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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Lisboa, 27 de Dezembro de 2019

Deixei a Árvore de Natal desligada.

"Quando me perguntarem se o Natal foi bom vou responder que foi melhor do que o ano passado" pensava eu esta manhã. E não, ainda não dei essa resposta. Mas foi.

Tenho muitas saudades de escrever aos montes porque continuo grafómana. Mas isto das Festas. Pois.

Um cliente notou a! frase escrita numa trave do meu estaminé. Soube lê-la e, ainda por cima, gostou. Acrescentou que fez ontem seis anos que a escrevi e eu 'ah pois foi'. Pá, já não me lembrava da data, o que é giro que se farta, tendo em conta o teor da dita -
Sei. Porque tenho memória, sei.

Tenho uma foto em modo 'Lisboa, Lisboa', o que me remete para o meu comum estado de pessoa escrevente e com blogue. Sei lá, sou eu ou coisa assim.


domingo, 8 de dezembro de 2019

Gina, numa relação com o supermercado.

Ai ó pá sei lá eu se o carro vai pegar... Pegou. Às vezes, aquando do frio e de vários dias sem o motor trabalhar, lá se lembra o dito de me dizer 'hoje não'. Mas hoje sim. Lindo menino. Mas o melhor é ficar um poucochinho a aquecer.

A grande novidade, à entrada do supermercado, é que as luzinhas das escadas rolantes estão apagadas, mas os fins – ou princípios – ostentam fitas e bolas. De Natal. É do Natal que estou a falar agora. Há também lojas decoradas com a bonecada de Natal. Do Natal. Ai.

Não sei como é com a outra gente mas a mim acontece já ter uma catrefada de coisas no carrinho e nada do que lá está constar na lista de faltas. Aliás, até me lembrar desta questiúncula ainda nem sequer tinha olhado para a lista que tão aprimoradamente construí. Aprimoradamente... Não, não está bem, se há coisa que não há no fazer desta lista é primor.

Comprei frango, para comer carne. Carne de frango ainda desce, agora de porco: nem cheirá-la, de vaca: nem pensar nela, pronto, como frango, vá.

Toda a gente sabe que o segredo para conseguirmos as embalagens mais jovens é retirar as mais à mão e trazer as menos ao pé. Isto confiando no esmero de quem arruma as prateleiras, claro. Trouxe a embalagem de cogumelos parisienses que estavam o mais longe do longe.

De repente vi-me defronte de uma senhora debruçada sobre algo e notei-lhe a costura de trás das calças a esgaçar. De nada, ora essa.
De repente uma senhora comentou comigo que andava à procura do 'homem', que o tinha perdido, que ele é baixinho mas gordinho e que, portanto, há razões para se ver bem. De nada, ora essa.

Na caixa calhou-me a senhora mais simpática de todas – Julia Roberts nem vê-la, há-de estar de folga ou assim – passa as compras por géneros e, ou, temperaturas e, ou, humidades. Trata-me até por amor. Desvendou-me as ideias que tem para a Consoada. Alvitro que se terá lembrado disso por ter visto as asinhas de frango no tapete. Afirmo, agora afirmo, que nessa noite especial esta senhora idealiza apresentar aos seus familiares um lombo de porco feito à moda de Wellington, com massa folhada. Afirmo também que ela me perguntou se eu sabia se era bom e eu que sim! muito bom! fiz o ano passado! e só lhe digo! que maravilha! Quero dizer, foi mais ou menos assim, à parte o entusiasmo que coloquei exageradamente no que estou a escrever, não me pus para ali aos berros e a saltar, acresce que não fui que eu fiz a chicha à Wellington, foi o Luís. Mas essa chicha é montes de boa. Façam. E nem dá assim tanto trabalho, principalmente se optarem por comprar a massa folhada.

