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Cães Danados


«Edição da crítica brevemente»

"Listen kid, I'm not gonna bullshit you, all right? I don't give a good fuck what you know, or don't know, but I'm gonna torture you anyway, regardless. Not to get information. It's amusing, to me, to torture a cop. You can say anything you want cause I've heard it all before. All you can do is pray for a quick death, which you ain't gonna get."

"I'm very sorry the government taxes their tips, that's fucked up. That ain't my fault. It would seem to me that waitresses are one of the many groups the government fucks in the ass on a regular basis. Look, if you ask me to sign something that says the government shouldn't do that, I'll sign it, put it to a vote, I'll vote for it, but what I won't do is play ball. And as for this non-college bullshit I got two words for that: learn to fuckin' type, 'cause if you're expecting me to help out with the rent you're in for a big fuckin' surprise."

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Jackie Brown


Esclarecerei antes de mais: "Jackie Brown" não é o meu filme favorito. Nem é sequer o meu filme favorito de Quentin Tarantino. Aliás, "Jackie Brown" é o filme menos "à Tarantino" de Tarantino.

A história é perfeitamente banal, a realização apresenta alguns toques típicos do mestre (a fixação por pés-neste caso os de Bridget Fonda) mas pouca inovação, e o argumento não é dos melhores. Os diálogos estão presentes mas em quantidade assustadoramente reduzida, e Tarantino insiste em focar-se nas personagens menos interessantes, nomeadamente a de Robert Forster, em vez de dar destaque aos melhores elementos do elenco.

Elenco este que deixa também a desejar, existindo um tremendo desequilíbrio entre os vários intérpretes. A protagonista Pam Grier confunde carisma com irritação constante e torna-se verdadeiramente desagradável. Robert Forster não justifica, de todo, a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário. Ao veterano actor falta garra e energia, mostrando-se aborrecido e transmitindo esse aborrecimento a quem o está a ver. Já Michael Keaton só quer mesmo ter estilo, acabando por fazer uma figurinha bem ridícula.

Bem melhor está Samuel L. Jackson, a fazer uma variação de Jules Wintfield mas com o cunho de Tarantino bem visível. Uma grande interpretação, um personagem fantástico, e muito bem suportado pelo fabuloso Robert De Niro que, num papel que nada combina consigo, prova a sua versatilidade e inerente talento. Também gostei da presença de Bridget Fonda, forte embora merecesse mais protagonismo.

"Jackie Brown" é um dos piores filmes de Quentin Tarantino. O material com que trabalhava não era o mais promissor e interessante, tendo sido igualmente explorado da pior forma.
Apesar da precipitação com que conduziu "Jackie Brown", Quentin Tarantino continua a ser incapaz de fazer um mau filme.Ficam alguns excelentes momentos (devidamente acompanhados por, como não podia deixar de ser, uma banda-sonora de grande qualidade) neste produto que marca a junção do meu realizador de eleição com o meu actor de eleição.


"-Is she dead? Yes or no?
-Pretty much."

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Sacanas Sem Lei (Parte III)


Quentin Tarantino volta a acertar também na escolha do elenco, onde somos mais uma vez presenteados com uma série de excelentes descobertas no campo da representação.
Todos elogiam a fantástica interpretação de Christoph Waltz (não discordo), no entanto não posso começar esta parte sem me referir ao líder de toda a "trupe": Brad Pitt, um dos melhores actores da actualidade e constantemente subvalorizado. Pitt dá-nos um carismático Aldo Raine, usufruindo do seu enorme talento e dedicação (o sotaque do Tenesse é genuinamente hilariante)e protagonizand0 alguns dos melhores momentos de toda a película e isto afastando-se da imagem de sex-symbol que lhe é cada vez menos associada. Brad Pitt elabora uma grande interpretação (claramente superior à de "O Estranho Caso de Benjamin Button") e cheira-me a prémios.
Depois, temos o já referido Christoph Waltz que se revela um verdadeiro achado a todos os níveis, estando para "Sacanas Sem Lei" como Samuel L. Jackson está para "Pulp Fiction" (lá estão as comparações com a obra de 1994). O papel é fenomenal, a interpretação é brilhante e o Oscar de Melhor Actor Secundário é obrigatório.
Finalmente há que referir a pérola do tesouro, a cereja no topo do bolo: Mélanie Laurent. Se já com a sua beleza a jovem actriz é capaz de iluminar uma sala, é o seu talento que nos deixa boquiabertos. A determinação, a credibilidade, a segurança, a confiança e a garra com que agarra o papel revelam um enorme talento para a arte da representação e estou certo de que ainda ouviremos falar muito dela nos próximos anos.

