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8 de outubro de 2020

"Ressuscitando" Beldemónio



Em leituras investigantes, dei comigo a ler um livro interessantíssimo de Emídio Navarro, descrevendo um passeio científico, promovido pelo doutor Sousa Martins, à Serra da Estrela, e, entre muitas curiosidades e pormenores, dei com o seguinte trecho, que me permito transcrever, atualizando a grafia de 1884.

«... Por baixo do tal quadro havia algumas fotografias. - De quem é este retrato? perguntei admirado, apontando para uma delas. - É de Beldemónio; é de meu filho, respondeu o pobre homem com um suspiro, que parecia traduzir, em partes iguais, um misto de ternura e de mágoa. Uma natural delicadeza nos proibiu de investigar e profundar a significação desse suspiro, contentando-nos em saber, que vive em Gouveia o pai de um dos moços mais esperançosos da nossa literatura, estilista de buril tão delicado e mimoso, como vigoroso e firme...

... E aí está o segredo de Gouveia. Ficámos sabendo, que vive em Gouveia o pai de um dos nossos mais distintos escritores, e que o pai rendilha quadros de canudinhos de papel com tanta perfeição, como o filho rendilha períodos harmoniosos. O pai chama-se Vitorino Lobo Correia de Barros, e o filho assina-se Barros Lobo, e usa no jornalismo o pseudónimo de Beldemónio...»

Se lhe abri o apetite, lamento informar que o livro se tornou uma raridade, mas espero que, a curto prazo, o possa encontrar na Bibliotrónica Portuguesa... sem papel.

11 de setembro de 2015

C O N V I T E

Tenho a honra de convidar para o lançamento do livro Linhas Entre Nós, que será apresentado no dia 19 de setembro, sábado, às 16H30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Sintra – Casa Mantero – Rua Gomes de Amorim, 12 – 2710-569 Sintra.
A sessão será enriquecida com atos culturais e recreativos, seguida de “uma jeropiga de honra”.

J. A. Marcos Serra (j.a.marcosserra@gmail.com)

Informações complementares:
- estacionamento gratuito no Largo dos Serviços Municipalizados (frente às Finanças e ao SMAS), ou entre o Centro Cultural Olga Cadaval e a Biblioteca, na rua Câmara Pestana.
- confluência a partir das 16H00
- não é necessário imprimir o Convite

22 de janeiro de 2014

IMAGENS DE "A LÃ E A NEVE" 2


Horácio era pastor...
Se hoje conheço pastor que se desloca em moto-quatro, no tempo do Romance, era assim:
Será um destes o "Canholas" ou o "Marrafa"? Talvez... as famílias continuam em Manteigas e conservam ainda a alcunha.
O "Piloto", da raça famosa do Cão da Serra da Estrela é que continua a manter-se, sem adornos modernos.
De pelo longo ou pelo curto, os dois tipos caraterísticos da raça, com coleira de picos longos para proteger o pescoço, continua a ser o zelador do rebanho e companhia do pastor.

Quando a invernia deixava a serra sem pastos e sem condições de alimentar o gado, fazia-se a transumância para terras a sul, para a Idanha. "Foi para a Idanha" era expressão comum durante a minha meninice e juventude.
Era assim um rebanho em transumância... talvez um destes homens seja o "nosso" Horácio.
Na Vila de Manteigas estabeleceram-se três designações sócio-económicas. Os Corropios que viviam da agricultura e pastorícia, geralmente sem bens próprios, ou com pequenas courelas e meia dúzia de cabeças de gado. Os Cardinchas que eram os assalariados das fábricas e dos engenhos. Os Cães-Grandes onde estavam englobados os industriais, os donos de muitas terras ou de gado e (por alguma forma) os ricos.
No Romance aparecem claramente vários Corropios e Cardinchas. Cães-Grandes, seriam o Valadares (?) e Vasco da Gama Sotomayor (que julgo ser, na realidade, Francisco Esteves Gaspar de Carvalho, industrial e dono de terras empreendedor. Tem busto na Vila. Já eu era adulto, era ela ainda (de longe) o homem mais rico de Manteigas).
Há dois anos, José Paixão publicou um romance, Corropios, Cardinchas e Cães Grandes, onde retrata, com riqueza etnográfica, esta estrutura social.