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Thursday, November 30, 2023

HÁ ÓDIO POR MUITO LADO

CONVIVÊNCIA SÓ AQUI, ALI E ACOLÁ
 
São frequentes as manifestações, geralmente com distúrbios pelo meio, reclamando medidas contra a entrada de emigrantes que lhes perturbem o sossego da vida, ou a favor da integração de refugiados à procura de um lugar no mundo onde possam viver. 
O ódio, o racismo, a xenofobia, os nacionalismos, incendeiam as sociedades e ameaçam incendiar o planeta antes que alterações climáticas o destruam ou a guerra nuclear, disparada  pelo ódio em crescimento acelerado, acabe por destruir todas as espécies vivas.
 
 
The Old Oak Pub é uma ingénua história sobre uma micro sociedade que descobre na convivência entre culturas distintas a solução para erradicar o instintivo impulso de confronto e destruição da espécie humana. 
É, certamente, essa ingenuidade da história contada neste filme, que cativa a apreciação de uns e move a crítica de outros.
À saída do cinema sentimos-mos animados com a mensagem, momentos depois somos atropelados pela realidade.
 
- E tu, que admiras e aplaudes as medidas de integração de estrangeiros na tua cidade,  acolherias em tua casa uma família de refugiados? 
- Eu não, não posso, casa pequena, percebes?
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 “Se escolheres a história certa, alcanças uma visão profunda de como o mundo funciona” dizia o decano Ken Loach, que não desiste da prática de um cinema politicamente consciente e socialmente interventivo, focado na experiência fragilizada da classe trabalhadora. Escolheu a história de T.J. Ballantyne (Dave Turner), que luta para manter aberto o seu pub, o “Old Oak”, último local de convívio numa comunidade mineira desvalida do norte da Inglaterra. A chegada de um grupo de refugiados sírios acende tensões raciais, mas a inesperada amizade de T.J. com a jovem Yara (Ebla Mari) faz despontar a esperança num futuro mais unido e radioso." c/p - c/p aqui

Obs . - O castelo normando do filme é uma construção cinematográfica concebida para o efeito e não corresponde a nenhum dos castelos do condado de Durham.

Recomenda-se, a propósito:  The History of Durham Castle

Wednesday, August 02, 2023

MATA O BRANCO! MATA O PRETO! MATA O BRANCO! ....

............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
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............. mata o branco!!!
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............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
............. mata o branco!!!
........  mata o preto !!!!
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........ hum!!! ... sobras tu ... estás aí!.... eu sei que está aí!... estás aí!.... eu sei que está aí!...... PUM!PUM!PUM!....
... PUM! PUM!PUM! .....
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(Há milhões de anos, bípedes passaram por aqui...)
 
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Elon Musk raises the specter of ‘white genocide’

Over the weekend, the Economic Freedom Fighters, a far-left South African political party, staged a massive rally in Johannesburg to celebrate its 10th anniversary. The faction’s leader, the incendiary Julius Malema, appeared onstage in his trademark red beret and belted out an apartheid-era song, in a raucous call and response with the thousands in attendance. To someone unfamiliar with Malema’s demagoguery, the words were startling: “Shoot to kill,” he intoned. “Kill the Boer” — a term for white Afrikaners — “kill the farmer.”

In the United States, news of the event set right-wing social media aflame. Benny Johnson, a far-right provocateur with a large following, tweeted a video of Malema singing and suggested that the proceedings were “all downstream from the rotten secular religion of wokeness … plaguing America today” — seemingly oblivious to the possibility that the chant could be the product of a country with a vastly different political history than that of the United States. Like clockwork, Twitter’s most conspicuous South African appeared in Johnson’s replies .....

... “They are openly pushing for genocide of white people in South Africa,” tweeted Elon Musk, the Pretoria-born CEO of Tesla, Twitter — rebranded as X — and a handful of other tech companies, before asking why South African President Cyril Ramaphosa had said “nothing” about the incident...

 

 

Tuesday, November 08, 2022

OS DEPLORÁVEIS

"They're racist, sexist, homophobic, xenophobic, Islamophobic" - Hillary Clinton - 9 de Setembro de 2016 
"Make no mistake — democracy is on the ballot for us all. " - Biden - Remarks by President Biden on Standing up for Democracy - 2 de Novembro de 2022   
 
"Os 25 norte-americanos mais ricos quase não pagam impostos" - aqui
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A.,

Perguntaste-me há dias se eu percebia porque é que metade dos brasileiros votaram em Bolsonaro e a outra metade, os mais pobres, em Lula, enquanto, grosso modo, nos EUA, os estados mais desenvolvidos, tanto económico como culturalmente, das orlas leste e oeste, votam nos "democratas", liberais, e os dos estados do interior, mais pobres  e menos instruídos, votam nos republicanos, conservadores e ultra-conservadores.

Do meu ponto de vista, tanto no Brasil como nos EUA, a divisão é fortemente determinada pelo nível geral de desenvolvimento económico e social e a geografia do voto reflete essa partilha. No Brasil votaram em Lula os estados onde, por múltiplas razões, são mais elevados os níveis de pobreza e o discurso (e a prática)  de Lula é mais direccionado para as necessidades de larga maioria das populações do norte e, principalmente, do nordeste do país. 
Bolsonaro, na recta final da campanha, ainda correu para o norte e nordeste a prometer políticas assistenciais, mas a promessa tardia já viu o pobre de costas.
No Brasil observou-se  voto útil em causa própria.
 
