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14/05/12

Atira-te ao Mar!, por Xávego

Ontem fui à praia. Aproveitei para ver a tão «genuína» arte xávega, agora na sua versão industrial com tractores em vez de carros de bois e com barcos decorados com emblemas do fcp e imagens de gajas boas na proa em vez de santinhas (suponho que em caso de mar bravo os pescadores agora chamem rezem ao Hulk e não às santas da devoção dos avós).

Confesso que me sinto um pouco dividido com aquele espectáculo porque se por um lado gosto da fauna animada dos pescadores, por outro, fico um bocado impressionado com a chacina de tanto peixe. Mas ontem este segundo sentimento venceu largamente o primeiro.

Acontece que nas redes dos pescadores vem sempre uma percentagem brutal de cavala nomeadamente da espécie «parda». São cardumes e cardumes de cavalas que os pescadores depois separam pacientemente dos biqueirões, das sardinhas e dos escassos chocos, robalos ou douradas que por lá caem. No fim enchem-se dezenas e dezenas de caixas de cavala que os homens do mar tentam vender aos curiosos a 5 euros a unidade. Há quem compre. Mas a maior parte da cavala fica por ali. Fiquei pasmado com o que se passou a seguir.

Após a debandada geral dos curiosos, os pescadores pegaram nas caixas de cavala e zás, toca a atirá-las ao mar. Cardumes e cardumes de cavalas que servem de pasto às milhares de gaivotas que fazem um verdadeiro festim com os restos das cavalas. Como é que é possível um tal desperdício? É que aquilo mete dó, quer pela chacina inútil dos peixes quer pelo esbanjamento. Houve um pescador que me explicou porque razão atiravam as cavalas às gaivotas e mais valia eu não saber...

Segundo o homem a UE define a quota de pescado a que portugal tem direito. Como a cavala - principalmente a parda - é uma espécie ameaçada de extinção as quotas de pesca são logo atingidas. E, como tal, nesta altura a cavala já não pode ser comercializada. Mas as redes não sabem nada sobre imposições da UE e continuam a apanhar cavala e  mais cavala. Daí que chegadas à praia, das duas uma: ou  são vendidas à caixa sem passar pela lota ou voltam para o mar. É o que acontece à maior parte. Isto é uma verdadeira dor de alma, segundo qualquer ponto de vista.

Resta ainda uma terceira opção para o peixe que a UE não deixa vender mas que deixa desperdiçar: às vezes os pescadores levam o peixe para casa e usam-no para estrumar a terra. Assim nem as gaivotas se ficam a rir... Portugal não existe!

16/03/11

Arroz e Lampreia e Outras Coisas Que Justificam Viagens no Nosso Portugal, por Interlúdio Publicitário


1 a 10 de Abril - Festival do Arroz e da Lampreia - Montemor-o-Velho (mais informação)

17 de Março a 3 de Abril: Festival Internacional de Chocolate em Óbidos ( mais informação )

19 e 20 de Março: XX Feira do Queijo em Oliveira do Hospital ( mais informação )

25 a 27 de Março: VI Festival a Pão e Laranjas na Vidigueira ( mais informação )

25 a 27 de Março: Jornadas Gastronómicas Sabores do Porco Alentejano e Feira do Porco Alentejano 2011 em Ourique ( mais informação )

26 e 27 de Março: Fim de Semana de Sarrabulho em Ponte de Lima ( mais informação )

1 a 4 de Abril: Fim-de-Semana do Arroz de Bucho e dos Negalhos em Vila Nova de Poiares ( mais informação )

13/03/11

A Luta Continua, por Camarada Barreirinhas

Num blog assumidamente anti xuxa e anti socas, como é o Tapor, o dia de hoje não podia deixar de ser assinalado. Fomos dos primeiros a declarar a nudez do rei quando ele ainda vencia eleições com maiorias absolutas. Tudo o que de socas e dos xuxas se diz agora, tudo o que é ponto assente para quem consegue ter um mínimo de imparcialidade sobre a tenebrosa rede que nos desgoverna, foi anunciado pelo Tapor, praticamente desde que existe. Os ratos abandonam o navio, apoiantes de sempre do ingenheiro e dos xuxas apressam-se a desmarcar-se. Nós cá estamos, como sempre, a dizer o que sempre foi óbvio.

O dia de hoje é particularmente importante porque das manifs que decorreram em todo o país, é claro que a o povo, e não só a geração à rasca, já não suporta os xuxas. Foram 200 mil em Lisboa,80 mil no Porto, foram milhares noutras cidades do país. E foi pena que nalgumas delas, gente que passa o tempo a perorar contra os xuxas tenha preferido ver as manifs na TV. Teríamos sido mais ainda...

Hoje vi slogans sintomáticos como aquele que dizia «socas faz um favor ao país e entra em contra mão na A1», vi políticos como a joana amaral dias a quererem discursar na manif de Lisboa a a malta a mandá-la calar porque não queria políticos a falar, vi os Homens da Luta em grande a puxarem pelo pessoal e, sobretudo, vi milhares e milhares no Porto e em Lisboa. Reunir tanta gente depois da contra-propaganda da comunicação social do regime foi obra - ainda na sexta feira ouvi na antena 1 eduarda maio, a autora do best seller O Menino de Ouro, biografia oficial de zé socas, a atacar durante meia hora um dos promotores das manifs. Nunca tinha visto uma coisa assim, com a referida autora da grande peça biográfica citada, a dedicar todo o santo tempo da «entrevista» a tentar provar que as manifs são manipuladas. Curiosamente esta é a mesma senhora que me enjoa pela subserviência com que trata as figuras do regime.

