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domingo, 12 de julho de 2015

Qual o país com mais 'defaults' da história? (E não, não é a Grécia)

"Um país entra em 'default' quando não consegue cumprir as suas obrigações e compromissos financeiros junto dos seus credores e, dessa forma, entra em incumprimento. A Grécia é o caso mais recente. No entanto, não é o país que mais vezes esteve perante esta situação.
De acordo com um estudo da Universidade de Harvard, citado pela Europa Press, o país que mais vezes entrou em situação de 'default' foi, nada mais nada menos, do que a Espanha. Mais concretamente, por 14 ocasiões. A maioria delas aconteceu no século XVI, por seis vezes, e no século XIX, outras seis sendo que uma delas durou 31 anos.
O estudo considera o 'default' como uma crise de dívida externa decorrente de instabilidade política, guerras e revoluções, ou por períodos de crédito barato alimentado por um aumento especulativo de empréstimos.
O ranking dos países com mais 'defaults', atualizado recentemente pela BBC, revela que a maioria dos países que mais vezes foram incapazes de pagar as suas dívidas ou foram forçados a reestruturá-la pertence à América Latina. Assim, o pódio fica completo com a Venezuela e Equador (cada um com 11 'defaults'. Logo a seguir surge o Brasil, com 10.

Depois de Espanha, o país europeu que mais vezes entrou em incumprimento foi a França - 9 ocasiões - e depois a Alemanha, 8 vezes. Até Portugal surge com cadastro pior do que o da Grécia, uma vez que Lisboa entrou em 'default' por 7 vezes, enquanto que Atenas só não cumpriu os seus compromissos em 6 ocasiões." 
(http://www.dinheirovivo.pt/Economia/interior.aspx?content_id=4658120)

sábado, 6 de agosto de 2011

JUROS DE PORTUGAL CAEM 100 pontos .... MAS ....

Eudora Ribeiro
BCE volta ao mercado e compra dívida portuguesa e irlandesa. A percepção de risco da parte dos investidores em relação a Portugal dá sinais de alívio. O mesmo se verifica em relação a Espanha e Itália.
Os juros dos títulos de dívida de Portugal caem em todos os prazos, sobretudo nas taxas das obrigações com prazos mais curtos.
A 'yield' dos títulos de dívida a 2, 3 e 4 anos registam quedas superiores a 100 pontos base até aos 13,5%, 14,52% e 13,59%, respectivamente. E também as maturidades mais longas seguem em queda, mas mais ligeira, com o juro a 10 anos a descer 33 pontos base para 10,97%.
Esta evolução surge depois de o Banco Central Europeu (BCE) ter voltado hoje ao mercado para comprar obrigações de Portugal e Irlanda, pelo segundo dia consecutivo, numa nova tentativa de travar a escalada dos juros no mercado secundário.
No mesmo sentido seguem as taxas das obrigações da Irlanda e também de Espanha e Itália, os dois países que têm sido os 'novos' alvos dos mercados, apontados como as próximas vítimas da crise da dívida soberana na zona euro.
No mundo dos 'credit-default swaps' (CDS) sobre obrigações do Tesouro a 5 anos - que são uma espécie de seguro contra o eventual incumprimento de um Estado ou empresa - também se verifica um alívio dos receios dos investidores em relação à Irlanda, Portugal, Espanha e Itália, além da Grécia.
O preço de segurar o eventual 'default' de Espanha, por exemplo, cai 11 pontos para os 405,83 mil euros, o que quer dizer que por cada 10 milhões de euros aplicados em dívida espanhola os investidores têm de pagar um seguro anual de 405,83 mil euros.

História - Os países europeus que mais vezes entraram em bancarrota (DE)


A Europa já assiste a ‘defaults' desde 1340 e Espanha lidera lista de incumpridores. Portugal aparece sete vezes na lista.
A palavra ‘default' só precisa de ser sussurrada para ser o bater de asas de borboleta que causa terramotos nos mercados, mas desde 1340 que os países europeus caem em incumprimento, com a Espanha à cabeça.
De acordo com dados consultados pela Lusa, recolhidos por investigadores americanos e pelo Credit Suisse, a primeira situação de incumprimento registada na Europa deu-se em 1340 pela Inglaterra, mas o recorde, até ao momento, é detido pela Espanha, com sete ‘defaults' só no século XIX, depois de seis nos 300 anos que o antecederam.
"Com a sua série de incumprimentos no século XIX, a Espanha tomou o manto de mais incumpridora à França, que tinha renunciado às suas obrigações em oito ocasiões entre 1500 e 1800", escrevem os académicos Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, a primeira uma antiga vice-presidente do Bear Stearns e o segundo um antigo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, no livro ‘This Time is Different: Eight Centuries of Economic Folly'; (algo como "Desta vez é diferente: Oito séculos de loucura económica").
Uma tabela compilada pelo Credit Suisse confirmava a posição da Espanha como ocupante do trono dos incumpridores: entre 1557 e 1939, a Espanha renegou os seus compromissos de dívida não uma, duas nem três vezes, mas sim 18 vezes, contra as "meras" sete ocasiões de Portugal e nove francesas.
Muitas destas situações de incumprimento foram motivadas por guerras (16 das 18 ocorrências espanholas tiveram lugar em momentos de confronto) ou, no caso dos países com colónias, pela independência das mesmas.
Nem a Alemanha escapa a esta lista, verificando-se ‘defaults' em terreno germânico (ou prussiano, dependendo do momento histórico) em cinco pontos dos últimos 500 anos, desde 1683 até 1939, segundo a lista do Credit Suisse.
O panorama nos séculos XVIII e XIX era de tal forma que o ministro francês das Finanças, Abbe Terray, em funções entre 1768 e 1774, chegou a dizer, citado por Reinhart e Rogoff, que os governos deviam entrar em incumprimento uma vez por século para restaurar o equilíbrio, uma espécie de catarse.
Os dois economistas consideram que "talvez mais do que qualquer outra coisa, o fracasso em reconhecer a precariedade e a fragilidade da confiança é o factor-chave que dá origem à síndrome dedesta vez é diferente', ou seja, governos altamente endividados, bancos e empresas parecem estar a saltitar de forma contente por um período prolongado, quando, de repente, a confiança cai, os empréstimos desaparecem e a crise chega".