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Tuesday, March 18, 2025

INGRATIDÃO E PERVERSIDADE

 O ROMANCE DE JIM

Um melodrama sobre a paternidade e a passagem do tempo, sobre amor, ingratidão e  perversidade.

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No Nimas, 
Um cinema sem pipocas.

Sunday, February 23, 2025

BOB DYLAN, ENQUANTO JOVEM

                                                     A Complete Unknown

"Em 1960, um jovem chamado Robert Zimmerman – interpretado por Timothée Chalamet que, com este papel, está nomeado para o Óscar de melhor actor – deixa Duluth, no Minnesota, e chega a Nova Iorque com o objectivo de conhecer Woody Guthrie (1912-1967), o seu grande ídolo, e de se afirmar como músico e compositor.

Robert impressiona Guthrie e o seu amigo Pete Seeger (1919-2014)​ e​, em 1962, já com o nome de Bob Dylan, lança o primeiro álbum, um disco que mistura folk, blues e gospel. A 24 de Julho de 1965, já famoso e como cabeça de cartaz do Newport Folk Festival (que tinha sido iniciado em 1959 em Rhode Island), Dylan decide tocar com uma guitarra eléctrica. Essa decisão, controversa e muito criticada por alguns puristas do folk, deu início a uma revolução no seu percurso.

Com canções poéticas e cheias de significado, Bob Dylan foi o primeiro (e, até agora, o único) artista na história a ganhar, em 2016, um Prémio Nobel da Literatura e um Pulitzer pela sua obra, assim como um Óscar, um Grammy e um Globo de Ouro – os três últimos pelo tema Things have changed, composto para o filme Wonder Boys - Prodígios."

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                                           Bob Dylan, 83 anos de idade 

 

Saturday, February 08, 2025

IMAGEM DE UMA MÃE

 

                                                                  IMAGEM DE UMA MÃE

"Realizada em 1959, esta é a última obra de Hiroshi Shimizu (também autor de O Som do Nevoeiro), que volta a um dos seus assuntos predilectos: a relação entre pais e filhos. Aqui, conhecemos o jovem Michio e o seu pai, Sadao, que, ainda em luto pela morte da esposa, é pressionado a casar-se com Sonoko, uma mulher bondosa que também tem a seu cargo uma filha pequena. Mas Michio, muito fragilizado pela perda, resiste em aceitar a nova parceira do pai."

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Monday, February 03, 2025

ACERCA DA ESTUPIDEZ TEOCRÁTICA NO IRÃO

  

A SEMENTE DO FIGO SAGRADO

Realização excelente sobre um assunto muito sério e grave, com uma finalização cómica, que desvaloriza o drama. 
Há muito tempo que não via uma sala de cinema quase esgotada. 
Parte do público bateu palmas no fim da sessão: uma reacção raríssima em sessões de cinema.
 
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Saturday, January 25, 2025

O BRUTALISTA

 

 

            THE BRUTALIST

          Sinopse resumida

Nomeado para 10 Óscares.
Não parece que tenha merecimento para tanto.
***
 

Tuesday, January 21, 2025

Sunday, January 12, 2025

EMIGRAÇÂO CLANDESTINA - AS RAÍZES DO MAL

 

                                                  A História de Souleymane
                                                         de Boris Lojkine,
 
é uma de milhentas histórias de emigrantes vítimas de circunstâncias já muito contadas e, apesar de tão contadas continuam a repetir-se imparavelmente.
Imparavelmente,  porque, apesar da mobilização de boa vontade, nem sempre inteiramente genuína, de grupos activistas de socorro, denúncia ou ajuda, não se antevê forma de erradicar a crueldade que parece congénita da espécie humana.
 
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Friday, December 20, 2024

TUDO O QUE IMAGINAMOS COMO LUZ


                             ou a persistência da subserviência feminina em grande parte da Índia.

Três mulheres a viver em Bombaim: Prabha (Kani Kusruti), enfermeira-chefe de um grande hospital, recebe em casa uma panela eléctrica que parece ter sido enviada pelo marido, emigrado na Alemanha, de quem há muito não tinha notícias; Anu (Divya Prabha), colega de trabalho e de quarto de Prabha, não aceita a ideia de um casamento arranjado e está apaixonada por Shiaz (Hridhu Haroon), um jovem muçulmano, com quem anseia encontrar-se a sós; já Parvaty (Chhaya Kadam), cozinheira no mesmo hospital, enfrenta a possibilidade de perder a casa onde vive e decide regressar à pequena cidade onde nasceu.

