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7.11.13

Aniversário #2

(©)

E parabéns à Grande Dame Gwyneth Jones, que nasceu há 77 anos numa terrinha no País de Gales chamada Pontnewynydd. Sem mais palavras.




21.6.12

Hojotoho

Nos últimos dias, além do futebol, a exposição de Joana Vasconcelos em Versalhes tem dado bastante que falar (visita muito aconselhável). Das mais rasgadas loas às críticas mais ferozes, há de tudo. Em Le Figaro, para não irmos mais longe, encontramos três artigos que lhe são dedicados: 1, 2 e 3.

Pode-se gostar das obras de Joana Vasconcelos, ou não, ou de umas sim e de outras não. O que me parece muito o Portugal-dos-pequeninos do costume é o orgulho nacionalista exacerbado, por um lado, enquanto do outro lado da barricada os críticos demolem Joana Vasconcelos, a artista do regime. Sabemos que no futebol também é assim. Ora somos os maiores, ora Cristiano Ronaldo é uma fraude e José Mourinho não é tão bom como se apregoa por aí. A regra da pequenez repete-se e aplica-se quando se trata de pintores, de escritores, de músicos, de quase tudo e todos. Por muito sucesso que se tenha, nunca se é suficientemente bom, principalmente aos olhos de quem não é ninguém, nem nunca será.


Pérola de forma irregular

Lembra-nos muito bem o artdaily.org que o termo "Barroco" é de origem portuguesa. E barrocas são também as valquírias de Joana Vasconcelos, as douradas mais que as outras.

The work of Joana Vasconcelos can only resonate with the duality of the Versailles project itself, this ambivalence between the classical and the baroque styles made explicit by Louis Marin. Versailles is the result of a production, a construction that is at the same time real, symbolic and imaginary. “Imaginary” in that it reveals the “baroque”, fantastic and fanciful desire to show absolute power. There is a curious irony of history here if one remembers that the term “baroque” comes from the Portuguese “barroco” that means an irregularly shaped pearl.

"Valquíria Dourada" na Galeria das Batalhas (© artdaily.org)



























30.11.10

Peter Hofmann (1944-2010)

Em 1976, na produção de Patrice Chéreau para a comemoração do centenário d'O Anel do Nibelungo, em Bayreuth,  coube a Peter Hofmann o papel de Siegmund (em "Die Walküre"). Ainda em Bayreuth interpretou Parsifal, Lohengrin e Tristan, mas a sua carreira de tenor heróico não seria longa. Nos anos 1980/90, Peter Hofmann passou por vários géneros mais ligeiros, incluindo o rock e o teatro musical, e terminou oficialmente a carreira em 2004.
Os últimos anos da sua vida foram acompanhados pela doença de Parkinson, pela pobreza e pelas pensões sociais (segundo um artigo em Der Tagesspiegel de 2006). Faleceu na noite passada.





6.9.09

Gwyneth Jones - D'amor sull'ali rosee

Estava a ver uma entrevista de 1994 em que a magnífica Dame Gwyneth Jones conversava descontraidamente com o encenador August Everding sobre a sua carreira, maestros, encenadores, críticos e récitas. É em Alemão e não tem legendas, mas está ilustrada com alguns excertos preciosos de interpretações da cantora galesa.

E depois encontrei um vídeo que no-la mostra na sua estreia em Covent Garden, em 1964, como Leonora de "Il Trovatore", apanhada à pressa para substituir Leontyne Price. A encenação era de Visconti e Giulini dirigia a orquestra da Royal Opera House.

D'amor sull'ali rosee

(coloraturafan)

D'amor sull'ali rosee
Vanne, sospir dolente:
Del prigioniero misero
Conforta l'egra mente...
Com'aura di speranza
Aleggia in quella stanza:
Lo desta alle memorie,
Ai sogni dell'amor!
Ma deh! non dirgli, improvvido,
Le pene del mio cor!

