Uma simples mistificação dos economistas da escola neoliberal norte-americana, fazendo tábua rasa da distinção entre o Valor de Uso e o Valor de Troca das mercadorias de Karl Marx em “O Capital” moldou o mundo do pós-guerra tal e qual o conhecemos. Neste sentido, só o Presente é nosso, não o momento passado nem aquele que aguardamos, porque um está destruido, e do outro, se não lutarmos, não sabemos se existirá.
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domingo, abril 03, 2016
terça-feira, março 01, 2016
não percas a esperança, todo o mundo é feito de mudança
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quinta-feira, janeiro 21, 2016
(Mother)
Mãe, achas que eles vão lançar a bomba?
Mãe, achas que eles gostam da canção?
Mãe, achas que eles me vão cortar os tomates?
Mãe, devo alinhar na construção do muro?
Mãe, devo candidatar-me a presidente?
Mãe, achas que devo confiar no governo?
Mãe, achas que eles me põem na linha de fogo?
ooooh Isto é só uma perda de tempo?
Calma agora, bebé, bebé, não chores
a Mamã vai fazer os teus pesadelos virarem realidade
a Mamã vai-te mandar os medos dela para ti
a Mamã vai-te proteger debaixo das saias dela
Ela não te vai deixar voar,
mas talvez te deixe cantar
ooooh bebé ooooh bebé
ooooh bebé, e claro que te vai ajudar a construir o muro
Mãe, achas que ela é mesmo boa para mim?
Mãe, achas que ela é perigosa para mim?
Mãe, ela vai despedaçar-me o coração?
Calma agora, bebé, bebé, não chores
a Mamã vai avaliar todas as namoradas para ti
a Mamã não vai deixar ninguém sujo aproximar-se
a Mamã vai esperar por ti até voltares
a Mamãe vai descobrir por onde andaste
a Mamã vai manter o seu bebé limpo e saudável
ooooh bebé
ooooh bebé
ooooh bebé, tu irás ser sempre um bebé para mim
Mãe, mas eu precisava de ser tão alto?
.....
quinta-feira, maio 22, 2014
Crença, Verdade, Conhecimento, Mentira,
(estudando psicologia politica para melhor poder enganar o próximo)
Pode-se dizer que a epistemologia se origina em Platão. Opõe a Crença ou Opinião ao Conhecimento. A crença é um determinado ponto de vista subjetivo. O conhecimento é crença verdadeira e justificada.
A teoria de Platão abrange o conhecimento teórico, o saber que. Tal tipo de conhecimento é o conjunto de todas aquelas informações que descrevem e explicam o mundo natural e social que nos rodeia. Este conhecimento consiste em descrever, explicar e predizer uma realidade, isto é, analisar o que ocorre, determinar por que ocorre dessa forma e utilizar estes conhecimentos para antecipar uma realidade futura.
Perante a possibilidade do conhecimento, o sujeito pode tomar diferentes atitudes:
1. Dogmatismo: atitude filosófica pela qual podemos adquirir conhecimentos seguros e universais por inspiração, e ter fé disso.
2. Cepticismo: atitude filosófica oposta ao dogmatismo, a qual duvida de que seja possível um conhecimento firme e seguro, sempre questionando e pondo à prova as crenças, e dependendo dos resultados afirmativos destas provas as crenças podem se tornar convicção ou certeza. Esta postura foi defendida por Pirro de Élis.
3. Relativismo: atitude filosófica defendida pelos sofistas que nega a existência de uma verdade absoluta e defende a ideia de que cada indivíduo possui sua própria verdade, que é em função do contexto histórico do indivíduo em questão.
4. Perspectivismo: atitude filosófica que defende a existência de uma verdade absoluta, mas pensa que nenhum de nós pode chegar a ela senão a apenas uma pequena parte.
são 3 as grandes linhas de ontologia consolidadas na matriz do pensamento ocidental:
1. a Ontologia do Uno, cuja idéia dominante assevera que toda a realidade procede do Uno, ou manifestação do mesmo ou que se reduza a ele. Seus representantes são Parmênides, Platão, Plotino, Escoto Eriúgena, Spinoza e as vertentes do pensamento oriental.
2. Ontologia do Ser, que parte não do Uno, mas daquilo que é, e por conseguinte, do conhecimento empírico e da experiência. Por meio desta vertente da ontologia, o ser se diz de várias maneiras (analogia), cuja maior expressão é a da substância, que em grau máximo, corresponde a Deus (Primeiro Motor), sem movimento ou mudança. Os seus maiores representantes são Aristóteles e Santo Tomás de Aquino, que à luz da Revelação Bíblica conceitua Deus como Ipsum Esse per se subsistens.
3. Ontologia do Devir (ou do tempo). É a que vem se afirmando desde o início da era moderna. Seus representantes são Hegel, Heidegger, e em alguma medida Nietzsche. Pretendem reintroduzir a dinâmica no ser, e, com isto, sua oposição ao não-ser, como momento de interioridade de vida e do ser.(wikipedia)
Finalmente, a acrescentar à objectividade e subjectividade do Conhecimento veio juntar-se a Ontologia virtual como ciência da computação, tornando infinitamente mais mais complexo o emprego de todos os conceitos fisicos existentes (wikipedia)
domingo, dezembro 22, 2013
Conto de Natal ao modo ocidental
Um jovem Principe da Ásia habitava no palácio do seu pai. Encontrava ali tudo aquilo de que sentia desejo. Mas ainda assim não se sentia feliz. Um belo dia encontrou numa floresta próxima um velho de longos cabelos brancos que respondeu à sua ansiedade com uma voz muito doce: "a felicidade é uma coisa muito dificil de encontrar sobre a terra; apesar disso, conheço uma maneira de a encontrar" - e qual é ela?, inquiriu o Principe. - "Tens de vestir a camisa de um homem que disfrute de felicidade". Após esta troca de palavras o homem jovem abraçou o homem velho e dispôs-se a deixar o palácio. Partiu por essas terras mundo afora. Visitou todas as capitais da terra. Dizendo quem era, vestiu a camisa de reis, a camisa de milionários... mas apesar de tudo isso não se conseguiu sentir feliz. Vestiu a camisa de mercadores, de marinheiros, a camisa de soldados. Mas a tristeza continuava a habitar no seu coração. Concluiu uma volta completa ao mundo, sem encontrar a felicidade. Um dia, quando se predispunha a iniciar o caminho de regresso a casa do seu pai, ouviu uma juvenil voz melodiosa num campo. Levantou a cabeça e viu um jovem camponês que puxava pela sua charrua e ia cantando. Ena pá, ena pá! até que enfim descubro alguém que parece ter encontrado a felicidade. E dirigindo-se ao trabalhador, perguntou-lhe: "não me digas!? tu és feliz? - Sim, respondeu o outro. Como é que fizeste para seres assim? - Repara! - e o jovem camponês andando uns passos apontou-lhe uma modesta casinha num vale ao lado de um bosque. "Vês, aquela ali? é a minha mulher e o miúdo ao colo dela é o meu filho. É por eles que eu trabalho e me sinto feliz" - Ai sim?, então vende-me a tua camisa. Surpreendido, o trabalhador de tronco nu, respondeu-lhe: "a minha camisa!? nem penses nisso! ...
domingo, junho 30, 2013
do Materialismo Dialéctico Marxista
Descartes, no Discurso do Método, propusera já regras para a Análise de uma coisa (atingir os elementos do objecto estudado) e a Síntese (reconstituição do conjunto onde se integra a coisa estudada). Kant, Auguste Comte e muitos outros tinham já insistido na exigência básica da pesquisa científica e da razão humana: não isolar o objecto considerado, investigar as suas ligações, as suas relações constantes e regulares com outros fenómenos. O que acrescenta de novo o método marxista inspirado em Hegel?
- a análise aprofundada de toda a realidade atinge elementos contraditórios, o ser e o não ser (ignorada na filosofia de Descartes, Comte e Kant)
- a realidade a atingir pela análise e a reconstituir pela exposição (sintética) é sempre uma realidade “em movimento”.
É preciso atingir os elementos por abstracção, declarando o método marxista possivel a reconstituição do todo e dos diversos movimentos que o constituem. Cada objecto estudado tem incorporado em si o seu devir (pela sua dialéctica). Em toda a parte, em todas as coisas, existem contradições que serão resolvidas pela sua superação, elevando-as a um nivel qualitativo superior e à aparição de novas contradições.
