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segunda-feira, dezembro 26, 2011

A indústria da caridade é imparável


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IPSS do Porto usa 'utentes-fantasma' e lesa Estado


Instituição é acusada de forjar listas com falsos utentes, para ter dinheiro do Estado. Ex-responsáveis dizem ainda que crianças do centro infantil almoçavam ao lado de doentes mentais instáveis.
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O Estado retirou este ano o estatuto de Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) a 34 entidades, alegando "motivos de inactividade ou desvio dos fins da solidariedade social".


A indústria da caridade é imparável. 
Usando os bons sentimentos dos cidadãos e, como pretexto, os "mais necessitados".
Em muitos casos o que pretende é sacar subsídios ao Estado, que todos pagamos, isentar-se de impostos e proporcionar empregos aos amigos e familiares.
Dado o carácter repugnante deste negócio espero que o Estado fiscalize adequadamente e tenha a mão pesada para os infractores..


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terça-feira, dezembro 13, 2011

FIAMOS




FIAMOS
há muito que se fazia sentir a necessidade de uma Federação como a nossa, que pusesse alguma ordem na multidão de petições, manifestos e abaixo-assinados com que o cidadão se vê confrontado.
Ele é as SCUTs, ele é as taxas moderadoras, ele é a demolição de um mamarracho qualquer, ele é o chuto no futebolista, ele é o transplante, ele é o IVA da tasca, ele é a enxurrada do Jardim, ele é a cultura sem cheta, ele é um perseguido no Conchinchina, ele é o atentado ambiental, ele é os fogos florestais e também o nemátodo do pinheiro, ele é o combóio que escavacaram antes de fazer o novo, ele é a abertura ou o fecho de qualquer coisa, etc, etc.
O cidadão, se quizesse e pudesse, não faria mais nada senão assinar coisas.
Como tal é inviável, a bem da nossa sanidade mental, vamos começar a publicar um guia trimestral com o rating de cada iniciativa para facilitar.
Também daremos o TOP 10 do trimestre anterior.
No sentido de garantir uma ampla divulgação em todos os meios de comunicação vamos pedir a vossa ajuda pelo que lançaremos um abaixo-assinado em apoio desta nossa importante iniciativa.

quarta-feira, março 16, 2011

Não há palavras

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(AP Photo/Kyodo News)
(AP Photo/Kyodo News)
(AP Photo/Kyodo News)
(AP Photo/Kyodo News)

A meia centena de homens e mulheres que permanecem em trabalhos no interior da central nuclear de Fukushima, a combater as consequências do desastre, já foram apelidados de heróis. São engenheiros, técnicos, bombeiros e operários conscientes do perigo que representa o nível de radiações a que estão sujeitos. (Expresso)


Não sei que palavras usar perante esta enorme coragem com que os japoneses enfrentam a imensa tragédia.


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sábado, junho 26, 2010

Sinais de esperança



Mesmo com as crises alimentar e económica, que provocou sérios danos no emprego, o mundo está a avançar na concretização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). Mas esse progresso é lento e para que as metas sejam alcançadas até 2015 os países devem acentuar os seus esforços, indica um relatório das Nações Unidas.
O documento, divulgado esta semana, em vésperas das cimeiras do G8 e do G20, que reúnem as principais economias do planeta este fim-de-semana em Toronto, no Canadá, indica que a pobreza extrema diminuiu, o combate a doenças como o HIV/sida e a malária tem dado frutos, o acesso a água potável aumentou e há avanços na escolarização básica, designadamente em África.
Só que noutras áreas críticas, como a saúde materna, a mortalidade infantil e o acesso a saneamento básico, é preciso percorrer um longo caminho para manter a esperança de alcançar os ODM - fixados há dez anos com a intenção de lutar contra a pobreza extrema e reduzir as suas consequências em domínios como a fome, a saúde e a educação.
"A pobreza extrema caiu de 46 por cento em 1990 para 27 por cento, e deve baixar para 15 por cento em 2015, em grande parte devido aos avanços na China, Ásia do Sul e Sudeste da Ásia", referem as Nações Unidas. Os 15 por cento desejados significariam, ainda assim, que 920 milhões de pessoas estariam nessa altura a viver abaixo do limiar de pobreza fixado em 1,25 dólares por dia (à volta de um euro). Apesar da evolução, o relatório reconhece que a fome e a má nutrição estão a crescer em regiões como a Ásia do Sul e que persiste o fosso entre ricos e pobres e comunidades urbanas e rurais que torna o mundo desigual.
 
