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Há Dias de Azar...



Existe uma diferença abismal entre admirar Quentin Tarantino e imitá-lo. Admirar, qualquer um o faz, até eu. Imitar já é mais difícil. Imitar bem é ainda mais difícil.

E é inegável: "Há Dias de Azar..." respira Tarantino por todos os poros, e as influências do realizador, sobretudo ao nível do argumento, são evidentes. Mas apenas ele teria a capacidade de tornar esta incursão pelo mundo do crime na obra-prima a que o seu portentoso argumento aspirava.
Uma vez que não é Tarantino quem realiza, mas o escocês Paul McGuigan , responsável pelo interessante "Push- Os Poderosos" (crítica aqui), "Há Dias de Azar..." vê o seu voo até à genialidade a ser abruptamente cancelado, já que McGuigan pouco mais é do que um mero tarefeiro, pouco incompetente sem dúvida, mas infinitamente limitado. E é claramente essa a sensação que fica no final do filme: a de desperdício, graças aos limites impostos ao argumento e até ao elenco, por este realizador.

Evidentemente, e conforme é já perceptível, o argumento é verdadeiramente portentoso. Quer ao nível de diálogos, cuja elegância exibirei no final desta análise, quer ao nível de personagens, quer até mesmo no que ao desenvolvimento da história, portadora de um twist avassalador, o escrito de Jason Smilovic é um autêntico primor.
Pecará por alguma rigidez em determinados momentos, pelo segundo twist, perfeitamente inútil, e pela falta de exposição atribuída ao personagem de Stanley Tucci.

De referir ainda a dócil banda-sonora e a vertiginosa montagem, sempre muito importante em filmes do género para, por fim, avançarmos em direcção ao elenco de excepção.
Exceptuando Lucy Liu, apenas boa a espaços, e a interpretação indistinta de Bruce Willis, tão habituado a personagens do género, todo o restante elenco é excelente.
Josh Hartnett tem uma prestação por demais convincente, bastante descontraída e muitíssimo carismática, encaixando no papel como uma luva. Morgan Freeman, embora também ele no seu papel do costume, é capaz (embora com ajuda do argumento) de sobressair com classe. Stanley Tucci está muito bem e quanto a Ben Kinglsey, tem pura e simplesmente a melhor interpretação da fita.

Embora de lamentar o suspiro por mais, "Há Dias de Azar..." é um primoroso e profundamente viciante entretenimento.


"I bet it was that mouth that got you that nose. "

"
-I didn't think you were him, I thought he was you. And I was trying to tell him - you that they picked up the wrong guy.
-
The wrong guy for what?
-Whatever it is you wanna see me about.

-
Do you know what I wanna see you about?
-
No.
Then how do you know I got the wrong guy?
-
Because I'm not...
-
Maybe I want to give you $96,000. In that case do I still have the wrong guy?
-Do you wanna give me $96,000?
-No, do you wanna give me $96,000?
-
No, should I?
-
I don't know, should you?"

"-Yitzchok the Fairy.
-Why do they call him "the Fairy"?
-Because he's a fairy.
-What, he's got wings, he flies, he sprinkles magic dust all over the place?
-He's homosexual. "

"-You must be Mr. Fisher.
-Must I be? Because that hasn't been working out for me lately.
-But I'm afraid you must.
-Well if I must."


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Aladdin



De todas as grandes obras que constituíram o auge da Walt Disney Pictures, a época conhecida como Disney Renaiscence e que teve lugar entre os anos de 1989 e 1999, "Aladdin" é a mais carismática.

Partindo uma vez mais de um conto literário já existente, neste caso uma das histórias de As Mil e Uma Noites, a Disney volta a presentear-nos com um tesouro animado de grande riqueza visual e com doses de entretenimento nunca antes vistas.
Fá-lo através de um argumento extremamente interessante, recheado de situações tão imaginativas quanto apelativas, e de um vasto leque de personagens secundárias verdadeiramente adoráveis.
Desde as mascotes, o hilariante e falador Iago e o hilariante e imperceptível Abu, passando pelo eloquente vilão Jafar até àquela que é, possivelmente, a melhor personagem de todo o universo Disney: o Génio. Todos contribuem para o ritmo imparável de "Aladdin" e deixam bem vincadas as suas naturezas.

Argumento este que se torna tão cativante, que consegue transpor uma cultura totalmente diferente da do seu público-alvo para o formato animado de forma muitíssimo bem sucedida, permitindo-lhe mesmo identificar-se com esta cultura tão (será assim tanto?) distante.
Apenas é de lamentar a (tradicional) vertente romântica que "Aladdin" possui, não só pela substituição de momentos de humor/adrenalina, pelos habituais excertos românticos e substancialmente mais aborrecidos, mas também pela falta de interesse transbordada pelos protagonistas, Aladdin e Jasmine.

