Notícias de então.

(retirado de guedelhudos.blogspot.com)
No ano seguinte, no Carnaval no Monumental seria a vez dos Les Problèmes de Luís Rego. Partindo de Portugal em 1962 com a desculpa de querer aprender a tocar guitarra, Luís Rego fixa-se em Paris onde forma os Les Problèmes que viriam a ser a banda de suporte de Antoine. Em 1966 são convidados para vir tocar a Portugal mas Luís Rego, dado como desertor, é preso, apenas conseguindo voltar a França daí a dois meses...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Os Anos Yé-Yé (1965-1966): Parte 1



Se 1964 foi um ano de transição, 1965 e 1966 são anos de confirmação de uma nova cena musical. Agrupando os mais variados conjuntos e estilos musicais sob uma única designação, yé-yé, esta rapidamente estabeleceu-se como uma moda que abrange os mais diversos registos, desde a roupa ao cinema. Para acompanhar as novas tendências, por todo o Portugal foram organizados cada vez mais concursos e festivais, apesar da mentalidade portuguesa de feiras e arraiais. Assim, a 10 de Abril de 1965 realizou-se o 1º Grande Festival de Shake Rock 'n' Roll no Cinema Águia d'Ouro, no Porto e a 28 de Agosto ocorreu a primeira eliminatória do Concurso Yé-Yé do Teatro Monumental, que se prolongaria até 1966.

Concurso Yé-Yé do Teatro Monumental

Organizado pelo Movimento Nacional Feminino, em conjunto com a R.T.P., Emissora Nacional, Rádio Clube Português, com o jornal O Século e com o empresário Vasco Morgado, o Concurso Yé-Yé do Teatro Monumental consistiu na apresentação semanal de cinco conjuntos perante um júri técnico e um júri yé-yé e tinha com um dos principais objectivos o de angariar fundos as tropas no Ultramar.




Na primeira eliminatória participaram os Átomos, que seriam os vencedores, Os Dakotas, de Almada, os The Magic Strings de Oeiras, Os Martinis de Elvas e Jovens do Ritmo de Leiria. Na segunda Os Demónios Negros, do Funchal, os Twist Star da Póvoa de Santa Iria, Os Fliers de Cascais, os Primavera em Sintra e Os Kalifas de Torres Novas. Tornando-se um evento cada vez mais popular, na 3ª eliminatória participaram os Diamantes Negros, de Sintra, que saíram vencedores numa noite em que se “lançou, sobre os concorrentes, milho, feijão, batatas e tomates." Nesta tocaram ainda os G-Men, do Entroncamento (futuros Filarmónica Fraude), Os Misters de Lisboa, os Black Boys de Santarém e Os Gringos de Torres Vedras.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 20

A par dos Sheiks, que entretanto tinham conseguido chegar ao terceiro lugar do top de vendas e a um contrato com a boite Tosco, a grande banda destes anos foram os Ekos. Foram eles quem mais vendeu nesse ano, sendo os seus discos dos poucos que conseguiam esgotar a primeira edição, e gabavam-se de ter recebido cerca de 10.000 postais e cartas. Tocando em hoteis como o de Ofir e o da Póvoa, foi no entanto em Albufeira que conheceram Cliff Richard, que os aconselhou a cantar em português, e que se reflectiu na entrada de Zé Luís para a banda. Apesar de terem de cumprir o serviço militar, os Ekos continuaram até 1970 e gravaram seis EP's, além de uma colaboração com Magdalena Pinto Basto.

O ano termina com três grandes concertos: The Searchers a 2 e 3 de Novembro no Teatro Monumental, com os Satins, ingleses que mais tarde gravaram um EP com Fernando Conde, e na primeira parte os Dakotas, os Sheiks e os Ekos; os The Animals, também no Teatro Monumental, com primeira parte de Gino Paoli, a 7 de Dezembro.

O Diário de Notícias deixou "um aviso: não tragam os Beatles! Será o fim do Monumental - teatro e cinema - a avaliar pelo delírio que ontem provocaram The Animals. (...)Gritos estridentes, ininterruptos, agudos, lancinantes, um uivo sincopado de yé-yé, definindo quase um sentimento de dor"[1].

Rendido, O Século disse escreveu que "não é possível fazer crítica (musical) ao espectáculo que Vasco Morgado apresentou ontem (com um êxito de bilheteira que esgotou duas salas até ao tecto) no Monumental. Eram The Animals e soberbamente ferozes eles se apresentaram com suas jubas, roncos, esgares, etc. Impossível distinguir a música que tocaram. De ensurdecer. Ainda por cima, a juventude que formava 97 por cento do público, nada deixou ouvir, com a gritaria infernal com que acompanhou a exibição dos seus ídolos. Antes, exibiu-se o grupo do italiano Gino Paoli. É de uma banalidade perfeita. Não aquece nem arrefece. Podia ter ficado em Itália"[2].

A 11 e 12 de Dezembro foi a vez de Cliff Richard com os Shadows no Cinema Império: "Cinco rapazes - normais, sem cabeleiras excessivas, simpáticos, sem exuberâncias de exteriorização, moderados sem crises patéticas de frenesi, mas extraordinários de virtuosismo nos ritmos modernos - apresentaram-se ontem pela primeira vez em Portugal oferecendo ao público jovem de Lisboa, na sala do Império, uma outra face da música ligeira actual. E, pelos vistos agradaram totalmente."[3]


[1] Diario de Noticias, 8.12.1965 citado em http://guedelhudos.blogspot.com , 22.1.2008

[2] O Seculo, 8.12.1965 citado em http://guedelhudos.blogspot.com , 22.1.1968

[3]Diario de Noticias, 12.12.1965 citado em http://guedelhudos.blogspot.com , 23.1.2008