Através do dia-a-dia de cada uma delas, o espectador assiste à luta das classes trabalhadoras (especialmente mulheres) na maior cidade da Índia, onde a vida é difícil e o progresso choca muitas vezes com a tradição.

Primeiro filme indiano a receber o Grande Prémio em Cannes (e o primeiro em 30 anos a competir pela pela Palma de Ouro), um drama com assinatura da indiana Payal Kapadia, que aqui se estreia na realização em longa-metragem de ficção, depois do documentário “Noite Incerta” – que, em 2021, lhe valeu o Prémio Oeil d’Or na Quinzena dos Realizadores, em Cannes, e o de Melhor Filme no Lisbon Film Festival (LEFFEST). PÚBLICO

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Sunday, December 15, 2024

SE É PROIBIDO VER, VEJA-SE!

 

 

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O MEU BOLO FAVORITO

"O filme, com uma intimidade preciosa e frágil numa sociedade opressiva, foi proibido no Irão e as autoridades confiscaram os passaportes dos realizadores, que também estão impedidos de filmar " . Jornal Medeia Nimas

Sunday, November 10, 2024

A SUBSTÂNCIA

A continuidade do Aliás depende do seu merecimento, avaliado por comentários, críticas, sugestões, correcções, de quem o lê.

  A SUBSTÂNCIA 

Recomendado por várias credenciais, fomos ver, mas saímos minutos antes do fim.

À saída, considerámos o filme repugnante.
Depois quisemos ver algum lado positivo. E de repugnante, não além mas apesar disso, considerámos a obra chocante. Chocante, porque trata um tema que não pode ser ignorado; mas que o realizador aborda com tanto excesso de brutalidade que torna repugnante a sua obra. - A SUBSTÂNCIA
 

Monday, November 04, 2024

LIVRE ARBÍTRIO* RUSSO AMERICANO NA CAMA

  Anora 


Palma de Ouro do  Festival de Cannes em 2024, com boas apreciações da crítica; fomos ver, ontem.

Escrito e realizado por um norte-americano, Anora é um drama em modo de comédia, muito oportuno num momento em que se, como parece vir a acontecer, Trump for amanhã eleito para um segundo mandato, por livre arbítrio dos norte-americanos. Nunca as relações russo-americanas, ou vice versa, foram tão ternas para ambos os parceiros, e tão preocupantes quanto impotentes para muitos dos que assistem ao desenvolvimento da trama que ameaça terminar, quando não se sabe, de modo trágico.

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Algures, em Nova Iorque, o filho de um oligarca russo, um rapaz de 20 anos, levado pelo free will que uma fortuna imensa incentiva, embala-se em lap dances com uma stripper e enrola-se com ela na cama em non stop-fucking que dura três semanas. 
Ela é usbeque-americana de Brigton Bridge, um enclave russófono na cidade de Nova Iorque. Porque tem conhecimentos rudimentares da língua russa, um dos empresários no negócio de prostituição encaminha-a para o rapaz russo. 
Que de tão entusiasmado com a ocasional relação propõe que se casem em Las Vegas, onde os formalismos são escusados, e o casamento é selado com um anel com um diamante de muitos quilates. 
A história do casamento da prostituta com o filho do oligarca dura apenas o tempo suficiente para, após alguns incidentes rocambolescos, de vulgar comicidade, o oligarca tenha o filho nas mãos e o casamento anulado em três tempos por dez mil dólares. 
Uma ninharia para o oligarca, que levou o filho de volta a casa, na Rússia, para que ele cumprisse o fim para que fora concebido: oligarca, filho de oligarca.
Quanto a Anora, a prostituta usbeque-americana, continuou, por seu livre arbítrio, a deliciar olhares gulosos e desejos insatisfeitos.
Poderia o jovem oligarca ter escolhido, por seu livre arbítrio, outro caminho? Qual e porquê?
Poderia a jovem usbeque-americana ter optado por uma carreira diferente? Actriz, bem sucedida, por exemplo, como na vida real é? Poderia, mas essa seria outra história, por onde o seu livre arbítrio não a conduziu.
*
Livre arbítrio é o poder que cada indivíduo tem de escolher as suas ações, que caminho quer seguir. A expressão é utilizada por diversas religiões, como o cristianismo, o espiritismo, o budismo etc. 
Os deuses querem o bem dos indivíduos; os indivíduos são livres de querer e fazer o quiserem. 


