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Sahara/007- Morre Noutro Dia


Não fosse o sidekick Steve Zahn, e "Sahara" seria uma fita bem (mais) fraca.

Não se conseguindo insurgir no género cómico nem muito menos no aventureiro, "Sahara" é aquele filme que entretém mas nem de perto deslumbra.

Um grão de areia no deserto...






Não deixa de ser curioso como "Casino Royale" prima pelo realismo e qualidade, enquanto que "007-Morre Noutro Dia" carece de forma tão extrema de ambos.

Efeitos especiais rascas, irrealismo ao máximo, argumento repleto de incoerências e clichés, e vilões estereotipados


Pierce Brosnan espalha estilo e a confirmação de que está demasiado envelhecido para o papel.

Mas, "007- Morre Noutro Dia" é um incrível guilty pleasure, repleto de one-liners fantásticas e momentos cinematograficamente deliciosos. Mesmo os mal conseguidos.

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Harry Potter e a Pedra Filosofal/Harry Potter e a Câmara dos Segredos


Um começo brilhante, embora com algumas limitações ao nível do desenrolar da acção e da sua inerente (e, refira-se, inevitável) infantilidade, este primeiro filme é um autêntico tesouro.

Fotografia e cenografia deslumbrante, uma banda-sonora de John Williams absolutamente inesquecível e, claro, um elenco de excepção.

Para além de uma série de secundários de luxo (Richard Harris, Maggie Sm
ith, John Hurt, Robbie Coltrane, John Cleese e, claro, o soberbo Severus Snape de Alan Rickman), temos três achados no que à representação diz respeito. Três belíssimas, belíssimas interpretações que encabeçam esta excelente proposta de entretenimento infanto-juvenil.




Em nada descurando o seu predecessor, "A Câmara dos Segredos"
é sem dúvida, a meu ver, o mais intenso filme de toda a saga. Apesar dos seus efeitos especiais serem mais limitados, quando comparados com os filmes mais recentes, apesar do seu cariz infantil ainda presente... sequências como as palavras do Basilísco a ecoarem pelas paredes do castelo, a conversa de Harry com o diário de Tom Riddle ou a aparição de Aragog confirmam esta minha teoria.

A causa? O argumento, evidentemente. Bem mais limado, completo e aperfeiçoado, mas infelizmente confinado a um contexto com o qual pouco ou nada combina...mas que em muito melhora.


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As Confissões de Schmidt



Alexander Payne filma "As Confissões de Schimdt" com uma segurança e um talento notáveis. Sem ambição de inovar e cair no descrédito, presenteia o espectador com alguns planos magníficos e interessantissimos, construindo, aos poucos e poucos, a rampa de lançamento pela qual é lançado Jack Nicholson, que nos oferece uma das melhores actuações da sua carreira, numa espécie de spin-off do Melvin Udall de "Melhor É Impossível" (crítica aqui), justamente premiada com uma nomeação para o Óscar de Melhor Actor, bem como o Globo de Ouro para Melhor Actor Drama.

Fossemos a juntar o trabalho destes dois homens, e estávamos perante um grande filme, certamente. Infelizmente, o argumento de "As Confissões de Schimdt", também a cargo de Payne, é um poço de indecisões e buracos. Ora um filme sério, ora uns picos cómicos, ora uns toquezitos de road-movie e muitas, muitas personagens e cenas desnecessárias.

O caso mais concreto desta debilidade argumentativa prende-se com o decepcionante final, que deita a perder, não só uma história interessante, mas também a possibilidade de a concluir de forma minimamente... conclusiva. É que um final, não é sinónimo de uma conclusão, e "As Confissões de Schimdt" não tem uma conclusão.

