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segunda-feira, 27 de março de 2017

40º Aniversário do kwanza

Com a devida vénia
Caros amigos
Junto a intervenção nas comemorações do 40º Aniversário do kwanza que se realizaram no Museu da Moeda em Luanda
Abraço

de

Humberto de Almeida



Esplendor na relva

Apesar de a luminosidade outrora tão brilhante
Estar para sempre afastada do meu olhar
Ainda que nada possa devolver o momento
Do esplendor na relva , da glória na flor
Não nos lamentaremos inspirados no que fica para trás
Na Empatia Primordial que tendo sido sempre será
Nos suaves pensamentos que nascem do sofrimento humano
Na fé que supera a morte
Nos tempos que anunciam o espírito filosófico

Wlliam Wordsworth

Do poema acima , da autoria do poeta WW, que traduzido para o português dá Guilherme das Palavras Valiosas retiro duas, Empatia Primordial, com as quais passarei a designar, daqui para a frente, a pessoa que foi determinante no sucesso da operação da Troca da Moeda, o amigo Saydi Mingas patrono do Auditório onde nos encontramos.



Os kazos do Kwanza
1ºkazo
Pouco mais duma semana  após a Independência referi ao Empatia que tínhamos que começar a pensar na emissão duma nova moeda.
Vamos fazer como? Foi a pergunta fulminante que me fez.Referi-lhe  que tinha conhecimento que a última edição dos escudos coloniais havia sido feitas em Londres.
De imediato foi contactar o Presidente Neto que autorizou a minha deslocação.
No dia 8 de Dezembro de 1975 estava eu a iniciar a minha primeira viagem a fim de contactar a empresa londrina.
No regresso fui portador de alguns elementos que me permitiram começar a dar os primeiros passos conducentes à materialização da emissão da nova moeda.
2ºKazo
Desloquei-me por uma segunda vez a Londres e, aquando do meu regresso, o Empatia Primordial chamou-me para me informar que o Presidente Neto havia recebido um telefonema do Presidente Tito da Jugoslávia referindo que tinha sido informado que Angola estava a tratar da emissão de uma nova moeda em Londres, quando o seu país também estava apto a desempenhar-se de tal tarefa.
3ºKazo
A partir desse momento comecei a viajar para Belgrado sendo que da primeira vez tive a companhia do Empatia Primordial.
Da segunda vez viajei sozinho tendo regressado já com alguns elementos que me permitiram começar a trabalhar na maqueta das notas.
Desloquei-me com o Empatia a casa do Henrique Abranches que nos facultou um seu desenho-Julgamento Popular- que foi incluído nas primeiras notas do Kwanza.
Como o Henrique se ofereceu para fazer a maqueta das notas deixei-lhe o meu livro, La guerre du peuple en Angola da autoria da Augusta Conchiglia, donde sacou a foto do Presidente Neto que passou a figurar em todas as notas
4ºKazo
Desloquei-me,  por mais três vezes a Belgrado  sendo que, da última vez, já assisti à primeira impressão duma nota de 500 Kwanzas.
Entretanto decidimos que as moedas também seriam fabricadas em Belgrado.
5ºKazo
Regressado a Luanda começámos a tratar da Lei da Moeda.
A este propósito gostaria de ressaltar o importante contributo de duas pessoas aqui presentes: a Dra Antonieta Coelho e o Dr António Pimenta da Silva.
No primeiro projecto de Lei o nome que propusemos para a moeda foi Zimbo nome esse que não teve o beneplácito do Presidente Neto que optou por Kwanza.
A este propósito lembro um episódio algo caricato.Na verdade para não se confundir com killowats a sigla da moeda resolvemos optar por Kz.
O tipografo da Imprensa Nacional é que não concordou e resolveu alterar, diga-se que, com toda a lógica, para Kw.
Lá tive que me deslocar a  toda a pressa à Imprensa Nacional para repor as coisas.
6ºKazo
Entretanto o Empatia Primordial resolveu chamar a Luanda todos os Governadores Provinciais a quem foi comunicado o inicio da operação da Troca da Moeda e o seu importante papel na coordenação das equipas da troca.As notas foram enviadas,por avião,para as Provincias, para serem trocadas de acordo com as regras estabelecidas na Lei.
7ºKazo
Na operação de troca em Luanda, em que estive mais directamente envolvido,após a reunião com os componentes das várias equipas, resolvemos bloquear a saída de todos os trabalhadores envolvidos por vezes com a natural incompreensão dos seus familiares.
8ºKazo
No primeiro dia da troca da moeda saí do banco cerca da meia noite parei o carro e liguei para o noticiário da BBC em português onde, para espanto meu, ouvi que Angola havia surpreendido o mundo ao trocar a sua moeda no maior sigilo.
9ºKazo
Cerca de uma semana após a Troca da Moeda o Presidente Neto promoveu uma manifestação junto ao Palácio do Governo onde, publicamente, se congratulou com o sucesso da operação da troca em todo o país.













