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Atraídos pelo Crime/Push- Os Poderosos

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Argumento limitado. O que "Atraídos pelo Crime" nos conta, já nós vimos antes. Ficam alguns clichés do género.

Vale então, indubitavelmente, pelos protagonistas Richard Gere e Ethan Hawke. Ainda assim, o maior destaque vai para Wesley Snipes, a regressar finalmente à ribalta e a protagonizar a melhor cena do filme.
De Don Cheadle já nem falo. Onde anda o carismático actor de "Romance Perigoso" (crítica aqui) e "Ocean's Eleven"
(crítica aqui) ?

Antoine Fuqua faz um trabalho seguro e atento, atrás das câmaras.





Sinceramente gostei. É um guilty pleasure, um filme sofisticado com tantos defeitos quanto qualidades.

Se por um lado temos um argumento mais esburacado que um queijo suíço, incapaz de explicar, relacionar e sustentar conceitos como os de viagem temporal e previsão de futuro de forma conclusiva, bem como portador de informação excessiva que só complica tudo (aconselho ao espectador que não tente perceber, apenas apreciar) e uma ou outra cena absolutamente ridícula, por outro temos uma realização muito competente e dinâmica de Paul McGuigan, a fazer um bom uso da fotografia e dos efeitos especiais, bem como um elenco bastante interessante.

Chris Evans é o improvável protagonista que confirma ser mesmo um bom actor, e Dakota Fanning nunca desilude, apesar de tudo. Djimon Hounson está longe dos seus melhores momentos, mas nem por isso mal, e Cliff Curtis completa o improvável elenco.

Mas "Push- Os Poderosos", não sendo um filme genial nem tão pouco consensual, consegue facilmente captar o interesse e a afeição. Além disso, percorre com substancial à-vontade (e alguma leveza) o campo do romance, sem nunca se tornar lamechas. E isso, honestamente, agrada-me.

E claro, temos ainda um excelente final como brinde, mesmo do género que me apraz.

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Harry Potter e o Príncipe Misterioso


Era difícil para David Yates fazer pior neste sexto capítulo do que fez em "A Ordem da Fénix" (crítica aqui).
Mas de facto, e após uma nova visualização, há que dar a mão à palmatória e admiti-lo com franqueza: "O Príncipe Misterioso" é o melhor filme de toda a saga desde "O Prisioneiro de Azkaban" (crítica aqui) e um belíssimo pedaço de entretenimento.

A faceta "adulta" manifesta-se uma vez mais, mas agora com sobriedade e profissionalismo. "O Príncipe Misterioso" é portador de um par de grandes cenas (o encontro de Dumbledore com Tom Riddle será a mais intensa e memorável, conseguindo verdadeiramente imponente e provando que não são essenciais grandes segmentos de acção, para um saldo final francamente positivo. E aqui, o mérito, esse, é todo de David Yates.

Yates que consegue ainda arrancar a melhor interpretação de um Daniel Radcliffe cujas perspectivas de talento pareciam já ter sido exterminadas, após as desastrosas prestações dos últimos dois filmes. Também Michael Gambon merece um grande destaque graças à sua soberba interpretação, a fazer esquecer, por fim, que já existiu um outro actor na pele de Albus Dumbledore. Verdadeiramente estonteante, o modo como o actor desenvolve a figura paternal mas ainda assim temível do director de Hogwarts, num registo infinitamente superior a todos os restantes do actor na saga.

Apenas o argumento deita a perder grande parte do potencial do filme, com toda a trama envolvendo o Príncipe Misterioso a ser inexplicavelmente esquecida, a favor dos romances banais de Ron.

Mas, ainda assim, reitero o resultado final acima da média, e sobretudo surpreendente. Custa a acreditar que os responsáveis por este filme são os mesmos do capítulo anterior.

"-Did you know, sir? Then?
-Did I know that I just met the most dangerous dark wizard of all time? No.
"

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Assalto ao Metro 1 2 3


Enervante, revoltante, gritante. Estes e muitos mais adjectivos do mesmo género podiam ser utilizados para classificar a falta de talento demonstrada nesta miserável fita, por parte de Tony Scott, que tão descaradamente desperdiçou o grande talento de John Travolta, conduzindo-o a uma espiral descendente de overacting que não demora muito a ultrapassar a barreira do ridículo.