Solidária com o espectador, está Kathy Bates, cujo promissor papel e substancial talento, são totalmente desperdiçados em aparições, sem dúvida marcantes (quem se esquecerá da visão de uma Bates totalmente nua?...), mas rápidas, intermitentes e...perturbadores.
O resultado é uma interpretação que totaliza uns meros 20 minutos e cuja premiação com a nomeação para o Óscar e Globo de Ouro de Melhor Actriz (muito, demais) Secundária, fica por explicar.

E é uma pena, porque este "As Confissões de Schimdt" tinha muito potencial. Fica-se pelo entretenimento mediano e uma grande interpretação.
Finalmente, uma nota especial para o excelente poster do filme. Nunca nenhum poster consegui ser tão dramático e tão cómico, ao mesmo tempo.


"Life is short, and I can't afford to waste another minute."

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Apanha-me se Puderes


É um problema que Steven Spielberg está constantemente a enfrentar: é responsável por filmes tão bons, que quando tenta optar pela discrição é de imediato acusado de ter perdido os seus talentos. "A Guerra dos Mundos" (crítica aqui), por exemplo, é um bom filme que sofreu com este problema.

"Apanha-me se Puderes" é de facto um filme menor na carreira de Steven Spielberg. Foi uma espécie de brincadeira, um feel-good movie sobre um vigarista, com toques cómicos e dramáticos. Não é um mau filme de todo, apenas por comparação.

A história em si é interessante mas não apaioxanante. O argumento tem trechos em que cativa mais e outros em que cativa menos, debruçando-se de forma delicada mas desequilibrada sobre os momentos e figuras da vida de Frank Abagnale (é dado muito mais espaço ao se pai do que à mãe).

Leonardo DiCaprio não tem de se esforçar muito para fazer de rapazinho-um rapazinho vigarista mas um rapazinho- e Christopher Walken está bastante bem numa cena específica (a do almoço com Frank), mas no cômputo geral não justifica a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário. Quem mais me surpreendeu foi Tom Hanks, com uma performance a roçar a comicidade e claramente mais desafiadora para o actor, de quem não gosto particularmente.

John Williams parecia ter voltado aos seus velhos tempos, mas apenas o tema principal do filme fica no ouvido.
Filme este que, apesar de não ser nada mau, deixa muito a desejar para a equipa técnica que possui.


"-Well, would you like to hear me tell a joke?
-Yeah, we'd love to hear a joke from you.
-Knock knock.
-Who's there?
-Go fuck yourselfes!"

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O Senhor dos Anéis: As Duas Torres


Não é fácil suceder a uma obra-prima. Muitos falharam e, para Peter Jackson, "As Duas Torres" implicava provar que "O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel" (crítica aqui) não tinha sido apenas um golpe de sorte, um espasmo de genialidade temporário.
Aqui, a tarefa é semi-alcançada. Não que atrás das câmaras Jackson tenha perdido o seu brio, antes pelo contrário, a realização é fantástica (destaque-se, por exemplo, a filmagem irrequieta que acompanha a dupla personalidade de Gollum/Sméagol) e fica por perceber a não nomeação para o Óscar da respectiva categoria.

É a nível argumentativo que se torna visível o fosso existente entre este capítulo e o anterior. Toda a trama acaba por caminhar, quase inevitavelmente, para um beco cuja única saída disponível são as (nem) sempre excitantes e (por vezes) maçadoras batalhas ditas "épicas", aqueles festins de CGI que constituem a quase totalidade de "O Regresso do Rei" (crítica aqui) e que estão presentes em menor quantidade e maior qualidade em "A Irmandade do Anel".

Existem, é certo, momentos narrativamente recompensadores (o aparecimento de Gollum, o reaparecimento de Gandalf), mas a sensação final acaba por ser a de que "As Duas Torres" é o tomo mais inconclusivo e até mesmo mais inútil (que não se entenda este adjectivo num sentido (muito) pejorativo, já que "As Duas Torres" não é, de todo, um mau filme) na trilogia.

