Mostrar mensagens com a etiqueta 2004. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2004. Mostrar todas as mensagens

Um Peixe Chamado Wanda/Terminal de Aeroporto


Falta de contenção: o eterno problema que sempre assombrou os Monty Phyton, cuja natureza domina, obviamente (ou não fossem dois dos protagonistas do filme, membros do grupo britânico), este "Um Peixe Chamado Wanda".

E, tal como seria de esperar, também a falta de contenção marca a fita, com a ténue linha entre a comédia e a estupidez a ser quebrada, por mais do que uma vez.

Kevin Kline está bem no seu estranho papel. Óscar? Não me parece.
Não o mereciam, muito mais, John Cleese e Jamie Lee Curtis?

E fica uma outra questão: qual a relevância do peixe, de nome Wanda, para a história?





Um feel-good movie, sem sombra de dúvida e que, quanto a mim, nos dá a melhor interpretação da carreira de Tom Hanks.
Aliás, de um modo geral e com excepção de Catherine Zeta-Jones, todo o elenco está acima da média.

Steven Spielberg faz o que quer daquele aeroporto, e só um mestre na sua arte obteria momentos tão bem conseguidos como os que vi.
É mesmo o argumento que deita tudo a perder, sobretudo a credibilidade do filme.
Vilões, interesses amorosos, histórias secundárias e a metamorfose da personagem principal, de homem prestável e simpático num autêntico autista.
Não era preciso tanto.

Fosse "Terminal de Aeroporto" uma curta-metragem e quem sabe...

Read more

Colateral


Michael Mann é um dos melhores realizadores da actualidade. Isto é ponto assente. O homem que faz da noite, dia. Perfeccionista por natureza e explorador compulsivo das suas personagens (o estudo feito a Vincent, e que é analisado no Making Of de "Colateral" é exemplo disso mesmo), Michael Mann nunca descura nenhum aspecto nos seus filmes.
É um verdadeiro realizador. E um grande realizador.

E "Colateral" é o seu segundo melhor filme, um filme que chega a emanar magia apesar do seu contexto e da aparente simplicidade da história. Mann filma de forma fantástica, encontrando pura beleza em locais tão (também) aparentemente insípidos como uma simples esquina de uma rua de Los Angeles ou um Taxi perfeitamente banal.
Filmado em alta definição, "Colateral" é visualmente estonteante e repleto de grandes momentos de Cinema, não só pela qualidade da imagem mas também pelo perfeccionismo e realismo das cenas. Mérito? De Mann evidentemente.

Mas não só. O subtil argumento de Stuart Beattie é repleto de diálogos profundos e existencialistas, ajudando a dinamizar o filme a torná-lo em algo mais, muito mais do que um mero filme de acção.
A banda-sonora está ao rubro, não descurando o registo visto noutras obras do realizador, e a fotografia destaca-se igualmente, não fugindo também ela ao padrão visto nos anteriores filmes de Michael Mann.

O maior trunfo de "Colateral" é, ainda assim, Tom Cruise. Mesmo com a sua altura e voz que, como bem sabemos, não intimidam muito, o actor compõe um vilão totalmente marcante e obtém mais uma grande interpretação.
Jamie Foxx é muito elogiado pela sua prestação, mas a meu ver não existem motivos para tal. Uma interpretação mediana. O mesmo não poderá ser dito da curta mas inesquecível presença de Javier Bardem, aqui ainda "pós-Anton Chigurh".

"Colateral" só é desfavorecido por se deixar apanhar numa rede de clichés e cenas tipicamente "à filme", que não só contrariam a natureza do filme mas também a do seu realizador. E são obviamente uma decepção.

Ainda assim e evidentemente, "Colateral" trata-se de um excelente filme e um dos melhores de Michael Mann.


"-You just met him once and you killed him like that?
-What? I should only kill people after I get to know them?"

"Yo, homie. Is that my briefcase?"


Read more

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban


O mexicano Alfonso Cuáron revolucionou de forma muito original e eficaz o universo cinematográfico de Harry Potter, conferindo-lhe mais seriedade e realismo, atribuindo-lhe de forma pioneira a badalada "faceta adulta" e fazendo de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkabam", de longe, o melhor capítulo de toda a saga.

Inovação, estilo e contenção são as palavras que melhor descrevem a realização de Cuarón. Já não se tratam de crianças, mas de jovens adultos, com problemas a sério, num mundo negro (grande fotografia), realista e credível.