Mas a malta, desta vez, pela primeira vez?, aguentou tudo e lá apareceu nas manifs. Não entendo como é que o governo nem assim se demite. Façam um exercício singelo - metam-se nas cabeças do socas, do santos silva, do silva pereira, da alçada, do teixeira, daquela gentinha toda... Conseguiam dormir descansados esta e as próximas noites? Não coravam de vergonha quando se vissem no espelho? Ao menos Guterres teve a hombridade de se ir embora. Estes, pelo contrário, só irão quando forem corridos. Felizmente esse dia está próximo - socas e os seus xuxas estão mortos e enterrados. E foi isso que hoje lhes dissemos.

03/03/11

(Re)pensar a Democracia: Uma proposta. Por E S'Cá Nevasse?

Ter e trocar ideias é importante. Mas não menos é agir em conformidade, dando consequência concreta às palavras, aos princípios e às intenções. Nos meus últimos posts tenho defendido uma maior participação dos cidadãos na coisa pública, sendo que essa é para mim a única saída viável para a crise em que nos encontramos. Não falo da crise económica, mas sobretudo da crise política, que existe e é mais profunda do que os normais conflitos entre partidos ou com viabilizar ou não viabilizar orçamentos na AR. A verdadeira crise reside na apatia ou no desencanto da grande maioria dos portugueses relativamente ao panorama político institucional (partidário, parlamentar) nacional. À sensação de ausência de alternativas que leva a grande maioria dos nossos concidadãos a demitirem-se dos seus direitos (deveres?) eleitorais e de cidadania política. E que, por omissão, ajudam a perpetuar as disfunções.

Falo, em suma, de uma crise de representatividade, que se agrava perante a incapacidade de renovação dos partidos instalados e que se traduz na seguinte triste realidade: «(...)estes resultados já podiam ser previstos num estudo publicado pouco antes das eleições pelo Projecto Farol, um think tank independente. De acordo com o estudo do Projecto Farol, 94 por cento dos portugueses dizem não confiar na classe política, 90 por cento nos Governos, 89 por cento nos partidos e 84 por cento na Assembleia da República. Cerca de 70 por cento revela também não ter confiança nos tribunais, na administração pública ou nos sindicatos. 

Quase metade dos inquiridos afirma ter pouco interesse na política nacional (43 por cento) e na política local (48 por cento).» (in Perplexo).

Significa isto que o modelo democrático que temos está esgotado? Longe disso. O que significa é que precisa de ser melhorado. Melhor ainda: renovado. E não faltam exemplos de outros países onde a Democracia funciona melhor, onde nos podemos inspirar. Sendo certo que, onde funciona melhor, é onde os cidadãos não só participam mais, como são mais esclarecidos, lêem mais e debatem mais. O alheamento não é uma resposta. E a simples manifestação de revolta não chega para alterar o essencial, que passa por ser o sistema. Sendo que o sistema somos todos. Não é uma questão de "nós" e "eles". É sempre uma questão nossa.

Mas este post pretende ser apenas um princípio de conversa. Um princípio de conversa em forma de proposta. E o que proponho é a criação de um fórum, que pode evoluir para um formato associativo, para (re)pensar a democracia. Um fórum de gente verdadeiramente interessada em mudança e em fazer parte dela, pensando soluções, reflectindo alternativas e pugnando pela sua aplicação. Chamemos-lhe "think tank", chamemos-lhe lóbi, chamemos-lhe coletivo ou organização, chamemos-lhe o que os seus membros acharem melhor nas reuniões fundadoras. O importante é congregar ideias, vontades e esforços. Um fórum de gente partidária ou apartidária, de gente de esquerda, de direita, do centro ou de lado nenhum, de gente interessada em aprofundar e aperfeiçoar a democracia representativa vigente. Propunha desde já Coimbra como cidade-sede e, além de reuniões regulares presenciais, a criação de uma plataforma online (um grupo no Facebook, por exemplo).

A ação deste coletivo pode passar pela organização de conferências ou eventos públicos, por atividade editorial, por contactos diretos com partidos ou eleitos, por pressão junto de grupos parlamentares, por lançamento de petições ou por uma miríade de outras formas de intervir na esfera pública e de pensar coletivamente em questões essenciais do nosso tempo. Queremos construir um país melhor para os nossos vindouros? Então façamo-lo. Quem estiver interessado pode manifestar-se nesse sentido nos comentários deste post, deixando um contacto ou escrevendo para jpcruz(at)gmail.com.

02/03/11

Também tenho um (des)gosto, por Se Não Nevar em Abril Não Há Crise

O meu anterior post cumpriu a sua função de agitar as hostes e de trazer ao de cima o pior que há em nós, um dos objectivos basilares deste blogue. Como sou um tipo empreendedor, como se deve insistir em modelos de sucesso, como o Cão pede para desenvolvermos o que pensamos disto tudo e do que ele chama «os gajos de ocasião» e como também tenho filhos, resolvi continuar a empreender neste tema candente da sociedade portuguesa: jovens parvos e outros à rasca.

Pelo que pude perceber, para o próximo dia 12 avolumam-se dois movimentos de protesto distintos. Um de jovens revoltados com a falta de emprego e com as relações precárias de trabalho. Outro de gente de todas as idades, que se irmanam no slogan: «Um milhão de pessoas na Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política». Repito: «pela demissão de toda a classe política». Pessoalmente, simpatizo mais com os primeiros. O proto-anarquismo de fancaria e o discurso anti-político radical, a sua sanha purificadora com laivos jacobinos, subjacente ao segundo assustam-me um bocado, ainda que concorde com alguns dos diagnósticos que acompanham o «manifesto» que tem corrido na net. Merecem-me mais respeito e empatia os jovens à rasca.