 
 

 
Nos EUA, pelo contrário, nos estados menos económico e culturalmente desenvolvidos, onde há ressentimento das comunidades rurais contra os privilégios, o cosmopolitismo,  dos grandes meios urbanos, a votação volta-se maioritariamente para os republicanos conservadores e ultra-conservadores que exaltam os valores antigos, contra a imigração, a homofobia, a prevalência do homem, a subalternização da mulher, a xenofobia, e, muito sobretudo, a fé num líder iluminado capaz de conduzir o rebanho segundo os desígnios prescritos nas escrituras sagradas. Não lhes importa a fuga dos multimilionários aos impostos, indignam-se com os impostos que pagam. Votam em promessas de retrocesso de um mundo que consideram a percorrer maus caminhos. E, consequentemente, apoiam Trump e os seus acólitos, que rejeita o estado de direito, as decisões dos tribunais, porque ninguém se pode posicionar acima dele, o deus dos deploráveis.  
 
Hillary Clinton considerou deploráveis estes que não votam em causa própria. Arrependeu-se no dia seguinte e Trump não largou o osso até ao fim da campanha. Hillary fez mal e, também por isso, perdeu a eleição em 2016. Deveria ter esclarecido os destinatários, devia-se ter batido pelas razões subjacentes à designação que usou. 
Biden, há dias, enfatizou o apelo à defesa da democracia, mas foi um apelo que serviu os interesses de Trump e seus correligionários que sabem que, deploravelmente, a democracia é precisamente aquilo que o deploráveis rejeitam.
Eles, Trump, Bolsonaro, Putin, Xi Jinping, ... e tantos outros porque a mancha do totalitarismo, da autocracia, está a alastrar como há noventa anos.

Saturday, October 01, 2022

23andMe

- Eu sou cinquenta por cento arménio, a L.(a mulher dele) é cem por cento arménia. Sou cinquenta por cento arménio e cinquenta por cento judeu. A minha trisavó era judia.  E tu, és cem por cento português?
 
- Nasci em Portugal, sou português. Tanto quanto consigo recuar na minha genealogia, só encontro gente nascida neste país. A este pequeno território, a que hoje chamamos Portugal, chegaram as mais diversas gentes  das mais variadas origens ao longo dos milénios com registo histórico,  e daqui partiram no século quinze portugueses ao encontro das mais diversas e variegadas gentes em longínquos sítios do planeta. Não há, desculpa que te diga, meu amigo, nenhum povo no mundo com uma só raiz. Terei marca no ADN de raiz lusitana, grega, romana, visigótica, céltica, árabe, palestiniana, judia? Se enviasse cuspo para análise, o mais provável é que o resultado me garantisse que sou cem por cento português. E continuaria sem saber o que é isso; mas sei que, entre os portugueses, não há problemas de identidade nacional, mesmo depois do tremendo tombo com a  perda do Império no século dezasseis. Ainda assim, sobrou até há quase cinquenta anos pequena parte fora deste rectângulo que nos calhou em sorte, mas o ADN manteve-se. E o 23andme, não pode garantir-me o contrário. Não, não vou querer saber o que sei de fonte segura: sou, somos todos resultado de uma mistura.
 
 

Friday, April 08, 2022

MACRON E O DESTINO DA EUROPA

 c/p The Economist

Why Macron matters

France’s president presents a cautionary tale for centrists everywhere


Britain had voted the previous year to leave the European Union. America had just elected Donald Trump. Across Europe populists were climbing in the polls, even in sober places like Sweden, Denmark and Germany. The far left were in power in Greece. Italy’s Northern League would soon enter government as half of an all-populist coalition that flirted with leaving the euro and rebuffed migrants rescued in the Mediterranean. All around the rich world politicians who promised to raise walls, ignore experts and turn back the clock to an imaginary golden age were in the ascendant. No wonder Mr Macron’s triumph in one of Europe’s most pivotal countries brought sighs of relief.

On April 10th Mr Macron will face voters once again. This time he is running not so much on his aspirations for the radical centre, but on his record as a nuts-and-bolts reformer, on his vision for world affairs, and as a leader who has reinvigorated French politics. In one sense, Mr Macron looks as if he will soon be able to say his record has been vindicated. Our election model gives him a 98% chance of making the second round on April 24th and a 78% chance of winning re-election (albeit a number that has recently been shrinking). Victory would be a remarkable achievement. Not since Charles de Gaulle in 1965 have the French re-elected a president who has a majority in the assembly. However, the closer you look, the more liberals around the world should see Mr Macron as a cautionary tale.

It is in economic policy that his centrism has been most successful. Before taking office in 2017, he argued that France should be open to globalisation, but try harder to equip its citizens with the skills they needed to adapt to change. His pro-market labour and regulatory reforms embodied this philosophy and they have led to an impressive rebound in employment and new-business creation. Rather than trying to preserve redundant jobs, he has boosted training and early education. At the European level, he was a driving force behind the establishment of the NGEU, a €750bn ($818bn) jointly guaranteed fund to help Europe’s weaker economies dig themselves out of the hole into which covid-19 had cast them.