Público, 26.06.2010
 
No meio de todas as dúvidas e perplexidades do momento presente, em especial na Europa, é bom saber que a nível global há uma evolução positiva da humanidade. Talvez não devamos estar tão centrados só em nós mesmos e nos nossos problemas.

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terça-feira, maio 04, 2010

Descubra as diferenças




Há 40 anos

um jovem consciente, revoltado com as injustiças sociais:
- aderia ao PCP
- militava clandestinamente com risco da sua segurança e da sua liberdade
- propunha-se criar uma nova sociedade que erradicasse a miséria

Hoje

um jovem consciente, revoltado com as injustiças sociais:
- adere a uma causa no Facebook
- colabora num peditório lançado pelo Continente na TV
- arranja finalmente um emprego numa ONG, financiada pelo Estado, que distribui cobertores aos "sem abrigo".

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sábado, maio 01, 2010

Sou a favor do TGV

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Não entendo a polémica. Eu sou a favor do TGV e mesmo do novo Aeroporto.
Se, de qualquer modo, quem vai pagar as nossas dívidas são os alemães, também não lhes custa nada fazer mais um esforçozinho para nós ficarmos equipados com essas estratégicas infraestruturas.
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domingo, fevereiro 15, 2009

Internet chega antes de eletricidade à cidade africana

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A sinuosa estrada que vem da capital Nairóbi avança por 160 km antes de chegar a Entasopia, uma cidade no território dos masai, no Quênia. O asfalto é substituído por areia e terra, e por fim se torna apenas uma trilha de terra que ascende pelas colinas de relevo acentuado e volta a mergulhar na direção do deserto. É uma viagem lenta.

A cidade de quatro mil habitantes fica no final da estrada e além do alcance das linhas de energia. Não tem banco ou agência de correios, os carros são poucos e a infra-estrutura é precária. Os jornais chegam em fardos, a cada três ou quatro semanas. De noite, a maioria das pessoas acende lâmpadas de querosene e velas em suas casas, ou fogueiras em seus barracões, e dorme cedo, excetuados os agricultores que protegem as safras contra elefantes e búfalos.

Entasopia é o último lugar do planeta em que um viajante esperaria encontrar uma conexão de internet. Mas foi aqui, em novembro, que três jovens engenheiros da Universidade do Michigan em Ann Arbor, com apoio financeiro do Google, instalaram uma pequena antena de satélite acionada por um painel solar, a fim de conectar o punhado de computadores do centro comunitário local ao resto do mundo.

Ler o resto

Uma excelente nova abordagem, fazer chegar informação antes da energia. Quando a energia chegar as pessoas estarão mais preparadas para tirar partido dela.

Tem também a vantagem de exigir muito menor investimento.

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quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Eutanásia

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A Eutanásia é uma questão humanitária no sentido mais nobre do termo.
A sua enorme importância advém da gravidade dos males que pretende evitar e da universalidade da sua aplicação potencial.
É bem revelador o facto de Sócrates ter preferido, como "bandeira" eleitoral, o "casamento civil entre pessoas do mesmo sexo".
Os moribundos não fazem lobby, não votam em 2009 e, com toda a probabilidade, não votarão nunca mais.


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sexta-feira, fevereiro 06, 2009