E existem também falhas, falhas graves. Ian McKellen é renegado para segundo (ou décimo...) plano, perdendo muito protagonismo e levando consigo um dos principais focos de interesse do filme. Fica por perceber porque motivo todas as linhas narrativas foram sendo acompanhadas, excepto a de Gandalf.
Já os trechos protagonizados por Liv Tyler e Hugo Weaving são uma sucessão de bocejos sem fim à vista e que visam apenas enrolar o filme, gastando (perdendo?) demasiado tempo.
Por fim, temos o eterno triste que é Elijah Wood, aqui ainda mais irritante.

É claro que, em grandes produções deste género, a vertente técnica teima em manter-se excelsa. Guarda-roupa, banda-sonora (Howard "Deus" Shore), efeitos especiais, sonoplastia e elenco triunfam claramente.

É, no entanto, na mistura entre o factor técnico e o factor humano que se encontra o maior triunfo de "As Duas Torres".
Andy Serkis saltou para o estrelato com a magnífica personificação de um dos maiores personagens animados de sempre. Uma interpretação magnífica, símbolo máximo de uma dedicação louvável, e que merecia, pelo menos, a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário.

Dos três, "As Duas Torres" ocupa o lugar que lhe corresponde: o segundo, quer a nível cronológico, quer a nível qualitativo.


"I think we might have made a mistake leaving the Shire, Pippin. "

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Azul Escuro/Piranha 3D


Brilhante policial, grande filme. É a transcendente banda-sonora e o magnífico elenco (Kurt Russell a gritar pela atenção que não lhe é, imerecidamente, atribuída) que nos fazem esquecer suavemente a realização pouco atenta de Ron Shelton.

O argumento é mais simples do que parece, mas a maneira como se apresenta, crua e tocante, marca pontos.

Grande policial.





A minha teoria é que o facto de ter visto este filme sozinho possa ter sido a causa de uma grande contradição: "Piranha 3D" tinha tudo para me agradar. Tudo para ser mais uma adição de peso à lista dos guilty pleasures....

"Piranha 3D" é um dos filmes mais odiosos que já vi. Elenco ou argumento não são dados adquiridos neste tipo de produções, quanto à violência e "outros aspectos"... são anexados a um exagero completa e absurdamente doentio. Demasiado doentio para ter piada ou entreter.

Péssimo na verdadeira acepção da palavra.

Quem sabe numa próxima visualização?...

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Aposta de Risco/Outra Questão de Nervos


Fraquíssimo.

História banal, realização totalmente amadora e inconsequente e... um argumento de nos deixar sem palavras. Mas que diálogos são estes? Que personagens são estes?
Um filme tão limitado e mesmo assim tão arrastado.

E o elenco, que horror.
Al Pacino tem das piores interpretações da sua carreira, o seu personagem é uma caricatura pateta que apenas nos momentos pseudo-cómicos se sai menos mal.
Rene Russo nunca foi actriz e Matthew McConaughey... que desastre! Parece saído dos meus piores pesadelos, que péssima interpretação. Assim de repente, esta é a pior interpretação que já vi num filme. Desastrosa, catastrófica.





Longe do primeiro, é um filme agradável com um ou dois (literalmente) momentos de ir às lágrimas.
Mérito de Billy Cristal.

Robert De Niro arrasta-se, umas vezes melhor outras pior.
Entretém.

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Assassinos/Blade II


Belo entretenimento, típico dos anos noventa, para ver de cérebro bem desligado.

Stallone a fazer de si próprio (o que não é mau) e Banderas num delicioso overacting.

Enfim, um guilty pleasure.





Na sequela (demasiado) directa daquele que será o maior dos meus guilty pleasures, o que falta realmente a este "Blade II" é argumento e realização.

O argumento é fraco, muito fraco. Torna o filme aborrecido e tenta quebrar esta tendência, inserindo uma série de twists e reviravoltas no mínimo... questionáveis. A repescagem do personagem Whistler, por exemplo, é ridícula.