Saturday, May 25, 2024

DIFERENTES SABORES DA VIDA

Dois bons filmes, dois realizadores:
um norte-americano, 94 anos de idade, transmite a desolação da mulher de Tolstoi, ignorada pelo marido, um dos maiores escritores de toda literatura mundial, depois de um relacionamento intensamente apaixonado.
Outro, nascido vietnamita, 62 anos de idade, emigrado em França desde 1950, retrata um ambiente aristocrata no século XIX centrado no prazer de comer e da reinvenção da arte de cozinhar elevada ao patamar maior da arte culinária. Termina marcada pela perda, por exaustão?, da cozinheira e amante do homem que tinha como paixão maior a intensa dedicação à sua arte.
 
                                                                              

"Frederick Wiseman (n.1930), um dos mais importantes documentaristas americanos, além de encenador de teatro. Aqui, filma Nathalie Boutefeu, com quem co-escreveu o guião, numa interpretação a solo como Sofia Tolstaya, a esposa de Leon Tolstói."

 

                                                                       O SABOR DA VIDA
                                no original "La Passion de Dodin Bouffant", antes "The Pot-au-feu"

Saturday, March 30, 2024

PRR JAPONÊS

PRR Japonês
PRR Portugês
- Descubra das diferenças a partir da segunda parte deste apontamento
 
Na página da Medeia FilmesEvil Does Not Exist - O Mal não Está Aqui. a sinopse do filme, começa pela referência elogiosa à carreira do realizador japonês Aku Wa Sonzai Shina, que lhe valeu diversos prémios. Não conhecemos outros filmes deste cineasta para além daquele que assistimos ontem, - no Nimas, uma sala modesta, sem pipocas nem coca cola, que se destaca dos buracos para projecção de filmes nos centros comerciais -  a abordagem feita pela generalidade das apreciações foca-se no aspecto mais saliente desta obra, a ecologia, as consequências decorrentes das agressões feitas ao equilíbrio natural do meio ambiente. Em resumo:
"Evil Does Not Exist - O Mal Não Está Aqui", o novo filme de Ryusuke Hamaguchi, pai e filha confrontam-se com a ameaça à sua vida em comunhão com a natureza. Filme é um conto ecológico sobre a construção de um parque de campismo de luxo".
 
O título que atribuí a este comentário, não corrige nem procura de algum modo contraditar as apreciações feitas pela generalidade da crítica especializada na arte cinematográfica porque apenas procura ver para além da temática central do filme que, no entanto, opta no fim por uma deriva que não é determinante para a pertinência da obra e que, pela minha perspectiva, o desvaloriza: um argumento menos forte tende a debilitar um argumento forte. 
 
O que no entanto parece ter escapado à generalidade dos críticos é a similitude entre as causas e as consequências em que se atravessam conveniências e conivências na subsidiação de planos de desenvolvimento económico e social (planos de recuperação e resiliência) após os anos de retrocesso da pandemia covid 19. 
No caso concreto que motivou este filme, e que parece corresponder, pelo menos parcialmente, a factos reais, uma empresa, supostamente especializada na caça de talentos, elabora um plano de instalação de um camping de luxo, destinado a altos quadros de grandes empresas situadas em grandes cidades (Tóquio é a 
referida no filme, como exemplo) que procuram férias num ambiente natural tão selvagem quanto possível para recuperarem da exaustão física e psicológica dos meses de trabalho intenso nos grandes centros urbanos. 
E enviam dois supostos talentos ao local onde vai ser instalado o camping de luxo para informarem os residentes, uma comunidade que ali vivia desfrutando a tranquilidade da natureza. 
É um requisito fundamental para aprovação do plano que os residentes sejam ouvidos, mas não necessariamente  atendidas as suas objecções. Os dois talentos, que se vem a saber depois que de talento terão pouco e conhecimento do assunto objeto da sua missão ainda menos, enfrentam, entre outras objecções dos residentes, uma  de ultrapassagem impossível para os dois talentos: o camping requer a instalação de uma fossa séptica que drenará os seus efluentes para os lençóis freáticos contaminando as águas puríssimas da região. 
Por esta razão, entre outras, voltam os dois talentos a Tóquio para transmitirem à direcção da empresa de caça de talentos as razões dos residentes. E que melhor seriam mesma que direcção ouvisse os residentes, presença, aliás, reclamada por estes.
Enfureceu-se a direcção à distância, a direcção está bem longe dali, ordenando aos dois talentos que voltassem ao local, e convencessem os residentes, se preciso fosse corrompendo o líder dos contestatários, caso contrário o projecto não seria atendido, a empresa perderia muito dinheiro e eles perderiam o emprego.
E que tudo deveria estar feito como devia, dentro dos prazos exigidos pelas regras de atribuição de fundos e subsídios atribuíveis segundo o plano de recuperação e resiliência após o tombo provocado pelo covid. 
Dos dois talentos, um desistiu, o outro terá morrido de exaustão.  