Ron Clements e John Musker dirigem, porém, "Aladdin" de forma irrepreensível, ao acrescentarem à lindíssima tela visual que nos é oferecida, "pinceladas" digitais que, salvo raras excepções, produzem um efeito visual verdadeiramente avassalador. Destaque-se, por exemplo, toda a concepção da Cave of Wonders, desde a sua face até aos seus trepidantes labirintos interiores. Nota-se o olhar visionário da dupla de realizadores, e é o público quem mais beneficia com isso.

E se os realizadores tiveram o olhar visionário, Alan Menken-o mesmo compositor por detrás de "O Corcunda de Notre Dame" (crítica aqui)-teve certamente a audição visionária. Compondo uma banda-sonora verdadeiramente excitante, Menken ainda requisitou a colaboração de Tim Rice-o mesmo compositor por detrás de "O Rei Leão" (crítica aqui)- para a elaboração de alguns dos temas musicais mais divertidos e entusiasmantes da Disney.
Canções como a alegre "Friend Like Me" ou a misteriosa "Arabian Nights" são tão belas quanto poéticas (e claramente superiores á que venceu o Óscar na respectiva categoria, "A Whole New World").

Não saindo da vertente sonora, o que dizer do estrondoso desempenho vocal de Robin Williams? Falando, gritando, rindo, satirizando, cantando. O magnífico actor transpôs para o Génio todo o seu carisma e o resultado é indescrítivel. Que dedicação, que amor ao Cinema, que desempenho vocal tão extasiante.
Robin Williams prova o seu enorme talento, efectuando a melhor dobragem que já tive o prazer de escutar e transformando, assim, o Génio na melhor e mais divertida personagem desta Disney Renaiscence.
Refira-se que, pelo seu fabuloso trabalho, Robin Williams foi premiado com um Globo de Ouro honorário.

"Aladdin" é a obra da Disney que melhor representa o conceito de aventura. Deixemo-nos levar pela sua adrenalina e humor e, de preferência, a rirmo-nos ao som de Robin Williams.


"-You're a prisoner?
-It's all part and parcel, the whole "genie gig". Phenomenal cosmic powers!!! Itty-bitty living space..."

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Hércules



De todas as grandes obras que constituíram o auge da Walt Disney Pictures, a época conhecida como Disney Renaiscence e que teve lugar entre os anos de 1989 e 1999, "Hércules" é a mais descontraída.

Não deixa de ser, aliás, extremamente curioso: um ano depois de ter alcançado os extremos do dramatismo com "O Corcunda de Notre Dame" (crítica aqui), a Disney decide redefinir o conceito de pura diversão com este "Hércules". A abordagem feita é quase a oposta, uma espécie de inversão de mentalidade que apenas pretende realçar a versatilidade dos estúdios de Walt Disney.

"Hércules" é leviano em todas as suas vertentes:
- Na espirituosa e vibrante banda-sonora a cargo, uma vez mais, de Alan Menken (quer nos egmentos musicais, quer nas fantásticas canções -destaquem-se belíssimos temas como "From Zero to Hero", o tripartido "Gospel Truth" e o nomeada para o Óscar de Melhor Canção Original "Go The Distance") ;
-Na refrescante tela cromática, repleta de cores leves e alegres;
-No próprio argumento, possuidor de uma série de personagens hilariantes desde o malogradamente hilariante Philoctetes, passando pelo carismático vilão Hades (provavelmente o mais divertido do universo Disney -característica algo desenquadrada, não?) até à própria relação entre os protagonistas, que é mais insólita do que propriamente divertida.

E aqui reside, simultâneamente, o maior trunfo e o maior erro de "Hércules". Toda esta descontracção é algo excessiva e pedia-se alguma seriedade que, quando de facto existe e tal como os apontamentos humorísticos de "O Corcunda de Notre Dame" (mais um elo de ligação entre ambos os filmes), parece deslocada do que até ali vimos.

Felizmente que a realização de Ron Clements e John Musker é, novamente e seguindo o exemplo do seu anterior trabalho em "Aladdin" (crítica aqui), extremamente dinâmica e visualmente arrebatadora. A dupla serve-se uma vez mais do complemento digital, agora para nos presentear com uma das melhores cenas animadas desta Disney Renaiscence: a épica luta de Hércules contra a Hydra. Verdadeiramente de cortar a respiração, uma cena de antologia e que permanecerá na história como uma das melhores da Disney.