2.1.08

O Despertar de Brünnhilde - "Heil dir, Sonne!"

Acordar

Acordar assim. Para o dia, ou para o ano, mesmo que um e outro comecem com chuva. Saudar o Sol, a luz, os deuses e o mundo.


BRÜNNHILDE
Heil dir, Sonne!
Heil dir, Licht!
Heil dir, leuchtender Tag!
Lang war mein Schlaf;
ich bin erwacht.
Wer ist der Held, der mich erweckt'?
Salve, Sol!
Salve, Luz!
Salve, dia glorioso!
O meu sono foi longo;
acordei.
Quem é o herói que me acordou?
SIEGFRIED
(von ihrem Blicke und ihrer Stimme
feierlich ergriffen, steht wie festgebannt)
Durch das Feuer drang ich,
das den Fels umbrann;
ich erbrach dir den festen Helm:
Siegfried bin ich, der dich erweckt'.

(impressionado com o olhar e a voz de Brünnhilde,
fica petrificado)
Penetrei o fogo
que arde em torno do rochedo;
livrei-te do sólido elmo:
O meu nome é Siegfried. Fui eu quem te acordou.
BRÜNNHILDE
(hoch aufgerichtet sitzend)
Heil euch, Götter!
Heil dir, Welt!
Heil dir, prangende Erde!
Zu End' ist nun mein Schlaf;
erwacht, seh' ich:
Siegfried ist es, der mich erweckt!

(sentando-se)
Salve, Deuses!
Salve, Mundo!
Salve, Terra brilhante!
O meu sono chegou ao fim;
acordada, vejo:
Foi Siegfried quem me acordou!


SIEGFRIED
(in erhabenste Verzückung ausbrechend)
O Heil der Mutter, die mich gebar;
Heil der Erde, die mich genährt!
Daß ich das Aug' erschaut,
das jetzt mir Seligem lacht!

(irrompendo num arrebatamento sublime)
Salve, ó Mãe, que me deu à luz!
Salve, ó Terra, que me alimentou!
Para eu ver, feliz,
estes olhos que me riem!
BRÜNNHILDE
(mit größter Bewegtheit)
O Heil der Mutter, die dich gebar!
Heil der Erde, die dich genährt!
Nur dein Blick durfte mich schau'n,
erwachen durft' ich nur dir!

(com grande comoção)
Salve, ó Mãe, que te deu à luz!
Salve, ó Terra, que te alimentou!
Só o teu olhar me poderia ver,
Só para ti poderia acordar!
(Beide bleiben voll strahlenden Entzückens
in ihren gegenseitigen Anblick verloren)
O Siegfried! Siegfried! Seliger Held!
Du Wecker des Lebens, siegendes Licht!
O wüßtest du, Lust der Welt,
wie ich dich je geliebt!
Du warst mein Sinnen,
mein Sorgen du!
Dich Zarten nährt' ich,
noch eh' du gezeugt;
noch eh' du geboren,
barg dich mein Schild:
so lang' lieb' ich dich, Siegfried!
(...)

(ambos ficam num encanto resplandecente,
perdidos no olhar um do outro)
Ó Siegfried! Siegfried! Herói bem-aventurado!
Tu acordas a vida, luz vitoriosa!
Se tu soubesses, alegria do mundo,
como eu sempre te amei!
Tu eras o meu pensamento,
a minha inquietação eras tu!
Cuidei de ti,
antes de o sentires.
Antes de nasceres,
protegeu-te o meu escudo.
Amo-te há todo este tempo, Siegfried!
(...)


(Brünnhilde também acorda aqui.)

16.3.07

Götterdämmerung

Na cena final do "Crepúsculo dos Deuses" volta a haver fogo mágico. Gwyneth Jones "incendiou" Bayreuth. É um pedaço da melhor música que alguém alguma vez compôs.