O trabalho de câmara fraquíssimo, quase amador, inconsequente e totalmente idiótico de Scott é complementado pela já referida frágil direcção de actores (excepção feita ao underacting de Denzel Washington).

Como cereja no topo do bolo, "Assalto ao Metro 1 2 3" é ainda dono de um argumento muito pobre, repleto das mais variadas incoerências e falhas, bem como uma série de clichés do género, o que, obviamente, origina um punhado de cenas que pouco devem à lógica (algumas mesmo ridículas, como a do leite).


Paira o sentimento de desilusão pelo filme, de raiva por Scott e de pena por Travolta.


"-A catholic, a good catholic would know that he is got a train loaded with innoccent people. I mean, you don't want to kill innocent people, do you?
-A good catholic knows that nobody is innocent!"

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Inimigos Públicos/Nova Iorque 1997

Uma enorme desilusão.

Apesar de uma realização, pelo menos a nível visual, cuidada de Michael Mann, e da excelente interpretação de Johnny Depp (o seu John Dillinger é qualquer coisa de fantástico), "Inimigos Públicos" é uma inevitável desilusão.

O argumento é pouco dinâmico, pouco vivo, pouco...interessante.
"Inimigos Públicos" é um filme extremamente aborrecido durante grande parte da sua duração, Christian Bale tem uma das piores interpretações da sua carreira e as cenas de Marion Cotillard contam-se pelos dedos das mãos, naquele que é um desperdício imperdoável do talento da francesa.

Um final mais do que digno, cenas de acção de alto gabarito, mas no seu cômputo geral, um filme que fica a anos-luz da melhor obra do seu (grande) realizador.




Não posso dizer que tenha corrido bem esta primeira incursão pela filmografia de John Carpenter. Não. Não, de todo.
"Nova Iorque 1997" é mau, demasiado mau para ser verdade. Talvez o segredo esteja no fenómeno que o filme foi e que, obviamente, 30 anos depois, não me atingiu. Talvez se trate de um filme com grande valor histórico. Para mim foi, como é já evidente, constituiu também uma desilusão de proporções épicas.

Com uma premissa e um personagem principal absolutamente deliciosos, riquíssimos a nível argumentativo e visual, creio que o que Carpenter (ou seja lá quem for) fez aqui, foi um desperdício abismal destes dois factores.

A premissa, rapidamente se esfuma numa odisseia que, apesar de visua
lmente atractiva o quanto baste (pela sua surrealidade, entenda-se...), é escassa em momentos de acção, com o filme a assumir um ritmo sofrível e a tornar-se profundamente aborrecido.

O protagonista, "Snake" Plissken, é também ele um desperdício personificado por Kurt Russell. Tanto prometia, tanto carisma tinha para mostrar...mas o seu real protagonismo acaba por ser bastante, bastante inferior ao esperado e sobretudo ao desejado.
Pouco falador, bastante ausente e com pouca presença em cena. Inexplicável.

Fica uma banda-sonora...diferente, e um final (os últimos segundos mesmo, não a recta final do filme, bastante penosa...) intrigante a suscitar bastante curiosidade em relação à sequela.



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A Ressaca/Alien vs Predador


"A Ressaca" não tem, literalmente, muita piada. Tem situações muito propícias a tal, uma série de personagens que mereciam um filme só para elas, e um elenco invulgarmente capaz.

O problema é que Todd Phillips desperdiça este material todo, fazendo de "A Ressaca" um filme muito simpático e agradável, de fácil visualização e capaz de entreter muito bem, mas com pouquíssimas tiradas de real humor.





Desperdício surreal de potencial, o aguardado confronto entre as duas raças de alienígenas é uma autêntica desilusão para todos os fãs.
Argumento horrível, realização adolescente e um elenco quase totalmente amador.
São tantos os momentos ridículos e as incoerências de "Alien vs Predador", que até dói.

No entanto, o maior problema está na protagonista que está a cargo da péssima actriz Sanaa Lathan, tentando fazer de Alexa Woods uma imitação de Ellen Ripley, mas o mais que consegue é ser apenas uma empertigada irritante e que merecia ter sido "despachada" antes do filme completar meia hora.