Um destaque ainda para as dobragens, neste caso portuguesas, com os maiores elogios a serem entregues directamente ao actor Fernando Luís -um dos melhores nesta área, no nosso país- e ainda uma pequena curiosidade: com "Hércules", é a segunda vez que o actor José Raposo dobra um personagem anteriormente dobrado por Danny DeVito. A primeira foi em "Space Jam" (crítica aqui).

Com novos defeitos e novas qualidades, "Hércules" é, ainda assim, um marco na Disney Renaiscence e uma proposta animada irrecusável.

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Dia de Treino/Os Simpsons- O Filme



Antoine Fuqua faz o que lhe compete: deixar brilhar o elenco e fazer esquecer um argumento que, apesar de interessante, se sustenta demasiado pela lei do acaso.

Assim, o elenco faz o filme. Os sempre bem Ethan Hawke, Cliff Curtis e Scott Glenn não desiludem, mas é sobre Denzel Washington que recaem todas as atenções. Que brilhante interpretação. Assombrosa. Rouba o filme para si e carrega-o às costas, justificando a toda a hora o Óscar de Melhor Actor que conquistou.

"Dia de Treino" é Denzel Washington. E só isso chega.




Não sou um admirador d'Os Simpsons. Nunca fui e muito menos o seria agora, numa altura em que a série atravessa uma decadência sem precedentes.

O filme acaba por espelhar a série: a primeira parte é bastante interessante, com ou outro momento de pura genialidade. A segunda é aborrecida e sem piada.

Para o legado da série e para o tempo que esteve a "marinar", esperava-se claramente um pouco mais.
No entanto, reitero: puro entretenimento.


Mas fica a questão: e para quando um filme de American Dad!?

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Arma Mortífera



Enorme surpresa, eis não só um belo policial, mas sobretudo uma referência nos buddy-movies.

Embora com umas quantas...limitações, visíveis sobretudo em determinadas sequências que não envelheceram condignamente, "Arma Mortífera" é uma pérola disfarçada de filme de acção, com duas soberbas interpretações de Glover e principalmente de Mel Gibson.

Destaque para a requintada banda-sonora.


"I'm too old for this shit..."

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King Kong


Um projecto de amor. De amor ao Cinema, de amor à Arte, de um profundo, tocante e indisfarçável amor à história do gorila gigante e da linda mulher.Também esta, uma história de amor. E é este amor de Peter Jackson por esta história que, simultaneamente a meu ver, eleva e aniquila "King Kong".

Por um lado, a realização de Jackson é soberba pela forma apaixonante como se entrega à história, pela forma como pretende contá-la toda, de forma pausada, sem pressas e sem facilitismos, explicar a cada uma das pessoas que assiste a este "King Kong", o porquê desta adoração profunda. Nada é deixado para trás, por mostrar ou por sentir. Quer sejam os longos momentos de contemplação entre Ann e Kong, a relação paternal entre Mr. Hayes e Jimmy, ou o modo como Carl Denham descarta os seus "amigos" mediante a necessidade, caso de Jack Driscoll, por exemplo.

O problema de "King Kong" reside, igualmente, neste amor...infelizmente para os espectadores, quase sem limites, e que torna este um filme inevitavelmente manchado e seriamente prejudicado por uma duração que em muito estende a capacidade do seu argumento, bem como a paciência de quem vê o filme.
De um modo geral, "King Kong" é usualmente dividido em três partes: a viagem de barco até à ilha, a exploração da ilha, e as desventuras finais já em Nova Iorque. Compreensivelmente, o gosto pessoal de cada um ditará as respectivas preferências.

Quanto a mim, sou um grande fã da primeira hora do filme, acho que toda a viagem até à Skull Island é, numa palavra, apaixonante. A introdução a uma série de personagens deliciosas e fascinantes, tais como o já referido Jimmy, Mr. Hayes, Englehorn, Preston ou Lumpy. Bem como, evidentemente, do desenvolvimento do trio de protagonistas (e que protagonistas...). Esta primeira parte, a fazer lembrar "Titanic" (crítica aqui), é de facto a mais bem conseguida.
Já a segunda, reminiscente de "Parque Jurássico" (crítica aqui) é evidentemente mais "suculenta" a nível de sequências de acção bigger than life, mas peca precisamente pela sua "pequenez emocional", embora não fosse esse o objectivo de Jackson neste segmento do filme. Também a relação de Ann e Kong sofre de uma sobre exposiçao que a torna, a espaços, invariavelmente maçadora.
Por fim, a conclusão na selva de asfalto, a meu ver repleta de erros e más decisões que asseguram um final, mais do que sobejamente conhecido (previsível até), algo inglório.

