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sexta-feira, 22 de maio de 2026

"O Tango de Satanás" de László Krasznahorkai

 

Depois deste livro, voltei ao novamente à leitura de uma obra do laureado com o mais recente prémio Nobel da literatura, ano de 2025, o húngaro László Krasznahorkai, agora com a obra considerada a mais emblemática dele "O Tango de Satanás".
Num espaço rural de uma cooperativa abandonada subsistem ainda algumas famílias de trabalhadores desanimados, no outono, tempo de chuvas permanentes, ouvem que um antigo trabalhador, com espírito de liderança e dado como morto, afinal está vivo e de volta. Então reúnem-se na taberna para dissertar sobre as suas mágoas e esperanças renovadas, enquanto se afogam em álcool até o "ressuscitado" regressar com uma ideia de projeto e os convence a seguir este falso profeta, de quem o leitor já percebeu o suficiente. Apesar de incidentes locais, bem aproveitados por ele, nada os demove e quando tudo parece perspectivar uma desilusão final, este torna-se surpreendente e fecha-se o ciclo.
Embora existam vários capítulos que correspondem a ambientes ou situações diferentes, a forma de escrita da narrativa é de um encadear de ideias, descrições e diálogos sem parágrafos e, frequentemente, com mudança discreta de personagem, o que obriga à atenção do leitor para não perder o sujeito ou o enquadramento.
As personagens vão sendo caracterizadas pelas suas atitudes, diálogos ou pensamentos pessoais dos outros envolvidos, num contínuo de tensão de sentimentos típica de uma sociedade em que todos são obrigados a  se suportar entre si, opressão meteorológica, gerando uma sensação de um futuro comprometido ou de apocalipse iminente.
Gostei de conhecer a obra, na qual tinha elevadas perspectivas, é interessante, mas também a tensão e a chuva tornam-na um pouco cansativa, contudo como não é muito extensa depois de se entrar no ritmo e estilo lê-se bem.

4 comentários:

Pedrita disse...

ah, tb falei de livro no meu blog. ah, já vi q esse livro tem q ser lido com tempo. fiquei curiosa. beijos, pedrita

charlles campos disse...

Eu me privilegiei pelo costume desde criança de ler autores herméticos, como Faulkner, de modos que esse livro não me deu nenhuma dificuldade. Mas reconheço que desmotiva muitas pessoas já no início. No entanto, é um dos resumos mais bem executados sobre a condição humana que já li, envolvendo tudo, religião, guerra, política, solidão e transcendência. A última cena do velho louco tocando o sino do povoado é um exemplo disso.

Carlos Faria disse...

Tenho de reconhecer que é um livro forte sobre a desesperança e o final todo ele é um conjunto de surpresas. Também li Faulkner, gostei muito de Énard que li recentemente numa obra não tinha um único parágrafo a não ser no termo do livro, mas talvez mais que a escrita era a atmosfera pesada que atravessava tudo. É um bom livro, para o qual já vinha de perspetiva muito alta e com medo.

Carlos Faria disse...

Penso ser a obra maior deste autor com Nobel