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sábado, 26 de janeiro de 2019

TBC 70 ANOS



        A companhia Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) fundada pelo empresário italiano Franco Zampari (1898-1966) em 1948, depois de invejável trajetória artística, enfrentou graves problemas administrativos e financeiros tendo morte melancólica em 1964 com o fracasso comercial de Vereda da Salvação, sob a direção de Antunes Filho. Escrever sobre a importância e a influência que essa companhia, seus atores, diretores e equipes técnicas tiveram para o teatro brasileiro seria mera repetição do que atestam muitos livros e trabalhos acadêmicos sobre o assunto. Basta lembrar que em seus 17 anos de existência passaram pela sala do prédio da Rua Major Diogo 96 títulos produzidos pela companhia, dando média de cinco e meia produções por ano (só em 1950 16 títulos ocuparam os cartazes do teatro, todos eles com produções caprichadas).


                O que restou daquele TBC, além da já mencionada herança artística? Um prédio abandonado já há alguns anos que passou por várias mãos e hoje espera a tão merecida restauração e volta à ativa. Para relembrar a importância do TBC e para chamar a atenção para a recuperação do prédio a Associação Amigos do Teatro Brasileiro de Comédia e do Teatro Brasileiro (ATBC) organizou homenagem na Biblioteca Mário de Andrade com a leitura cênica de duas peças que foram marcantes na trajetória da companhia: Volpone (1955) e A Semente (1961).


        Cabe lembrar que a Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) concedeu em 2018 o prêmio especial 70 anos da fundação do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em memória de Franco Zampari, destacando no prêmio a merecida homenagem ao muitas vezes injustiçado fundador da companhia.


        Nesta homenagem a peça Volpone de Ben Jonson teve dinâmica direção de Johana Albuquerque (a direção de 1955 foi de Ziembinski), tendo Daniel Alvim e Luciano Gatti nos papeis que foram, respectivamente, de Ziembinski e Walmor Chagas. A diretora contornou as dificuldades da leitura de texto muito longo e verborrágico com a indumentária, o visagismo e, principalmente, a movimentação do elenco. Cabe destacar a deliciosa composição que Luciano Gatti deu ao seu personagem Mosca.


        A Semente, peça emblemática de Gianfrancesco Guarnieri, teve encenação antológica de Flávio Rangel em 1961. Apesar de sua importância, a peça nunca mais foi montada e esta recriação cênica de Cibele Forjaz reveste-se da maior importância. Utilizando-se de imagens de filmes a diretora criou ambiente propício para a ação da peça, auxiliada pelo excelente elenco liderado por Denise Fraga (Rosa) e Celso Frateschi (Agileu) compondo as personagens criadas em 1961 por Cleyde Yáconis e Leonardo Vilar. Foi particularmente bonito presenciar a diretora (só pequena no tamanho) correndo pelos corredores da Biblioteca como uma maestrina, orientando entradas e saídas do elenco e orquestrando harmoniosamente a encenação. Ah! A magia do teatro!
        Dessa maneira o aniversário dos 70 anos do prédio que abrigou uma das mais emblemáticas companhias teatrais do país não passa em branco e que toda essa movimentação sirva para sensibilizar as autoridades da importância daquele espaço cultural para que ele volte a ter seus dias de glória para o bem da nossa tão negligenciada cultura.
        AMÉM.

        VIVA O TEATRO BRASILEIRO!

        26/01/2019