Restos de Colecção: Discos
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26 de abril de 2026

J. Castello Branco

A firma “J. Castello Branco”, foi fundada por José Castello Branco em 1903 na Rua do Socorro, 12 em Lisboa. A exemplo da "Casa Favorita" de "F. Santos Diniz", - fundada nos anos 90 do séc. XIX na Praça dos Resturadores, 50 e 52 -  a casa "J. Castello Branco" iniciou a sua actividade, a vender bicicletas, da marca holandesa "Simplex". Estas bicicletas eram fabricadas pela "Simplex Automatic Machine Company" fundada em Utrecht, na Holanda, em 1887 pelo inglês  Charles Bigham.

Rua do Socorro. A 1ª loja da "J. Castello Branco", nº 12, a seguir ao nº 10 à direita


1 de Dezembro de 1903

Em 3 de Dezembro de 1904 o jornal "O Século" noticiava:

«Este nosso amigo, proprietario da acreditada casa de bicyclettes Simplex, na rua do Soccorro, 18, acaba de fechar contracto com o representante da casa de Messieurs Ch & J. Ulmann, 11, Faubourg Poissonniere, de Paris, director da grande companhia Odéon, Grandophones e Discos, celebres machinas falantes para revenda das ditas machinas em todo o Portugal, por tal motivo vae inaugurar um novo estabelecimento na rua de Santo Antão, 82, o que lhe desejamos que seja feliz com o seu novo estabelecimento.»


1 de Janeiro de 1905


Primeira loja de "J. Castello Branco" na Rua de Santo Antão. Sucursal da Rua do Socorro


Segunda loja de "J. Castello Branco" na Rua de Santo Antão (em substituição da primeira)


Localização da "J. Castello Branco" na Rua de Santo Antão, 82

Em 1904, José Castello Branco abre a sua segunda loja, na Rua de Santo Antão, 82 também em Lisboa, exclusivamente para a venda de discos e machinas fallantes alemães, os grandophones "Odeon". A partir de 1905 a "J. Castello Branco" cria a sua própria marca de discos double face "Simplex" da firma recém criada “Disco Simplex”: «marca registada, propriedade exclusiva de J. Castello Branco» que editariam discos pelo menos até 1915.


1905

1905

Entretanto, e em 1906, a loja de "J. Castello Branco" onde comercializava as bicyclette "Simplex", "BSA", "Humber" e outras, na Rua do Socorro, já tinha mudado do nº 12 para o nº 48.

15 de Junho de 1906

15 de Julho de 1906


12 de Novembro de 1906

Para melhor entender a actividade comercial de José Castello Branco vou transcrever o seguinte texto, depois de traduzido para português, e cuja origem informo na bibliografia:

«No início do século XX, foi estabelecida em Lisboa a Sociedade Fabricante de Discos – Disco Simplex C. B., uma empresa de gravação que criou um catálogo contendo um número significativo de discos. Este esforço empreendedor foi impulsionado pelo empresário local José Castello Branco e começou como uma loja na Rua de Santo Antão. Este espaço comercial importava originalmente bicicletas holandesas, artigos que a empresa publicitava regularmente nos periódicos da época. Na altura, as bicicletas estavam a ser introduzidas em vários países como uma mercadoria moderna e de moda, um processo que corre em paralelo com a criação de um mercado para produtos fonográficos. 

Em 1905, a Simplex começou a anunciar, juntamente com as bicicletas, discos e máquinas falantes. Isto evidencia uma expansão do negócio da empresa para outras mercadorias e tecnologias. De acordo com uma fotografia tirada por Joshua Benoliel no início do século XX, a loja Simplex comercializava produtos fonográficos (o cartaz mencionava discos de dupla face) do seu próprio catálogo e da marca alemã Odeon. Isto alarga o espetro geográfico da discussão sobre as companhias de gravação internacionais ativas em Portugal que, até este momento, estavam sediadas ou em França (como a Pathé) ou na Grã-Bretanha (como a The Gramophone Company, cuja fábrica de prensagem se situava em Hanôver – embora a construção de uma nova instalação em Hayes tivesse começado em 1907). Leonor Losa e Susana Belchior enfatizam o papel que as marcas alemãs desempenharam neste período ao afirmarem que “durante as primeiras décadas do século XX, a atividade das marcas alemãs foi o motor que tornou possível o estabelecimento de um mercado de fonogramas em Portugal.” Além disso, atribuem este facto à “falta de investimento por parte das companhias internacionais e ao deficiente sistema de agenciamento e distribuição de fonogramas” neste país durante este período.