Os dois movimentos, no entanto, têm algo que os une: nenhum oferece soluções ou alternativas. E ambos esperam que alguém, não se sabe bem quem, resolva os seus problemas. É evidente que todos nós, que pagamos impostos, esperamos que o Estado ofereça algumas respostas no sentido de atender às aspirações e necessidades da população. Mas como o Estado não é uma abstração religiosa do tipo Espírito Santo e é feito de cidadãos concretos que o gerem e sustentam num determinado quadro constitucional, nomeadamente de democracia parlamentar representativa e do estado de direito, convém colocar o discurso no plano das soluções concretas. E, se formos democratas, no plano do sistema vigente no sentido de o reformar e melhorar. Isto é, vir para a rua defender a «demissão de toda a classe política» é um programa mais do que irrealista: nihilista. Até porque parte do princípio de que se «toda a classe política» fosse demitida, aconteceria um milagre e que emergeria da sociedade portuguesa, não se sabe bem como nem de onde, uma nova vaga impoluta e infalível de políticos e gestores da coisa pública. Como se por baixo do sistema político, fervilhasse uma pátria anónima honesta, competente e voluntarista, que nos conduziria à glória.

Eu sei que para além do sistema político, há imensa gente capaz e honesta, pronta a tomar as rédeas do Estado. No entanto, as coisas não são tão simples. Não só os políticos que temos são um reflexo do povo que somos (no seu melhor e no seu pior), como a gente capaz e honesta que existe, está nos sítios onde deve estar: a produzir riqueza, ciência e saber nos seus postos: empresas, universidades e demais instituições privadas que são tão essenciais quanto o Estado para manter este país de pé. É por isso que acho que devemos transcender a demagogia populista destes arautos da mudança sem projecto e que devemos ser realistas, porque os tempos não estão para fantasias. E a única forma que vejo de fazer isso é mudar o sistema por dentro. É nesse sentido que defendo como soluções uma maior participação dos cidadãos descontentes na política que demonizam e uma mentalidade mais empreendedora. Porque pura e simplesmente não há outras opções, se quisermos dar um futuro melhor aos nossos filhos.

O que é que isto significa na prática? Significa desde logo ir às urnas escolher as alternativas que se apresentem no quadro da tal democracia representativa - e o que temos visto é que a maioria da população se demite desse dever, sendo como tal, responsável por omissão pelo estado da nação. Isso é o básico. Depois, há formas mais interventivas de corporizar a mudança, no contexto da política. À cabeça: aderindo a partidos e lutando activamente não só pela mudança interna desses partidos, mas também por uma mudança de governo e de forças parlamentares. Ou mesmo criando novos projectos partidários e saindo para o terreno na luta por causas consequentes e por verdadeiras alternativas de poder central ou local. Ainda no quadro da política, o sistema oferece a possibilidade da criação de movimentos de cidadania não-partidários, que se podem constituir em lóbi de pressão junto de quem decide.

O que acontece de facto, no entanto, é que o povo português, na sua maioria, se demite de participar e reduz a sua actividade política às conversas de café e aos bitaites raivosos na net. E muitos nem isto fazem. Na sua generalidade, infelizmente, somos um povo apático que de vez em quando se excita e se manifesta, mas que logo a seguir regressa à sua normal e sofredora vidinha. O verdadeiro problema não são os «gajos de ocasião», não é este tempo, como afirma o Cão sem sentido histórico ou sociológico, são os gajos de sempre: somos nós, ou a maioria de nós, que nos eternizamos nesta mentalidade fadista, conformista e de lamuria inconsequente.

Enfim, valham-nos o futebol, a novela, os cafés e as suas esplanadas, o malogrado Carlos Castro, o facebook, os blogues e os jornais online para desabafar e soltarmos a fera que há em nós! Fora do contexto político, podemos de facto fazer a mudança se abraçarmos uma atitude mais empreendedora e menos avessa ao risco. De uma forma ou de outra, nada de essencial mudará a partir de 12 de Março se os portugueses, políticos ou não, continuarem a achar que a culpa e a responsabilidade da mudança é sempre dos outros. Ou é preciso citar o Kennedy?...

Um (des)gosto, por Cão

Tenho uma filha com 17 anos feitos que acredita em si mesma. É bom. Também acredita no futuro dela, ela. Já não sei se isso é tão bom. Não sei – e não sei explicar-lhe a minha ignorância.
Tenho outra menina a que pertenço também. Tem 11 anos, vai andando, não sei bem em que acredita ela, vejo-a menos vezes do que deveria.
Uma e outra são portuguesas. Crescem como juncos que o vento matiza de verde. São cidadãs deste tempo.
O problema é este tempo ser destes gajos. Deste país. Desta conjuntura.
A Leonor e a Teresa são exactamente iguais aos vossos filhos e filhas: encarnações floridas com que intentei prolongar a eternidade que o Tempo nos nega. Não o Tempo dos filósofos alemães. Não o Tempo de mármore da Grécia. Não o Tempo cartográfico das caravelas. Este Tempo.
O Tempo dos corruptos/corruptores. O Tempo dos falsos adventistas. O Tempo dos idiotas subidos a lugares de comando. O Tempo dos amigos serem para as ocasiões que fazem ladrões.
A minha Leonor e a minha Teresa foram feitas em Portugal, mas não para ele.
E os vossos filhos e as vossas filhas? Terão sido para gajos de ocasião como estes?
Gostaria de saber o que pensais disso.
Gostaria mesmo.

28/02/11

Se calhar parvoices, por Às Vezes Neva em Abril

Este vem um pouco a propósito do anterior post, solidário com a geração parva à rasca e com os seus protestos e reivindicações - em rigor é uma minoria dentro de uma geração, uma larga minoria, mas uma minoria, já que a maior parte até se vai safando razoavelmente.