Sabem o que é que faço sempre - mas sempre – ao chegar ao carro? É abrir a porta do condutor e voltar a fechá-la, dar-lhe a volta, abrir-lhe então a porta do pendura e depositar aí as compras. Sim, as compras viajam até casa bem junto desta que escreve. Sim, abro primeiro a porta do condutor porque, em passando trinta segundos, ou lá que é, o burro volta a fechar-se, e eu levo um ror de tempo a dar-lhe a volta, jamais daria tempo, né? Já a porta da mala, de perra que está, diz-me sempre: Ó Gina não m' abras, não m' abras! Mas eu abro. Pus lá o frascão de amaciador para roupa.

No silêncio do interior do burro, ao depois de estacioná-lo, que mais vos queria dizer?
Que não me apetece subir aquela escadaria com um sacalhão em cada mão, cheios, pesados.
Que não me apetece arrumar as compras.

No silêncio da rua em descanso, já carregada com os sacalhões, uma vizinha avistou-me antes de eu a avistar a ela e ouvi-a dizer:
'Ah muito bem muito bem, assim cedinho é que é. Eu já vou apanhar muita gente!'
Quem sabe esta vizinha durma, não melhor do que eu, mas, o que não dorme, isto se não dormir, durma já sobre a manhã. Sim, está confuso, eu sei, eu sou confusa, 'migos, como não escrever confusamente coisas confusas?

