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sábado, 24 de março de 2012

Olhar de uma mulher (2)

Estrada para Catoca
Kimbos na estrada
Kimbo
Mulher à sombra de uma mangueira
Hotel Princezinha em Saurimo
Hibisco

"E após quatro dias, disse um até já a Luanda e aterrei em Catoca, a vila junto à 4ª maior mina de diamantes do mundo. Cheguei e disse: isto sim é a África do National Geographic! Planícies infinitas, onde o verde, a cor de barro e o azul predominam! E predomina também a bicharada. Ainda não tive o desprazer de as “conhecer” a todas, mas temo que há-de chegar o momento.

Alojada e a trabalhar na vila de Catoca, viajo todos os fins de dia até Saurimo. A viagem é prazerosa em termos de paisagem: florestas verdes e densas acolhem pequenos kimbos. Os residentes reúnem-se, sentam-se à beira da estrada, vendem fruta, brincam. Os cabritos e porcos atravessam-se à frente dos carros. As casas, que ainda só vi por fora, não inspiram qualquer tipo de qualidade habitacional. Vivem do que cultivam, do que a terra lhes oferece. Mas parecem-me felizes! Às vezes, e quando temos que abrandar por causa dos buracos colossais da estrada, grupos de miúdos acenam e riem e gritam. Eu retribuo. Quase a chegar a Saurimo, vêem-se grupos de pessoas concentradas à beira de riachos: as mulheres lavam a roupa, as crianças chapinham na água e os homens limpam as motas. O amor que estes homens têm às motas! Saurimo é uma cidade de motas. E de mulheres grávidas.

A primeira vez que vi Saurimo trouxe-me sensações pouco agradáveis. É o problema da internet: pesquisei imenso sobre a cidade antes de vir e as poucas imagens disponíveis no Google fizeram-me crer numa cidade completamente diferente da que vi. Passeios não pavimentados, algum lixo, milhares de motas a virem de todos os lados, prédios e vivendas muito degradados, farmácias que parecem tascas. Mas entretanto, e acho que o facto de vir cá todos os dias ajudou, mudei de opinião. Se é que isto é uma opinião! Talvez ande a aprender a gostar disto.

Para desopilar dos dias de trabalho e da vila de Catoca, onde o tédio é uma constante, tenho feito do Hotel Princesinha a minha sala de estar! Aconselho a quem vier fazer turismo para estes lados. Muito agradável. Um oásis no meio de Saurimo!"

in " uma primeira aventura pela engenharia civil em Angola, pelo olhar de uma mulher"

Pensar e Falar Angola

sexta-feira, 23 de março de 2012

O olhar de uma mulher (1)


"As primeiras impressões de Angola foram várias.

Quando cheguei, ainda estive em Luanda quatro dias. Convém frisar que estive em ambiente familiar. Fiquei em casa de uma amiga minha, cuja família também está cá. Portanto, Luanda não foi difícil. Tive guias turísticos, tive motorista e estive em locais difíceis de imaginar existirem por aqui."


in " uma primeira aventura pela engenharia civil em Angola, pelo olhar de uma mulher"







Pensar e Falar Angola

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