Já a realização de Del Toro falha mesmo na essência terrorífica e incomodativa, ou até mesmo no suspense, que tão bem caracterizavam o original "Blade".
Este "Blade II" é mais leviano, mais comercial, mais indistinto. Perde aquela aura... adulta e é de facto uma pena. Passamos de um filme de terror e suspense para um filme de acção. E nem o gore ou os (fracos) efeitos especiais servem para atenuar este efeito.

Vale-nos o sempre bem (sobretudo enquanto Blade, aquele que para mim é o papel da sua vida) Wesley Snipes e outros dois colaboradores habituais do realizador: Luke Goss e Ron Perlman.
O segundo é portador de uma coolness capaz de rivalizar com a de Snipes, e por falar em rivalidades, a de Blade e Reinhardt é deliciosa e infelizmente subaproveitada.

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Star Wars: Episódio II- O Ataque dos Clones/Arena


Não digo que não entretenha, mas aconselho a sua visualização com o cérebro desligado, já que George Lucas insiste em tentar passar atestados de estupidez ao público.

Os alicerces da trama são tão frágeis que chega a ser ridícula, a forma como os acontecimentos são regidos e se precipitam pela simples lei da coincidência.
Nem me dignarei a dar exemplos. Estão lá e são óbvios.

Determinadas cenas estão tão entupidas em efeitos especiais, que parecem tratar-se de excertos de um videojogo.

Estava lá Christopher Lee. Menos mal.






Honestamente, esperava mais.

Fotografia cuidada, realização dinâmica. Elenco medíocre.

Argumento? Para esquecer.

Vale... nem sei bem... vale o que vale... que certamente não será uma Palma d'Ouro.

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Cabine Telefónica


"Nao é curioso? Quando o telefone toca, pode ser qualquer pessoa. Mas um telefone a tocar, tem mesmo de ser atendido não tem?"
É a partir deste mote que parte "Cabine Telefónica" este original e... "libertador" filme, que com o seu elevado e bem sucedido teor claustrófobico, consegue agarrar o espectador do início ao fim.

A realização de Joel Schumacer é estilosa e dinâmica, mostrando a visão para deixar a desejar na concretização.
O argumento, tem a difícil tarefa de conseguir preencher com interesse um espaço tão pequeno como uma cabine telefónica. E consegue-o, com mais ou menos eficácia (vai perdendo força para culminar num final interessante, mas precipitado).

Colin Farrel tinha aqui a possibilidade de obter uma grande interpretação, mas o seu registo não chega nem perto do de "Em Bruges" (crítica aqui). É uma pena. Não que seja uma má interpretação, mas poderia ter sido muito maior.
Kiefer Sutherland,por sua vez, consegue ser infinitamente mais intenso, sem sequer precisar de mostrar a face.


"Isn't it funny? You hear a phone ring, and it could be anybody. But a ringing phone has to be ansered, doesnt´t it? Doesn't it?"

[Análise re-editada a 14/08/10]

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Câmara Indiscreta


Não há nada mais perigoso do que uma cara conhecida.

Um pequeno grande filme.
Uma tour-de-force de Robin Williams.

Seja na magnífica fotografia de Jeff Cronenweth, seja na seguríssima realização de Mark Romanek, que, com substancial mestria, consegue tornar até o mais banal dos locais -neste caso um simples supermercado- no local ideal para alguns inesquecíveis momentos (sendo o mais bem conseguido o pesadelo de Sy, muito pessimista e, ao mesmo tempo metafórico e directo), seja no argumento discreto e feito à medida de um one-man show.
A qualidade, é visível por todo o lado, em "Câmara Indiscreta".

E o seu expoente máximo é aquela que perdurará como uma das melhores interpretações da carreira de Robin Williams. Um papel muito difícil, um personagem emocionalmente instável, algo bipolar, que muda de registos com muita facilidade e rapidez, mas também extremamente tocante e dramático.
Enfim, um papel muito pouco acessível que Robin Williams agarra com todo o seu portentoso talento, provando que é mais, tão mais, do que um simples comediante genial.