sábado, 14 de setembro de 2019

Sábado

Cheio de coisas, este sábado, caracteristicamente desarrumado como é um regresso a casa, quando das férias. Fui ao supermercado e comprei coisas montes de interessantes, pepino, gel para o banho e vinho rosé para as visitas de um futuro. Comprei mais coisas mas agora fico aqui. O pepino, aprendi há tempo, quer-se descascado às tiras, tipo assim a fazer riscas verticais no bicho… ai perdão, legume. É que fica giro. Depois há que cortar em dois longitudinalmente (gosto mais de escrever esta palavra do que a dizer [gosto mais de escrever do que de falar]) e passar uma colher de chá pelas sementes como quem as quer dali para fora, vulgo raspar. Não é que não se possam comer, é evidente, mas trazem muito líquido à salada. Eu tiro. Depois corto em finas fatias. O ideal seria usar o processador, mas onde há paciência?, não sei. Às vezes há, ainda no outro dia laminei o mais finamente que o processador consegue, dois talos de alho francês e um quarto de couve roxa. Depois congelei tudo junto. Pensei assim: ora se vou misturar as coisas já no processador, melhor será continuar a união para todo o sempre. Já ontem pus um tiquinho no arroz e hoje ou amanhã porei outros tiquinhos na sopa.
Ando a limpar a sala, que a pobre não é limpa desde o Natal. Pensei assim: olha, daqui por dois meses faço a árvore de Natal, vai daí, melhor será limpar já isto, visto que depois só volto a mexer nos arranjos desta divisão quando desfizer a árvore. É assim, ponho-me a ganhar a vida a limpar a casa da outra gente, mais o meu estaminé, e depois não há paciência para o meu faustoso lar.
Também fiz bolo. Bolo e queques com a mesma massa e mais ou menos a mesma fornada. Queria usar a forma que deixara forrada de papel vegetal, num dia aí em que forrei a forma errada e depois, para não jogar no lixo o que trabalho e gasto já dera, guardei na despensa, deixando a forma no mesmíssimo lugar que ocupa mesmo que não esteja forrada. Mas, como já disse, a forma forrada há semanas era a mais pequena que tenho e, fazendo o comum bolo dos últimos tempos seria demasiado, e foi, então tive a poupada ideia de forrar forminhas de queque, que encheria e blás. Aconteceu foi que os queques cozeram antes do bolo, mas sem que eu tivesse dado por isso, de maneiras que, quando vi, tratei dos queques e voltei a pôr o resto no forno para acabar a cozedura. Depois de tudo cozido, empratado e arrefecido, percebi que todos os bolinhos ficaram côncavos. Mas afinal de contas ter-lhes-á acontecido o quê? Cá para mim é a farinha já com fermento que usei. Eu bem digo, e considero, que aquela porra não presta, eu cá gosto de ser eu a pôr o fermento, mas é que no dia que a comprei era esse o único tipo que havia na prateleira do supermercado, e eu precisava mesmo! de ter farinha em casa, de maneiras que cá está. Mas não gosto nada, mesmo nada, de farinha com fermento. Para ser fofinha, confiando no fabricante e não adicionar fermento, resolvi pôr bicarbonato de sódio, numa de equilibrar a subida do bolo e mais não sei o quê, se ainda por cima ouvi (há montes de tempo) que este químico actua muito bem com o iogurte. Então não sei o que se passou para a cova que cada uma das minhas criações apresenta. Sim, sabem bem, os meus bolos. Já provei um queque e, do bolo, comi as sobras, pois quando foi a desenformar a coisa não correu bonita. Sim, comem-se nas mesma, os meus bolos. Para que é que importa o aspecto que as pessoas… Os bolos (não, não me enganei, foi de propósito) têm, né?
Tenho a sala limpa e até o corredor, oh vejam lá. Móveis, enfeites, quadros, molduras, chãos. No corredor limpei uma manchinha de sangue daquela minha queda cinematográfica. Por falar em cabeça, nela não há precisão acerca de já ter passado a esfregona (ou o pano, que eu sou mulher para viver temporadas de puro desprezo à esfregona) e, porventura, não tenha sido eficiente o suficiente para estar ciente de ter lavado o chão do corredor. E passaram quase dois meses. Também tenho teias de aranha no quarto. Estão não só aos cantos como numa das paredes.
Ah, tenho que falar dos cremes. Pois bem, terminei alguns durante as férias, o after sun ou après soleil, vulgo portuguesismo se eu disser que é um creme feito com o propósito de ser passado no corpo após a exposição solar, mas com o banho de entremeio, caso haja intenção de asseio. Eu bem tinha na ideia que era mais do que um creme terminado, mas é que não malembra que outro ou outros terminei, de maneiras que fica só assim.
Amanhã vou aos figos. Não sei se é anúncio ou previsão. Descobri agora mesmo que anúncio pode ser também algo pertencente ao porvir. Prevejo que amanhã irei aos figos. Amanhã irei aos figos, é também anúncio. Diz que amanhã chove. Alguém previu, porque estudou onde está o vento e para que lado se move, nascendo um saber. Nada se assegura, porém, que às vezes a Natureza faz diferente, só para a gente não ter a mania. Que prevê. Pois. Ah, pois.
O meu jantar foi arroz de legumes. De nada, ora essa. De almoço, amanhã, faço pizza. Está previsto, quero eu dizer. Quero dizer, não faço a pizza, antes abro uma embalagem de massa pronta e, mas, crua, e toca de lhe pôr coisas em cima. Prevejo que lhe ponha o resto da salada do almoço. De há uns tempos para cá percebi que a salada não se estraga, depois de temperada e tal, se ficar algumas horas no frigorífico. Nada disso. Até se apura toda ela. Claro que não pode ser dias de permanência, pois quando não, recoze e azeda.
Pá, assim de resto, também tratei de montes de roupa e louça suja e, numa segunda instância, tratei da mesma roupa e louça, contudo, lavada.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

YAY!


Decidi colocar a bandeirinha YAY! na mesma jarra que tem o azevinho vai pra meses. É contar quantos vêm do Natal ➟ são sete.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Das fotos, conto, «O incerto risco»




O incerto vem em duas vertentes, onde termina o cabelo e os riscos feitos a posteriori da edição. É uma foto antiga que me andava para ali - como tantas, afinal, e acreditem que de quase nenhuma venho contar circunstâncias e pareceres -, vinda do desmancho da Árvore de Natal, momento em que decidi enrolar o fio de lâmpadas em mim e vai disto, cliques e mais cliques. Depois, esta encontrada, lamentei que se fosse para todo o sempre sem registo da incerteza do terminar do meu cabelo, contudo, como não me apeteceu mostrar lâmpadas de Natal, risquei o sítio onde apareciam. É só isto.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Questões

As questões, neste post, são as que estão no caderno que a rica filha me deu. Em certa altura, mais concretamente por alturas do fim de cada mês, há uma página dedicada a um questionário dirigido ao mês que passou. A particularidade é que as questões estão em inglês e transcrevo-as no original para não me distanciar da realidade, e transcrevo somente as do ano passado, de julho a dezembro. Comecemos.

