Restos de Colecção: IANT
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10 de julho de 2014

Viatura do IANT

Entre 8 e 13 de Abril de 1957, realizou-se em Lisboa, nas instalações do Instituto Superior Técnico o “4º Congresso Médico dos Radiologistas e Electrologistas de Cultura Latina”, inaugurado pelo professor Francisco Leite Pinto, Ministro da Educação Nacional, e presidido pelo professor Aleu Saldanha.

Simultâneamante tiveram lugar, no pavilhão central do IST, a “Exposição da Escola Portuguesa de Angiografia” e a “Exposição Internacional dos Aparelhos de Electro-Radiologia”, organizada pelo artista Thomaz de Mello.

Integrado nessas exposições, esteve, no exterior do IST,  patente ao público a viatura de radiorastreio e vacinação do IANT - Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos”, cujas respectivas se publicam a seguir.

Semi-reboque modelo “Scammell” da marca “Bedford” comercializado pela “Auto-Industrial

 

 

Acerca do “IANT - Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos”, consultar neste blog a seguinte etiqueta: IANT

Oportunamente será publicado um artigo acerca da “Exposição Internacional dos Aparelhos de Electro-Radiologia”, organizada pelo artista Thomaz de Mello.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

30 de abril de 2014

Dispensário de Alcântara

A Rainha D. Amélia, iniciando a sua obra anti-tuberculosa em Portugal, funda em 1893 o “Dispensário de Alcântara”,  ou “Dispensário Rainha Dona Amélia”, que será uma das suas obras mais queridas, que manterá com fundos pessoais e a quem dedicará muitas horas de dedicado voluntariado, interessando com o seu exemplo muitas das damas da corte.

                   

Como escrevi no artigo Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos, em 1916 estimava-se que a tuberculose matasse 15 mil a 20 mil portugueses por ano, e no período de 1917 a 1922, entre 7 mil e 10 mil, por ano

Em 1934, o arquitecto Carlos Ramos vence o concurso público, lançado pela “Assistência Nacional aos Tuberculosos”, para a edificação de dispensários a construir em todas as sedes de distrito e de concelho, equacionando uma solução aplicável a circunstâncias regionais diversas e estabelecida a partir de critérios comuns de economia, rapidez e funcionalidade.

Interior do “Dispensário de Alcântara” em 15 de Maio de 1950

 

IANT.2

 

Quando a Rainha Dona Amélia visitou Portugal em 1945, insistiu em deslocar-se ao seu muito querido Dispensário de Alcântara, onde a rodearam dezenas de crianças, assistidas na mesma instituição que ela fundara havia mais de meio século.

Visita da Rainha Dona Amélia ao “Dispensário de Alcântara” em 1908

Visita da Rainha Dona Amélia a uma creche junto ao “Dispensário de Alcântara”, em 1945

E finalmente em 7 de Novembro de 1945, é publicado o Decreto-Lei n.º 35:108 através do qual é criado o Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos, que absorveu a “Assistência Nacional aos Tuberculosos” criada pela Rainha D. Amélia.

                              1928                                                    1933                                                    1951

         

1945

Em 2006 o edifício principal do “Dispensário de Alcântara” encontrava-se devoluto, mantendo-se as Irmãs Missionárias no edifício anexo, localizado no limite oeste da propriedade. Esta congregação religiosa, que durante décadas desenvolveu actividade educativa e assistencial no dispensário, continuava a prestar cuidados nesta última área, funcionando na propriedade do antigo dispensário um "Banco alimentar", garantindo assim distribuição de alimentos à população carenciada da zona de Alcântara. Em 2010 estava já vazio e devoluto, com um letreiro “Vende-se” …

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca Nacional de Portugal, SIPA

22 de março de 2013

Junta de Província da Beira Litoral

A "Obra Antituberculosa de Coimbra" nasceu de um plano gerado pela "Junta do Distrito de Coimbra", continuado pela "Junta de Província da Beira Litoral" a que presidiu o professor Doutor Bissaya Barreto, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e figura de eminente projecção, eleito para o cargo em 15 de Dezembro de 1945, vindo a tomar posse a 2 de Janeiro de 1946.

                               Junta de Província.47     

                                                          Professor Doutor Bissaya Barreto (1886-1974)      

                                                                             

                               

«A criança que tem fome deve ser alimentada. A criança doente deve ser assistida. A criança em atrazo deve ser amparada. A criança que se desencaminhou deve ser reconduzida. A criança que é orfã, ou exposta, deve ser recolhida e tutelada.» Lema desta exposição "Obra Social nas Beiras",  na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa.

                               

                           1928                                                      1933                                                       1935

Esta importante Obra concebeu, e pôs em execução um vasto programa de assistência de apoio e protecção à criança, combate à tuberculose, protecção à grávida, através de acções de higiene e profilaxia social paralelas, de educação, etc., implementadas num largo número de instituições (Casas da Criança, Dispensários, Preventórios, Asilos, Colónias, casa de Educação e Trabalho, escolas Profissionais, etc.).