Também o argumento é um primor. Não se precipita, não apresenta cenas e personagens à pressão e é ainda abençoado com um excelente twist. Pena virar uma autêntica manta de retalhos, na recta final do filme, e o ridicularizar da promissora rivalidade entre Harry e Draco Malfoy, que tanto prometia em "A Câmara dos Segredos" (crítica aqui)

O elenco secundário está, como sempre, em primeiro plano, tal é a sua qualidade. Para além do sempre bem Alan Rickman e do muito competente David Thewlis, temos ainda um Gary Oldman absolutamente inesquecível, e com um tratamento visual brilhante.
De referir ainda os jovens Rupert Grint e Emma Watson, a adição de Michael Gambon (que deixa a desejar) em substituição do falecido Richard Harris, e, por fim, a fraquíssima interpretação de Daniel Radcliffe, que inicia aqui a sua curva descendente que o afastou da qualidade interpretativa obtida em "A Pedra Filosofal" (crítica aqui).

Enfim, eis, de longe, o melhor capítulo de toda a saga.


"Well, well, Lupin. Out for a little walk... in the moonlight, are we?"

Read more

A Ressaca/Alien vs Predador


"A Ressaca" não tem, literalmente, muita piada. Tem situações muito propícias a tal, uma série de personagens que mereciam um filme só para elas, e um elenco invulgarmente capaz.

O problema é que Todd Phillips desperdiça este material todo, fazendo de "A Ressaca" um filme muito simpático e agradável, de fácil visualização e capaz de entreter muito bem, mas com pouquíssimas tiradas de real humor.





Desperdício surreal de potencial, o aguardado confronto entre as duas raças de alienígenas é uma autêntica desilusão para todos os fãs.
Argumento horrível, realização adolescente e um elenco quase totalmente amador.
São tantos os momentos ridículos e as incoerências de "Alien vs Predador", que até dói.

No entanto, o maior problema está na protagonista que está a cargo da péssima actriz Sanaa Lathan, tentando fazer de Alexa Woods uma imitação de Ellen Ripley, mas o mais que consegue é ser apenas uma empertigada irritante e que merecia ter sido "despachada" antes do filme completar meia hora.

No entanto, reconheço em "Alien vs Predador" um semi-guilty pleasure. Existem de facto um ou dois confrontos directos entre o Alien e o Predador, e que são um regalo para os olhos. O problema é tudo o resto...

Read more

Tróia


Tanto potencial, tantas esperanças, tantas possibilidades...
Tantos erros, tanto desperdício, tanta incompetência...
Tanto dinheiro...

Que pena. Que lamento tão grande. Aquele que poderia ter sido um épico inesquecível, falha redondamente na realização e no argumento. Falha no seu núcleo, falha na sua génese. E esta falha contamina todo o filme, como se de um vírus se tratasse, arruinando-o por completo.

Se há coisa que Wolfgang Petersen provou com "Tróia", foi que a sua falta de talento, falta de visão e óbvia incompetência não abrangem apenas a área atrás das câmaras.
É certo, mais do que certo, que a mostra sem pudor atrás das câmaras. Uso abusivo e descabido de zoom-in e slow-motion, planos absolutamente banais e incapacidade de aproveitar a belíssima fotografia de Roger Prat, total falta de orientação nas batalhas, perda de noção das distâncias (Aquiles dá palpites sobre uma batalha que observa a 10 km de distância; Helen e Páris trocam sorrisos a 1 km de distância; Aquiles aponta uma espada a Hector a 5 metros de distância, etc...).
Enfim, um trabalho digno de um tarefeiro medíocre que não esteve à altura do desafio.

De seguida, temos o argumento de um inexperiente e quase desconhecido David Benioff, cujo trabalho iguala o nível de miserabilidade de Petersen.
Benioff começa por deturpar e manipular a história original, adaptando-a a um formato mais gratuito, fácil e pseudo-dramático. Entre os exemplos, note-se a total eliminação dos Deuses, restando apenas uma leve sugestão de que Aquiles seria um semi-Deus (algo que, nunca confirmado, é motivo das mais variadas incoerências ao longo do filme).
Elabora também uma série de diálogos totalmente banais, pouco fluídos e desenquadrados para o género em que "Tróia" está inserido. E, para o encerrar em beleza, Benioff obteve ainda uma concepção, no que toca às personagens, no mínimo... duvidosa.