O método dialéctico teorizado por Marx superou a dialéctica hegeliana, que apenas distinguia a contradição de forma abstracta e de forma geral aplicada à Natureza e à História. Marx afirma que o método dialéctico não dispensa a apreensão e o conhecimento em si de cada objecto, o seu movimento interno, a sua qualidade e as suas transformações bruscas. A lógica do estudo deve pois subordinar-se ao conteúdo da matéria estudada. As ideias que fazemos das coisas – a nossa mundovisão – são apenas o mundo real, material, expresso e reflectido na mente dos homens, isto é, edificam-se com base na prática e no contacto activo com o mundo exterior, através de um processo complexo onde entra toda a cultura (sociologia cientifica). De Adam Smith a Durkheim, a divisão de trabalho foi objecto de diferentes estudos, mas não sendo dialécticos perdiam de vista a relação das contradições nos modos de produção, de circulação, consumo. A concepção materialista da Sociedade e da História está ligada à descoberta do papel do Trabalho, da produção, no fabrico de bens materiais necessários à vida. Na organização da sociedade tendo em vista um tal fim, só uma classe não vive da exploração das outras, antes é ela pròpria a criar, pelo seu trabalho produtivo todos os bens e valores e pode reconhecer o verdadeiro papel do trabalho (1). “O modo de produção da vida material, escreveu Marx, é que condiciona o processo da vida social, politica e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, é o seu ser social que determina a sua consciência”
Para os prisioneiros da caverna de Platão, as sombras que se reflectem nas paredes do fundo é que são únicas realidades existentes, isto é, as coisas são apenas sombras das ideias (2).
Do mesmo modo, em certos sectores obscuros contemporâneos subsistem forças sociais que têm interesse numa inversão idealista do mundo. Sob influência primitiva de pontos de vista de crenças religiosas, Platão declarou que os conceitos pertenciam a “um mundo mais elevado”, o das Ideias, às quais atribuiu existência independente – assim, o Idealismo é a orientação fundamental da filosofia que parte do princípio de que a existência, pensamento, espírito, vontade, logo, qualquer coisa de ideal, de imaterial, é primário, fundamental, determinante; e de que a matéria, a Natureza, o mundo material, são produzidos por “pensadores” ou factores deles dependentes. Neste contexto, as classes proprietárias e dominantes sempre detiveram o monopólio da actividade intelectual, defendendo a ferro e fogo a divisão artificial entre trabalho corporal e espiritual. Apoiada na submissão pela ignorância, trata-se de uma intrujice intencional das classes dominantes, reaccionárias, para subjugarem intelectualmente a maioria do povo que aspira a trabalhar para seu próprio beneficio (3)
A oposição entre Materialismo e Idealismo, a luta contraditória que opõe as duas mundivisões, integra uma lei fundamental da história da Filosofia. Na disputa entre sistemas filosóficos não existe nenhum conhecimento verdadeiro nem nenhum progresso, de tal forma que qualquer pensamento é válido como progressista? Se assim fosse não valeria a pena estudar filosofia. E de facto é isso que o Poder das classe dominantes determina, ao privilegiar a alienação das massas oo estudo em cursos de gestão tecnocrata em detrimento do estudo das Humanidades. A Filosofia expressa de forma mais geral os interesses, anseios e ideias de classes sociais. A luta entre posições filosóficas é, por conseguinte, totalmente explicável. Ela é o reflexo da luta económica e politica entre as classes, é uma das formas por que as classes se consciencializam dos seus objectivos e anseios, é uma componente importante da luta ideológica de classes. A filosofia do Materialismo foi, a maior parte das vezes, a expressão ideológica dos anseios das classes progressistas, que têm por objectivo a transformação da sociedade. O Idealismo, pelo contrário, foi frequentemente a visão das forças de classe reaccionárias, que ainda estão interessadas na defesa das situações sociais existentes.
Que concepção defende a filosofia materialista?
Muitas pessoas ainda continuam a acreditar que o Materialismo é uma concepção que enaltece as vantagens e os prazeres materiais e menospreza anseios e ideiais espirituais mais elevados. Desde Platão e de já há cerca de dois mil anos que ele é aasim apresentado pelos adversários da filosofia materialista: “o filisteu entende por materialismo o comer, o prazer dos olhos, o prazer da carne e a soberba, a cobiça, a avareza, a avidez, a sede de lucro e as fraudes da bolsa, isto é, todos os vícios sórdidos a que ele próprio secretamente se entrega; e, por Idealismo, a crença na virtude, no universal amor ao homem e num “mundo melhor”, em geral, que gosta de alardear perante outros mas em que ele próprio não acredita – quando muito – enquanto passa pela ressaca ou pela bancarrota que necessariamente se seguem aos seus habituais excessos “materialistas” e canta o seu estribilho favorito: “o que é o homem – meio animal, meio anjo” (4)...
na realidade o Materialismo e, por maioria de razão, o Materialismo dialéctico e histórico nada tem a ver com uma tal visão. O nome “materialismo” designa uma concepção filosófica e não uma ideologia moral.
O principio fundamental do Materialismo em todas as suas várias formas históricas, consiste em observar o mundo objectivo tal como ele realmente é, sem recorrer a hipóteses fantásticas. Dito de outro modo: o Materialismo explica o mundo a partir dele próprio, das suas conexões regidas por leis. Em primeiro lugar porque a matéria é a realidade objectiva e existe fora da nossa Consciência e independentemente dela. Em segundo lugar, porque a matéria é a fonte última de conhecimento assente em aceitar ou rejeitar a confiança do homem no testemunho dos seus orgãos dos sentidos (5). Mas a visão materialista da natureza não é mais que a simples apreensão da natureza, tal como ela se dá, sem acrescentos estranhos... (6). A concepção materialista coincide, assim, totalmente com a experiência prática dos homens, com o são raciocinio humano, mas também com a ciência. No fundo, qualquer pessoa sensata enfrenta desta maneira as coisas e os acontecimentos da vida prática, qualquer pessoa se comporta espontaneamente de forma materialista. Mesmo o mais emperdernido dos idealistas intui que não é produto de nenhum espitiro supranatural, vai ao dentista quando tem dores de dentes, como e bebe e não se esquece de respirar (7)
notas:
(1) As Classes (Karl Marx, Livro III de “O Capital”, no Marxists.Org)
(2) Platão, a Caverna
(3) "E na mesma medida em que se desenvolve a burguesia, isto é o capital, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos modernos operários, os quais vivem só enquanto têm trabalho e só têm trabalho enquanto o seu trabalho aumentar o capital. Estes operários, que têm de se vender a retalho, são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comércio e estão, assim, igualmente sujeitos a todas as vicissitudes da concorrência e a todas as flutuações do mercado." (Manifesto do Partido Comunista)
(4) Friedrich Engels: “Feuerbach e o Fim da Filosofia Alemã”
(5) Lenine em “Materialismo e Empiriocriticismo”, 1919.
(6) Engels, Dialéctica da Natureza
(7) Curso Básico de Filosofia Marxista Leninista, de Erich Hahn e Alfred Kosing, 1984.
O método dialéctico teorizado por Marx superou a dialéctica hegeliana, que apenas distinguia a contradição de forma abstracta e de forma geral aplicada à Natureza e à História. Marx afirma que o método dialéctico não dispensa a apreensão e o conhecimento em si de cada objecto, o seu movimento interno, a sua qualidade e as suas transformações bruscas. A lógica do estudo deve pois subordinar-se ao conteúdo da matéria estudada. As ideias que fazemos das coisas – a nossa mundovisão – são apenas o mundo real, material, expresso e reflectido na mente dos homens, isto é, edificam-se com base na prática e no contacto activo com o mundo exterior, através de um processo complexo onde entra toda a cultura (sociologia cientifica). De Adam Smith a Durkheim, a divisão de trabalho foi objecto de diferentes estudos, mas não sendo dialécticos perdiam de vista a relação das contradições nos modos de produção, de circulação, consumo. A concepção materialista da Sociedade e da História está ligada à descoberta do papel do Trabalho, da produção, no fabrico de bens materiais necessários à vida. Na organização da sociedade tendo em vista um tal fim, só uma classe não vive da exploração das outras, antes é ela pròpria a criar, pelo seu trabalho produtivo todos os bens e valores e pode reconhecer o verdadeiro papel do trabalho (1). “O modo de produção da vida material, escreveu Marx, é que condiciona o processo da vida social, politica e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, inversamente, é o seu ser social que determina a sua consciência”
Para os prisioneiros da caverna de Platão, as sombras que se reflectem nas paredes do fundo é que são únicas realidades existentes, isto é, as coisas são apenas sombras das ideias (2).
Do mesmo modo, em certos sectores obscuros contemporâneos subsistem forças sociais que têm interesse numa inversão idealista do mundo. Sob influência primitiva de pontos de vista de crenças religiosas, Platão declarou que os conceitos pertenciam a “um mundo mais elevado”, o das Ideias, às quais atribuiu existência independente – assim, o Idealismo é a orientação fundamental da filosofia que parte do princípio de que a existência, pensamento, espírito, vontade, logo, qualquer coisa de ideal, de imaterial, é primário, fundamental, determinante; e de que a matéria, a Natureza, o mundo material, são produzidos por “pensadores” ou factores deles dependentes. Neste contexto, as classes proprietárias e dominantes sempre detiveram o monopólio da actividade intelectual, defendendo a ferro e fogo a divisão artificial entre trabalho corporal e espiritual. Apoiada na submissão pela ignorância, trata-se de uma intrujice intencional das classes dominantes, reaccionárias, para subjugarem intelectualmente a maioria do povo que aspira a trabalhar para seu próprio beneficio (3)
A oposição entre Materialismo e Idealismo, a luta contraditória que opõe as duas mundivisões, integra uma lei fundamental da história da Filosofia. Na disputa entre sistemas filosóficos não existe nenhum conhecimento verdadeiro nem nenhum progresso, de tal forma que qualquer pensamento é válido como progressista? Se assim fosse não valeria a pena estudar filosofia. E de facto é isso que o Poder das classe dominantes determina, ao privilegiar a alienação das massas oo estudo em cursos de gestão tecnocrata em detrimento do estudo das Humanidades. A Filosofia expressa de forma mais geral os interesses, anseios e ideias de classes sociais. A luta entre posições filosóficas é, por conseguinte, totalmente explicável. Ela é o reflexo da luta económica e politica entre as classes, é uma das formas por que as classes se consciencializam dos seus objectivos e anseios, é uma componente importante da luta ideológica de classes. A filosofia do Materialismo foi, a maior parte das vezes, a expressão ideológica dos anseios das classes progressistas, que têm por objectivo a transformação da sociedade. O Idealismo, pelo contrário, foi frequentemente a visão das forças de classe reaccionárias, que ainda estão interessadas na defesa das situações sociais existentes.