Fogo mágico em Bayreuth

CENA FINAL DE "A VALQUÍRIA"
Brünnhilde era Gwyneth Jones e Wotan era Donald McIntyre. Patrice Chéreau encenou e decidiu que quando Brünnhilde adormece nos braços do pai, tem mesmo de haver fogo mágico.

WOTAN (Wotans Abschied)
Leb' wohl, du kühnes, herrliches Kind!
Du meines Herzens heiligster Stolz!
Leb' wohl! Leb' wohl! Leb' wohl!
Muss ich dich meiden,
und darf nicht minnig
mein Gruss dich mehr grüssen;
sollst du nun nicht mehr neben mir reiten,
noch Met beim Mahl mir reichen;
muss ich verlieren dich, die ich liebe,
du lachende Lust meines Auges:
ein bräutliches Feuer soll dir nun brennen,
wie nie einer Braut es gebrannt!
Flammende Glut umglühe den Fels;
mit zehrenden Schrecken
scheuch' es den Zagen;
der Feige fliehe Brünnhildes Fels!
Denn einer nur freie die Braut,
der freier als ich, der Gott!

Der Augen leuchtendes Paar,
das oft ich lächelnd gekost,
wenn Kampfeslust ein Kuss dir lohnte,
wenn kindisch lallend der Helden Lob
von holden Lippen dir floss:
dieser Augen strahlendes Paar,
das oft im Sturm mir geglänzt,
wenn Hoffnungssehnen das Herz mir sengte,
nach Weltenwonne mein Wunsch verlangte
aus wild webendem Bangen:
zum letztenmal
letz' es mich heut'
mit des Lebewohles letztem Kuss!
Dem glücklichen Manne
glänze sein Stern:
dem unseligen Ew'gen
muss es scheidend sich schliessen.
Denn so kehrt der Gott sich dir ab,
so küsst er die Gottheit von dir!



(gabrilu06)

Wotan
Adeus, minha criança temerária e magnífica!
Tu, o orgulho sagrado do meu coração!
Adeus! Adeus! Adeus!
Tenho de te abandonar
e não voltarei a dar-te, com amor, a saudação.
Não tornarás a cavalgar a meu lado,
nem me trarás mais o hidromel.
Tenho de te perder, a ti, que eu amo,
tu, a alegria dos meus olhos.
Que arda aqui um fogo nupcial,
como nunca ardeu antes!
Que as chamas incandescentes incendeiem o rochedo
e com o seu terror afastem os medrosos.
Que os cobardes fujam do rochedo de Brünnhilde!
Só um libertará a noiva,
o que for mais livre que eu, o Deus!

Este par de olhos brilhantes,
que tantas vezes acariciei,
quando a tua valentia merecia um beijo,
quando um louvor aos heróis
fluía dos teus lábios de criança;
Este par de olhos luminosos,
que nas tempestades me sorria,
quando o desespero me consomia o coração,
quando o meu desejo procurava os prazeres do mundo
por caminhos tortuosos;
Que uma última vez eu os possa beijar,
com o último beijo do adeus!
Que ao homem feliz brilhe a sua estrela,
para o infeliz imortal ela apaga-se.
Assim se afasta o Deus de ti,
roubando-te a divindade com este beijo!

Loge, hör'! Lausche hieher!
Wie zuerst ich dich fand, als feurige Glut,
wie dann einst du mir schwandest,
als schweifende Lohe;
wie ich dich band, bann ich dich heut'!
Herauf, wabernde Lohe,
umlodre mir feurig den Fels!
Loge! Loge! Hieher!
Wer meines Speeres Spitze fürchtet,
durchschreite das Feuer nie!



(TheChromiumDragon)

Loge, ouve! Aparece!
Como te vi pela primeira vez, como labareda,
como uma vez me desapareceste,
chama ardente.
Porque te submeti, agora te invoco!
Sobe, chama mágica,
Envolve o rochedo de fogo!
Loge! Loge! Aqui!
Aquele que temer a ponta da minha lança
jamais atravessará este fogo!

15.3.07