Restos de Colecção: Faro
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15 de dezembro de 2023

Grande Hotel de Faro

O "Grande Hotel de Faro", foi inaugurado em 17 de Fevereiro de 1918 na rua Infante D. Henrique, em Faro, pelo Chefe de Estado Dr. Sidonio Paes (1872-1918), aquando da sua visita a Beja, Évora e ao Algarve, entre 14 e 18 de Fevereiro. Recordo que o Dr. Sidonio Paes viria a ser assassinado neste mesmo ano em 14 de Dezembro. Exerceu o cargo de Chefe de Estado entre 27 de Dezembro de 1917 e 14 de Dezembro de 1918 - data da sua morte.




Chefe de Estado Dr. Sidonio Paes, na varanda do "Grande Hotel de Faro"

Este Hotel era propriedade dum firma da qual era sócio Aníbal Alexandre, e que exercia as funções de gerente. Este estabelecimento foi resultado da conversão do edifício que tinha, anteriormente, albergado uma Casa de Saúde.

"Grande Hotel de Faro", no edifício mais alto ao fundo e a meio da foto


1924

Publico de seguida 3 páginas da "Revista de Turismo" de Maio de 1920, nas quais descreve o "Grande Hotel de Faro", além de algumas referências ao turismo no Algarve nessa época.







O "Grande Hotel de Faro", viria a abrir falência em 1930, tendo sido vendido em leilão.

fotos in: Hemeroteca Digital de LisboaDelcampe.net

9 de junho de 2021

Teatro Lethes

O "Theatro Lethes" foi inaugurado, na cidade de Faro, a 4 de Abril de 1845, com o drama da autoria de  Serpa Pimentel "Almançor" e a farsa traduzida do francês "O Urso e o Pachá". Este espectáculo foi desempenhado por amadores, «um grupo bastante distincto», que mais tarde ali representou a Grã-Duqueza, Barba Azul, Sinos de  Corneville, etc.


"Theatro Lethes" no jornal "O Algarve Illustrado" de 1 de Outubro de 1880

 

(clicar para ampliar)

O edifício do "Teatro Lethes" remonta ao século XVII e mantém, com poucas alterações no exterior, ao antigo "Colégio dos Jesuítas" que se instalam na cidade em 1599. Lá se mantiveram até 1769: 10 anos decorridos, o edifício retomou a sua vocação religiosa, abrigando a "Ordem dos Carmelitas", até 1834. 

Em 1843, o edifício foi adquirido por um médico italiano, Dr. Lázaro Doglioni, nascido em Veneza em 1778. Em 1804, embarcou a caminho de Inglaterra, Lázaro e naufragou ao largo do Cabo de São Vicente. Sobreviveu e fixou-se no Algarve. E nesse ano de 1843 adquire o Convento devoluto e inicia trabalhos de transformação e adaptação a Teatro. Para isso, contou com o apoio de um sobrinho também médico, Justino Comano, chegado a Faro em 1840.



Localização do "Theatro Lethes" na cidade de Faro (edifício grande ligeiramente à esquerda)

Souza Bastos (1844-1911) no seu "Diccionario do Theatro Portuguez", editado em 1908, escreveu acerca da história deste Teatro:

«Este theatro, ainda hoje bom, era, na epocha em que foi construído, dos melhores que existiam em Portugal. Foi mandado construir pelo afamado medico dr. Lazaro Poglione e sua esposa D. Maria Crespim, tios do dr. Cumano, que depois o conservou com todo o esmero.
O velho edifício, em que o theatro foi construído, foi comprado á fazenda nacional. O theatro tem bellas accommodações e admitte 500 espectadores. Tem duas ordens de camarotes e uma espaçosa varanda em roda. 
As primeiras pinturas do theatro e scenario foram feitas pelo dr. Cumano e pelo cónego Rasquinho. O dr. Doglione deu ao seu theatro o nome de Theatro Lethes, por ser esta a denominação do rio do esquecimento e por desejar que dentro da sua casa de espectaculos se esquecessem todas as divergências politicas. É original esta lembrança. (...)


Na revista "Illustração Portugueza" de 22 de Fevereiro de 1909

A actual proprietária é D. Maria Victoria de Mattos Cumano. Foram feitas ultimamente importantes obras. Tem 15 camarotes de 1ª ordem, 15 de 2ª, 13 de 3ª e 12 frizas, 120 fauteuils e uma espaçosa varanda. A qualquer companhia pôde deixar 100$000 réis líquidos por espectaculo. Tem muito scenario em bom estado. Tem todas as prevenções para um caso de sinistro. 
Muito boas companhias de Lisboa e muitos dos nossos primeiros artistas ali teem representado, assim como companhias de zarzuela, tunas, etc. O theatro é cedido gratuitamente; mas as companhias cedem 10% da receita a favor do Albergue dos Inválidos de Faro. 
Depois das obras foi inaugurado em maio de 1908 pela companhia do theatro do Gymnasio, de Lisboa, dirigida pelo actor Valle, que ali deu quatro espectaculos.»