Lá como cá. Cá,  desde há muito tempo.
Escrevi aqui em 2 de Março: se ganhares, perdes; se perderes, ganhas.
Ganhou Montenegro.
O quê?


 

--- A propósito disto, 
 

Friday, January 26, 2024

OS BANCOS ASSALTAM-SE POR DENTRO

Houve tempos em que os assaltos a bancos eram conseguidos a tiro se o caixa não atendia à ameaça velada, "passa por cá toda a massa que há aí ou hoje não sais daqui vivo". Geralmente, não havia tiros, toda a gente se safava, sobretudo os assaltante que desapareciam num abrir e fechar de olhos, a cavalo, ou, mais tarde em bólides de velocidade inalcançável pela polícia.

Esta era a cena mais que repetida em filmes do oeste ao faroeste norte-americano. 
Um destes filmes, mais gozado pela assistência, com vários festivais de tiros da polícia foi "Bonnie e Clyde", de 1967, que ia buscar à realidade vivida por um casal durante a "Grande Depressão". Terão matado, realmente pelo menos nove polícias e inúmeros civis, mas o filme era empolgante, e ninguém saía da sala a pensar nas vítimas.

Em Portugal, em 1967, houve um assalto ao Banco de Portugal na Figueira da Foz, por Camilo Mortágua e Palma Inácio, mais dois aventureiros seus conhecidos.
A filial do Banco de Portugal na Figueira, ocupava um espaço muito restrito, quem tinha na cidade instalações à maneira era o Banco Nacional Ultramarino.
Não houve tiros, porque a surpresa gelou os funcionários em serviço, tornou-se rocambolesca porque ninguém tinha as chaves do cofre, que era o gerente e, mesmo assim, não era assunto que se resolvesse logo que chegasse o gerente.
No fim, tudo correu bem, sem ter corrido sangue, os larápios saíram com o que havia.
Eu não estava lá, mas um médico muito nosso conhecido, que estava no local e assistiu a toda a confusão silenciosa enquanto os assaltantes não se puseram ao fresco com as malas cheias de massa, tossia de tanto se rir ao descrever as peripécias ocorridas naquela tarde de maio de 1967.

Vem isto a propósito de um assalto a um banco, por dentro do banco, com urbanidade, como convém em nas sociedades civilizadas de hoje. Sem tiros e mais proveitos. 
Está contado em "Os Delinquentes", e também pode ser visto no Nimas, um espaço onde vê bom cinema, sem pipocas.

Vale bem quatro estrelas.


Thursday, January 18, 2024

NEO-REALISMO DESLOCADO

 
também pode ser visto no Nimas, onde há bom cinema sem pipocas.
A generalidade da crítica atribui-lhe três ou quatro estrelas, um ou outro o máximo, cinco estrelas, mas com a bitola colocada tão alta, desilude.
 
"Duas pessoas solitárias encontram-se por acaso na noite de Helsínquia e tentam encontrar o primeiro, único e último amor das suas vidas. Mas o caminho para atingir esse objectivo é cheio de obstáculos: o alcoolismo, números de telefone perdidos, não saberem o nome um do outro. E a tendência geral da vida em criar obstáculos no caminho daqueles que buscam a felicidade ..."
 
