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segunda-feira, 2 de setembro de 2024

"A ilha dos Espíritos" de Camilla Läckberg

 


Neste período estival, onde tenho dado preferência a romances preferencialmente de entretimento, acabei de ler mais um romance policial da escritora sueca Camilla Läckberg: "A Ilha dos Espíritos", que onde continua a narrar casos que vão passando pelo casal da pequena cidade de Fjällbacka, constituído pela escritora de suspense Erika Falks e seu marido Patrik Hedström detetive na esquadra do Município Tanumshede.

Madeleine antiga colega de liceu de Erika refugia-se na pequenina ilha dos Espíritos com seu filho junto de Fjällbacka  depois de uma ocorrência que levou à morte do seu marido, em paralelo, o seu antigo namorado Mats e colega de turma mudou-se para Fjällbacka pouco após ter sido agredido em Gotemburgo tornando-se contabilista de um grande investimento na sua nova cidade, só que quando surgem dúvidas nas contas e se encontra com a sua antiga paixão aparece morto a tiro. Outra mulher refugia-se em Copenhaga devido a ser vítima de violência doméstica. Na esquadra a equipa heterogénea investiga a morte de Mats e não encontra pistas. A irmã de Erika recupera psicologicamente de um acidente com a morte do seu filho por nascer enquanto a outra trata dos seus recém-nascidos gémeos e investiga as lendas da ilha dos Espíritos que nunca abandonam a ilha e convivem com os seus visitantes, em conversa com o marido vai acompanhando o caso e visita antiga colega. Só que as coisas ficam complicadas e precipitam-se com com o surgir de casos de droga e mais mortes e precipitações de polícias imprudentes e a intuição de Erika. Em Gotemburgo e Estocolmo investigações de casos à partida independentes vêm mostrar-se que fazem parte todos do mesmo caso e a cooperação dá os seus frutos finais. 

A trama em cada romance desta escritora nunca é linear, vai-se montando um quebra-cabeças com episódios individuais associados a cada uma das personagens, ora de investigação, ora da vida familiar, ora do convívio social que no fim levam à descoberta dos crimes violentos e, frequentemente, uma segunda narrativa de memórias do passado vai sendo intercalada, uma repetição do passado com ecos no presente. Marido e esposa jogam no limite da cooperação entre o sigilo das vidas profissionais e a investigação conjunta e as tensões familiares e da esquadra. São romances policiais onde a vida familiar e a atividade detetivesca se desenvolvem em paralelo, se entrecruzam e têm pesos iguais no evoluir da narrativa, num tom marcadamente feminino que mais perto do final acelera.

Romances simpáticos, fáceis de ler que entretêm neste calor de verão e vão mantendo o interesse na leitura e no desenrolar investigação.

sábado, 28 de agosto de 2021

"A Sombra da Sereia" de Camilla Läckberg

 

Acabei de ler o romance de investigação policial "A sombra da Sereia" da sueca Camilla Läckberg. Na pequena cidade piscatória de Fjällbacka num grupo de 4 amigos um deles é dado como desaparecido; o segundo lança o seu livro de estreia, "A Sereia", e toma-se conhecimento que está a ser ameaçado por cartas anónimas; o terceiro tem a mulher doente em estado terminal mas apercebe-se que a sua morte foi acelerada por denúncia feita por uma intrusa; e o quarto, rico e sem caracter, passa alheio a tudo isto com a sua amante e desprezo por todos, apercebemo-nos que os une algo terrível ocorrido no passado e eis que o corpo do primeiro surge debaixo do gelo costeiro assassinado. Vingança?

Mais uma vez o inspetor Patrick Hedström e a sua equipa da esquadra procuram compreender o que se passa naquela pequena povoação costeira e buscam o assassino, enquanto sua mulher, Erica Falk, grávida de gémeos à revelia dele, vai fazendo a sua investigação, ela que se tornara amiga do novo escritor. O mistério adensa-se e vai desembocar numa descoberta surpreendente que explica todos os acontecimentos.

Este é o terceiro livro policial desta escritora que leio. Em todos eles gosto da história e o mesmo casal envolve-se numa investigação paralela que no fim se funde. Em todos vamos acompanhando de buscas policias com intercalações de cenas da sua vida familiar e doméstica das personagens com maior pormenor do casal protagonista. Neste romance apercebi-me da razão de algum desconforto ao longo do desenrolar do mistério, este prende-se com o facto de na técnica narrativa se fazer uma sucessão de pequenos episódios que terminam em suspense mas onde as descobertas dos protagonistas não são divulgadas ao leitor, ou seja, ao contrário de outros autores que lançam as pistas todas, as certas e os iscos errados para construirmos em paralelo as deduções, aqui muitos dos dados são mantidos sem uma revelação clara do seu conteúdo, embora possamos deduzir alguns aspetos, o que leva a alguma desvantagem no jogo do leitor construir a sua teoria de forma a sentir-se em concorrência detetivesca.

Apesar deste incómodo pessoal, gostei, os muitos momentos de cenas domésticas e tensões familiares servem de anticlimax ao suspense numa escrita escorreita e sem nenhum singularidade especial a salientar, mas fácil de ler.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

"Gritos dos Passado" de Camilla Läckberg

Acabei de ler um livro policial nórdico da sueca Camilla Läckberg, uma autora de suspense suave que contrasta com outros escritores violentos da Escandinávia: "Gritos do Passado", onde se mistura investigação de crimes a partir de uma esquadra e o ambiente familiar dos protagonista. Este é o segundo romance da autora que leio e a história decorre, como parece ser o seu cenário habitual, na sua pequena cidade natal, turística e costeira Fjällbacka e com a investigação pelo casal formado pelo polícia Patrick e sua esposa Erica.