Artigo no jornal "O Algarve" de 21 de Outubro de 1928

O "Teatro Lethes" fica na família até 1951, tendo começado a funcionar também como cinema no início do século. Naquele ano, entretanto, é vendido à "Cruz Vermelha Portuguesa". Manteve, não obstante o ciclo de transformações, o caráter arquitetónico exterior do Convento e a estrutura interior de sala de espetáculos dos séculos XVIII e XIX, com a rede de camarotes adequada à dimensão da sala.






Fotos da autoria de Rui Serra Ribeiro, do interior da sala de espectáculos (in: Teatro Lethes)

«o aspeto continua a ser algo insólito, com a velha e poderosa fachada jesuíta encimada pela divisa Monet Obletanto e com a sala de traça romântica, frisa, três ordens de camarotes e uma belíssima alegoria à música no teto e na boca de cena» in: “Teatros de Portugal”, ed. Inapa, 2005.



A 5 de Outubro de 2012, por protocolo entre o Município de Faro e a "Cruz Vermelha Portuguesa", o "Teatro Lethes" recuperou o seu inicial desígnio. Nele foi instalada "A Companhia de Teatro do Algarve" - ACTA como estrutura residente. A ACTA, além de apresentar espectáculos de sua criação promove no "Teatro Lethes" também acolhimentos, cabendo-lhe ainda a gestão do equipamento.


2018


2020


2021

8 de maio de 2021

Hotel Faro

O "Hotel Faro", foi inaugurado em 15 de Maio de 1965 na Praça Dom Francisco Gomes em Faro, no Algarve. Era nessa altura, propriedade duma cadeia de hotéis e caminhos-de-ferro britânicos, a "Mason & Barry". 



Notícia no "Diario de Lisbôa" em 14 de Maio de 1965


"Hotel Faro" em fase final de construção

Este Hotel teve a sua génese no "Hotel Aliança" (instalado na Rua da Marinha) - que tinha sido inaugurado em 1 de Março de 1946 e propriedade do empresário José Pedro da Silva - e no "Café Esmeralda", instalado na Praça Dom Francisco Gomes.


Com a gerência entregue a Domingos dos Santos Gomes, dispunha de 36 quartos, «com luz electrica, casas de banho privativas, aguas quentes e frias, mobilados com requinte e comodidade.».

Lembro que, em 17 de Fevereiro de 1918, tinha sido inaugurado, pelo Presidente da República Sidónio Pais,  o "Grande Hotel de Faro" e que foi alvo de um artigo na "Revista de Turismo", de Maio de 1920, que passo a publicar de seguida.


 

(clicar para ampliar)


Em 11 de Maio de 1965, dias antes da inauguração do "Hotel Faro", o jornal "Diario de Lisbôa" publicava um artigo acerca do panorama hoteleiro do Algarve ...



Em Dezembro de 1999, foi inaugurado o novo "Hotel Faro & Beach Club", projecto do arquitecto Hermínio de Oliveira, após a demolição do anterior edifício do "Hotel Faro". Propriedade do grupo "Hotusa Hotels", e com classificação de 4 estrelasdispõe de 90 quartos de design moderno, incluindo 3 suites, um restaurante panorâmico - o "Ria Formosa" - bar e terraço.


Demolição do "Hotel Faro" numa foto de Luís Rosa






31 de julho de 2013

Cine-Teatro Santo António em Faro

Com o fim de dar resposta a uma população em crescimento, e ao crescente interesse pelo cinematógrafo, à qual já não serviam as acanhadas e desconfortáveis acomodações do “Teatro-Circo” e do “Teatro 1º de Dezembro”, e do requintado “Teatro Lethes”,  alguns notáveis decidiram constituir em 1915, uma sociedade com o objectivo de construir e explorar comercialmente o “Cine -Teatro Farense”, o que aconteceu em 23 de Setembro de 1916. Tratou-se de uma moderna sala de espectáculos que permitia aos farenses desfrutarem dos filmes com todo o conforto.

 

 

Após a II Guerra Mundial, esta sala que durante 35 anos constituiu o ponto de encontro de todos os cinéfilos farenses, tornou-se obsoleta, sendo demolida em 1952 para dar lugar a uma sala moderna, que entre outras inovações, apresentava um projector automático. O “Cine-Teatro Santo António”, seria inaugurado  no dia 31 de Dezembro de 1953.

                                 

                      

A sala que, na altura, com os seus 1.100 lugares, era a maior do Algarve  recebeu alguns equipamentos novos e manteve as características de cine-teatro, com o seu grande palco e o pano de boca-de-cena em tons dourados. tendo sido alargada a sua lotação e atenuada a separação de classes, passou a ter apenas duas áreas distintas: a plateia, com cadeiras novas e estofadas e o balcão, no piso superior onde foram colocadas as velhas cadeiras de madeira da antiga plateia. Depois de 1974 este balcão, acabaria por ser desactivado.

                                 

O “Cine-Teatro Santo António” deu a sua última sessão em 31 de Julho de 2001, fechando para sempre as suas portas. Seguiu-se a sua demolição para posterior construção do “Atrium Faro”.

Fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Faro é Faro