O boato do Bailout falhou

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A única coisa que os cidadãos precisaram de fazer para receber o dinheiro foi contar as suas histórias - muitas delas de desemprego e dificuldades - a uma assistente do Bailout Booth que percorreu a fila de pessoas que aguardavam a sua vez de receber algum dinheiro, muitas da das quais esperaram mais de cinco horas aguentando temperaturas negativas.
A maioria levou para casa notas de 50 dólares, mas muitos receberam o dobro, incluindo o sem-abrigo Juan Vasquez, que disse à AFP estar muito agradecido pela ajuda. “Isto deve dar para três dias, para lavar as minhas roupas e para comprar comida e cigarros. Para alguém que não tem nada, isto é muito”, disse...
...Em plena Times Square um misterioso homem chamado Bailout Bill montou uma espécie de “guiché de auxílio” que deu a provar ao cidadão comum um pouco do remédio que a Administração americana deu aos bancos em crise: uma espécie de “bailout” para todos, sem juros nem prestações.
A acção teve como objectivo promover o site www.bailoutbooth.com, onde qualquer pessoa pode colocar vídeos vendendo coisas, serviços ou simplesmente transmitir uma mensagem. Em resumo: uma espécie de mistura entre o YouTube e o gigante de anúncios Craigslist.
Do misterioso Bailout Bill pouco se sabe. O “The New York Times” avançou que se tratava do próprio fundador da empresa, cuja identidade, porém, permanece em segredo. Sabe-se apenas isto: tem 39 anos e é de Nova Jérsia.
Público 05.02.2009

Esta notícia saíu quando eu me preparava para espalhar um tenebroso boato. Ia espalhar a insinuação de que se tratava de uma iniciativa de Obama que mandara distribuir pelo povo as sobras da imensa fortuna que recolheu para financiar as eleições.
Seguidamente oferecia a ideia ao Bloco de Esquerda como sequela para o seu cartaz que diz "O Governo ajuda os banqueiros. Quem ajuda o povo ?".
Atrasei-me e ficou tudo em águas de bacalhau.

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sexta-feira, janeiro 30, 2009

A falta que os pobres fazem

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Dois padres disputam (!!?) confederação de 2600 IPSS
Dois padres católicos lideram as listas candidatas à direcção da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), que amanhã será eleita no congresso que reúne 2600 organizações de todo o país. Uma é a lista de continuidade, liderada por Lino Maia, a outra inclui três pessoas ligadas a estruturas locais do Partido Socialista no Porto e em Braga.
Carlos Gonçalves, pároco de Rio de Mouro e presidente do Centro Social desta paróquia do concelho de Sintra, sentiu a actual direcção da CNIS, liderada pelo padre Lino Maia, do Porto, como "uma entidade extraterrestre".
A CNIS deixou de ter "um papel activo, que deve prestar como serviço e não como um poder", afirmou ontem, em declarações ao PÚBLICO. Se for eleito, Carlos Gonçalves propõe-se "dar força às uniões distritais", que podem exercer um papel "mais preponderante e melhor que a estrutura nacional".
O prior de Rio de Mouro está consciente do risco que a inclusão de três membros do PS pode ter para a sua candidatura. Além de José Fernando Moura, candidato a presidente da assembleia geral, e de José Manuel dos Santos Correia, para vogal da direcção, a lista inclui Alfredo Cardoso da Conceição, chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal de Braga, Mesquita Machado.Tal composição pode ser lida como uma colagem ao Governo. "Nenhum de nós se conhecia.
Mas mais colagem do que houve ao longo dos últimos três anos, é impossível de existir. E em ano de eleições, não sabemos que Governo vem aí.
"Na lista da continuidade, Lino Maia quer que haja uma "orientação clara na contratação colectiva", uma "resposta em rede à crise actual" e uma opção pela "solidariedade entre os utentes, para uma maior abertura ais mais carenciados". Hoje e amanhã, o congresso discute a qualidade das instituições e a atenção à educação, contando na abertura com a presença do Presidente da República.A CNIS reúne 2596 instituições de solidariedade (das quais 40 por cento ligadas à Igreja Católica), dando emprego a 200 mil pessoas e representando 4,3 por cento do Produto Interno Bruto.

Público, 30.01.2009


Às vezes tenho a desconfortável sensação de estar a ser caridoso sem saber, de alguém andar a fazer caridade com o meu dinheiro e com o dinheiro que é de todos. Esses brilharetes feitos com dinheiro alheio se calhar também servem para "espalhar a fé", uma fé que eu não partilho.
Além de fazer caridade sem saber também sou, provávelmente, mecenas dos missionários.

Mas isto é apenas uma vaga sensação que me assalta quando vejo tantos precipitar-se para a caridade de forma que considero enigmática.
Tudo se torna mais claro quando vemos que o sector proporciona 200.000 empregos e quando pensamos nas verbas que estes milhares de instituições drenam dos cofres do Estado.Serão todos estes empregos e verbas integralmente usados em prol dos pobres ?
Não sei. Espero que alguém saiba. Espero estar enganado.