Pensar e Falar Angola

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Diário da República - Novas moedas e notas 2012

Sempre útil esta informação...

Em anexo o diário da república nº 145, contendo a lei nº 20/12- que autoriza o BNA a emitir e pôr em circulação as novas notas e moedas "Série 2012"
AQUI

Pensar e Falar Angola

terça-feira, 29 de junho de 2010

Reorganização Nacional (IX) - Economia

Aos poucos, as moedas vão surgindo no ciclo normal da economia quotidiana dos angolanos e estão a contribuir para um maior rigor nos trocos, até aqui "arredondados" a favor dos comerciantes ou, pior ainda, convertidos em géneros não solicitados pelo cliente, como guloseimas e pastilhas elásticas. A introdução, pelo Banco Nacional de Angola, de moedas de 1,00, 2.00 e 5,00 kwanzas e 10,00 e 50,00 cêntimos, representa uma mudança, mesmo que tímida, para o cliente pagar exactamente o preço marcado.
Mário Noélio compra um refrigerante e paga na caixa do supermercado o preço exacto. Para isso usa moedas. Ele tem dez anos mas já conhece as moedas de 10 e 50 cêntimos e de 1,00, 2,00 e 5,00 kwanzas em circulação no mercado nacional. É aluno da quarta classe e diz que na hora de comprar pastilhas e biscoitos paga o preço exacto porque usa o novo dinheiro em circulação.
Muitos clientes quando recebem os trocos em moedas ficam admirados. Para muitos, elas são um empecilho, porque os comerciantes se recusam a aceitá-las, embora haja também clientes que se neguem a recebê-las no troco.
Um restaurante que oferece serviços de “take away”, o cliente Mário Sérgio solicita um prato e recebe o troco em moedas. Rejeita à partida, mas depois conforma-se, embora preferisse receber pastilhas.
O estudante universitário Samuel Paulo, no momento em que lhe deram o troco, gostou de receber as moedas porque, no seu entender, “deviam circular no mercado formal e informal”.
Teresa Lacher, responsável de um supermercado, disse que a empresa enfrenta dificuldades na entrega das moedas, porque os clientes reclamam. “Optámos por substituir o troco por outros produtos do mesmo valor, quando o cliente rejeita as moedas”, explicou.
Teresa Lacher considera importante a entrega de trocos em moedas, porque é uma forma de sensibilizar todos os agentes económicos a terem a mesma atitude. Além do grupo Sanders Investments, existem outros estabelecimentos, em Luanda, que entregam trocos em moedas metálicas aos clientes.
Embora as moedas ainda sejam desvalorizadas, Sónia Silvestre, operadora de caixa da loja Estrela Branca, diz encarar a iniciativa como “uma forma de permitir o consumo de produtos com menor valor, tal como nos outros países”.
Cátia Monteiro foi às compras e disse que muitas lojas em Luanda já dão aos clientes os trocos em moedas.
Francisco Costa, gerente de uma loja, começou a fazer trocos em moedas há mais de 15 dias. O comerciante defende a circulação de moedas, umas vez que tem sido lastimável a conservação das notas “pequenas” que mais circulam no mercado. “Às vezes, recebemos trocos em notas manchadas com sangue e malcheirosas”, afirmou. Além de dar os trocos em moedas, o comerciante tem sensibilizado os clientes para o uso de moedas.
António Ramos da Cruz; do Banco Nacional de Angola (BNA), informou que as moedas de 5,00 kwanzas voltam a circular no mercado, dada a elevada procura das notas de menor valor facial. “Reintroduzimos as moedas de cinco kwanzas, porque achamos que vai facilitar a actividade comercial dos agentes económicos. Em função da escassez das notas de 5,00 e 10,00 kwanzas, decidimos lançar novamente as moedas”.
O gestor bancário aponta a redução da inflação como estando na base da aceitação da moeda, uma vez que no passado “o nível da inflação era muito alto e circulavam apenas notas de maior valor facial”.
António Ramos da Cruz explica que as moedas de menor valor facilitam os trocos, tendo em conta os sinais de estabilidade económica que o mercado apresenta: “verificámos que os operadores substituíam os trocos com biscoitos, rebuçados ou pastilhas elásticas e muitas vezes furtavam-se a fazer o troco”, acrescentou.
António Ramos da Cruz garante que as moedas têm curso legal no país e devem ser aceites nas transacções comerciais, numa altura em que o BNA emitiu um considerável volume de moedas, devido à escassez de notas de menor valor facial.
O BNA voltou a introduzir, no dia 24 de Maio, as moedas de 5,00 kwanzas. As de 1,00 e 2,00 kwanzas e as de 10,00 e 50,00 cêntimos já existem no mercado.
O Banco de Poupança e Crédito (BPC) pediu ao BNA moedas no valor de 1,5 mil milhões de kwanzas, para as operações de troca no mercado nacional. “A intenção do Banco Central é promover campanhas de sensibilização para o uso das moedas em circulação”, disse António Ramos da Cruz, acrescentando ser obrigação do BNA intervir e exigir junto dos operadores económicos a utilização das moedas.