july questions
What was your fave song this month?
We can do better. Não sei quem canta.
Write about a super fun time you had with your besties this month.
Na minha festa de anos. Coisa rara, uma festa para mim.
What was your greatest accomplishment this month?
Que sou aquela pessoa que faz. Que sou criativa e que faço. Faço.
What do you want to work on next month?
Na auto-estima. Para melhorá-la. Na irritação. Para eliminá-la.
What was a dream you had this month?
Emagrecer. É quase utópico. Tem-se revelado utópico.
august questions
Write about a book you read this month.
Nenhum. Não consigo ler. É um problema. Fui de férias, levei livros e não li quase nada.
Write about a day this month you that you will never forget.
A viagem de vinda para casa. Pelo sofrimento que foi aquele calorão.
What was your favorite outfit this month?
Um vestido azul, que comprei no chinês, portanto: barato. Adoro-o. Fica-me bem.
What are your goals for this school year?
Não deprimir com o que ouço das pessoas, nem com o que pensam do que faço ou digo.
What was something new you tried this month?
Hum... Talvez aguentar a fome pela manhã, enquanto preparo a massa de crepes e ainda aguardar que se misturem os sabores (é bom que se aguarde).
september questions
How many times did you see your besties this month?
Não tenho besties...
What was your favorite day this month?
O dia em que a rica filha fez anos. O dia em que o rico filho nos visitou.
If you could travel anyehere for vacation, where would you go?
Holanda. Porque na verdade é uma viagem que já está como que programada.
What was the nicest thing someone did for you this month?
Alguém mencionou o meu blogue como sendo espontâneo e divertido.
Who is your favorite celeb right now?
Hum... O rico filho, ah ah! Ele lançou um álbum de rap no Facebook.
october questions
Write about something new you tried this month.
Nada. Esta pergunta, que afinal não é pergunta nenhuma, devia ter vindo para aí em julho, quando comecei as aulas de Postura&Equilíbrio, ou então em março, quando comecei com as massagens.
List you favorite movies.
Não sei. Não sou consumidora do género. Do género cinéfilo, ou a caminhar para lá.
What goals did you reach this month?
Variar os pequenos-almoços com mais vontade e saber.
What is your favorite day of the week? What makes it awesome?
Sábado. Por ser o primeiro dia de descanso, o que significa que no dia seguinte é mais do mesmo, mas um mesmo bom.
What was your favorite ouytfit this month?
Blusa preta, calças bordeux, casaco preto, sandálias pretas. (sim, sandálias)
november questions
What was you fave memory this month?
A árvore amarela. O Natal a chegar e por isso já haver enfeites nas ruas, embora apagadas. Mas pronto.
Did you make any new friend this month?
Não.
Write about a fun memory with your family.
Andámos os seis de volta de saber onde pára o Wally.
What are your goals for next month?
Não estar triste.
december questions
What is a Holiday tradicion you look forward to?
Então, estávamos em dezembro, e eu cá gosto do Natal.
What was something new you did this month?
Instalei o Snapchat no telemóvel.
What was your favorite part of this year?
O Verão. As férias. Nada de peculiar, portanto. Não acredito que haja alguém que não goste em absoluto do Verão e das férias.
What are your goals for next year?
Manter-me mentalmente saudável. Arranjar, ao menos um pouco, de autoestima.

domingo, 20 de janeiro de 2019

O que é que aconteceu?