E neste aspecto, tenho de me expressar da forma mais clara possível sobre o ridículo visual de Aquiles. O herói (ou o anti-herói) de o que poderia ter sido um grande épico, interpretado por um grande actor como Brad Pitt (na altura, com 40 anos)... transformado num ídolo das adolescentes. Cabelos oleosos e puxados para trás, pele bronzeada, músculos definidos, peito sem pêlos...
E com isto, "Tróia" perde definitivamente toda a sua credibilidade.

Tal como Brad Pitt que, preso a um estigma lamentável e inaceitável para um actor na sua posição, com a sua idade, e no género em que era, cai no ridículo e nos traz uma das piores interpretações da sua carreira.
Quanto ao restante elenco, é, quase todo, igualmente aniquilado pela dupla Petersen-Benioff.

Salvam-se Eric Bana, Brian Cox e Sean Bean. Os três muito bem.
Orlando Bloom é o típico tijolo amorfo a que estamos habituados e Brendan Gleeson está confinado a um personagem muito mal trabalhado.
Diane Kruger apenas tem de exibir a sua beleza (e outras coisas, tratando-se da Versão de Realizador...), Peter O' Toole passa o filme a falar em slow-motion e Rose Byrne a guinchar (pelos mais diversos motivos...).

O compositor escolhido, à pressão, foi James Horner que, com o mero mês que teve, compôs uma partitura bastante razoável, na qual se incluem temas sonantes, nomeadamente a música "Remember Me", de Josh Groban, mas também um ou outro menos conseguido.

Os restantes valores de produção são, como seria de esperar para o orçamento em questão, de luxo. A já referida fotografia, o guarda-roupa nomeado pela Academia, as magníficas coreografias dos duelos ou os irrepreensíveis efeitos especiais constituem o "embrulho" muito apelativo de "Tróia".

E, como é óbvio e apesar de tudo, fazem deste um filme irresistível para quem procura apenas o entretenimento. Neste aspecto e com as possibilidades que tinha, era quase impossível que "Tróia" não proporcionasse massivas doses de entretenimento.

Petersen pode ser um mau realizador, mas efectivamente não é mau ao ponto de arruinar o factor entertainer de "Tróia". Aliás, foi este o único objectivo real e totalmente bem-sucedido do filme.

Ainda assim, um tratado de desperdícios assinado sem glória nenhuma pelo alemão Wolfgang Petersen...


"I've fought many wars in my time. Some I've fought for land, some for power, some for glory. I suppose fighting for love makes more sense than all the rest."

"Myrmidons! My brothers of the sword! I would rather fight beside you than any army of thousands! Let no man forget how menacing we are, we are lions! Do you know what's waiting beyond that beach? Immortality! Take it! It's yours! "


Read more

Blade Trinity:Perseguição Final/O Homem da Máscara de Ferro


Valha-nos o excelente, ambíguo e desconcertante final da Versão Extendida deste que é um autêntico tiro ao lado, em comparação com o segundo filme (crítica aqui) e uma amostra patética do primeiro (crítica aqui).

A acção é escassa, demasiado estilizada para agradar minimamente, muitíssimo mal filmada por David S. Goyer e muito mal feita (golpes de wrestling e efeitos especiais fracos, mas muito pouco combate credível).

A caracterização das personagens é risível: Blade é agora um preguiçoso convencido que fala muito e faz pouco; Hannibal King é um sidekick demasiado forçado para ter piada; o Drácula (ou será Drake?...) é um hino à labreguice e todo o gang dos vampiros parece demasiado mau para ser verdade.

A história é escrita em cima do joelho e os diálogos são os mesmos do primeiro filme, embora com a ordem das palavras trocada.

Wesley Snipes já não tem a essência que tinha nos filmes anteriores, Ryan Reynolds vai tentando fazer o que lhe compete e Jessica Biel nem precisava de abrir a boca.






É de facto uma pena que a realização de Randall Wallace seja tão má. Não acerta uma e deita fora um elenco brilhante e um argumento repleto de subtilezas e potencial.

Belíssima história, grandes diálogos e exaustiva exploração das personagens que, por sua vez, são personificadas por um elenco de alto gabarito.

Grandes interpretações de John Malkovich, Gérard Depardieu e Jeremy Irons.

Banda-sonora magnífica.

Read more

O Tesouro/O Recruta


Mais um delicioso guilty pleasure.

Hisória simples, interessante e cativante.
Elenco muitíssimo competente. Boa banda-sonora.

Belíssimo entretenimento.