No entanto, reconheço em "Alien vs Predador" um semi-guilty pleasure. Existem de facto um ou dois confrontos directos entre o Alien e o Predador, e que são um regalo para os olhos. O problema é tudo o resto...

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Star Wars: Episódio II- O Ataque dos Clones/Arena


Não digo que não entretenha, mas aconselho a sua visualização com o cérebro desligado, já que George Lucas insiste em tentar passar atestados de estupidez ao público.

Os alicerces da trama são tão frágeis que chega a ser ridícula, a forma como os acontecimentos são regidos e se precipitam pela simples lei da coincidência.
Nem me dignarei a dar exemplos. Estão lá e são óbvios.

Determinadas cenas estão tão entupidas em efeitos especiais, que parecem tratar-se de excertos de um videojogo.

Estava lá Christopher Lee. Menos mal.






Honestamente, esperava mais.

Fotografia cuidada, realização dinâmica. Elenco medíocre.

Argumento? Para esquecer.

Vale... nem sei bem... vale o que vale... que certamente não será uma Palma d'Ouro.

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Bem-vindo a Zombieland


Se numa qualquer enciclopédia existir o termo guilty pleasure, a imagem que o ilustrará será um poster de "Bem-vindo a Zombieland".

Violento, tresloucado, inconsequente e delirante, "Bem-vindo a Zombieland" é um dos filmes menos preconceituosos que já vi, com o puro intuito de divertir quem o vê.

A forma descontraída e despretensiosa como o realizador Ruben Fleischer aborda a história é impagável. O elenco foi escolhido a dedo, e Woody Harelson tem uma entrega total a um papel moldado especialmente para o seu grande talento e carisma.

E "Bem-vindo a Zombieland" nem tão pouco precisa de um argumento especialmente sólido para assegurar o entretenimento, já que perde força ao fim da primeiro hora.

O truque, está em saber aproveitar os recursos disponíveis, e em conquistar rapidamente o espectador. E Fleischer não perde tempo a fazê-lo, orquestrando nos primeiros minutos algumas das melhores ... bem, pelo menos das mais insólitas cenas de Cinema desta década.

E eu não sei quanto a vocês, mas em mim resultou.
O termo guilty pleasure nunca pareceu fazer tanto sentido.


"You're like a penguin on the north pole who hears that the south pole is really nice this time of the year.
-There are no penguins on the north pole.
-Do you wanna feel how hard I can punch?"

"-You got to enjoy the little things.
-I hate to give credit to someone who looks like Yosemite Sam, but i'm righting it down. Rule n.º 32: "Enjoy the little things."

"-You're not gonna shoot them, are you?
-Not unless the shoot me. Oh, I hope they shoot me."

[Filme re-analisado e análise re-editada a 14/08/10]

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500 Dias Com Summer


Independentemente da sua sobrevalorização, que existe (o título não é, a meu ver, o grande filme que todos parecem reconhecer), "500 Dias com Summer" é uma obra muito agradável e refrescante, que certamente perdurará na memória de quem a vê como um dos melhores exemplares do seu género na última década.

Só é pena que a história de "500 Dias com Summer" se construa à base de uma narrativa episódica que põe a descoberto as falhas do argumento, como alguma falta de coesão e um ou outro buraco.

No entanto, estes serão dos únicos problemas de "500 Dias Com Summer", que beneficia de uma realização inventiva e dinâmica, uma banda-sonora contagiante e um elenco muito competente -com especial destaque, não tanto para Zooey Deschanel, que pouco mais é do que uma cara bonita, mas sobretudo para um excelente Joseph Gordon-Levitt.

E claro, há que mencionar aquele que é um dos melhores e mais irónicos finais de que me lembro.

Mas, de facto, e apesar de lhe reconhecer a óbvia qualidade, "500 Dias com Summer" não me conquistou totalmente.


"People don't realize this, but loneliness is underrated."

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O ABC da Sedução/X-Men II


Juntamente com "Um Cidadão Exemplar" (crítica aqui), eis mais uma prova do grande talento de Gerard Butler, que carrega novamente um filme às costas.

"O ABC da Sedução" é banal em todas as suas vertentes, excepto em toda a criação e peronificação do personagem de Butler, verdadeiramente hilariante e que vale por todo o filme.
É ver para crer.

E muita atenção a Gerard Butler, que se está a afirmar cada vez mais.





