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sábado, 19 de janeiro de 2019

Miles Davis


Em 1972, o choque elétrico que Miles Davis tinha dado no Jazz com o duplo Bitches Brew (1970), começava a ser assimilado. Foi quando o Prince of Darkness ( apelido que havia recebido, em 1967), leva o jogo a outro patamar, com o hipnótico e denso On The Corner.

Em 72, Davis foi introduzido à música de Stockhausen por um jovem arranjador e violoncelista, e mais tarde ganhador do Grammy: Paul Buckmaster, que influenciaria profundamente as novas gravações . Segundo o biógrafo J.K. Chambers : "O efeito dos estudos de Stockhausen por Davis não poderiam ser contidos por muito tempo. …sua própria 'música espacial', mostrava composicionalmente a influência de Stockhausen”.

Suas performances ao vivo entre 1970-1972 eram verdadeiros laboratórios sonoros, onde Miles, muito bem acompanhado, inclusive contando com dois músicos brasileiros em sua banda, Airto Moreira e Hermeto Pascoal, criava novas linguagens e levava seus experimentos a extremos, antes impensáveis para o conservador Jazz.

Ao entrar em estúdio em junho de 1972, Miles resolveu experimentar até onde a mistura de Stockhausen e black music elétrica de Sly and The Family Stone, Funkadellic, Stevie Wonder e Isaac Hayes poderia chegar. Acabou explorando uma sonoridade altamente dançante, negra urbana, feita sob medida para agradar o jovem público afro-americano.

Chamou um time impecável de músicos, formado por Michael Henderson, Carlos Garnett, o percussionista Mtume, o guitarrista Reggie Lucas, o tocador de tabla Badal Roy, Khalil Balakrishna na cítara, o baterista Al Foster, e o pianista Herbie Hancock, que também estava trilhando um caminho parecido ao unir o jazz ao funk (que geraria outro marco no fusion, o álbum Head Hunters, lançado em 1973). Após rápidas jams sessions, pariu um de seus melhores trabalhos.

On The Corner, soa como se Exu tocasse trompete em uma encruzilhada de uma grande metrópole, ou a trilha sonora de uma versão Blackexpoitaiton do filme “2001”.

O álbum é uma longa jam, que não se prende a estrutura do jazz tradicional. A seção rítmica fornece um denso tapete polirrítmico sobre o qual os solos de trompete, encharcado de wha wha, e sax, se debruçam formando camadas de som, com elementos eletrônicos cheios de efeitos, que são adicionados e subtraídos, em meio a um transe sonoro, forrado por uma percussão afro sci fi.

Previsivelmente, o disco não foi entendido na época e despertou a ira da crítica de jazz, que já vinha estranhando a fase elétrica de Miles há um bom tempo. On the Corner foi chamado de "porcaria repetitiva" , "um insulto à inteligência das pessoas" e foi considerado anti-jazz, hostilidade resumida nas palavras nada amistosas do saxofonista Stan Getz- "Essa música é inútil. Não significa nada. Não há nenhuma forma, nem conteúdo. Quase não tem swing”.

Mas o tempo mostrou que Miles estava certo e o disco é apontado como influência no pós punk (convidado pelo produtor Bill Laswell, Davis gravou algumas partes com trompete durante as sessões do disco Album, do Public Image Ltd, contidas na compilação Plastic Box). Nas palavras de Lyndon, "foi esquisito, nós não usamos (suas contribuições)." De acordo com Lydon, Davis comparou sua voz com o som de seu trompete).

Mas foi Luis Fernando Veríssimo, em uma de suas crônicas no livro “Banquete com os Deuses” quem melhor sintetiza essa fase da carreira de Miles, usando uma das maiores paixões do músico, o boxe: “Um homem tem direito a fazer quantas revoluções por vida? Há quem diga que a última revolução de Miles Davis acabou em farsa, que o quase careca de túnica colorida fazendo fusão com a rapaziada não era nem uma sombra, era a múmia do antigo Miles reduzido a espasmos de som. Mas também há quem diga que o Miles da última fase era de uma coerência fulgurante, o velho boxeador na ponta dos pés e ainda fazendo história”.

On The Corner foi um direto no queixo.

Nocaute.

Texto | Discoteca Básica da Bizz

1972 | ON THE CORNER

01. On The Corner
02. New York Girl
03. Thinkin’ One Thing and Doin Anot
04. Vote For Miles
05. Black Satin
06. One and One
07. Helen Butte
08. Mr Freedom X

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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Isle of Wight Festival | Festival da Ilha de Wight


O primeiro festival de grande porte aconteceu em Monterey, California, em 1967. Este foi seguido pelo Miami Pop Festival (1968), Atlanta International Pop Festival (1969 e 1970), Altamont Speedway Free Festival (1969) e pelo mais conhecido deles, o Woodstock (1969), todos na América.

Na Europa, em 1967, o único festival de música importante era o Moutreaux Jazz Festival, que só passou a receber bandas de rock a partir de 1970, com a presença de artistas como Deep Purple e Santana. Mesmo assim, o festival suíço continuou tento características de um evento de jazz, sendo realizado num cassino e para um público seleto.