Como policial, nada acrescenta ao género. Conspirações frouxas, argumento banal e um twist previsível.


Colin Farrell ainda não tinha amadurecido como actor.
Al Pacino, dá-nos aqui uma das suas últimas boas e lúcidas interpretações.


Excelente final.

Read more

Shoot Me/Van Helsing


Boa interpretação de Maria João Bastos e realização cuidada de André Badalo.

Ainda assim, um filme muito atípico para tão curta duração.
Faz falta um pouco mais de informação, e a simples sugestão nem sempre é suficiente.

Um trabalho curioso e com algum potencial, mas fica-se por aí.




Algo subvalorizado, já que se trata de entretenimento competente.

Hugh Jackman tem carisma, Kate Beckinsale tem (muita...) beleza e o overacting de Richard Roxburgh assenta como uma luva no personagem.

Os primeiros vinte minutos de "Van Helsing" são qualquer coisa.

O problema é mesmo o argumento.

Read more

Ocean's Twelve/Con Air- Fortaleza Voadora


As fantásticas personagens do primeiro filme, não passam aqui de meras caricaturas.

O argumento é chato e sustêm-se com base no humor. E o tipo de humor aqui apresentado deveria ser utilizado, apenas e só, como complemento. Nunca como base na história.

O desperdício do elenco é claro. "Ocean's Twelve" tem George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Catherine Zeta-Jones e Vincent Cassel.
E uma dúzia de secundários que vão aparecendo pelo meio.





O elenco é a grande mais valia. Nicolas Cage está seguríssimo e John Malkovich é um excelente vilão.

De resto, é o típico filme de acção dos anos 90, para ver com o cérebro desligado. Claro que, às vezes, "Con Air- Fortaleza Voadora" ultrapassa os limites do ridículo...

Read more

Titanic/Demolidor- O Homem sem Medo (Versão de Realizador)


Não há muito a dizer sobre "Titanic" que já não seja do conhecimento geral: um hino a lamechice, sem sombra de dúvida.

Ainda assim, reconheço que é um filme de visualização bastante fácil e até agradável. Dificilmente falhará em entreter o mais exigente dos espectadores, graças à sua vertente épica (mais concretamente, a técnica).






Porque há filmes tão, tão fracos, que a única Versão de Realizador que os beneficiaria seria uma que eliminasse a maior parte das cenas.


Porque há filmes com um argumento construído por base de uma lista interminável de clichés e show-off.


Porque há um elenco totalmente incapaz e mal dirigido.


Porque há um "realizador" que se atreve a afirmar que esta sua versão poderia ser superior ao projecto original, ou que tão pouco se dá ao trabalho de tentar alterar um projecto tão fracassado.


Porque há filmes miseráveis, ridículos e risíveis como "Demolidor- O Homem sem Medo" que, não importa quanto tempo lhes seja adicionado, continuarão a ser péssimos.


Porque acreditei eu nesta palhaçada?

Read more

O Rochedo/Romance Arriscado


Tem o mesmo erro de "A Fúria do Último Escuteiro" (crítica aqui): excesso de pirotecnia.

O que joga a favor de "O Rochedo" é o elenco. Sean Connery proporciona o carisma, Ed Harris a seriedade e Nicolas Cage é o meio termo entre ambos.

Pedia-se mais protagonismo (em termos de diálogos) para Connery, já que o seu personagem e a respectiva interpretação são muito boas.






A típica comédia parvalhona do maior parvalhão de Hollywood: Ben Stiller.

Vale, indubitavelmente, pelas hilariantes interpretações de Philip Seymour Hoffman e Alec Baldwin.

Read more

The Final Cut- A Última Memória/ Funcionário do Mês


Decepção. Mais um filme possuidor de uma premissa fantástica, mas que se perde, em primeiro lugar, nos defeitos já típicos, como o argumento muito, muito frouxo e a realização anedótica, que, aliás, não sabe trabalhar nem a intriga pseudo-policial (que de intrigante só tem a premissa), quanto mais o suspense.

Para além disto, existem sempre aquelas falhas logísticas e questionáveis em filmes do género, que projectam o futuro mas de forma muito incongruente e limitada.

Robin Williams tenta o underacting mas a realização em nada ajuda. A relação entre Williams e Mira Sorvino também não convence.

Nota para o final, tão "metido a martelo" que até enjoa.

Vale pela premissa e as questões que coloca, bem como alguma preocupação estética. Note-se que tais qualidades só são visíveis na primeira meia hora de filme...