Não é tão interessante como o primeiro. A realização inventiva de Bryan Singer continua lá e Hugh Jackman está ainda melhor. A presença de Brian Cox traz sempre mais classe ao elenco, sobretudo pela diminuição do protagonismo de Patrick Stewart.

Agora, o argumento fraco dá lugar à falta de um escrito, convenientemente substituído por fantásticas cenas de acção.

"X-Men II" é um filme-ponte, mas que assegura o entretenimento de qualidade.


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Um Cidadão Exemplar


Hoje em dia é cada vez mais raro o filme de acção que me agarre e interesse tanto, quanto "Um Cidadão Exemplar" conseguiu.

Não é um filme perfeito, longe disso. Está cheio de incoerências e erros típicos do género, a começar no personagem estereotipado de Jamie Foxx e a acabar no final forçado e cliché.

Mas "Um Cidadão Exemplar" é um filme com um ritmo imparável, onde o realizador F. Gary Gray consegue criar um crescendo de suspense e espectacularidade à medida que o filme avança. É como uma subida pela montanha-russa, começa devagarinho mas vai tornando-se cada vez mais excitante com o passar do tempo. A comandar esta montanha-russa está um surpreendente Gerard Butler que, com o seu registo irónico e perturbador, carrega o filme às costas usufruindo de uma portentosa interpretação.
Há que agradecer ainda a Jamie Foxx pela sua fraca performance (a não fugir ao habitual registo do actor) e que apenas acentuou ainda mais o contraste entre ele e Butler.
Melhor para todos nós.

"Um Cidadão Exemplar" pode não ser a melhor proposta do género. Mas é um filme verdadeiramente viciante. Que venham mais assim.


"-You end this!
-I'm just getting warmed up."

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Nas Nuvens


Ainda hoje, várias semanas após a visualização de "Nas Nuvens", é difícil expressar por palavras a minha opinião relativamente à obra de Jason Reitman. Apenas um sentimento parece imperar: desilusão.

"Nas Nuvens" é um filme que prometia muito, tinha todas as possibilidades para ser um grande filme, mas acaba por se revelar um filme atípico e desequilibrado. Não parece existir muito interesse ou zelo da própria equipa na história de Ryan Bingham.

"Nas Nuvens" é um filme ao início interessante, mas que rapidamente assume um ritmo não propriamente lento, mas prejudicial à falta de argumento do filme. É um ritmo episódico que permite evidenciar a sensação de deja-vu recorrente. Ainda se tenta elaborar um pequeno segmento amoroso, bem como alguns problemas familiares, mas são todos tratados de forma tão despreocupada, que não chegam sequer a (permitam-me o trocadilho) levantar voo.

O elenco é também demasiado atípico, com George Clooney a desiludir, Vera Farmiga a confirmar (o seu pouco talento) e apenas com Anna Kendrick a surpreender com uma interpretação muitíssimo competente e deliciosamente divertida.

Mas "Nas Nuvens" é um filme feito sem amor, uma obra oca e que, já por si só, não tem qualquer faísca, falhando previsivelmente em criar faísca no espectador.


"-Would you like the cancer?
-What?
-Would you like the can, sir?"

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Underworld:A Revolta


No terceiro filme desta saga, é-nos mostrada a origem da guerra entre os Lycans,uma espécie de lobisomens, e os vampiros.

É rara a sequela que supera o original,mas"Underworld:A Revolta" é um desses escassos exemplos,uma película aparentemente fraca, que acaba por se tornar em entretenimento de qualidade significativa,onde um elenco sem grandes estrelas é mais do que suficiente para suportar o filme.Se o já sempre bem Bill Nighy não necessita de apresentações,Michael Sheen confirma as boas indicações dadas em "Frost/Nixon", ambos com excelentes interpretações.

Com um argumento interessante que,para além de introduzir algum dramatismo na trama,faz uma boa ligação com o filme original,bem como outros aspectos como a excelente fotografia,embora alterada por via digital, e uma banda-sonora interessante,"Underworld:A Revolta" é um filme que pode,deve e merece ser visto como uma obra individual,independente do substancialmente mais fraco,o original "Underworld-Submundo".


O Melhor-Michael Sheen e Bill Nighy.