He has, however, left plenty to do in a second term. Mr Macron has been too eager to reach for the levers of state control, whether capping electricity prices or meddling in the management of hypermarkets. For all his ENA-honed competence, he has failed to restore hope to France’s left-behind. Though his supporters would be quick to point out that covid got in the way, he has failed to overhaul the labyrinthine pensions system.

As an international statesman, Mr Macron correctly identified the threat to the Western order from a rising China and an irascible Russia. His solution was to attempt to boost the European Union—a forum where France’s voice counts—even if that undercut the institutions that bind the West together. Rather than confront Vladimir Putin, Russia’s president, he argued for building bridges. He wanted to downplay NATO, which he accused of suffering “brain death”, by building up a European counterpart. Yet, as the war in Ukraine has shown, America’s role in defending Europe is indispensable. Although his efforts to defeat jihadists in the Sahel were courageous and laudable, they have yielded few results and are now unravelling. His dealings with a puerile post-Brexit Britain were petulant—and just what Britain’s unserious prime minister wanted.

It is in reinvigorating French politics that Mr Macron has most fallen short. In the election in 2017 he trounced Marine Le Pen, a nostalgic nationalist, by 66% to 34%. If she makes it to the second round, which is likely, the polls today say Mr Macron would win only narrowly, by 53% to 47%. The proportion of French who tell pollsters that they will vote for a candidate of the nationalist right or the anti-capitalist left in the first round is 51%, slightly more than voted that way in 2017.

In other words, five years of government by the world’s centrist standard-bearer has eroded support for the centre. There are many reasons for this. War and the pandemic have polarised politics, and not only in France. Mr Macron also sometimes repels voters with his aloof Jupiterian manner. Critics dub him “le président des riches”. The label sticks, partly because he cut France’s unworkable wealth tax, but mostly because his manner is that of the high-flying banker he once was. Mr Macron also faces a problem that responsible politicians always face when running against populists. He offers policies boringly grounded in reality. They say whatever will stir up voters, whether or not it is true.

The last reason is that Mr Macron has shown an illiberal neglect of institutions. Although the old politics had too many time-serving deputies, the parties of the centre-left and centre-right have become sideshows in presidential politics. True, responsibility for renewal lay with them, but he made their job harder by poaching their best talent. What is left is a contest between Mr Macron and a cacophony of extremists on the left and the right. As a result, the nearest thing France has to an opposition leader is Ms Le Pen—a historic admirer of Mr Putin who would flout EU rules by favouring French citizens for everything from housing to jobs. Her 21% chance of becoming president is alarmingly high.

In 2016 Mr Macron wrote: “If we don’t pull ourselves together in five years or ten years, [Ms Le Pen] will be in power.” What should centrists make of the worrying fact that, despite all he has done, his words are as true today as they were then?

One lesson is that complex trade-offs struggle to defeat slogans. Politics is so much about tribes and identity that material gains in terms of jobs and economic growth are necessary but not sufficient for re-election. Another is that one person cannot sustain the radical centre. That is not only because too much is riding on each re-election and on a successor turning up, but also because, as centrists know, individuals are flawed. French centrism and its Anglo-American liberal cousins are systems. They require constant renewal, through argument and competition. Mr Macron still has our vote, but he needs company.

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Thursday, January 06, 2022

TODOS CONTRA UM

A,
 
Afinal estás em desacordo com quê?

É ou não é verdade que o Ventura joga para o ar um dos seus, mais que usados, clichês e põe em alvoroço o país político?
Reparaste que, imediatamente, António Costa e Catarina Martins, aproveitaram para desancar no Rio. Era esse o objectivo do Ventura.
Ainda ontem, Isabel Moreira, na RTP, aproveitou para enaltecer Costa e bater no Rio. Ganha o Ventura.
Aquilo que J M Tavares escreve no Público, que não está na órbita da Sic, é claro como água. O "artista" exibe os seus números e se for interpelado tem preparada a fuga para o lado. É imbatível? Não é. Rio poderia ter cortado a paródia pela base se tivesse dito que era o Ventura que tinha de escolher, após conhecidos os resultados das eleições, se apoiava Rio ou Costa, ou um alternativo de Costa, se a sua posição pesar na maioria parlamentar.
Disse-o depois mas já tinha dado muita corda ao papagaio num país onde meio mundo anda a olhar para o balão.
O problema, sim existe um problema, é que Ventura atira para o ar algumas afirmações que vão direitinhas ao que muitos portugueses pensam, e é desastroso para a democracia ignorar isto.

Desde logo a questão da prisão perpétua, que desencadeou uma reacção histérica da oposição a Rio.