E claro, existem sempre aqueles aspectos tão bem conseguidos nas obras de Tarantino, como a fotografia, a banda-sonora ou o guarda roupa.

É "Sacanas Sem Lei" o melhor filme do ano? É sim. Mesmo estando por estrear obras muito esperadas, este é um facto consumado: "Sacanas Sem Lei " é o melhor filme do ano de 2009 e também o melhor deste século até ao momento.
É "Sacanas Sem Lei" o melhor filme de Quentin Tarantino? Neste ponto, penso que estou igual ao próprio realizador: Ainda não tenho a certeza...


"I think this just might be my masterpiece"

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Sacanas Sem Lei (Parte II)


Mas Quentin Tarantino fá-lo com certeza. E fá-lo apresentando ao espectador todas as técnicas a que já estamos habituados, mas arriscando ainda mais do que em qualquer outro filme seu, revelando a já mais do que evidente mestria mas também um enorme cuidado e preocupação com certos aspectos culturais, fundamentais para o fim condutor.

A realização é, por e simplesmente, imune. Imune à falha e ao defeito, a realização é sobretudo imune a qualquer crítica que não contenha a palavra perfeição, algo que a define na... perfeição.
Dos belíssimos planos mais artísticos (suportados por uma cinematografia de peso), onde Tarantino mostra toda a sua sensibilidade, aos planos mais simples e já característicos do realizador como o conhecido fetiche por pés (que, curiosamente ou não, acaba por ser um aspecto de relativa importância na recta final do filme), a realização de Quentin Tarantino atinge um novo patamar de excelência e consegue um feito que nenhum outro filme do realizador conseguiu: mostrar simultâneamente a irreverência característica de um jovem Quentin Tarantino, mas também a maturidade do experiente Quentin Tarantino.

O argumento, esse, é possivelmente o trabalho de uma vida.
Se é certo que o de "Pulp Fiction" (as comparações são inevitáveis, principalmente para mim) é genial em todos os aspectos, o argumento de "Sacanas Sem Lei" prima pela coragem necessária para satirizar um dos piores períodos da história e pela sensibilidade para dramatizar (ainda mais e sem se tornar frouxo) este mesmo acontecimento.Quentin Tarantino idealiza mais uma vez uma série de histórias cruzadas, mas que chocam violentamente. E isto tudo sem descurar factores e sentimentos essenciais para qualquer filme, sendo que "Sacanas Sem Lei" nos consegue fazer reflectir seriamente mas também entreter profundamente.
O drama, a comédia, a acção. Todos estão presentes mas nenhum é dominante. Quentin Tarantino joga com as nossas emoções de uma forma sobre-humana, e sem sequer darmos conta. E isso, diga-se, é absolutamente brilhante.
Obviamente que não posso terminar esta parte sem referir dois aspectos fulcrais para o triunfo a todos os níveis de um dos melhores argumentos de sempre, e que são os diálogos e a variedade linguística.
Os diálogos estão lá. Não mais a dizer. "Os diálogos estão lá" é tudo o que qualquer alma que aprecie minimamente Cinema precisa de saber para ter a certeza de que "Sacanas Sem Lei" é de visualização obrigatória. E aqui é que se vê que a verdadeira Fábrica dos Sonhos está na mente de um homem: Quentin Tarantino.
E, claro, a riqueza linguística de "Sacanas Sem Lei" que é símbolo da já referida maturidade ou coragem, mas também símbolo de uma determinação tão forte que apenas estabelecerá um limite para Quentin Tarantino: o Céu.
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Sacanas Sem Lei (Parte I)