Consumo obrigatório

A directora adjunta do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC), Nilza Muafumba, reprova a atitude dos operadores comerciais na fixação de preços que implicam a entrega de notas de menor valor facial. “Muitos agentes económicos furtam-se à entrega de trocos, o que é reprovável”, referiu. Os preços devem ser estipulados de acordo com as notas que a empresa tem disponíveis. Nilza Muafumba denunciou que os agentes económicos induzem os clientes a um consumo obrigatório.
“Nas actividades de fiscalização que efectuamos nos estabelecimentos comerciais tem sido frequente assistirmos à entrega de biscoitos como troco em kwanzas”, uma atitude que Nilza Muafumba qualifica de desleal.
A directora adjunta do Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (INADEC) afirma que os actuais níveis de inflação já permitem que os operadores façam o uso das notas de menor valor facial. Mas aconselha os consumidores a reclamarem os seus trocos, pois a circulação das moedas no mercado já é um dado notável.



Pensar e Falar Angola

sábado, 7 de julho de 2007

História da Moeda - Do Zimbo ao Kwanza

Segundo registos históricos, muito antes da época colonial utilizava-se em Angola colares formados por rodelas de conchas de caracóis e outras conchas, furadas no centro e enfiadas em fios de fibras têxteis, como instrumento de troca.