Se houvesse um referendo (em países alguns democráticos este tipo de questões são decididos por referendo) quantos portugueses seriam favoráveis à aplicação desta pena em crimes que repugnam a qualquer cidadão? Apertado Ventura saiu-se com a prisão perpétua eventualmente reversível.
É um facto que na União Europeia
(transcrevo daqui : 
mas se é fonte suspeita, farás o favor de me indicar melhor)
em apenas dois países - Portugal e Croácia - não existe a pena de prisão perpétua.
Nos restantes 25 países existe, de facto, a figura de prisão perpétua ainda que com modalidades diferentes — desde logo, porque prevê a liberdade condicional depois de um período mínimo de pena.São eles: Alemanha (15 anos), Áustria (15 anos), Bélgica (15 anos), Chipre (12 anos), Dinamarca (12 anos), Eslovénia (25 anos), Espanha (25 anos), Estónia (30 anos), Finlândia (12 anos), França (18 anos), Grécia (19 anos), Irlanda (12 anos), Itália (26 anos), Letónia (25 anos), Luxemburgo (15 anos), Polónia (25 anos), República Checa (20 anos) e Suécia (18 anos)".
Vivem todos estes países em situação de barbárie civilizacional, segundo Isabel Moreira e Catarina Martins, entre outras e outros?
Sejamos lúcidos.
Ventura é, reconhecidamente, racista. Mas o seu ódio às pessoas de etnia cigana não encontra acolhimento junto de muitos portugueses? Encontra.
Ele, Ventura diz, a respeito dos ciganos, que não é racista. O que ele, diz ele, driblando,  condena é o facto de os ciganos não obedecerem às leis do país. Quem discorda? Todos, e não só os ciganos, os que habitam neste país devem obediência às suas leis. Mas se vamos por este caminho, o Ventura já está lá à frente a exibir-se noutro palco.
E é assim que  se abre caminho para a progressão do demagogo Ventura, discutindo demagogicamente Ventura.

Sunday, August 01, 2021

HÁ RACISMO NA JUSTIÇA?

Há. 
A lentidão da justiça é racista quando, como neste caso relatado hoje no Público, demora tempo imenso para se pronunciar.
Se o médico insultado fosse um branco demoraria a justiça tanto tempo a condenar o insulto?

"Pedro Gomes da Costa ganhou o caso depois de ter processado a mãe de uma criança que o insultou com “preto de merda, seu macaco”. Médico critica: “Esta senhora tem mãos livres” para ser racista “porque a sociedade é permissiva”. Lei deveria ser mais dura, defende. - aqui

Pedro Gomes da Costa será dos poucos, senão o primeiro médico em Portugal, a denunciar uma situação de racismo numa consulta, a ir a tribunal e a ganhar o processo contra a mãe de uma criança que o ofendeu em plena consulta.

Na noite de 29 de Julho de 2018 o médico de 53 anos estava a fazer o serviço de urgência no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, onde trabalha no serviço de pediatria, quando entrou uma criança de 20 meses com febre e aftas na boca, acompanhada pela mãe, Daniela Domingos. Como habitual para aquelas situações, usou uma espátula para a observar, baixou a língua da criança. Ela deu um grito. “A mãe pega-me no braço, puxa com uma violência e a partir daí começaram as ofensas: ‘preto de merda, seu macaco, você pensa que está a observar um animal? Animal é você! Isso é que era bom, a minha filha ser observada por um preto, exijo que seja observada por um médico branco!”, disse-lhe a mulher aos gritos continuando-os pelo corredor e depois na sala de espera ..."

Thursday, February 04, 2021

DITO E FEITO

Muito consideram que o Chega deve ser confrontado no campo das ideias.

Ana Gomes afirmou durante a campanha para as presidenciais que o Chega foi legalizado pelo Tribunal Constitucional com fundamento no articulado do programa que submeteu, e que iria requerer a reapreciação daquela legalização com fundamento na disparidade entre o programa do Chega e a sua prática política. 

É um confronto de ideias, democrático, portanto. 

Espera-se que o Tribunal Constitucional não atire a sua decisão para as calendas.

Ana Gomes apresenta participação na PGR para extinguir Chega 

Ana Gomes, que foi candidata socialista às presidenciais, entregou uma participação à Procuradoria-Geral da República (PGR), pedindo que sejam feitas as diligências necessárias para avaliar a legalidade do Chega, o partido liderado por André Ventura. A notícia foi avançada esta quinta-feira pelo Diário de NotíciasSegundo o jornal, a ex-eurodeputada apresenta na queixa uma lista com mais de 40 pontos, pedindo à PGR que "instrua o Ministério Público a desencadear um processo de reapreciação da legalidade do partido Chega pelo Tribunal de Contas e de consideração da eventual extinção judicial desse partido".  Ana Gomes pede ainda que seja investigado a origem do financiamento do partido, bem como as "agressões, ameaças e incitamentos à violência", das quais também se sente alvo. A participação será também enviada para a presidente da Comissão Europeia, o presidente do Parlamento Europeu, o diretor da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, o secretário-geral do Conselho da Europa, o secretário Geral da Organização das Nações Unidas e os diretores da Europol e do Eurojust.

 


 

Thursday, December 10, 2020

CONSPIRAÇÃO CONTRA A DEMOCRACIA

Trump não desiste. 

Tinha avisado que só aceitaria os resultados das eleições se as ganhasse, uma afirmação que, só por si, revelava as suas ambições de ditador. Não ganhou, logo não aceita os resultados e tem feito tudo para fazer valer a sua tese de que houve fraude nas eleições onde os resultados não foram o que ele esperaria. E ontem fez chegar ao Supremo Tribunal Federal uma petição solicitando que sejam invalidados milhões de votos nos estados onde as eleições foram competitivas. 