Este fim de semana fui com a família passear e, pelo caminho, fomos visitar o castelo de Leiria. Lembrei-me disto porque foi também uma ocasião de apreciar, em toda a sua pequenina grandeza, o mamarracho futebolístico que o (des)enquadramento na paisagem agiganta ao ponto de eclipsar tudo à sua volta com a sua fealdade, inclusive o castelo. E o que é que isto tem a ver com gerações parvas?

O estádio de Leiria, até porque parece não servir para mais nada, é um símbolo poderoso. Um símbolo do que está mal neste país e uma prova viva, perdão, morta, da responsabilidade inter-geracional e geral pelo estado da nação e da responsabilidade tanto de governantes como de governados. Nação essa que é o somatório de decisões atrás de decisões desastradas e desastrosas. Muitas delas, como a decisão do Euro 2004, amplamente aplaudidas pelo povo. O mesmo povo que hoje atira pedras aos políticos, basicamente os mesmos que ajuda a eleger, por acção ou omissão, eleições atrás de eleições. Sobretudo por omissão.

O estádio de futebol de Leiria, exemplo perfeito de investimento público inútil, é um símbolo de um povo, ontem como hoje, parvo e rasco, que se alheia da coisa pública e que pelo caminho de História se esqueceu de arriscar e de empreender (se é que alguma vez se lembrou), à sombra de um Estado tentacular e providencialista com as prioridades trocadas, que continua a asfixiar a iniciativa privada e a capacidade criativa do indivíduo.

O estádio de Leiria é um símbolo de um povo fadista, inconsequente e dependente, que prefere a lamentação à acção e o subsídio ao risco. Em suma, o estádio de Leiria é um símbolo de um povo que não sabe ser livre e que tem os políticos que merece.

É por estas e por outras que «correr de lá com estes políticos», uma das bandeiras dos jovens descontentes, não muda rigorosamente nada. Não muda porque o problema não é do balde, é do que lá está dentro. E lá dentro estamos todos - todos os que aplaudimos os euros da bola e o circo, por exemplo. Isto é, os nossos políticos somos nós.

Por isso a minha resposta à geração parva e à rasca é: parem lá com as manifs e com o choradinho e organizem-se, pá! Infiltrem-se em partidos, organizem-se em novos partidos ou projectos políticos independentes, organizem-se em associações, em lóbis, em cooperativas, vão à luta, acreditem mais em vós próprios, não fiquem à espera que os outros resolvam os vossos problemas ou de empregos para a vida e criem projectos empresariais, sejam empreendedores e participativos, rasguem novos horizontes. Em suma, mexam-se! Só assim conseguirão a mudança que reclamam.

01/02/11

Boas Companhias, por DDT

O ex presidente Sampaio foi testemunhar a favor da honorabilidade e respeitabilidade do camarada zé penedos a contas com a Justiça como arguido no processo Face Oculta.

Sampaio põe as mãos no fogo por Penedos, um modelo de honestidade e incorruptibilidade, segundo a personagem que se destacou na presidência por condecorar tudo o que mexia. E, para mostrar, como penedos é à prova de suspeita, Sampaio deu o seu próprio exemplo: também ele, Sampaio, enquanto presidente da República, recebeu milhares de prendas e muitas valiosas que davam para encher duas salas!

E o sr Sampaio acha isto natural! Eu não, mas enfim... Sampaio engrossa assim a lista de bons exemplos xuxas nesta matéria: há uns meses atrás a comunicação social publicou a lista de ofertados do sucateiro Godinho e lá vinha a rapaziada do costume ... Jorge Coelho chegou mesmo a declarar alto e bom som e sem estremecer que só canetas de dupont oferecidas, tinha lá em casa mais de 200! Tudo normal, a honorabilidade de Penedos está então atestada em tão boas companhias, é o que argumenta Sampaio!

Nem vale a pena comentar esta reinação, faço minhas as palavras deste post, está lá tudo o que devia ser dito para que esta gentinha corasse de vergonha - se a tivesse,claro: http://31daarmada.blogs.sapo.pt/4766790.html

25/01/11

O País Onde Assumir é Assobiar Para o Lado, por Megatron

Portugal está em decomposição acelerada. O ingenheiro e os seus xuxas são os principais responsáveis pelo estado de lamaçal a que chegámos. Mas mesmo assim ainda existe uma curiosa espécie de português que, não podendo negar a evidência, isto é, a deplorável qualidade dos governantes xuxas, ainda atira para o ar com um deprimente: «pois é, estes são maus, mas os outros são iguais». Ora, para lá do intolerável amorfismo desta posição, autêntica palavra de ordem da inacção vegetal, acontece que isto, pura e simplesmente, não é verdade.O que é é certo, sim, é que «os outros», por muito maus que sejam ( e alguns são!) não são, nem de perto nem de longe, tão maus como estes!

Um exemplo, só mais um entre muitos: por piores que fossem, os antigos ministros e secretários de estado dos governos anteriores ao socas sempre conservaram a noção de que havia limites que, uma vez, reconhecidos publicamente deviam corresponder a demissões. Havia na democracia portuguesa ante-socretina uma espécie de consciência colectiva implícita das regras do jogo: responsável político de cargo relevante apanhado em falta demitia-se! Com zé socas perdeu-se este decoro mínimo. O que não é de estranhar uma vez que, se isto fosse levado a sério, o primeiro a ter que se demitir seria, obviamente, o ingenheiro das mil trapalhadas.

Agora vivemos mais um capítulo desta inconsciência larvar: um número desconhecido, mas elevado, de cidadãos portugueses foi impedido de exercer o seu direito de voto por falhas imputáveis directamente ao governo, mais precisamente ao Ministério de Administração Interna e ninguém, muito menos o ministro Rui Pereira, se demite! Parece que se vai abrir um inquérito e que se pede desculpas aos portugueses... O tanas! As desculpas são inaceitáveis, há é que assumir a responsabilidade desta vergonha.