Todavia, apesar da variedade de conchas, foi o Zimbo, pequeno búzio cinzento, um dos mais importantes e dos primeiros instrumentos de troca constituindo funcionalmente autêntica moeda local.
O Zimbo – njimbu ou lumache - , búzio do tamanho de um bago de café, teve curso como “moeda” em quase toda a costa ocidental africana. Apareciam em toda a costa de Angola, embora os mais belos fossem da ilha de Luanda. Dentre os mais valiosos era de cor cinzenta. Pescavam-nos as mulheres, na contracosta da ilha, por alturas da praia-mar, sendo até frequente algumas serem atacadas por tubarões e tintureiras. Avançavam pela água alguns metros e, mergulhando, enchiam de areia uns cestos estreitos e compridos, a que chamavam “cofos”. Em seguida retiravam os “zimbos” da areia recolhida, que depois separavam, segundo o critério de classificação em “ puro”, “ cascalho”, e “meão”. Com o passar do tempo o Zimbo começou a ser desvalorizado, e, assim, um “cofo”, que no tempo de Mbemba a Nzinga, valia trinta e três cruzados, desce para dez mil réis em 1615. Porém, já em 1616 não valia mais do que três mil réis.

A queda do valor do Zimbo deu lugar à predominância dos “panos” como moeda mais generalizada. Por outro lado, o sal, o cobre, os panos, os escravos, o marfim eram também outros instrumentos de troca utilizados na altura.

O Sal

Provinha de duas fontes distintas: as minas e as salinas. Em Angola, as minas mais importantes foram as de Ndemba, na Quiçama, onde os povos extraíam as pedras, a escopro, e moldavam-nas em barras de dois ou três palmos de comprimento e uma mão travessa de largura. Foram também importantes as salinas de Benguela. O sal de Benguela vendia-se em Luanda à razão de mil réis de panos o alqueire.

(Clique em Ler Mais para ter acesso a todo o texto)
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O Cobre
Um dos metais que mais larga aplicação teve como meio de troca foi o cobre, e o conhecimento da sua existência em Angola vem de tempos muito remotos. Os Luchazes eram hábeis na confecção das manilhas, utilizando o cobre que os Lobares lhes levavam da Lunda para permutar a cera.

Os registos históricos da época permitem concluir que os povos de Angola sabiam extrair e trabalhar o cobre, fazendo pequenos objectos, quase todos para enfeites, como as manilhas, colares e outros ornatos. Fabricavam também peças e acessórios para as suas armas e até um fio de cobre muito semelhante ao actual. Todos estes objectos serviram de instrumento de troca, mas o mais característico foi, sem dúvida, a “cruzeta”. Esta peça que circulou em Angola e no Congo, tinha a forma da cruz de Santo André, geralmente atribuída por alguns autores à imitação do X romano inscrito nas primeiras moedas portuguesas que apareceram em Angola no século XVII. A origem desta peça monetária à Angola, depois de averiguações feitas, parece conduzir à conclusão de que ela provinha da Lunda, território confinante com o Catanga. No reino do famoso Garangaja da Lunda, que usava o nome de “ Musiri Maria Segunda” dedicava-se uma especial atenção ao negócio do cobre. A sua extracção era feita por processos primitivos baseados na fragmentação. Derretiam o metal em fornos ou panelas, de onde derivavam tubos ou calhas de argila para os moldes, que iam desde a forma grosseira da cruz de Malta até barras longas ou quadrangulares. Desde muito cedo os portugueses interessaram-se pelo cobre angolano, contudo, em 1801 ainda se desconhecia em Angola o local da minas de onde os povos extraiam o cobre. No entanto, os povos que fundiam o cobre guardaram este segredo durante anos, chegando ao ponto de deixar de fundir as cruzetas, dedicando maior interesse ao negócio do marfim.



Os Panos
Os “panos” foram outra mercadoria-moeda de larga circulação entre os povos locais. Sucederam praticamente ao “Zimbo”. Consistiam os panos, na acepção da época, em pequenos pedaços de tecido, feitos á base das fibras da palmeira-bordão, e tinham geralmente a dimensão duma mabela. Tinham os “panos” duas origens distintas: o Congo e o Luango, onde os contratadores iam adquiri-los, trazendo-os para Luanda, onde circulavam como mercadoria moeda.Os do Luango chamavam-se “libongos” e dividiam-se em “bongos”, “sangos” e “infulas”, enquanto os do Congo, denominados “panos limpos”, se repartiam, consoante o tamanho, em “cundis” e “meios “cundis”. Corriam ambos em Luanda. Tanto os panos do Congo – panos limpos – como os Luango – libongos – só, passavam a ter curso monetário após haverem sido marcados pelo Senado da Câmara, com a marca real “R”. Com os “panos” comprava-se tudo, cobrava-se os impostos e remunerava-se a tropa.