O tenente Aldo "O Apache" Raine (Pitt) é o comandante da mais recente força militar dos Aliados: "Os Bastardos", um grupo de soldados muito pouco convencionais cujo objectivo é apenas um, o de matar Nazis.
"Os Bastardos" vão ganhando fama e semeando o terror entre os soldados de Hitler, até que a sua grande oportunidade de acabar definitivamente com a guerra surge. E esta é a de explodir um cinema convencional, pertencente a uma jovem francesa (Laurent), onde estarão presentes todos as principais figuras do nazismo incluindo o próprio Hitler.
Mal estes sabem que a dona do Cinema, que é na realidade uma Judia que viu toda a sua família ser massacrada pelo cruel Hans "O Caçador de Judeus" Landa (Waltz), já tem os seus próprios planos.

Quentin Tarantino foi o homem que revolucionou para sempre a indústria cinematográfica, ao escrever e realizar "Pulp Fiction", um filme à parte de todos os outros. Tarantino continuou a inovar e inovar, oferecendo sempre ao seu público filmes tão carismáticos quanto qualitativos.

No entanto, nunca pensei que Quentin Tarantino se conseguisse reinventar (e possivelmente até superar) desta forma tão excelsa, tão multicultural, tão sarcasticamente provocadora mas ao mesmo tempo tão dramaticamente tocante.
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Pulp Fiction

O filme segue,entre outras histórias secundárias, as "peripécias" de dois assassinos baratos(John Travolta e Samuel L. Jackson), o jantar de um deles com a mulher do seu patrão(Uma Thurman) e de um boxeur em fuga(Bruce Willis), após ter quebrado uma promessa.

Quentin Tarantino é um fantástico realizador mas principalmente um genial argumentista.
E aqui, neste "Pulp Fiction", Tarantino "pinta" a sua obra de arte, conseguindo vários feitos. Feitos esses como escrever e realizar um dos mais importantes filmes da década de 90 e abrir as portas a outros realizadores que seguiriam o seu estilo, embora nunca lhe chegando aos calcanhares, como Guy Ritchie(Revólver) e P.T. Anderson(Magnólia).

Começo mesmo por referir o trabalho de Tarantino neste filme, quer como actor mas principalmente com o seu argumento e realização que são verdadeiramente excepcionais, sendo mesmo difícil dizer qual das tarefas desempenha melhor, o argumento extremamente original que só ele consegue escrever(premiado pela Academia) ou a impecável realização.
Uma coisa é certa, Tarantino é muito bom em ambas as tarefas e atinge, em "Pulp Fiction", o mais alto momento da sua curta, mas marcante carreira tendo conseguido um Óscar e uma nomeação.
Passando agora ao elenco, esta é uma tarefa muito difícil, a de destacar alguém pois estão todos absolutamente fabulosos nos seus papéis parecendo mesmo que (quem sabe não é o caso de um ou dois) os papeis foram mesmo escritos para os actores que os interpretaram.Contudo, não me quero alongar muito nesta parte pois o elenco é mesmo muito bom e grande por isso vou destacar quem merece mesmo.
E o destaque vai, indubitavelmente, para os dois reais protagonistas do filme, o "impetuoso" John Travolta e o "religioso" Samuel L. Jackson, que conseguem as duas melhores interpretações do filme bem como, sem sombra para dúvida, as duas melhores "performances" das suas carreiras, tendo mesmo sido ambos premiados com uma nomeação da academia.
Repito e saliento, que o resto do elenco também está fabuloso.

No geral, este é um filme simplesmente fabuloso em todos os aspectos com especial destaque para os factores acima referidos e que tomou a posição de "filme da minha vida".


O Melhor- Tudo
O Pior- Ter perdido quase todos os Oscares para que estava nomeado, os mais importantes para um filme banal como "Forrest Gump".
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