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sábado, 14 de agosto de 2021

EM NOME DA MÃE

 

 

        Há cinco anos (2016) Denise Weinberg interpretou O Testamento de Maria do dramaturgo irlandês Colm Tóibin que mostrava uma Maria envelhecida e revoltada após a crucificação do seu filho; agora é a vez de Suzana Nascimento mostrar a sua versão de Maria, a partir do livro do escritor italiano Erri de Luca, no qual o foco é na Maria jovem, pobre, solteira e grávida de, segundo ela, uma aparição (um anjo), conforme explica para seu namorado Yosef (José) na sugestiva cena inicial da peça.

Apesar de ter papel fundamental na história como enfrentar o preconceito por estar grávida de pai desconhecido, gerar e criar com muita dificuldade seu filho que também lhe causou muito sofrimento e dor, Maria aparece sempre como coadjuvante na narrativa cristã escrita por homens, sendo preterida por uma pomba quando se estabeleceu a Santíssima Trindade. Com esse mote e levando em conta sua experiência pessoal Suzana Nascimento escreveu e interpreta Em Nome da Mãe que é um libelo em favor à liberdade e aos direitos da mulher.

Embora tenha formação católica tendo feito catecismo, sido batizado e crismado e até ter carregado andor quando menino de uns doze anos, a vida me afastou da religião e não tenho base para discutir sobre o assunto, mas a figura de Maria (ou Mirian em aramaico, como é chamada na peça) é fascinante na sua trajetória e nas suas múltiplas aparições como tantas Nossas Senhoras que na verdade são uma só, fato que sempre me confundiu quando jovem e na verdade me confunde até hoje. Há um momento emblemático na peça no qual Mirian discute com sua mãe e esta reage a uma afirmação da filha exclamando “Nossa Senhora!!” ao que a filha replica “’Nossa Senhora’ ainda não existe!!”.

Embalada por belíssima trilha sonora de Federico Puppi e dirigida com muita delicadeza por Miwa Yanagizawa a saga dessa jovem Mirian é apresentada de forma poderosa por Suzana Nascimento que se desdobra em outras personagens como o noivo Yosef que é apresentado com muita simpatia, mostrando que o espetáculo apesar de feminista, não é revanchista nem preconceituoso em relação à figura do homem.

Tratando de tema pouco presente em nos nossos palcos, Em Nome da Mãe é espetáculo que merece ser visto.

SERVIÇO

Espetáculo: Em Nome da Mãe

Temporada: de 6 de a 29 de agosto

Apresentações on-line: de sexta a domingo, às 19h.

Plataforma: YouTube Sesc RJ: youtube.com/portalsescrio

Gratuito

Duração: 60 min

Classificação etária: 14 anos 

14/08/2021