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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

dizem ser o verdadeiro rosto da França...

São homens e mulheres que dizem ser o verdadeiro rosto da França. O rosto da injustiça social, da raiva ... mas também da humilhação ... e do medo.
O movimento "coletes amarelos" surgiu contra um aumento nos impostos sobre combustíveis proposto pelo Governo para encorajar uma transição para formas mais verdes de energia. Mas a revolta social cresceu e passou a incluir outras queixas de injustiça em França. O ressentimento de toda uma parte da população que se sente excluída há tempo demais.

Depois de um mês nas ruas, os "coletes amarelos" podem continuar?
E que França vai emergir se conseguirem o que querem?
Não está claro qual o futuro do movimento.
O que é certo é que aqueles que se sentiram ignorados pelo poder, agora conseguiram tornar-se visíveis, novamente, ao mergulharem o país em alguns dos dias mais sombrios.

domingo, 16 de dezembro de 2018

se isto não é o povo...

La crise des "gilets jaunes" est sans doute l’occasion de repenser tout cela, et de donner plus de poids à des mécanismes de démocratie participative et délibérative. 
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Na França, como em Portugal, a democracia continua amplamente baseada na representação. Os mecanismos da democracia participativa apenas desempenham um papel modesto para “épater le bourgeois”, isto é: os organismos intermediários entre a sociedade civil e o poder, são tradicionalmente vistos com suspeita, na maioria dos casos com razão, porque vindos da esquerda e extrema-extrema esquerda, integram como participantes os “activistas do costume”. Basta atender que os deputados não representam seus eleitores, mas a nação.  
No caso francês o Presidente, numa abordagem das suas funções muito gaullista, quiçá mesmo bonapartista, goza de importantes prerrogativas.
por isso
a crise dos "coletes amarelos" em sistemas politícos idênticos ao português ou ao francês, é, sem dúvida, uma excelente oportunidade para repensar a organização politica de modo a dar mais peso aos mecanismos da democracia
...claro que aos trotskistas,
como ao Francisco Louçã, ao grupo Bloco da extrema-Esquerda:
esta operação é uma operação de extrema-direita” seguindo a lógica da infiltração nas claques desportivas ou em em alguns corpos especiais do Estado.
Porém, o aspecto mais preocupante do movimento  “Quando olhamos para o detalhe percebemos que há aqui uma coisa que se deve tomar em consideração com muita atenção. A instrumentalização pela extrema-direita, numa óbvia imitação dos processos que preparam o Bolsonaro”. (mais aqui)
ou à Christiane Taubira ou ao grupo do Jean-Luc Mélenchon:
qui qualifie le mouvement des "gilets jaunes", "d'ambigu", avec "à la fois du sublime et des traces de choses abjectes", en évoquant la présence de "personnes sexistes, racistes, homophobes, xénophobes, antisémites"(mais aqui)
a democracia participativa e deliberativa não lhes interessa. A representativa já lhes é difícil de aceitar!
Diria mesmo mais: qualquer democracia lhes é prejudicial...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

onde está o General De Gaule?

Em “pose de figurino”, a tentar ficar parecido com o Napoleão não chega, Sr. Macron.
É preciso que seja o De Gaule do Maio de 68. E que o seja, para além dos franceses, para os Europeus!
Por enquanto, a reação dos manifestantes é continuar com as manifestações. O que começou como um protesto contra a subida dos impostos tornou-se agora um movimento anti-Macron
Le climat social s'apparente à des sables mouvants pour le gouvernement français : ce dernier bouge à peine, faisant quelques concessions sur la hausse des prix du carburant, du gaz et de l'électricité, et le voici qui s'enfonce encore plus. "Trop peu, trop tard", juge le journal Le Figaro ce matin. L'exécutif est "en marche arrière", critique Libération. "Des miettes ne suffisent pas", estime pour sa part le quotidien L'Humanité. Le parti présidentiel au pouvoir a désormais une grande crainte, que la grogne persistante des "gilets jaunes" s'étende progressivement à d'autres secteurs.
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"Se a sua única resposta Sr. Primeiro-Ministro, é a suspensão dos impostos de Macron sobre os combustíveis, então é porque não se apercebeu da gravidade da situação. Este anúncio condena os franceses a alguns meses de adiamento. O que eles lhe estão a pedir não é a suspensão mas o cancelamento das taxas. Sr Primeiro-ministro, é muito pouco, muito tarde" dit Damien Abad Les Republicains, Euronews, França

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Estamos a passar pelo que parece ser o fim de uma época.