"King Kong" cobre-se, como não poderia deixar de ser, de valores de produção ao mais alto nível, que vão desde a épica banda-sonora até ao irrepreensível elenco. E aqui, para além da óbvia referência à interpretação de Naomi Watts, que consegue a proeza de personificar uma "donzela em apuros" sem nunca perder a empatia do público, é fulcral a justa homenagem àquela que é a melhor interpretação da carreira de Jack Black. Sem dúvida, um protagonista completo, sério quando têm de o ser e evidentemente a exibir também o talento cómico pelo qual é tão famoso.
De resto, não há, igualmente, como ignorar prestações tão bem conseguidas como as de Andy Serkis, Thomas Kretschmann, Jamie Bell e, claro, de Adrien Brody.

"King Kong" está longe de ser grande filme, apesar de ser um filme grande. Ficam as intenções nobres de Peter Jackson, a execução técnica quase perfeita e o suspiro por apenas ter faltado um bocadinho "assim" a este superior entretenimento.


"It wasn't the airplanes. It was beauty killed the beast."

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Sem Tempo/ 50/50


"Sem Tempo" transpira realmente isso: falta de tempo para desenvolver uma premissa absolutamente sensacional. Falta consistência à trama, à medida que esta se adensa. É pena, mas julgo tratar-se aqui de pressão do estúdio, nada que uma Versão de Realizador não colmate.

Seja como for, entretenimento de superior qualidade, com um punhado de momentos para mais tarde recordar, e no qual Justin Timberlake (muito bem acompanhado por Amanda Seyfried) comprova que é mesmo um actor a sério.

Destaque para a banda-sonora.




Facilmente a melhor incursão do género. Mistura hábil e discreta, mas muito bem sucedida entre comédia e drama, eis sobretudo um filme de actores.

E se já Seth Rogen tem a melhor prestação da sua carreira, finalmente a ser capaz de conter a sua efusividade tantas vezes desagradável, é Joseph Gordon-Levitt quem rebenta com a escala e leva o filme às costas, numa interpretação absolutamente sensacional.
Resta saber onde ficou a nomeação para o Óscar de Melhor Actor...

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Jerry Maguire


Não havia a intenção de produzir um grande filme, e tal não aconteceu. O que não invalida que "Jerry Maguire" seja uma proposta extremamente interessante e apelativa, um feel-good movie que garante belíssimos e inteligentes momentos de entretenimento e muita, muita ternura.
Obviamente que o factor determinante para a qualidade da obra de Cameron Crowe, que realiza de forma mediana mas escreve magistralmente, é o elenco.

Não, não me refiro a Tom Cruise. Oferece-nos uma das melhores e mais descontraídas performances da sua carreira (apesar de confundir intensidade com histerismo), mas existe alguém que rouba todas as cenas em que entra.
Claramente também não me refiro a uma insossa Renée Zellweger, que pouco mais faz do que umas caretas.

Quem sobra? Sobra um fabuloso, hilariante e extremamente carismático Cuba Gooding Jr.. No seu primeiro grande papel, o afro-americano demonstra muita garra e talento óbvio. Resultado: Óscar de Melhor Actor Secundário, merecido, refira-se. Fica por explicar a decadência que a sua carreira vive agora.

Repito o que disse: "Jerry Maguire" não é um grande filme. Mas lá que é uma pequena maravilha, disso ninguém duvida.


"Show me the money!"

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O Que as Mulheres Querem/Mr. e Mrs. Smith


"O Que as Mulheres Querem" não foge às tendências da realizadora Nancy Meyers: premissa é interessante e original, e o elenco de secundários que inclui desde Marisa Tomei até Alan Alda, é muito bem encabeçado por Mel Gibson (numa das suas melhores e últimas interpretações em muito tempo).

Infelizmente, e honrando a tendência da restante obra da realizadora, à medida que se aproxima do final, "O Que as Mulheres Querem" vai perdendo as qualidades.

Ainda assim, evidente guilty pleasure e grande Mel Gibson.




Valeu, e de que maneira, a Doug Liman, a brilhante química entre Brad Pitt e Angelina Jolie.
Separados, são dois grandes actores. Juntos, são perfeitos e carregam "Mr. e Mrs. Smith" às costas, porque de resto, o filme é um desastre.

Chega a ser hilariante o quão limitado é o argumento: não há início, não há conclusão, não há coerência, não há personagens para além dos dois protagonistas... De rir, nesse aspecto...