Mas toda esta militância na luta pelo controle das estruturas de poder das IPSS não cheira nada bem.
Uma coisa é clara para mim: se algum dia, por um passe de mágica, fosse possível acabar com os pobres isso ía deixar muita gente na pobreza. Não pode ser.
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segunda-feira, janeiro 05, 2009

Pensões mínimas

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Público, 05.01.2008

Cerca de três quartos dos 2,5 milhões de reformados por velhice e invalidez em Portugal, incluindo os da função pública, recebem uma pensão de valor até um salário mínimo nacional, estima a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP). O outro quarto reparte-se entre aqueles que têm pensões entre um e dois salários mínimos e os que recebem mais do que dois salários mínimos. Os dados compilados revelam, segundo o estudo, uma distribuição de pensões "profundamente desequilibrada".
No sector privado, o grupo de pensionistas com pensões abaixo de um salário mínimo nacional (SMN, 426 euros em 2008) abrange 1,9 milhões de pessoas, num total de 2,1 milhões de pensionistas por velhice e invalidez. Destes, um quinto são pessoas que pouco descontaram ao longo da sua vida activa - agricultores e outros regimes fracamente contributivos. Mas três quartos, ou seja, cerca de 1,4 milhões de pessoas, vêm do regime geral da Segurança Social. Efectuaram os devidos descontos sociais, mas recebiam salários tão baixos que se traduziram em pensões baixas. A este grupo juntam-se ainda 94 mil ex-funcionários públicos.

No segundo grupo de reformados - com pensões entre um e dois SMN - encontram-se 200 mil reformados do sector privado e 80 mil ex-funcionários públicos.

Finalmente, vem o terceiro grupo com pensões mais elevadas (acima de 2 SMN). São mais de 300 mil portugueses, dois terços dos quais vindos da Função Pública, a que se juntam entre 100 mil e 120 mil pessoas do sector privado. Este total não inclui os bancários que têm - ainda - um esquema de protecção social à parte. Em Dezembro de 2007, as pensões acima de 750 euros abrangiam 239 mil ex-funcionários públicos, ou seja, cerca de 60 por cento do total de pensionistas da função pública. Desses, 80 mil recebiam pensões acima dos dois mil euros mensais.

Na base desta distribuição estão diversas situações. É o caso da diferente fórmula de cálculo das pensões entre o sector privado e o público (diferença atenuada desde 1993); os baixos salários no sector privado e os salários mais elevados na Função Pública relativos a profissões com maiores habilitações médias (saúde, educação, etc); a omissão de rendimentos à Segurança Social, a relativa juventude do sistema de protecção social que se traduz em pequenas carreiras contributivas e, consequentemente, em baixas pensões.
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As pensões mínimas do regime geral estão actualmente fixadas em quatro escalões. Variam entre 220,99 euros (para quem tenha entre cinco e 12 anos de descontos) e 388,19 euros (mais de 30 anos de descontos). E, em muitos casos, o Estado tem de complementar com dinheiro dos impostos para que os pensionistas recebam a respectiva pensão mínima que, de outra forma, ficaria abaixo desse limite mínimo. Em Dezembro de 2007, havia 906 pensionistas de velhice e invalidez do regime geral com pensões mínimas. E destes 382,9 mil tinham feito menos de 15 anos de descontos e 216,5 mil entre 15 e 20 anos. Na Função Pública, apenas uma minoria recebia pensões mínimas.





(clicar nos quadros para ampliar)
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segunda-feira, dezembro 29, 2008

Sócrates bipolar ?

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"As famílias portuguesas podem esperar ter um melhor rendimento disponível em 2009, que advirá da baixa da Euribor e da baixa da taxa de juro. Isso vai aliviar muito as famílias nas suas prestações para pagarem os créditos à habitação, que são hoje uma componente muito significativa das despesas familiares"


2
"Provavelmente ninguém aqui estará interessado em saber o que acontecerá daqui a dois anos. E a verdade é que há boas razões para essa atitude, porque o Cabo das Tormentas, o momento mais difícil, vai ser justamente 2009"

Estas duas frases, ambas proferidas em Dezembro de 2008, levaram os comentadores e os partidos da oposição aos píncaros. Contradição, manipulação, desorientação...