Que concepção defende a filosofia materialista?
Muitas pessoas ainda continuam a acreditar que o Materialismo é uma concepção que enaltece as vantagens e os prazeres materiais e menospreza anseios e ideiais espirituais mais elevados. Desde Platão e de já há cerca de dois mil anos que ele é aasim apresentado pelos adversários da filosofia materialista: “o filisteu entende por materialismo o comer, o prazer dos olhos, o prazer da carne e a soberba, a cobiça, a avareza, a avidez, a sede de lucro e as fraudes da bolsa, isto é, todos os vícios sórdidos a que ele próprio secretamente se entrega; e, por Idealismo, a crença na virtude, no universal amor ao homem e num “mundo melhor”, em geral, que gosta de alardear perante outros mas em que ele próprio não acredita – quando muito – enquanto passa pela ressaca ou pela bancarrota que necessariamente se seguem aos seus habituais excessos “materialistas” e canta o seu estribilho favorito: “o que é o homem – meio animal, meio anjo” (4)...
na realidade o Materialismo e, por maioria de razão, o Materialismo dialéctico e histórico nada tem a ver com uma tal visão. O nome “materialismo” designa uma concepção filosófica e não uma ideologia moral.
O principio fundamental do Materialismo em todas as suas várias formas históricas, consiste em observar o mundo objectivo tal como ele realmente é, sem recorrer a hipóteses fantásticas. Dito de outro modo: o Materialismo explica o mundo a partir dele próprio, das suas conexões regidas por leis. Em primeiro lugar porque a matéria é a realidade objectiva e existe fora da nossa Consciência e independentemente dela. Em segundo lugar, porque a matéria é a fonte última de conhecimento assente em aceitar ou rejeitar a confiança do homem no testemunho dos seus orgãos dos sentidos (5). Mas a visão materialista da natureza não é mais que a simples apreensão da natureza, tal como ela se dá, sem acrescentos estranhos... (6). A concepção materialista coincide, assim, totalmente com a experiência prática dos homens, com o são raciocinio humano, mas também com a ciência. No fundo, qualquer pessoa sensata enfrenta desta maneira as coisas e os acontecimentos da vida prática, qualquer pessoa se comporta espontaneamente de forma materialista. Mesmo o mais emperdernido dos idealistas intui que não é produto de nenhum espitiro supranatural, vai ao dentista quando tem dores de dentes, como e bebe e não se esquece de respirar (7)
notas:
(1) As Classes (Karl Marx, Livro III de “O Capital”, no Marxists.Org)
(2) Platão, a Caverna
(3) "E na mesma medida em que se desenvolve a burguesia, isto é o capital, desenvolve-se também o proletariado, a classe dos modernos operários, os quais vivem só enquanto têm trabalho e só têm trabalho enquanto o seu trabalho aumentar o capital. Estes operários, que têm de se vender a retalho, são uma mercadoria como qualquer outro artigo de comércio e estão, assim, igualmente sujeitos a todas as vicissitudes da concorrência e a todas as flutuações do mercado." (Manifesto do Partido Comunista)
(4) Friedrich Engels: “Feuerbach e o Fim da Filosofia Alemã”
(5) Lenine em “Materialismo e Empiriocriticismo”, 1919.
(6) Engels, Dialéctica da Natureza
(7) Curso Básico de Filosofia Marxista Leninista, de Erich Hahn e Alfred Kosing, 1984.
sábado, março 23, 2013
das Palavras que Escutamos
Harry Gordon Frankfurth escreveu “On Bullshit” um dos livros mais vendidos nas downtowns urbanas menos estupidificadas dos Estados Unidos. A clientela dos Estados-vassalos não difere do pensar ao centro.
“Sobre aTrampa” é um ensaio que não é necessaria- mente sobre politica, porque nos EUA não existe politica, o que existe é uma feroz competição entre dois gangs organizados sobre o modo como podem melhor exercer a pilhagem sobre o mundo inteiro. E lacaios locais que formam ansiosas filas para obter emprego rendoso no saque. “On Bullshit” é sobretudo sobre todos aqueles os que falam sem saber do que estão a falar, porque não têm formação nem sensibilidade politica para gerir ou comentar assuntos que digam respeito às pessoas. Quem muito fala pouco acerta em Humanidades; o negócio dessa trampa gelatinosa em forma de gente são os números. Errados. Por isso se protegem por detrás de uma novilíngua que só entre esses restritos grupos rivais de tecnocratas da treta se entende. Se anularmos as frases sem nexo do falar dessa gente, o que fica?
Faça-se uma experiência: coloque-se três grandes questões a inquérito ao grupo de figurões que integram o quadro (não exaustivo) das personalidades nacionais abaixo selecionadas.
a) o regime de propriedade preferencial deve ser público ou privado?
b) o Estado garante a democracia?
c) existe a garantia de cada cidadão poder ser livre?
Todos eles, sem excepção, lhes responderão a mesma coisa. Embora com parlapiés embrulhados em aliciantes embalagens de cores diferentes. (um deles não conta, embora forme opinião como joker):
A linguagem da treta é transversal a todas as épocas. Um dos ensaios mais famosos na dismistificação da treta é o “Elogio da Loucura” de Erasmo. Obra de loucos é, por exemplo, a de sistemas de governação por democracia directa, ao contrário de dirigentes que acedem ilegitimamente aos governos concordarem em autorizar o Estado a interferir na propriedade privada de contas bancárias para lhes roubar uma percentagem. A menos que a intenção fosse acabar de imediato e em simultâneo com todo o sistema mundial de off-shores bancários...
“A convicção generalizada de que em democracia cada cidadão deve ter opiniões políticas e emitir juízos sobre tudo, explicam o facto da produção de asneiras e tretas estar tão disseminada, muito particularmente por governantes e assessores nas televisões. Os fala-barato e os falsificadores estão sempre a produzir contrafacções, bluffs, deturpações e mentiras – ao contrário do cientista, do artesão e do profissional que se especializou na sua área e não relaxa a autodisciplina e autocrítica. Em última instância o escroque que finge que sabe e discursa frente a encenações de realidades credíveis, aconselha-se a si próprio com cinismo e tem uma regra de ouro: nunca digas mentiras se puderes safar-te com uma treta…
leitura relacionada:
“Investigações Filosóficas”, Ludwig Wittgenstein, 1953:
“os limites da linguagem devem ser os limites do pensamento”
.
Faça-se uma experiência: coloque-se três grandes questões a inquérito ao grupo de figurões que integram o quadro (não exaustivo) das personalidades nacionais abaixo selecionadas.
a) o regime de propriedade preferencial deve ser público ou privado?
b) o Estado garante a democracia?
c) existe a garantia de cada cidadão poder ser livre?
Todos eles, sem excepção, lhes responderão a mesma coisa. Embora com parlapiés embrulhados em aliciantes embalagens de cores diferentes. (um deles não conta, embora forme opinião como joker):
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A linguagem da treta é transversal a todas as épocas. Um dos ensaios mais famosos na dismistificação da treta é o “Elogio da Loucura” de Erasmo. Obra de loucos é, por exemplo, a de sistemas de governação por democracia directa, ao contrário de dirigentes que acedem ilegitimamente aos governos concordarem em autorizar o Estado a interferir na propriedade privada de contas bancárias para lhes roubar uma percentagem. A menos que a intenção fosse acabar de imediato e em simultâneo com todo o sistema mundial de off-shores bancários...
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“os limites da linguagem devem ser os limites do pensamento”
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sexta-feira, março 22, 2013
Moções de "Censura" e politica da treta
Está tudo combinado sob o alto e asqueroso patrocinio de Cavaco: Tribunal Constitucional arvorado em decisor político chumba uma ou duas leis das 16 declaradas "inconstitucionais, o Partido dito socialista apresenta moção de censura, Sócrates perdoado regressa à televisão aldrabando uma coisa má a pretexto que a seguir veio outra pior, o (des)Governo demite-se depois de ter esticado a corda ao máximo sem haver revolta, Cavaco exulta, ex-ministro diz que Cavaco deve pensar num governo de ampla maioria PS/PSD/CDS. Quem ainda não conhecer esta cáfila que os compre. E normalmente quem os compra são os asnos reincidentes que votam invariavelmente PS ou PSD ou CDS. E ainda, os que se abstêm e que "não participando, se sujeitam a ser governados por gente inferior" conforme filosofou Platão na "República", cuja aprendizagem nas escolas entretanto se finou...
segunda-feira, janeiro 07, 2013
Buda
o Principe Gautama Siddharta, fundador do Budismo, nasceu cerca do ano 563 antes-da-nossa-era (a.n.e.), filho do Rajá de Sakya, uma tribo guerreira do que é hoje o Nepal 150 quilómetros a norte de Bénares (Varanasi).