Num país a sério o ministro rui pereira vinha à televisão na própria noite de eleições e demitia-se na hora. Por decoro, por decência, por vergonha. Num país de fancaria governado por zé socas e sus muchachos abre-se um inquérito, pede-se umas desculpas hipócritas, justifica-se a coisa com falhas técnicas (tanto choque tecnológico, tanto magalhães mais o raio que os parta a todos e, afinal estamos pior que no tempo da esferográfica) e adiante, siga o baile. E ainda dizem que os outros são iguais - tenham lá paciência mas não são! Por muito maus que sejam, esta impunidade nunca se tinha visto na história da democracia portuguesa. E, obviamente, este não é o primeiro caso: é só o último de uma longa história de inconsciência cívica.

23/01/11

Beatificação de Carlos Castro já!, por Cão

A tragicomédia da vida nacional não é preguiçosa. Antes pelo contrário, está tão mais viva quão menos recomendável. Seguem-se alguns itens.

Em vertiginoso curso, o processo de beatificação de Santa Frívola, que em vida se chamou Carlos Castro. Martirizado em halo de santidade por um fedelho de Cantanhede deslumbrado com o barulho das luzes ídolo-televisivas, o malogrado “socialite” da escória socio-cor-de-rosa parece importar-nos a todos muito mais do que um tal capitão de Abril chamado Vítor Alves. Vítor quem? Exacto.
GALP & resto da quadrilha gasolineira de volta à hiperinflação concertada dos combustíveis. Deixa andar, povinho, coitado mas é do Carlos Castro.
O versejador de Águeda continua com a mania de que ele é que é o 25 de Abril, a Resistência, a Poesia, a Democracia. Não é nada.
Um tipo mata o amante da ex-companheira com dois tiros pelas costas. Presente ao juiz, certo detalhe técnico fá-lo sair em liberdade enquanto espera julgamento. Certo. Porreiro. Deve ser justo.

Sócrates etc.

Impostos disparam para cima, salários para baixo, desemprego para cima, justiça para baixo: com tanto acimabaixoacimabaixo, isto já parece cópula sexual.

Eu sei, eu sei: a crónica da semana passada prometia melhores notícias para esta. Não fui capaz de encontrar nenhuma. Nem eu, nem a rapaziada do Sporting, clube que cada vez mais se belenensiza. Por falar em Belém, vai haver eleições presidenciais um dia destes.

Mas Carlos Castro não pode já, como sempre esperei, vir a ser Presidente da República. Será, quando muito, santa. Santa no roxo lírio dos nossos corações.
Dos nossos frívolos corações, ó saudoso capitão Vítor Alves.

20/01/11

Plano de Austeridade Para Salvar Portugal, por Mad Cop

Esta semana dois presidiários conseguiram fugir de uma carrinha da polícia em plena baixa lisboeta depois de se terem desembaraçado das algemas. No dia seguinte o enfoque de um responsável policial era na questão das algemas. Segundo ele a política de austeridade governamental chegou ao ponto de se comprarem algemas de 5-10 euros das lojas chinesas. Umas algemas como deve ser saem muito caras e as instruções da tutela são para se poupar. Ainda ouvi um outro polícia a afirmar que as algemas da polícia são iguaizinhas às que se compram em qualquer sex shop. Mau! polícias, fardas, algemas de sex shops, não querem lá ver...

Mas quando eu pensava que a politica de austeridade governamental está a chegar a pontos absurdos, eis que venho a saber de «fonte bem informada» uma última que deixa o episódio das algemas a um canto. Será verdade que os polícias têm instruções para descarregarem os autoclismos das sanitas apenas ao fim do dia? Para poupar água? Garantem-me que sim e eu não quero crer, mas depois do episódio pífio das algemas chinesas das sex shops, já não sei o que pensar...

Pergunta Naif, por Nelito

Dizem alguns «experts» de economia que o governo do ingenheiro fez um excelente negócio ao vender a dívida portuguesa a investidores estrangeiros a uma taxa de 7,3%. Excelente para quem - para nós ou para os investidores? Eu não me importava nada de comprar dívida portuguesa com uma taxa de juro de 7,3. É negócio que não há nenhum banco que me ofereça. Não posso porquê? Quem me dera ter os olhos em bico e chamar-me Ling Shan Po...

14/01/11

Esquizofrenia Política, por Mad Doctor

Acabo de ouvir na rádio as declarações de Manel Alegre num comício xuxa no interior do país. Depois de andar a criticar o cavaco por ser o pai da crise e por não se ter oposto às políticas que conduziram o país a este estado (mas as políticas de quem?), Alegre aparece agora, no dito comício, ao lado do primeiro ministro ingenheiro. Mas afinal quem é o responsável pelas políticas ruinosas que levaram o país a bater no fundo? Não é o ingenheiro? Então, se o cavaco devia ter feito algo para evitar isto, era ter demitido o governo... É isso que alegre quer dizer quando critica cavaco por não ter feito nada? Mas agora o alegre e o ingenheiro surgem lado a lado e eu já não percebo nada...

Depois ouço o Alegre a dizer sem corar, sem rir, sem chorar, que apoia o ingenheiro, o qual tem feito muito esforço para vencer a crise, e que está e estará sempre ao lado dele, incondicionalmente. Mas o alegre não é apoiado pelo BE que aponta o ingenheiro e as suas políticas como o pai da crise? Então qual é o alegre em que devemos acreditar: no alegre versão xuxa que apoia incondicionalmente o ingenheiro ou no alegre versão BE que critica a política ruinosa e anti-social do mesmo ingenheiro?