Aconteceu que ia gravar um vídeo contando de dois presentes de Natal que me tinham sido dados por dois clientes, acrescentaria ainda um enfeite cá dos meus, contando a sua história - entretanto percebi que já havia falado do dito, e mais de uns quantos, precisamente o ano passado, mas isso é outra história… - e fui interrompida na gravação. Aconteceu, ainda, que nunca mais tive disponibilidade para voltar a gravar o mesmo tema e, na prática, onde é que já ia o Natal? Ia longe, muito longe, vai longe. Então aconteceu também que me lembrei: cortar-me-ia o pio, pôr-me-ia a meio tempo com uma musiquinha lá atrás, acrescentaria umas rodelas a crescer, uns flocos de neve a soprar e um zzz no final da gravação. E foi assim que editei mais um vídeo, é que me custa jogar-me para o lixo, mesmo o vídeo sendo coxo, custa.


sábado, 19 de janeiro de 2019

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Para aí doze mil passos

A saída foi do estaminé, alcançando depois a Estefânia, onde me meti na rua dos cinquenta e dois jacarandás. Passado o Mercado 31 de Janeiro, cortei numa espécie de túnel que desagua nas Picoas. São Sebastião com ela, que era preciso segurar as mamas. Eu explico: há ali uma loja fantástica em sutiãs e eu, que tinha lá estado por alturas do azafamado mês de Natal e tinha visto umas cenas porreiras, pensei: «aquando dos saldos venho cá». Então lá reincidi no lugar e pumba, dá cá/toma lá. À saída da dita loja subi para apanhar a Sidónio Pais, que havia tanto mas tanto tempo que não passava lá. Considero essa avenida uma das mais bonitas de Lisboa, é clara e desafogada. Noto-lhe alegria e simplicidade, sem que contudo saiba se estou a ver eu. E bem. Enfim, coisas da minha cabeça. O destino era a Avenida da Liberdade, ali assim por alturas do meio, portanto, na Fontes Pereira de Melo, cortei para a Camilo Castelo Branco, percorri a não sei quantas, que não malembra, até chegar ao destino e tratar do recadinho.
A vinda foi obviamente tão extensa como a ida, embora por outras ruas e avenidas porque tenho a mania que sei como cortar caminho, só que os atalhos são dados a trabalhos, lá diz o povo. Bom, foi assim:
Saí da Avenida e meti-me numa outra que também não malembra o nome até me enfiar em Santa Marta, que eu sei ir dar à Joaquim Bonifácio e que era um bom porto para mim. Só que não. Diz que se aprende com os erros, de maneiras que. É. Santa Marta liga-se à Conde de Redondo, a qual, essa sim, vai então dar à Joaquim Bonifácio. A dada altura da Conde de Redondo, encontro-me com a Luciano Cordeiro. Julguei estar em casa! Iupi! Picoas é já ali! Iei! Mas não. Não, não, não. Estava a baralhar nomes de ruas, Luciano Cordeiro não é Latino Coelho, ó Gina! Sempre fiz confusão com as duas. Quando indagava para comigo mesmo se estaria mesmo mesmo mesmo enganada, reparei numa drogaria, montras com espumas de barba, lacas, sebos, ceras, a porta entreaberta, presumo que à conta do frio, e um velho senhor sentado por trás do balcão. O aspecto geral era o de um lugar moribundo, com as montras e as prateleiras meio cheias (e se não digo meio vazias é para a cena não vos parecer negativa). Empurrei a porta, saudei o senhor e anunciei que não ia comprar nada, pretendia apenas uma informação: se Picoas era para baixo ou para cima. Ressalvo aqui que eu não queria ir para as Picoas, mas sabia que esse ponto não se afastava quase nada da minha rota. O senhor, entendendo que eu queria Picoas na minha vida, explicou-me quantos cruzamentos atravessar até lá chegar. Não me desmanchei, faria de conta que queria então as ditas manas (consta que Picoas se chama assim por conta de um par de manas que lá vivia) na minha vida, e depressa, ouvi o senhor, afinal a explicação até estava a dar para perceber que eu ia efectivamente na direção errada, ainda desembocava mas era na... sei lá onde! Agradeci e dei meia volta. Tornei a enveredar pela Conde de Redondo, alcancei a Joaquim Bonifácio (ai miga, que sódades quê tinha!), Gomes Freire, Praça José Fontana... E quando avistei a rua dos cinquenta e dois jacarandás senti-me em casa.