No presente caso, uma criança encontra um corpo de uma jovem numa cavidade que se vem a descobrir estar junto dos esqueletos de duas desaparecidas há mais de duas décadas atrás, entretanto, uma outra jovem desaparece na cidade e tudo aponta para ser um crime perpetrado por membros de uma família local que mistura elementos de fanatismo religioso e outros de delinquência, mas onde o suspeito do passado entretanto morreu e os parentes atuais vivem numa rivalidade de acusações e defesa que tudo baralha, paralelamente as novas tecnologia de ADN também vêm lançar novas confusões. Entretanto Erica está grávida e o calor de verão e hóspedes oportunistas vêm perturbar os raciocínios do casal numa toada onde alguns mais velhos não são bons cooperantes na investigação.

Bem escrito, num tom um pouco intimista que mistura trabalho e sentimentos familiares e com colegas laborais, o livro começa num ritmo lento para depois a tensão aumentar com o decorrer da história e acelerar. Gostei, embora sem o brilhantismo dos grandes génios do policial é uma leitura relaxante, em ambiente quase provinciano e sem levantar perturbações no leitor.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

"A Princesa de Gelo" de Camilla Läckberg


Acabei de ler o romance policial "A Princesa de Gelo" da sueca Camilla Läckberg.
Numa povoação piscatória que no verão é inundada por turistas, mas que no inverno é um pequeno lugar pacato, um residente encarregado de reparar a caldeira de uma habitação de uma família rica local e residente na cidade ao deslocar-se à casa depara-se com uma mulher que aparentemente se suicidou na banheira onde ficou congelada pelo frio nórdico. Este pede ajuda a uma amiga de infância da falecida que passava, agora escritora de biografias. Esta, chocada com a cena, começa depois a pesquisar a história de vida da vítima e conhece um agente policial por quem se apaixona. Juntos cooperam na investigação que afinal é um assassinato talvez com motivos em factos escabrosos de há várias décadas quando a protagonista estranhamente vira sem perceber o afastamento da sua amiga.
Um romance que além das descobertas dos investigadores junta os sentimentos e os problemas individuais e familiares das personagens principais e dos suspeitos, pelo que vemos o evoluir do trabalho policial e das relações humanas criando uma atmosfera romântica.
Uma escrita escorreita, sem grande rasgos de originalidade literária, que ao integrar os sentimentos das personagens e os ingredientes do suspense da descoberta do criminoso permite construir uma estória simpática e agradável que alimenta o interesse do leitor. Uma obra fácil que gostei de ler, sem a violência física sádica de alguma literatura policial nórdica, pois opta mais pela análise da psicologia dos envolvidos, que também descobrem atos bem chocantes.

domingo, 10 de dezembro de 2017

"Os Milagres do Anticristo" de Selma Lagerlöf


O romance: "Os Milagres do Anticristo", da escritora sueca Selma Lagerlöf, a primeira mulher vencedora de um prémio Nobel da literatura, é uma obra que usa o fantástico tomando lendas e crenças para criar uma sátira e levar a uma reflexão sobre a confusão entre comportamentos sociais, ideologias políticas e fé religiosa.
A partir de uma crença generalizada na Sicília de que o anticristo terá a mesma aparência que Cristo e dum acontecimento que Selma conheceu numas férias naquela ilha, da substituição (à socapa) de uma imagem de altar por outra falsa; a escritora cria uma parábola de reflexão com humor e ironia sobre a confusão da ideia política de socialismo e da mensagem do cristianismo, ambientada à terra siciliana e com recurso aos mitos, religiosidade, disfunções sociais, vícios culturais, sede de justiça e paixões que formam a imagem coletiva do estilo de vida siciliano.
Na colina romana do Capitólio uma sibila profetizou a César Augusto que ali se adoraria Cristo ou o anticristo, mas não o homem fraco. Após a conversão de Roma ali construiu-se a igreja Aracoeli (eu conheço-a e para mim o seu interior é um dos mais belos e ricos da cidade), onde uma imagem de Cristo menino é venerada durante séculos para evitar a adoração do mal, mas no de 1800 uma inglesa ambiciona a sua posse e procede à sua troca, com o embuste descoberto fica com a falsa e viaja por muitos locais onde se operam maravilhas, até ir parar a um altar numa pequena e pobre cidade da Sicília e nesta comunidade esquecida muito muda com o patrocínio de uma devota apaixonada por um revolucionário e o sucesso do povoado é um exemplo para a região do Etna, até que se descobre a verdade das origens da imagem "milagreira" que só agia a favor do interesse mundano.
A escrita é muito fácil e cativante. A forma de explorar mitos e hiperbolizar acontecimentos fantásticos faz parte do estilo desta escritora nórdica, que neste romance deixa os de origem pagã da Escandinávia e pega nos associados às crenças Católicas e denúncia subtil dos defeitos estruturais da sociedade latina, com aproveitamentos religiosos e políticos nas questões de ideologia e fé, No fim a obra dá um grande abanão a quem vai pensando que se emite alguma opinião de fundo sobre religião, mas não deixa de ser mordaz a quem quer aproveitar o cristianismo para fins ideológicos. Como todo o romance que mexe com religião, valores e estilos de vida, o livro pode chocar, mas no fundo é uma excelente reflexão a brincar com a crendice popular e o aproveitamento político e social desta. Gostei muito.