No inicio viveu a vida convencional de um Príncipe. Quando chegou aos 29 anos enfastiou-se com a vida luxuriosa da Corte e resolveu sair do Palácio do rei seu pai, da família e dos respectivos séquitos. Abandonou a sua esposa, as suas possessões, terras e poderes e iniciou uma longa caminhada submetendo-se às privações de uma vida ascética. “É certo que sou pobre, mas sou-o por opção”, diria dele o seu biógrafo nosso contemporâneo Hermann Hesse.
Por seis anos Siddharta levou uma vida de extrema austeridade obrigando-se à auto-tortura; no final deste suplicio, depois de diante de si ter desfilado um imenso rol de indigentes, putas, profetas, políticos e vulgares ladrões súbditos fora do seu mundo de origem, o Principe atingiu o estado de Iluminação – o secreto conhecimento do Eu, que não se representa nem pelo Corpo nem pela Consciência (e aqui começa a tanga i.e a negação de que tudo no Universo consiste em partículas de matéria que interagem no vazio até que a inteligência as organize)
“O melhor dos governantes não passa de uma sombra para os súbditos” (Lao Tsé)
De acordo com a tradição, Gautama Siddharta atingiu a Iluminação sentado debaixo da Árvore do Despertar (uma figueira ficus benghalensi religiosa ou Bodhi) perto de Buddh Gaya no Bihar durante a lua cheia do mês de Vaisakhi, o principio do Ano Novo para os hindús. Depois disto ficou conhecido como Buda o Iluminado. Fundou uma Ordem de monges e dispendeu os 40 anos seguintes como professor errante ganhando muitos seguidores. O que não será difícil de admitir, face à imensa população de miseráveis dedicados à mendicidade. Vestidos com os seus trapos tingidos de açafrão mendigavam as refeições e Buda nada fazia além do esforço pela esmola concedida – “sei pensar, sei esperar, sei jejuar” – dizia àqueles com quem se cruzava e viam nele modos finos e aristocráticos. Porém as coisas deste mundo, roupas, sapatos, pulseiras e dinheiro não lhe interessavam. Buda ensinava os pobres levarem uma vida regrada (que remédio) e ascética. Porém, dispostos a não renunciar completamente a todos os prazeres da vida, uma Ordem de Freiras foi igualmente criada. Buda morreu aos 80 anos em Kushinagar na terra de Oudh (Uttar Pradesh).
Por tempos imemoriais pensou-se que a vida de Buda seria puramente mitológica, mas agora parece que ela representou uma realidade histórica, porquanto Bodh Gaya se tornou um Património Mundial segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e se descobriu que as tecnologias de produção de milagres pertencem a um período bastante mais antigo. Os monumentos erguidos em Ashoca depois da conversão do reino ainda podem ser vistos. E houve grande excitação no século XIX quando um sarcófago contendo cinco vasos cerâmicos foram descobertos no Nepal. Um desses vasos continha alguns ossos com a inscrição “dos irmãos sukitti, juntos com as suas irmãs, este é um receptáculo das relíquias do Buda o Sagrado dos Sakyas”. Mas no final, medidos pelo carbono 14, parece que os ossos pertenciam ao tempo dos Ashoca, 200 anos depois da morte de Buda e, deste modo, não é provável que tivessem sido do próprio Buda. É perfeitamente datável quando e como Buda inventou completamente uma nova religião (religião é alienação); provavelmente ele promoveu uma transformação revolucionária a partir da pré-existente e ancestral Fé dos Brâmanes (passe ao lado que a palavra “Casta” tem origem portuguesa e dela só se tem noticia desde o século XV)
As ideias-chave do Budismo são que a existência humana é miserável, que o Nonsense ou “Nirvana” é o estado ideal e que o Nirvana pode ser alcançado pela devoção às regras do Budismo (religião é submissão). O principal conceito é de que as respostas do homem se encontram no seu interior e mesmo a morte não traz o Nirvana, porque as Almas transmigram-se após a Morte. Essas almas penadas estão condenadas à infelicidade na medida que se transmigram para muitas outras Vidas e recomeçam sempre noutros Corpos.
Henri Bergson (1859-1941) prémio Nobel em 1927 filosofava (seguido depois por Gilles Deleuze) que o ser dotado de inteligência é levado de facto a pensar em si mesmo e a desprezar os seus laços sociais. A inteligência mostra claramente ao homem a sua natureza mortal e por isso a religião reage com a crença na imoralidade e com o culto dos mortos. A inteligência faz perceber claramente aos vivos a imprevisibilidade do futuro e o carácter aleatório de todos os seus empreendimentos. A religião fornece mediante as crenças e as práticas mágicas a possibilidade de crer numa influência do homem sobre a natureza muito superior à que o homem pode efectivamente alcançar mediante a técnica. Na impossibilidade de um dinamismo total é preferível o homem dedicar-se ao misticismo, o que o pressupõe como um privilegiado genial. O misticismo da contemplação não acredita na eficácia da acção humana, assim, o génio místico que venha corrigir os males sociais e moraisde que sofre a humanidade. E “a humanidade poderá então retomar na Terra a função essencial do Universo, que é ser uma máquina de fabricar deuses”. Se não houver tempo para dar conta deste recado, então a opção de mudança da alma para outro corpo é garantida para que o virtual imaginado continue ad aeternum e passe a ser real.
O Budismo tornou-se uma religião muito popular espalhando-se rapidamente pela India, especialmente depois da conversão do Rei Ashoca (272-232 a.n.e.). Por volta do século III a.n.e. ele dominava todo o subcontinente indiano. Mais tarde, entrou em declínio, especialmente durante as perseguições ao Bramanismo no século VII e VIII depois da nossa era, ou seja, aquando da invasão do Islão. O Budismo contudo jamais deixaria de florescer, espalhando-se pela China, Ceilão, Burma, Tailândia e Japão. E nos tempos modernos atingiu o Ocidente, muito por encanto e graça do filme “O Pequeno Buda” de Bernardo Bertolucci. Buda fundou uma das grandes religiões do mundo. Porque conciliou as diferentes espécies de Fé envolvidas nas querelas sobre a direcção do progresso. Tem por isso um enorme efeito no desenvolvimento cultural do sudoeste e oriente asiático. É difícil imaginar o que teriam sido as culturas do Oriente sem a lenda do rico e faustoso Príncipe que por opção se tornou pobre e fundou o Budismo
Permitam que me apresente: venho ao "Banquete dos Pedintes", e "Sinto Simpatia pelo Diabo" (1968)
Literatura relacionada:
"People Who Changed The World" de Rodney Castleden
"Siddharta" de Hermann Hesse
"História da Filosofia" de Nicola Abbagnano
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No inicio viveu a vida convencional de um Príncipe. Quando chegou aos 29 anos enfastiou-se com a vida luxuriosa da Corte e resolveu sair do Palácio do rei seu pai, da família e dos respectivos séquitos. Abandonou a sua esposa, as suas possessões, terras e poderes e iniciou uma longa caminhada submetendo-se às privações de uma vida ascética. “É certo que sou pobre, mas sou-o por opção”, diria dele o seu biógrafo nosso contemporâneo Hermann Hesse.
Por seis anos Siddharta levou uma vida de extrema austeridade obrigando-se à auto-tortura; no final deste suplicio, depois de diante de si ter desfilado um imenso rol de indigentes, putas, profetas, políticos e vulgares ladrões súbditos fora do seu mundo de origem, o Principe atingiu o estado de Iluminação – o secreto conhecimento do Eu, que não se representa nem pelo Corpo nem pela Consciência (e aqui começa a tanga i.e a negação de que tudo no Universo consiste em partículas de matéria que interagem no vazio até que a inteligência as organize)
“O melhor dos governantes não passa de uma sombra para os súbditos” (Lao Tsé)
De acordo com a tradição, Gautama Siddharta atingiu a Iluminação sentado debaixo da Árvore do Despertar (uma figueira ficus benghalensi religiosa ou Bodhi) perto de Buddh Gaya no Bihar durante a lua cheia do mês de Vaisakhi, o principio do Ano Novo para os hindús. Depois disto ficou conhecido como Buda o Iluminado. Fundou uma Ordem de monges e dispendeu os 40 anos seguintes como professor errante ganhando muitos seguidores. O que não será difícil de admitir, face à imensa população de miseráveis dedicados à mendicidade. Vestidos com os seus trapos tingidos de açafrão mendigavam as refeições e Buda nada fazia além do esforço pela esmola concedida – “sei pensar, sei esperar, sei jejuar” – dizia àqueles com quem se cruzava e viam nele modos finos e aristocráticos. Porém as coisas deste mundo, roupas, sapatos, pulseiras e dinheiro não lhe interessavam. Buda ensinava os pobres levarem uma vida regrada (que remédio) e ascética. Porém, dispostos a não renunciar completamente a todos os prazeres da vida, uma Ordem de Freiras foi igualmente criada. Buda morreu aos 80 anos em Kushinagar na terra de Oudh (Uttar Pradesh).