1906

1907


1908

Ao analisar os periódicos da época, é possível datar a publicidade da Simplex a fonogramas e máquinas falantes em 1905; em agosto do ano seguinte, o Boletim da propriedade industrial (mencionado acima) incluiu o registo de uma marca de discos pela empresa. De acordo com os discos sobreviventes, a produção da Simplex espelha a oferta das outras companhias de gravação em Portugal, concentrando-se em canções teatrais (principalmente extraídas da revista) interpretadas por figuras como Duarte Silva, Eduardo Barreiros, Isabel Costa, Júlia Mendes ou Reinaldo Varela. Isto reforça a ideia de que a indústria discográfica em Portugal dependia de um pequeno número de artistas que gravavam regularmente e cujos contratos não contemplavam exclusividade (quer de artista, quer de repertório). Losa e Belchior notaram ainda a dependência dos agentes portugueses em relação a bens e técnicos importados, o que motivou uma relação simbiótica entre comerciantes locais e empresas estrangeiras. Portanto, em resultado da ausência de equipamento de gravação e de engenheiros em Portugal (facto que impedia os editores discográficos locais de produzirem o seu próprio catálogo), estabeleceu-se uma relação mutuamente benéfica entre empresas estrangeiras e pequenos editores de discos portugueses.


Entrada do pedido na "Repartição de Propriedade Industrial" e recusa do mesmo no ano seguinte

Devido a esta dependência, José Castello Branco teve de confiar em empresas estrangeiras para gravar e lançar o repertório da Simplex. Isto resultou no que Leonor Losa e Susana Belchior designaram por uma “série mista” de gravações. Neste contexto, empresas como a Beka, Odeon ou Homophon utilizavam prefixos específicos para identificar gravações portuguesas nos seus catálogos. Inversamente, os números de catálogo ou de matriz de algumas etiquetas portuguesas conformavam-se às séries numéricas dos catálogos das companhias transnacionais. Isto significava que as gravações portuguesas eram disponibilizadas tanto por marcas de lojas locais como por companhias internacionais. Losa e Belchior dão o exemplo de um grupo de discos da Simplex e da Homophon de 1905 que apresentam uma correspondência entre os números estampados no espelho do disco, apontando para a sua gravação por um engenheiro da Homophon (identificado por Gronow como Hermann Eisner, então gerente/proprietário e diretor técnico da empresa) numa única expedição que teve lugar em maio de 1905. Além disso, tanto os fonogramas da Simplex como os da Homophon gravados em 1905 começavam com um anúncio (uma prática comum na época, publicitando a empresa/retalhista e identificando a gravação) dizendo “Disco Simplex”, facto que indica a intenção de lançar estas gravações pela primeira empresa referida. Acresce que esta ocorrência e o facto de as gravações terem sido feitas pelo mesmo técnico reforçam a hipótese de os discos lançados por ambas as empresas terem sido fabricados na mesma unidade de prensagem. Portanto, os discos Simplex seguiram um modelo de negócio diferente das companhias de gravação transnacionais (como a Pathé ou a The Gramophone Company), criando uma parceria com empresas estrangeiras com o objetivo de gravar e publicar os seus discos. Além disso, o mercado português correu em paralelo com outros mercados periféricos no que diz respeito à relação entre empresas locais e multinacionais. Neste contexto, o crescimento de um mercado discográfico dependeu da atividade de um pequeno número de empresários locais que estabeleceram uma relação estreita com empresas sediadas na Alemanha, principalmente associadas ao grupo Carl Lindström. Esta dinâmica internacional, na qual os interesses comerciais eram partilhados e negociados entre empresas locais e estrangeiras, foi a estratégia adotada por estes agentes, revelando uma relação de proximidade entre eles que difere marcadamente da posição “mais distante e imponente” adotada tanto pelas companhias francesas como pelas inglesas.» (1)


1908


Ambos de 1909

Os últimos anúncios publicitários da "J. Castello Branco", a que tive acesso, datam de Maio de 1911, em que o título dos mesmos eram "Automóveis", e que publico de seguida. Pelo que, deduzo que a sua atividade comercial terá terminado por esta altura. Nesta altura a loja da rua do Socorro, já funcionava no nº 23-B.


