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1.6.12

Europa Nostra

A propósito do Congresso Anual da Europa Nostra em Lisboa, Plácido Domingo (Presidente da Europa Nostra) e Guilherme d'Oliveira Martins publicaram um texto em El País onde podemos ler o seguinte:

La cultura no es un lujo, sino una necesidad prioritaria para una sociedad libre y civilizada. Defender el patrimonio en peligro; salvaguardar los paisajes amenazados; ocuparse de la defensa de los monumentos y de las tradiciones comunitarias; y poner la economía a servicio de la personas, todo eso, constituyen prioridades comunes que consideramos esenciales en el mundo actual.
(...)
Deseamos, firmemente, que este Congreso Europeo de Patrimonio de Europa Nostra Lisboa 2012 sea una oportunidad para lanzar la voz de alarma, para apelar y convocar a todos, ciudadanas y ciudadanos de Europa y del mundo, a fin de convertir a la defensa del patrimonio cultural en un factor decisivo de desarrollo, paz, ciudadanía, cultura y libertad.

A cerimónia de entrega dos Prémios da União Europeia para o Património Cultural - Europa Nostra 2012 terá lugar logo à noite no Mosteiro dos Jerónimos.

FRIDAY 1 JUNE

09.00 - 13.00
EUROPA NOSTRA FORUM  "Saving Europe's Endangered Heritage" - in cooperation with the Centro Nacional de Cultura and the Calouste Gulbenkian Foundation
Calouste Gulbenkian Foundation - Auditorium 2

19.00 - 21.00
EUROPEAN HERITAGE AWARDS CEREMONY co-hosted by Androulla Vassiliou, European Commissioner for Education, Culture, Multilingualism, Sport, Media and Youth, and Maestro Plácido Domingo, President of Europa Nostra. 
Also marking the 40th anniversary of the UNESCO’s World Heritage Convention.
Mosteiro dos Jerónimos (World Heritage Site and Laureate of an Europa Nostra Award)


O restauro dos seis órgãos da Basílica de Mafra é um dos laureados com o Prémio Europa Nostra 2012:




Adenda: Ler a notícia do Público.

24.5.10

Magnânimos

Frederico II da Prússia dizia que D. João V tinha "uma estranha paixão pelas cerimónias de igreja" e que "os seus divertimentos eram as funções sacerdotais, os seus monumentos conventos, os seus exércitos monges e até as suas amantes eram freiras". De facto, como escreve Rui Vieira Nery nas notas ao programa do Concerto Inaugural dos Seis Órgãos da Real Basílica de Mafra, em vez de seguir o modelo da representação laica do Poder ensaiado por Luís XIV em Versailles e desenvolvido pela corte imperial dos Habsburgos em Viena, D. João V prefere adoptar o padrão de uma outra tradição monárquica absoluta que lhe é mais próxima, a da Cúria papal em Roma.
A Basílica de Mafra, com duas tribunas na capela-mor e mais duas em cada braço do transepto, permite-nos pensar num projecto inicial de seis órgãos que só viria a ser concluído mais tarde. Por vontade do rei, a basílica foi consagrada no dia do seu 41º aniversário, em 1730, tendo sido então utilizados três órgãos portativos importados de Itália. Há notícias de seis órgãos inacabados, em 1760, quando já reinava D. José, e da encomenda de seis novos órgãos pelo regente D. João (mais tarde D. João VI), em 1792, inaugurados em 1806 e 1807.
Com a fuga da família real para o Brasil, devido à primeira invasão francesa ainda em 1807, e o longo período de convulsões que se lhe seguiu - desde logo a Guerra Peninsular e, mais tarde, as Guerras Liberais e a extinção das ordens religiosas -, os órgãos de Mafra deixaram praticamente de se ouvir. Ainda chegaram a ser desmontados, tendo em vista a sua renovação, mas apenas cinco foram reconstruídos.
Voltemos às palavras de Rui Vieira Nery: Se o século XIX tivesse conhecido no nosso país o desenvolvimento económico e cultural da Europa romântica e o empenho das elites burguesas cultas no investimento artístico, ao sabor da evolução da estética de vanguarda do tempo, os órgãos de Mafra teriam por certo sofrido intervenções radicais, procurando substituir a sua sonoridade tardo-barroca original por um ideal sonoro mais próximo do da organaria oitocentista (...). Assim, a junção do jacobinismo anti-clerical do Liberalismo português e do consequente desinteresse generalizado da nossa intelectualidade oitocentista pela Arte Sacra com a pobreza endémica do Estado liberal e a sua absoluta falta de preocupação com a preservação do património artístico construído acabou, neste caso, por ter efeitos benéficos. Os órgãos de Mafra permaneceram por conseguinte intocados ao longo de todo o século XIX, com excepção de eventuais pequenas afinações (...).
Graças ao apoio mecenático do Barclays e aos doze anos de trabalhos de restauro do organeiro Dinarte Machado e da sua equipa, os órgãos de Mafra voltaram a tocar juntos, duzentos anos depois. Espera-se que continuem a fazê-lo com regularidade e que continuem dando a conhecer o reportório composto especificamente para eles.
O concerto de inauguração foi a 15 de Maio e teve repetição a 16, 22 e 23. Tocaram os organistas João Vaz, Rui Paiva, António Esteireiro, António Duarte, Sérgio Silva e Isabel Albergaria e participou o Coro Sinfónico Lisboa Cantat, sob a direcção de Jorge Alves.