O “Isle of Wight” foi o primeiro festival europeu a céu aberto, de grande porte e reunindo bandas de rock de expressão. A primeira edição foi realizada em 1968 tendo em seu line-up bandas como Jefferson Airplane, Smiles, Tyrannosaurus Rex de Marc Bolan e foi, até então, o maior festival já realizado na Inglaterra. Só houve um dia de shows, assistido por aproximadamente 10.000 pessoas.


No ano seguinte, o festival já contava com algum prestígio e conseguiu reunir nomes de mais peso como: The Who, Joe Cocker, The Band, The Moody Blues, Free, Richie Havens e Bob Dylan. O sucesso foi ainda maior do que o da primeira edição, e finalmente a Europa entrava no circuito dos grandes festivais de rock. Em dois dias de shows, o festival conseguiu reunir cerca de 150.000 pessoas, um aumento considerável de público.

O auge do Isle of Wight Festival foi em 1970, quando contou com a participação de cerca 50 artistas durante cinco dias consecutivos, reunindo um público de quase 600.000 pessoas, sendo que a população da ilha não chegava a 100.000 habitantes. A grande confusão feita pelos visitantes aterrorizou os moradores de Wight. Foi uma grande movimentação para aquela pacata ilha.

Essa movimentação pode ser vista no documentário “Message to Love – The Isle of Wight Festival”, lançado em 1997. Além disso, o filme mostra trechos de shows antológicos da edição de 1970.

É difícil destacar momentos altos do festival, já que um sem-número de grandes bandas fizeram parte do line-up. Tentarei aqui destacar alguns dos muitos inesquecíveis shows.

O festival foi aberto numa quarta-feita, dia 26 de agosto de 1970, por artistas não muito conhecidos como Judas Jump, Mighty Baby e Kris Kristofferson (mais conhecido por ser o compositor de “Me and Bobby McGee”, mundialmente conhecida na voz de Janis Joplin). Fechou a noite a banda californiana Redbone.

O segundo dia teve como destaques as bandas emergentes do rock progressivo Supertramp, Black Widow e o cantor estadunidense Tony Joe White. Nesse dia, tocaram ainda Terry Reid (hoje conhecido como o cara que recusou convites para cantar no Led Zeppelin e Deep Purple), além do brasileiro Gilberto Gil, convidado como representante do Tropicalismo.

A partir da sexta-feira, as grandes bandas começaram a se apresentar. É certo que em 1970, bandas como Cactus, Family, Chicago, Taste e Procol Harum não eram tão famosas ainda. Mas todas elas alcançaram relativo sucesso, algumas delas sendo consideradas grandes mitos da história do rock.

O festival esquentou de vez no quarto dia, quando se apresentaram Emerson Lake And Palmer, Miles Davis, Sly & The Family Stone, O Free de Paul Rodgers e Simon Kirke, Ten Years After e Joni Mitchell. Mas o grande destaque deste sábado foram as apresentações do The Who e do The Doors. Pete Townshend e companhia executaram, na íntegra, a recém-lançada ópera-rock “Tommy”, além de alguns sucessos antigos e músicas inéditas como “I Don’t Even Know Myself” que acabou nunca sendo lançada em álbuns oficiais da banda.

A apresentação do The Doors no Isle of Wight Festival é considerada uma das mais antológicas da banda e ficou marcada como uma das últimas aparições de Jim Morrison, que viria a falecer menos de um ano depois.

O Festival foi encerrado num domingo, 30 de agosto, com shows de Jethro Tull, The Moody Blues, Joan Baez, entre outros. O Grand Finale ficou por conta de Jimi Hendrix, anunciado ainda como seu trio Experience, mas se apresentando já com sua nova banda, com Billy Cox, no baixo, mas ainda com Mitch Mitchell na batera. Um show antológico, destaque para a inédita “Ezy Rider”. Bela forma de se encerrar um festival.

Depois disso, foram longuíssimos 32 anos até que o rock voltasse a pequena ilha inglesa. O festival foi retomado no início desse século, mas sem o mesmo brilho. O maior destaque das novas edições do Isle of Wight foi o grandioso show dos The Rolling Stones, em 2007. Fora isso, nunca mais aquela ilhota recebera shows com a magia característica de fins dos anos 1960 e início dos 70.

Texto | Whiplash

1995 | MESSAGE TO LOVE - THE ISLE OF WIGHT FESTIVAL 1970

01. Jimi Hendrix | Message To Love
02. The Who | Young Man Blues
03. Free | All Right Now
04. Taste | Sinner Boy
05. Tiny Tim | There'll Always Be An England
06. John Sebastian | Red Eyes Express
07. Ten Years After | Can't Keep From Cryin'
08. The Doors | When The Music's Over
09. The Moody Blues | Night In White Satin
10. Kris Kristofferson | Me And Bobby McGee
11. Joni Mitchell | Woodstock
12. Joni Mitchell | Big Yellow Taxi
13. Miles Davis | Call It Anything
14. Leonard Cohen | Suzanne
15. Emerson Lake & Palmer | Pictures At An Exibition
16. Jimi Hendrix | Machine Gun
17. Jimi Hendrix | Woodoo Chile
18. Joan Baez | Let It Be
19. Jethro Tull | My Sunday Feeling
20. The Doors | The End
21. Jimi Hendrix | Foxy Lady
22. The Who | Naked Eye
23. Family | The Weaver's Answer
24. Taste | Gambling Blues
25. Emerson Lake & Palmer | Blue Rondo A La Turk
26. Jimi Hendrix | Purple Haze

