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sábado, 20 de setembro de 2025

REPARAÇÃO

 

Foto de Mara Chama

Uma menina de 16 anos é violentada por dois colegas da escola em uma cidade do interior. O fato torna-se público e as reações das pessoas em relação à menina são positivas (em geral das mulheres) ou negativas (em geral dos homens). Carlos Canhameiro abriga esse microcosmo em um salão de beleza onde o elenco representando funcionários e clientes emprestam suas vozes para falar os depoimentos recolhidos por Canhameiro na cidade onde o fato ocorreu. Uma amostra da sociedade machista brasileira.

A dramaturgia do autor é completada por cenas ficcionais onde aparecem a menina, os pais e o sujeito que a engravidou.

O caso teve consequências trágicas com o assassinato da criança pela própria mãe.

Se a dramaturgia é bastante interessante, intercalando falas reais com cenas ficcionais, a tradução cênica assinada pelo próprio dramaturgo é digna dos maiores aplausos.

Foto de Mara Chama

O cenário criado por Canhameiro e José Valdir Albuquerque reproduz em detalhes o “Suely Hair e Unha’s – UNISSEX”, salão de beleza onde são reproduzidos os depoimentos recolhidos (imagens projetadas mostram fotos e profissões de quem deu o depoimento) e na parte superior são apresentadas as cenas de ficção. Essa dinâmica cria um vínculo com o público que não é quebrado durante as quase duas horas da peça. 

Um elenco coeso se reveza com muita versatilidade nas várias personagens criadas.

Marilene Grama interpreta a menina, depois moça, com muita garra; Daniel Gonzalez mostra energia como o pai, Luiz Bertazzo vai de cliente do salão a uma vizinha fofoqueira com muito humor e Yantó e um assombro com sua bela voz pontuando as canções apresentadas.

Nilcéia Valente merece destaque com sua classe e voz límpida tanto como a mãe como cliente do salão e, por último, Fábia Mirassos, atriz cada vez mais presente em nossos palcos que vai desde a cocote Suely, dona do salão à mãe, em cenas bastante dramáticas.

Reforçando o realismo do cenário estão em cena duas profissionais da estética da beleza, uma manicure (Maria França) e uma cabelereira/maquiadora (Rosa De Carlos).

Pela originalidade e criatividade tanto na dramaturgia como na encenação, vejo “Reparação” como um marco na carreira de Carlos Canhameiro.

O espetáculo fica em cartaz no CCSP até 21/09 e desloca-se para o Teatro de Arena Eugênio Kusnet a partir de 25/09 até 12/10 de quinta a sábado às 19h e aos domingos às 18h.

Fica a curiosidade de como ele vai caber no Teatro de Arena!!

NÃO DEIXE DE VER.

20/09/2025