Esta foto não tem qualquer filtro. Foi perspectiva casual. 
A rua é escura devido a tantos jacarandás, mas neste dia estava sol e resultou assim. #semfiltro


E daí até aqui foi um pulinho, o costume. Por ser costume, é mais custoso encontrar graça.
Os passos foram mais ou menos doze mil, como está no título, e só não sei o número certo porque não foram os únicos que dei nesse dia. Seja lá como for, foram muitos, e, com base numas contas que fiz, as calorias gastas foram 353, o tempo despendido foi 1h53m e os quilómetros percorridos foram 7,46. De nada, ora essa.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Estilo de penteado e laranjas com bom equilíbrio

O nepalês da frutaria tem rastas, apareceu todo diferente por alturas do Natal. Gosto de pensar que foi oferta de algum familiar, ou assim, e gosto porque prevejo uma história bonita nesse gesto, na originalidade que conteria uma oferta assim.
Hoje escolhi laranjas, que tenho saudades de um suminho pela manhã, o qual fica então para amanhã. Costumo retirar as laranjas que estão mais ao fundo porque me parecem mais novas no tempo de permanência na bancada. Para mim tem uma certa lógica que o nepalês armazene as mais recentemente chegadas ao seu estaminé debaixo das que já lá estão. É estranho, pensei eu exactamente hoje, que me pareçam assim as laranjas de baixo, uma vez que as mais 'velhas' vão amachucá-las. Então, pensei eu também hoje, está aqui um grande equilíbrio de circunstância, se por um lado as laranjas 'novas' são isso mesmo e portanto resistentes, as 'velhas' estão menos rijinhas. Vai daí, por esta ordem de ideias, não é absurdez nenhuma pensar que as 'novas' se estragam mais depressa do que as velhas e assim todas esgotam a vitalidade em simultâneo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Ontem à noite, junto ao Tejo

A gigante Árvore de Natal lá está, na Praça do Comércio, às escuras. Vi-a pesada mas não sei por quê. Será que a luz, quando de festa, se traduz em leveza?
Um navio atracado, de seu nome AIDAmar, numa certa parte tinha apenas a AIDA, dum sei por quê, e o dum é propositado, nas cores primárias e mais o verde.
Da minha Árvore, já agora fica neste post, ainda permanece, intacta e apagada. Desliguei-lhe as luzes no dia de Reis à noitinha, noitinha já muito noitinha mesmo, mesmo antes de me ir deitar.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Ora então vai-se

Ora então vai-se a ver e hoje é terça-feira. 8 de Janeiro de 2019. Puf! Acabou-se-nos as Festas. Escapou-me os Reis em termos de bolinho, que no mais, ui. Já ontem tinham acabado as Festas em vários lugares de rua por onde passo habitualmente, em avenidas e rotundas, porém, não em todas, que algumas ainda mantinam a festividade no alumiar. Deve ser sistema ou então o pessoal encarregado destas coisas esqueceu-se. Foi qualquer coisa, pronto, e acabaram-se-nos as Festas.

Posta-restante
O vizinho defronte do estaminé tem ainda pendurada a estrela, mas apagada, no mais, digo mangueiras e assim, retirou.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Reciprocidade

Elisabete Maria, a esotérica, deseja bom ano a Gina.
Gina deseja bom ano a Elisabete Maria, a esotérica.
Contente ficam ambas, portanto e pois.

Que ingenuidade...

Presumo que seja uma resolução de novo ano. Não sendo, não faz mal, a gente gosta uns dos outros na mesma.

#semfiltro

Alguém que ainda

Alguém que ainda transporte consigo o generoso espírito natalício que se aproxime de mim com uns auscultadores daqueles com uma rodela que apoia em cada a orelha, não com um bocado de plástico que se põe dentro dos ouvidos.