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:: ALGUNS ÁLBUNS ::

TEN YEARS AFTER
1970 | Live At The Isle Of Wight Festival


01. Love Like A Man
02. Good Morning Little Schoolgirl
03. No Title
04. I Can't Keep From Cryin' Sometimes
05. I'm Goin' Home
06. Sweet Little Sixteen


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PROCOL HARUM
1970 | Live At The Isle Of Wight, August 28th 1970


01. A Salty Dog
02. Still They’ll Be More
03. Wish Me Well
04. The Devil Came From Kansas
05. Shine On Brightly
06. Your Own Choice
07. Juicy John Pink


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TASTE
1992 | Live At The Isle Of Wight

01. What's Going On
02. Sugar Mama
03. Morning Sun
04. Sinner Boy
05. I Feel So Good
06. Catfish


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THE WHO
1996 | Live At The Isle Of Wight Festival 1970


CD 1
01. Heaven And Hell
02. I Can’t Explain
03. Young Man Blues
04. I Don’t Even Know Myself
05. Water
06. Overture
07. It’s A Boy
08. 1921
09. Amazing Journey
10. Sparks
11. Eyesight To The Blind (The Hawker)
12. Christmas

CD 2
01. The Acid Queen
02. Pinball Wizard
03. Do You Think It’s Alright?
04. Fiddle About
05. Tommy Can You Hear Me?
06. There’s A Doctor
07. Go To The Mirror!
08. Smash The Mirror
09. Miracle Cure
10. I’m Free
11. Tommy’s Holiday Camp
12. We’re Not Gonna Take It
13. Summertime Blues
14. Shakin’ All Over - Spoonful - Twist And Shout
15. Substitute
16. My Generation
17. Naked Eye
18. Magic Bus

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THE DOORS
1998 | Live At The Isle Of Wight Festival 1970


01. Roadhouse Blues
02. Backdoor Man
03. Break on Through (To The Other Side)
04. When The Music's Over
05. Ship of Fools
06. Light My Fire
07. The End (Medley: Across The Sea/Away in India/Crossroads Blues/Wake Up)

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FREE
1999 | The Complete Live At The Isle Of Wight 1970


01. Introduction
02. Ride On A Pony
03. Woman
04. The Stealer
05. Be My Friend
06. Mr Big
07. Fire And Water
08. I'm A Mover
09. The Hunter
10. All Right Now
11. Crossroads

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JIMI HENDRIX
2002 | Blue Wild Angel: Live At The Isle Of Wight


Disc 1
01. God Save The Queen
02. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
03. Spanish Castle Magic
04. All Along The Watchtower
05. Machine Gun
06. Lover Man
07. Freedom
08. Red House
09. Dolly Dagger
10. Midnight Lighting

Disc 2
01. Foxey Lady
02. Message To Love
03. Hey Baby (New Rising Sun)
04. Ezy Ryder
05. Hey Joe
06. Purple Haze
07. Voodoo Child (Slight Return)
08. In From The Storm

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JETHRO TULL
2005 | Nothing Is Easy: Live At The Isle Of Wight 1970


01. My Sunday Feeling
02. My God
03. With You There To Help Me
04. To Cry You A Song
05. Bourée
06. Dharma For One
07. Nothing Is Easy
08. Medley:
We Used To Know
For A Thousand Mothers

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MILES DAVIS
2007 | The Isle Of Wight 1970


01. Directions
02. Bitches Brew
03. It's About That Time
04. Sanctuary
05. Spanish Key
06. The Theme


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LEONARD COHEN
2009 | Live At The Isle Of Wight 1970


01. Introduction
02. Bird On The Wire
03. Intro To So Long, Marianne
04. So Long, Marianne
05. Intro: “Let’s Renew Ourselves Now...”
06. You Know Who I Am
07. Intro To Poems
08. Lady Midnight
09. They Locked Up A Man (Poem) / A Person Who Eats Meat / Intro
10. One Of Us Cannot Be Wrong
11. The Stranger Song
12. Tonight Will Be Fine
13. Hey, That’s No Way To Say Goodbye
14. Diamonds In The Mine
15. Suzanne
16. Sing Another Song, Boys
17. The Partisan
18. Famous Blue Raincoat
19. Seems So Long Ago, Nancy

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THE MOODY BLUES
2009 | Live At The Isle Of Wight 1970


01. Gypsy
02. The Sunset
03. Tuesday Afternoon
04. Minstrel's Song
05. Never Comes The Day
06. Tortoise And The Hare
07. Question
08. Melancholy Man
09. Are You Sitting Comfortably?
10. The Dream
11. Have You Heard (Parts 1&2)
12. Nights In White Satin
13. Legend Of A Mind
14. Ride My See Saw

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