O Pior-Obviamente,a falta de realismo e algum estilo em demasia.

[Re-apreciação feita a 01/04/10]
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Estão Todos Bem


Esta análise que seguidamente vos apresentarei tem um objectivo muito particular: tentar evitar, a todo o custo, a previsível subvalorização que "Estão Todos Bem" virá a sofrer no futuro, realçando assim as suas qualidades.

Que são muitas. "Estão Todos Bem" é, embora tardiamente, um dos melhores filmes do ano. Um drama poderoso, discreto e com alguns momentos extremamente bem conseguidos.
Não se trata, de todo, da comédia que aparenta ser, mas de uma dissertação interessantíssima sobre os valores familiares e a solidão na terceira idade.

O argumento não é genial, desperdiça o elenco secundário de grande calibre (destaque-se Sam Rockwell que, de papel em papel, sobe cada vez mais na minha consideração) e transforma "Estão Todos Bem" num filme de actor. Além disso, notam-se alguns facilitismos no desenrolar da trama, de modo a que as questões mais secundárias sejam de resolução bem mais fácil do que deveriam. No entanto, existem alguns momentos realmente comoventes e que acabam por compensar o resto
Já a realização é bastante mais apelativa, mantendo a qualidade ao mesmo tempo que transmite ao espectador os simbolismos presentes no filme como, por exemplo, a importância dos cabos eléctricos.

Mas "Estão Todos Bem" é mesmo um filme de actor, uma oportunidade para ver Robert De Niro a comprovar, finalmente e agora totalmente (já o tínhamos visto numa boa mas pouco marcante prestação, em "Pânico em Hollywood" (crítica aqui)), que não perdeu o seu enorme talento para a arte da representação e que basta o papel certo para uma grande interpretação. E é o caso. Robert De Niro, que é o meu actor de eleição, tem a sua melhor interpretação em décadas, uma performance dedicada e tocante, merecedora dos mais altos elogios.

E só este grande actor é suficiente para transportar o filme às costas, filme este que não é nada mau. Nada mau mesmo. Recomendação total.


"If you would ask me I would have to say in all honesty, Everybody's fine. Everybody's fine."

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O Mensageiro


Com toda a euforia em volta de "Estado de Guerra" (crítica aqui) e a sua abordagem realista ao lado violento (leia-se bélico) da guerra, é bom ver a abordagem que este discreto "O Mensageiro" faz a um lado, possivelmente, ainda mais violento: as consequências da guerra.

O estreante realizador Oren Moverman elabora um trabalho muito interessante, artisticamente bem conseguido, e cinematograficamente estimulante. Faz-se acompanhar de um argumento que oscila entre momentos bem conseguidos e alguns clichés desnecessários. É um escrito promissor mas algo incompetente e que não merecia, de todo, a nomeação para o Óscar de Melhor Argumento Original.

"O Mensageiro" é portador de um elenco igualmente discreto, com o protagonismo a ser entregue a um desaparecido Ben Foster que, depois de papéis menores em filmes como "O Comboio das 3 e 10", mostra finalmente o seu real talento e obtém uma interpretação muito capaz, não deixando de surpreender mesmo assim.

Woody Harrelson desiludiu-me um pouco, confesso. Eu admiro muito o actor, gostei imenso de o ver em filmes como "Golpe no Paraíso" (crítica aqui), mas o facto é que não tem, em "O Mensageiro", o protagonismo que merecia e de que necessitava para brilhar como eu esperava. Acaba por brotar (e de que maneira) na última meia hora, mostrando o carisma que já lhe conhecíamos e o dramatismo que nele raramente vimos. O resultado final é regular e não estou certo de que justifique a nomeação para o Óscar e Globo de Ouro de Melhor Actor Secundário, a não ser pelo histórico de Harrelson. Embora os critérios da Academia não sejam muito definidos, já que Judi Dench conquistou um Óscar por um papel de seis minutos...
Quanto ao restante elenco, e apesar de Samantha Morton não me ter espicaçado particularmente, gostei bastante de ver Steve Buscemi num papel à sua altura.

Começa bem, banaliza-se com a vertente romântica, e culmina numa tour-de-force de Woody Harelson.
Assim se resume "O Mensageiro".


"Avoid fisical contact. In case you feel like offering a hug or something... don't."