Em França, a revolução sai à rua; em Espanha, entrou, por enquanto, num parlamento regional [e na Alemanha já entrou em todos].
Os apelos do costume já não funcionam:
nem o medo do “caos”, com que o Macron tenta assustar os franceses;
nem o medo do “fascismo”, com que as esquerdas até hoje se habituaram a inibir as direitas. Em Espanha, vamos talvez descobrir que “geringonças” há muitas;
Em França, que quando o poder se propõe pôr os cidadãos “em marcha”, os cidadãos marcham mesmo, mas não necessariamente segundo a vontade do poder.
três erros que podemos cometer em relação aos “coletes amarelos”.
O primeiro erro é contemplar tudo como um problema simplesmente francês. Não é. A União Europeia é uma aliança franco-alemã. Para que possa haver UE, é necessário que a Alemanha e a França funcionem. [...] Há quinze anos, a Alemanha reformou-se para competir nos mercados globais. [tem excedentes e emprego] A França, pelo contrário, não fez reformas. É o país dos défices e do desemprego. 
O segundo erro é pensar que se trata apenas do fracasso de Emmanuel Macron. Não é. Porque antes de um fracasso de Macron, ainda por confirmar, estão os fracassos já confirmados da direita gaullista, com Nicolas Sarkozy, e da esquerda socialista, com François Hollande. Entretanto, os grandes partidos de governo da V República, que já só sobreviviam chantageando o eleitorado com a ameaça dos Le Pen (ou nós, ou o “fascismo”), desapareceram. Em seu lugar, as elites aglomeraram-se à volta de um jovem que era suposto fazer as reformas sem o empecilho da velha dicotomia esquerda-direita. 
O terceiro erro está na nossa economia de esforço interpretativo. Para explicar os coletes amarelos, preferiu-se em geral traduzir os contrastes americanos que, há dois anos, serviram para dar conta de Trump: os “deploráveis” contra as elites, o campo contra as  cidades, a tasca contra o Starbucks, o nativismo contra o cosmopolitismo, etc. 

A França enfrenta assim um paradoxo que Portugal e a Europa do sul conhecem bem: quanto menos dinâmica é a economia, mais castigada é a sociedade por impostos, porque os governos precisam de compensar as clientelas, e não há outra via senão o fisco e a dívida. Eis como duram os Estados europeus, navegando entre duas revoltas possíveis: a dos contribuintes e a dos dependentes. (in “Três erros sobre a França dos coletes amarelos” por Rui Ramos)

uma situação inextricável?

- a má leitura da vitória de Macron em 2017,
. miragem de uma adesão maciça às ideias defendidas pelo chefe de Estado,
- observações feitas pelo poder e consideradas desdenhosas pelos franceses em dificuldades ...
Serão alguns do factores que explicam a situação difícil de se desemaranhar em que o Chefe de Estado Francês e sua maioria se encontram hoje!
Titulos:
"J'ai été élu par choix, pour appliquer mon programme"
L'énorme erreur d'appréciation de l'équipe élyséenne et de l'actuelle majorité est de croire que le large succès de 2017 reflète un vote d'adhésion. L'incroyable ascension du candidat Macron a alimenté un narratif journalistique fait de fascination et d'aveuglement.  [...]
"Maintenir le cap social-libéral"
Mais, surtout, son élection ne signifiait pas un changement de logiciel socio-économique vers un social-libéralisme en rupture avec la tradition sociale-étatiste interventionniste. 
Le mirage de l'adhésion massive
Même s'il est encore impossible de disposer d'études précises et fiables dressant un portrait sociologique des manifestants, les propos recueillis face aux micros ou sur les réseaux socionumériques montrent une population qui partage majoritairement quelques caractéristiques. Une large majorité n'a pas voté pour Emmanuel Macron à la présidentielle de 2017, ni au premier tour – car beaucoup se disent si écœurés de la politique qu'ils ne votent plus–, ni au second tour, où il y avait pourtant un choix binaire très marqué entre deux visions du monde et deux visions de la démocratie républicaine.
Il faut rappeler, à cet égard, que seulement un peu plus de 43% des électeurs inscrits ont choisi de voter Macron au second tour
Le "en même temps" du "président des riches" contre le "ici et maintenant" des gilets jaunes
Le discours de l'équilibre, du "en même temps" social et favorable à l'entrepreneuriat pour réduire le chômage, pouvait engendrer une diminution des craintes de déclassement vécues par beaucoup de membres de la petite classe moyenne. De même, la promesse sans cesse répétée de permettre à ceux qui travaillent de mieux vivre pouvait lever l'espoir de mieux vivre.
"Faire ravaler sa morgue au président déconnecté"
Face à un discours légitimiste du pouvoir ("nous avons été élus et bien élus", y compris aux législatives), les gilets jaunes opposent une illégitimité première et secondaire. Première, car ils ne se sont jamais reconnus dans la personne du candidat Macron, et secondaire, parce que ses déclarations et son action apparaissent comme hostiles aux intérêts des classes populaires. 
La rhétorique insurrectionnelle de certains gilets jaunes
Le mélange d'impatience, d'injustice et d'offense est devenu explosif. L'exaspération s'accompagne d'une radicalisation du discours et des pratiques manifestantes. Car au-delà des casseurs professionnels, et des pillards opportunistes qui ont dévasté les rues de la capitale et d'autres grandes villes ce week-end de décembre, la parole de manifestants sincèrement habillés de jaune se radicalise. Une rhétorique insurrectionnelle se fait jour, qu'aucun dirigeant en exercice ne peut évidemment cautionner, surtout lorsqu'elle consiste à rendre la cible responsable des exactions qui la visent, et à minimiser la réalité des dégradations, comme le montrent les tweets postés le 2 décembre
.mais AQUI