A posição de alegre, apoiado simultaneamente pelo BE e pelo ingenheiro e seus xuxas é indefensável. O homem parece padecer de esquizofrenia e não sei mesmo se estes exercícios de acrobacia mental não lhe custarão danos irreversíveis do ponto de vista da sua sanidade psíquica. Para seu bem, oxalá não seja eleito: ainda acaba na psquiatria a julgar-se Napoleão Bonaparte.

05/01/11

FALTA DE VERGONHA, por Coradix

Estava aqui a pensar (coisa perigosa, hoje, em Portugal): qual será o problema deste país? De uma forma inequívoca, a resposta surge, sem qualquer rebuço: o problema de Portugal é falta de vergonha!

Sim, falta de vergonha a que assistimos quotidianamente.
Como é possível alguém ser capaz de se olhar ao espelho, sem se envergonhar, depois de decretar medidas de austeridade e, de imediato, permitir toda e qualquer possibilidade de fuga a essas medidas: é os Açores, a Segurança Social, a promoção dos Polícias, os dividendos da P.T….

Temos os casos BPN, Freeport, Casa Pia, os voos da CIA, o BES, … não vale a pena ser fastidioso a elencar todos os outros (até porque não há tempo para tal).

Depois, sem qualquer resquício da dita, alardeia-se que, afinal, estamos muito bem e a implementar as medidas certas na Educação porque o Relatório Pisa veio afirmar que estamos a evoluir e somos fantásticos (há por aí um pateta, um careca cujo nome ignoro e que participa no programa Eixo do Mal na Sic, que até já diz que a anterior ministra é que era, porque foi a grande obreira e que merece ser ministra da educação num próximo governo PSD — a este o problema da vergonha até se secundariza, tais as imbecilidades que profere).

Mas, pasme-se, quando se pretende saber como foram escolhidos os discentes e quem são… não se pode porque é secreto!
Pois, mas agora o GAVE (sem alunos secretos e sem escolhas) veio repor a verdade das coisas: afinal estamos mesmo mal e a precisar de mudar urgentemente! Voilá. Fica-se à espera da cambalhota do pateta a que se alude anteriormente.

Mas atenção: a ausência de vergonha não vale só para isto. Vale, e quase diria sobretudo, para aqueles que, sendo espoliados, enganados, maltratados, tratados como tolos e com absoluto desprezo ainda voltam a eleger quem os manipula. Sim, porque os grandes responsáveis são quem escolhe este tipo de gente.

Lévi-Strauss dizia que a vergonha é um sentimento social. Infelizmente, no nosso país, a vergonha só é apanágio das pessoas de bem. E essas não têm qualquer possibilidade de lutar contra os rebanhos que acham que ser de um determinado partido é como ser de um clube de futebol… as palas aplicaram-se, durante anos, nos burros. Nos humanos já nem é preciso esse artifício!

16/11/10

O Despertar, por Rolex


E de repente parece que o país acordou... Subitamente temos toda a gente a dizer mal do inenarrável sócrates, o pior governante português de que tenho memória, a maior anedota de toda a história política nacional. Mas o que foi que mudou entretanto?

Será que se soube recentemente do caso fripó? Da licenciatura que saiu no OMO? Da cova da beira? Das aldrabices permanentes? Do controlo dos media? Dos familiares duvidosos? Do edifício de luxo comprado pela mãe? Da entourage rasteira? Dos projectos das casinhas? Da face oculta? Dos boys? Não, tudo isto e muito mais que não me sobra fôlega para tanto, já se sabia há mais de um ano... Então porque é que só agora o país parece ter acordado? Porque é que de um dia para o outro as sondagens dão o homem e os seus xuxas nas ruas da amargura?

A resposta é, infelizmente, demasiado prosaica. Os portugueses sentiram, subitamente, que a incompetência de sócrates lhes foi ao bolso. E isso eles não perdoam. Pode um governante ser um patife da pior espécie - e não estou a dizer que é ou que não é o caso - que nada disso interessa. O único critério que faz realmente mexer os portugueses é apenas e só o peso do vil metal. Não deixa de ser um sinal, mais um, da nosa apagada e vil tristeza. Pobre povo este que tem necessidade de uma crise económica para ver a mais simples das evidências! Sócrates é no fundo o representante mais fiel deste povo que o elegeu duas vezes. Até na derrota...

17/10/10

A Solução, por Mad Doc

Tenho a solução para este triste país. É fácil: vendam-no! Se alguém o comprar, claro... Aos chineses, aos alemães, aos espanhóis, mas vendam-no.

Não faz sentido preservarmos um país sequestrado, degradado, avacalhado, abusado por uma rede organizada que não posso aqui qualificar. Quando as sondagens ainda dão uma percentagem tão alta de votantes no ps, um partido que, num país normal, já não passaria, à muito tempo, de uma tralha residual, eu pergunto: mas que povo é este?

O que é que significa ser português? Defender uma horda de ignaros que não aprende e que continua disposta a votar na cambada que nos governa? Então mais vale ser chinês...

02/10/10

A Canalha


Como esta gente odeia, como espuma
por entre os dentes podres a sua baba
de tudo sujo nem sequer prazer!
Como se querem reles e mesquinhos,
piolhosos, fétidos e promíscuos
na sarna vergonhosa e pustulenta!
Como se rabialçam de importantes,
fingindo-se de vítimas, vestais,
piedosas prostitutas delicadas!
Como se querem torpes e venais
palhaços pagos da miséria rasca
de seus cafés, popós e brilhantinas!
Há que esmagar a DDT, penicilina
e pau pelos costados tal canalha
de coxos, vesgos, e ladrões e pulhas,
tratá-los como lixo de oito séculos
de um povo que merece melhor gente
para salvá-lo de si mesmo e de outrem.