Ele conta que a maioria no Supremo Tribunal nomeada por ele dê provimento às suas ambições e ninguém pode hoje, quinta-feira, 10 de Dezembro, um mês e uma semana depois das eleições, garantir que os seus nomeados não acolham os seus argumentos. Seria um golpe de estado, um esmagamento da dignidade democrática, mas da justiça tudo é esperável. Mesmo o mais repugnante acórdão por maioria estreita dos juízes que já rejeitou anteriores pretensões de Trump no mesmo sentido. Eles avisaram desde o início que uma resolução num sentido não vincularia uma resolução posterior idêntica. A falta de vergonha é imparável quando os valores democráticos são queimados na praça pública pelos ditadores e seus sequazes.

Para memória futura, transcrevo da CNN live, de hoje:

(CNN)President Donald Trump asked the Supreme Court on Wednesday to block millions of votes from four battleground states that voted for President-elect Joe Biden.

Trump's request came in a filing with the court asking to intervene in a lawsuit brought by Texas Attorney General Ken Paxton seeking to invalidate millions of votes cast in Georgia, Michigan, Pennsylvania and Wisconsin.
The President is being represented by a new attorney, John Eastman, who is known for recently pushing a racist conspiracy theory questioning whether Vice President-elect Kamala Harris was eligible for the role because her parents were immigrants.

The move from Trump comes just a day after the high court denied a request from Pennsylvania Republicans to block certification of the commonwealth's election results. The one-line order was issued with no noted dissents or comment from any of the nine justices.
The President for weeks has pushed increasingly desperate appeals and baseless conspiracy theories about his second term being stolen.
"Our Country is deeply divided in ways that it arguably has not been seen since the election of 1860," the petition states. "There is a high level of distrust between the opposing sides, compounded by the fact that, in the election just held, election officials in key swing states, for apparently partisan advantage, failed to conduct their state elections in compliance with state election law."
Echoing arguments made by Texas, Trump says the battleground states used the pandemic "as an excuse" and "ignored or suspended the operation of numerous state laws designed to protect the integrity of the ballot."
He asks the court to block the states from using "constitutionally infirm 2020 election results" unless the legislatures of the states "review the 2020 election results."

He stressed that if any of the states have "already appointed electors to the electoral college using the 2020 election results," the legislatures have the authority to appoint "a new set of electors."
Or the election could go to the House, where Trump would presumably win.
"Defendant States' electors will determine the outcome of the election," the President states. "Alternatively, if Defendant States are unable to certify 38 or more electors, neither candidate will have a majority of the total number of electors in the Electoral College, in which case the election would devolve to the House of Representatives under the Twelfth Amendment."
Paxton is expected to be at the White House on Thursday, a day after Trump's request was filed at the court, CNN has learned.
Paxton will be in Washington for a lunch with other attorneys general that a White House official said had been previously scheduled. The lunch with the attorneys general is on Trump's public schedule. An official confirmed separately that Paxton is expected to attend.

Republicans mixed on lawsuit

Trump has been rallying support from fellow Republicans in Washington, with mixed results.
Rep. Mike Johnson of Louisiana, a close ally of Trump's, sent an email from a personal email account to every House Republican soliciting signatures for an amicus brief in the long-shot Texas lawsuit. The email said Trump is "anxiously awaiting the final list" to see who signs on to the amicus brief.
One House Republican told CNN he was put off by the Johnson email. "Are we the party of list-making now?" the member asked.
Attorney George Conway, once a candidate for solicitor general for the Trump administration before becoming a prominent critic, said Tuesday that there was no merit to the Texas-led suit and described the effort as "the most insane thing yet."
"For a member of the Supreme Court Bar to do this in the Supreme Court of the United States is absolutely outrageous," Conway said on CNN's "The Lead with Jake Tapper," in reference to Paxton seeking to block election results.
"It's absurd and an embarrassment. And for a public official, let alone any lawyer, let alone any member of the Supreme Court Bar, to bring this lawsuit is atrocious."
Sen. John Cornyn, the senior Texas Republican, told CNN that "I frankly struggle to understand the legal theory of it. Number one, why would a state, even such a great state as Texas, have a say-so on how other states administer their elections? We have a diffused and dispersed system and even though we might not like it, they may think it's unfair, those are decided at the state and local level and not at the national level."
Sen. Mitt Romney, a Utah Republican, called the Texas lawsuit "simply madness" and "dangerous and destructive of the cause of democracy."
"It's just simply madness. The idea of supplanting the vote of the people with partisan legislators is so completely out of our national character that it's simply mad."
Lawsuits from the Trump campaign and GOP allies have been dismissed or dropped at a furious pace.
Still, the President's staunchest defenders on Capitol Hill are urging him not to concede even after Biden wins the Electoral College vote next week, calling on him to battle it out all the way to the House floor in January.
The four states have until 3 p.m. ET Thursday to respond to the lawsuit.
This story has been updated with more details and background.

CNN's Kaitlan Collins contributed to this report.


Thursday, November 19, 2020

E VOCÊ, SE TIVESSE UMA FILHA E ELA CASASSE COM UM CIGANO, O QUE PENSAVA?

“Se tivesse uma filha e ela casasse com um cigano, o que pensava?”, questiona Miguel Sousa Tavares. “Não ia gostar”, responde de imediato o deputado (André Ventura). “Não vou ser politicamente correto. Não ia gostar!”

E você, Miguel Sousa Tavares, se tivesse uma filha e ela casasse com um cigano, o que pensava?

Gostei que ela tenha casado com um filho do Ricardo Salgado.

