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sexta-feira, 31 de março de 2017

Conjunto João Paulo no Ultramar (1968)

Uns viajam para Londres, outros viajam para o Ultramar. A partir de 1967 a maioria dos conjuntos desfaz-se e vai cada membro para o seu lado, para cumprir o que se entendia como "dever". Alguns têm a sorte de permanecer juntos, como conjunto, e são "convidados" para tocar para tropas. Foi o caso d'Os Conchas, logo no início da década e, mais tarde, do Conjunto Académico João Paulo. Estes já tinham feito duas "digressões" pelo Ultramar, em 1965 e 1966, e em 1968 voltam a fazer mais uma, já como militares.


Um ex-combatente, no seu blog, partilha uma fotografia de um desses concertos na Guiné, em Abril de 1968:


Outro ex-militar, num outro site, deixa também o seu depoimento de um concerto dessa digressão, desta vez em Angola:

«Dia e meio depois, foi o regresso ao Inferno do Chimbete, onde estava o nosso aquartelamento. Pelas 22 horas da véspera de Natal de 1968, fomos recebidos com uma anormalidade, que ainda hoje, passados 41 anos me causa arrepios. Não é que de Luanda, nos tinham enviado o “Conjunto João Paulo” para nos confortar?

Como é possível sermos tão frios e insensíveis à morte dos outros!»

domingo, 9 de fevereiro de 2014

' A Invasão Britânica' (1964): Parte 9



Em Moçambique, depois de Victor Gomes, só a partir de 1963, sob a influência dos Shadows e com a estreia d’Os Cometas na rádio, é que começam a surgir novos conjuntos como Os Corsários, considerado o "melhor conjunto de Lourenço Marques", os Night Stars, o Conjunto Renato Silva e os portugueses Oliveira Muge instalam-se definitivamente em Moçambique.
 
 Os Night Stars formam-se em 1963 em Lourenço Marques com Bob Woodcook na voz, Mário Sousa na guitarra, Alexandre Rodrigues nas teclas, viola ritmo e vozes, Guita no baixo e Carlos Alberto na bateria tendo estes dois últimos saído pouco depois e entrado Noel Cardoso para o baixo e Dino Antunes para a bateria. É com esta formação que em 1964 gravam o primeiro EP, um disco com forte influência de rock 'n' roll e surf. Em 1965 gravam o segundo EP e são os escolhidos para ir ao Concurso Yé-Yé do Monumental de 1966 onde ficam num polémico 3º lugar. Gravam nesse mesmo ano o terceiro disco, que contêm Eu Sei, música com a qual ganharam o Prémio Peninsular no referido concurso, além de outras três faixas que demonstram uma maior influência de rhythm&blues ou garage-rock. O grupo acaba poucos anos depois devido ao serviço militar.  
  
(retirado de bigslam.pt)

Embora oriundos de Ovar, e formados ainda na década de 50, o Conjunto Oliveira Muge só começa a fazer carreira em 1962 quando vão para Moçambique, onde passam a actuar regularmente na rádio, televisão e festas. Cantando em inglês, português e italiano em 1964 são considerados pela imprensa “O Melhor Conjunto de Gente Nova”, e em 1965 gravam o primeiro EP. No ano seguinte vão a África do Sul onde gravam o disco com o seu maior êxito, A Mãe. Em 1968, o Conjunto Oliveira Muge regressa a Portugal mas volta para Moçambique onde continuaram a tocar até 1974, altura em que o grupo se separa e retorna a Portugal.


Da Guiné, além de José Manuel Concha, há apenas o registo de Os Lords, os Big Star e de um 1º Concurso de Ritmos Modernos da Guiné Portuguesa, organizado pela Plateia e patrocinado pelo Movimento Nacional Feminino.

sábado, 30 de abril de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 23

A organização de espectáculos pelo Movimento Nacional Feminino também se estendeu às colónias portuguesas. Em 1964 foi organizado o já referido 2º Festival Musical de Macau, onde participaram os vitoriosos Grey Coats e os Colourful Diamonds, entre outros.

Em 1965 abriram as inscrições para o 1º Concurso de Ritmos Modernos da Guiné Portuguesa e organizou-se o Festival da cidade da Beira, Moçambique, ao qual assistiram 7.000 pessoas e participaram Os Apaches, Os Rebeldes, Mirabaía, Mistério, Os Piratas, Os Falcões, Silhuetas e Os Vikings.

Os festivais continuaram a acontecer pelo resto da década. Desde o 1º Festival de Música Yé-Yé de Coimbra, em Abril de 1966, ao Grande Festival Yé-Yé de Luanda, que contou com os Five Kings, Brucutus e Gansos Selvagens, entre muitos outros, passando pelo 1º Festival Musical do Porto, organizado por Mário Tomás, em Outubro de 1966 onde participaram Os Teias, Os Flinstones, Os Jactos, Os Nautilus, Os Zodíacos, Os Exodus, Os Raios Negros, o Conjunto Feminino As Cinco Estrelas, etc., o Festival de Ritmos Modernos dos Açores, o 1º Concurso Académico de Música Moderna no Cinema Império em Junho de 1968, o 1º Festival de Conjuntos Ligeiros Amadores do Minho, realizado em Guimarães em 1969, o Festival de Inverno, no Coliseu, entre outros...

domingo, 20 de março de 2011

“Ritmos Modernos da Nova Vaga: o rock em Portugal na década de 60” – Parte 13

Mas quando todos começaram a querer ser como os Beatles essas tendências de baile foram ultrapassadas e por todo o país e colónias formaram-se grupos como Os Rockers e Os Galos de Guimarães, Fantasmas de Unhais da Serra, Os Farras de Lisboa, Big Star da Guiné, Vagabundos do Ritmo de Évora, Conjunto Manchester da Covilhã, Os Charruas de Santarém, Os Dallas e Os Kings de Caldas de Vizela, Os Blusões Negros, Os Espaciais e Os Morgans do Porto, Os Cábulas de Olhão, Diamantes Negros de Sintra, Os Cometas, Conjunto Nice 64, Os Gaúchos, Armindo Rocky, Augusto Rock,Os Gatos Dourados, Fantasmas do Diabo, Os Martinis, entre outros.


Mas de todas as bandas que os Beatles influenciaram, foram os Sheiks os que mais se destacaram. Quatro rapazes da Avenida de Roma, cuja a bebida preferida era leite[1], num espaço de dois anos conseguiram gravar oito discos de originais e ver discos seus publicados por editoras inglesas, brasileiras, espanholas e francesas, gerando uma sheiks-mania.


[1] De acordo com biografia publicada no insert do disco Portuguese Nuggets, volume 1, Galo de Barcelos Records, 2007