Jorge de Sena, 7.12.71

01/10/10

VERGONHA, por Incrédulo

Assistimos a mais um descalabro grotesco perpetrado por esta gente sem princípios, sem valores, adepta dos “arranjinhos”, conhecida por surripiar os mais pobres e ser subserviente aos mais ricos. Este aumento de impostos, cumulativamente com o congelamento na progressão, corte nos salários, subida do preço de medicamentos essenciais, cortes nos direitos (e não benefícios) sociais, na segurança social… tudo isto com o beneplácito dos miguelitos deste mundo, que rosnam um palavreado baseado na ignorância cega (pior, que não quer ver).
Este bando, que andou nos últimos tempos a alardear incompetência, teimosia idiota e arrogância asinina, vem agora decretar, do alto da sua sandice, estas medidas desconexas, de acerto duvidoso.

Cobardemente, socorreu-se dum qualquer joguete da OCDE que veio, pateticamente, explicar o que se devia fazer (explique aqui aos burros, faça-lhes em desenho, use vaselina à vontade que nós encarregamo-nos do resto).

Estas medidas são mais do mesmo. Quem fica de fora? Proporcionalmente, que medidas foram tomadas relativamente à Banca? Aos offshores? Alguém se preocupa com a multiplicidade de Institutos que se atropelam para fazer…a mesma coisa (às vezes nada)? Que sinal foi dado pelos governantes? Precisamos de tantos deputados? De pagar ordenados principescos aos administradores (da RTP, por exemplo, que ganham três vezes mais que o Presidente da República)? E de ter cinco? A frota dos carros oficiais precisa de ser mudada (os portugueses vão passar a andar a pé…podia ser de burro, mas esses estão ocupados a fazer de conta que governam)? E as nomeações, a peso de ouro, que têm a particularidade de terem como sujeitos pessoas com nomes muito conhecidos da nossa vida pública? Se não sabem, se são incompetentes, se desconhecem a capacidade de pensar e reflectir (sim, é retórica, porque sabemos que é verdade), tenham, ao menos, VERGONHA.

21/09/10

Bandalheira, por Coqueteil Molotov

Fixem bem o jovem da foto da primeira página do Expresso. Este jovem é um símbolo. Uma espécie de bandeira, um testemunho vivo e expressivo da ideia de educação do governo do ingenheiro socas. O jornal conta a a história de Tó-Jó (chamemos-lhe assim, nem sequer fixei o nome), o aluno com a média mais alta de todo o Secundário: 20-valores-20, é obra! Há só um pormenorzito: esta média foi conseguida mediante a frequência nas espantosas Novas Oportunidades e a aprovação num único exame (de inglês). Tó Jó obteve 20 valores no exame de Inglês e com 20 valores ficou de média final. Com esta média Tó Jó entrou no Curso Superior que fiz, deixando, obviamente atrás de si, muitos outros colegas que perdeream o seu tempo a fazer os estudos secundários no ensino regular. E é possível? É.Vivemos no país disparatado e obsceno inventado pelo ingenheiro socas e sus incríveis muchachos xuxas!

Não é obviamente, o Tó Jó que eu critico. Limitou-se, apenas, a aproveitar uma aberração do sistema e fez muito bem. O que critico é um governo que é autor de uma coisa tão aberrante e obscena como as Novas Oportunidades, que permite um escândalo destes. O Tó Jó, de resto, nem sequer é caso único: o caso dele apenas deu brado porque a média de vinte valores que conseguiu deu muito nas vistas. Mas sabe-se que existem centenas senão milhares de alunos que, como o tó jó, aproveitaram a abébia e passaram a perna aos totós dos seus colegas do ensino regular que andam a perder quatro anos (se a coisa correr bem) para fazerem, como deve ser, o 9º, o 10º, o 11º e o 12º anos. Repito: totós!

Se o governo do ingenheiro permite que se passe pela porta do cavalo, se é possível fazer um só exame (à escolha) em vez de uns quantos, se se podem gastar 2 anos quando outros gastam 4, se se aprendem com êxito garantido conteúdos da treta em vez de coisas que interessam, com que legitimidade andamos a convencer os nosso alunos a frequentarem o ensino regular em vez das NO? Não estamos a enganá-los? Os professores das nossas escolas secundárias deviam aconselhar os seus alunos a deixarem o ensino regular e a passarem para as NO. Queria ver. Não passam porque são totós é o que é.

Toda esta história daria vontade de rir às gargalhadas se não fosse tão grave. E é vergonhoso que responsáveis do Governo ainda venham defender que isto está bem, que isto é «discriminação positiva» (sic) (mas de quem e porquê?) e que é muito delicado «fazer só um exame porque pode correr mal» (sic)... Incrível até onde chega a falta de decoro na apologia da mediocridade, da incompetência e da irresponsabilidade! Parabéns ao tó jó e a todos os tó jós deste país que passaram a perna a dezenas senão a centenas de estudantes que não entraram nos cursos que pretendiam porque foram ultrapassados pela malta das Novas Oportunidades.

Para o estado de ficção em que este país vive ser total, só faltava agora que se viesse a descobrir que temos um primeiro ministro que tirou a licenciatura no Omo, num domingo de Agosto, com trabalhos feitos em casa,com um mesmo professor amigalhaço a 4 cadeiras numa universidade compulsivamente encerrada porque estava ligada a actividades dúbias. Se isso fosse possível era pelo menos compreensível o caso do tó jó. Compreenderíamos, assim, porque é que a concepção que o governo xuxa tem da educação não é mais que uma sórdida, vergonhosa e irresponsável BANDALHEIRA!

08/09/10

«E você, o que me aconselha de Portugal?», por Tuga

Diz-me um amigo (bem, ele é um pouco mais que «um amigo») que no momento vive no Brasil que os seus amigos de lá lhe perguntam: «E você, o que me aconselha de Portugal»? O meu «amigo» pede-nos ajuda no seu blog (http://vaipaselva.blogspot.com/) . As minhas sugestões - cada vez mais omissas, sempre que as releio - foram as que se seguem. E gostava de ler as vossas sugestões, também... E vocês, o que lhes aconselham de Portugal?