Os Escravos
A sua utilização com funções monetárias encontrou fundamento no generalizado comércio de escravos, praticado, desde épocas muito remotas pelas mais diversas sociedades, que o encaravam como coisa natural e o haviam enraizado nos costumes da época. Os escravos não foram apenas instrumento de trabalho, acabaram também por servir de espécie monetária.

O Marfim
Sem nunca ter atingido a projecção de outros instrumentos de troca, o marfim teve, no entanto, a sua época como meio de pagamento. O volume e o valor das transacções desta mercadoria cedo despertaram a atenção dos poderes públicos coloniais. Constituindo objecto de contrato privado da Fazenda Real, proibiu-se a sua exploração por entidades privadas. Terá sido em consequência deste contrato privado que o marfim começou a revestir o cunho de meio de pagamento, pois a Fazenda Real aceitava-o em pagamento de impostos e utilizava-o em transacções como se tratasse de dinheiro corrente. Comercializado em abundância no interior, principalmente nos sertões de Benguela, o marfim ocupou, durante largos anos, lugar de relevo no quadro das exportações, chegando a constituir, juntamente com os escravos, a principal fonte de receita do comércio com o exterior.


Valores Pré-Monetários de Proveniência Exterior
O “Cauris”, concha branca de rara beleza, cuja designação tem sido aplicada com frequência por vários autores a outras conchas (nomeadamente ao Zimbo) que tiveram igualmente função monetária, é conhecido desde tempos pré-históricos e constituiu moeda corrente em vários continentes. Pescava-se em Zinzibar e Moçambique, na Ásia, na América e na Oceânia. A sua generalização em Angola e no Congo teve lugar a partir do século XVI e foi consequência das relações comerciais dos mercadores portugueses, que, por via marítima, o importavam do Oriente.


As Contas
A partir do Séc. XVI começaram a invadir o sertão contas e missangas das mais variadas cores e feitios. Muito apreciadas pelos povos de Angola, acabaram por suplantar as conchas, em especial o “zimbo” e o “cauris”, tanto na sua função ornamental como na de moeda. As contas azuis, pequenas, chegaram mesmo a usurpar o nome ao próprio “Zimbo”. Constituíam um índice de riqueza das mulheres, que se enfeitavam o mais possível com elas, dispondo-as pelos cabelos, nos colares nas tangas, de onde as retiravam quando necessitavam de fazer compras. As mais divulgadas foram a “missangas grossa”, a “miúda” – também chamada “olho de rola”-, a “Maria II” – pequena conta, encarnada na face exterior e branca no interior, com cerca de três milímetros de diâmetro - , a “ Cassungo” – conta de bordado -, a “ almandrilha” – apipada ou riscada, de forma alongada e um centímetro de comprimento - , e outras de menor importância, como a “missanga leite” e a “missanga azul celeste”. Ao contrario das “fazendas”, que eram aceites como moeda em toda a parte, as “missangas” exerciam essa função com carácter mais regional. No Bailundo, por exemplo, circulava a “missanga preta”, que, no entanto, já não tinha “curso legal” no vizinho BiéNa Lunda era muito apreciada a “missanga branca”, grande, o que não acontecia no Sul. Como excepção a esta regra, apenas se aponta a “Maria II”, que circulava praticamente em toda a África Austral.
As Fazendas
De entre as mercadorias inicialmente introduzidas em Angola algumas pela sua utilidade especial, tiveram intensa procura, por parte das populações locais. Daí resultou que, com o correr do tempo, se passasse a aferir o valor de qualquer outra mercadoria em função dessas autênticas mercadorias – moeda, geralmente denominadas “fazendas”. As fazendas inicialmente mais correntes foram a “garrafa”, o “pano”, o “cortador”, a “peça” e a “espingarda”.