"Câmara Indiscreta" é um filme discreto, pessoal, intimista e voyeurista. Pecando apenas por deixar a sensação de que poderia ter ido ainda mais longe, sobretudo a nível argumentativo, não deixa de ser muito subvalorizado e certamente merecedor um maior reconhecimento . Quanto mais não seja, pela grande, grande interpretação do grande Robin Williams.


"And if these pictures have anything important to say to future generations, it's this: I was here. I existed. I was young, I was happy, and someone cared enough about me in this world to take my picture."

"All I did was take pictures..."

"Most people don't take snapshots of the little things. The used Band-Aid, the guy at the gas station, the wasp on the Jell-O. But these are the things that make up the true picture of our lives. People don't take pictures of these things."

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Showtime/O Exterminador Implacável 3: A Ascenção das Máquinas


Tenho uma tendência inexplicável para gostar deste género de filmes, fracos e que nada acrescentam ao Cinema, mas descontraídos. "Showtime" é uma forma reciclada do policial tosco, agora com o meu actor de eleição a juntar-se a um dos melhores comediantes dos anos 90.
É um filme fraco e ninguém o nega. Mas, tal como a maior parte, tem os seus momentos.




A falta de alma é notória por todo o lado. Falta de alma, falta de talento, falta de competência. Quando não está a copiar descaradamente o teu antecessor (crítica aqui), Jonathan Mostow apenas se preocupa com cenas de acção escusadas e algo idiotas, com efeitos especiais (ao contrário dos outros dois filmes) atrasados em relação à época.
Schwarzenegger tem pouco protagonismo e, quando aparece, ou está a destruir coisas ou com a própria face destruída. Kristanna Loken tem uma "intepretação" verdadeiramente horrível.
Vale pelo final poético, a abrir as portas para um quarto capítulo (crítica aqui) quase tão fraco como este.


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Gangs de Nova Iorque

Esta análise contém SPOILERS.

Já anteriormente proferi que "Gangs de Nova Iorque" tem para mim um fortíssimo simbolismo. É, assumidamente e até ao presente, a única obra de toda a filmografia de Martin Scorsese que verdadeiramente me agradou. Agradou e muito, aliás a minha adoração por "Gangs de Nova Iorque" até serve como forma de compensar a falta de apreço que sinto por filmes como "The Departed:Entre Inimigos" (crítica aqui).

A falta de rumo de Martin Scorsese é apontada como sendo uma das principais debilidades deste "Gangs de Nova Iorque". Já eu, não só não lhe reconheço qualquer desiquilíbrio em termos narrativos, como creio que tudo é perfeitamente doseado e Scorsese tem tempo para tudo. Cria as bases da trama e apresenta-nos algumas das personagens mais marcantes de Five Points. Tudo está bem, tudo funciona na perfeição. Scorsese introduz-nos àquele mundo violento que pretende retratar, e fá-lo com leviandade e algum humor (só pequeníssimos apontamentos, não se trata, de todo, de uma comédia).

Mas é quando Martin Scorsese dá azo ao seu grande talento (e é aqui e só aqui que, a meu ver, Scorsese o mostra) que o cinéfilo se maravilha por completo. A sua realização é épica, majestosa e cuidada. Presenteia o espectador com maravilhosos pedaços do mais puro Cinema, já tipicamente seus, como as longas cenas (quem não se lembra do regresso de Amsterdam, após a sua tentativa de assassinar Bill "The Butcher", em que DiCaprio é filmado por trás enquanto caminha até ao centro de Five Points) ou as pequenas referências (a caixa de música, o olho de Day-Lewis). Um trabalho soberbo, que valeu a Martin Scorsese o Globo de Ouro para Melhor Realizador bem como a nomeação para o Óscar na mesma categoria.