O Benfica!
Os grandes escritores portugueses: o Eça, o Camilo, o Aquilino, nos mais antigos. O Lobo Antunes, o Fernando Campos, o Pedro Rosa Mendes nos contemporâneos.
Nos poetas: o Camões, o Pessoa, o Mário Cesariny, o Mário Henriques Lisboa...
O Benfica!


A música: os fados da Amália e do Alfredo Marceneiro e os mais recentes da Ana Moura e da Mafalda Arnauth.

O rock em português, os GNR dos bons velhos tempos (não os actuais) e os velhos Xutos (não os vendidos de agora).

Os grandes cantores de intervenção, uma coisa muito nossa, comparável à bossa nova deles: o Sérgio Godinho, o grande Zeca (um marco também no fado de Coimbra, juntamente com o Luís Goes), o Fausto, o Zé Mário Branco, os Trovante antigos, o Carlos Paredes... As recolhas da música popular do Michel Giacometti e a brigada Victor Jara...

Diz-lhes que temos alguma boa música clássica: o barroco de Filipe Pires e a música moderna de Jorge Peixinho... E bons intérpretes como a Maria João Pires, ou o António Rosado.

Excelentes solistas como o Mário Laginha (com ou sem a Maria João), o Bernardo Sassetti, o António Pinho Vargas...

O Benfica!


Fala-lhes dos nossos pintores: Nuno Gonçalves, Vieira da Silva, Almada, Paula Rego...
E do Benfica!

Não vale a pena alongares-te muito sobre o nosso cinema, mas o cinema documental do Jorge Pelicano e Aquele Querido Mês de Agosto do Miguel Gomes (e eu aproveitava e falava do nosso kitch, do Marante, do Emanuel, do Nel Medeiros e do Malhoa, gandas malucos). Este cinema é original, acho que lhes interessaria...
E o Benfica!


A nossa comida que, ou é defeito do meu palato, ou é mesmo do melhor: da lampreia, do leitão, do bacalhau, dos pézinhos de coentrada, do nosso peixe, dos percebes e das ostras, ufff, é só puxar pela memória. Dos nosso grandes restaurantes. E do nosso excelente vinho: o Barca Velha, o Pêra Manca, os Patos, o Vale Meão, o Batuta, etc, etc. Do Porto, do favaios, do madeira.
Do Benfica!


Do Minho, que é verde; de Trás-os-Montes, que é árido e selvagem; do Porto que é a melhor cidade de Portugal e o sítio onde os portugueses são mais brasileiros; da costa de Aveiro; de Coimbra; da Serra da Estrela; de Castelo Branco e do seu Boom Festival; do Oeste, das suas praias e de Óbidos; de Sintra e de Mafra; de Lisboa, que é cosmopolita e tem o Glorioso; de Sesimbra, de Tróia e do Portinho da Arrábida (mas não fales na cimenteira); e de Setúbal; da imensidão do Alentejo, que faz lembrar o ceará deles; das suas praias, que são as melhores de Portugal (que pena as águas tão frias); esquece o Algarve na época de férias, que não é tuga, mas dá-lhe o benefício da dúvida em Junho.
Do Benfica!

Da nossa história, que a escola desdenha: da resistência aos Romanos e de Viriato, da geração de Borgonha que nos fundou, da Reconquista; da fabulosa Geração de Aviz, que foi do mestre de Aviz a D. Sebastião (e não deixes de lhes explicar que tivemos, entre outros, um génio no trono que foi D. João II e que, sem ele, talvez eles hoje falassem espanhol), do Infante D. Henrique, que não foi rei mas é como se fosse. Diz-lhes que houve um rei dos nosso que fugiu para aí e foi morar no Rio. Adorou e não queria regressar! Fala-lhes em D. Pedro, que foi o nosso IV e o I deles. Fala-lhes em 1640 e em 1910. E, claro, explica-lhes quem foram os nossos descobridores: Dias, Gama e (para eles é importante), Cabral. Mas não os branqueies. Explica-lhes que corremos com os Mouros do Algarve, estivemos na Guiné, em Angola, em Moçambique, na Índia, no Brasil e assobia para o lado quando te perguntarem como é que depois disso tudo chegámos ao ponto de ter um falsificador de licenciaturas a mandar em nós...
E não te esqueças de lhes falar do Benfica!

Fala-lhes dos nosso monumentos: do nosso Manuelino, estilo único no mundo, e dos Jerónimos; dos Templários e do que cá deixaram (do castelo de Almourol e do de Tomar; do mosteiro de Alcobaça; dos nosso muitos castelos e, sobretudo, do de Guimarães. Diz-lhes que somos o povo que existe há mais tempo, enquanto tal, em toda a Europa. Vão ficar admirados!
E do Benfica!

Da nossa arquitectura, principalmente de Siza Vieira (do Museu de Serralves, da Casa do Chá em Leça, da igreja, do bairro no Alentejo, do Pavilhão do Conhecimento na Expo...) e no Souto Moura que até fez um estádio de bola que é uma obra prima e não, não é o do Benfica é o do Braga...
Diz-lhes que somos um país geralmente seguro, que vives numa cidade onde te podes esquecer de deixar as portas abertas e onde podes andar à vontade durante a noite...
E do Benfica, claro!


Bem, por agora acho que isto chega. Mas acima de tudo, não sei se já te disse, não te esqueças de falar no Benfica que é maior do que este imenso país. Eles sabem que o Benfica é o clube onde joga o David Luiz? Pois é, não podes esquecer-te de lhes falar do Benfica...