Por tempos imemoriais pensou-se que a vida de Buda seria puramente mitológica, mas agora parece que ela representou uma realidade histórica, porquanto Bodh Gaya se tornou um Património Mundial segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e se descobriu que as tecnologias de produção de milagres pertencem a um período bastante mais antigo. Os monumentos erguidos em Ashoca depois da conversão do reino ainda podem ser vistos. E houve grande excitação no século XIX quando um sarcófago contendo cinco vasos cerâmicos foram descobertos no Nepal. Um desses vasos continha alguns ossos com a inscrição “dos irmãos sukitti, juntos com as suas irmãs, este é um receptáculo das relíquias do Buda o Sagrado dos Sakyas”. Mas no final, medidos pelo carbono 14, parece que os ossos pertenciam ao tempo dos Ashoca, 200 anos depois da morte de Buda e, deste modo, não é provável que tivessem sido do próprio Buda. É perfeitamente datável quando e como Buda inventou completamente uma nova religião (religião é alienação); provavelmente ele promoveu uma transformação revolucionária a partir da pré-existente e ancestral Fé dos Brâmanes (passe ao lado que a palavra “Casta” tem origem portuguesa e dela só se tem noticia desde o século XV)
As ideias-chave do Budismo são que a existência humana é miserável, que o Nonsense ou “Nirvana” é o estado ideal e que o Nirvana pode ser alcançado pela devoção às regras do Budismo (religião é submissão). O principal conceito é de que as respostas do homem se encontram no seu interior e mesmo a morte não traz o Nirvana, porque as Almas transmigram-se após a Morte. Essas almas penadas estão condenadas à infelicidade na medida que se transmigram para muitas outras Vidas e recomeçam sempre noutros Corpos.
Henri Bergson (1859-1941) prémio Nobel em 1927 filosofava (seguido depois por Gilles Deleuze) que o ser dotado de inteligência é levado de facto a pensar em si mesmo e a desprezar os seus laços sociais. A inteligência mostra claramente ao homem a sua natureza mortal e por isso a religião reage com a crença na imoralidade e com o culto dos mortos. A inteligência faz perceber claramente aos vivos a imprevisibilidade do futuro e o carácter aleatório de todos os seus empreendimentos. A religião fornece mediante as crenças e as práticas mágicas a possibilidade de crer numa influência do homem sobre a natureza muito superior à que o homem pode efectivamente alcançar mediante a técnica. Na impossibilidade de um dinamismo total é preferível o homem dedicar-se ao misticismo, o que o pressupõe como um privilegiado genial. O misticismo da contemplação não acredita na eficácia da acção humana, assim, o génio místico que venha corrigir os males sociais e moraisde que sofre a humanidade. E “a humanidade poderá então retomar na Terra a função essencial do Universo, que é ser uma máquina de fabricar deuses”. Se não houver tempo para dar conta deste recado, então a opção de mudança da alma para outro corpo é garantida para que o virtual imaginado continue ad aeternum e passe a ser real.
O Budismo tornou-se uma religião muito popular espalhando-se rapidamente pela India, especialmente depois da conversão do Rei Ashoca (272-232 a.n.e.). Por volta do século III a.n.e. ele dominava todo o subcontinente indiano. Mais tarde, entrou em declínio, especialmente durante as perseguições ao Bramanismo no século VII e VIII depois da nossa era, ou seja, aquando da invasão do Islão. O Budismo contudo jamais deixaria de florescer, espalhando-se pela China, Ceilão, Burma, Tailândia e Japão. E nos tempos modernos atingiu o Ocidente, muito por encanto e graça do filme “O Pequeno Buda” de Bernardo Bertolucci. Buda fundou uma das grandes religiões do mundo. Porque conciliou as diferentes espécies de Fé envolvidas nas querelas sobre a direcção do progresso. Tem por isso um enorme efeito no desenvolvimento cultural do sudoeste e oriente asiático. É difícil imaginar o que teriam sido as culturas do Oriente sem a lenda do rico e faustoso Príncipe que por opção se tornou pobre e fundou o Budismo
Permitam que me apresente: venho ao "Banquete dos Pedintes", e "Sinto Simpatia pelo Diabo" (1968)
Literatura relacionada:
"People Who Changed The World" de Rodney Castleden
"Siddharta" de Hermann Hesse
"História da Filosofia" de Nicola Abbagnano
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segunda-feira, novembro 26, 2012
Manuel Maria Carrilho faz uma retrospectiva da Obamania
na frente interna e da politica externa, a nova politica que Obama anunciou com o slogan "Yes We Can!" perdeu-se com o "momento rooseveltiano", ou seja, a oportunidade única que teve em 2009 para se impor ao poder financeiro e para "contrariar os seus excessos". (Apesar de tudo, o que seria muito pouco) Dito por Carrilho (1), Obama acabou por ficar mais refém do sistema que ajudou a salvar (...) Pudera!, o "Sim Nós Pudemos" é um slogan que não remete para nada, que se esgota num "nós" tão cheio de si como vazio de conteúdo". "Depois da Magia", depois de elencar os grandes feitos do primeiro mandato da administração Obama, a "retirada" do Iraque, acabar com o caso Ben Laden (2), ajudar a derrubar o regime de Moubarak no Egipto, conseguir um acordo com a Rússia na redução do arsenal nuclear... Obama não conseguiu evitar que a situação no Afeganistão continue explosiva, nem o fiasco de assassinar paquistaneses por continuados ataques com aviões teleguiados, nem as ameaças militares ao Irão, nem recusar dar mais força a Israel nos crimes contra a população da Palestina (3).
Feitas as contas ao discurso, Manuel Maria Carrilho em cinco colunas de mais de meia página não faz uma única referência que seja ao campo de concentração de presos politicos existente em Guantânamo, (4) precisamente uma das vergonhas para a humanidade (5) que Obama tinha com mais veemência prometido acabar!
(1) Manuel Maria Carrilho, na sua função de filósofo, é ainda assim uma das poucas caras do Partido dito Socialista pouco queimada com a imagem geral de aldrabão que impera na mafiosa organização.
(2) Como é suficientemente sabido foi a CIA quem criou a al-Qaeda com um capital inicial de 3 mil milhões de dólares entregues a Ben-Laden. Carrilho diz que ela "acabou", mas o actual director da CIA, Leon Panetta, diz que não, que a organização se esconde em novos santuários. É uma novela sem fim...A noticia, como habitualmente perdida na "tradução" para os Media nacionais, reza mais em concreto: "Cancro da Al-Qaida não foi totalmente eliminado"
(3) Pelo contrário, Obama assinou um crédito de 70 MIL MILHÕES para Israel; mas a imprensa diz que foram apenas 70 milhões
(4) ... juntamente com o criminoso ataque à Libia, que também não é referido por Carrilho, nem, por isso mesmo, a sua triste e farsante condição de Prémio Nóbel da Paz...
(5) John Bolton, ex-embaixador norte-americano na ONU, reconhece que os EUA exigem a rendição incondicional aos reclusos acusados de "terrorismo" encarcerados em Guantânamo e, por contraste, exercem uma gentil persuação, (no sentido de não fazerem mais maldades), sobre os suspeitos do ataque à embaixada em Benghazi
Feitas as contas ao discurso, Manuel Maria Carrilho em cinco colunas de mais de meia página não faz uma única referência que seja ao campo de concentração de presos politicos existente em Guantânamo, (4) precisamente uma das vergonhas para a humanidade (5) que Obama tinha com mais veemência prometido acabar!
(1) Manuel Maria Carrilho, na sua função de filósofo, é ainda assim uma das poucas caras do Partido dito Socialista pouco queimada com a imagem geral de aldrabão que impera na mafiosa organização.
(2) Como é suficientemente sabido foi a CIA quem criou a al-Qaeda com um capital inicial de 3 mil milhões de dólares entregues a Ben-Laden. Carrilho diz que ela "acabou", mas o actual director da CIA, Leon Panetta, diz que não, que a organização se esconde em novos santuários. É uma novela sem fim...A noticia, como habitualmente perdida na "tradução" para os Media nacionais, reza mais em concreto: "Cancro da Al-Qaida não foi totalmente eliminado"
(3) Pelo contrário, Obama assinou um crédito de 70 MIL MILHÕES para Israel; mas a imprensa diz que foram apenas 70 milhões
(4) ... juntamente com o criminoso ataque à Libia, que também não é referido por Carrilho, nem, por isso mesmo, a sua triste e farsante condição de Prémio Nóbel da Paz...