O Surgimento da Macuta
A cunhagem das moedas de cobre constava de peças de 1 macuta, ½ macuta, ¼ de Macuta e 5 réis, atribuindo-se à Macuta o valor de 50 réis.

Quanto à emissão de moedas de prata, constava de peças de 12, 10,8,6,4 e 2 macutas, sendo estas, de uma forma geral, semelhantes às de cobre. Neste período viviam-se tempos particularmente difíceis na colónia, motivados pelo monopólio da moeda.
Em 1860 a situação económico/financeiro em Angola era de facto deplorável.
Havia pouco dinheiro, as receitas que entravam nos cofres públicos eram na sua maior parte constituídas por letras e títulos de divida.

Com o objectivo de fazer afluir metal sonante aos cofres, decidiram as autoridades coloniais suprimir a aceitação de letras, limitando os pagamentos apenas a dinheiro e aos irrecusáveis títulos de divida.

Mas esta medida também não surtiu efeito, extinta a moeda de cobre carimbada, assim como as cédulas de papel, passou toda a moeda circulante da colónia, a macuta ( moeda de cobre angolense), a exprimir-se pelo valor Real, moeda do reino português.
Até 1864, a actividade económica em Angola repousava essencialmente sobre os mecanismos do tradicional sistema de permutação de géneros. Nesta permutação os meios mais correntes de pagamento eram as fazendas, o Zimbo, as pedras de sal da Kissama (que corriam em toda a parte) e os libongos.

A quantidade de capital circulante, já por si diminuta, em virtude da ausência de indústria, perdia-se nas mãos de meia dúzia de particulares, geralmente contratadores. Não existiam instituições de crédito, e em virtude disso eram os particulares que, regra geral, prestavam serviços próprios dos bancos, cobrando pelos empréstimos juros ruinosos. Porém, com a ampliação do comércio e a criação de indústrias em Angola a situação modifica-se. De 1910 a 1962 lança o Estado colonial português no mercado a emissão “Vasco da Gama”, o “escudo”, as cédulas do Banco Nacional Ultramarino, as “ritas” e os “chamiços”, os “angolares” e por último, em 1953, o “escudo” como unidade monetária.

Finalmente o Kwanza
Depois de algum tempo chegou o tempo novo e com ele o Kwanza verdadeiramente a moeda de Angola. Considerando que um dos atributos da soberania de um Estado Independente é a faculdade de emitir moeda; Considerando que, com a Lei n.º69/76, que criou o Banco Nacional de Angola, a República Popular de Angola ficou dotada da instituição que beneficia de exclusivo da emissão monetária; Considerando que já se encontravam satisfeitas as condições de ordem técnica para o lançamento de uma nova moeda; Nestes termos ao abrigo da alínea a) do artigo 38.º, da Lei Constitucional o Conselho da Revolução decretou a Lei da Moeda nacional. À 11 de Novembro de 1976 , em cumprimento do disposto nos artigos 8.º e 30.º da Lei Constitucional, é criada a unidade monetária nacional designada o Kwanza. O Kwanza tinha como fracção o LWEI correspondendo cada Kwanza a cem Lwei. O Kwanza era representado materialmente por notas e moedas metálicas. O Lwei era representado materialmente por moedas metálicas com valor facial de cinquenta LWEI-0.50. 8 de Janeiro de 1977 foi uma data fundamental o Kwanza entra em circulação.


Da página do Banco Nacional de Angola
Pensar e Falar Angola

RITA GT em Viana do Castelo

https://youtube.com/shorts/qZkb4CfXTZQ?si=3K65JJEr5VQqsZZS Ao longo dos últimos dois anos tive a oportunidade de desenvolver “8”, uma obra d...