O realizador finlandês reside no inverno em Portugal, gosta de ir almoçar peixe a Matosinhos, compara os portugueses aos finlandeses na moderação das conversas em locais públicos, e tem predileção por evidenciar no seu cinema as dificuldades das vidas dos perdedores. Mas a comparação é, neste caso, não conheço as suas outras obras, deslocada. 
 
A Finlândia ocupa no ranking do HDI (indicador do desenvolvimento humano) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, no relatório anual 2021/2022, o 11º. lugar, Portugal o 38º. A taxa de incidência de pobreza em Portugal em 2022 ascendeu a 25,6%; o risco de pobreza na Finlândia é de 12,7%, e, reportando-se este indicador ao nível médio dos salários, aqueles que se encontram em situação de pobreza na Finlândia são muito menos pobres que os muito pobres portugueses. 
 
Um dos focos determinantes nas dificuldades da vida dos perdedores (loosers, na terminologia do realizador finlandês) é o alcoolismo. Também neste caso o consumo per capita de alcool, em litros de alcool puro, é significativamente superior em Portugal (10,37 litros) ao que se observa na Finlândia (8,23)
Se a intenção do sr. Aki Kaurismäki é causar estremecimento evidenciando a desgraça dos perdedores, escolheu mal o local. 
Aqui, neste país que ele tanto gosta, come bem quem pode comer bem.
 
O filme tem uma magnífica fotografia, uma história simples, e é curta.
Recomendo-o. Concedo três estrelas.

(Retire-se desta foto o personagem masculino, situação que ocorre na cena seguinte do filme, e a pintura de Edward Hopper - pintor da solidão - é flagrante)

Público

Expresso

Monday, January 15, 2024

AS ERVAS SECAS

está no
onde se pode ver bom cinema sem pipocas
 

As ervas secas, na Anatólia; mas não é apenas da Anatólia que a primavera se ausenta.
"Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida ..."
 Não há não não, Florbela. Não há primaveras para toda a gente. É lamentável, mas não há.

 --- ver também

O que há de amargo nos homens 

Era uma vez na Anatólia

Sono de Inverno 

A Pereira Brava 

Sunday, January 07, 2024

DIAS PERFEITOS?


                                                            Dias perfeitos - Wim Wenders

"Neste delicado drama do quotidiano, Wim Wenders narra a história de Hirayama, um japonês que aparenta encontrar a felicidade numa vida simples enquanto empregado de limpeza de casas de banho em Tóquio. Para além da sua rotina meticulosa, Hirayama nutre uma paixão pela música, pelos livros e pela fotografia de árvores. Através de uma série de encontros inesperados, são revelados detalhes do seu passado que desencadeiam uma reflexão profundamente poética e comovente sobre a capacidade de encontrar beleza no mundo que nos rodeia. Perfect Days estreou-se no Festival de Cannes, onde conquistou o Prémio de Melhor Actor, atribuído pela notável interpretação de Koji Yakusho e o Prémio do Júri Ecuménico."

Uma pergunta me ocorre depois de ter visto o filme: se o empregado de limpeza de casas de banho fosse, por exemplo, jardineiro, os seus dias seriam menos perfeitos? Ou seriam igualmente perfeitos apesar de, aparentemente, o emprego como jardineiro parecer mais afim das paixões a que se dedica nos tempos livres? Ou os dias perfeitos só se encontram na realização daquilo que os outros geralmente não aceitam? Ou apesar disto?

Thursday, November 30, 2023

HÁ ÓDIO POR MUITO LADO

CONVIVÊNCIA SÓ AQUI, ALI E ACOLÁ
 
São frequentes as manifestações, geralmente com distúrbios pelo meio, reclamando medidas contra a entrada de emigrantes que lhes perturbem o sossego da vida, ou a favor da integração de refugiados à procura de um lugar no mundo onde possam viver. 
O ódio, o racismo, a xenofobia, os nacionalismos, incendeiam as sociedades e ameaçam incendiar o planeta antes que alterações climáticas o destruam ou a guerra nuclear, disparada  pelo ódio em crescimento acelerado, acabe por destruir todas as espécies vivas.
 
