Do lado de lá. Um encantamento!
Há sempre um bem-te-vi que esquece onde está
e imagina-se num espaço silencioso onde possa ouvi-lo.
Diz que me vê. Me chama. Estou longe.
A saudade se alonga um pouco mais.
Faz lembrar uma varanda
com uma paisagem cotidiana , bonita, não importa
se envolvida entre buzinas de carros e barulho adulterado
das motos que deixa as manhãs
mais ruidosas.
O que importa é o mar , ao longe
e alguns bilhetes presumidamente poéticos
que tento rascunhar.
Ah! esse silêncio daqui !
Da emocionante Genebra
Vejo pela janela ,os carros que passam ligeiros
sem buzinar, os trens compridos e sons suaves dos trilhos
lembrando a adolescência no interior, o vento
que chamam de bise e aparece faça frio ou calor.
Calor aqui é coisa rara.
O sol só acaricia a pele deixa o coração quentinho
sem grandes atropelos como quem abraça
sem pressa, devagarinho.
Assim permaneço nas 'lembranças que
não se perdem' , e com um sentimento empático
que entende esse outro, em outra sintonia
....
Aproveito pois, o silêncio _esse vento ,esse sol
a doçura dos chocolates ,os queijos a la Gruyère, a raclette
com o queijo derretido sobre batatas, o Fondue autêntico
como os do resort dos Alpes, os
vinhos do Porto ( ali, da vizinha Portugal),
e florzinhas espalhadas ao longo da cidade
e dos campos .
Vou colhendo nacos
do tempo ,da poesia, das emoções que
'desabrocham como lágrimas.'
( na primavera de Genebra.2026, maio)
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