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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

OS RAPAZES DA BANDA

 

 

MEMÓRIA DO TEATRO PAULISTANO/OS RAPAZES DA BANDA 1970

Em 1970 estreava no antigo Teatro Cacilda Becker localizado na Avenida Brigadeiro Luís Antônio Os Rapazes da Banda, peça do dramaturgo norte americano Mart Crowley (1935-2020). O fato de ser produzida sob a chancela de um casal de prestígio e notadamente heterossexual (Eva Wilma e John Herbert) colaborou para que a peça tivesse ampla aceitação pelo público e não provocasse maiores escândalos mesmo ao tratar de assunto ousado para a época: reunião de homossexuais onde o anfitrião presenteia o amigo aniversariante com um garoto de programa. O elenco reunia nomes importantes de nosso teatro como Walmor Chagas/Michael, Otávio Augusto/Donald, Benedito Corsi/David-Emery, Denis Carvalho/Arthur-Hank, Roberto Maya/Douglas-Larry, Bene Silva/Bernard, John Herbert/Allan, Paulo Adário/Cowboy e Paulo César Pereio/Harold e a direção era de Maurice Vaneau, encenador e coreógrafo belga de muito prestígio na época.

O que a memória me traz depois de tanto tempo é que se tratava de uma comédia com alguns estereótipos do universo gay, bastante inofensiva e leve, apesar do final dramático e discutível onde Michael lamentava-se de sua solidão por ser homossexual (!).

A peça havia estreado dois anos antes em Nova York e virou filme dirigido por William Friedkin em 1970 sempre com muito sucesso. Em 2018 a peça foi remontada na Broadway e depois se tornou filme dirigido por Joe Mantello.

Os tempos mudaram, muitos armários se escancararam, movimentos surgiram, mas permanecem o preconceito e a violência com aqueles que fogem aos valores estabelecidos por uma  sociedade hipócrita e conservadora.

THE BOYS IN THE BAND – OS GAROTOS DA BANDA

2023

                No dia 31/10/2023 Ricardo Grasson dirigiu e estreou no Teatro Procópio Ferreira uma nova montagem da peça, a qual assisti na estreia com muitas ressalvas pessoais a parte do elenco e ao ritmo arrastado da festa de Harold.

        Exatos três meses após, voltei a assistir à montagem com uma banda bem mais afinada/azeitada que conduz a peça em ritmo excelente. Foi para mim um outro e muito melhor espetáculo.

Muito bem-vindas as entradas na banda de Robson Catalunha/Larry, Fabrício Pietro/Hank (apesar que Otávio Martins também estava bem), Heitor Garcia (apesar que Leonardo Miggiorin também estava bem), Julio Oliveira/Emory, Gabriel Santana/Cowboy (excelente!) e Edgar Cardoso/Harold. Caio Paduan que estava extremamente artificial na estreia como Allan, o hetero convicto, agora atinge um perfeito equilíbrio na composição da personagem. Tiago Barbosa/Bernard e Mateus Ribeiro/Michael continuam ótimos como antes.

A peça termina a temporada nesta sexta feira, dia 03, mas é bem provável que volte ao cartaz no Teatro do Shopping Frei Caneca.

Que se mantenha a afinada banda atual!!!

02/02/2024

 

 

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

OS RAPAZES DA BANDA


MEMÓRIA DO TEATRO PAULISTANO 

Há exatos 50 anos estreava no antigo Teatro Cacilda Becker localizado na Avenida Brigadeiro Luís Antônio Os Rapazes da Banda, peça do dramaturgo norte americano Mart Crowley (1935-2020). O  fato de ser produzida sob a chancela de um casal de prestígio e notadamente heterossexual (Eva Wilma e John Herbert) colaborou para que a peça tivesse ampla aceitação pelo público e não provocou maiores escândalos mesmo ao tratar de assunto ousado para a época: reunião de homossexuais onde o anfitrião presenteia o amigo aniversariante com um garoto de programa. O elenco reunia nomes importantes de nosso teatro como Walmor Chagas, Otávio Augusto, Benedito Corsi, Denis Carvalho, Roberto Maya, Bene Silva, John Herbert, Paulo Adário e Paulo César Pereio e a direção era de Maurice Vaneau, encenador e coreógrafo belga de muito prestígio na época.

O que a memória me traz depois de tanto tempo é que se tratava de uma comédia com alguns estereótipos do universo gay, bastante inofensiva e leve, apesar do final dramático e discutível onde Michael (personagem de Walmor) lamentava-se de sua solidão por ser homossexual (!).

A crítica da ocasião não poupou ressalvas ao espetáculo. Sábato Magaldi escreveu que se tratava apenas de uma peça comercial bem montada, um texto medíocre “que chega aos incautos como se fosse um tratado cênico sobre a homossexualidade, mas que não passa de uma cartilha primária sobre o assunto” (Jornal da Tarde, 30/10/1970). João Apolinário por sua vez titulou sua crítica assim “Sucesso fácil, de um teatro fácil, para um público fácil” (Última Hora, 11/1970). Ambos previram o sucesso do evento, como escreveu Sábato no final de sua matéria “Tudo indica que Os Rapazes da Banda se transformará no maior sucesso de bilheteria da temporada”, o que de fato aconteceu.

A peça havia estreado dois anos antes em Nova York e virou filme dirigido por William Friedkin em 1970 sempre com muito sucesso. Em 2018 a peça foi remontada na Broadway e acaba de se tornar filme dirigido por Joe Mantello disponível na Netflix; A Folha de S. Paulo dedicou página e meia da edição de 29/09/2020 a uma matéria sobre o filme, ressaltando a atualidade do tema abordado pelo mesmo.

Os tempos mudaram, muitos armários se escancararam, movimentos surgiram, mas permanecem o preconceito e a violência com aqueles que fogem aos valores estabelecidos pela sociedade.

Resta saber o que Os Rapazes da Banda têm a dizer para o mundo pandêmico de 2020, talvez mais preconceituoso e conservador do que aquele de 1970.

Tristes tempos. 

30/09/2020