(5) John Bolton, ex-embaixador norte-americano na ONU, reconhece que os EUA exigem a rendição incondicional aos reclusos acusados de "terrorismo" encarcerados em Guantânamo e, por contraste, exercem uma gentil persuação, (no sentido de não fazerem mais maldades), sobre os suspeitos do ataque à embaixada em Benghazi
quarta-feira, julho 18, 2012
as Ideologias
disse Nuno Cardoso da Silva (CADPP): “Os raciocínios baseados em ideologias têm o valor de encantanções e de fórmulas de bruxaria. As ideologias não são uma base válida para argumentar, porque as ideologias não têm valor científico. As ideologias são manifestações de fé, são crenças, transformadas em muletas para mentecaptos. Os axiomas das ciências sociais são valores enquadrados pela ética e pela sociobiologia (...)”
Como podemos distinguir Ideologia de Ciência? a caracterização principal de uma proposição metafisica é nunca poder ser comprovada com factos. Nunca ninguém viu um “ponto” (a partir do qual se constroem linhas e geometrias segundo as necessidades teóricas de cada problema) – o ponto é uma abstração lógica. Num processo similar, também não podemos definir um elefante – mas quando vemos um, sabemos o que é. A ideologia é muito mais parecida com um elefante que um ponto. É algo que existe e podemos descrever, discutir e refutar. Contudo, para resolver discussões, de nada serve apelar para uma discussão lógica: o que necessitamos não são definições, mas sim critérios.Vejamos a seguinte proposição ideológica quando oposta a uma cientifica - “Todos os homens são iguais” – que significa isto de um ponto de vista lógico? A palavra “igual” aplica-se a quantidades. O quê?, terão todos os homens o mesmo peso!? Ou terão idênticos niveis de inteligência? Ou, alargando um pouco o conceito de quantidade, serão todos tipos porreiros? – “Igual” sem dizer a respeito de quê , não passa de um ruído. No que respeita às ideologias passa-se a mesma coisa: há quem negue as ideologias em geral, e em particular que o paradigma do “mercado livre” não comporta uma ideologia, no caso a neoliberal.
No tempo primevo das encantações cinco cegos fizeram uma excursão à India para averiguar o que seria um elefante. Pressentido o bicho todos se precipitaram para ele, estudando-lhe academicamente as partes; Sem ideologia que pudesse atender ao Todo, ao primeiro coube-lhe apalpar a tromba – “deve ser uma cobra gigantesca”, concluiu; Ao segundo uma das patas “é uma árvore de grande porte que anda” disse doutamente; Ao terceiro uma das orelhas – é o “espanador usado pelo sultão”; ao quarto cego, as hastes – “é um rinoceronte duplo, maior que o do D. Manuel”; Ao último por azar coube-lhe averiguar o rabo: “é um engenho de embalar fardos de palha” surpreendeu-se eruditamente o cego.
Se a Ideologia pode ou não ser eliminada do mundo do pensamento nas Ciências Sociais (como o “ponto” da disciplina de Geometria), ela é certamente indispensável no mundo da Acção e da vida social. Uma sociedade com a aspiração de autonomia não pode existir sem que os seus membros tenham sentimentos sobre o que é a maneira adequada de conduzir os seus próprios assuntos. Ou senão resignam-se a aceitar as ideias propostas pela classe dominante. Estes sentimentos comuns exprimem-se em ideologias. Disse Lenine a propósito da batalha das ideias: “sem teoria revolucionária não há Revolução” – ao contrário, no campo conciliador dos mentecaptos do revisionismo da teoria de Marx, dos reformistas (1) e dos neoestruturalistas, pode haver, e há, ideologias “neutras” que negam a luta de classes.
Joan Robinson, 1962: “Do ponto de vista da Evolução, parece plausivel afirmar que a Ideologia é um substituto para o Instinto. Os animais parecem saber o que fazer. Nós temos de ser ensinados. Dado que o padrão de bom comportamento não é transmitido nos genes, é extremamente maleável e toma as mais diversas formas, em sociedades diferentes. Mas (ao contrário da ideologia do individualizado homem lobo do homem) cada animal social necessita de um padrão de moralidade que imponha limites ao seu egoismo natural. Já que os impulsos egoistas são mais fortes do que os altruistas, as exigências dos demais têm de nos ser impostas”.
(1) “Não se pode negar que esses argumentos dos revisionistas se reduziam a um sistema bastante equilibrado de pontos de vista, nomeadamente, o velho e conhecido ponto de vista liberal burguês” (V. I. Lenine, “Marxismo e Revisionismo”)
(2) Banda desenhada "A Invenção da Ideologia" via "Machina Speculatrix"
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Como podemos distinguir Ideologia de Ciência? a caracterização principal de uma proposição metafisica é nunca poder ser comprovada com factos. Nunca ninguém viu um “ponto” (a partir do qual se constroem linhas e geometrias segundo as necessidades teóricas de cada problema) – o ponto é uma abstração lógica. Num processo similar, também não podemos definir um elefante – mas quando vemos um, sabemos o que é. A ideologia é muito mais parecida com um elefante que um ponto. É algo que existe e podemos descrever, discutir e refutar. Contudo, para resolver discussões, de nada serve apelar para uma discussão lógica: o que necessitamos não são definições, mas sim critérios.Vejamos a seguinte proposição ideológica quando oposta a uma cientifica - “Todos os homens são iguais” – que significa isto de um ponto de vista lógico? A palavra “igual” aplica-se a quantidades. O quê?, terão todos os homens o mesmo peso!? Ou terão idênticos niveis de inteligência? Ou, alargando um pouco o conceito de quantidade, serão todos tipos porreiros? – “Igual” sem dizer a respeito de quê , não passa de um ruído. No que respeita às ideologias passa-se a mesma coisa: há quem negue as ideologias em geral, e em particular que o paradigma do “mercado livre” não comporta uma ideologia, no caso a neoliberal.
No tempo primevo das encantações cinco cegos fizeram uma excursão à India para averiguar o que seria um elefante. Pressentido o bicho todos se precipitaram para ele, estudando-lhe academicamente as partes; Sem ideologia que pudesse atender ao Todo, ao primeiro coube-lhe apalpar a tromba – “deve ser uma cobra gigantesca”, concluiu; Ao segundo uma das patas “é uma árvore de grande porte que anda” disse doutamente; Ao terceiro uma das orelhas – é o “espanador usado pelo sultão”; ao quarto cego, as hastes – “é um rinoceronte duplo, maior que o do D. Manuel”; Ao último por azar coube-lhe averiguar o rabo: “é um engenho de embalar fardos de palha” surpreendeu-se eruditamente o cego.
Se a Ideologia pode ou não ser eliminada do mundo do pensamento nas Ciências Sociais (como o “ponto” da disciplina de Geometria), ela é certamente indispensável no mundo da Acção e da vida social. Uma sociedade com a aspiração de autonomia não pode existir sem que os seus membros tenham sentimentos sobre o que é a maneira adequada de conduzir os seus próprios assuntos. Ou senão resignam-se a aceitar as ideias propostas pela classe dominante. Estes sentimentos comuns exprimem-se em ideologias. Disse Lenine a propósito da batalha das ideias: “sem teoria revolucionária não há Revolução” – ao contrário, no campo conciliador dos mentecaptos do revisionismo da teoria de Marx, dos reformistas (1) e dos neoestruturalistas, pode haver, e há, ideologias “neutras” que negam a luta de classes.
Joan Robinson, 1962: “Do ponto de vista da Evolução, parece plausivel afirmar que a Ideologia é um substituto para o Instinto. Os animais parecem saber o que fazer. Nós temos de ser ensinados. Dado que o padrão de bom comportamento não é transmitido nos genes, é extremamente maleável e toma as mais diversas formas, em sociedades diferentes. Mas (ao contrário da ideologia do individualizado homem lobo do homem) cada animal social necessita de um padrão de moralidade que imponha limites ao seu egoismo natural. Já que os impulsos egoistas são mais fortes do que os altruistas, as exigências dos demais têm de nos ser impostas”.
(1) “Não se pode negar que esses argumentos dos revisionistas se reduziam a um sistema bastante equilibrado de pontos de vista, nomeadamente, o velho e conhecido ponto de vista liberal burguês” (V. I. Lenine, “Marxismo e Revisionismo”)
(2) Banda desenhada "A Invenção da Ideologia" via "Machina Speculatrix"
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sábado, janeiro 07, 2012
a Vida num Dia
Com 26 realizadores, 80 mil clips de vídeo e 4.500 horas de material, tinha todo o potencial para ser uma bagunça. Em vez disso, o documentário "Life in a Day" é tão profundo, intenso e inspirador quanto o seu assunto – a vida, mais especificamente a vida no dia 24 de Julho de 2010. O filme foi produzido por Ridley Scott e reúne vídeos curtos colocados no Youtube pelos usuários do canal. Estreou-se no You-Tube em 31 de Outubro de 2011, depois de ser exibido em festivais. É uma visão abrangente do mundo, como o vemos e como o apreendemos. 1h30 que merece a sua atenção:
a vida apreendida no twitter:
* Roosevelt: "Sermos governados por Dinheiro organizado é tão perigoso como o estarmos a ser pelo Crime organizado". A história da opa do FBI desde as suas origens (aqui)
* o Poder do Dinheiro governa a América (aqui)
* Itália em Crise compra armamento no valor de 20 mil milhões aos norte americanos da Lockheed-Martin (aqui)
* o Saloio de Boliqueime disse em tempo que a nossa Banca não tinha problemas: em pano de fundo de orelhas arrebitadas o Maçon Fernando Lima (aqui)
* lideres dos grupos parlamentares do PS (Carlos Zorrinho) e PSD (Luis Montenegro) são ambos da Maçonaria, o que lhes permite controlar 182 deputados (aqui)
Consequência: a inconstitucionalidade do OE 2012 desapareceu imediatamente de cena (aqui)
* Até quando vai este povo amouchar como um burro que, como dizia Guerra Junqueiro, que “já nem com as orelhas consegue enxotar as moscas”?