Infelizmente, Scorsese continua a não ser capaz de transcender o seu principal obstáculo: as
cenas de violência. Se é certo que o fez muito bem, curiosamente, em "The Departed:Entre Inimigos", em "Gangs de Nova Iorque" fica-se pela mediania.O confronto inicial, por exemplo, embora acompanhado por uma tema musical tão alternativo quanto apelativo, deixa um pouco a desejar. Uma falha já por mim notada em outras obras, como "Taxi Driver", e que Scorsese dificilmente colmatará.

A produção mantém-se num patamar qualitativo semelhante, onde factores como o fantástico guarda-roupa, a indescritível fotografia (por vezes doseada-na perfeição-com algum CGI) ou a sensacional banda-sonora a cargo de Howard Shore (vénia encarpada a um dos maiores compositores do cinema actual). E não, não me esqueci da magnífica canção "The Hands That Built America", da autoria de uma das minhas bandas de eleição, e que podem ouvir na playlist disponível na barra lateral.

Mas é claro que os maiores elogios vão para o brilhante argumento, portador de uma das mais intensas e originais histórias que já vi. Recria-se em cada diálogo, sustenta-se em cada acção e, definitivamente, marca com qualquer personagem. Um escrito fenomenal.

E é sempre preciso o toque final, o toque de génio: o elenco. Para peça central da sua história, Scorsese recrutou Leonardo DiCaprio que, finalmente, se afirma como um verdadeiro actor. E em tudo o deve a Martin Scorsese. Ou melhor, quase tudo. O elenco secundário, que conta com nomes como o oscarizado Jim Broadbent, o desaparecido Henry Thomas, o irreconhecível John C. Reilly, o subvalorizado Brendan Gleeson ou o malogrado Liam Neeson, ajuda.
Apenas Cameron Diaz deixa ficar mal os seus colegas, com uma performance tão fraca, oca e superficial, que prova que só serve mesmo para comédias românticas.

Com um elenco de tal calibre, apenas um grande actor com uma prestação bigger than live, o poderia ofuscar. E é precisamente o que faz Daniel Day-Lewis que tem, provavelmente, a melhor interpretação que já tive o prazer de ver. Tão grande que não me atrevo a tecer elogios, sob pena de ser demasiado redutor.
Não vi o trabalho de Adrien Brody em "O Pianista", pelo que não posso afirmar se a sua vitória foi, ou não, injusta. Mas posso, com toda a certeza, afirmar que Daniel Day-Lewis bate Jack Nicholson (também nomeado para o Óscar de Melhor Actor no presente ano, por "As Confissões de Schmidt"(crítica aqui)), que tem uma excelente interpretação, aos pontos.

Nunca compreenderei porque razão "Gangs de Nova Iorque" não teve o reconhecimento que merecia.
Mas, afinal de contas, é disso que se trata: a nossa compreensão do Cinema.
Quanto a mim, compreendo perfeitamente: "Gangs de Nova Iorque" é uma obra-prima e o melhor filme de Martin Scorsese.


"I know your works. You are neither cold nor hot. So because you are lukewarm, I will spew you out of my mouth. You can build your filthy world without me. I took the father. Now I'll take the son. You tell young Vallon I'm gonna paint Paradise Square with his blood. Two coats. I'll festoon my bedchamber with his guts. As for you, Mr. Tammany-fucking-Hall, you come down to the Points again, and you'll be dispatched by my own hand. Get back to your celebration and let me eat in peace."

" Each of the Five Points is a finger. When I close my hand it becomes a fist. And, if I wish, I can turn it against you."

"When you kill a king, you don't stab him in the dark. You kill him where the entire court can watch him die"

"-Is there anyone in the Five Points you haven't fucked?
-Yes! You!"

"I've got forty-four notches on my club. Do you know what they're for? They're to remind me what I owe God when I die."