29 de Maio de 1911


29 de Junho de 1911

A loja da R. de Santo Antão, 82 viria a ser substituída pela "H. Santos Calleya" a partir de 1911.


Na calçada pode-se observar escrito "Odeon"


1913


Bibliografia:

(1) - "Music, theatre and the nation: The entertainment market in Lisbon (1865-1908)" de João Luís Meireles Santos Leitão da Silva - Submitted in fulfilment of the degree of Doctor of Philosophy -  Newcastle University School of Arts and Cultures - September 2011.

fotos in:  Hemeroteca Digital de LisboaArquivo Municipal de LisboaFotold

1 de dezembro de 2019

"Casa Odeon" - Discos, Músicas e Gramofones

A "Casa Odeon", teve origem na "Sociedade Phonographica Portugueza", fundada por Carlos Calderon na Rua dos Fanqueiros, nº 300, tendo mudado de instalações por volta do ano de 1926 para a Rua de São Nicolau, 113. A esta loja deu o nome de "Casa Odeon", sendo representante (que se pensa ter sido em regime de exclusividade) do fabricante alemão de discos e gramofones.

Anúncio na revista "Cine" de Dezembro de 1929


Quanto à "Odeon Records", - etiqueta da "International Talking Machine Company," - esta foi fundada em Berlim, em Novembro de 1903, por Max Strauss e Heinrich Zuntz com uma postura agressiva e alguns trunfos inesperados, como a introdução dos discos com duas faces, em 1904. Nesse mesmo ano, a "Odeon" tornou-se o primeiro fabricante a fazer-se representar em Portugal, no estabelecimento de Ricardo de Lemos, na Rua Formosa, 304, no Porto, e no estabelecimento "Machinas Falantes" de José Castello Branco, na Rua de Santo Antão, 82, em Lisboa. Consultar neste blog o artigo: "Phonographo e Gramophone em Portugal".


Anúncio publicitário em 1904


Anúncios publicitários em 1906






Quanto a Carlos Maria Ferreira Calderon (1867-1945), compositor de música erudita e teatral, e irmão do cenógrafo teatral Leandro calderon, juntou-se a o portuense Arthur Barbedo - que viria a registar em 28 de Dezembro de 1905 a etiqueta "Ideal" - e fundaram, em 17 de Janeiro de 1901, a "Sociedade Phonographica Portugueza", com sede na Rua dos Fanqueiros (já perto da Praça da Figueira) em Lisboa, para edição e comercialização de partituras, além de co-edição de fonogramas da marca "Beka". Esta firma funcionou como uma empresa que conjugava a actividade de edição e comercialização quer de partituras editadas por outras empresas, quer de fonogramas editados por diferentes marcas, das quais Carlos Calderon era agente comercial. A "Sociedade Phonographica Portugueza", além de cilindros italianos, franceses, americanos, apresentava no seu catálogo português, fados, canções populares, bandas e opera

Capa de partitura de música editada por Arthur Barbedo



Desde 1904, os dois também eram agentes do maior concorrente da "Beka" e da "Odeon": a "Compagnie Française du Gramophone". Outra pista para a ligação inicial entre a "Beka" e essa loja portuguesa é o facto de uma banda com o seu nome aparecer em algumas das primeiras gravações de 1905: "Banda da Sociedade Phonographica Portugueza". Quanto à própria marca "Beka - Rekord", só viria ser registada em Portugal em 1907, três anos após o início de suas actividades no nosso país.

Registo da etiqueta "Ideal" no "Boletim da Propriedade Industrial"


Registo da etiqueta "Beka-Rekord" no "Boletim da Propriedade Industrial"


Em 29 de Maio de 1905, Carlos Calderon ainda aparece como agente da "Companhia Franceza do Gramophone"


Em 4 de Dezembro do mesmo ano, já só aparecem Arthur Barbedo e Manuel Gomes como agentes


Entre 1910 e 1911 a "Odeon Records" é adquirida por Carl Lindström, depois de em 30 de Janeiro de 1904 se ter tornado parte da "Carl Lindström Company", que também era proprietária da "Beka Records",  "Parlophone", "Fonotipia", "Lyrophon", "Homophon" e outras etiquetas. A Companhia de  Lindström viria a ser adquirida, em 1926, pela inglesa "Columbia Graphophone Company". Esta, por sua vez, e em 1931 fundir-se-ia com as "Electrola", "His Master's Voice" e outras e seria formada a "EMI Group Limited" ( EMI=Electrical and Musical Industries).