Pronto... Mais uma comédia banal, que se digere e esquece com muita facilidade. Um ou outro momento mais bem conseguido, mas acaba por corresponder. O que não é bom nem mau...


Read more

Scary Movie- Um Susto de Filme/Mulheres Perfeitas


Plágio descarado ou pura genialidade? Como se classifica o argumento de "Scary Movie"? Bem, de ambas as maneiras. Algumas cenas são cópias óbvias de outros filmes, apenas levemente pontilhadas por gags previsíveis. Noutras, nota-se não só o brotar da imaginação e da criatividade, mas também algumas homenagens sinceras.
Se na qualidade, "Scary Movie" é irregular, no entretenimento não falha nunca.





O ambiente criado por Frank Oz é interessante e cativante. Uma mistura hábil, embora por vezes forçada, de comédia e drama muito bem personificada por Nicole Kidman.
A conclusão é das mais patéticas que já vi. Julgavam que ninguém questionaria aquilo? Um dos maiores plot holes da última década que revela uma incompetência inacreditável.

Read more

O Aviador


Sempre me revelei apreensivo em relação a esta obra de Martin Scorsese. Tinha sido acusada de tudo um pouco, mas sobretudo de ser pautada por momentos tremendamente aborrecidos. A minha experiência da filmografia de Scorsese não é vasta, mas ainda menos o era antes de assistir a "O Aviador". E foi assim, de forma relutante, que assisti a este passo de gigante na carreira de Martin Scorsese.

E é de forma muito entusiasta que afirmo nunca ter estado tão feliz por um filme não ter correspondido às minhas expectativas. "O Aviador" tinha tudo, absolutamente tudo para ser uma obra-prima. E é de facto uma obra-prima.

Constitui, arrisco-me a dizer, um dos momentos mais altos da carreira de Martin Scorsese, a oportunidade dada ao cineasta para finalmente demonstrar o seu amor pelo Cinema mas desta vez a uma escala maior do que nunca. O generoso orçamento permitiu a Martin Scorsese rodear-se de qualidade por todos os lados e dirigi-la com uma paixão e uma dedicação estonteantes, não só pela 7.ª Arte, mas também pela fascinante figura de Howard Hughes.

Creio, honestamente, que a primeira e principal questão que deve ser feita a respeito deste filme é: Como é possível não gostar de "O Aviador"?
"O Aviador" é uma das obras mais completas e abrangentes que já tive o prazer de ver, experimentando géneros tão distintos como a acção, a aventura, o romance, o suspense, alguma comédia e tudo com muita, muita intensidade e classe.

"O Aviador" transcende largamente o simples género do biopic, respira Cinema e emana classicismo em cada frama, graças à mestria de Martin Scorsese que filma "O Aviador" de forma fantástica e que prova o seu talento através de pequenas opções com consequências fenomenais.
Opções estas que se prendem com, por exemplo, a diferente fotografia utilizada durante o filme, de forma a demarcar visualmente certos eventos (neste caso, os anteriores a 1935), o acompanhamento simultâneo dos dois intervenientes de uma simples chamada telefónica e, claro, os intensos jogos de sombras que exploram o lado mais doentio de Hughes.
Um trabalho de mestre, de uma dedicação apaixonante e que deveria (mais uma vez...) ter sido premiado com o Óscar de Melhor Realizador.

A nível argumentativo, admito que possa não existir uma linha narrativa muito coerente. Mas tal factor não é um entrave à existência de uma história extremamente interessante sobre uma figura extremamente interessante.
Se já nos seus momentos mais descontraídos (como, por exemplo, aquele em que vemos Jude Law), "O Aviador" assegura o entretenimento, em cenas mais importantes (como o julgamento), o filme de Scorsese é simplesmente imperdível.
Recheado ainda de personagens marcantes e muito bem conhecidas do grande público, o escrito de "O Aviador", da autoria de John Logan (já nomeado anteriormente para o Óscar de Melhor Argumento Original por "Gladiador"-crítica aqui), trata cada uma destas personalidades como um capítulo na vida de Howard Hughes, atribuindo-lhes uma dimensão e uma profundidade magníficas e tornando-as assim, também elas, deliciosamente fascinantes.