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Sherlock Holmes

Penso que era do conhecimento de alguns dos leitores do Cinemajb que este "Sherlock Holmes" era a fita que mais aguardava para 2009.Esta é uma crítica que já podia ter saído há algum tempo.

O facto é que vi pela primeira vez "Sherlock Holmes" há um punhado de semanas, no entanto, a desilusão estava a ser tão grande, que decidi rever o filme (antes ainda de o ter acabado de ver pela primeira vez) e dedicar-lhe a minha total atenção.

Devo dizer que foi um exercício inútil. É certo que a minha opinião mudou mas não graças àquilo que revi, mas sim àquilo que vi pela primeira vez: o final.
Definitivamente a mais interessante parte do filme, este vale pela sensação de satisfação que dá ao espectador, ao unir de uma só vez todas as pontas soltas que tinha deixado para trás.

Fora isto, "Sherlock Holmes" desiludiu-me em quase todos os sentidos.
A realização de Guy Ritchie tem em estilo o que lhe falta em substância. Elabora momentos de entretenimento (a capacidade de Holmes em prever como vai derrotar os seus adversários), mas apresenta-nos igualmente verdadeiras palhaçadas (a destruição do navio, aquando da luta).
O argumento é frouxo, demasiado despreocupado e com alguns buracos. Insere Rachel McAdams à pressão, retirando assim o tempo de antena que Mark Strong merecia.

O elenco também me desiludiu muito, a começar por um insosso Robert Downey Jr., cujo sotaque britânico não chega para justificar o Globo de Ouro que venceu.
Jude Law também me pareceu mais caricatural do que devia ser.

A destacar-se pela positiva está a banda-sonora de Hans Zimmer, divertida e apropriada à época representada, e a negra fotografia.

Não percebo mesmo o que se passou. Mas definitivamente, "Sherlock Holmes" não me agradou nada.


"-Why are you allways so suspicious?
-Should I answer chronologically or alphabetically?"


N.d.R.- Não, não existe sinopse na crítica. Concluí que não só não tenho jeito para sinopses como não tenho paciência.
Assim, aqui fica a informação: acabaram-se as sinopses.

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O Solista


Steve Lopez (Robert Downey Jr.) é um jornalista do LA Times que, por obra do acaso, trava conhecimento com Nathaniel Ayers (Jamie Foxx), um músico de rua, esquizofrénico, e que suscita o interesse do jornalista.

É impressionante como "O Solista" não consegue ser completo em nenhuma das suas vertentes. O argumento de Susannah Grant é tão fraco, tão débil e tão preguiçoso, que não dava nem para um telefilme.

Qual é o tema do filme? A partir de quê se sustenta? Não faço ideia.
Pela relação dos protagonistas não é de certeza. É mostrada de forma muito breve, intermitente e pouco convincente. Uma série de episódios inacabados e sem elo condutor.
As origens de Nathaniel também não parecem constituir o filme. Meia dúzia de flashbacks inúteis e grosseiros é tudo o que temos.
A vida de George é igualmente ignorada, com uma relação com o filho a ser apenas mencionada, e o papel de Catherine Keener a ser reduzido ao de... sei lá bem o quê. Uma bêbada, talvez?
Infelizmente, apenas o dramatismo barato (leia-se lamechice pegada) sustenta "O Solista", do ponto de vista escrito.

Quem nos salva deste argumento medíocre?
Joe Wright tenta fazê-lo, mas o seu trabalho fica-se pela irregularidade (o que já não é mau). É capaz do melhor (como a cena em que um jovem Nathaniel imagina tocar violoncelo no braço) e do pior (as sensações que George tem ao ouvir Nathaniel tocar).

Robert Downey Jr. também o tenta, mas infelizmente toda a sua interpretação ficou marcada por um terrível erro: ter aceite um papel que, para além de muito pouco exigente, nada combina consigo.
Jamie Fox, por quem eu nutro muito pouca simpatia, tenta ser dramático e deficiente ao mesmo tempo. Pessoalmente, irritou-me muito, muito mesmo.

E a mim, quem é que me compensa do tempo que perdi a ver isto?


"I've never loved anything the way he loves music."

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Moon- O Outro Lado da Lua


Esta análise contem SPOILERS.