Leitura terminada em 2018, pois sim

Sim, terminei a leitura do livro – Assobiar em Público, Jacinto Lucas Pires - ainda em 2018, a pouco mais de uma hora da chegada do novo ano. Acabei por cumprir o meu intento, sim senhoras e senhores, mas ia-se-me escapando.
Este livro é de contos e são quase todos a atirar para o depressivo, há muitas referências a morte e a maior parte dos personagens são mostrados de maneira a parecerem loucos sem o serem totalmente. Está bem que todos somos assim, todos temos loucuras a que damos vazão ou então não. Né?. É. Está bem que pode o autor ter querido mostrar tontices várias de pessoas variadas e avariadas e acabou a conversa. Né? Não. Quero só registar que gostei de ler este livro, mas ainda assim não exultei, estarreci ou levitei.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Votos de um bom ano

Encontrei a dona Genoveva na rua e parámos para falar, com a iniciativa tomada por ela porque queria desejar um bom ano para mim e para a minha família. Depois vim no caminho a pensar em como, mesmo a dona Genoveva sendo um tanto ou quanto snob, se mostra sincera. É que o snobismo contende com o fingimento, penso eu. Mas, com os votos a serem estendidos à família, lembrei-me, ainda no caminho, de vos vir dizer:
Olhem, a dona Genoveva desejou-vos um bom ano com muita saúde e paz.
E isto porque, e é sem fingimento que o digo, vocês, os leitores assíduos do meu blogue, são uma espécie de família, e das boas. No mais sincero que há em mim vos digo que não sei onde raio vão arranjar paciência para vir cá todos os dias ler o que escrevo e ver as minhas fotografias. Bom, estava eu nestas deambulações comigo mesma quando me deu um baque:
Pá! quando escrevi o post do aniversário do blogue não agradeci aos leitores a sua presença, tanto no próprio blogue como na minha vida! Ai!
Mas sabem o que é?, é que me esqueci desse agradecimento porque não construo o blogue com base na presença de pessoas e menos ainda na sua apreciação. Não sou o tipo de blogger que permanece na esfera virtual pelo impulso da companhia que lhe é feita, quero eu dizer que continuaria, como continuo, a publicar as minhas coisinhazinhas, apesar de, tanto os leitores assíduos como os outros, se manifestarem na minha caixa de comentários de longe a longe. E é bom frisar que isto não é reivindicação nenhuma.
Desculpem lá isto tudo, bem sei que existem pessoas do outro lado, ou de um outro lado, que são pessoas mesmo pessoas, não são um lbogue...ai perdão (neste post ainda não me tinha enganado...), blogue ou um número e que estão aí. E que gostam de mim. Bem hajam. Obrigada.







Acima deixo uma foto tóin xira, que tem a ver com o novo ano, que foi o tema com que comecei este post. São teclas de uma calculadora. Sério. Um dia a pobre caiu ao chão e separou-se toda por peças. depois fui comprar uma nova e aparecei com duas, está neste post, vejam lá o tempo que há. Sim, é isso mesmo, guardei as peças da calculadora espatifada para qualquer eventualidade. Como esta de hoje, pronto. Vá, adeus.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

2/365

Li algures que o composto 1/365
__que significa |como presumo que sabem| que é a primeira parte de um todo que foi dividido em trezentos e sessenta e cinco, vulgo ano comum__
se apresenta assim e somente nesse dia, acabando por morrer logo ao segundo dia de Janeiro, mostrando assim que o único dia que importa é o primeiro e mais não sei o quê. Não duvido que hoje, segundo dia do ano, pouca gente se lembrará de registar o composto que expus no título deste post, mas também é certo que as pessoas se aborrecerão de ouvir os votos de bom ano dos amigos e conhecidos durante o passar dos próximos cinco ou seis dias. É que a coisa chega a muito e começa a tornar-se uma seca do caraças e a perder o viço. Coisa indesejável, expressões sem viço. Bah.

Clientes de 2019

O primeiro cliente do ano saía-lhe o 'bocadinho' (falado, ok, é de falado que estou a falar) tão depressa mas tão depressa da boca que se ouvia só um 'buquinho'. Ca xiru.

O segundo cliente do ano ficou alarmado quando lhe disse que tinha que medir a sua peça para mandar vir uma igual. Passo a explicar: é que na sua prespectiva, quem sabe parvamente sabedora, o que interessava era a medida, nada mais. E logo eu, mais parva ainda, pois claro, queria medir a sua peça. Ca porra.

Há pessoas assim, atão.