Meus amigos e amigas do ®DOUG BLOG, tem gente que confunde horas com tempo; direção com destino; fome com gula; amor com clausura; fé com religião; etc... - mas, as horas são o que marcam os nossos relógios; tempo é o que fazemos com nossas vidas, com o que estamos ocupados; a direção é o que guia as bússolas; o destino (se é que existe destino?), é um objetivo, é tudo o que fica determinado pela providência ou pelas leis naturais; a fome é a privação de alimentar-nos; enquanto a gula é um dos 7 pecados capitais; o amor é um sentimento; o claustro (no sentido bíblico), nos matará, igual a uma flor dentro de uma cúpula; e a religião é exatamente o oposto da fé, porque, a fé une as pessoas, enquanto a religião (independentemente de qualquer crença), é exatamente o que as separa.
Como diz um dos meus aforismos, que à primeira vista parece contraditório. Mas, o que não nos parece contraditório nesta vida?
“Nada é eterno, mas, tudo é infinito!”
O tempo não está nas nossas mãos, nem nos relógios que marcam segundos, minutos e horas. O tempo passa e deixa marcas e a vida que continua e nunca mais volta, vai aniquilando impiedosamente a humanidade através do acúmulo de idade, das doenças, catástrofes, guerras, etc..., continuando seu curso infinito com as novas gerações.
Vivemos em um mundo repleto de borrões, como se fossemos um “Teste de Rorschach”¹. Se as janelas da percepção estivessem limpas, tudo nos pareceria infinito dentro da nossa finitude humana.
O pescador solitário pesca no barco parado, observando o horizonte infinito, porque, a solidão atrai os peixes. Mas, na sociedade, na “maré” da vida útil, ninguém vai longe num “barco imóvel”.
“Albert Einstein” (14 de março de 1879 - 18 de abril de 1955), disse algo cheio de inteligência e sarcasmo sobre o infinito: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta.”
O tempo passa e algumas coisas parecem não mudar. As pracinhas das cidades interioranas, por exemplo, têm o mesmo aspecto e não importa o país em que se encontrem, há sempre uma igreja, uma estátua, uma longa rua ajardinada, uma fonte de água, bancos, postes antigos e um coreto musical. Às vezes nada está bem preservado, mas, mesmo em estado precário, ainda existe.
E nós somos todos assim, muito parecidos, separados pela “Babel geográfica” dos idiomas. Teimosos que somos, só procuramos cuidar da nossa saúde quando o problema se torna crônico, como se fôssemos infinitos, mesmo tendo sabedoria desde o início da vida, sobre a nossa finitude no “Tempo Rei” que impera implacavelmente em sua infinitude.
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[NOTAS FINAIS ®DOUG BLOG]
¹ O “Teste de Rorschach”, popularmente conhecido como “teste do borrão de tinta”, foi difundido pelo psiquiatra e psicanalista suíço, “Hermann Rorschach”(8 de novembro de 1884 - 2 de abril de 1922). É uma técnica amplamente utilizada em vários países e consiste em dar respostas sobre com o que se parecem as dez pranchas com manchas de tinta simétricas. A partir das respostas, procura-se obter um quadro amplo da dinâmica psicológica do indivíduo.
“Tempo Rei” (1984) [Voz e Violão]
“Gilberto Passos Gil Moreira”
(26 de junho de 1942)
♫Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito que tem sido
Transcorrendo, transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos
Pães de Açúcar, Corcovados
Fustigados pela chuva e pelo eterno vento
Água mole, pedra dura
Tanto bate que não restará nem pensamento.
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei.
Ah, ah, ah, ah...
Pensamento
Mesmo o fundamento singular do ser humano
De um momento para o outro
Poderá não mais fundar nem gregos, nem baianos
Mães zelosas, pais corujas
Vejam como as águas de repente, ficam sujas
Não se iludam, não me iludo
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo.
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei.
Ah, ah, ah, ah...
Tempo rei, ó, tempo rei, ó, tempo rei
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, ó, pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei.
Puuuh!
Oh, oh, oh, oh...♫