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14 de junho de 2024

"FERREIRA DE CASTRO - Uma biografia" vol, 1, de Ricardo António Alves, edição do Centro de Estudos Ferreira de Castro

 

Apresentação amanhã, às 16 horas, no Museu do Neo-Realismo, em VFX. 

Na p. 36, referindo a genealogia de Ferreira de Castro, admite-se que o escritor de Ossela seja descendente de um filho bastardo de D. Dinis, D. Afonso Sanches, poeta trovador, do qual se encontra em 


https://cantigas.fcsh.unl.pt/cantiga.asp?cdcant=784&pv=sim


esta curiosa, ainda que incompleta, cantiga de escárnio e maldizer. Leia-se com a nota junta esclarecedora do texto.

 

CANTIGA DE AFONSO SANCHES

 

Afonso´Afonses, batiçar queredes

vosso criad´e cura nom havedes

que chamem clérig; en´esto fazedes,

aquant´eu cuido, mui maao recado;

ca sem clérigo, como haveredes,

Afonso’Afonses, nunca batiçado?

 

Nota:

Só esta estrofe chegou até nós de uma cantiga em que D. Afonso Sanches satiriza um tal Afonso Afonses, a propósito do batismo de um seu criado. Tudo indica, no entanto, que a cantiga se basearia num equívoco sobre quem é que nunca teria sido batizado - e que seria o próprio Afonso Afonses, pelo que se depreende do v. 6.

 

 

7 de outubro de 2023

101 poemas portugueses - #1

Cantiga de amigo

Se eu podesse desamar
a que[n] me sempre desamou,

e podess' algun mal buscar
a quen me sempre mal buscou!
Assi me vingaria eu,
     se eu podesse coita dar
     a quen me sempre coita deu.

Mais non poss' eu enganar
meu coraçon, que m' enganou,
por quanto me fez desejar
a quen me nunca desejou.
E por esto non dormio eu
     se eu podesse coita dar
     a quen me sempre coita deu.

Mais rog' a Deus que desempar
a quen m' assi desemparou,
vel que podess' eu destorvar
a quen me sempre destorvou.
E logo dormiria eu,
     se eu podesse coita dar
     a quen me sempre coita deu.

Vel que ousass' eu preguntar
a quen me nunca preguntou,
por que me fez em si cuidar,
pois ela nunc' en mi cuidou.
E por esto lazeiro eu,
     se eu podesse coita dar
     a quen me sempre coita deu.

Pero da Ponte (Século XIII)

Cantiga presente nas três colectâneas da poesia trovadoresca: Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Vaticana e Cancioneiro da Biblioteca Nacional, in  Maria Ema Tarracha Ferreira, Antologia Literária Comentada -- Idade Média, Lisboa, Editorial Aster. s.d.
Há quem sustente ter sido Pero da Ponte galego (de Pontevedra), mas não se sabe. O certo é que foi trovador na corte de Afonso X o Sábio, rei de Leão e Castela, também ele grande poeta e avô de D. Dinis.

7 de fevereiro de 2022

POEMA ou CANÇÃO... eis a questão

 
De vez em quando, somos surpreendidos pela excelência de um trabalho dedicado, que se revela útil, apelativo, agradável. Mesmo quem não morresse de amores pela poesia acabaria cativado.

Quer experimentar? Então deixe-se prender por esta coletânea organizada pela equipa responsável pela Biblioteca Escolar da Secundária de Amares (até o nome parece fadado...). Basta um clique na imagem, escolher um dos três grupos de poemas e ouça, ouça.

Que tal?

21 de setembro de 2017

coisas memoriais

fonte
«Ao mesmo tempo, D. João V lançava a primeira pedra daquela vasta mole de granito e mármore que aí está chamada mafra, cousa de triste e pavoroso aspecto, monumento que a si se levantou um braço real, como se a qualidade do braço o ressalvasse, posteridade além, da nota de se ter imergido no tesouro da pátria, tirando e espalhando às rebatinhas mãos-cheias de ouro que deviam cair em estradas, em colónias, em benefícios da navegação, em benefícios da agricultura, em recultivação das terras de D. Dinis, cujos arados D. Manuel e João III converteram em espadas e mandaram ensopar no sangue das nações de além-mar.»

Camilo Castelo Branco, o Judeu [1866], Silveira, E-Primatur, 2016, p. 120.