Correl . - Portugal instado a enfrentar racismo contra os ciganos  


Saturday, September 19, 2020

PIETÀ COM CRISTO NEGRO AO COLO

 

 

 Imagem divulgada pela Pontifícia Academia para a Vida no Twitter: um Cristo negro ao colo da "Pietà" de Miguel Ângelo - c/p aqui

--- Correl.

A "Pietá" que Miguel Ângelo quis destruir já está outra vez a ser restaurada 


"PIETÀ DE FLORENÇA

 ----

 

 

ESTE É O CRISTO ESQUECIDO DE MIGUEL ÂNGELO


Wednesday, February 19, 2020

O RAPTO (FRUSTRADO) DE NETO DE MOURA


Tiago Rodrigues foi Prémio Pessoa em 2019.

Não é um desconhecido, não é, certamente, um imaturo irresponsável.
Ontem ouvi J M Júdice, no seu espaço televisivo da Sic Notícias, acoimá-lo "grunho", o mesmo é dizer porco, grosseiro, colocando-o no mesmo o patamar de"grunhice"daqueles que no estádio de Guimarães no fim-de-semana se afirmaram racistas num jogo de futebol em que participava pelo menos um jogador (Marega) não branco, que, reagindo aos insultos, saiu do campo.

E porquê?
Porque Tiago Rodrigues escreveu um texto satírico para ser levado à cena no D. Maria II anunciado no site do teatro nacional como "O Rapto de Neto de Moura".
O sindicato dos juízes considerou que o texto era bullying, e o encenador recuou. Agora será "Catarina e a Beleza de Matar Fascistas"
O acontecimento vem contado, p.e, aqui, não vou resumir. Convém ler tudo.

A Tiago Rodrigues, Prémio Pessoa, faltou a firmeza de carácter que Marega demonstrou quando se viu ameaçado pelos "grunhos".
E a peça saiu-lhe ao contrário.

Saturday, February 08, 2020

J´ACCUSE!


Recomendável a militares, juízes, e a todos os que ultrajam a Justiça a favor de interesses corporativos.
Sugere-se, a propósito do tema deste filme, na parte aplicável, a leitura ou releitura de Jean Barois.




***** 

Sunday, October 27, 2019

UM BRÊXIT SEM SAÍDA


Do Economist desta semana, transcrevo a parte publicada on line de um artigo sobre o fervor europeísta que assaltou parte significativa dos britânicos após o confronto com a iminência da saída do UK da UE.
Sempre se soube que, sobretudo os ingleses, ainda de ego cheio no tempo em que eram imperiais, se sentiam desconfortáveis como membros de um clube onde entrava gente de gostos duvidosos, avaliados pela bitola britânica, e, pior que tudo isso, não tinham a exclusividade do comando a bordo. 
Um dia ofereceram-lhe num referendo a decidir por maioria simplicíssima, a hipótese de sair, e, entre verdades e mentiras, o sim à saída ganhou por uma unha negra. 
Quem fazia contas, sobretudo em Londres, e principalmente na City, recomendava a permanência do reino britânico na UE, os outros marimbaram-se para as contas e votaram consoante lhes tocou mais ou menos o ardor nacionalista, que, entretanto, tinha crescido como cogumelos por todo o lado europeu e fora dele, esquecidos da guerra global, ateada na Europa, oitenta anos antes.
Agora o reino vai sair mas não atina com a porta de saída.

No dia em que der com ela, a saída pode funcionar como uma bomba de fragmentação: do Reino Unido e da União Europeia, onde sopram os ventos nacionalistas, a arrastar fuligem populista, racista, xenófoba, chauvinista, para gáudio do imperador Xi Jinping, do czar Putin, do inqualificável Trump.
A Catalunha, rica, não suporta pertencer ao mesmo clube frequentado pela Andaluzia pobre ou pela Galiza remediada. A Itália do Norte despreza a Itália do Sul, o Leste estende a mão ao ocidente e pisca o olho ao outro lado.
Em Portugal, os extremos políticos batem palmas, ao lado de Putin e Trump, talvez sem se dar conta, pela fragmentação da Europa.
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BEFORE THE referendum in 2016 European Union flags were as rare as golden eagles in Britain. Today they are as common as sparrows. Parliament Square is permanently festooned with them. Activist Remainers flaunt flag-themed berets and T-shirts. On October 19th a million-strong army of People’s Vote supporters marched on Westminster beneath a sea of gold and blue standards.
This points to one of the oddest paradoxes in this odd period in British politics. It took a vote to leave the EU to shock millions of Britons into realising how much they liked it. Britain had always been an outlier in believing that the EU ought to be little more than a convenient trading arrangement. A couple of Eurobarometer polls in 2015 found that the country came 28th out of 28 in terms of people’s sense of European identity and 26th in terms of trust in European institutions. Yet today a significant section of the population thinks that being European is essential to its identity.

c/p aqui 

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Act. 28/10/2019


 
 
Cerca de um milhão de 'remainers' manifestaram-se esta tarde em Londres, junto ao Parlamento, enquanto Boris Johnson tentava convencer os deputados a aceitarem o acordo com a União Euriopeia  - c/p aqui

Wednesday, July 11, 2018

O AVÔ DE LUKAKU

A ler o artigo de Paulo Curado no Público de ontem -  Romelu Lukaku: “Na Bélgica já não me pedem a identificação” - A surpreendente história e o exemplo de vida do melhor marcador da história da selecção belga. Nesta terça-feira, um país de muitas cores e línguas aguarda pela sua inspiração frente à França. ", emocionei-me, numa hora amarga.

