Foi um dos melhores anos na história da Fórmula 1, mas ainda assim a temporada trouxe seus pontos negativos. Seja num momento específico ou no panorama geral de um piloto, equipe ou corrida. Como sempre, uma lista pessoal e despretensiosa. Para ler e discordar à vontade. Amanhã a gente volta com a lista dos dez melhores de 2010.
10 - A FOTO DOS CAMPEÕESO trabalho de Jean Todt na presidência da FIA não é uma unanimidade, mas sem dúvida está sendo bem melhor visto na Fórmula 1 que o de seu antecessor, principalmente por sua postura discreta. Ainda assim, ele conseguiu marcar um belo gol contra ao levar a namorada Michelle Yeoh para a foto oficial dos 60 anos da F-1, ao lado de todos os campeões mundiais ainda vivos. Qual a justificativa? Estaria ela representando os ausentes Nelson Piquet e Kimi Raikkonen???
9 - O VÔO DO CANGURUTodo mundo prendeu a respiração naqueles segundos. Na tentativa de recuperar terreno e fazer sua nova estratégia funcionar, Mark Webber foi para cima de Heikki Kovalainen como um touro desgovernado - e acabou surpreendido pelo fato da Lotus ter uma zona de freada bem mais longa que a sua. Um mal-entendido que poderia ter terminado mal, mas acabou representando apenas mais algumas milhas para o programa de vôos do australiano no cockpit de um carro de corrida.
8 - O MAU PERDEDORVer um título mundial que parecia ganho escapar pelas mãos deve ser mesmo algo frustrante, especialmente se a derrota veio fundamentalmente por um erro estratégico da equipe. Mas Fernando Alonso perdeu pontos até mesmo com seus seguidores mais fanáticos ao sair reclamando do russo Vitaly Petrov em Abu Dhabi. Deveria era parabenizá-lo por não cometer nenhum erro num momento de pressão para o futuro de sua carreira. O “chega-prá-lá” que o espanhol levou foi uma bela resposta. Um grande piloto mostra sua estatura também no momento da derrota.
7 - BUEMI NA CHINAFoi até cômico: na freada após uma das retas mais longas da temporada, a suspensão da Toro Rosso do suíço Sebastian Buemi simplesmente cedeu e as rodas saíram voando. Um baita de um susto sem maiores consequências para o piloto e para quem estava na beira da pista. Divertido mesmo foi ver Buemi virando o volante para tentar amenizar o impacto da batida.
6 - HISPÂNIAEstá certo que sobreviver até o final do ano era o único objetivo e isso a equipe Hispânia conseguiu. Mas a custo de algumas bizarrices. O carrossel imprevisível de pilotos até que foi pouco diante de um carro sem atualizações e que usou o mesmo pacote aerodinâmico em pistas tão opostas como Mônaco e Monza. Sorte que seus pilotos saíram ilesos de situações ingratas, como a quebra da suspensão em uma curva de alta velocidade em Spa-Francorchamps. O time fica na história desde já como um dos piores que já passaram pela categoria.
5 - CHOQUE DE TOUROSO time campeão meteu algumas vezes os pés pelas mãos e envenenou completamente o ambiente entre seus dois pilotos. Na Turquia, acossados na corrida por uma valente McLaren, o comando passou a Vettel a informação de que Mark precisaria economizar combustível o que ele poderia ultrapassá-lo, enquanto o engenheiro do australiano falou o contrário e orientou seu piloto a se defender. Uma confusão dos boxes que resultou num desastre na pista. Pior foi na Inglaterra, quando a asa do alemão quebrou e Horner orientou que o modelo que estava no carro de Webber fosse transferido. Era uma questão de centésimos de segundo, mas algo que fatalmente causaria um mal estar interno. Esperto, Webber capitalizou em cima do incidente e jogou a opinião pública contra o time e seu companheiro. Foi o suficiente para lhe garantir tratamento igual até o final do ano, mas não para receber a ajuda de Vettel na reta final, algo que tanto ambicionava.
4 - FELIPE MASSAO brasileiro sempre alternou numa temporada corridas brilhantes com atuações mais contidas, mas o brilhantismo ficou de lado em 2010. Com exceção do GP da Alemanha, ele jamais se colocou em posição de vencer - mesmo com um carro capaz disso em algumas ocasiões. Com problemas de aquecimento de pneus, classificou-se quase sempre em posições discretas. Pior, viu seu novo companheiro tomar as rédeas da equipe e liderá-la na disputa pelo título, o que parece ter encerrado sua motivação. Ele reconhece a temporada ruim, o que é um ótimo começo. Mas vai precisar de um 2011 radicalmente diferente, dentro e fora das pistas, para que não tenha sua vaga especulada via imprensa semana sim, semana não. Afinal, são dois anos de contrato pela frente.
3 - GP DO BAHREINFoi uma odisséia do sono. Em meio às expectativas de uma temporada sensacional, a prova de abertura foi uma das mais chatas para se assistir. Em especial, o novo trecho do circuito que os organizadores agregaram não funcionou - era apenas uma série de curvas muito lentas que só prolongaram a agonia. A coisa foi tão feia que a imprensa mundial até iniciou uma discussão sobre a qualidade das corridas e do regulamento. Felizmente, o tempo provou que era uma discussão precipitada.
2 - “THAT WAS HORRIBLE”Pelas desproporcionais expectativas criadas, a temporada de Michael Schumacher já começou comprometida. Mas ninguém esperava que o vareio que ele tomou de um companheiro de equipe jovem e eficiente durasse quase o ano todo. Foi inevitável que seu desempenho em 2010 colocasse uma série de interrogações sobre sua história. E o ponto alto disso foi a manobra que fez sobre Rubens Barrichello em Hungaroring, quando ultrapassou de longe os limites do bom senso numa defesa de posição. Faltou pouco para uma batida feia demais. Aquilo foi horrível. Pelo menos ele pediu desculpas. Duas semanas depois. Por SMS.
1 - FERRARI EM HOCKENHEIMTudo bem que a Ferrari queira fazer prevalecer seus interesses. Mas a farsa que promoveram em Hockenheim foi exagerada. O chororô de Fernando Alonso pelo rádio rendeu uma ordem de equipe explícita que lhe rendeu a vitória e, ao time, a antipatia da maioria dos torcedores - afinal, o campeonato mal passara da metade. Passaram por cima do regulamento com a habitual arrogância, mas receberam uma multa pequena por isto. No final das contas, o episódio não surtiu o efeito desejado. Apenas serviu para matar a motivação de Felipe Massa. Dali para frente, o brasileiro só foi tirar pontos dos adversários de Alonso em Monza. Um tiro no pé involuntário que, na prática, acabou mais atrapalhando do que ajudando a campanha do espanhol.