No futuro, o lado obscuro da Lua é também controlado pelos humanos, com o objectivo de extrair um minério especial capaz de produzir grandes quantidades de energia.
Numa estação espacial aí situada, apenas um homem, Sam (Sam Rockwell), acompanhado do computador GERTY (com a voz de Kevin Spacey), estão presentes para garantir o bom funcionamento da mesma. No entanto, Sam constatará que até a Lua é um local tão propício como qualquer outro para a auto-descoberta.

Haverá algum critério pré-definido que deva ser preenchido, para a classificação de uma obra como sendo de ficção científica? Serão os efeitos especiais? Ou talvez um grande orçamento? Quiçá a presença de uma equipa técnica invejável?

É que, a serem estes que referi, então "Moon- O Outro Lado da Lua" é um fiasco como sci-fi movie, graças aos seus efeitos grosseiros e banais (excepção feita às cenas com os "dois" Sams). No entanto, só alguém totalmente ingénuo acreditaria que o objectivo de Duncan Jones era elaborar um bom filme de ficção científica.

Nada disso. Na verdade, "Moon- O Outro Lado da Lua" é um fita com um carácter humano verdadeiramente impressionante, uma humildade louvável, e que instiga a uma reflexão do foro antropológico, social e filosófico, com uma profundidade e uma eficácia fenomenais.

A solidão é a única companheira de Sam Rockwell que, numa verdadeira tour-de-force, atinge uma das melhores interpretações do ano, optando por um registo que funde na perfeição a apatia com a angústia e a resignação.
É uma magnífica interpretação, e fica por perceber a falta de interesse, por parte da Sony, na recomendação do filme à Academia (factor que teve como consequência, certamente, a não nomeação de Rockwell para o Óscar de Melhor Actor).
Quanto a Kevin Spacey, está regular como a voz do computador GERTY, embora não atinga um registo especialmente memorável.

Mas é sobretudo o triunvirato entre a hipnótica banda-sonora, a penetrante fotografia lunar, e a já referida magnífica interpretação de Sam Rockwell, que personificam claramente a ambição de Duncan Jones.

Não fossem algumas arestas por limar, e Duncan Jones teria atingido a perfeição. Assim, fica-se "apenas" pelo grande filme que é "Moon- O Outro Lado da Lua".


"-I wanna go home.
-I know."

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Amar... É Complicado


Uma mulher de meia idade (Meryl Streep) vê-se envolvida novamente com o seu ex-marido (Alec Baldwin), de quem se divorciou há mais de 10 anos. Para complicar, acaba por iniciar simultâneamente uma relação com o arquitecto (Steve Martin) que está a expandir a sua casa.

Não foi há muito tempo, nem por acaso, que tive a oportunidade de referir a realizadora e argumentista Nancy Meyers, aquando da análise a "O Que as Mulheres Querem".
Uma profissional com substancial talento em ambas as artes (especialmente na segunda), a Meyers carece dealguma ambição para dar o derradeiro passo na sua carreira, apesar da clara evolução.

Não será certamente com este "Amar... É Complicado" que o passo está dado, no entanto, não podemos dizer que este trabalho baixe a fasquia.
Portador de uma premissa interessante e de um desenvolvimento assaz credível e bem estrturado (apesar de previsível), a "Amar... É Complicado" faltou (entre algumas outras coisas) uma conclusão mais forte, menos precipitada e, certamente, menos policitcamente correcta para se afirmar como uma fita de grande qualidade. No entanto, somos presenteados com momentos hilariantes, como por exemplo a visão de uma Meryl Streep totalmente drogada!

Nancy Meyers volta a rodear-se novamente de um elenco invejável, onde a veterana Meryl Streep está bem como sempre, embora não alcance o registo a que nos tem habituado (em, por exemplo, "O Diabo Veste Prada"), a não ser na cena que acima referi.
Melhor estão os seus co-protagonistas. Alec Baldwin emana confiança e comicidade por todos os poros, surpreendendo a cada cena. Igualmente surpreendente é Steve Martin, que se encontra num registo claramente diferente do seu habitual (a comédia física), enverdando por uma vertente mais séria e cujos resultados são definitivamente mais satisfatórios.

As expectativas eram relativamente elevadas e, apesar de pairar um ligeiríssimo aroma de desilusão, "Amar É... Complicado" é uma proposta interessante um potencial guilty pleasure.