Eu, que não faço ideia sobre o que ia na cabeça de Sócrates, admito a hipótese de qualquer das suas afirmações ser verdadeira. Porquê ? Porque nem todos os portugueses vão ser afectados pela crise da mesma maneira.
Há pelo menos três grupos:
grupo A - pessoas com rendimentos estáveis (funcionários públicos, pensionistas, empregados em empresas sólidas e, claro, aqueles que têm importantes patrimónios e rendimentos muito altos seja de que tipo for). Este grupo pode realmente ver o seu orçamento beneficiado com a baixa geral dos preços que se perspectiva. Aplica-se-lhe a primeira frase de Sócrates.
grupo B - os que vivem do pequeno comércio, da prestação de serviços pessoais (merceeiros, actores, artesãos, biscateiros, barbeiros, etc). Este grupo vai ver os seus rendimentos reduzirem-se e isso até pode acontecer numa escala que não seja passível de compensação pelo abaixamento dos preços.
grupo C - os que estão ou vão ficar desempregados, os que perdem os seus negócios e, em geral, os que perdem as suas habituais fontes de rendimento. Este grupo está totalmente à mercê da ajuda pública para sobreviver. Para muitos o único rendimento será o subsídio de desemprego..

Aos grupos B e C aplicar-se-ia portanto a segunda frase de Sócrates.

Em vez da vozearia genérica é a esta luz que as políticas sociais devem ser desenhadas.
O anúncio recente de empréstimos aos funcionários públicos, por exemplo, não tem qualquer lógica.
O governo deveria era anunciar medidas de apoio aos grupos B e C, incidindo fortemente no melhoramento e extensão dos subsídios de desemprego com o acompanhamento necessário para evitar utilizações abusivas.

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quarta-feira, dezembro 10, 2008

Direitos Humanos

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Continua a ser importante, em termos de futuro, comemorar os aniversários da Declaração do Direitos do Homem apesar de históricamente dela se terem feito aproveitamentos questionáveis.
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sexta-feira, outubro 31, 2008

E hoje ? há condições para uma Revolução ?

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(clicar para ampliar)

Domingos Lopes, no Público de hoje, mostra-se chocado com o retrocesso na abordagem da derrocada da URSS patente nas Teses do próximo Congresso do PCP.

Eu já tinha falado desta questão aqui . Continuo a achar que a crítica deste retrocesso não deve implicar a "absolvição" das Teses de 1990. Também elas, embora menos anacrónicas, falhavam o essencial: explicar o "porquê" e não o "como".

Por exemplo dizer que "o marxismo-leninismo foi frequentemente dogmatizado para justificar práticas ultrapassadas e aberrantes" é apenas descrever "como" a URSS descambou e não esclarecer "porque" é que isso foi possível e realmente aconteceu.

Em minha opinião é tudo muito mais simples: A grande Revolução de 1917 veio antes de tempo, foi prematura. Nas condições concretas em que aconteceu, no plano tecnológico e de maturação do capitalismo, o sucesso da URSS comunista era práticamente impossível.

A grande pergunta que resulta é: e hoje ? as condições já estão criadas ? É isso que muita gente anda, ou devia andar, a tentar compreender.

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terça-feira, julho 22, 2008

O ridículo como forma de pobreza

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"Aos emails da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) chegam todas as semanas dezenas de pedidos de ajuda alimentar. Pessoas que evitam revelar o menos possível sobre si próprios e pedem ajuda para atravessar o período difícil que se vive e matar a fome.
Quem o diz é Manuel de Lemos, presidente da UMP, que alerta para este novo padrão de pobreza que foge ao típico retrato dos pobres conhecido em Portugal. "São pessoas com um perfil diferente, que não vivem na miséria, mas estão à beira de entrar na pobreza", explicou ao DN, acrescentando que este é um fenómeno que se veio a sentir desde o início do ano, quando se intensificaram os problemas económicos.
"Não estamos a falar de idosos, dos típicos desempregados, mas de pessoas com menos de 40 ou 45 anos que se calhar não deixam de pagar a netcabo nem desmarcam as férias na agência de viagens (!!) mas passam fome", conta Manuel de Lemos, que diz que ao seu próprio email já chegaram dezenas de pedidos de ajuda."
(DN, 20.07.2008)

