28 de mai. de 2012

O que antes eu não via.












O corre corre do dia a dia me cegava, 
Agora mais calma
Me vejo a contemplar
o que antes não fazia.

Quantas coisas deixei de ver
com a minha correria.
Até do vento que batia em
meu rosto, eu pouco fazia.

Agora posso sentir o perfume
que a vida me trazia.
A brisa!
Que não mais me chateia,
e trás alegria.

Caminho tranquila, 
me sentindo perfumada e serena.
Não é como o veneno que
outrora me cegava.

Das flores tiro um adorno para
o meu coração.
E das paisagens,
Uma grande lição.


Mariangela  Vieira

19 de mai. de 2012

De mãos dadas no silêncio.













Não há o que dizer...
a quietude nos invade,
E de mãos dadas,
o silêncio nos basta.
Não queremos falar,
apenas sentir a
emoção do momento.
Qualquer som seria
desnecessário, estranho.
Como o voar dos pássaros
no escuro da noite.
Assim ficaremos.
Como eles,
quietos, recolhidos,
como dois passarinhos
se escondendo da chuva.
As nossas mãos juntas
saciadas pelos carinhos.
Os nossos caminhos
que se juntaram,
as nossas vidas
que se cruzaram,
agora uma só!
Silenciosas, saciadas...
sozinhas.

Mariangela Vieira


10 de mai. de 2012

Nosso pequeno relicário.














As luzes que emanam do céu
brilham também nos corações,
fazendo reacender lembranças
encobertas pelas cinzas,
de um fogo que ali ardera um dia.
Lembranças outrora vividas
intensamente e jamais esquecidas,
apenas adormecidas.
Lembranças também que queríamos
esquecer, mas que serviram-nos
como um aprendizado.
E que na reviravolta das cinzas,
surgem, vivas e reais.
Trazendo-nos emoções sentidas,
como se por um instante,
vivêssemos tudo aquilo novamente.
Imagens queridas surgindo para
as nossas saudades serem amenizadas.
É a nossa vida inteira gravada
num relicário.
Um pequeno relicário,
símbolo do amor eterno.
Herança de Deus para nós,
para que possamos recordar
de cada  fase da nossa história.
Para que ela,
não fique perdida no tempo,
como as nuvens passageiras.
E que ficará também,
como herança,
para a nossa posteridade.

Mariangela Vieira