"And no matter what they did to build this city up again, for the rest of time, it will be like no-one even knew we was ever here."



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Herói (Parte II)


No entanto, é sem dúvida uma tarefa bem mais complexa a de enumerar todos os aspectos que me agradaram nesta fabulosa produção chinesa.

Antes de mais, "Herói" é portador de um argumento verdadeiramente transcencente que, utilizando a cultura oriental que lhe cai na perfeição, constituí um dos mais profundos hinos ao amor que já tive o prazer de visualizar em cinema. O romance não correspondido entre Espada Partida (Tony Leung) e Neve Voadora (Maggie Cheung) é de uma lealdade quase divina e apenas superada pelo profundo amor que Sem Nome (Jet Li) nutre pelo seu povo. Uma história de proporções épicas e magistralmente concebida.

A igualá-la estão valores de produção largamente acima da média, uma autêntica melodia visual merecedora dos maiores elogios.
Antes de mais, um dos melhores trabalhos de cinematografia que já vi. Paisagens captadas em toda a sua essência parecem pouco quando comparadas com a sabedoria e a destreza que Christopher Doyle demonstrou ao fazer uso de 4 cores para ilustrar as várias vertentes do relato de Sem Nome, e assim dar um novo significado à palavra "beleza".
Obviamente que o trabalho de Doyle nunca ficaria completo sem a complementaridade oferecida pelo maravilhoso guarda-roupa que, juntamente com a poética e hipnotizante banda-sonora, concluí o trio divino responsável por alguns dos momentos mais arrebatadores que a nobre 7.ª Arte já me mostrou.

Claro que os factores acima referidos não impedem "Herói" de ser igualmente uma obra de acção de cortar a respiração, graças aos seus duelos estimulantes e coordenados ao pormenor (embora fosse desnecessária a falta de realismo em alguns momentos).

E quer seja nos momentos mais serenos ou nas alturas mais tensas, também o elenco parece ter sido escolhido durante meses, já que todos os seus elementos (sim, estou a incluir Jet Li) obtêm performances inigualáveis. Infelizmente, os adjectivos começam a faltar, pelo que apenas reforçarei a ideia de que este é... fantástico.

Com o aproximar do fim desta análise a "Herói", estou perfeitamente convicto de que não lhe fiz qualquer justiça com estas palavras. Ainda assim, e se a minha opinião tem algum valor para qualquer dos leitores do Cinemajb, recomendo total e vivamente esta obra transcendente que é "Herói".
De preferência, a sua Versão Extendida, pela simples razão de conter mais 7 minutos de puro cinema.

Obrigado, Yimou Zhang.



N.d.R.- Consulta a primeira parte da crítica a "Herói" aqui.
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Herói (Parte I)


Por vezes existem filmes assim. Filmes capazes de nos arrebatar de tal forma, pelos melhores ou pelos piores motivos, que uma análise escrita parece quase impossível sob pena de não fazer a mínima justiça ao produto em questão.

O produto em questão é um com o qual eu nada me identifico, confesso. Aliás, muito raramente me aventuro para fora do cinema americano. "Herói" é um filme chinês, obviamente ligado às artes marciais, e com um elenco totalmente asiático a ser encabeçado por Jet Li, cujas capacidades para a arte da representação não justificam a popularidade do actor.

Sendo assim, foi de forma muito relutante que assisti a este "Herói" (em grande parte incentivado pelas análises do Roberto Simões e do Ricardo Vieira), sempre na defensiva e sempre na certeza de que o resultado final me iria desagradar.

Por vezes, há que admitir estarmos errados. Esta é uma daquelas ocasiões e, com mais ou menos preconceitos ou simplesmente gostos desfocados deste género de Cinema, em momento algum em me atreveria a dizer que "Herói" é um mau filme.
Muito pelo contrário, a fita de Yimou Zhang e apadrinhada por Quentin Tarantino (uma surpresa para mim e que elevou de imediato o meu interesse pela mesma) possui um nível qualitativo superado por muito poucos dos filmes que já tive o prazer de ver.
Assim, torna-se substancialmente mais fácil referir os aspectos de "Herói" que não me conquistaram totalmente.