No mesmo dia, no Público, Francisca Gorjão Henriques falava da dureza da vida dos "trabalhadores deslocados" na China, em artigo intitulado "São eles que pagam o milagre económico da China":

"Por todo o país, estima-se que entre 150 e 200 milhões tenham deixado as suas casas para procurar trabalho onde há mais oferta: as províncias orientais e costeiras. Há um ano, um relatório da Amnistia Internacional salientava que são eles quem "paga os custos do milagre económico do país", explorados pelos patrões e discriminados pela população urbana. "Os que conseguem completar o laborioso processo de hukou enfrentam discriminação para comprar casa, na educação, saúde e emprego"; os outros "são deixados sem qualquer estatuto legal, tornando-se mais vulneráveis à exploração pela polícia, senhorios, residentes locais e empregadores", dizia o relatório".

Só é pena que estes esforçados chineses não tenham forma de enviar um email ao senhor Manuel de Lemos da União das Misericórdias Portuguesas. Estou certo de que resolveriam todos os seus problemas.

sábado, julho 05, 2008

Declarações

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O partido do Governo, os partidos que já foram Governo, os partidos que sempre foram oposição: todos os grupos parlamentares, do CDS ao Bloco de Esquerda, reafirmaram ontem, na Assembleia da República, o seu apoio à declaração da pobreza como violação dos Direitos Humanos, proposta numa petição da iniciativa da Comissão Nacional Vida e Paz, que foi subscrita por mais de 21 mil pessoas. (Público, 03.07.2008)


Vacuidade, hipocrisia, má consciência, inutilidade, moda, pretexto, aproveitamento, comissão, sinecura, formalismo, discursata, etc, etc, etc.

sexta-feira, julho 04, 2008

Nuvens sobre Ingrid


É claro que saúdo a libertação de Ingrid e dos outros sequestrados na Colômbia.
Mas lamento ter que ensombrar a onda de comemorações na blogosfera mencionando algumas nuvens que pairam sobre este feliz acontecimento.

Fiquei perplexo quando vi a Ingrid aparentemente de boa saúde depois de me terem convencido de que ela estava às portas da morte na selva Colombiana. Muitos cidadãos mais sensíveis ter-se-ão sentido ludibriados, o que pode vir a prejudicar os sequestrados que ainda não foram libertados.

A mim o que mais me choca é alguém ter pensado que estar sequestrado na selva durante seis anos não é suficientemente grave para comover o público.

Também não me causou boa impressão ver o aproveitamento feito pelo Sarkozy e o óbvio exagero à volta de Ingrid que, por razões misteriosas, goza de "protecções" que não são dispensadas a muitos outros sequestrados.

sábado, junho 14, 2008

Quanto custa comer ? quanto custa pensar ?

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1 - Germany: The Melander family of Bargteheide
Food expenditure for one week: 375.39 Euros or $500.07

2 - United States: The Revis family of North Carolina
Food expenditure for one week $341.98

3 - Italy: The Manzo family of Sicily
Food expenditure for one week: 214.36 Euros or $260.11

4 - Mexico: The Casales family of Cuernavaca
Food expenditure for one week: 1,862.78 Mexican Pesos or $189.09

5 - Poland: The Sobczynscy family of Konstancin-Jeziorna
Food expenditure for one week: 582.48 Zlotys or $151.27

6 - Egypt: The Ahmed family of Cairo
Food expenditure for one week: 387.85 Egyptian Pounds or $68.53

7 - Ecuador: The Ayme family of Tingo
Food expenditure for one week: $31.55

8 - Bhutan: The Namgay family of ShingkheyVillage
Food expenditure for one week: 224.93 ngultrum or $5.03

9 - Chad: The Aboubakar family of Breidjing Camp
Food expenditure for one week: 685 CFA Francs or $1.23

sábado, maio 31, 2008

We are the world

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Ontem um amigo enviou-me este video da célebre gravação que eu não ouvia há anos e que, no fim dos anos oitenta, pela constante repetição quase se tornou insuportavel. Agora achei empolgante.