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Matrix


"Matrix" foi um fenómeno.Independentemente de se gostar ou não da fita dos irmãos Wachowski,há que reconhecer este facto. No entanto, quando analisado ao pormenor, "Matrix" revela mais fragilidades do que à partida queríamos ver.

O seu argumento é tido como uma das suas maiores qualidades. A realidade alternativa e inovadora apresentada pelos irmãos Wachowski é polvilhada por uma série de questões filosoficamente não só interessantes mas estimulantes. No entanto, as soluções que nos são apresentadas (quando nos são apresentadas) são, contrariamente às das duas sequelas, demasiado simples e redutoras.

Ainda assim, o maior problema de "Matrix" reside no facto de não aproveitar convictamente o potencial do seu argumento, deixando de lado a vertente filosófica e substancialmente mais interessante, sensivelmente a meio do filme, para dar lugar aos shows de pirotecnia pelos quais é realmente famoso.

Por sua vez, estas sequências de acção, apesar de verdadeiramente revolucionárias a todos os níveis (e isso ninguém pode negar), deambulam por uma série de clichés e irrealismos que parecem invisíveis à maior parte das pessoas.
Os mais flagrantes serão a falta de ferimentos após os combates, ou a indiferença dos personangens perante os alvejamentos que sofreram (Neo é alvejado por duas vezes, na recta final do filme, no entanto ainda consegue combater Smith, fugir dos restantes agentes, etc). Aliás, toda a famosa sequência do hall é tão estonteante quanto irrealista.

Mas, e se é certo que "Matrix" favorece a sua fruição visual, não é menos certo de que esta é uma vertente isenta de qualquer falha. Os efeitos especiais, a fotografia ou a fantástica realização a servir-se de um slow-motion perfeitamente doseado são exemplos do quão imaculada é a vertente técnica de "Matrix". Uma palavra ainda para a banda-sonora.

Referência final para o elenco. Apesar de, infelizmente, o duo romântico Keanu Reeves e Carrie-Ann Moss deixar a desejar (sobretudo o primeiro), os excelentes Laurence Fishburne e Hugo Weaving compensam (sobretudo o segundo, a criar um dos maiores vilões da história do Cinema). Destaque ainda para a marcante presença de Joe Pantoliano.

"Matrix" é um filme com defeitos e virtudes, sobrevalorizado hoje em dia, mas verdadeiramente revolucionário.


"Don't think you are, know you are."

"I'd like to share a revelation that I've had during my time here. It came to me when I tried to classify your species and I realized that you're not actually mammals. Every mammal on this planet instinctively develops a natural equilibrium with the surrounding environment but you humans do not. You move to an area and you multiply and multiply until every natural resource is consumed and the only way you can survive is to spread to another area. There is another organism on this planet that follows the same pattern. Do you know what it is? A virus. Human beings are a disease, a cancer of this planet. You're a plague and we are the cure."

"I imagine that right now, you're feeling a bit like Alice. Tumbling down the rabbit hole?"

"-You're cuter than I thought. I can see why she likes you.
-Who?
- Not too bright, though."


"You hear that Mr. Anderson?... That is the sound of inevitability... It is the sound of your death..."

"-What are you trying to tell me? That I can dodge bullets?
-No, Neo. I'm trying to tell you that when you're ready, you won't have to."


"-So what do you need? Besides a miracle.
- Guns. Lots of guns.
- Neo... nobody has ever done this before.
-That's why it's going to work."


"I know kung fu."

"Ignorance is bliss."

"You take the blue pill - the story ends, you wake up in your bed and believe whatever you want to believe. You take the red pill - you stay in Wonderland and I show you how deep the rabbit-hole goes."

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Operação Swordfish


Visto agora com a devida distância temporal, "Operação Swordfish" não só proporciona uma elevadíssima dose de entretenimento e adrenalina, como também tem todas as componentes para mais um delicioso guilty pleasure.

É certo que o seu argumento revisita vários clichés, dando-se ainda ao luxo de ser mais complexo do que deveria. Tem buracos, personagens mal trabalhadas e unidimensionanis e é ainda polvilhado com um twist morno e previsível.

No entanto, "Operação Swordfish" sai claramente a ganhar nas sequências de acção delirantes, bem como no fantástico elenco, com John Travolta a encabeçá-lo e a fazer aquilo que faz melhor: vilões estilosos e de discurso eloquente.

Prova disso é aquela que ficará como uma das melhores introduções da (pelo menos) última década. Fabuloso trabalho de John Travolta, a ter direito a um monólogo maravilhoso e repleto de substância, devidamente acompanhado por uma explosão de fazer frente a muitas das de "Matrix" (crítica aqui).