O primeiro é a realização do já referido Yimou Zhang. Não obstante o seu magnífico trabalho durante grande parte da obra, sobre o qual me expressarei mais à frente, Zhang falha, redondamente a meu ver, nas sequências de artes marciais ao abusar clara e constantemente do slow-motion, atribuindo-lhes uma conotação de cansaço e aborrecimento totalmente desapropriada e obviamente escusada. Não sei se reunirei muito consenso neste meu ponto de vista, mas estou absolutamente convicto do que digo: se no início, o efeito era agradável e permitia uma perspectiva mais panorâmica da acção, o exagero da técnica apenas prejudicou o resultado final.

Apenas um outro obstáculo impede a minha total apreciação de "Herói": a linha narrativa utilizada para apresentar a trama do filme. Eu, honestamente, compreendo-a. São escolhas, e a usada para o argumento de "Herói", ao estilo de filmes como "Os Suspeitos do Costume", nunca me agradou.
Não me consigo conformar sabendo que estão a ser gastos dezenas de minutos com informações que se vêm a revelar, total ou parcialmente, falsas. Não me agrada, não consigo gostar. Já para não falar das consequências de tal linha narrativa, nomeadamente alguma confusão (não foi o meu caso, mas com outros aconteceu). Era desnecessário.

Reitero, no entanto, que estes foram os únicos factores que não me agradaram na totalidade. Afirmar que não gostei de algo, neste fenomenal "Herói", seria mentir.
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Gangs de Nova Iorque(Crítico Convidado-Filipe Assis)


Em si e por si, Gangs de Nova Iorque constitui um autêntico colosso, com uma abertura e um desfecho verdadeiramente memoráveis e geniais e onde a personalidade colectiva de uma identidade por definir tende a assumir, ao longo de todo o filme, o protagonismo; ainda muito mais do que a poderosa e brilhante interpretação de Daniel Day-Lewis.




Esta análise é totalmente elaborada por Filipe Assis e foi gentilmente cedida ao Cinemajb.

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Lilo e Stitch


Stitch é uma criatura monstruosa, desenvolvida por um cientista do mal para dominar o universo.O criador de Stitch, Jumba, é condenado à prisão espacial e Stitch ao exílio.No entanto, Stitch consegue fugir e acaba por aterrar na Terra, no Hawai...

Ignorando os filmes totalmente gerados por computador, podemos admitir que "Lilo e Stitch" é uma das melhores obras de animação que a Walt Disney Pictures nos ofereceu, neste novo século.

Apesar da narrativa ser muito oscilante, onde temos uma introdução fantástica, frenética e a fazer lembrar as obras Disney dos anos noventa, e um desenvolver da história um pouco lento e até algo aborrecido, "Lilo e Stitch" é um dos melhores produtos para a pequenada que por aí existe, excluindo as obras da Pixar. O Óscar de Melhor Filme animado não era nada mal entregue.

Obviamente, destaque para a banda-sonora, quase toda ela a cargo de Elvis Presley.

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Click

Um homem tem a sua vida modificada,quando recebe um controlo remoto que lhe permite avançar e recuar nela.
Aparentemente mais uma comédia típica de Adam Sandler,"Click" revela-se um filme cómico-dramático,com toques de fantasia à mistura.Poderia ter sido bem melhor,se tivesse apostado mais no género dramático,mas preferiu a veia cómica e grotesca,típica dos filmes de Sandler e o resultado final não ultrapassa a mediocridade.

O argumento,apesar de ter alguns buracos,é interessante e original.No elenco,destaque para o veterano Christopher Walken.
Nota-3*
O Melhor-A veia dramática do filme.

O Pior-A veia "cómica" do filme.
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