 
The Old Oak Pub é uma ingénua história sobre uma micro sociedade que descobre na convivência entre culturas distintas a solução para erradicar o instintivo impulso de confronto e destruição da espécie humana. 
É, certamente, essa ingenuidade da história contada neste filme, que cativa a apreciação de uns e move a crítica de outros.
À saída do cinema sentimos-mos animados com a mensagem, momentos depois somos atropelados pela realidade.
 
- E tu, que admiras e aplaudes as medidas de integração de estrangeiros na tua cidade,  acolherias em tua casa uma família de refugiados? 
- Eu não, não posso, casa pequena, percebes?
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 “Se escolheres a história certa, alcanças uma visão profunda de como o mundo funciona” dizia o decano Ken Loach, que não desiste da prática de um cinema politicamente consciente e socialmente interventivo, focado na experiência fragilizada da classe trabalhadora. Escolheu a história de T.J. Ballantyne (Dave Turner), que luta para manter aberto o seu pub, o “Old Oak”, último local de convívio numa comunidade mineira desvalida do norte da Inglaterra. A chegada de um grupo de refugiados sírios acende tensões raciais, mas a inesperada amizade de T.J. com a jovem Yara (Ebla Mari) faz despontar a esperança num futuro mais unido e radioso." c/p - c/p aqui

Obs . - O castelo normando do filme é uma construção cinematográfica concebida para o efeito e não corresponde a nenhum dos castelos do condado de Durham.

Recomenda-se, a propósito:  The History of Durham Castle

Saturday, November 25, 2023

HÁ SUSPEITOS A MAIS

 


"Mais cedo ou mais tarde, todos os Detetives da Polícia são confrontados com um caso que os persegue e atormenta para o resto da vida. Para Yohan, foi o assassinato de Clara. O que começa como uma investigação profunda da vida da vítima rapidamente se transforma numa incomoda obsessão pelo crime que lhe tirou a vida. Suspeitos não faltam! Os interrogatórios intensificam-se, deixando Yohan cada vez mais submerso nas suas dúvidas. Só há uma certeza, o crime ocorreu na noite do dia 12." - c/p aqui

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Saturday, October 28, 2023

E CONTINUÁMOS FELIZES FIÉIS COMUNISTAS

 
O SOL DO FUTURO, na tradução portuguesa do título original italiano "IL SOL DELL´AVVENIRE", é a mais recente realização de Nanni Moretti, insatisfeito por produzir/realizar tão pouco.
A motivação de agora é a Revolução Húngara de outubro de 1956, esmagada menos de um mês depois pelos tanques soviéticos. Nanni Moretti, enredado em dúvidas (e dívidas) sobre a forma como concretizar o seu objectivo artístico e no relacionamento com a sua mulher, também ela envolvida na arte cinematográfica, acaba por terminar o filme com uma saída irónica (só pode ser irónica) que resume as consequências das fracturas que a revolução húngara de 1956 teve no movimento comunista internacional, com particular incidência nos países não abrangidos pela constelação soviética: estamos com os que combatem pela liberdade em Budapeste mas continuamos fiéis ao nosso partido. 
O drama vivido em Budapeste naqueles breves dias de uma revolução abafada que matou mais de 2,5 mil soldados húngaros e cerca de 700 soldados soviéticos e causou mais de  200 mil refugiados húngaros, prisões em massa e denúncias que continuaram durante meses, não faz parte do guião de Nanni Moretti.
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É curiosa a coincidência de há já muito tempo o governo húngaro após a fragmentação da União Soviética ser hoje, para além de membro materialmente interessado na União Europeia, um descarado apoiante do regime em Moscovo e admirador da sua política tendencialmente totalitária. 
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Correlacionados - 

                                                                  O SOL DO FUTURO

"Giovanni é realizador e marido de Paola, uma produtora de cinema com quem trabalha há anos. Enquanto ele se dedica a uma longa-metragem sobre a Revolução Húngara de 1956, ela começa a trabalhar numa outra produção cinematográfica, algo que o deixa bastante ressentido.

E tudo parece estar contra o projecto de Giovanni: a indústria cinematográfica enfrenta mudanças de paradigma difíceis de contornar, o seu casamento aparenta alguns sinais de estar em crise e o co-produtor do seu filme está à beira da falência. Com tudo isto a acontecer ao mesmo tempo, ele vê-se a repensar a forma como encara a vida e a própria arte, a quem se entregou de corpo e alma." - c/p aqui