26 de Dezembro de 1926


Anúncios publicitários em 1928



1930


Quanto à loja "Casa Odeon", julgo ter tido uma existência curta, pois a partir de 1931, não encontrei mais nenhuma referência à mesma. Em 1942, apareceu-me um anúncio publicitário na revista "Vida Mundial" de 24 de Dezembro, em que indicava que a "Casa do Rádio" estava instalada na mesma loja da Rua de S. Nicolau, 113. Aqui ficam as provas ...

"Casa do Rádio" nas antigas instalações da "Casa Odeon", em 1942


24 de Dezembro de 1942


Antigas instalações da "Casa Odeon" (loja de esquina), uma ourivesaria actualmente


Bibliografia: foram consultadas, as seguintes publicações de Susana Belchior - Universidade Nova de Lisboa:
"The Introduction of phonogram market in Portugal: Lindström labels and local traders (1879-1925)" - Janeiro de 2010
"The early years of recording in Portugal: Beka" - Maio de 2011

3 de novembro de 2019

Discoteca do Carmo

A "Discoteca do Carmo", abriu as suas portas, pela primeira vez, em 28 de Fevereiro de 1957 na Rua do Carmo, em Lisboa, tendo como proprietária a firma "Discoteca do Carmo, Lda." de Manuel Simões (1917-2008), homem da indústria e comércio discográficos.


"Discoteca do Carmo" (dentro da elipse) na Rua do Carmo. À esquerda desta, na foto, a "Discoteca Universal" inaugurada em 2 de Dezembro de 1957


Na véspera da inauguração o jornal "Diario de Lisbôa" noticiava:
«A partir de amanhã, está á disposição do publico um novo estabelecimento dos mais completos no género, onde poderão escutar-se em três bandas de som, alta fidelidade e adquirir também, os mais variados e formidáveis êxitos agora chegados á nossa capital para esta inauguração.»

28 de Fevereiro de 1957


No dia seguinte à inauguração ...
«Centenas de pessoas de todas as categorias sociais, umas para darem o seu abraço de amizade, outras fazendo as suas compras de forma a demonstrarem a sua simpatia para com esta nova casa confirmavam, por assim dizer, toda a expectativa prevista pela gerência da Discoteca do Carmo, Lda, no dia da sua abertura»

Antes da "Discoteca do Carmo", a "Sapataria do Chiado" (dentro da elipse)


Natural de Pedrógão Grande, e ainda menor de idade Manuel Simões, torna-se empresário em 1934, ficando a sua firma em nome de seu pai. Em 1947 toma contacto com a indústria discográfica em Espanha, onde encontrou discos de 78 rpm de Hermínia Silva e Irene Isidro, entre outros artistas, nunca comercializados em Portugal. Viria a ser um dos primeiros editores discográficos portugueses, tendo gravado nomes históricos como Berta Cardoso, Alfredo Marceneiro, Argentina Santos, Anita Guerreiro, Tristão da Silva, Tony de Matos, Artur Ribeiro, Maria de Lourdes Resende, Margarida Amaral, Francisco José, Mariana Silva, Maria José da Guia e Manuel Fernandes, entre outros.