"-You look good, Janie.
-Yeah.
-You do. You allways do. Your hair is shorter.
-Longer.
-I like it."

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Terapia para Casais


Quatro casais partem para um destino tropical, devido aos problemas conjugais que um dos casais enfrenta. Pensando que iam desfrutar das maravilhas do paraíso, os restantes três casais depressa se apercebem que afinal também têm uns problemazitos...

Da trupe dos parvalhões, os únicos de que realmente gosto são Vince Vaughn e Jon Favreau.
Vince Vaughn porque para além de ser um tipo genuinamente com piada e que não tem necessidade de recorrer à comédia física, consegue ser realmente um bom actor a um nível mais sério.
Jon Favreau porque é um sidekick muito eficaz, conseguindo ser (pelo menos para já) tão bom realizador quanto actor.

Basicamente são estes dois actores que sustentam toda a trama de "Terapia de Casais", comédia banalíssima e que não se dá nem ao luxo (ou deverei dizer inteligência) de aproveitar o seu belo pano de fundo.

Como já disse, vale por Vaughn e Favreau que garantem momentos de diversão moderada (não são de morrer a rir, mas ao menos não são copy/paste de outros filmes).


"-You are not buying some twenty year old girl a motorcicle
-This girl makes me feel young again.
-She's a kid. Buy her a Hello Kitty book."

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Avatar


Jake Sully (Sam Worthington) é um soldado tetrapelégico que acaba de chegar ao planeta Pandora, com uma missão especial: Infiltrar-se na tribo local, os Na'vi, para conseguir que estes abandonem o seu local de habitação, que está por cima de uma enorme reserva de um metal precioso. Para isto, Jake irá controlar mentalmente um Avatar, um corpo criado em laboratório e fisicamente semelhante aos Na'vi.

Quanto a mim, tudo o que James Cameron conseguiu provar com "Avatar" foi que, para além de arrogante e presunçoso, é um grande mentiroso.
O copy/paste não é uma técnica exclusiva de Cameron. É certo que muitos filmes se baseiam, basearam e vão basear nas histórias de outros filmes. No entanto, não me lembro de nenhum dos realizadores destes filmes ter vindo dizer algo como "Este filme "is the single most complex piece of filmaking ever made"".
É precisamente esta atitude que não suporto. James Cameron não foi minimamente humilde ou discreto, tendo-se a si próprio e a "Avatar" como divinos. Obviamente que as expectativas eram elevadíssimas, e o resultado final é para mim a constatação de que afinal era mesmo tudo só garganta...
Mas vamos por partes.

Eu não vi (ainda) a versão 3D de "Avatar", por isso custa-me apelidá-lo de revolucionário. Mas lá que é um primor visual ninguém pode negar. Efeitos especiais e fotografia produzem um regalo para os olhos, tornando o filme um sério candidato aos Oscars, apesar da grande concorrência.

É a nível de estrutura argumentativa que "Avatar" é quase inqualificável. É que factos como o excesso de clichés, diálogos à bad boy (ou bad girl) ou a existência de cenas escusadas (como a cena final de Sigourney Weaver) parecem pouco quando comparadas com o plágio descarado que "Avatar" pratica.
Desde pequenos pormenores até à história base, fitas como "Danças com Lobos", "Parque Jurássico", "King Kong", "O Acontecimento" (a questão do apelo à planta levantada pelo Filipe Coutinho é por demais pertinente), "Matrix Revolutions" e até mesmo "Pocahontas" são plagiadas com arrogância.
Repito: o problema não é tanto o plágio, mas a forma como este foi feito.

No elenco, Sam Worthington não tem estofo para protagonizar a obra. Não o tinha nem em "Exterminador Implacável: Salvação", quanto mais agora. Zoe Saldana está demasiado cibernética para merecer destaque. Michelle Rodriguez não saiu de "Velozes e Furiosos" e Giovani Ribisi é demasiado secundário.
Apenas Sigourney Weaver é digna de destaque, provando que ficção científica é mesmo o seu território.

Infelizmente, eu tinha razão. Com ou sem 3D, "Avatar" é só efeitos especiais. E um dos piores filmes do ano.


"You're not in Kansas anymore. You're in Pandora!"

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