Mostrar mensagens com a etiqueta John Adams. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta John Adams. Mostrar todas as mensagens

12.1.15

Concerto de Inverno

Por motivos vários que agora não vêm ao caso, este blogue tem andado adormecido. Acorda hoje para dar conta do concerto de ontem à tarde no CCB, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa dirigida por Joana Carneiro.


O Grande Auditório encheu, apesar de as obras não serem as mais fáceis para o público em geral, com a excepção do Adagio para Cordas de Barber. Contudo, Joana Carneiro atrai um público muito variado às nossas salas de concerto e obtém êxitos retumbantes com a OSP. Assim foi ontem. Após o celebérrimo Adagio de Barber ouvimos a Sinfonia Doctor Atomic, de John Adams, baseada na sua ópera homónima. Joana Carneiro, sabe-se, é uma fervorosa admiradora deste compositor e ontem pôde demonstrá-lo mais uma vez. Impossível resistir à energia criada entre a maestrina e a orquestra. Parabéns também aos solistas da OSP.

Mas a grande obra da tarde era a Sinfonia Nº 5 de Chostakovitch. Estreada em 1937, era a peça mais antiga do programa, com rasgos de invenção melódica e rítmica contagiantes. Também aí Joana Carneiro e a OSP estiveram em grande. Trata-se de uma sinfonia à moda de Mahler ("um fresco mahleriano", como escreveu Alexandre Delgado no programa de sala), com forte presença de metais e percussões e um terceiro andamento, Largo, dominado pelas cordas.



Menos bem, para não dizer péssimo, o público do CCB. Em primeiro lugar, não se leva uma criança de colo para um concerto destes. Os espectadores não compram bilhetes para ouvir o Adagio de Barber acompanhado pelo palrar de um bebé. Em segundo lugar, é estranho que tanta gente sofra de sonoros ataques de tosse durante o Largo da 5ª Sinfonia, destruindo assim um dos momentos mais belos do concerto. Estariam todos atacados pelo vírus ou simplesmente aborrecidos?

12.9.10

Uma Árvore em Flor

If only I could become a flowering tree,
rain down upon your thin grey hair
cool white blossoms,
with scent of lemon and jasmine!

©Márcia Lessa/Gulbenkian (Imagem encontrada no sound + vision)
(Mais imagens no FB da Fundação Gulbenkian)

I only ask that you treat me, the tree,
with the deepest reverence.
The water pour carefully.

A partir de um conto tradicional indiano, John Adams compôs uma ópera de grande beleza musical e poética que pudemos ver e ouvir ontem, ao fim da tarde, na Gulbenkian. Joana Carneiro, que o próprio Adams escolheu para sua assistente na estreia em 2006, dirigiu "A Flowering Tree" em Chicago, Paris e, agora, Lisboa. Coro, orquestra e solistas responderam-lhe na perfeição e deram-nos momentos sublimes. As sugestões visuais vinham impregnadas do aroma das plumérias.


"A Flowering Tree" é uma bela história de um príncipe que se apaixona por uma jovem que tem o poder de se transformar em árvore florida. Um dia o ritual corre mal e ela não consegue regressar totalmente à forma humana. Mulher-árvore, hostilizada e desprezada por todos, vagueia pelas ruas, canta por uma esmola. O príncipe, infeliz pelo seu desaparecimento, erra também pelas cidades, até que um dia o acaso lhes oferece o feliz reencontro.
O programa de sala, com sinopse detalhada e o libreto original e traduzido, está disponível em PDF.



John Adams em entrevista, a propósito da estreia de "A Flowering Tree"