Personalidades que são brilhantemente interpretadas por um elenco invejável, um conjunto de grandes actores com interpretações de grande calibre. Debruço-me, no entanto, principalmente sob o elenco secundário. Nomeadamente, o sempre bem e sempre discreto John C. Reilly que, agora sob a capa da discrição e contrariando o registo intenso de "Gangs de Nova Iorque" (crítica aqui), obtém novamente uma excelente interpretação. Outros membros merecem destaque, nomeadamente Ian Holm, Alan Alda (que não justificou a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário), Kate Beckinsale (um poço de beleza e a encostar, nesta matéria, Cate Blanchett e Gwen Stefani a um canto), Alec Baldwin e sobretudo Adam Scott. Membros distintos de um brilhante grupo interpretativo, todos eles à altura do desafio.

Resta agora o casal protagonista, Leonardo DiCaprio e Cate Blanchett, e que interpretam Howard Hughes e Katherine Hephburn. Devo confessar-me ligeiramente desapontado com as performances de ambos os actores, que me parecem um pouco irregulares, com momentos altos e momentos... médios.
DiCaprio está bem no seu papel, mas apenas atinge um registo realmente impressionante na segunda parte do filme, mais concretamente nas já referidas cenas do isolamento e do julgamento. É uma excelente interpretação em alguns momentos, mas no cômputo geral fica-se pelo regular.
Blanchett parece demasiado caricatural para obter a credibilidade necessária como Hephburn, obtendo uma interpretção um pouco histérica em demasia e, por isso mesmo, algo risível. Talvez fosse propositado, mas não me agradou particularmente.

Uma palavra final para a banda-sonora, sempre fabulosa, sempre versátil e sempre do mesmo mestre: Howard Shore.

No final, tudo se resume ao mesmo: "Longo"? "Cansativo"? "Personalidade desinteressante"? Não devem ter visto o mesmo filme que eu. Como é possível não se gostar de "O Aviador"?


"It's the way of the future."



Read more

Punisher- O Vingador


Ninguém, no seu perfeito juízo, pode gostar de "Punisher- O Vingador". Trata-se de um filme verdadeiramente mau, nulo em todo e qualquer aspecto e a pior adaptação do universo Marvel que já vi (sim, quem diria que "Quarteto Fantástico" podia ser ultrapassado).

E o mais revoltante é ver que o filme tinha pernas para andar (sendo uma delas o grande John Travolta), e deitar tudo a perder num tiro totalmente ao lado.
Ninguém esperava uma grande trama (apesar de existirem, também, possibilidades para isso), mas o requisito mínimo era a capacidade de entreter nas cenas de acção
E é aqui, estranhamente, que "Punisher- O Vingador" mais falha.

Desde o início que são visíveis verdadeiros traços de estupidez, cenas grotescas e tão ridículas que se tornam risíveis para qualquer mente minimamente sádica. Ora quando nos estamos a rir de algo tão dramático como o massacre da família do protagonista, algo de muito mau se passa.
Depressa percebemos que o ridículo é acompanhado por inexplicáveis apontamentos de série B que se enquadram terrivelmente mal na credibilidade do filme, abatendo-a por completo ao fim de meia hora.

Quando tenta ser sério, vertente à partida pouco necessária em filmes do género, "Punisher- O Vingador" é o verdadeiro cúmulo do aborrecimento, com uma linha narrativa extremamente maçadora e personagens desinteressantes e incoerentes (Thomas Jane, para "super-polícia", está constantemente a levar tareias, e John Travolta é reduzido a um mero concorrente do "Fiel ou Infiel").

O elenco é vergonhoso. Thomas Jane não tem o estofo nem o talento para interpretar o personagem. John Travolta é muito mal tratado pelo argumentista e nada mais faz do que uma série de figurinhas tristes (a sua cena final, por exemplo, é tão ridícula) que me doeram profundamente, já que sou um grande fã seu.
Outros nomes promissores, como Roy Scheider ou Laura Harring, não chegam sequer a adições comerciais, tal é o desperdício.

A realização do inconsciente creditado como realizador é pessima, deixando sempre transparecer as falhas de produção que devia evitar ou mascarar, e fazendo cortes abruptos totalmente escusados.

Assim, a única actividade interessante que "Punisher-O Vingador" permite é a descoberta de alguns (não todos, porque são demais) dos seus momentos mais idiotas. É pena a crítica já ir longa, muito mais longa do que o filme merecia, ou eu enunciava alguns deles. Mas enfim.

Que John Travolta seja perdoado por um "filme" tão mau que até parece mentira.
E quem me dera que fosse.


"-I have work to do. Read your newspaper everyday and you'll understand.
-Which section?
-Obituaries."

Read more
Related Posts with Thumbnails