* Secretas: "Há milhares de pessoas que pertencem à Maçonaria". O que está aqui em causa é apenas a Loja Mozart (aqui)
* Sociedades secretas de maçons (não eleitos) governam a sociedade (aqui)
* Lei proposta pelo PS visa "estender a taxação para a Cópia Privada e criar mais restrições no âmbito do Direito Autoral" (aqui) Se a lei anti-downloads for aprovada como de igual modo a pensam aprovar nos EUA, contra tudo e todos, irá ocorrer um «apagão» na Internet (aqui)
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a vida apreendida no twitter:
* Roosevelt: "Sermos governados por Dinheiro organizado é tão perigoso como o estarmos a ser pelo Crime organizado". A história da opa do FBI desde as suas origens (aqui)
* o Poder do Dinheiro governa a América (aqui)
* Itália em Crise compra armamento no valor de 20 mil milhões aos norte americanos da Lockheed-Martin (aqui)
* o Saloio de Boliqueime disse em tempo que a nossa Banca não tinha problemas: em pano de fundo de orelhas arrebitadas o Maçon Fernando Lima (aqui)
* lideres dos grupos parlamentares do PS (Carlos Zorrinho) e PSD (Luis Montenegro) são ambos da Maçonaria, o que lhes permite controlar 182 deputados (aqui)
Consequência: a inconstitucionalidade do OE 2012 desapareceu imediatamente de cena (aqui)
* Até quando vai este povo amouchar como um burro que, como dizia Guerra Junqueiro, que “já nem com as orelhas consegue enxotar as moscas”?
* Secretas: "Há milhares de pessoas que pertencem à Maçonaria". O que está aqui em causa é apenas a Loja Mozart (aqui)
* Sociedades secretas de maçons (não eleitos) governam a sociedade (aqui)
* Lei proposta pelo PS visa "estender a taxação para a Cópia Privada e criar mais restrições no âmbito do Direito Autoral" (aqui) Se a lei anti-downloads for aprovada como de igual modo a pensam aprovar nos EUA, contra tudo e todos, irá ocorrer um «apagão» na Internet (aqui)
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terça-feira, dezembro 13, 2011
valha-nos Deus *
- Mestre, sabe-se que é profundamente religioso...
- sim, acredito que alguém tenha criado isto tudo. Teve que ser alguém a fazê-lo, o mundo não poderia ter nascido do ar...
o chileno Humberto Maturana, junto com Francisco Varela, foi o autor da mais recente teoria de conhecimento biológico sobre a auto-organização da Matéria - a Autopoiese (1972) - palavra composta por "auto" do grego "por si mesmo" e "poiesis" que significa "criação, produção" aglutinação que significa auto-criação (sef-creation) e expressa a dialéctica fundamental biológica entre estrutura, mecanismo e função
* A raio de acção de Deus anda a ficar bastante diminuto - mais concretamente, desde as Luzes que jorraram sobre as fábulas biblicas, porém o espirito divino tornou-se dramaticamente ínfimo desde o aparecimento da particula que pode também ser anti-particula ao mesmo tempo (o Diabo). Apareceu-nos o neutrino, desapareceu o homem que em 1938 tinha desabafado: "a Física está no caminho errado. Estamos todos no caminho errado". E o sacana do bom Deus não mexe uma palha...
clique na imagem para ampliar
“Somos anões sentados aos ombros de gigantes”
pintura do século XVII sobre a metáfora atribuida a Bernardo de Chartres (1085-1148) que por sua vez se tinha inspirado na mitologia grega do gigante Orion que era cego e que para poder ver levava sempre às costas o seu escravo Cedalion.Stephen Hawking também utiliza este mito como título do seu último livro, referindo-se às galáxias auto-organizadas que se encavalitam e nascem umas das outras, admitindo que a expressão teve origem numa carta de Newton
Ainda mais ínfimo: Cientistas do CERN prevêm revelar brevemente evidências da existência fisica do bosão de Higgs (BBC)
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sexta-feira, outubro 21, 2011
uma lição de História
Pouco antes do principio de 1900, com a luta de classes no auge e a debacle capitalista à vista, enquanto a alta burguesia parisiense se divertia e alucinava com a "Belle Epoque", Friedrich Engels avisava que a competição entre potências imperialistas acabaria por lançar o mundo numa catástrofe jamais vista. A primeira grande guerra mundial iniciar-se-ia em 1914. Relembrando esses tempos ainda assim não tão longinquos, o DOC-Lisboa patrocinado por meia dúzia de grandes corporações nacionais, abriu ontem, o mais liofilizado possivel, com a estreia do documentário "Crazy Horse" sobre o cabaret que é a mais famosa atracção turistica parisiense.
O filósofo Domenico Losurdo explica o resto, que é o mais importante, numa aula subordinada ao tema "Marx , Imperialismo e Racismo"
(legendado em português)
terça-feira, outubro 18, 2011
três opções políticas na divisão de classes em Portugal
1. Abolir as estruturas da classe dominante
2. Abolir o Comité Central
3. Ou permitir que o Capitalismo selvagem proceda à abolição de valores e pessoas que considera excedentários
Podemos reconhecer não mais que três soluções teóricas aplicáveis ao governo dos povos, a saber:
3. o (Neo)Conservadorismo herdeiro de Reagan e Bush que experimentamos neste momento nasceu da rejeição do liberalismo social e da contra cultura da nova esquerda, representando um realinhamento da politica e a conversão ideológica de membros da esquerda clássica para a direita e vice-versa.
2. o Liberalismo é um sistema político-económico baseado numa pretensa defesa da liberdade individual, contra as ingerências do poder estatal limitando os seus poderes, onde a ordem surgiria espontaneamente da propriedade privada e do mercado livre. "Liberal" deriva do latim “Liber”, definindo na sociedade esclavagista primitiva "aquele que não é escravo". Conceito actualizado por John Locke e Adam Smith nos séculos XVI e XVII a doutrina prega a retórica do individualismo metodológico afirmando que cada indivíduo constitui a unidade básica de compreensão, juízo e acção. Juridicamente significa que as relações de direitos e deveres têm como agentes as pessoas humanas. As colectividades não poderiam possuir direitos ou deveres, mas, na prática, as mega-corporações e monopólios capitalistas fazem tábua rasa da doutrina, subornando e subalternizando governos, invocando amiúde os direitos humanos para tentar justificar as suas actividades de exploração coerciva. A influência no Liberalismo das teorias económicas neoclássicas levou à cunhagem do termo Neoliberal, e finalmente,
1. o Marxismo, desde Marx a Lenine e ao Maoísmo, nas suas inúmeras interpretações, das quais poderá sair uma solução consensual de governo da maioria. O marxismo é um sistema politico filosófico de análise concreta e dialéctica numa concepção materialista da história segundo uma perspectiva de classes sociais cujos interesses se opõem, por oposição ao idealismo das correntes politicas liberais e conservadoras que advogam o corporativismo na acumulação de capital em beneficio exclusivo duma elite de indivíduos privilegiados. O marxismo interpreta a vida social conforme a dinâmica da base produtiva das sociedades e o homem como um ser que historicamente só pode viver em comunidade; o homem livre que possui a capacidade de trabalhar e desenvolver a produtividade do trabalho organiza-se socialmente em torno de uma propriedade comum e de um sistema de trocas entre iguais pelo valor de uso das mercadorias e serviços. Em vez da competição desenfreada e sem regras, o marxismo diferencia os homens dos outros animais e possibilita o progresso e a sua emancipação da escassez da natureza, o que por sua vez proporciona o desenvolvimento das potencialidades humanas em toda a sua plenitude. O ponto de viragem na diabolização do Marxismo pelo mundo ocidental foi despoletado no século XX com os acontecimentos da Praça da Paz Celestial em Pequim (Tian`anmen) em 1989 na República Popular da China. Uma multidão contestatária do regime induzida por interesses estrangeiros imperialistas agiu no sentido da destruição do sistema de propriedade colectiva. A organização social nascida com a independência nacional em 1949 sob a liderança do Partido Comunista seria no entanto salvaguardada, por oposição à tragédia que aconteceu ao povo da Rússia desde a instauração revisionista de um regime de capitalismo de Estado na década de 60.