                   "Preventório de Penacova" e  "Casa da Criança Rainha Dona Leonor", em Castanheira de Pêra

 

                                                Hospital Civil de Santo Agostinho em Vila Nova de Ourém

                             

     Hospital Sanatório da Colónia Portuguesa do Brasil, na Quinta dos Valles, perto de Covões concelho de Coimbra

  

Este programa assistencial desenvolvido durante o Estado Novo, através da "Junta de Província da Beira Litoral" e já anteriormente esboçado pela Junta-Geral do Distrito, decorreu da necessidade de transformar a acção reduzida e meramente caritativa que até então velava pelos mais necessitados, por acções com função de apoio social efectivo, junto dos tuberculosos, das grávidas, das crianças e dos idosos. Acções de verdadeira profilaxia que se tornavam tanto mais urgentes, quando comparados os assustadores índices de crescente mortalidade e os níveis de estagnação no desenvolvimento dos meios de combate á doença e flagelo social de todos quantos se tornavam iminentes alvos de contágio. 

                          

Assim dentro do espírito uno da Obra, distinguiram-se em Coimbra: a "Obra de Protecção à Grávida e Defesa da Criança", e a "Obra de Protecção à Infância". Da primeira fez parte, como guarda avançada, um Dispensário com consultas externas, que funcionou anexo ao "Ninho dos Pequenitos", onde se velava pela assistência pré-natal, prolongando-se os seus cuidados à 1ª e 2ª infância. Deste modo eram encaminhadas as mulheres grávidas, reconhecidas como indigentes, à Maternidade. Tratando-se de uma mãe tuberculosa, o seu recém-nascido era defendido do contágio sendo recolhido no "Ninho dos Pequenitos", onde permanecia até á idade de 3 anos.                                                                                       

                               

 

                               Postais editados em 1942 pelo "SPN  - Secretariado de Propaganda Nacional"

O "Ninho dos Pequenitos" era uma instituição onde viviam permanentemente crianças recolhidas com menos de 3 anos de idade, a partir do 1º dia de vida. Ali podiam ser alojadas as crianças em perigo de contágio tuberculoso ou cuja vida corria risco de qualquer espécie. Funcionava conjuntamente com a maternidade que a povoava, vestia os seus pequenitos pobres, e promovia consultas externas de pediatria que lhe alargava a campo de acção.

                                                                           "Ninho dos Pequenitos"

 

 

 

 

Do mesmo modo, entravam no "Ninho" as crianças abandonadas, órfãs ou em perigo de vida pela ameaça da miséria. Esta instituição, com instalações sanitárias e de higiene regulares, possuía capacidade para 70 crianças. Daí, muitas transitavam para o "Preventório de Penacova", preparado para acolher as crianças até aos 10 anos de idade, atingidos os quais, tratando-se de rapazes, ingressavam na "Escola Profissional de Agricultura de Semide" recebendo aí uma contínua educação e a aprendizagem de um ofício até ao 18 anos. Tratando-se de raparigas, estas transitavam do Preventório para a "Casa de Educação e Trabalho D. Helena Quadros" (Na Quinta do Linheiro em Sever do Vouga) onde, da mesma forma, se ministravam diversos ofícios e misteres de utilidade doméstica, na sua maior parte, e noções de higiene e sanidade.

                      "Escola Profissional de Agricultura de Semide" e "Quinta do Linheiro" em Sever do Vouga

  

           

                                                                           Preventório de Penacova

Junta de Província.41 Junta de Província.42

 

A 2ª Obra (de Protecção à Infância) procurou colmatar o terrível flagelo da mortalidade infantil através de programas de educação e acompanhamento de crianças expostas, filhas de indigentes, de pai ou mãe incógnitos, pais reclusos, dementes, etc., vivendo em situação de abandono ou em reconhecido ambiente de "perigo moral".

Procurou, assim, a Obra tudo fazer, começando desde logo pela educação higiénica das mães, ao mesmo tempo que criava creches e parques infantis, centros de educação física, aquilo que numa palavra se chamou de "Casas de Assistência Infantil" e onde se cuidaria dos menores até aos 7 anos de idade.

 

                               

 

Aparecem assim: o "Jardim de Infância D. Maria do Resgate Salazar" e o "Parque Infantil Doutor Oliveira Salazar" (anexo ao "Ninho dos Pequenitos") e as Casas da Criança de Vila Nova de Ourém, de Estarreja-Salreu, de Santa Clara ("Rainha Santa Isabel" em Coimbra), de Castanheira de Pêra ("Rainha D. Leonor"), do Loreto ("D. Joana do Avelar" em Coimbra), dos Olivais ("D. Filipa de Vilhena" em Coimbra) e da Figueira da Foz ("Infanta D. Maria") e nas quais se instalaram Dispensários de Puericultura, Creches e Parques Infantis.

 

 

 

 

 

Mercê de contingências administrativas, pelas quais a Junta de Província da Beira Litoral passaria a abranger os distritos de Coimbra, Aveiro e Leiria, ficariam ainda a cargo desta Obra o “Asilo-Escola Distrital de Aveiro” (com secções diferenciadas por sexos, para crianças dos 7 aos 16 anos) e o Asilo Distrital de Leiria, também com secções diferenciadas para rapazes e raparigas dentro da mesma faixa etária e outra para idosos.

fotos in: Biblioteca Nacional de Portugal, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian