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domingo, 26 de setembro de 2010

amnésia



" sempre me esqueço
de não esquecer nunca,
mas nunca de nunca dizer
NUNCA ou SEMPRE "

Alexandre Monteiro
imagem - Guldehen Yogutcu

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sabes...



Sabes, gostaria de poder pintar certos momentos da minha vida. De os poder fixar na tela para os rever quando quisesse. De os poder dependurar na parede do quarto sabendo que, embora nem sempre lhes prestasse muita atenção, eles estariam lá para quando precisasse de os saborear novamente.

Gostaria de poder cristalizar aqueles momentos em que fui realmente feliz, aqueles momentos em que me bastava a tua companhia. Em que apenas precisava de escutar o teu respirar para que o céu fosse mais céu e o mar fosse mais mar, para que tudo fosse único, mágico, como mágicas e únicas deveriam ser as vidas vividas a dois.

Gostaria de ter podido prender as cores do teu peito e a luminosidade dos teus lábios nas minhas mãos. Gostaria que isso tivesse sido o suficiente, que tivesse sido o bastante para que esse tempo e esse mover de mãos tivessem sido só nossos.

Mas as águas de um rio não passam duas vezes pela mesma ponte. E, se por vezes esse rio se faz mar e essa água se faz chuva, é apenas para levar consigo as pinceladas que demos na tela que um dia foi nossa. Porque tu, meu amor, sabes como eu sei que, quando o mar se faz chuva, o que fica mas minhas mãos é tão-só sal, apenas sal, nada mais que sal.

Alexandre Monteiro

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

É manhã...



"... Levo o teu cheiro nas minhas mãos e o teu gosto
na minha boca.

E constato, surpreso, que o Sol está mais forte e que
os meus dedos sabem a sal, sabem a desejo, sabem a ti."


Alexandre Monteiro - o sal
imagem - deviantart.com

contraponto



" que ar tão triste
tem esta praia:
primeiro o mar.
só depois,
muito depois,
o vento, ao longe,
a enfunar a crista das ondas.

talvez um dia,
grão a grão,
concha a concha,
a areia regresse
e traga consigo
tudo aquilo (que me deixaste) levaste."


Alexandre Monteiro
imagem - deviantart.com