3. Em prol do (des)governo dos Neoconservadores poderemos esperar uma base social de apoio correspondente a 2/3 dos eleitores do PSD, 100 por cento dos populistas do CDS saudosos do regime salazarista e de 1/3 da família corporativista instalada no partido dito socialista; É gente sem escrúpulos, que pretende a todo o custo resolver a crise do capitalismo selvagem, aldrabando tudo e todos, incutindo nas massas a esperança que um “bom capitalismo” possa ser restaurado; não importa que a origem dos pseudo-financiamentos sejam fraudulentos ou de proveniência criminosa segundo o direito internacional que levou séculos a construir
2. Um governo de Liberais, no estado actual do capitalismo da doutrina de choque, é uma utopia; que a experiência da última década (desde 1998, o princípio do fim do crédito fácil e juros baratos do “socialista” António Guterres) revelou insustentável, mal-teorizado por Giddens e liderado por gente como Tony Blair: uma Tatcher de calças, como se viu. Uma teoria que advoga menos Estado, mas que não abre mão dos negócios corporativos decididos nos comités centrais dos partidos burgueses. Esta forma ilusória de organização do poder conclamará a simpatia de 1/3 da burguesia intelectual do PSD e 2/3 dos simpatizantes do PS. Contam ainda com uma fatia significativa de eleitores do partido dito comunista (PCP) cujos militantes não verão com bons olhos a subalternização do comité central em benefício de formas de luta radicais por acções das maiorias com finalidades transparentes – e não pela conquista eleitoral de lugares na administração do capitalismo. Meio por meio, o Bloco dito de Esquerda caminha no mesmo sentido
1. Os Marxistas, desde que instaurada uma sociedade saudável baseada no conhecimento, (por contraponto à ignorância e despolitização difundida pela propaganda reaccionária e publicidade ao consumo irresponsável) poderiam esperar uma adesão massiva do eleitorado. A população não vota nos partidos revolucionários por medo. Se actualmente existe um corte generalizado de parte dos salários, bens e serviços sociais, se a as pessoas se revoltassem, os cortes seriam totais. Os salários e as pensões não seriam pagos por inteiro porque o Estado não tem dinheiro e depende do investimento externo. Esta é a maior mentira da coligação liberal-neoconservadora instalada no Poder. Empresas e indíviduos continuam, dia após dia, mês após mês, ano após ano, a pagar uma exorbitância em impostos , sendo as contrapartidas prestadas pelo Estado de valor muito menor. Para onde vai o dinheiro dos contribuintes?
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2. Abolir o Comité Central
3. Ou permitir que o Capitalismo selvagem proceda à abolição de valores e pessoas que considera excedentários
3. o (Neo)Conservadorismo herdeiro de Reagan e Bush que experimentamos neste momento nasceu da rejeição do liberalismo social e da contra cultura da nova esquerda, representando um realinhamento da politica e a conversão ideológica de membros da esquerda clássica para a direita e vice-versa.
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sábado, setembro 17, 2011
Tempo de Antena no 41º aniversário do PCTP/MRPP
Sessão Pública amanhã Domingo, 16,00 Voz do Operário
(...) só a prática social dos homens pode constituir o critério da verdade dos conhecimentos que os homens possuem sobre o mundo exterior. Com efeito, o conhecimento do homem fica confirmado apenas quando consegue os resultados esperados no processo da prática social (produção material, luta de classes ou experimentação científica). Se se quiser atingir sucesso no trabalho, quer dizer, alcançar os resultados previstos, tem de se fazer concordar as ideias com as leis do mundo exterior objectivo; sem essa correspondência, fracassa-se na prática. Depois de se sofrer um fracasso, tira-se lições dele, modifica-se as ideias fazendo-as concordar com as leis do mundo exterior e, dessa forma, pode-se transformar o fracasso em sucesso: eis o que se quer dizer com "a derrota é a mãe da vitória" e "cada fracasso deve tornar-nos mais lestos" (Mao Tse Tung, in "Sobre a Prática", 1938)
O que se pode hoje inferir da prática é que cada proletário, enquanto não tomar consciência que a sua emancipação constitui única e exclusivamente obra do seu trabalho como parte de uma associação democrática de trabalhadores, em nada contribuirá para modificar a sociedade capitalista. As ilusões espalhadas pela burguesia de que se podem obter lucros apenas pelo aumento do capital marca de facto a diferença entre a economia real e a economia especulativa
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segunda-feira, julho 18, 2011
a "sucessão"
“É a partir da circularidade do Anel que surge o jogo de espelhos do mundo, a manifestação apenas por si”
(Martin Heidegger)
A manifestação do Nada que é tudo. E sempre o mesmo acerca do mesmo – a Partidocracia neoliberal vista por um desencantado:
“Tiques, linguagem, o modus operandi de Seguro é exactamente o mesmo que se vê por todo o lado no PSD (…) a Coisa está a esboroar-se (…) o próprio facto de nenhum dos dois (Seguro ou Assis) ser capaz de fazer qualquer reflexão crítica sobre os anos de Sócrates (como aliás Marques Mendes não fez de Santana Lopes e nunca se fez no PSD de Cavaco) mostra que nenhum debate é possível dentro dos partidos sem ser visto como acrimónia pessoal ou quase uma traição à camisola” (José Pacheco Pereira, Público 16 Julho)
Ou, voltando a Heidegger ("quem pensa em grande estilo tem de se equivocar em grande estilo") na interpretação comum dos brasileiros: Deus é um ser esférico: a "eleição" do "novo" lider será levada a cabo com o voto secreto de menos de 30 mil pessoas que oportunamente se inscreveram no partido dito "socialista" por vontade do deus financeiro que rege os destinos do mundo
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(Martin Heidegger)
“Tiques, linguagem, o modus operandi de Seguro é exactamente o mesmo que se vê por todo o lado no PSD (…) a Coisa está a esboroar-se (…) o próprio facto de nenhum dos dois (Seguro ou Assis) ser capaz de fazer qualquer reflexão crítica sobre os anos de Sócrates (como aliás Marques Mendes não fez de Santana Lopes e nunca se fez no PSD de Cavaco) mostra que nenhum debate é possível dentro dos partidos sem ser visto como acrimónia pessoal ou quase uma traição à camisola” (José Pacheco Pereira, Público 16 Julho)
Ou, voltando a Heidegger ("quem pensa em grande estilo tem de se equivocar em grande estilo") na interpretação comum dos brasileiros: Deus é um ser esférico: a "eleição" do "novo" lider será levada a cabo com o voto secreto de menos de 30 mil pessoas que oportunamente se inscreveram no partido dito "socialista" por vontade do deus financeiro que rege os destinos do mundo
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segunda-feira, junho 13, 2011
Entrevista imaginária com Marx sobre o Tratado do Atlântico Norte
“Deste modo, o movimento operário que há-se brotar instintivamente de ambos os lados do Atlântico por obra e consequência do mesmo modo de produção, irá selar as palavras do inspector inglês da fábrica R.J. Saunders no século XIX: “Se previamente não se limitar a jornada de trabalho e se se aceitar o cumprimento estrito de todos os outros limites legais, não se poderá dar, com probabilidades de êxito, nem um só novo passo no sentido de reformar a sociedade para melhor”
Les Ramoneurs de Menhirs - Bellaciao – versão punk celta
Les Ramoneurs de Menhirs - Bellaciao – versão punk celta
domingo, fevereiro 13, 2011
vamos falar de tamanhos...
Você não é o centro do Universo
terça-feira, janeiro 18, 2011
Badioulogia
“O que querem aqueles que não querem nem a Virtude nem o Terror, a não ser a democracia desigual?" (Saint-Just)
“qualquer Homem é dotado de razão, cabendo à Sociedade, designadamente através do Ensino, dar-lhe os meios de aprender a usá-la” (Platão)
“Os desejos dos individuos ultrapassam frequentemente as fronteiras permitidas pelas condições e capacidades objectivas existentes, em determinado grau de desenvolvimento. É preciso impôr aos indivíduos um limite, baseado na disciplina social da comunidade e regras nesse sentido livremente aceites por todos - Criminosos e Génios são sempre alvo de uma censura Moral que exprime a média social” (O Marxismo, Henri Lefebvre)
“Os costumes e as morais do passado foram sempre construidas em nome de designios misteriosos, por potências obscuras; foram portanto críticas morais teológicas ou metafísicas, em nome de um imperativo transcendente. As acções conformes à disciplina assumem o prestígio do mérito, da graça e da virtude. As acções contrárias recebiam os estranhos nomes de pecado, falta e mancha na reputação. É preciso desmontar o mecanismo de alienação moral reflectido no direito burguês – a Realidade não é estática, fornecida pelas Autoridades dada e acabada - o Real é Devir e portanto, Possibilidade” (Marx)
(1) Platão: “Os males dos homens não serão extirpados antes que a raça dos filósofos autênticos e puros chegue ao poder ou, então, que os chefes da cidade, por qualquer graça divina, se lancem a filosofar”
(2) "Religião e Revolta", Alberto Toscano
Bibliografia de Alain Badiou:
(3) “L`Hypothèse Communiste” (2009)
(4) “Éloge de l`Amour” (2009)
(5) “Sarkozy é Nome de Quê?” (2007)
(6) “Second Manifeste pour la Philosophie” (2009)
(7) “L`Explication” (2010)
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