A Bélgica perdeu contra a França, Lukaku teve uma actuação discreta, quase apagada, não será campeão do mundo este ano, mas não é por essa razão nem pelo desenrolar do encontro, nem pelo resultado final que a minha emoção, quando agora releio o testemunho de Lukaku, se esvaiu. 

Eu não sabia nada acerca de Lukaku, mas fiquei a perceber que, para além de um atleta de alto gabarito, é um homem íntegro, ancorado nas raízes familiares, imbuído dos valores morais que a sociedade europeia, individualista, egoísta, a caminhar a passos largos para o cenário, racista, xenófobo, nacionalista, que em meados do século passado ateou fogo ao mundo inteiro, despreza. 

"Aos 25 anos, Romelu Lukaku é uma lenda no futebol belga. É o melhor marcador da história da selecção. É a estrela do ataque do Manchester United. ... É também um jovem humilde que a fama não mudou. Tem uma maturidade anormal moldada por sacrifícios e uma fé inabalável.

Para além do pai e da mãe, o avô, no Congo [antiga colónia belga], era a pessoa mais importante da sua vida, com quem falava sempre que podia ao telefone.
“Ele era a minha ligação ao Congo, de onde são os meus pais. Um dia liguei-lhe e disse-lhe que o meu futebol estava a correr muito bem, que tinha marcado 76 golos, que vencemos o campeonato e que as grandes equipas começavam a reparar em mim. Normalmente ele queria saber, mas dessa vez estava estranho.

- ‘Sim Rom, isso é bestial. Mas podes fazer-me um favor?’- ‘Claro, o que é?
- ‘Podes olhar pela minha filha, por favor?’
Fiquei muito confuso.
- ‘A mamã? Sim, tudo bem.’
- ‘Não, promete-me. Podes prometer-me? Trata da minha filha. Cuida dela por mim, está bem?’
- ‘Sim avozinho. Entendi. Eu prometo.’
Cinco dias depois ele morreu  e eu percebi tudo. Fico tão triste ao pensar nisto, porque gostava que ele tivesse vivido mais quatro anos para me ver a jogar no Anderlecht. Para saber que tinha cumprido a minha promessa e que tudo ia ficar bem.”

“Quando as coisas corriam mal na selecção os jornais chamavam-me Romelu Lukaku, o atacante belga de origem congolesa; quando corriam bem, era Romelu Lukaku, o atacante belga. Alguns riam-se de mim quando não estava a jogar no Chelsea e fui emprestado. Mas não estavam comigo quando tinha de pôr água nos cereais e não podem realmente entender-me. Se não gostam da minha forma de jogar, tudo bem. Mas eu nasci aqui. Cresci em Antuérpia, Liége e Bruxelas.”

Romelu nunca esconde o orgulho pelo país e por vestir a camisola da selecção, com a qual fez história individual e colectiva. Já não pode contar ao avô que agora todos conhecem o apelido da família.
“Falo francês, holandês, alemão, espanhol ou português, dependendo do bairro onde estiver em Bruxelas. Somos ‘todos’ belgas. É isso que torna este país fixe, não é?”
Devia ser, Lukaku, devia ser. 

Antes do jogo e da leitura do Público, tinha enviado a seguinte mensagem aos nossos emigrantes: 
"Aposto que ganha a Bélgica, e será, segundo meu palpite a vencedora do mundial.
Interessante é que tanto do lado da França como da Bélgica a grande maioria dos jogadores ou são emigrantes ou descendentes de emigrantes, facto que deve colocar os nacionalistas, os neo-nazis, os racistas, e outros da mesma espécie, a espumar de raiva."

Para quem não perceba porquê recomendo a leitura de
 https://www.theguardian.com/education/2002/jan/04/highereducation.books
Hitler 1936-45: Nemesis by Ian Kershaw


Friday, October 27, 2017

A REVOLTA DOS CEIFEIROS

Enquanto o Parlamento da Catalunha aprovava resolução para declarar a independência - vd. aqui

o Senado, vd. aqui    aprovava a aplicação do artigo 155 da Constituição na Catalunha.