A realização de Dominic Sena é elegante, realçando o estilo em tudo -desde as roupas, passando pelos acessórios e penteados (o de Travolta é... diferente) até à cintilante fotografia.
A banda-sonora também pontua.

E assim, "Operação Swordfish" é uma delícia e um genuíno guilty pleasure. Um dos maiores. E como tal...


"You know what the problem with Hollywood is? They make shit. Unbelievable, unremarkable shit."

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O Planeta dos Macacos


O problema reside na produção. Tim Burton, realizador por quem nutro uma especial antipatia, bem tenta tornar "O Planeta dos Macacos" num épico à medida de, segundo dizem, "O Homem que veio do Futuro".

Mas os valores de produção deixam demais, demais a desejar: fotografia, guarda-roupa, efeitos especiais ou figurantes. Não deixam o filme ir mais longe. O que é uma pena.

A excepção é a caracterização. Fantástico trabalho, tão bom que chega a "engolir" alguns dos actores, como é o caso de Helena Bonham Carter.

Não obstante estes defeitos, acabei por gostar bastante deste "O Planeta dos Macacos", que tudo deve à estrondosa interpretação de Tim Roth. Brilhante trabalho do actor, a compor uma vilão inesquecível enquanto obtém uma das melhores interpretações da sua carreira. Igualmente brilhante é o trabalho de caracterização, que torna o personagem realmente intimidador.

O restante elenco é regular. Mark Wahlberg não tem estofo para protagonista e Estella Warren é só uma cara bonita. Os secundários Michael Clarke Duncan e Paul Giamatti, por seu lado, estão bastante bem.

Quanto à história em si, é interessante, embora se acabe por perder (confundir?) com intrigas políticas e muita disfunção espacio-temporal.

O final agradou-me. Dá uma sensação de desconforto e impotência deliciosa.

Acabo por encontrar mais defeitos do que qualidades neste "O Planeta dos Macacos", e concluo que... não consigo justificar a minha classificação...


"Everything in the human culture takes place below the waist."

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Harry Potter e a Pedra Filosofal/Harry Potter e a Câmara dos Segredos


Um começo brilhante, embora com algumas limitações ao nível do desenrolar da acção e da sua inerente (e, refira-se, inevitável) infantilidade, este primeiro filme é um autêntico tesouro.

Fotografia e cenografia deslumbrante, uma banda-sonora de John Williams absolutamente inesquecível e, claro, um elenco de excepção.

Para além de uma série de secundários de luxo (Richard Harris, Maggie Sm
ith, John Hurt, Robbie Coltrane, John Cleese e, claro, o soberbo Severus Snape de Alan Rickman), temos três achados no que à representação diz respeito. Três belíssimas, belíssimas interpretações que encabeçam esta excelente proposta de entretenimento infanto-juvenil.




Em nada descurando o seu predecessor, "A Câmara dos Segredos"
é sem dúvida, a meu ver, o mais intenso filme de toda a saga. Apesar dos seus efeitos especiais serem mais limitados, quando comparados com os filmes mais recentes, apesar do seu cariz infantil ainda presente... sequências como as palavras do Basilísco a ecoarem pelas paredes do castelo, a conversa de Harry com o diário de Tom Riddle ou a aparição de Aragog confirmam esta minha teoria.

A causa? O argumento, evidentemente. Bem mais limado, completo e aperfeiçoado, mas infelizmente confinado a um contexto com o qual pouco ou nada combina...mas que em muito melhora.


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Colateral


Michael Mann é um dos melhores realizadores da actualidade. Isto é ponto assente. O homem que faz da noite, dia. Perfeccionista por natureza e explorador compulsivo das suas personagens (o estudo feito a Vincent, e que é analisado no Making Of de "Colateral" é exemplo disso mesmo), Michael Mann nunca descura nenhum aspecto nos seus filmes.
É um verdadeiro realizador. E um grande realizador.

E "Colateral" é o seu segundo melhor filme, um filme que chega a emanar magia apesar do seu contexto e da aparente simplicidade da história. Mann filma de forma fantástica, encontrando pura beleza em locais tão (também) aparentemente insípidos como uma simples esquina de uma rua de Los Angeles ou um Taxi perfeitamente banal.
Filmado em alta definição, "Colateral" é visualmente estonteante e repleto de grandes momentos de Cinema, não só pela qualidade da imagem mas também pelo perfeccionismo e realismo das cenas. Mérito? De Mann evidentemente.