Manuel Simões (1917-2008)


23 de Dezembro de 1959


«Manuel Simões era representante em Portugal da espanhola "Fábrica de Discos Ibéria", sediada em San Sebastian. Na loja da Rua 1º de Dezembro, nº 45, 3º, em Lisboa, vendia discos de repertório português editados pela marca espanhola. Em 1952, o comerciante negociou com o empresário espanhol Juan Inurrieta, proprietário da "Fábrica de Discos Ibéria", a criação de uma fábrica subsidiária em Portugal. Durante esse ano, foram projectados dois edifícios, um provisório com licença para dois anos, e um definitivo, cujo projecto incluía igualmente um estúdio de gravação, em Vila Franca de Xira. Dos dois projectos, apenas o primeiro foi construído e o período de funcionamento previsto prolongou-se do inicio da década de 50 até aos anos 70, altura em que a fabrica terá suspendido a actividade. Entre Maio e Dezembro de 1952, os arquitectos Jorge Ribeiro Ferreira Chaves e Álvaro Peterson trabalharam no projecto final, cumprindo as exigências dos sócios Manuel Simões e Juan Inurrieta. As plantas projectadas revelam um projecto inicial de grande envergadura que, no entanto, nunca chegou a ser concretizado.» Leonor Losa in "Machinas Fallantes" - (2013)
                                                        14 de Dezembro de 1957                                                         14 de Fevereiro de 1958


Seria Manuel Simões, com a editora discográfica "Estoril", contando com a direcção artística e musical do maestro Belo Marques (1898-1987), quem, ele próprio, prensaria o primeiro disco de microgravação fabricado em Portugal, o LP Estoril 5001. Retomaria a edição de discos na década de 1980, com a série "Lisboa - Cidade do Fado", que publicou 16 CD's.






A "Discoteca do Carmo", foi um caso de sucesso, sendo conhecida pelo seu stock de discos importados.

Seis anos antes do encerramento definitivo da "Discoteca do Carmo", Manuel Simões abre, em 1992, na Rua do Ouro, a "Discoteca Amália", onde anteriormente tinha estado instalada uma loja de fotografia, que por sua vez tinha substituído a conhecida "Charcutaria Suiça".


Manuel Simões acalentou o sonho de um Museu dedicado a Maria Teresa de Noronha, que não concretizou, mas estabeleceu em Dezembro de 2001 uma Fundação com o seu nome - "Fundação Manuel Simões" -  à qual deu objectivos precisos, entre eles a divulgação do fado nas suas diferentes vertentes, não esquecendo os valores da solidariedade social, e o apoio aos novos valores. Com a sua morte em 27 de Agosto de 2008, a sua Fundação e por sua expressa vontade, passou a ser presidida  pela sua sobrinha, Rosa Amélia Piegudo.


"Discoteca do Carmo" (dentro da elipse) e a Rua do Carmo, em finais dos anos 60 início dos anos 70 dos século XX


"Discoteca do Carmo" encerraria, definitivamente, em 1998, devido a danos causados pelas obras de extensão do metro até ao Cais do Sodré na estrutura do edifício. Depois de reconstruído o edifício foi colocada defronte deste uma pequena camioneta, tipo antiga, da marca inglesa "Fleur de Lys Automobile Manufacturing" (1983-1994), a "Lisboa Cidade do Fado", propriedade da "Fundação Manuel Simões", para venda de discos de fado exclusivamente.

Pequena camioneta "Fleur de Lys Automobile Manufacturing" da "Lisboa Cidade do Fado"



Quanto a este veículo, e à sua actividade comercial, o jornal "Negócios" em 20 de Agosto de 2013, transcrevia uma entrevista com o seu funcionário, António Cardoso:
«Vivemos momentos de angústia e aflição porque não sabíamos sequer se estava a arder o nosso estabelecimento. Mas não chegou a ser atingido. A loja anterior foi a última a ter danos - vidros partidos - e para cima então ardeu quase tudo", recorda.
António Cardoso conta que apenas no dia seguinte ao incêndio foi permitido pelas autoridades chegar à Discoteca do Carmo, que voltou a abrir ao público apenas uma semana depois.
No entanto, a loja acabou por ter de fechar dez anos depois do fogo, devido a danos causados pelas obras de extensão do metro até ao Cais do Sodré na estrutura do edifício.
A venda de discos passou a ser feita pela conhecida carrinha verde, de onde todos os dias se ouve o fado escolhido por António Cardoso.
Ligado à música desde os 16 anos, recorda o tempo em que a Baixa era "um centro comercial a céu aberto" onde as "pessoas com dinheiro" iam de propósito fazer compras.
"O negócio era melhor nessa altura", afirma, até porque havia "mais compradores de música do que há hoje".
Hoje com 61 anos, a luta de António Cardoso na sua Carrinha de Fados é a Internet: "O disco físico cada vez está a vender menos", salienta.»