La revuelta de 1640 y la República Catalana

Cataluña ya se proclamó república independiente en 1641, después de la revuelta de los segadores. Eso sí, tras apenas unos días, el país se colocó bajo protección francesa.
Las tensiones entre Cataluña y España llevaban años alimentándose. Por un lado, la política imperial castellana supuso un abundante gasto para las arcas. El conde-duque de Olivares, valido del rey Felipe IV, intentó compensar esta situación económica con la Unión de Armas. El objetivo era que todos los reinos de la monarquía, y no solo Castilla, contribuyeran económicamente y con hombres al esfuerzo militar. Barcelona se negó porque iba contra las constituciones catalanas.
A eso se unió que España entró en guerra con Francia en 1635. Se trataba de un nuevo episodio de la Guerra de los Treinta Años, que llevaba en marcha desde 1618. El ejército francés invadió el norte de Cataluña y Olivares respondió enviando miles de hombres para preparar la nueva campaña, pero sin permiso de las instituciones catalanas. Olivares envió una carta al virrey que interceptaron los catalanes y se leyó en la Diputación: “Los catalanes son naturalmente ligeros: unas veces quieren y otras no quieren. Hágales entender V. S. que la salud del pueblo y del ejército debe preferirse a todas las leyes y privilegios”.
El alojamiento de tercios de Felipe IV creó tensiones con el campesinado, que incluyeron, como se recuerda en la Història de Catalunya dirigida por Albert Balcells, el “saqueo, profanación e incendio” de varias iglesias.
Todo esto contribuyó a suscitar un alzamiento popular en 1640 contra las tropas castellanas. Segadores (e insurgentes disfrazados de segadores) entraron en Barcelona, acorralaron al virrey en su palacio y lo asesinaron junto a todo su séquito en la playa, mientras trataba de huir en un galeón.
“Fue bastante caótico -escribe Henry Kamen en España y Cataluña: historia de una pasión-: la ley y el orden se quebraron totalmente en Cataluña porque las clases altas catalanas temieron actuar contra sus propios vasallos”. En octubre se firmó un acuerdo de defensa con los franceses. El 16 de enero de 1641, Pau Claris, presidente de la Generalitat, proclamó la república, pero el 23 de enero se transfirió el título de conde de Barcelona de Felipe IV a Luis XIII, “poniéndose de este modo y voluntariamente bajo la corona francesa”.
No salió bien. Kamen apunta “el Estado francés era mucho menos respetuoso con sus privilegios que los castellanos” y el experimento terminó 12 años más tarde. Felipe IV recuperaría Cataluña, pero Luis XIV se quedó el Rosellón y parte de la Cerdaña. El rey español juró respetar las constituciones, eso sí. No estaba para ponerse exquisito: en 1640 Portugal también había declarado su independencia, gracias a una alianza con Inglaterra. - aqui
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Tuesday, October 24, 2017

AS LIGAS DO NORTE


Anteontem afirmava Matteo Renzi, secretário do Partido Democrático  e ex-primeiro ministro de Itália, em entrevista ao El País, que "a Itália é hoje um país mais anti europeu". 
Ontem os da Liga Norte, obtiveram, nas regiões mais ricas de Itália, Lombardia e Veneto, uma maioria muito expressiva - acima de 90% em qualquer dos casos -, entre os que votaram (menos que 50%) em referendos em que reclamam maior autonomia que, muito claramente, se traduz em menos transferência de fundos para as regiões mais pobres de Itália. - vd. aqui

Com alcance subtilmente menos ambicioso que os independentistas catalães, os da Liga do Norte ( Lega Nord per l´Indipendenza della Padania. A Padania é a designação comum para o vale do Pó, abrangendo a Lombardia e Veneto) não reclamam, para já, a independência mas a autonomia quase total de gestão das finanças publicas do norte de Itália, esperando que as eleições legislativas dentro de dois anos lhes garantam a possibilidade de cortarem todas as dependências de Roma. - vd. aqui

Assim vai a União Europeia: entre o populismo nacionalista, a leste, que se revê no comando musculado de Putin, e o populismo nacionalista a noroeste, que se revê na truculência errática nacional-populista de Trump, ameaça estilhaçar-se em estados nações, emergentes da dissolução do Império Romano, que durante séculos se combateram entre si.
A última vez, há cerca de 70 anos.



Padania

Wednesday, October 04, 2017

QUEM É QUE NA EUROPA APOIA OS INDEPENDENTISTAS CATALÃES?

É a pergunta feita hoje no El País - ¿Quiénes en Europa apoyan en realidad a los independentistas catalanes? - e a resposta é óbvia.

Os extremistas de direita (e de esquerda, acrescento eu, porque, já se sabe, os extremos tocam-se)
Aqueles que nunca pouparão esforços para excitar instintos populistas, nacionalistas, racistas, e tudo quanto possa contribuir para a destruição da União Europeia e, consequentemente, fomentar a guerra entre os europeus depois do período mais longo de paz observado na lado oeste da Europa. 




São estes os mais notórios figurões que se apresentam como paladinos do direito de voto, aqueles que, em nome da democracia, pretendem aniquilar a União Europeia. 
Alguns argumentos dos independentistas catalães coincidem com os dos ultra direitistas nos países membros da União: invocam o nacionalismo como forma de incitar à recusa de solidariedade entre os diversos países membros. A Catalunha, rica, não se conforma com os custos da solidariedade com, p.e., a Andaluzia, mais pobre. 

A inquietação sobre o desafio da Catalunha estende-se à União Europeia, lê-se noutro artigo publicado no El País. E há quem se ofereça como medianeiro entre as partes em confronto. 
"O líder do Partido Popular Europeu, o alemão Manfred Weber reclamou "diálogo entre democratas".
O eurodeputado espanhol Esteban González Pons, contudo, descarta o diálogo com o Governo catalão e recusa a mediação da UE, pedida por vários membros do parlamento europeu."

"A todos nos duelen las imágenes que vimos el domingo. Pero España no es Yugoslavia. Somos una democracia estable y madura, y no necesitamos tutelas. Ni mediadores con los políticos insurrectos. Vamos a dialogar, pero bajo el manto de la Constitución".

São inquietantes as cenas dos próximos capítulos. 

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Correl . - MITOS Y FALSEDADES DEL INDEPENDENTISMO