Mas não só. O subtil argumento de Stuart Beattie é repleto de diálogos profundos e existencialistas, ajudando a dinamizar o filme a torná-lo em algo mais, muito mais do que um mero filme de acção.
A banda-sonora está ao rubro, não descurando o registo visto noutras obras do realizador, e a fotografia destaca-se igualmente, não fugindo também ela ao padrão visto nos anteriores filmes de Michael Mann.

O maior trunfo de "Colateral" é, ainda assim, Tom Cruise. Mesmo com a sua altura e voz que, como bem sabemos, não intimidam muito, o actor compõe um vilão totalmente marcante e obtém mais uma grande interpretação.
Jamie Foxx é muito elogiado pela sua prestação, mas a meu ver não existem motivos para tal. Uma interpretação mediana. O mesmo não poderá ser dito da curta mas inesquecível presença de Javier Bardem, aqui ainda "pós-Anton Chigurh".

"Colateral" só é desfavorecido por se deixar apanhar numa rede de clichés e cenas tipicamente "à filme", que não só contrariam a natureza do filme mas também a do seu realizador. E são obviamente uma decepção.

Ainda assim e evidentemente, "Colateral" trata-se de um excelente filme e um dos melhores de Michael Mann.


"-You just met him once and you killed him like that?
-What? I should only kill people after I get to know them?"

"Yo, homie. Is that my briefcase?"


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Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban


O mexicano Alfonso Cuáron revolucionou de forma muito original e eficaz o universo cinematográfico de Harry Potter, conferindo-lhe mais seriedade e realismo, atribuindo-lhe de forma pioneira a badalada "faceta adulta" e fazendo de "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkabam", de longe, o melhor capítulo de toda a saga.

Inovação, estilo e contenção são as palavras que melhor descrevem a realização de Cuarón. Já não se tratam de crianças, mas de jovens adultos, com problemas a sério, num mundo negro (grande fotografia), realista e credível.

Também o argumento é um primor. Não se precipita, não apresenta cenas e personagens à pressão e é ainda abençoado com um excelente twist. Pena virar uma autêntica manta de retalhos, na recta final do filme, e o ridicularizar da promissora rivalidade entre Harry e Draco Malfoy, que tanto prometia em "A Câmara dos Segredos" (crítica aqui)

O elenco secundário está, como sempre, em primeiro plano, tal é a sua qualidade. Para além do sempre bem Alan Rickman e do muito competente David Thewlis, temos ainda um Gary Oldman absolutamente inesquecível, e com um tratamento visual brilhante.
De referir ainda os jovens Rupert Grint e Emma Watson, a adição de Michael Gambon (que deixa a desejar) em substituição do falecido Richard Harris, e, por fim, a fraquíssima interpretação de Daniel Radcliffe, que inicia aqui a sua curva descendente que o afastou da qualidade interpretativa obtida em "A Pedra Filosofal" (crítica aqui).

Enfim, eis, de longe, o melhor capítulo de toda a saga.


"Well, well, Lupin. Out for a little walk... in the moonlight, are we?"

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Alguém Tem Que Ceder


"Alguém Tem Que Ceder" foi agraciado com uma nomeação para os Oscars, bem como três para os Globos de Ouro (das quais venceu o Globo para Melhor Actriz Comédia/Musical-Diane Keaton). Prémios estes que, embora não espelhem a qualidade do filme, são mais do que merecidos.

Conhecendo agora um pouco melhor a realizadora e argumentista Nancy Meyers, posso, com toda a certeza, afirmar que o seu maior problema é... não suportar o seu próprio talento. Sendo capaz de obter premissas interessantes, desenvolvê-las de forma coerente (apesar de criar histórias e personagens secundárias que, em tudo, são ignoradas), e filmá-las com um profissionalismo memorável, a Nancy Meyers falta sempre a capacidade de atribuir uma conclusão minimamente capaz às suas obras.

"Alguém Tem Que Ceder" não foge, infelizmente, a esta regra. Meyers não consegue terminar a sua (excelente) história, e vai arrastando e arrastando a acção, apenas adiando o inadiável: um final frouxo e que, embora previsível, continua a ser decepcionante.
O que é uma pena, porque "Alguém Tem Que Ceder" tinha potencial para ser um marco do seu género.

Assim, apenas ficam na memória as excelentes interpretações de Jack Nicholson e Diane Keaton, bem como (o milagre!) uma interpretação bastante razoável de Keanu Reeves. Já Amanda Peet e Frances McDormand visam apenas a atracção de mais público, visto que raramente aparecem em cena.

Com "Alguém Tem Que Ceder", Nancy Meyers assina o seu filme mais extremista, possuidor do melhor e do pior.


"-Your pants, please.
-Ladies, first."

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O Resgate do Soldado Ryan


Apesar de tudo, é óbvio e inegável: "O Resgate do Soldado Ryan" está longe de ser o melhor filme da carreira de Steven Spielberg. Embora uma belíssima incursão no género, o seu primor técnico não é o suficiente para disfarçar o limitadíssimo argumento.

"O Resgate do Solado Ryan" é de um desenrolar gradual, a espaços aborrecido, e levanta bem menos questões do que aquelas que poderia, parecia, e deveria levantar. A sua premissa é simples, é certo, mas o seu desenvolvimento fica bem aquém do esperado. O desenvolvimento das personagens é também algo limitado, e com demasiados fios soltos no final. Ainda assim, um destaque para o sniper Reiben e o médico Wade.

De resto, e tecnicamente falando, "O Resgate do Soldado Ryan" é, numa só palavra, estonteante. Absolutamente estotenteante. A realização do mestre Spielberg é de um profissionalismo e de uma dedicação sobre-humanas. A sua câmara em cima do ombro confere um realismo asfixiante à obra, e instala-se na mente do espectador, não mais de lá querendo sair. Quem se poderá esquecer do desembarque na praia de Omaha, no dia D, que "inicia as hostilidades"?

A fotografia de Janusz Kaminski dinamiza, a banda-sonora de John Williams aquece e o elenco não descura. Secundários de grande talento, como Barry Pepper, Giovanni Ribisi e Jeremy Davies entregam-se de corpo e alma. A encabeça-los está um Tom Hanks...suportável.

Nada menos do que um trabalho de excelência de Steven Spielberg que, naquilo que lhe compete, não falha em momento algum. Pena o resto...


"We're not here to do the decent thing, we're here to follow fucking orders!"

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O Mundo Perdido:Parque Jurássico


Era inevitável, depois do mega-sucesso de "Parque Jurássico", que uma sequela não fosse feita para tentar fazer render o franchise. O que joga a favor deste filme(e que não o faz, por exemplo, no terceiro) é que é Steven Spielberg quem está ao volante, garantindo o entretenimento, a qualidade e(ainda)a originalidade.

O argumento é interessante e coeso, apesar da narrativa assumir por vezes um ritmo lento e, tal como no filme anterior, a perder-se na segunda metade.
A realização é muito competente como sempre, com destaque para alguns planos especialmente bem conseguidos(nomeadamente os da sombra do T-Rex) e a banda-sonora é, provavelmente, o único aspecto de "O Mundo Perdido:Parque Jurássico" que supera o seu antecessor.

No elenco, Vince Vaughn surpreende, Juliane Moore confirma, mas é Jeff Goldblum quem rouba(outra vez!) todas as cenas. Pete Postlethwaite está também muito bem.

"O Mundo Perdido:Parque Jurássico"
é entretenimento ao mais alto nível e não deixa ficar mal o seu predecessor.


" Oh, yeah. Oooh, ahhh, that's how it always starts. Then later there's running and screaming."

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Indomável


Com um elenco fabuloso, sobretudo a parelha Bridges/Steinfeld, e uma fotografia ao mesmo nível, "Indomável" tenta dar um passo maior do que a perna quando instaura a habitual reviravolta (típica dos Coen) e falha.

A trama perde objectividade, o filme é abruptamente e aparentemente "apressado" e o espectador acaba por ficar boquiaberto também com a constatação do reduzido tempo de antena de um interessante Josh Brolin.

Sem dúvida, um exercício artístico de elevada qualidade, com duas soberbas interpretações, mas um filme bastante vazio e algo (mais do que o costume) estranho a nível de argumento e história.

"You go for a man hard enough and fast enough, he don't have time to think about how many's with him; he thinks about himself, and how he might get clear of that wrath that's about to set down on him."


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Braveheart- O Desafio do Guerreiro


O que verdadeiramente importa realçar é a dedicação e o interesse de Mel Gibson neste projecto, claramente pessoal, claramente seu.

Quer à frente das câmaras (uma das melhores interpretações do actor), quer atrás dela (justíssimo Óscar para Melhor Realizador), o empenho e a paixão estão lá.
A produção (fotografia e banda-sonora) é arrojada, o elenco é muito competente.

Já o argumento é bem mais limitado e básico do que à partida parece, quer ao nível do desenvolvimento, com a história a ganhar contornos previsíveis, quer no que toca às personagens, algumas delas autênticos clichés

Nada que arruíne este épico.


"Every man dies. Not every man really lives."

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